HELIOPAZ (ARTIGO) MODELO DE CRUZAMENTO DE CONVERSAÇÕES ONLINE E OFFLINE A PARTIR DOS AMBIENTES DOS BLOGS E DO ENCONTRO PRESENCIAL

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Este artigo foi adaptado do capítulo 6 (Procedimentos Metodológicos, pp. 79 a 102 da dissertação) para caber em um artigo científico com no máximo 15 páginas – contando resumo, palavras-chave e referências bibliográficas. Eliminei parte das considerações pessoais e as tabelas referentes aos cruzamentos das informações observadas nos blogs.

Parece complicado, mas cada critério foi – naquele momento – rigorosamente fundamental para a compreensão do contexto. Como a leitura deste artigo é impossível sem as tabelas correspondentes, baixe-as aqui. É interesssante abrir mais de um PDF ao mesmo tempo para poder compará-los: amplie e reduza-os à vontade na sua tela.

Isso justifica uma explicação inicial que dei no capítulo 1 da dissertação, onde justifiquei o porquê de não ter impresso as tabelas em anexo como novas páginas da pesquisa maior. ;)

Agradeço muitíssimo às professoras Sandra Montardo (FEEVALE) e Adriana Amaral (UTP) pela aceitação deste trabalho no simpósio III ABCIBER (São Paulo, 2009). Foi o primeiro momento no qual encontrei confiança e um espaço para poder submeter um trabalho acadêmico em nível nacional.

O original encontra-se aqui.

SEESMIC, BLOG, TWITTER, LINGUAGEM, CONTEXTO, ATIVISMO, COMUNICAÇÃO

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Quando tenho um pouco mais de tempo e saco pra escrever, eu escrevo. Do contrário, gravo um vídeo e converso com vocês de uma maneira mais ágil, embora infelizmente quase ninguém aqui no Brasil tenha ainda sacado a essência do SEESMIC, que não é apenas um serviço pra gravar recados com a webcam e postá-los mas, sim, estabelecer uma CONVERSAÇÃO MAIS DINÂMICA.

Explicando melhor o que já havia dito NESTE POST AQUI, o objetivo, a idéia ou o fundamento para o qual os desenvolvedores do SEESMIC pensaram o serviço não é, de forma alguma, exaltar o ego de alguém que cultiva a singela vontade de aparecer midiaticamente através de um recurso audiovisual: ele foi feito para que possamos estabelecer conversações ou particulares (dá pra configurar a visualização das respostas e do acesso a determinados tópicos restrita a um pequeno grupo de interagentes), ou – e aí é que está o grande barato da ‘brincadeira’ – para muita gente trocar idéias.

A maneira mais produtiva e gratificante de utilizar o SEESMIC consiste em iniciar a conversação a partir de uma pergunta ou de um comentário sobre uma questão cotidiana qualquer a partir de um usuário iniciador, estimulante, instigador. Depois, em resposta ao mesmo vídeo sem criar um assunto ou um título novo, surgem diversas pessoas, cada uma dando o seu pitaco.

Em outras palavras, o SEESMIC possibilita que se evite perder muito tempo para articular um texto complexo. E mais: pelo menos de acordo com observações preliminares sobre as pessoas que eu sigo, boa parte dos meus contatos são canadenses e australianos. A maioria dessa rede social que estou acompanhando apresenta alguns sexagenários, aposentados e free lancers (principalmente de setores que costumam trocar o dia pela noite) não tão jovens quanto a amostragem que a RAQUEL RECUERO e a GABRIELA ZAGO encontraram em relação ao usuário brasileiro do TWITTER. (IMPERDÍVEL: confiram resultados preliminares em três partes: UM, DOIS e TRÊS) Embora precise efetuar uma verdadeira pesquisa quantitativa, qualitativa e netnográfica, até o momento, o SEESMIC parece estimular mais a participação de um internauta mais maduro.

Nesse ponto, penso que o discurso de crítica das práticas jornalísticas e de ativismo político que costuma ser bastante combativo e bem argumentado dentro dos nichos de blogueiros como os compostos pela maioria dos meus amigos gaúchos e também por vários blogueiros espalhados pelo país (a maioria deles vinculada ao coletivo SIVUCA) poderia atingir um público um pouco diferente, tendo em vista dois aspectos (que, por enquanto, ainda não passam de uma mera impressão deste que vos fala):

a) JOVENS QUE NÃO GOSTAM/ACHAM QUE NÃO SABEM ESCREVER: esses, sim, depois de uma experimentação inicial provavelmente baseada no ego e, consequentemente, em um conteúdo singelamente CURCUBITAL, provavelmente tenderão a explorar o SEESMIC com menos filtros sociais e com maior desinibição. Passado o momento de autoidolatria ou de brincadeira, eles irão, aos poucos, passar a discutir sobre assuntos que os afligem ou que os atraem. E é aí que se pode diminuir radicalmente o DESENCAIXE (v. GIDDENS) entre a geração de militantes e ativistas que vivenciaram a ditadura militar e ainda creem em povo, classe operária e em comunicação massiva e a atual geração que, a meu ver, não é tão alienada nem tão hedonista quanto muitos teóricos franceses apocalípticos costumam crer. É a chance de aprender, de praticar e, sobretudo, de fazer parte, de conviver, de compartilhar uma estética e uma retórica condizentes com o contexto no qual essa geração está crescendo;

b) IDOSOS E PESSOAS COM PROBLEMAS DE VISÃO (falando em PNE ou Portadores de Necessidades Especiais e CMC ou Comunicação Mediada pro Computador, sugiro que acompanhem o relevante trabalho que a professora SANDRA MONTARDO faz no MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE): definitivamente, esse é um público que apresenta dificuldades em ler e escrever. Além disso, pertence a uma geração que possui muito mais dificuldades em aprender a utilizar as Tecnologias da Comunicação e da Informação do que a juventude atual (aprendizado instintivo e inato) e do que a geração de meia idade (altamente influenciada pela imprensa escrita e pela televisão, meios cuja gramatologia é, para este público, inata).

Escolas, LAN houses, telecentros e, em ambiente doméstico, um contingente cada vez maior de consumidores dos estamentos chamados pelas pesquisas de mercado como ‘classes’ A, B e C que não tem por hábito blogar.

Portanto, considero fundamental jogar com o blog, com o TWITTER e com o SEESMIC em conjunto com as primeiras TICs (listas de e-mail e web fora).

Na primeira vez em que citei e mostrei rapidamente o SEESMIC para alguns amigos ativistas, houve algumas manifestações de preocupação em mostrar a cara. Digo que cada um sabe aonde lhe aperta o calo e que há certas pessoas que, infelizmente, nas empresas públicas ou privadas de qualquer área do conhecimento nas quais trabalham, correm o risco de sofrer perseguições políticas e ideológicas decorrentes de diferenças entre a sua crença em valores mais humanistas e entre a crença de donos e de executivos em valores mais dinheiristas. Outros, temem pela integridade física e moral de suas famílias em função de denunciarem interesses suspeitos.

Todavia, há uma série de questões sociais sérias e politizadas que oferecem um risco muito pequeno de sofrer represálias que não são discutidas à exaustão como deveriam ser, que podem contar com esse público menos afeito à leitura e à escrita como participantes ativos da construção e da retomada da cidadania plena.