PENSAMENTO SOBRE A ARBITRAGEM NO FUTEBOL

O jogo de ontem foi tão inexpressivo que vou entrar em outra pauta já introduzida pelo Alfredo Carlet nos comentários do blog Sempre Imortal: a arbitragem.

Árbitros bons são raros. Mas não acredito em teoria da conspiração, nem em “pobres gremistas: sempre injustiçados porque estão ‘fora do eixo’ ou porque não jogam o ‘futebol-arte’” nem em “fodam-se porque gaúcho não presta”: como diria o filósofo alemão Immanuel Kant, é preciso discutir de forma que o homem atinja a sua maioridade. Maioridade que não é de idade cronológica nem referente à subjetividade pela qual se considera que fulano atingiu a maturidade por agir da forma A e não da forma B. Kant falava da maioridade do cidadão, do avaliador, do político e da responsabilidade de cada um a partir de uma observação desapaixonada e bastante ampla da realidade social que envolve o ambiente das escolhas coletivas. Portanto, discutir sobre pessoas e sobre suposições sem nenhuma comprovação factual ou científica constitui um ato de menoridade, onde se discute mais sobre pessoas e menos sobre ideias.

Hoje, me nego a discutir que “fulano é ladrão” ou que, ao primeiro sinal de equívoco contra o Grêmio, “que fulano foi comprado” ou que é coisa de “paulista ou carioca”. Se fosse assim, não precisaríamos mais jogar. Não precisaríamos mais acompanhar futebol. O esporte não teria razão de existir como um conjunto de eventos que emociona e que movimenta a economia como uma atividade de alto nível, que envolve dos serviços mais básicos à tecnologia de ponta em vários setores do conhecimento.

Há também a enorme necessidade que alguns veem em despender energia com algo que não vale a pena. Trocando em miúdos: vetar um árbitro é ridículo, pois se o Grêmio consegue que a CONAF não escale mais para os seus jogos o árbitro A, o Flamengo o B para seus jogos, o São Paulo o C e o Cruzeiro o D, quando esses clubes se confrontarem, além de a possibilidade de escala para jogos de tamanha responsabilidade se tornar reduzida, a tendência de que alguém verdadeiramente desqualificado (ou até mesmo facilmente condicionável) seja escalado aumenta vertiginosamente.

Além disso, muitos esquecem-se de que o Grêmio também é muito ajudado pela arbitragem: em 2008, não foi apenas Victor quem nos salvou e nos levou ao vicecampeonato brasileiro. E quem nos tirou o título não foram os três pontos a menos no Grenal (como muitos equivocadamente pensam), nem a mudança de árbitro e de local para Goiás x São Paulo na última rodada. O Grêmio venceu seis jogos nos quais o empate teria sido plenamente aceitável por todos. Porém, vencemos com pequenas ajudas não-intencionais da arbitragem. No geral, desapaixonadamente, a banca paga e também recebe. Porém, como somos todos parciais, não nos damos conta desse “pequeno” detalhe.

Eu vejo a arbitragem da seguinte forma: a ruindade técnica da maioria dos quadros se reflete também pela aceitação pura e simples da manha e da conversa mole do jogador brasileiro. Eles não sabem medir o momento exato de dar trela, de dar uma carraspana ou de serem enérgicos com os boleiros. Isso porque os árbitros em geral se veem como onipotentes e sabem que a sua imagem é televisionada para o mundo inteiro. Então, essa mistura de despreparo com narcisismo faz com que eles avaliem regras objetivas como se fossem interpretativas e regras interpretativas como se fossem objetivas. A falta de cultura geral e até mesmo de uma boa escolaridade gera essas distorções entre erros de fato e erros de direito.

A FIFA não está errada ao afirmar que os erros fazem parte do jogo. Todavia, os erros de escalação, de observação, de posicionamento, de passes, de domínio, de conclusões e de marcação é que são a tônica do esporte. O erro da arbitragem é socialmente inadmissível, pois espera-se que a autoridade seja exercida  por doutos. Nestes, por sua vez, depositamos um excesso de confiança e nos preparamos emocionalmente para negarmos a sua falibildade por crermos na suposição de que eles são verdadeiramente preparados para a importante função que exercem dentro de campo.

Se a CONAF e a CBF (diria mais: se a CONMEBOL e se a FIFA) fossem punir a todos por tudo o tempo inteiro, não existiria mais árbitros aptos a trabalhar no futebol profissional. Esse não é um mal brasileiro.

