HELVETICA, THE MOVIE

Helvetica: O Filme from Mauricio Campos on Vimeo.

Helvetica é um documentário realizado por Gary Hustwit, que pretende demonstrar o papel da Helvetica na cultura visual dos últimos 50 anos. Nos diversos entrevistados poderemos encontrar, Erik Spiekermann, Matthew Carter, Massimo Vignelli, Paula Scher, Neville Brody, entre outros.

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Depois de uma descrição concisa como a que o rapaz que subiu o filme para o Vimeo fez, não há muito o que acrescentar. ;)

Digo apenas que o design é projeto. Um tipo de projeto que necessariamente traduz para o cotidiano uma comunicação visual que transmite atributos como personalidade, tempo, espaço e componentes socioeconômicos, culturais, étnicos, religiosos e mercadológicos para que objetos ou informações não necessariamente atraentes de outra forma passem a compor o nosso repertório de significados, fazendo com que a nossa compreensão acerca dessa composição nos leve à ação ou a uma reflexão.

O filme acima tem como protagonista não um designer em especial ou todo o conjunto de uma escola de técnicas e de fundo artístico que marcou época mas, sim, apenas o produto mais significativo de um dado período histórico.

Vale a pena assistir. Para quem gosta de design, será uma experiência muito gratificante.

E para quem não é designer, o recado é o de que a criação de um ambiente de interação (seja ele na Arquitetura, na Publicidade, na Propaganda, no Jornalismo, na Literatura ou  nas Mídias Digitais) constitui a experiência de facto acerca da compreensão da classe média de uma época.

O Brasil possui designers absolutamente relevantes. Da mesma forma, temos escolas incríveis, tais como a @designunisinos (maiores informações aqui no site).

Dar sentido, harmonia, coerência e comunicação a um combinado entre estética e funcionalidade não é nada fácil. E é um trabalho tão nobre que deveria ser muito mais valorizado.

De volta à política, o grosso do pensamento de esquerda apresenta um preconceito e uma colossal ignorância acerca de um uso mais eficiente da sua comunicação. A caretice e o pensamento totalmente descontextualizado e até mesmo non sense de leituras equivocadas acerca do marxismo, da questão da luta de classes e da rudeza que constitui o meio operário ainda pensa em jornais impressos, em concessões de rádio e televisão e em fazer comunicação comparada em relação aos produtos da mídia corporativa.

Essa crítica não constitui nenhuma ofensa: é apenas uma constatação sobre a visão predominante de quem se viu oprimido e se considera eterna vítima e que, portanto, não poderia ou não deveria dar-se o luxo de contemplar o belo.

É fundamental perceber detalhes que estão no seu universo mas que extrapolam um nicho que só enxerga embate, luta, etc. à sua frente. Nesse ponto, a campanha da @dilmabr está estupenda: que sirva de exemplo, pois o material gráfico e de web que têm sido distribuídos nesta campanha apresenta muito mais do que “santinhos”, panfletos ou uma mera escolha “ao acaso” de cores, tipos e composições gráficas.

CAMISETA DO GRÊMIO: MAIS SOBRE AS LISTRAS

Antes que muitos pensem que pretendo oferecer uma proposta de engessamento da camiseta nº1 do Grêmio ou que eu seja um caga-regras, reitero que o objetivo é tão-somente o de evitar que terceiros tenham o controle sobre o bem material mais valioso da marca Grêmio.

Não tenho absolutamente nada contra a existência de detalhes nas golas e nas mangas, assim como nos punhos e diferentes retalhos de tecido e suas respectivas costuras nas emendas das mangas com o corpo e também nas laterais que unem os panos da frente e de trás do corpo. Embora tais detalhes sejam fruto da criatividade e de uma padronização da linha de montagem de cada fornecedor, ainda assim o clube deve  poder determinar LIMITES facilmente identificáveis, a fim de garantir e aumentar o valor de sua marca.

Este post se aprofunda ainda mais nas listras e introduz considerações sobre golas e sobre o nosso tom de azul que serão abordadas na sequência desta série.

