MEGANÃO CONTRA A LEI AZEREDO DIA 25 EM PORTO ALEGRE

O brilhante vídeo acima, descoberto entre meus amigos pelo Rodrigo Cardia (que montou o blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, o melhor exemplo de ciberativismo, emergência e multidão de Porto Alegre até o momento) do blog Cão Uivador, demonstra claramente a verdadeira intenção daqueles que defendem o vigilantismo constante e a ciberpatrulha: nossas frágeis democracias ocidentais estão-se tornando estados policiais a passos largos.

Não quero jamais dizer, como a Folha de S. Paulo, que o Brasil teve uma “ditabranda”. Afinal de contas, os prejuízos na economia, na saúde, na educação e na proteção de interesses oligárquicos financiados pelos “cordéis de fora” causaram um estrago que apenas hoje começa a ser lenta e gradualmente corrigido. Ao mesmo tempo, o trauma de presos, torturados, mutilados, agredidos, despedidos, expurgados, exilados, órfãos e viúvos não pode ser superado.

De qualquer forma, creio ser possível afirmar que o clima de insegurança crescente no hemisfério ocidental não se deve nem à crise econômica, nem à gripe “suína”, nem ao narcotráfico, nem ao fundamentalismo religioso, nem ao desemprego em massa, nem à fome, à miséria, à violência urbana, ao analfabetismo funcional ou à exclusão social: o verdadeiro drama que envolve a nossa vivência atual consiste no fato de vivermos dentro de jaulas invisíveis, porém muito mais fortes do que as daqueles tempos em que a violência física não podia ser reprimida pela vontade do indivíduo exercer a cidadania.

Jaulas essas que nós, cidadãos de classe média relapsos, egoístas, covardes e oportunistas fazemos questão de aceitar sermos colocados sem nenhuma resistência ou oposição pelo simples fato de que o medo não encoraja mas, sim, imobiliza.

Neste final da primeira década do século XXI, o xis da questão não se refere ao quão nociva é uma tecnologia. O problema mais grave não se refere ao desencaixe de gerações pré-internet quanto às novas estéticas e as novas linguagens que resultam da dissociação do tempo e do espaço: O mais grave é que uma Lei Azeredo é vendida e aceita como um bem ou, na pior das hipóteses, como um “mal necessário”.

Triste é sermos desinformados, enganados e desencorajados por uma intensa articulação de patrocinadores altamente interessados na aprovação desse projeto juntamente com a mídia corporativa – seu braço lobista e discursivo na sociedade.

MEXA-SE: informe-se melhor a partir dos twitteiros que trabalham diretamente na causa. São jornalistas, gerentes de TI, advogados e políticos. Leia blogs. Leia veículos de mídia que não estão atrelados a grandes grupos econômicos.

Nos próximos posts sobre este tema, indicarei várias referências. Por hora, escrevi demais! ;)

DITADURA E MÍDIA: HERANÇAS SOCIAIS NADA BRANDAS

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O EDUARDO GUIMARÃES diz uma coisa com a qual concordo. Se nosso país fosse como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca ou a Finlândia, até poderíamos aceitar (e inclusive sermos) a direita numa boa. Afinal de contas, pelo menos no papel, lá não falta nada pra quase toda a população. Porém, em um país tão desigual quanto o nosso, por uma simples questão de humanismo, solidariedade, cooperação, respeito e compreensão, somente a má fé, a ignorância e o egoísmo justificam a preferência bovina do gaúcho pelo pior dos conservadorismos – o racista, sexista, preconceituoso, belicoso, reacionário e estúpido.

Agradeço ao meu amigo RODRIGO CARDIA por ter citado dois ou três posts meus no CÃO UIVADOR ao tratar do COMEÇO DO FIM DE PORTO ALEGRE. Foi ele quem inspirou este post.

Como TRAGÉDIA POUCA É BOBAGEM, ontem nossa cidade foi brindada pela omissão da maioria passiva. Apesar de eu trabalhar com isso e conhecer muito bem os seus efeitos, não se pode creditar à mídia corporativa toda e qualquer espécie de manipulação ou de persuasão das pessoas, que possuem seu livre arbítrio até mesmo quando não possuem cultura ou estabilidade emocional para lidar com essa mecânica.

A bem da verdade, como PORTO ALEGRE quase sempre teve uma classe média proporcionalmente maior do que a da maioria das outras capitais brasileiras, quem deixou de ser pobre e almeja ser rico torna-se naturalmente egoísta, oportunista e conservador. E o pessoal da mídia corporativa que trabalha com política e economia também é recrutado por ser conservador.

