MÍDIA BRASIL: POR UM MODELO BBC

Este debate precisa ser expandido. Infelizmente, não tenho tempo nem dinheiro que me possibilitem viajar nem sei de alguma entidade disposta a me ouvir e que concorde em grande parte das questões que eu levanto nessa discussão. Mesmo assim, entre acertos e erros, considero-me razoavelmente apto a falar sobre a questão da democratização nos meios de comunicação no Brasil.

É uma questão muito importante, pois trata da soberania nacional e, acima de tudo, da autonomia social e econômica da maioria de nossa população em relação à sua capacidade de reconhecer o mundo a partir de um determinado conjunto de histórias contadas como se fossem a expressão da verdade de uma época sob um determinado contexto.

Assim como só vejo como possível a capacidade de se atrair novos atores sociais dispostos a exercer a sua cidadania política, econômica, social e simbólica pressionando o poder a partir de iniciativas em rede que podem retomar o espaço público como uma ágora eliminando-se uma visão partidária e sindicalizada,  considero o debate pela democratização dos mídias no Brasil a partir do viés acadêmico influenciado pela escola marxista que resultou na TEORIA CRÍTICA da Comunicação um tanto limitado. Afinal de contas, regular, regulamentar, moralizar, educar, propor ações sociais e quebras de paradigma com autonomia e liberdade é uma equação muito difícil de ser solucionada e, definitivamente, não há almoço grátis.

Um erro nessa resistência à mídia hegemônica é o de não reconhecer a importância da estética da linguagem como um fator de necessidade econômica e simbólica voltado para a produção de bens de consumo mais racionais e gratificantes a partir da experiência social resultante do contato com tudo o que é produzido, transmitido e discutido sob o olhar mediado. Considero que, invariavelmente, a limitação das conquistas em relação à democratização dos meios de comunicação deva-se muito ao fato de que reconhece-se muito pouco a fundamental importância do custo de produção e da falta de apuro estético.

O conteúdo só se torna atraente se a edição e o discurso tiverem uma linguagem adequada à linguagem do público predominante. Em termos de empoderamento de pequenas comunidades, qualquer equipamento serve. Porém, quando entra-se no broadcast, o furo é muito mais embaixo.

Embora sejam fatores nada desprezíveis em relação ao consumo de baixarias e da alienação oferecida por conteúdos frívolos que não podem ser chamados de informação (partindo-se do pressuposto bergsoniano de que informação é aquilo que produz diferença), deve-se levar em conta o fato de que, para muitas pessoas, a sua preferência por esse tipo de programação (bem como a preferência dos mídias pela sua produção) não decorre da ignorância nem da falta de escolaridade ou de politização. A preferência por uma estética funcional costuma estar de acordo com a dinâmica social de seu tempo. A maioria das pessoas não têm tempo nem saco pra assistir a um programa de TV com cenário pobre, trilha sonora mal gravada, linguagem de 10 anos atrás e assim por diante. Ser honesto e tecnicamente correto não é suficiente: é preciso ser surpeendente. E há muita surpresa mesmo naquilo que não possui conteúdo relevante. Essa é a fórmula do sucesso de quem está por cima da carne seca.

Talvez a preocupação moral e conservadora que, em certos pontos, também conquistou a minha adesão no momento em que se descobre o quanto certas mensagens podem transformar a educação de uma criança, não deva ser vista como um cavalo de batalha. Ignorá-la, jamais; porém, que ela não se torne a principal bandeira nessa modalidade de resistência política e simbólica. Digo isso porque cada vez menos pessoas assistem televisão. Conheço dezenas de pessoas que, ao começar a trabalhar e a fazer novas amizades, simplesmente perderam até o prazer de assistir aquilo que costumavam assistir.

TV aberta?! Rádio?! Jornal?! Revista?! A mídia de massa não é mais tão forte quanto já foi. É por isso que eu acho um exagero (e até perda de tempo) discutir algo que nunca irá mudar (isto é, o discurso de sempre da Grande Mídia). A RBS, a ABRIL, a FOLHA, o ESTADO e outros menos votados não exercem a menor influência na minha vida. Sinceramente, não me considero mais culto, mais inteligente e nem tampouco mais “esperto” ou “do contra” por preferir (com restrições) CAROS AMIGOS, CARTA CAPITAL ou coisa parecida. Eu acho que, mesmo sendo uma minoria, há um monte de gente que não é necessariamente de esquerda ou com alto grau de escolaridade capaz de fazer as mesmas escolhas.

