MAXI, AUTUORI: CONTRADIÇÕES DE DUDA 2009

Independentemente do fato do badalado loiro argentino ser o jogador  de performance menos pior no mal fadado ataque tricolor de 2009 Maxi López não vale o que se pagou por ele. Por 200 mil reais de salário, seria necessário que, além de força física e garra, ele tivesse uma técnica e um poder de decisão bem superiores aos que tem apresentado.

Tenho em mente a penúria financeira do clube e sei que, mesmo com boas referências acerca do trabalho e da personalidade de um determinado profissional, qualquer direção pode errar até mesmo em contratações repletas de espectativas. No entanto, o desespero por causa da falta de recursos e a falta de um olheiro pago para viajar pelo mundo, assistir aos jogos internacionais pela TV e acompanhar a mídia esportiva européia, asiática e sul-americana aumentam significativamente a margem de erro. E isso é falha de gestão, pois não há uma política de estado, isto é, que perpasse gestões oposicionistas e pessoas diferentes que contemple a permanência desse cargo, que é fundamental para o futebol contemporâneo. Afinal de contas, é justamente quem tem orçamento reduzido que precisa errar menos em suas avaliações.

Não vou responsabilizar nenhuma gestão dos últimos seis anos quanto ao trabalho das categorias de base. Primeiro, porque é perda de tempo e infantilidade tomar partido de quem diz que fulano vendido por tanto entrou na escolinha quando beltrano era presidente ou se fulano subiu ao profissional na gestão de ciclano. Contudo, um erro comum a todos os garimpeiros do Grêmio ou terceirizados pelo clube decorre da falta daquilo que PODE OU NÃO vir a ser um acerto de Duda Kroeff, André Krieger e Luiz Onofre Meira: a contratação de Paulo Autuori não foi para ganhar títulos em 2009. Do contrário, teriam reforçado um plantel extremamente fraco, nitidamente pior do que os de 2006, 2007 e 2008.

Paulo Autuori foi contratado mais para fiscalizar, avaliar e padronizar a cada vez mais necessária unidade técnica e tática entre todas as categorias do futebol do que para ser técnico. É isso o que explica um contrato de longo prazo com um profissional extremamente capacitado. Com a guaiaca cheia e depois de tantos anos no exterior ou alternando entre a irritante pressão existente no eixo Rio-São Paulo, embora ainda relativamente jovem e sem ver o Grêmio como seu paradeiro definitivo, Autuori quer deixar a sua marca em algo mais permanente do que os resultados de campo de uma única temporada.

A grande novidade e a grande diferença da gestão Duda Kroeff em relação não apenas à gestão Odone é exatamente essa: a de apostar na solvência financeira e em projetar um futuro menos dependente da ação de empresários. Duda é o Fernando Miranda do Grêmio e Autuori é o seu Paulo Medina. Caso o plano não funcione e haja um clamor do torcedor e dessa mídia sanguessuga pela cabeça da direção e de Autuori, antes de rolar alguma cabeça, será criado algum fator motivacional (um pacto, alguma pressão por resultado imediato de ordem interna). Se isso der certo, aí teremos não mais um Fernando Miranda vestido de azul, preto e branco mas, sim, um Pedro Paulo Zachia, que virá a público para dizer:

- O GRÊMIO MUDA NÃO MUDANDO.

Vocês querem saber o que eu acho que pode estar por trás da aceitação dos termos de um empresário/jogador que, em princípio, nem queria vir para o Olímpico e, mais adiante, revelara que, após a Libertadores, pretendia voltar para o Velho Mundo?

Quando não se tem muito dinheiro e assume uma nova diretoria que chega cercada de desconfiança interna e externa, é preciso dar uma satisfação à torcida e à imprensa sensacionalista. Com isso, se ganha alguns elogios e aposta-se no pensamento mágico de que uma andorinha faz verão. Pior do que isso é achar que um atleta que sequer vingou no “renomado” futebol russo e em clubes pequenos da Espanha seria a cereja do bolo.

Ora: La Barbie deixou o futebol que o projetou lá no outrora grande River Plate (e que levou-o a uma apagadíssima passagem pelo imponente Barcelona em um passado bem distante) há mais de meia década atrás. O apenas brigador e forte Maxi López, para nosso azar, apenas confirma que um jogador com esse currículo dificilmente viraria capa de Placar em matérias fúteis no estilo “vim, venci, fiquei” ou “o lanceiro platino”.

Logo, excetuando-se o insofismável goleiro Victor, apesar do argentino rubio ser o menos pior do time há pelo menos um mês e meio, alguma doceira poderia, porr favor, ensinar ao Grêmio como é que se põe uma cereja catada do fundo do pote em um bolo abatumado?!