E interpretação cada um faz a sua. Infelizmente (para quem gosta de exatidão), as pessoas não são exatas. E até mesmo os melhores e os mais preparados também erram.

O preparo físico viaja anos-luz além da velocidade dos olhos e da agilidade motora de transformar os cinco sentidos em julgamento, memória e veredicto. Ao mesmo tempo, a arbitragem eletrônica da TV também comete falhas, pois não há garantia alguma de que as câmeras sejam posicionadas em todos os ângulos possíveis. Basta lembrar a Copa de 98, quando somente uma câmera da inexpressiva TV sueca comprovou que o brasileiro Júnior Baiano fizera pênalti sobre um atacante norueguês.

A CBF tem dinheiro para treinar operadores de câmera e para pôr câmeras suficientes ao redor dos gramados de todos os estádios das séries A a D do futebol brasileiro. Boa parte das federações estaduais, que são cabos eleitorais de Ricardo Teixeira, também o poderiam fazer. Aliás, as que não podem, teriam como exigir: afinal de contas, foram eleitoras dele.

Mais especificamente no caso do RS, o presidente da FGF, Francisco Novelletto Neto, embora seja conselheiro do Tradicional Adversário, não pode ser acusado de prejudicar deliberadamente ao Grêmio. Porém, o seu reinado depende do clientelismo dos clubes do interior ao invés de procurar lutar em busca de uma fundamental coerência nos calendários e nos portes das competições das quais seus filiados participam.

Fico pasmo ao ver que os conselhos deliberativos de todos os grandes clubes brasileiros possuem predominantemente advogados em sua composição e que, apesar de defenderem ou de acusarem com maestria em uma série de causas das mais diversas naturezas, quando o assunto é  o árbitro de futebol, esquecem-se do princípio básico de que todos são inocentes até prova em contrário.

Pior: de que nem sempre existe um réu e um caso juridicamente formais.

O PAPEL DA CRÍTICA

Não é nada fácil definir ou categorizar conceitos e práticas sociais. Porém, a despeito de qualquer escola ou corrente científica, darei uma opinião estritamente pessoal. Afinal de contas, todos temos lado – mesmo que nossa defesa ou ataque a algo ou a alguém se dê sob diferentes graus de conhecimento de causa, de conservadorismo ou de liberalismo.

Adianto que não citarei nenhum autor e não me considero profissional da área. Contudo, basta se esmerar na investigação, nas fontes e nos contatos para se tornar um conhecedor minimamente competente. Seja no mundo acadêmico, seja no chamado “mercado” de trabalho, acredito que ler, discutir, ponderar, e investigar não são prerrogativas nem legitimizantes e tampouco deslegitimizantes de parte a parte. Da mesma forma, possuir um título de cientista, um certificado de qualidade ou prêmios homologados por instituições cujas reputações se devem a uma série de fatores aos quais não irei discutir aqui também não garantem qualidade. Concordo que, normalmente, esse conjunto de fatores de reconhecimento gera uma expectativa e valoriza uma marca que, não-raro, costumam ser atendidas. Contudo, nem toda especialização é suficientemente crível, assim como nem toda não-especialização é limitada.

A maior dificuldade da crítica reside da necessidade de um indivíduo dotado de interesses e de conhecimentos que deseja transmitir com uma determinada assiduidade necessariamente ter lado e – na maior parte das vezes em que se manifesta – sentir-se obrigado a escondê-lo.

Independentemente do fato de esse crítico ter que agradar a uma entidade de classe, a um campo profissional ou aos interesses econômicos, políticos e simbólicos de quem quer que seja, enquanto houver audiência, ele também estará agradando a si mesmo. Afinal de contas, o seu lugar estará garantido, a sua palavra estará sendo espraiada e ele terá também um retorno financeiro.

Duro é o próprio crítico crer em imparcialidade e em isenção: caso ele mesmo creia nesses valores utópicos, será ou oportunista, ou ingênuo. Afinal de contas, todos temos valores. Neste caso, os valores são emocionais, sentimentais e percebidos. Logo, são subjetivos, graduados e categorizados em função de nossas expectativas e interesses. Ora, se defendo e ataco a uma série de questões de diferentes formas e com diferentes motivações, por mais honesto, justo e bem informado que seja, é impossível que eu deixe de transmitir meus próprios valores ao comentar essas questões.