Um jornalista, mesmo bem intencionado, tende a pensar que possui uma capacidade de brincar de Deus com as palavras. É mais do que normal eles caírem na armadilha de superestimar a sua retórica e a sua discursividade e de subestimar a inteligência e a existência (eventualmente até predominante na sociedade, dependendo da agenda em discussão) da resposta dissonante de uma audiência multifacetada cujo perfil é, hoje em dia, impossível de ser determinado a partir de um certo padrão.

Acho que os grandes males da sociedade pós-moderna não são exatamente o consumismo, o egoísmo, a discussão mediada, as tentativas oligárquicas de se obter falsos consensos, as famílias desfeitas, nem tampouco o amadurecimento forçado e forjado de crianças e adolescentes: todos esses elementos (além de diversos outros que tomariam muito tempo pra citar) são meras consequências do estrago ESTRUTURAL iniciado durante a ditadura.

Pra quem insiste em DITABRANDA, além dos gravíssimos casos de perda das liberdades civis, de cerceamento da liberdade de expressão, do patrulhamento de pessoas que pensavam de maneira diferente, das mortes, prisões, torturas e exílio, as consequências culturais, sociais e materiais da ditadura nos devastam até hoje: a piora constante na qualidade do ensino; o sucateamento e o investimento inútil em obras faraônicas e a gênese do modus operandi da corrupção atual são as heranças para o presente.

Convivemos com uma maioria passiva, covarde, egoísta, sexista, dinheirista, pouco solidária, fria e indiferente. Em todas as classes sociais, em todas as profissões, honestos, desonestos, francos ou enroladores, não importa: o Brasil passa por uma crise de HUMANISMO, responsável pelo desconhecimento de que o desenvolvimento sustentável de um país depende do compartilhamento de experiências e da composição de uma nova realidade a partir das trocas multiculturais entre gêneros, raças, ideologias e religiões.

A sofisticação da corrupção civil, militar, econômica e moral hoje realizada pelos herdeiros dos primeiros ícones do colarinho branco incentivadores dos golpes contra Getúlio Vargas e Jango corrompe também o sentido de alteridade de um povo a partir do não-aproveitamento coletivo de muitos saberes seculares e regionalizados capazes de mudar o mundo paulatina e continuamente.

Portanto, a DITADURA não tem nada de branda, pois ela ainda define comportamentos e tendências sociais. Sua contribuição gerou um atraso mental, moral, legal, social e racional que precisará de décadas para ser parcialmente desfeito.

O nacionalismo, o investimento maciço nas universidades federais e na qualificação de muitos professores no exterior durante a década de 1970 e aquela sensação de segurança nas ruas, de respeito dos jovens perante os mais velhos e outros argumentos de sustentação insuficiente usados com insistência por muitas pessoas das classes A, B e C não  compensa, não justifica, não inverte a equação que trouxe como principal resultado perdas incalculáveis para o país em praticamente todas as áreas do conhecimento.

Não quero com isso dizer que todo empresário é safado nem que todo militar é sanguinário. Porém, os bons empresários, os bons militares e as pessoas que sofreram durante a ditadura sabem muito bem separar o joio do trigo.

A tristeza maior está na incapacidade do eleitor, do consumidor e do cidadão médio não terem se ligado ainda que é preciso pensar em rede. Que tudo se mistura e que tudo vai e vem, se atravessa em um determinado ponto e depois muda de direção. Graças a esse comportamento covarde e omisso, todos pagam por isso.

Inclusive quem acha que o problema é dos outros e não deles…

RS SEM TV BRASIL = PRATO CHEIO PARA O PIG

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Dica da @DeaVG no TWITTER. Não deixem de assinar o canal DeaVG no YOU TUBE.

Fiquei muito contente ao ver a repercussão da manifestação contra a #ditabranda na TV BRASIL. Todavia, permaneço muito chateado com o GOVERNO LULA e, sobretudo, com o seu ministro das Comunicações, meu xará HÉLIO COSTA (PMDB-MG), ex-funcionário da GLOBO, por não ter acesso à programação de um canal público que foi criado para oferecer informação de qualidade para todo o território nacional não como um veículo chapa branca mas, sim, como um contraponto à agenda conservadora mostrando um país diferente daquele que a mídia corporativa nos apresenta diariamente.

