O PIG MORREU!!!

Um abração aos queridos amigos de #blogprog @eduguim , @renato_rovai , @blogdomiro , @viomundo e @maria_fro por terem reunido junto com tanta gente boa gente que ainda se importa com a verdadeira liberdade de expressão neste país.

O #blogprog está se organizando em cada um dos 19 estados representados no evento nacional. Após as eleições, nos reuniremos aqui no RS, a exemplo do que já ocorre em outros estados pra fazermos um belo encontro! \o/

A comunicação é um direito e um bem de natureza tão séria que precisa ser tratado com muito mais carinho e pontualidade dentro de suas várias possibilidades segmentadas do que o foi na 1ª #confecom . Uma 2ª #confecom certamente será muito mais forte, mais deliberativa do que propositiva e irá contemplar as mídias sociais de uma maneira que os conhecedores das mídias de massa ainda não as dominam.

Não somos contra a mídia de massa nem contra a existência de corporações midiáticas. Queremos apenas um poscionamento político explícito e bem demarcado permeado por um jornalismo DE VERDADE, com apuração, com fontes, com visões múltiplas acerca do mesmo assunto.

A mídia de esquerda é menos proselitista e a mídia de direita é menos golpista quando há um jornalismo correto: quem tem a crescer somos todos nós! :)

PELA DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NO BRASIL

Intervozes – Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman

Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri

Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez

Direção de Arte: Anna Luiza Marques

Produção de Locação: Diogo Moyses

Produção de Arte: Bia Barbosa

Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas

Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues

Animações: Pedro Ekman

Voz: José Rubens Chachá

CC – Alguns direitos reservados

Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.

Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

Você deve dar crédito ao autor original.

POR QUE A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA PRESENCIAL É PÍFIA?

Embora todo fenômeno social seja complexo e demande uma observação contínua, observo uma cadeia de práticas sociais que podem explicar por que a maioria das pessoas dá de ombros para qualquer mobilização nesse sentido.

Inicialmente, aumenta a crença de que a democracia representativa representa prioritariamente os interesses dos patrocinadores da mídia corporativa, que são os mesmos que garantem a maioria dos empregos da classe média.

Também creio firmemente nessa hipótese, mas isso não impede que eu mantenha a minha determinação em discutir alternativas de aperfeiçoamento da democracia. A grosso modo, a descrença nos políticos e a obrigatoriedade do voto também não podem desvincular os descrentes da participação política e social. Todavia, é mais fácil omitir-se do que fazer parte de algo que trará desgaste. Portanto, são muito poucos os indivíduos dispostos a perceber que o bônus da tensão é a superação de um modelo. Falta tenacidade e coragem para chegar até o fim.

Em paralelo, a esquerda conceitualmente atualizada – que costuma pensar que participa e contribui para a mudança desse quadro de apatia mais do que a maior parte da sociedade – mantém a defesa desse modelo muito em função de estar deslumbrada pela absurda quantidade de acertos em relação aos erros crassos e até inesperados do Governo Lula.

A extrema esquerda (conceitualmente superada e míope em relação ao macroambiente) hoje está ainda mais vinculada aos movimentos sociais do que o próprio PT. Ela também tem obtendo algumas vitórias no que tange à ética, à veracidade e aos critérios das investigações e das denúncias que ora tem protagonizado. Como ela elege seus poucos representantes e – a exemplo do PT – também foi forjada a partir da contestação à ditadura, o sistema parece-lhe justo. A extrema direita (golpista e reacionária), por sua vez, domina há muito tempo o que há de mais conservador entre as culturas regionais e as elites econômicas do país (mais precisamente RS, PR, SP e MG – não necessariamente nesta ordem). Ela tem sido quem mais se beneficia da democracia representativa e é composta por uma parcela da população bem maior do que aquela que a extrema esquerda representa.

Enfim, de todos os lados, a maioria ainda prefere ater-se à crença nesse modelo político-partidário do que preocupar-se em superá-lo paulatinamente a partir de uma alternativa que ofereça o privilégio e o direito de participar sem envolvimento presencial enquanto obriga o cidadão em geral a sentir-se verdadeiramente responsável pelas suas escolhas sociais.

A despeito dessa crise da democracia representativa, onde os políticos representam a todos mas não representam ninguém e onde ninguém presta mas todos decidem algo relevante sob a nossa chancela, a esmagadora maioria do funcionalismo público voltou a reconhecer em si um caráter muito mais técnico do que ideológico.