Muitas vezes, sequer conseguimos definir a nossa própria coerência. Desde que se escreva bem e se saiba sobre o que estamos falando, existe uma margem de posições e de opiniões divergentes, incoerentes e contraditórias que não chegam sequer a arranhar a credibilidade do crítico.

A crítica pode, sim, ser feita por alguém que não vivencia uma determinada prática. Porém, é fundamental que a observação da prática e o contato frequente com quem a executa e vivencia devem ser constantes. Seja jornalística, acadêmica (ou sob a tônica de qualquer outro ambiente de discussão, de debate ou de arguição existente), a crítica não perde a sua legitimidade quando não é feita por alguém diplomado ou com registro profissional.

Por mais contraditória que pareça a afirmação acima, quem garante que um crítico seja um competente executor?

O futebol está repleto de exemplos que apóiam essa hipótese: por acaso alguém como o jornalista Wianey Carlet teria condições de ser dirigente, técnico, atleta ou político envolvido com futebol?

Independentemente do juízo de valor que se faça acerca da capacidade e da credibilidade de Wianey, ele recebeu um papel que gosta de desempenhar. A marca do seu empregador (RBS) acumula um capital social que não apenas facilita a exposição da opinião de Carlet como também a legitimiza. De uma maneira bastante simplista, assim como o eslógão publicitário consagrado afirma a respeito de uma determinada categoria de produtos que “Se é Bayer é bom”, até determinado ponto, pode-se tentar uma associação lógica cuja pressuposição básica é: “Pela RBS, o Rio Grande se vê; se Wianey é da RBS, ele é o espelho do Rio Grande”; logo, como também sou do Rio Grande, também me vejo nele”.

O crítico não precisa atingir a todos nem tampouco a uma maioria para ser considerado bom. Acredito que, além da exposição midiática facilitada e legitimada pela mídia corporativa, há ainda outros elementos envolvidos nesse processo de credibilidade.

Um dos fatores menos respeitáveis é o “chute”. A maior parte da audiência espera uma palavra especializada porque possui certas carências no momento de formar a sua própria opinião: ou as pessoas estão atrás de uma opinião diferente acerca de um determinado tema do qual já tomou conhecimento a partir de outras fontes, ou estão perdidas e precisam de uma única posição um pouco mais complexa ou mais eloquente para adotarem (ou não) uma determinada ideia. Se por acaso optar por palpitar mais do que buscar informações profundas e divergentes a fim de ponderar sobre elas na emissão de um parecer, então o crítico dependerá da sorte dos dados, das cartas ou dos búzios para que possa acertar muito mais do que errar e, assim, manter e até ampliar o seu capital social.

O chute sistemático não é crítica: afinal de contas, está-se ponderando ou emitindo um parecer acerca de algo baseado em que?

O jornalismo como um todo padece de dois males. O primeiro, já foi citado no início deste texto: é a dependência comercial de quem financia a estrutura que garante o espaço e a remuneração do crítico. Contra quem põe o pão na mesa, raramente se investiga. Raramente se denuncia. Raramente se compara. Raramente se critica. Normalmente, ou se elogia, ou dá-se um jeito para incluir o eslógão, o nome, o produto ou o que alguém relacionado à empresa ou ao produto do anunciante em alguma nota.

Puxa-saquismo e assessoria de imprensa não são crítica e (para ser ainda mais profundo, polêmico, radical e crítico) pra mim não são sequer jornalismo: essas duas categorias assemelham-se por possuíram um discurso baseado na informação incompleta besuntada com vaselina líquida para um consumo supostamente prazeroso e – mais supostamente ainda – sem grandes preocupações futuras. A técnica de redação é jornalística. Porém, se jornalismo for considerado acima de tudo como apuração completa de versões divergentes com o mesmo espaço para ambas, investigação corajosa e minuciosa e denúncia baseada estritamente em fatos cronológicos devidamente documentados, publicidade, relações públicas e assessoria de imprensa não são jornalismo.

Ainda, a crítica não pode ser misturada nem mesmo de maneira sutil à notícia. O grande mal da inescapável sociedade midiatizada é a má leitura, que acarreta na pior interpretação possível. O que o texto diz e o que o texto faz deveria ser, mas não é a mesma coisa: o efeito causado é completamente diferente em função da assimetria social gerada não apenas pelos valores subjetivos como também pela péssima escolaridade.