Infelizmente, são poucas as pessoas com acesso a TV a cabo e internet. E, o que é mais grave, é a total falta de conhecimento de outros idiomas, a fim de fazer com que o Brasil descubra imediatamente tudo o que está sendo feito em termos de empoderamento.

A minha mãe só estudou até a 4ª série e assiste a todos os programas de fofoca e noticiários espreme-sangue da TV aberta. Ela não consegue acompanhar as legendas e não assiste nada em outras línguas porque não consegue entender.

O mundo, em todos os sentidos, é uma coisa extremamente complexa pra ela. Ela não se interessava e não tinha coragem nem saúde pra assistir a uma programação decente, até que vários dos canais a cabo voltados para questões de família, educação dos filhos, novidades da medicina, evoouções tecnológicas e sexualidade fossem duplados para potuguês. A visão de mundo dela pode até não mudar muito, mas, pelo menos, ela aprende um montão de coisas e apresenta assuntos bem mais interessantes pra gente conversar em casa.

Portanto, não podemos considerar a programação como um todo de baix qualidade ou excludente.

As origens dessas questões são muito mais profundas e complexas do que meramente discutirmos sobre quem são os donos dos poderes político, econômico e coercitivo ou por que a mídia corporativa emburrece a população em geral: por mais leis que se tente aprovar e por mais mecanismos de fiscalização, infelizmente, é tudo uma questão de desligar o botão ou de se arranjar outra coisa pra fazer. Ou, pelo contrário, seria a televisão um meio “hipnótico”?! Creio que não. O que deve-se quebrar é a barreira do condicionamento, a partir de uma campanha voltada à uma vida social mais intensa vivida presencialmente junto a seus afetos e atividades ao ar livre.

Por outro lado, há programas maravilhosos na televisão, em grande quantidade. A maioria deles a cabo.

Então, defendo um modelo igualzinho ao da BBC: 50% + 1 das ações pertencentes à emissora estatal, que oferece educativos de altíssima qualidade e interesse no horário nobre (das 19h às 21h) e possui quatro emissoras abertas com conteúdo diferente entre si, mais ou menos como os canais Discovery (só que com qualidade melhor).

A BBC produz programas de primeira porque contrata o melhr iluminador, o melhor fotógrafo, o melhor maquiador… DO MUNDO, por empreitada (como free-lancer).

Eis o grande impasse: a BBC cobra 10 libras/mês para fornecer uma set-top box  e corta o sinal de quem não paga a mensalidade. Essa set-top box, além de proporcionar todos os canais de qualidade educacional e noticiosa da BBC, também libera o acesso a uma série de outros canais.

No Brasil, há uma lei que fala sobre o direito universal à Comunicação. Com isso, a TV aberta foi baixando a qualidade técnica, subtraindo a relevância social e foi espetacularizando a sua programação, quase unificando o discurso em função da pequena quantidade de proprietários e de centenas de patrocinadores em comum.

Temos uma TV a cabo muito cara e de alcance restrito somente aos grandes e médios centros urbanos dos estados do Sul, do Sudeste e das regiões litorâneas do Nordeste. É uma programação cara, repetitiva e redundante, mas que possui, inegavelmente, uma qualidade média de discurso e de apuro técnico superior às produções abertas.

Há, ainda, a questão da TV PÚBLICA, que não é pública mas, sim, ESTATAL: qualquer governo pode optar entre torná-la chapa branca, extingui-la ou fazer dela um cabide de emprego. Caso a TV BRASIL operasse em condições ideais em TV aberta ou fechada no país, teríamos acesso a toda a sua programação em canal próprio – coisa que não ocorre.

Com o equivalente a R$10,00/mês de todas as pessoas interessadas em possuir programação de TV em suas casas, certamente teríamos acesso a um conjunto de canais de programação segmentada com programação de qualidade suficiente para dar um banho em todas as GLOBO, RECORD, RBS, BAND, SBT e emissoras estatais juntas.

Tudo custa dinheiro. E não se pode aumentar impostos ou realizar descontos compulsórios a torto e a direito. Ao mesmo tempo, leis que definem um percentual x do orçamento público ou privado para o investimento em qualquer setor dependem das oscilações de mercado muito mais do que a oscilação resultante do aumento ou da diminuição da audiência em si.

Por que a TV BRASIL não colou ainda?! Simples: porque sua política de distribuição e sua infra-estrutura são pífias, já que falta coragem e interesse nesse investimento pesado sem uma contrapartida.