A bem da verdade, quando não existe um regime de exceção formal, esta costuma ser a prática mais usual da maior parte dos funcionários públicos. Logo, prevalece a consciência de que o funcionário público trabalha para atender aos cidadãos em geral e não a interesses privados – e nem tampouco pessoais. Como promessas a eles jamais foram cumpridas em sua totalidade por nenhum campo ideológico e por nenhum partido, perdeu-se aí aquela aura de combatividade e o sentido de fazer parte de um ideário coletivo.

Na prática, a maioria dos funcionários públicos que não é CC (esse grupo, sim, ou se beneficiam, ou se ferram) deve necessariamente atender a duas pontas simultaneamente:

1) As diretrizes gerais do seu ofício, que decorrem de um projeto de estado que independa de partidos e da persona do executivo: referem-se ao cumprimento do estatuto da empresa pública, ministério, secretaria de estado ou de município ou autarquia para a qual foram concursados;

2) As diretrizes pontuais relacionadas ao método de execução e aos objetivos traçados pela ideologia que ora é governo – o que determina o uso de um dado conjunto de técnicas voltadas ao cumprimento de planos que o chefe e seus parceiros do momento consideram mais eficientes.

No momento em que não se vive em uma ditadura, até mesmo as fiscalizações técnicas de auditores e corregedores voltam-se tão-somente ao cumprimento de leis e protocolos que, em princípio, devem evitar ao máximo expor e manchar a reputação da instituição.

Creio que tais diretrizes técnicas resultam em uma postura que segue alguns passos.

a) A crença do senso comum (isto é, o argumento não-técnico e não-especializado da maioria que não possui laços fortes com o poder público) no apoio ou na criminalização de uma determinada questão é altamente subjetiva, pois depende tanto da reputação de quem fornece a informação como do interesse de cada um em procurar – ou não – opiniões divergentes. Portanto, a opinião de cada indivíduo será formada tanto em função daquilo que acompanha na mídia de massa como nas mídias sociais, aliado ao depoimento de contatos presenciais com laços fortes junto ao poder público. E tão desvinculada da realidade será essa opinião pública quanto aumentar o seu interesse por questões das quais estiver desvinculada geográfica, técnica e socialmente – eis o porquê da ignorância agrária, da não-aceitação da Olimpíada de 2016 e do não-envolvimento com a corrupção no RS, por exemplo.

De maneira geral, o conservadorismo da classe média urbana reproduz o pior legado da ditadura militar e da formação oligárquica do estado brasileiro de uma forma exponencialmente superior à idealizada pelos seus mentores: a da conciliação hipócrita. A maioria da classe média é predominantemente medrosa, pouco crítica e profere opiniões vazias não por causa do individualismo e do ludismo pós-moderno, nem por causa do analfabetismo funcional, da miséria ou de um poder (a meu ver) exagerado atribuído à mídia corporativa mas, sim, por que acostumou-se à política dos panos quentes.

Independentemente da valoração que atribuímos à confiabilidade do noticiário e das opiniões encontradas tanto na mídia corporativa quanto na blogosfera (incluindo também o principal, que é composto pelo que NÃO foi dito), mesmo diante de tantos indícios exaustivamente denunciados publicamente – em particular, os indícios e as provas relacionadas à corrupção no desgoverno Yeda ( com ou sem blindagem midiática); as CPIs abafadas no desgoverno Serra e a censura  do desgoverno Aécio – a crença na democracia representativa está ligada à descrença nos atores político-partidários e no Judiciário, pois quase tudo acaba em pizza. Ainda, a classe média em geral não deixa de estar consciente das prerrogativas de que “todos são inocentes até prova em contrário” e que “o ônus da prova é de quem acusa”.

Diante da hiperexposição midiática da corrupção (isso independe de quem e de como seja direcionado quando analisa-se friamente os fatos), cada um fica na sua para se proteger.

Finalmente, a esmagadora maioria das pessoas que possuía maior interesse em envolver-se diretamente em política nos moldes tradicionais ou já morreu, ou está aposentada. Inclusive grande parte de seus herdeiros de militância (a maioria na faixa dos 45 a 55 anos) insiste em seguir a mesma toada, sem perceber o quanto o mundo mudou.

Métodos superados, teorias superadas, práticas superadas, desconhecimento das armas do inimigo e por aí afora.