Meus amigos GUGA TÜRCK, TÊMIS NICOLAIDIS e JEFFERSON PINHEIRO do COLETIVO CATARSE DE COMUNICAÇÃO tem produzido muito material de qualidade mostrando a realidade das seriíssimas questões da homofobia, do racismo e da criminalização aos movimentos sociais do campo. Todavia, se eu não fosse leitor assíduo dos blogs ALMA DA GERAL e COLETIVO CATARSE, só saberia de sua existência através do YOU TUBE.

Ora, por que diabos a programação da TV BRASIL não passa em um canal exclusivo em VHF aqui em PORTO ALEGRE?

Vem cá um pouquinho: MINISTRO HÉLIO COSTA (PMDB-MG), por favor, abre o teu coração para o povo brasileiro. Se, por acaso, estiver havendo alguma espécie de PRESSÃO sobre ti ou sobre as políticas do teu ministério por parte de certos parlamentares megaempresários que possuem concessões de veículos midiáticos, DENUNCIA-OS IMEDIATAMENTE.

Agora, se não for o caso, mesmo assim, pronuncia-te o quanto antes, pois queremos saber por que o sinal da TV BRASIL não é captado em todo o país.

Não sou advogado, mas sei que, infelizmente, nem sempre há tempo para discutir o destino de erros crassos (seja por incompetência, seja por má fé) da administração pública com o país inteiro. Gostaria de saber a respeito da viabilidade de um canetaço do presidente para que as TVs por assinatura sejam obrigadas a transmitir a programação de canais novos como a própria TV BRASIL, a TELESUR e a FRANCE 24. Além dessas, fazem muita falta também a BBC WORLD, a DEUTSCHE WELLE, a RAI INTERNATIONAL, a TV5 e a AL  JAZEERA (a que mais cresce no mundo – essencial) entre outras.

Na mesma linha, todas as operadoras de TV por assinatura deveriam necessariamente ser obrigadas a oferecer todos os canais internacionais de notícias em seus respectivos pacotes básicos e sem majoração de taxa de instalação nem da mensalidade. Afinal de contas, o brasileiro ou o estrangeiro que mora em nosso país tem todo o direito de ter acesso a versões diferentes daquelas apresentadas pelas onipresentes CNN e FOX NEWS, cuja agenda é conservadora e praticamente idêntica.

Infelizmente, para minha decepção com a distribuição incompleta do sinal do canal para todo o território nacional (jamais por causa de sua programação, que é excelente pelo pouco que eu posso assistir exclusivamente via internet – muitas vezes postado em blogs), a amostra que a TV BRASIL me deu até o momento foi a seguinte: EU NÃO ESCOLHO, EU NÃO PROGRAMO, EU NÃO ASSISTO. E não é nem nunca foi porque eu não quero ou porque a emissora assim não o deseja…

Pois bem: em função da política correta de comunicação da TV BRASIL e da sua mantenedora e de uma série de exemplos de programas maravilhosos que não apenas os gaúchos como também os cidadãos brasileiros de mais seis estados que ainda não recebem o sinal desta emissora fundamental para tentarmos diminuir o desequilíbrio de forças entre o bom e o mau anunciante; o bom e o mau telejornalismo e a boa e a má política, gostaria de fazer um apelo à diretora de programação HELENA CHAGAS para que utilize a sua competência, a sua honestidade e o seu poder para que sugestões e cobranças como as que descrevi logo acima sejam melhor elaboradas e postas em prática (v. texto original da autora no ESTADÃO copiado e colado na íntegra pelo EDUARDO GUIMARÃES sob o título ‘EM DEFESA DA TV BRASIL’.

Cito apenas um exemplo da perda inestimável do contraponto que a TV BRASIL poderia ajudar a fazer em nosso estado: há muitos blogueiros gaúchos – desde jornalistas e sociólogos até funcionários públicos – com um bom texto e informados por fontes seguras a respeito das infindáveis acusações  e de algumas comprovações de corrupção no desgoverno da família Crusius e dos neocons do que existe de pior nas oligarquias agrária, midiática e industrial deste estado sulino.

Todavia, a mídia de massa (rádio, TV, jornal, revista) está hiperconcentrada e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul nunca investiu tanto em publicidade como na atual gestão. Isso significa que, a despeito do conservadorismo de colunistas, repórteres e fotógrafos de baixa qualidade profissional e de seu público predominantemente conservador, maniqueísta, reacionário e ignorante, o trabalho retórico desses especialistas em construção de subjetividades está sendo potencializado, repetido, sobrevalorizado e hiperveiculado sem que haja uma possibilidade mínima de desconstrução da visão neoliberal e oportunista hegemônica através de um veículo ético, potente e tecnicamente inquestionável.