KAPPA 2000 (detalhe frente)

domingo, 7 de março de 2010 16:01:55

A Kappa foi muito feliz em pelo menos dois pontos:

1) Manteve o tom “azul-tesão” pesquisado e escolhido pelo eterno presidente Hélio Dourado nos idos de 1976. Foi com essa cor que o Grêmio venceu pela primeira vez o Brasileirão (1981), a Libertadores (1983), a Copa Intercontinental (1983 – que é, sim, um título mundial) e a Copa do Brasil (1989) com três fornecedores diferentes ao longo de uma década inteira;

2) O distintivo é maior do que o das temporadas de 2005 a 2009 da Puma e possui um molde perfeitamente compatível com as fontes e com as proporções do grafismo da nossa marca;

3) A emenda das mangas, quando não segue o padrão clássico do corte reto, precisa ter uma costura ou uma tira branca, a fim de evitar que as cores azul e preta se toquem nessa emenda. Tomo essa composição como exemplo para uma tentativa que pretendo realizar em breve no desenho dos mock-ups: a de propor que mesmo entre os panos da frente e o das costas, que sempre haja uma costura branca entre os panos menores que a fornecedora do momento decidir colocar no seu molde. Mais uma vez, quando o corte é reto, isto é, quando o pano da frente emenda direto no pano de trás, meia listra azul emenda em meia listra azul de um lado e meia listra preta emenda em meia listra preta do outro;

4) A largura das listras, embora um pouco maior do que a da Penalty e bem maior do que as de Olympikus e Adidas, obedece a uma proporção bastante harmoniosa;

5) Pessoalmente, prefiro uma listra branca bem no meio do peito. Neste caso, essa listra é preta. Além da manga em diagonal, mesmo que a emenda entre os  panos da frente e de trás seja a clássica, por termos um número ímpar de listras, sempre que a listra do meio do peito e do meio das costas for azul ou preta, nos deparamos com um número ímpar de listras largas e um número par de listras brancas. Neste caso, a emenda dos panos da frente e das costas será feita necessariamente  a partir da mesma cor em ambos os lados.

Esse é um detalhe controverso que requer discussão: deve-se ou não padronizar a listra branca no meio (bem mais harmoniosa no conjunto) com o ônus da assimetria lateral (um lado azul e o outro preto)?

Inversamente, uma listra larga no meio tira a leveza da listra branca e a sua discreta importância como  um marco divisório. Essa listra larga no meio, se preta, garante que as laterais serão pretas; se azul, garante que as laterais serão azuis.

Embora não goste de gola pólo e considere as listras muito largas, considero esta camiseta muito bonita.

Quanto à gola, não considero relevante nem incentivar, nem abolir nenhum modelo – seja ela careca, em V ou polo. Acho que a padronização das golas refere-se muito mais ao que se pode ou não fazer com as cores do clube.

Neste modelo em especial, a gola é polo. Pessoalmente, não gosto, pois ela soa como demasiadamente conservadora, além de não ser nem prática, nem higiênica e tampouco sustentável  no verão. Por que penso assim? Porque a gola polo consome mais tecido e perde o charme  rapidamente, pois facilita o acúmulo de suor e gera “cascão” no contato com o pescoço, além da perda de tempo para dobrá-la e  do consumo desnecessário de energia para passá-la a ferro. Mas esse tema será melhor discutido em um post específico.

domingo, 7 de março de 2010 16:02:52

Sempre que um modelo não se baseia no padrão clássico, é  necessário torná-lo o mais harmonioso possível. Por um lado, o Grêmio é abençoado por possuir três cores agradabilíssimas e quase básicas de se trabalhar. No entanto, o balanço entre a largura, a posição e a proporção das listras requer cuidados especiais, a fim de evitar que prevaleça ou o branco, ou o preto. Caso não seja possível manter um equilíbrio perfeito em função de um corte arrojado, que se privilegie o azul.

domingo, 7 de março de 2010 16:03:57

Confiram acima: uma manga com empunhadura tricolor é algo raro. Ficou bonita e, embora em uma proporção menor do que a das listras, manteve a listra azul da mesma largura da preta separadas por uma branca mais fina. Além disso, a manga com corte diagonal conta com um feliz friso branco que evita que os azuis e pretos da manga e do corpo se toquem. Caso não houvesse essa listra branca, o acabamento seria muito grosseiro, pois é importante evitar que se jogue tecido fora apenas para fazer com que a mesma cor do pano da manga tenha contato com a sua correspondente no pano do corpo.

