ESTE BLOG É “NORMAL”?!

Nunca pensei em estabelecer um critério rígido para postagens. Normalmente, os blogs de repercussão e audiência mais significativos possuem um tema específico e são voltados para um determinado nicho.

Porém, aqui, costumo tratar sobre uma ampla gama de assuntos. Percebo inclusive que, ao invés de alterná-los (Grêmio, futebol em geral, mídias sociais, ciberativismo e política – não necessariamente nesta ordem), alguns prevalecem sobre os outros em função do contexto socioeconômico, político e cultural das pautas que considero relevantes para serem tratadas.

De tempos em tempos, minha presença digital sofre com alguns conflitos existenciais. O mais dramático e recorrente desses conflitos se deve ao fato de que o meu tempo, os meus interesses e a origem dos links e das discussões que são “a minha cara” vêm das pessoas que sigo no Twitter. E isso reduz a minha capacidade de blogar como antigamente.

Também reconheço uma enorme dificuldade de escrever conteúdo significativo, relevante, de valor, que valha a pena para quem interage com o blog retransmiti-lo, comentar, escrever sobre.

Há, ainda, a gigantesca perda do potencial de multiplicação do conteúdo em função do fato de eu não dominar técnicas de SEO, de não blogar todos os dias, de não ter um foco: quando falo sobre o Grêmio, as pessoas da política me largam e vice-versa. Mas também não tenho aquele interesse todo em fazer deste blog um reduto acadêmico, blasé, teórico (o que talvez me rendesse pontos em um nicho para o qual não pretendo me exibir).

Por fim, perdi muito público quando decidi registrar o domínio próprio. Passei muitos dias com o blog fora do ar, deu trabalho para migrar o conteúdo e muitos interagentes relevantes já tinham o URL antigo em seus respectivos blogrolls.

Enfim… No dia em que parar de me preocupar com essas questões, acho que as coisas vão fluir como terá de ser…

E AGORA, DUDA?!

(adaptação sobre poema de “José” de Carlos Drummond de Andrade, imortalizada em canção de Chico Buarque de Hollanda)

O time perdeu,
A torcida calou,
O sócio sumiu,
A Brigada espancou,
E agora, Duda?
E agora, nós?
Tu que tens bom nome,
Que tens convicções
Do teu jeito reverso,
Que não ouve protestos,
E agora, Duda?

Estás sem apoio,
Perdeste o discurso,
Estás sem carinho,
Já não podes comprar,
E nem mais dispensar,
Ordenar já não pode,
O futebol já marchou,
Eder Luís não veio,
Gilberto Silva não veio,
Roger Chinelinho não veio,
Não veio a conquista,
O Gauchão enganou,
O Silas ruiu,
Meira muito errou,
E agora, Duda?

E agora, Duda?
Tua mansa palavra,
O teu fraco entusiasmo,
As tuas crenças erradas,
O teu Grêmio,
O nosso Grêmio,
Teu telhado de vidro,
Tua fraca sapiência,
Tua fraqueza – e agora?

Sem o time na mão
A salvação é Renato,
Não existe milagre;
Não queres morrer na praia,
Mas a praia secou;
Queres apoio,
Apoio não há mais.
Duda, e agora?

Se tu vencesses,
Se os resultados viessem,
Se desculpas pedisses
A torcida voltaria,
Se com Bandeira aprendesses,
Se com Obino aprendesses,
Se com Koff aprendesses…
Mas tu não aprendes,
Tu és teimoso, Duda!

Dormindo acordado
Qual menino assustado,
Sem utopia,
Sem poder ir pra Punta,
Para descansar,
Sem garantir que nos salve
Do rebaixamento iminente,
Morremos em vida, Duda!
Duda, em vida…

YEDA, CPI, CONJUNTURA, PT, AÇÃO SOCIAL

O Agente 65 pergunta o seguinte no post que originou o que mais abaixo escreverei:

“Minha opinião é que sai a CPI, deputados renunciarão, secretários pedirão demissão, Yeda abdica do trono e muita gente vai pra cadeia. Duvida?”

