NÓS E LAÇOS: UM DIAGRAMA DA HISTÓRIA DE UM INDIVÍDUO

Rede centralizada (e), descentralizada, (c) e distribuÃda (d)

Embora não vá tratar na dissertação sobre análise de conteúdo nem sobre recepção dos blogs, de certa forma, meu objeto de estudo inegavelmente possui um caráter militante. O tema não foi escolhido ao acaso mas, sim, por afinidade, por total interesse em tornar mais profissional e mais sofisticada a minha argumentação sobre blogs de esquerda.

Já fui líder de turma na 6ª série (apesar de ter abdicado do posto meses depois) e, mesmo sem jamais ter-me filiado a nenhum partido, cooperativa ou sindicato (a não ser por causa da ‘contribuição sindical’ a meu ver pelega nas vezes em que trabalhei com carteira assinada), nunca me mixei para defender causas de esquerda.

De maneira simplista, só acredito em uma sociedade menos injusta e mais fraterna se a classe que só viaja em férias através de pacotes CVC trianuais e os ricos, através do seu megafone também conhecido por mídia corporativa, passarem a adotar uma visão de mundo cujo principal mantra seja o seguinte:

- SE MELHORAR A VIDA DE QUEM ESTIVER PIOR DO QUE EU, A MINHA VIDA TAMBÉM IRÁ MELHORAR! ;)

O fato de ter feito todo o ensino fundamental em escola estadual e de ter visto o contraste do que era a escola particular no ensino médio e meu retorno ao ensino público como aluno e, mais adiante, como professor, me deram uma visão muito diferente de toda a minha família, “do bem”, porém excessivamente conservadora e altamente influenciada pela mídia de massa.

Como sou de uma geração completamente diferente e fui adotado, sinto-me na obrigação de me preocupar com quem tem menos antes de me preocupar com aquilo que chamo de microcosmo de ilusão.

Hoje, como enxergo todas as pessoas na forma de nós e suas relações afetivas, profissionais e ocasionais (aquilo que os ingleses chamam de acquaintances) como links, percebo claramente que as sociabilidades são compostas por laços fortes e por laços fracos, onde toda a história do indivíduo vai-se dando através de uma enorme teia, cujos fios podem ou ficar mais coesos, ou até mesmo serem rebentados.

E todas as pessoas que vêm e vão através da história pessoal de cada um de nós poderiam ser representadas através de grafos. Mas obviamente um mapa completo de uma pessoa seria incompleto, pois ela precisaria dar-se conta disso primeiro e passar a desenhar o grafo sem parar.

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NOVA GUERRA FRIA ENTRE BLOGS POLÍTICOS


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Acima, um post do Angeli que ilustraria maravilhosamente bem algumas considerações que minha querida orientadora Profª Dra. Suely Fragoso me enviou gentilmente por e-mail no último fim de semana através de algumas matérias que saíram no UOL/Folha Online (não sou assinante):

*Blogs políticos encenam nova “Guerra Fria” *

*Blogosfera vira abrigo de discursos inflamados e revive visão dicotômica entre esquerda e direita, “golpistas” e “chapas-brancas’*

*”Cada vírgula tem um alvo”, diz Paulo Henrique Amorim; para Marcelo Coelho, nos blogs as pessoas se sentem mais livres para sectarismos *