No meio textual (impresso ou internet), o cara escreve como e sobre o que quiser. Acredita ou duvida dele quem bem entender. Porém, a propagação da voz e da imagem através de ondas eletromagnéticas é uma concessão pública, que deve obedecer a uma política social e educacional.

QUEM CONSEGUIR PROVAR O QUE FOGAÇA FEZ PELO POVO GANHA UM DOCE

O RODRIGO CARDIA do CÃO UIVADOR postou o seguinte questionamento, com o qual concordo integralmente:
clipped from caouivador.wordpress.com
Ao invés de fazer “propaganda eleitoral” pelo voto na MARIA DO ROSÁRIO, faço uma pergunta aos que votarão em FOGAÇA: no que Porto Alegre ficou melhor nos últimos quatro anos?
Quem souber, cite pelo menos uma melhoria, pois eu não vi nenhuma.
blog it

APRENDIZADOS DE CAMPANHA PARA O PT-POA

Infelizmente, há nuances político-eleitoreiras que são negligenciadas até mesmo pelas raras pessoas esclarecidas, críticas e socialmente conscientes. Vamos a elas:

1) A mídia corporativa não possui necessariamente o poder que a ela se atribui: caso contrário, não teria havido nenhuma espécie de contestação à administração atual. Portanto, todos os votos não-dados a Fogaça (ou seja, mais da metade dos votos válidos foram destinados a todos os demais candidatos) significam insatisfação – mesmo que seja uma insatisfação predominantemente despolitizada;

2) Tecnicamente, o senso comum confunde marketing, propaganda e publicidade, mas são três técnicas distintas. Ei-las:

- O marketing é um arranjo entre quatro variáveis: produto, preço, escolha dos pontos-de-venda e promoção. Essas quatro variáveis, conhecidas como os 4 P’s (em inglês: product, price, place e promotion), dependem de produção, transporte e transformação material ou produção de um bem intangível como, por exemplo, um site de comércio eletrônico. Portanto, a comunicação (publicidade E/OU propaganda; assessoria de imprensa e relações públicas) é apenas uma parte dentro do composto promocional. Portanto, não existe marketing político;

- Propaganda é a promoção de um produto ou idéia de cunho político-ideológico. Portanto, uma campanha para a Rosário é propaganda, assim como contra o porte de armas ou a favor do presidencialismo. Mas a aparição midiática sob uma linguagem persuasiva, normativa e/ou envolta em um determinado juízo de valores de uma bicicleta, de um perfume ou de um automóvel não são propaganda;

- Finalmente, a publicidade é a promoção de um bem (seja ele simbólico ou material) que precisa ser apresentado e consumido: pacote de viagens, bola de futebol, apartamento, conta bancária, etc. são publicidade e não propaganda.
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Atualmente, a sociedade midiatizada, isto é, a sociedade na qual cerca de 80% de tudo o que se discute é produto de mediações (história premeditadamente editada) e remidiações (atravessamentos entre pautas semelhantes ou contrárias em todos os meios de comunicação), não dá valor nem importância à ágora pública (praças, parques, avenidas). E, sendo predominantemente consumista, pouco letrada e de classe média, não adianta forçar a barra pra tentar “conscientizá-la” acerca do seu papel social, “instruí-la” ou “educá-la” sobre política, cidadania, sociologia, filosofia, psicologia ou pedagogia de maneira informal através de explicações longas. Da mesma forma, é um erro crasso querer impor que a maioria dessas pessoas tenham de crer no discurso de um partido qualquer.

Hoje em dia, os partidos não têm mais cara e todo candidato é um produto. Os pobres, vítimas de racismo, sexismo, maior probabilidade de doenças, subnutrição, ignorância e todo tipo de violência, não são mais a classe operária de Marx, nem tampouco o “povo”: as pessoas podem até se unir em torno de uma causa em comum. Porém, não é por terem-se unido em torno de um determinado objetivo neste instante que terão que unir-se e defender as mesmas demandas sempre, já que não há mais um “povo” uno e nem uma “massa” facilmente manobrável: a sociedade atual é composta por uma MULTIDÃO que não é homogênea e não precisa fazer parte de um determinado grupo classista – é a causa que gera a união e não uma crença e práticas individuais predominantemente comuns, já que todos são diferentes.

Portanto, o desafio é reivindicar por transformações radicais nas leis que regem o sistema político-partidário-eleitoral, as prestações de contas da campanha e repensar o papel da cidadania política separada dos partidos. A falta de consciência a respeito de todos esses fatos fez o PT porto-alegrense parar no tempo em que a sua base militante ainda era formada por uma grande parcela da população representada por operários da indústria e por funcionários públicos moradores da periferia.