Respondi a ele nos comentários que adoraria não duvidar. Porém, não confio no Judiciário, que é tão oligárquico quanto os corruptos que mandam no RS há zilhões de anos. Não adianta: o Judiciário é tão viciado quanto o jornalismo corporativo porque a origem econômica e social dos funcionários mais destacados é similar à dos donos da indústria para a qual produzem.

A necessária mudança na mentalidade e no perfil conservador e preconceituoso do grosso dos integrantes atuais dos campos jurídico e midiático só se dará no Brasil quando pelo menos duas gerações de novos juristas e de novos magistrados for oriunda do Bolsa Família, do ProUni e da tão esperada quanto lenta e gradual qualificação do magistério público no Brasil.

Por semelhança de valores e por não existir imparcialidade em absolutamente nenhuma questão humana, a referência de todos costuma ser sempre a da proximidade (comunitária, étnica, religiosa, profissional, etc.): quanto mais parecido for o réu, a testemunha ou o acusador com o advogado, com o juiz, com o desembargador, com o procurador e assim por diante, maiores serão as suas chances de ser culpado ou inocente, dependendo da situação.

Sou do tempo em que figuras lamentáveis que estão em evidência no cenário político-partidário gaúcho há anos possuíam seus 45, 55 anos. Nesse sentido, vendo-as hoje com 70 a 80 anos e repletas de sucessores estúpidos e menos inteligentes, percebo um tom positivo: afinal de contas, parece que a sucessão “real” passará mesmo a ser uma sucessão mais democrática caso as leis de financiamento de campanha reduzam a possibilidade de caixa dois.

Voltando à questão: como tudo isso irá demorar, na minha opinião, não menos do que duas décadas, por ora, o PT não tem como se coligar com nenhum dos grandes partidos por duas razões: primeiro, porque a esquerda como um todo se fragmentou; segundo,  porque não adianta nada o Tarso ter 35% contra 28% do Fogaça agora (acho que essa diferença não aumenta nem diminui grande coisa até as eleições), já que a direita se junta e derrota a esquerda quase sempre.

Contudo, o pior desse quadro é o fato de que a prática da mídia corporativa tende a se manter muito semelhante à prática atual em função de ainda não verificarmos uma pressão considerável do Governo Federal contra as concessões públicas concentradas nas mãos de poucos. Quero crer que o projeto secreto do qual Eduardo Guimarães fala que está agilizando com um determinado grupo de interessados (que, a meu ver, não precisava ser secreto) e que a Conferência Pró-Democratização da Comunicação (não sei se o nome é bem esse – estou com pressa de procurar), que envolve concessões bem mais flexíveis e baratas para rádio e TV digitais juntamente com a aceleração na instalação de banda larga nas periferias realmente decolem. Do contrário, a emergência de ações políticas, sociais e econômicas contundentes na direção da satisfação das demandas da base da pirâmide oriunda das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) ainda não se dará no mesmo nível em que ocorrem nos EUA pelo menos desde 2004.

Continuando essa estrutura conjuntural da mídia e do Direito no ponto em que nos encontramos hoje, infelizmente, preciso dizer que as chances do Desgoverno Yeda cair de vez antes do final de seu mandato será pequena. Caso Yeda caia, Feijó será governador. Em um lance rápido, poderá privatizar tudo. Portanto, não adianta entrarem os suplentes de possíveis deputados afastados pela  ação de uma lenta CPI. Os comprovadamente culpados de corrupção, tráfico de influência e outros tipos de crimes só serão julgados anos após o final de seus mandatos.  Mesmo assim, uma quantidade considerável dos meliantes se safará dessa em função do Judiciário que temos.