Os cortes da Penalty, da Olympikus e da Adidas eram mais clássicos e todos – sem exceção –obedeceram à diretriz informal porém harmoniosa da listra branca mais fina dividindo o peito ao meio. Sempre que o corte da manga for reto e sempre que não houver nenhum pano intermediário entre os panos da frente e das costas, o encontro das listras azul e preta nas emendas não se torna grosseiro.

Abaixo, o modelo 2010 da Puma, na vista lateral que destaca a paradoxal emenda dos panos da frente e das costas:

domingo, 7 de março de 2010 18:20:37

Independentemente de o tom de azul não ser o mais luminoso – isto é, aquele que caracteriza e destaca mais o Grêmio como Grêmio (azuis mais claros, bonitos ou não, lembram clubes pequenos como Paysandu e Londrina; como a racista Lazio ou, ainda, o emergente Manchester City) – temos aqui uma tripinha de pano azul entre a última listra preta do pano da frente (um terceiro pano meramente estético) e um quarto pano preto “perfurado”, bem na lateral, logo abaixo da axila.

Se, aqui, o excesso de preto já torna o modelo pesado, sabemos que não pode haver panos nem listras largas brancas na camiseta tricolor nº1. Se a lateral fosse toda azul, dos males o menor. Porém, a noção de bicolor seria mais forte do que de tricolor – o que descaracterizaria o Grêmio de qualquer maneira.

O problema da Puma com o Grêmio não é de acabamento, de qualidade e nem tampouco falta de criatividade: é de harmonização e de respeito. Porém, quando o clube não se impõe perante um fornecedor porque não sabe o que quer e não possui nenhum manual de identidade visual, nenhum profissional interno ou externo tem por onde se guiar.

Obrigado ao Diego Bretanha do blog Camisas do Grêmio, que corrigiu minha informação inicialmente equivocada: eu havia dito que a camiseta da Kappa era de 1998 quando, na verdade, é de 2000.

ME AJUDA A MELHORAR A CAMISETA DO GRÊMIO

sábado, 27 de fevereiro de 2010 19:34:44

Conforme o post anterior e também a partir de muitos comentários bastante divergentes e sérios observados em muitos blogs gremistas, decidi agir e conto com a ajuda inestimável de todos:

– VAMOS TRABALHAR PARA GARANTIR A INTEGRIDADE DO NOSSO MANTO SAGRADO? ;)

Esta série de posts acerca de sugestões e de objeções com o objetivo de determinar um padrão normativo que minimize ao máximo a descaracterização da camiseta nº1 do Grêmio tem como ilustração a foto de cerca de 70% da nossa coleção familiar – minha e da Lúcia.

Pra poder expandir a discussão, além dos comentários, gostaria MUITO que os interagentes deste blogs enviassem fotos de suas camisetas tricolores mais ou menos no tamanho das fotos que apresento a partir deste post e com boa iluminação nas mesmas poses.

Em especial, preciso de apenas três modelos pra completar todos os padrões que não consegui observar na minha coleção. Adianto que as réplicas da Puma NÃO SERVEM, pois estão longe de ser idênticas:

– Qualquer uma da Olympikus, entre 1981 e 1984;

– A da Adidas (1983-1984);

– Alguma entre 1962 e 1975.

O QUE PRECISO DESSES MODELOS? Basta uma régua, uma trena ou uma fita métrica e anotar escrever no e-mail as seguintes medidas:

a) A largura das listras (azul e preta quase sempre iguais e a branca também);

b) Medir o diâmetro do distintivo.