Muitas pesquisas acadêmicas na área da crítica das práticas jornalísticas concluem que a esmagadora maioria dos especialistas convidados a opinar é solicitada com muita frequência e sem a posição contraditória de um outro colega para que a audiência possa confrontá-la. Quando o contraditório se faz presente, o editor infelizmente costuma desqualificar a posição cujos valores não condizem com os valores do dono do veículo e de seus patrocinadores. A omissão, a supervalorização e a minimização acerca de A ou de B necessariamente compõem um juízo de valor pré-determinado mais pela maneira de dizer e pelo que se deixa de dizer do que propriamente pela percepção do conjunto desse conteúdo.

Independentemente da visão de mundo de cada crítico (que, por sua vez, é determinada pela visão de mundo da sua audiência mas, sobretudo, pela de seus patrocinadores e de quem o mantém no ar), seja ou não por má-fé; seja ou não por ignorância, a maioria faz proselitismo. E quem cumpre melhor o papel de “isento”, de “equilibrado”, de “plural” e de “imparcial” é quem prevalece.

Toda informação, para poder ser compreendida por uma grande quantidade de pessoas não-especializadas em uma determinada área do conhecimento ou distantes de um determinado fato, precisa ser despida dos jargões técnicos a partir de uma competente tradução técnica para uma linguagem comum. O BOM jornalismo é a técnica que determina essa linguagem comum, cuja grande virtude é ser capaz de trazer para o cotidiano leigo da maioria uma série de discursos que, anteriormente, permaneciam guardados a sete chaves pelos cânones dos rituais, das cerimônias e dos vocabulários ultraespecializados.

O campo dos mídias é o único que possui a capacidade de absorver a discursividade dos demais campos sociais (médico, militar, político, esportivo, cultural, científico, etc.), de aprender com eles e também de deixar um pouco de si em cada um desses outros campos. Todavia, o jornalismo, por mais especializado e tecnicamente correto que seja, jamais terá condições de absorver tudo. Jamais será capaz de traduzir tudo.

O jornalismo corporativo caracteriza-se por contar UMA ÚNICA VERSÃO de cada história. E, por mais que os jornalistas persigam a imparcialidade, a isenção e a verdade, nenhum desses três predicados realmente existe.

Eu conto a história que eu quiser com a prioridade que eu quiser da forma que eu quiser. E não preciso ser mau caráter, superficial nem mentiroso para ser superficial e mentiroso. As limitações de tempo e espaço inerentes aos meios de comunicação de massa forjados na Era Moderna (rádio, televisão, jornal e revista – talvez o cinema também possa entrar nessa lista) e as limitações da forma de financiamento da rotina industrial desses meios (como falar mal de quem me dá emprego e comida?) definem por si só a completa impossibilidade de existência da verdade e da imparcialidade.

Portanto, ninguém está totalmente errado nem totalmente certo. O problema maior é a falta de capacidade de conectar os pontos, de incluir como dogma a historicidade e de não saber nem esconder o seu lado quando precisa, nem de advogar sem fazer proselitismo.

A multiplicação de opiniões a partir da ubiquidade dos comentários e dos posts em blogs apenas torna clara a polarização social existente em diferentes graus. Não é preciso entrar no campo político para perceber isso: a música, a ciência, o esporte, os direitos humanos, a educação e uma série de outros campos sociais também está repleta de proselitismo.

Dessa forma, acabamos escolhendo a quem seguir e – por outro lado – também nos esforçamos para estabelecermos relacionamento e estreitarmos laços com aqueles que queremos que nos sigam muito mais em função de nossos próprios valores e interesses momentâneos determinados pelo conhecimento e pela cultura que acumulamos até o momento do que necessariamente pela marca, pelo veículo ou pelo nome.

Até agora, estou plenamente convencido de que tanto o modelo econômico como o modelo de democracia que possuímos está longe de proporcionar opinião e equilíbrio à maioria com pluralidade. Dessa forma, enquanto a tendência for a de polarizar, duvido muito que, caso quem pensa a mídia de massa sob uma perspectiva de esquerda fosse econômica, política e simbolicamente hegemônico, deixasse de ser proselitista ou parcial.

Com isso, não defendo de forma alguma quem defende a exclusão e a concentração de renda a seu favor sob quaisquer meios. Porém, como o modelo é falho, aqueles em quem acredito certamente fariam o mesmo. Provavelmente, com menor intensidade e contundência. Mas que fariam, fariam.