Se quem julga e quem é julgado pensa o mundo de maneira muito parecida e costuma fazer parte das mesmas redes sociais, independentemente de nomes, partidos, intenções pessoais e de não terem absolutamente nada contra si na Justiça, a tendência é a de que a maioria dos suplentes que porventura venha a ocupar os cargos vagos será conivente por interesse. Nesse caso, a conivência por interesse é irmã do “calar e consentir”. Normalmente, essa prática é muito mais nocivo ao sistema do que o ladrão direto e explícito: afinal de contas, não é preciso meter a mão na grana pra se beneficiar largamente.

Classe mérdia bovina, obrigado por tudo. Ontem, hoje e durante mais um bom tempo…

Enquanto isso, sigo o verso da canção Caio no Suingue do grupo de percussão carioca Pedro Luís e A Parede:

SE TODOS REALIZAM ALGO, O MUNDO SEGUE O SEU CAMINHO.

É por isso que, embora necessária e por mais que eu seja ideologicamente identificado com a esquerda; por mais que eu siga votando no PT por identificação programática e por simpatia pessoal com muitas pessoas, gostaria de ter opções mais sólidas, que fizessem menos concessões e conseguissem ter peito de agilizar mais as reformas em curso no país.

Nesse ponto, confio mais na ação do voluntariado, nas redes sociais, no uso das TICs e na mudança de um discurso menos partidário e menos evangelizador, voltado para a juventude através de uma linguagem mais imagética do que textual.

Pressionar o poder institucionalizado é muito mais eficiente do que fazer parte dele. Afinal de contas, sem envolvimento partidário direto, é muito mais fácil preservar a integridade dos valores e aglutinar pessoas próximas com objetivos comuns a fim de meter a mão na massa e desburocratizar as ações enquanto estivermos vivendo sob este contexto.

MÍDIA BRASILEIRA: A MAIS ALARMISTA DO MUNDO?

GABRIELA GUIMARÃES, filha do presidente e fundador do MOVIMENTO DOS SEM-MÍDIA, o consultor internacional de autopeças EDUARDO GUIMARÃES, confirma que a mídia corporativa brasileira pode ser uma das mais alarmistas do mundo em relação à crise econômica mundial.

Em um país com uma quantidade acima da média de políticos, funcionários públicos corruptos e empresários lobistas e especuladores, prevalecem a subserviência e a idolatria ao modelo de capitalismo preconizado pelos EUA.

Minha filha Gabriela só foi me dar razão sobre o alarmismo da mídia brasileira agora que está na Austrália, e meus outros contatos no exterior me relataram o mesmo que ela. Todas essas impressões me fizeram crer que, proporcionalmente, em nenhum outro lugar do mundo se vê bombardeio de más notícias nos meios de comunicação igual ao que há neste país.

LEIA ARTIGO COMPLETO AQUI.

OBAMA: ORÇAMENTO PARTICIPATIVO, TRANSPARÊNCIA, CRISE

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O presidente estadounidense BARACK HUSSEIN OBAMA agora faz pronunciamentos semanais postados em um canal do YOUTUBE e também no site da CASA BRANCA. O primeiro deles foi publicado na sexta-feira dia 24/01/2009.

Acima, OBAMA fala, entre outras coisas, na transparência e no engajamento que ele espera do cidadão do seu país. Em troca, o governo promete agir combativamente contra a crise econômica (palavra-chave: desemprego) e investir pesado na inclusão digital e na pós-modernização de 10.000 escolas públicas. Ele afirma que é fundamental preparar os jovens para profissões que sequer ainda existem.

Outro ponto importante: o fato de um site no estilo ‘OMBUDSMAN‘ (no melhor sentido que os suecos deram ao termo ainda no final do século XIX) estar saindo do forno incita o cidadão a sugerir investimentos públicos, além da prestação pública das contas do governo com uma ênfase que nunca antes fora dada a essa questão.

LULA e OBAMA possuem uma semelhança: nem neoliberais, nem socialistas, mas sociais-democratas na única assepção legítima dessa palavra – que, definitivamente, não tem nada a ver com o que PSDB, DEM, PP, PMDB e assemelhados atribuem a ela.