Em uma época na qual todos são produtores e usuários de microconteúdo com um alcance pulverizado e ainda bastante restrito das opiniões plurais e divergentes, seria fundamental que tivéssemos acesso à TV BRASIL no RS. Afinal de contas, nosso discurso é transmitido através de mídias sociais na internet. Todavia, mídias sociais e mídias de massa precisam cooperar entre si.

DITABRANDA: REPERCUSSÃO

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Eis a lista de TWITTEIROS que me mantiveram informados (os grandes responsáveis pela existência deste post):

GUTO CARVALHO

MARIA FRÔ

PAULA GÓES

CLÁUDIA CARDOSO

DEA VG

AWHITTICK

JOILDO

ERICK TOSTES

AMANDA GOMEZ

ANTONIO ARLES

FELLIPE VERNON

MARCELO BRANCO

DITABRANDA: RESISTÊNCIA CHAMA ATENÇÃO DA SOCIEDADE

Fiquei bastante contente com o resultado inicial e visivelmente superior para o campo democrático e social de esquerda desvinculado de oligarquias, empresas, sindicatos e partidos políticos de qualquer natureza (embora seu APOIO nunca como protagonista seja sempre bem-vindo) realizado hoje de manhã (sábado 07/03/2008) contra a DITABRANDA defronte à sede da ‘FALHA’ DE S. PAULO, na maior cidade da AMÉRICA LATINA. Hoje, depois de muitos esforços, o movimento andou para a frente de uma maneira que me dá esperanças de que não haja retrocessos.

Embora de maneira ainda tímida e envolvendo uma quantidade extremamente reduzida de cidadãos politizados, inconformados e motivados contra a manutenção do status quo conservador, arbitrário, oligárquico e judicialmente parcial a favor da mesma minoria de sempre, hoje, sim, pude verificar um progresso verdadeiro rumo ao que ANTONIO NEGRI e MICHAEL HARDT chamam de RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA (MULTIDÃO x IMPÉRIO) aqui no BRASIL.

Se a dimensão da EMERGÊNCIA (STEVEN JOHNSON) que levou o movimento de nível mais baixo (trocas de informações, organização descentralizada e repercussão do ato público via internet) ao nível mais alto (significativo volume de reação presencial com repercussão na mídia de massa e em comunidades alheias ao fato em si) foi suficiente ou não, isso só saberemos a partir do momento em que os três únicos veículos da considerada mídia corporativa presentes na cobertura do evento, a BAND, a RECORD e a TV BRASIL veicular e editar imagens e textos sobre o movimento. O cuidado agora é esperar a editorialização, a decisão do ‘aquário’ da BAND sobre o que e como mostrar ou omitir; como relatar, descrever, romancear, distorcer a manifestação pública e ordeira.

Pra mim, a maioria das tentativas anteriores de utilizar a internet para organizar, informar e, fazer um CHAMAMENTO À PARTICIPAÇÃO PRESENCIAL (BRETAS, 2006) aqui no BRASIL foi tênue e quixotesca. Porém os fatores que fizeram da manifestação de hoje defronte à ‘FALHA’ DE S. PAULO o início de uma reação em cadeia que poderá atingir o país inteiro conforme a motivação, as necessidades e a cultura de cada local fizeram toda a diferença.

Enquanto a crítica ao PIG feita por veículos alternativos, segmentados e de baixíssima tiragem com uma linha editorial e ideológica antagônica à editorialização da Grande Mídia brasileira ocorria sob o mesmíssimo procedimento de um colunista de maior exposição perante a classe média urbana, a repercussão de nossos argumentos arrazoados e inteligentes era abafada pelo efeito de empate, isto é, por utilizarmo-nos do mesmíssimo discurso do oponente, porém estando no lado oposto. Quando o uso de uma linguagem mais adaptada à ironia, à coloquialidade e à busca de um resultado imediato prevalecer, a juventude pós-moderna terá condições de juntar-se a nós. Eles são experts natos em movimentar-se através de redes e em aceitar um mundo descentralizado e auto-0rganizado com quem podemos aprender MUITO.