A partir das fotos, irei observar:

1) O número de listras no mesmo pano (frente ou verso, tanto faz);

2) Verificar os detalhes do corte e das costuras da manga;

3) Observar sobre qual(is) listra(s) está posicionado o distintivo: se apenas sobre a azul, ou apenas sobre a preta, ou vazando até o limite das listras brancas adjacentes à listra colorida por sobre a qual situa-se o distintivo ou, ainda, caso as listras azul e preta sejam finas, se o distintivo está sobre as duas e se, finalmente, as ultrapassa e invade as brancas adjacentes ou não;

4) Se prevalece uma listra branca dividindo a camiseta bem no meio do tronco e das costas ou não;

5) Se prevalece o encontro perfeito entre as listras do pano da frente com o de trás a partir da costura que as une por sobre os ombros.

NÃO ESQUEÇAM: TEM QUE SER A TRICOLOR. As reservas não interessam! :)

Favor enviá-las para o e-mail heliop@gmail.com com o título CAMISETA DO GRÊMIO (fotos).

Será que os amigos do blog CAMISAS DO GRÊMIO poderiam dar uma força? VALEU! ;)

UNIFORME DO GRÊMIO: PROJETO (I)

ESTE É O PRIMEIRO DE UMA SÉRIE DE POSTS SOBRE JUSTIFICATIVAS TÉCNICAS E ECONÔMICAS QUE A DIREÇÃO DO GRÊMIO DEVERIA UTILIZAR A FIM DE REJEITAR A ADAPTAÇÃO DO SEU MAIOR BEM INTANGÍVEL AO GOSTO DOS DESIGNERS DE MODA DOS FORNECEDORES DE MATERIAL ESPORTIVO.

OS LINKS SÃO EXPLICATIVOS. POR FAVOR, CLIQUEM NELES E LEIAM COM ATENÇÃO.
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Além de tantas que já doei, ainda possuo uma razoável coleção de camisetas do nosso Grêmio (embora meu acervo seja modestíssimo perto do link acima citado). Através dos tempos, notei uma série de incoerências e de contradições acerca do seu design. Em função da falta de um documento oficial do clube para direcionar a ação criativa e logística de seus fornecedores (neste caso em particular, falo sobre a Puma), a largura das listras, o formato da gola, o tom de azul, o tamanho e o posicionamento do distintivo, a cor e a borda do número e assim por diante.

Quando fiz parte do Movimento Grêmio Novo durante o final de 2004 e todo o ano de 2005, propus um estudo de programação visual cujo objetivo era criar um manual de identidade visual não apenas da marca mas, sobretudo, do tamanho e da posição do distintivo, do tom de azul, da largura das listras, do modelo, da cor, da espessura da borda (contorno) do número e dos patrocínios (a fim de melhorar a legibilidade na TV e rentabilizar também a marca de quem nos financia), da cor da gola e da delimitação e posicionamento da área destinada ao patrocínio na camiseta nº1, a tradicional tricolor.

Infelizmente, à época, essa peça de valorização da marca Grêmio não foi tocada como um projeto financeiramente viável. Naquele difícil momento de reconstrução do clube, essa importante peça de comunicação imediata da camiseta tricolor dos pampas como um símbolo sempre único no mundo do futebol não foi vista como prioridade.

Mais do que nunca, o mundo profissional e ultracompetitivo do futebol masculino profissional exige que a marca e os símbolos do clube sejam encarados como bens, isto é, como parte integrante (por vezes preponderante) do patrimônio intangível dos clubes: se bem explorado, esse patrimônio pode ter um valor bilionário.

Empresas e profissionais de design são especialistas com trajetória multidisciplinar contratados para criar, desenvolver, atualizar, aperfeiçoar ou transformar a identidade visual de uma marca. No conjunto de elementos que compõem a marca e que também estão sob sua responsabilidade, estão todos os demais símbolos, grafismos e modelos de legibilidade que deverão servir como um PADRÃO que define as regras do jogo: ou se desenha segundo a tradição do cliente propondo alterações pontuais, ou não estamos seguindo regra nenhuma.
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