É preciso ser mais lúdico. É preciso ser mais assertivo. É preciso ser mais digital. É preciso ser menos panfletário.

Do contrário, tanto as mobilizações públicas como a do último domingo em Porto Alegre contra Yeda como o “célebre” Cansei – apesar de legítimas – permanecerão sendo quixotescas.

PROBLEMAS DO JORNALISMO COMO REFERÊNCIA HISTÓRICA

A minha querida amiga Cláudia Cardoso postou no Dialógico (que ela divide com as incríveis charges do Eugênio Neves) um artigo interessantíssimo chamado “O Comprometimento da Mídia Guasca com Yeda Crusius“.

Nesse post, os comentadores* Miguel Grazziotin e Turquinho consideram a hipótese bastante plausível de que a blindagem da corrupção do atual desgovnerno bovino não se deva apenas à preservação pura e simples dos interesses econômicos e simbólicos dos patrocinadores da mídia corporativa do RS, mas também a uma espécie de contrato social de baixo nível entre corruptores e corruptos. Segundo essa premissa, não seria nada difícil supor que a RBS e todas as suas concorrentes tenham se envolvido no processo de articulação responsável pela maior dilapidação que este estado já viu.

Ora, se a blogosfera possui (ao contrário do que o prof. Celso Schröder me levou a crer em debate recente – mas isso fica para um post que estou devendo) apuração, reportagem, investigação, denúncia e opinião responsável e metodologia de documentação a partir de jornalistas, sociólogos, filósofos, geógrafos, historiadores e uma série de cidadãos críticos e responsáveis, não é impossível desconstruir essa blindagem. Se essa blindagem for rompida por um necessário aumento do espectro que essa desconstrução atualmente em curso possa vir a alcançar, logo, tornar-se-á impossível à mídia corporativa manter a sua credibilidade perante a maioria da população.

No final do post, a Cláudia escreveu algo que me levou a uma preocupação. Preocupação esta que levarei à minha cunhada Rosângela Oliveira, aos professores de cursinho da minha Lu (que vai prestar vestibular para História) e para o já quase historiador Rodrigo Cardia do Cão Uivador.

Disse a Cláudia:

“…Quem recorrer aos jornais impressos, daqui há alguns anos, não poderá avaliar a situação dramática do RS nesse período…”

Nós, leigos em História, em Biblioteconomia, em Museologia e em Arquivologia, estamos todos acostumados a reunir jornais e revistas como documentação factual devido à facilidade de acesso e à cronologia que esse suporte de informação cotidiano nos fornece há pelo menos um século e meio no Brasil.

No entanto – e aí preciso do socorro do pessoal da área de História – parece que muitos historiadores prudentemente apresentam muito cuidado para evitar tanto quanto possível a relação direta entre a confiabilidade do conteúdo jornalístico como fonte histórica e a devida transformação desse material bruto em História. consagrada. Pessoalmente, creio que isso se deva a uma série de fatores:

1) A informação mediada sempre serve aos patrocinadores da mídia corporativa – que, por sinal, são aqueles que detém o status quo. Logo, tudo o que não interessa ou é omitido, ou é manipulado, ou, ainda, não é analisado com a devida profundidade;

2) O procedimento cuidadoso leva os historiadores a terem a imprensa como uma referência menos importante – ou, então, apenas como mais uma referência dentre tantas outras amostras documentais e testemunhais. Dessa forma, me parece que, tanto quanto possível, o processo historiográfico deve buscar reunir, além das provas materiais e documentais mais corriqueiras, um conjunto de depoimentos de protagonistas, antagonistas e de herdeiros relacionadas a um determinado contexto;

3) Em um futuro não muito distante, os jornais e revistas cujo suporte material ora é o papel ou o plástico estarão em desuso por causa da dificuldade de conservação, desse material, do alto custo de armazenagem de material com volume e peso significativos e, obviamente, também em função da sustentabilidade por uma questão de sobrevivência.

Isso posto, toda a informação que circula e pode ser reproduzida digitalmente não depende mais de nenhum suporte material. Todavia, a existência e o consumo da informação digitalizada só são percebidos a partir do momento em que esse conteúdo é reproduzido em uma série de interfaces cujos suportes são todos necessariamente alimentados por uma série de formas de energia que se transformam em eletricidade. Sem energia, o que está armazenado não pode ser recuperado nem tampouco reproduzido. Em outras palavras, a informação “desenergizada” não é informação. Afinal de contas, sob essas condições, todo e qualquer conteúdo não passará de um amontoado de bits presos em suportes sintéticos impossíveis de ser recuperados.