Também vejo como outro complicador para o crescimento de manifestações multitudinárias em rede aqui no BRASIL a intenção de muitos blogueiros alternativos em postar meras cópias integrais do conteúdo daqueles blogs e portais que deram o ‘furo’ e publicaram as primeiras críticas. Com essa atitude, eles não estarão agregando valor à blogosfera. Afinal de contas, a audiência deles coincide com um elevado percentual da audiência dos blogueiros com os quais possuem afinidades e trocam figurinhas, já que o critério de noticiabilidade da proximidade, isto é, de dar prioridade a fatos ocorridos em um local geograficamente próximo da audiência, atrai principalmente leitores, interagentes e outros blogueiros da mesma região, reduzindo a expansibilidade da massa crítica a fim de aumentar o alcance da sua mensagem e, consequentemente, de tentar fazer as pessoas refletirem a partir de um ponto-de-vista diferente.

Uma das maiores virtudes da blogosfera alternativa é o seu posicionamento político, econômico, social, cultural e desportivo plenamente justificado. A demonstração do lado em que o blogueiro acredita versus o lado antagônico do qual ele duvida resulta no tensionamento, na crítica, na denúncia, na investigação e em um agendamento diferenciado. Embora a mídia corporativa faça de tudo para abafar e omitir essas manifestações contrárias a si, seus pés são feitos de barro adocicado e os pequenos blogs são como formigas. Nesse ponto, nosso maior desafio consiste em convencermos o senso comum de que a maioria dos veículos que ele acompanha durante o dia inteiro também tem um lado e que não necessariamente por serem hegemônicos o seu lado seja o melhor.

O ato de blogar permite a utilização dos mais variáveis gêneros discursivos, sejam eles híbridos ou puros – se é que a remidiação ainda oferecem a existência de gêneros puros característicos de cada meio de comunicação. Dsse caldo, podemos criticar, denunciar, investigar, utilizar ironia, sarcasmo, humor, conto, crônica, reportagem, romance, etc. Estilo e gênero discursivo a serem utilizados são escolhas pessoais de cada blogueiro. Muitas vezes, uma escolha inconsciente. Afinal de contas, todo blog é auto-organizado e funciona como a casa e o ‘aquário’ particular de cada um. A agenda, a pauta e a linha editorial são decisões estritamente pessoais. Isso não é falha nem defeito. Faz parte. E que bom que é assim.

Salvo quando estou com pressa ou mal-humorado, procuro seguir a escola acadêmica francesa: primeiro, assopra, pra depois morder. Pois agora chegou o momento de usar meus dentes. Não se preocupem: eu não vou arrancar um naco. Algumas marcas na pele já me satisfazem… ;)

Copiar um trecho maior do que um ou dois parágrafos do conteúdo postado em outro blog é um ato contraproducente em todos os sentidos. Mesmo que se mande o link para a referência, como o texto está total ou parcialmente disponível no meu blog, meus leitores dificilmente irão visitar o blog do post original. Por melhor que seja a intenção (‘o cara escreveu sobre o que eu penso de uma maneira que eu não conseguiria me expressar’; ‘vou postar isso aqui porque meu leitor talvez não leia o blog/site de quem eu achei esse post tão interessante’), é fundamental termos em mente que, dentro de uma rede, os nós devem necessariamente estabelecer ligações que façam com que o público circule entre muitos dos blogs de um mesmo grupo. Do contrário, a rede terá apenas um caminho de ida e não chegará à circularidade que possibilitaria ao internauta encontrar um volume significativo de massa crítica alinhada aos seus valores porque os nós estão separados e não interligados.

Se eu copiasse um texto inteiro do site do PT, tiraria audiência do site do PT. Se eu copiasse um texto inteiro do EDUARDO GUIMARÃES, tiraria audiência do EDUARDO GUIMARÃES. Afinal de contas, se eu já li o mesmo texto no blog do fulano, por que entrar no site do partido? É bom lembrar que o comportamento do internauta tende a repetir o mesmo comportamento de busca midiática que ele realiza no ambiente offline. Isso significa que esse padrão tende mais a concentrar a sua visitação aos portais do PIG do que a aguçar a sua curiosidade a ponto de achar que vale a pena entrar e explorar outros conteúdos dentro do site do PT. Da mesma forma, mesmo que eu seja um nó de poucos laços, caso meus laços sejam bem mais significativos do que os laços daquele blog que consegue ser ainda menos conectado e, portanto, ainda menos conhecido do que o meu, se eu copio todo o post dele, então quem tende a concentrar a audiência dentro desse nicho sou eu. Ao invés de contribuir para a descentralização e para a auto-organização, eu estarei matando um aliado ou um parceiro.