Atualmente, os filhos e netos dos operários, dos funcionários públicos e da pequena parcela da classe média que lutou contra a ditadura militar e fez política há 30, 40 ou 50 anos atrás não são mais pobres e compõem a maioria da população da capital sul-riograndense. Distantes do ensino público de qualidade e completamente dissociados da história do país, não possuem a menor identificação com os valores políticos e sociais nos quais seus pais e avós acreditam – ou acreditavam.

A classe média é predominantemente conservadora, pois quer preservar o pouco que possui e almeja ser como os figurões que encontram nos cadernos de “variedades” dos jornais, em revistas de fofocas ou através de programas sensacionalistas de rádio, televisão e portais da internet.

Apesar desse quadro, a esquerda precisa aceitar vender seus candidatos como mercadorias ao mesmo tempo em que deva esmerar-se tecnicamente para saber apresentar suas idéias e suas realizações confrontando as falhas dos seus oponentes com dinamismo, velocidade e sem confrontos contraproducentes.

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BREVE DISCUSSÃO SOBRE INTERAÇÃO DA BLOGOSFERA COM O PIG

O PIG muitas vezes entrevista os dois lados, dando maior espaço para o lado que o patrocina, que o cobra e que, em outra dimensão, dele também depende.

Contudo, normalmente o que eles fazem quando chamam um “especialista” pra falar é endossar o status quo, já que os especialistas chamados na maioria das vezes ou são conservadores, ou se pronunciam cheios de dedos porque, de seu lado, também dependem dos patrocinadores do PIG.

Infelizmente, um blog não foi, não é e sequer terá como ser considerado mídia de massa porque é fruto de uma interação um-um ou um-uns e não um-todos ou todos-todos (compreenda  melhor esses conceitos aqui), como o rádio, a TV, o jornal ou a revista. Se existe um alento em relação a essa realidade aparentemente trágica é o fato de que os portais de conteúdo do PIG também não podem ser considerados como mídia de massa. Por exemplo: se o ClicRBS quiser continuar mantendo os comentários abertos para cada notícia que postar, certamente encontraremos alguns (às vezes mais da metade) comentários bem legais de pessoas de esquerda, dando “nos dedos” deles.

Ora, como todos os grandes portais de conteúdo disponibilizam comentários, o primeiro que fechar esse canal de diálogo com o seu consumidor cairá em desgraça junto aos seus próprios pares.

Claro que eles podem deletar, censurar e serem malcriados com um comentário que contraria a sua agenda de interesses. No entanto, com centenas de novas notícias por dia em dezenas de editorias e a preocupação em decupar e editar o trabalho semi-escravo de um punhado de jornalistas, o que conta a nosso favor quanto ao gigantismo deles é a impossibilidade deles darem conta de censurar milhares de interagentes.

Percebam: o espaço de comentários é o único espaço dentro de um site ou blog que, mesmo quando protegido por senha ou quando reconhece a localização do comentador por IP, oferece a total impossibilidade de previsão de quantidade, qualidade ou viés das interações. E, como falei acima, salvo em raras e desonrosas exceções, mesmo que eles desenvolvessem um robô que deletasse automaticamente comentários que contivessem determinadas palavras-chave, isso seria impraticável e descaradamente desonesto, tendo em vista que eles não podem ignorar que comentários favoráveis à sua agenda também podem conter as mesmas palavras de um comentário oposto.

Trocando em miúdos: mídias intrusivas (este é um termo aparentemente meu, que não sei se seria correto, mas acho que fica mais fácil de entender dessa forma), isto é, aquelas que “agradecem o carinho de entrar sem pedir na sua sala, no seu quarto, na sua cozinha, na rua, no metrô ou no seu carro”, são massivas. As mídias para as quais o receptor precisa correr atrás a fim de buscar informação não são massivas.

Entendo quando se fala que as idéias neoliberais ou de direita já possuem espaços demais enquanto as idéias socializantes ou de esquerda são menos visibilizadas a partir de qualquer tipo de mídia. Porém, se informação é aquilo que produz diferença, informação, notícia, opinião e crítica são gêneros totalmente diferentes que não necessariamente produzem diferença. Se formos dicotomizar essa afirmação, poderíamos dizer que, tanto à esquerda como à direita (ignorando-se as infinitas nuances dos valores estritamente pessoais e o contexto de cada indivíduo), pode-se OU NÃO produzir informação (e,
conseqüentemente, diferença).