Por exemplo: o que é um HD? O que é um pen drive? O que é um cartão de memória? O que é um DVD? A apropriação básica para a qual esses produtos foram criados perde totalmente o sentido quando o seu conteúdo não pode ser visualizado.

Então, mesmo que o problema não seja um colapso energético involuntário, podem haver cortes de energia arbitrários que funcionariam como a Inquisição da Idade Média – os apagões seriam o poder do clero e da nobreza “queimando” os “livros” da pós-modernidade.

Hoje, discute-se muito a abolição dos direitos autorais, que é uma agenda decisiva. Outra agenda diretamente relacionada a essa é a da democratização e da desconcentração da propriedade e da livre expressão dos mídias. Porém, o que eu trato neste post deverá necessariamente se tornar uma questão crucial para a permanência da memória e para o respeito a todo e qualquer tratado capaz de organizar a sociedade.

Já está mais do que na hora de discutirmos garantias legais que sustentem uma certa materialidade para a informação que – desde o começo deste século – está sendo quase totalmente digitalizada.

Portanto, a democratização da comunicação depende também da preservação do acesso tecnológico necessário aos suportes de todo o conhecimento da humanidade que não cabe mais em bibliotecas, nem nos museus e tampouco nos órgãos do Judiciário.

Com a palavra, os especialistas! ;)

EXISTE DEMOCRACIA NO GRÊMIO?

O post anterior sobre um tema tão interessante quanto “chato” me lembrou de outro tema sobre o qual todo gremista que recebeu a distinção de representar uma nação de mais de SEIS MILHÕES de pessoas (sendo cerca de 50 MIL com direito a voto) deveria refletir.

Os movimentos políticos que dizem ter debatido tanto a respeito da questão mais séria de nossos 106 anos de história divulgaram a maioria de suas reuniões ditas “abertas” com uma incompetência absurda. Além disso, a maioria se esquece de que, por ética e por respeito, deveria, sim, prestar contas de suas decisões diretamente aos milhares de associados que votaram para que eles tenham hoje a INESTIMÁVEL honra e gigantesca responsabilidade de os representarem dentro do clube.

Isso deveria ocorrer independentemente da possibilidade do associado ter que se deslocar ao Olímpico para pedir a ata das reuniões ou, então, de conhecer tão-somente apenas a respeito de meros detalhes do que foi decidido apenas a partir da imprensa, que publica uma visão muito superficial sobre os acontecimentos.

Não posso ser absolutamente contrário a conselheiros de ilibada reputação com muitos serviços prestados ao clube durante décadas nem por serem ricos, nem por estarem no centro do poder tricolor depois de seus avós, pais, tios, primos, filhos, etc.

No entanto, não é ético nem justo que eles tenham sido eleitos nem a partir de listas fechadas, nem que seus nomes estejam presentes nas nominatas de mais de uma chapa ao mesmo tempo.

Outra questão complicada é a de ter que mendigar pela atenção ou ter que trocar favores para poder ter a chance de poder participar do processo. Pior do que isso é, após entrar no Conselho Deliberativo do Grêmio Football Porto-Alegrense dizendo “eu prendo e arrebento”, ser cooptado e dizer amém. Isso não é democracia nem debate mas, sim, clientelismo.

Outro grave erro é discutir o sexo dos anjos. Por exemplo: jovens conselheiros chamam alguns antigos de “velhos gagás”, que respondem com “noviços/nocivos”. De maneira geral, enquanto uns tentam se impor a partir de uma vitalidade, de uma transparência e de uma competência nem sempre fáceis de se identificar, os outros não podem jamais se comportar como se fossem capitães hereditários nem como senadores romanos.

Finalizo este post com uma indicação de leitura sobre os prós e os contras de vários modelos de democracia, sendo que a representativa é, via de regra, a menos participativa e a menos sujeita a transformações sociais fundamentais para o desenvolvimento de QUALQUER tipo de instituição ou comunidade:

Democracia e Mídias Sociais – Proposta de um novo modelo democrático

Seu autor é o jornalista e doutorando da UFRJ Júlio Valentim, graduado pela UFES.