
Embora não vá tratar na dissertação sobre análise de conteúdo nem sobre recepção dos blogs, de certa forma, meu objeto de estudo inegavelmente possui um caráter militante. O tema não foi escolhido ao acaso mas, sim, por afinidade, por total interesse em tornar mais profissional e mais sofisticada a minha argumentação sobre blogs de esquerda.
Já fui lÃder de turma na 6ª série (apesar de ter abdicado do posto meses depois) e, mesmo sem jamais ter-me filiado a nenhum partido, cooperativa ou sindicato (a não ser por causa da ‘contribuição sindical’ a meu ver pelega nas vezes em que trabalhei com carteira assinada), nunca me mixei para defender causas de esquerda.
De maneira simplista, só acredito em uma sociedade menos injusta e mais fraterna se a classe que só viaja em férias através de pacotes CVC trianuais e os ricos, através do seu megafone também conhecido por mÃdia corporativa, passarem a adotar uma visão de mundo cujo principal mantra seja o seguinte:
- SE MELHORAR A VIDA DE QUEM ESTIVER PIOR DO QUE EU, A MINHA VIDA TAMBÃM IRÃ MELHORAR! ;)
O fato de ter feito todo o ensino fundamental em escola estadual e de ter visto o contraste do que era a escola particular no ensino médio e meu retorno ao ensino público como aluno e, mais adiante, como professor, me deram uma visão muito diferente de toda a minha famÃlia, “do bem”, porém excessivamente conservadora e altamente influenciada pela mÃdia de massa.
Como sou de uma geração completamente diferente e fui adotado, sinto-me na obrigação de me preocupar com quem tem menos antes de me preocupar com aquilo que chamo de microcosmo de ilusão.
Hoje, como enxergo todas as pessoas na forma de nós e suas relações afetivas, profissionais e ocasionais (aquilo que os ingleses chamam de acquaintances) como links, percebo claramente que as sociabilidades são compostas por laços fortes e por laços fracos, onde toda a história do indivÃduo vai-se dando através de uma enorme teia, cujos fios podem ou ficar mais coesos, ou até mesmo serem rebentados.
E todas as pessoas que vêm e vão através da história pessoal de cada um de nós poderiam ser representadas através de grafos. Mas obviamente um mapa completo de uma pessoa seria incompleto, pois ela precisaria dar-se conta disso primeiro e passar a desenhar o grafo sem parar.
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