Trocando em miúdos, a grande diferença técnica, teórica e empírica entre a web (portais, sites, blogs) e a mídia de massa (rádio, TV, jornal, revista, publicidade, RP e assessoria de imprensa sobre suportes urbanos) é que os funcionam como um telefone sem fio e a mídia de massa funciona como um megafone.

Então, como produzir diferença? A diferença reside em fazer o que o senso comum não espera que seja feito e que o que for feito siga um modelo discursivo inesperado. Isso é o que chama a atenção para que os que não comungam das mesmas idéias do blogueiro emerjam como uma importante parcela da audiência, que supera em importância até mesmo a do mundinho dos próprios pares do blogueiro. É o pulo que se dá a fim de superar a fase de conversar com as paredes ou de não produzir debate nem o contraditório.

Enfim, eu tenho uma posição formada sobre determinadas pautas que acredito serem imutáveis, seja a favor ou contra. Há, ainda, um outro conjunto de temas sobre o qual posso mudar de opinião parcialmente ou até mesmo totalmente. E isso acontece com toda e qualquer pessoa, sem que se possa afirmar que o sujeito é “do bem”, “vaselina”, “maria vai com as outras” ou que ele queira “reinventar a roda”. Não é assim que se confia ou desconfia, nem que se mede coerência.

O PIG não possui ferramentas – digamos – mais humanas e mais comunitárias para surpreender a sociedade. Hipoteticamente, a gente não vai conseguir alcançar um espaço maior se não conseguirmos arrancar o megafone da mão dele durante 15 segundos em uma hora.

Portanto, ele não vai se confundir, entrar em contradição e tampouco reverberar aquilo que nos interessa se a nossa prática for semelhante à dele.

Nesse ponto, considero importante ouvir os dois lados. Não importa que o outro lado já possua espaço midiático excessivo: como eles serão mediados por nós, poderemos fazer as questões que o PIG não faz em função do comprometimento dele e da nossa independência. O esperado por eles é que nós não saiamos do alcance de nossos pares e permaneçamos conversando dentro da mesma roda de amigos.

É tudo uma questão de saber realmente o que se quer comunicar, quando e para quem. Pois a partir dessa questão é que se define o alcance da diferença que se deseja produzir.

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CAMPANHAS ELEITORAIS RIDÍCULAS E INÓCUAS PELO BRASIL AFORA

Leiam imediatamente o relato do AZENHA sobre a convenção democrata. Talvez ainda haja uma pequeníssima porém sólida e promissora possibilidade de que se venha a aceitar com respeito e com muita atenção o fato de que não existe um processo de despolitização catastrófico, apocalíptico e irreversível mas, sim, o deslocamento do espaço público para o ambiente mais adequado a conquistar a atenção e a demandar alguma forma de participação multitudinária do que as antigas formas de debate disponíveis antes da midiatização da sociedade.

Não digo que o OBAMA seja o “bem”, nem que o jeito dos EUA fazerem marketing, ideologia e comunicação sejam um modelo a ser seguido. Discordo desse mise-en-scène das campanhas nababescas. Contudo, as estratégias que ele utiliza e eu já citei em outro post são fundamentais para haver a passagem de uma forma e de um ambiente de discussão que não têm mais nenhuma relação com a gramática, com a estética, com a retórica, com a discursividade, com a linguagem e, acima de tudo, com a maneira mais bem aceita pelos cidadãos serem contactados rumo a algum tipo de ação política.

Nesse sentido, a legislação, a representatividade político-partidária, a lei de doações de campanha e a competência das assessorias de comunicação que não sabem usar as TICs (Tecnologias da Comunicação e da Informação) como um instrumento de integração, barateamento, de debate e de incitação ao engajamento predominantes no BRASIL estão pra lá de atrasadas.

Ganhe quem ganhe (do jeito que ganhar) as eleições por todo o país, a população como um todo perderá porque não irá se envolver o suficiente para buscar alguma forma de mudança.

E apareçam o que aparecerem depois de resultados técnicos e financeiros plenamente satisfeitos, nada irá negar que, em termos de atualização discursiva e de estratégia de campanha, todo e qualquer serviço terá sido porco.

Que me perdoem os coleguinhas pela sinceridade. Por enquanto, o máximo de avanço a que se chegou (porém ainda longe do mínimo aceitável para quebrar um paradigma) foi o que a MANUELA e o MANO CHANGES conseguiram na eleição anterior.

Novamente, não que eles sejam grande coisa ou que sejam mais espertos: eles apenas sabem como chegar no eleitor, pois possuem sintonia discursiva com esta geração.

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