O prof. HENRIQUE ANTOUN da ECO/UFRJ trabalhou em vários de seus artigos e também com seu ex-orientando e um outro negriano como eu, o prof. FÁBIO MALINI, da UFES, um conceito chamado ECONOMIA DO MÉRITO (cujo teórico ainda não estudei), que consiste em aumentar o prestígio, a referência, o respeito e a visibilidade em rede através da TROCA. Quem dá mais, é mais lembrado. Quem dá menos, vai para o limbo. A troca ou o escambo de arquivos digitais em redes telemáticas torna o reconhecimento de seus praticantes mais assíduos que, ao invés de apenas sugar, têm muito o que oferecer, muito mais valiosos dentro desse grupo do que a comparação do ‘valor’ de alguém que possui muitos bens materiais.

Logo, não é de graça que eu insisto tanto para que os blogueiros evitem ao máximo reproduzir as notícias dos portais ou os  posts de outros blogueiros. Se for algo legal, uma frase de efeito, um ou, no máximo, dois parágrafos importantes são mais do que suficientes. Afinal de contas, quem só copia perde valor dentro da economia do mérito, pois se eu copio o conteúdo integral do post de alguém, diminuo enormemente a possibilidade do meu leitor clicar no link para o blog que originou a minha cópia.

Outro ponto: quando um determinado blogueiro independente apropria-se de alguma matéria encontrada em um portal de notícias pertencente ao PIG e copia seu conteúdo para um espaço no GOOGLE DOCS para eliminar a possibilidade do seu leitor dar audiência para o portal da mídia corporativa, essa atitude trata-se de um enorme equívoco, que fará com que esse pequeno blogueiro perca uma chance de ouro de ter sua audiência aumentada. Mesmo que seja pouco em quantidade, só o fato de o portal possuir uma linha editorial e um público de valores normalmente opostos aos do blogueiro já é suficiente para funcionar como um potencial laço de expansão do blog independente rumo a uma rede social formada por pessoas diferentes. Mesmo que não se consiga mudar a cabeça da maioria, há sempre uma grande quantidade de pessoas e de blogueiros que pensam como a gente mas que não pertencem à nossa rede social, pois são sócios de outro clube, trabalham em outra profissão, vivem em outra cidade, resistem e denunciam o poder de outras formas e assim por diante. Por mais contraditório que seja, o portal do PIG é um hub gigantesco que, bem aproveitado, pode ajudar a reunir seus críticos antes dispersos.

Cada post feito em uma das mais conhecidas ferramentas chamadas de Sistema de Gestão de Conteúdo (Content Management System ou CMS) tal como o BLOGGER, o WORDPRESS ou o MOVABLE TYPE normalmente apresenta um recurso que poucos conhecem chamado PINGBACK. É preciso observar cada ferramenta para saber se o PINGBACK é arbitrário ou opcional. Se for opcional, é melhor habilitá-lo.

Se eu copiar um PEQUENO trecho de uma matéria do CLICRBS (mídia má, feia e golpista como bem diz a galera da NOVA CORJA) e puser o devido link para ele, não estarei sendo nada trouxa por colaborar com o aumento da audiência de uma corporação cuja linha editorial vivo a criticar: acima de tudo, serei compensado com a possibilidade de receber audiência do PIG através do link para o meu blog que estará registrado nos comentários da matéria original. Logo, o portal malévolo, que tem uma visibilidade diária centenas ou milhares de vezes maior do que a minha, estará enviando, como uma forma de agradecimento, um caminho que faz o caminho de volta do seu nó para o meu, trazendo-me parte de sua audiência.

Portanto, o PINGBACK significa o seguinte: o que parece uma pagação de pau para o barão da mídia é, na verdade, uma forma de obrigá-lo a me dar algo em troca. Afinal de contas, ele não pode nem me explorar, nem me ignorar o tempo todo. O fato de eu enviar-lhe um sinal de que um blogzinho mané perdido no ciberespaço o lê e também ajuda a multiplicar o alcance da  sua audiência automaticamente faz com que ele, queira ou não, também me endosse e proporcione que alguns de seus leitores cheguem até mim. O PINGBACK seria, mitologicamente falando, senão um portentoso cavalo, pelo menos uma espécie de PÔNEI DE TRÓIA.