* UIRÁ MACHADO*
COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS

* FERNANDO BARROS DE MELLO *
DA REDAÇÃO

A Guerra Fria desapareceu com o Muro de Berlim, mas, guardadas as proporções, há uma encenação dela na blogosfera do país. Na guerra retórica que se trava no espaço virtual, ninguém corre o risco de morrer de verdade. Nem de tédio.
Cerca de 9 milhões de pessoas acessaram algum blog no Brasil em setembro. É um universo em expansão, mas pulverizado. Estima-se que existam 111 milhões de blogs no mundo (leia texto ao lado). Nessa constelação virtualmente infinita, ganharam projeção blogs políticos inflamados no estilo.
“Petralhas” versus membros do “PIG” (Partido da Imprensa Golpista); “chapas-brancas” versus “golpistas”. É assim que parte da blogosfera divide a disputa política brasileira.
“Quando a gente senta no computador para escrever, é como se estivesse apertando aqueles botões que disparam mísseis”, diz Paulo Henrique Amorim, do blog “Conversa Afiada“. “Cada vírgula minha tem um alvo”, completa, dizendo que a atuação no blog “é um exercício de pancadaria verbal, de pancadaria ideológica”.
Além do PIG, Amorim gosta de recorrer ao IVDL -Índice Vamos Derrubar o Lula, pelo qual ele mede o nível de “golpismo” na mídia em geral.
Em suas “máximas e mínimas”, já chamou o ex-ditador chileno Augusto Pinochet de “o santo padroeiro de quem não quer a CPMF”.
Amorim prefere não nomear seus inimigos. Mas ele é um “chapa-branca”. Pelo menos para o jornalista Reinaldo Azevedo, hospedado no site da revista “Veja”. “Há uma reunião de golpistas. (…) Vamos depor Lula hoje à noite”, disse Azevedo, em tom jocoso, às 14:29h da última segunda-feira. Duas horas depois, informou que a reunião conspiratória com os amigos fora cancelada.
Ele receberia o colunista da revista Diogo Mainardi, que viajava a São Paulo para gravar um programa de TV, no qual falaria sobre seu novo livro: “Lula é Minha Anta” (Record).

*”Apedeuta”*
Em seu blog, Reinaldo Azevedo não vive sem provocar polêmicas. Entre suas expressões favoritas estão “chutar o traseiro dos adversários” e “petralha”, neologismo que diz ser “a variação petista dos “Irmãos Metralha”: sempre de olho na caixa-forte”. A palavra campeã de audiência é a usada para se referir ao presidente Lula: “apedeuta” (pessoa sem instrução, ignorante). Azevedo não quis conceder entrevista à *Folha*. Alegou já estar “exposto demais” fora do blog.
Com uma linguagem que vai do bem-humorado deboche ao tom ácido e raivoso, os personagens contundentes da blogosfera ganham espaço e formam um público com leitores tão fiéis quanto ferozes são os inimigos -que pedem, entre outras coisas, até suas mortes.
Para Marcelo Coelho, colunista da Folha e também blogueiro, “os blogs tendem a refletir com menos filtros as opiniões mais correntes. As pessoas se sentem mais livres para sectarismos, racismo, apoio a execuções de criminosos etc”.
Ele se refere também aos leitores que deixam seus comentários, quase sempre politicamente exaltados. Para Coelho, “a esfera pública e a política parecem estar num certo descompasso. Há uma sociedade civil da internet que se politiza muito rapidamente e uma sociedade política que não está vivendo uma momento de especial vivacidade”.
Ele diz ser “muito claro que os blogs de sucesso vão criando seu próprio vocabulário e seus próprios seguidores”. Um leitor escreveu no blog de Azevedo: “O nojento Paulo Henrique Amorim (…) essa besta lulista”. E, no blog de Amorim, outro leitor: “Acho que o presidente eleito pelo PIG estava apenas fazendo trololó na Suíça por oito dias”, sobre o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

*Direita versus esquerda*
A blogosfera também é marcada por contradições. Enquanto Amorim acusa a imprensa de conservadora, o filósofo Olavo de Carvalho diz que ela é de esquerda. Ele criou há quatro anos o site Mídia Sem Máscara, que reúne articulistas conservadores.
“Na mídia brasileira, as idéias que provêm da esquerda ocupam 98% do espaço. As idéias conservadoras mesmo, além de terem um espaço menor, são praticamente criminalizadas”, diz Carvalho. “O outro lado tem dinheiro. A turma da direita não tem dinheiro nenhum.”
Luis Nassif, ex-colunista da Folha e hoje no blog “Projeto Brasil“, diz que os leitores favoráveis a Lula ficaram órfãos e buscam abrigo na internet. “Na blogosfera ocorreu uma radicalização política incrível, com a volta de velhos clichês dos tempos da Guerra Fria, o anticomunismo embolorado de um lado, o estatismo do outro. Isso faz parte de um fenômeno mais amplo de perda de rumo”.
Ao lado de Amorim, Nassif é um dos principais nomes do portal IG. Segundo Caique Severo, diretor de Conteúdo, a área dos blogs está “em construção e se pretende pluralista”. O IG “não divulga nem a audiência nem os detalhes dos contratos com os blogueiros”.
Os “inimigos” criticam o portal porque ele tem como acionista a BrT (Brasil Telecom), empresa controlada, entre outros, por fundos de pensão de estatais. Prato cheio para o ataque: “é chapa-branca”.
Amorim rebate: “Não tem dinheiro público. A BrT é a principal acionista do IG e é uma empresa que está na Bolsa. Compra ação da BrT na Bolsa. Qual o problema? [O IG] é o portal mais democrático”.