Encerro esta longa missiva com a seguinte pergunta:

– SE NÃO HÁ CRÍTICA NEM OPINIÃO INFALÍVEL E SE AQUELES EM QUE CREMOS SERIAM CAPAZES DE FAZER EXATAMENTE AQUILO QUE CRITICAM ÀS AVESSAS, ACREDITAR EM QUEM, POR QUE E SOB QUAIS CONDIÇÕES?

BREVE DISCUSSÃO SOBRE INTERAÇÃO DA BLOGOSFERA COM O PIG

O PIG muitas vezes entrevista os dois lados, dando maior espaço para o lado que o patrocina, que o cobra e que, em outra dimensão, dele também depende.

Contudo, normalmente o que eles fazem quando chamam um “especialista” pra falar é endossar o status quo, já que os especialistas chamados na maioria das vezes ou são conservadores, ou se pronunciam cheios de dedos porque, de seu lado, também dependem dos patrocinadores do PIG.

Infelizmente, um blog não foi, não é e sequer terá como ser considerado mídia de massa porque é fruto de uma interação um-um ou um-uns e não um-todos ou todos-todos (compreenda  melhor esses conceitos aqui), como o rádio, a TV, o jornal ou a revista. Se existe um alento em relação a essa realidade aparentemente trágica é o fato de que os portais de conteúdo do PIG também não podem ser considerados como mídia de massa. Por exemplo: se o ClicRBS quiser continuar mantendo os comentários abertos para cada notícia que postar, certamente encontraremos alguns (às vezes mais da metade) comentários bem legais de pessoas de esquerda, dando “nos dedos” deles.

Ora, como todos os grandes portais de conteúdo disponibilizam comentários, o primeiro que fechar esse canal de diálogo com o seu consumidor cairá em desgraça junto aos seus próprios pares.

Claro que eles podem deletar, censurar e serem malcriados com um comentário que contraria a sua agenda de interesses. No entanto, com centenas de novas notícias por dia em dezenas de editorias e a preocupação em decupar e editar o trabalho semi-escravo de um punhado de jornalistas, o que conta a nosso favor quanto ao gigantismo deles é a impossibilidade deles darem conta de censurar milhares de interagentes.

Percebam: o espaço de comentários é o único espaço dentro de um site ou blog que, mesmo quando protegido por senha ou quando reconhece a localização do comentador por IP, oferece a total impossibilidade de previsão de quantidade, qualidade ou viés das interações. E, como falei acima, salvo em raras e desonrosas exceções, mesmo que eles desenvolvessem um robô que deletasse automaticamente comentários que contivessem determinadas palavras-chave, isso seria impraticável e descaradamente desonesto, tendo em vista que eles não podem ignorar que comentários favoráveis à sua agenda também podem conter as mesmas palavras de um comentário oposto.

Trocando em miúdos: mídias intrusivas (este é um termo aparentemente meu, que não sei se seria correto, mas acho que fica mais fácil de entender dessa forma), isto é, aquelas que “agradecem o carinho de entrar sem pedir na sua sala, no seu quarto, na sua cozinha, na rua, no metrô ou no seu carro”, são massivas. As mídias para as quais o receptor precisa correr atrás a fim de buscar informação não são massivas.

Entendo quando se fala que as idéias neoliberais ou de direita já possuem espaços demais enquanto as idéias socializantes ou de esquerda são menos visibilizadas a partir de qualquer tipo de mídia. Porém, se informação é aquilo que produz diferença, informação, notícia, opinião e crítica são gêneros totalmente diferentes que não necessariamente produzem diferença. Se formos dicotomizar essa afirmação, poderíamos dizer que, tanto à esquerda como à direita (ignorando-se as infinitas nuances dos valores estritamente pessoais e o contexto de cada indivíduo), pode-se OU NÃO produzir informação (e,
conseqüentemente, diferença).

Trocando em miúdos, a grande diferença técnica, teórica e empírica entre a web (portais, sites, blogs) e a mídia de massa (rádio, TV, jornal, revista, publicidade, RP e assessoria de imprensa sobre suportes urbanos) é que os funcionam como um telefone sem fio e a mídia de massa funciona como um megafone.

Então, como produzir diferença? A diferença reside em fazer o que o senso comum não espera que seja feito e que o que for feito siga um modelo discursivo inesperado. Isso é o que chama a atenção para que os que não comungam das mesmas idéias do blogueiro emerjam como uma importante parcela da audiência, que supera em importância até mesmo a do mundinho dos próprios pares do blogueiro. É o pulo que se dá a fim de superar a fase de conversar com as paredes ou de não produzir debate nem o contraditório.