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EMERGÊNCIA, RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA, MULTIDÃO


Protótipos da capa (acima)


A capa publicada

Um dos blogs que faz parte dos 22 gaúchos da SIVUCA (meu corpus), o Alma da Geral, lançou uma discussão interessante, que me levou a pensar além. Depois, eu preciso saber se e como transpor isso para o meu texto.

Lembrei da aula que o Fausto (v. Midiatização e Processos Sociais, Antônio Fausto Neto) deu sobre uma comparação entre as capas das revistas semanais antes das eleições de 2002 e 2006. Nesse caso, nada a ver com redes sociais ou com internet. Olhem só esses posts:

CAPA DA SEMANA: CHÁVEZ POR ÉPOCA

AINDA ÉPOCA SOBRE O CHÁVEZ

Bem… Em um momento no qual a credibilidade da mídia corporativa como um todo, apesar de todo o seu poder e da midiatização crescente, anda abalada junto a vários setores da sociedade que sequer perdiam o seu tempo discutindo o papel da mídia corporativa, o Fausto disse que os editoriais estão mostrando o processo de produção (isto é, o que se passa por detrás das câmeras no estúdio; que a produção telefonou, mandou e-mail, buscou o entrevistado x no aeroporto, fora o espaço que muitos jornais dão para que o leitor escreva uma coluna).

Esse movimento existe pra mostrar que, “se a gente mostra pra você como nós fazemos; se você percebe o trabalhão que nós temos para levar a informação até você e, de quebra, se ainda abrimos espaço e, de certa forma, ensinamos um pouco a você como fazer do jeito que nós fazemos, é sinal de que o nosso trabalho é honesto, sério, gratificante e, portanto, CONFIÁVEL.

O caso dos links acima demonstra que a exposição daquilo que fica opaco dentro do ambiente de produção midiático torna-se quase transparente no momento em que é exposto na web através do FAZ CABER – um blog público que às vezes se esquece do tamanho da sua exposição midiática criado pelos técnicos e editores de capas e de fotografia da Editora Globo.

Santa vontade de aparecer fazendo de conta que não quer aparecer, Batman: a explicação dada pelos editores de Época através de um endereço www disponível para o mundo inteiro forneceu subsídios para interpretações diversas a respeito do seu processo de trabalho. Conseqüentemente, isso gerou n interpretações da mensagem enunciada na capa.

Voluntariamente ou não, seja de forma explícita (na carta ao leitor) ou implícita (em um blog editado pelo pessoal da arte), o fato de chamar o receptor para junto do veículo mantém intacto, em ambos os casos, o objetivo de fazer com que esse receptor que atende ao chamado da mídia mantenha a crença na importância da revista x, y ou z como fonte de informação confiável.

Portanto, a forma dos blogs independentes interpretar e difundir a explicação de como a capa foi feita a partir do blog da arte da revista não apenas ressemantizou a própria capa, de tal forma que essa nova visão a respeito do mesmo conteúdo contraria a intenção da revista.

Isso gerou uma réplica dos próprios editores de arte de Época. Portanto, a reverberação dos blogs independentes fez com que a revista precisasse se defender.

Voltando à dupla Negri e Hardt, imagina se isso virar moda como ocorre na propaganda eleitoral e nos debates, onde um lado só bate e acusa o outro só para fazer com que ele perca seu tempo se defendendo ou dando explicações ao invés de apresentar suas propostas ou realizações…

Explicando melhor: tal edição de Época contém muito mais do que a capa e a matéria de capa. Imagina se n blogueiros começarem a fazer a comunicação comparada da revista inteira, com n links (outros blogs, sites de notícias concorrentes, informações parecidas recuperadas a partir de um outro contexto que apresenta particularidades semelhantes, You Tube, Orkut e assim por diante)…

A revista não precisaria gastar mais páginas, aumentar seus editoriais e pautar seus articulistas tão-somente para se explicar?!

Não seria essa uma forma de resistência pós-moderna mais eficiente do que meramente mandar spam dizendo pra boicotar a revista ou fazer uma passeata na frente da editora?!

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