Enfim, eu tenho uma posição formada sobre determinadas pautas que acredito serem imutáveis, seja a favor ou contra. Há, ainda, um outro conjunto de temas sobre o qual posso mudar de opinião parcialmente ou até mesmo totalmente. E isso acontece com toda e qualquer pessoa, sem que se possa afirmar que o sujeito é “do bem”, “vaselina”, “maria vai com as outras” ou que ele queira “reinventar a roda”. Não é assim que se confia ou desconfia, nem que se mede coerência.

O PIG não possui ferramentas – digamos – mais humanas e mais comunitárias para surpreender a sociedade. Hipoteticamente, a gente não vai conseguir alcançar um espaço maior se não conseguirmos arrancar o megafone da mão dele durante 15 segundos em uma hora.

Portanto, ele não vai se confundir, entrar em contradição e tampouco reverberar aquilo que nos interessa se a nossa prática for semelhante à dele.

Nesse ponto, considero importante ouvir os dois lados. Não importa que o outro lado já possua espaço midiático excessivo: como eles serão mediados por nós, poderemos fazer as questões que o PIG não faz em função do comprometimento dele e da nossa independência. O esperado por eles é que nós não saiamos do alcance de nossos pares e permaneçamos conversando dentro da mesma roda de amigos.

É tudo uma questão de saber realmente o que se quer comunicar, quando e para quem. Pois a partir dessa questão é que se define o alcance da diferença que se deseja produzir.

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JÚLIO CÉSAR: UM PROFISSIONAL DESLEIXADO

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O mínimo que se pode exigir de um profissional qualquer é que ele observe, aperfeiçoe seus conhecimentos, seja obsessivo a fim de dominar uma técnica e que sirva de exemplo.

Júlio César é um bom goleiro, porém nada excepcional. Até merece estar na Seleção, porém não como titular .Considero a ignorância e o desleixo desse jogador como espelho de quem não se importa muito em usar o cérebro em prol da coletividade.

O goleiro também demonstra passividade, à medida que age como se considerasse que apenas o técnico, o auxiliar técnico e os olheiros é que teriam a obrigação de coletar informações sobre seus adversários e repassá-los à equipe.

Ora, se o técnico não é técnico e se há essa desnecessária subserviência por parte de um dos principais jogadores da Seleção, então não dá para reclamar dos maus resultados nas eliminatórias.

SELEÇÃO MELINDRADA PORQUE LULA DISSE A VERDADE

Não importa se as pessoas são reacionárias de direita, de esquerda ou enrustidas, nem se foi o presidente da república ou um homeless quem criticou a seleção brasileira: porra, quer dizer agora que só um monte de jornalistas de merda que nunca chutaram uma bola na vida ou, então, bandos de anônimos reunidos em botecos podem falar bem ou mal da seleção?!

Seria o mesmo que baixar uma lei ou instituir um código de ética no pior sentido da moral de cuecas que dissesse que apenas comentaristas comprometidos com os patrocinadores das empresas onde trabalham e que juram entender de economia, administração e sociologia tivessem a “autoridade” de opinar sobre esses temas. Ou, ainda, que o “eleitor anônimo” perdido dentro de uma massa não tenha inteligência nem capacidade de desconstrução suficientemente razoáveis para poder comentar sobre política.

COME ON: em qualquer instância da sociedade, todo mundo comenta sobre quase tudo. Se comenta bem ou mal, certo ou errado, se eu acredito em um e duvido de outro, aí são outros 500…

A grande verdade é que Lula não mentiu: ele disse o que nenhum comentarista da mídia corporativa teria dito (exceto a ESPN Brasil, que baixa o pau em tudo e não puxa o saco de ninguém) porque são todos comprometidos com o Ricardo Teixeira e com o Blatter pra não perder a transmissão da Copa do Mundo.

Ronaldo “Rolha de Poço/Joelho de Cyborg” Nazário e Júlio “Mauricinho” César só teriam tido uma pequena razão na forma grosseira com que referiram-se ao presidente da república caso tivesse havido alguma interferência do Governo na Seleção. E isso nunca houve: foi tão-somente uma opinião.

Imaginem agora se um governante ou um empresário, qualquer que fosse, ficasse melindrado porque um jogador de futebol falou publicamente o que pensa a seu respeito de maneira negativa: o país teria parado na Pré-História…

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