Em defesa de Celso Roth e de Paulo Autuori, há o fraco plantel tricolor. Não estou tirando Maxi para  Cristo. Quero muito que ele retome sua carreira que parecia promissora no início. Ele ainda é relativamente jovem e tem potencial. Simpatizo com ele e creio que poderia, sim, ficar mais tempo no clube. Se conseguir ser mais efetivo no marcador e nas assistências e se puder estimular seus colegas a crescerem junto com ele, mesmo assim, não vale R$200 mil.

Maxi pode (e deve) permanecer no Grêmio não pela agradável possibilidade inversa à que vitimou Roth e que está cada vez mais próxima do atacante portenho – a de ser o protagonista da quebra do jejum em clássicos contra os fragários galáticos: ele deve permanecer se e somente se der uma de D’Alessandro e decidir assumir Porto Alegre como seu lar e a torcida do Grêmio como o seu povo E ganhando não mais do que 150 mil.

Isso posto, reitero mais uma vez que defendi e apoiei a chapa vencedora e não gostaria da volta das pessoas que até recentemente dirigiram o clube por questões éticas relacionadas aos meus valores pessoais. Ainda não estou contra a administração Duda Kroeff. De qualquer forma, o que vejo é que o Grêmio está corrigindo um erro com outro erro.

AOS AMIGOS DA NOVA CORJA

Como diria CACALO, Deus queira que esses caras tenham optado pela solução menos lesiva e mais vantajosa para o GRÊMIO

Como diria CACALO, "Deus queira" que esses caras tenham optado pela solução menos lesiva e mais vantajosa para o GRÊMIO

FRANCISCO ALVARES, LEANDRO DEMORI e demais amigos: vocês precisam conseguir a mesma imagem em alta resolução!

ELEIÇÃO NO GRÊMIO: FOTOS

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Parte da fila junto ao alambrado do suplementar

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Movimento intenso no pátio do OLÍMPICO MONUMENTAL

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A maior fila da eleição presidencial mais concorrida da história do clube

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Os carros ficaram na parte do pátio mais perto da Av. Cascatinha, dando espaço para os associados-eleitores exercerem a sua cidadania tricolor

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Muita gente fazendo boca de urna entre os portões 1 e 2

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À esquerda, com gola branca e mão no bolso, SAUL BERDICHEVSKY; atrás dele, a inconfundível melena de CACALO; ao centro, incentivando conselheiros e associados, a dupla mais vitoriosa de presidentes em 105 anos de GRÊMIO: FÁBIO KOFF e HÉLIO DOURADO

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Batendo palmas à esquerda, o discreto, eficiente, íntegro e boa praça RENATO MOREIRA (que ainda será um grande presidente)

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Simpatizantes da CHAPA 1 GRÊMIO VENCEDOR confraternizando com o ícone HÉLIO DOURADO

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SAUL BERDICHEVSKY, CAMPEÃO DO MUNDO e diretor de futebol vitorioso na gestão IRANY SANT’ANNA: outro que ainda terá a sua vez

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Com uma garrafa de água na mão e vibrando muito, o conselheiro EVANDRO KREBS. Ao centro, à frente do militante com a camiseta DUDA PRESIDENTE 1, CACALO

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CÉSAR PACHECO, diretor de futebol BICAMPEÃO DA LIBERTADORES

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A boca de urna na fila foi muito menos ostensiva do que em eleições anteriores: melhor assim

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De laranja, com seu porte físico avantajado, o ótimo repórter LUCIANINHO PÉRICO da Rádio Gaúcha

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Sim, havia gente das duas chapas na entrada da fila. Porém, não ficaram enchendo o saco como da vez anterior

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Boa parte dos 5.365 eleitores lotando o pátio principal do OLÍMPICO MONUMENTAL

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Putz… Por pura desinformação, deixei a LU pagar mico na fila: não sabia que ela não podia votar porque é minha dependente. Mesmo assim, a mesária poderia ter sido mais simpática

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Posto de distribuição de salsipão da CHAPA 1

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O gurizão à direita sobre o deck havia recém “assaltado” o fogão improvisado com o delicioso salchipão

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Posto de salchipão da CHAPA 2

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Faixas da GERAL DO GRÊMIO…
…Ou do GRÊMIO DA GERAL?!

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Nada como ter um conhecido na cobertura virada pra dentro do território gremista

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O senhor à direita é o grande exemplo de garra gremista na década de 1970: o mei

a YÚRA, hoje um próspero distribuidor de equipamento dentário e conselheiro tricolor

DUDA PRESIDENTE DO GRÊMIO


A chapa 1 venceu a eleição presidencial do GRÊMIO FOOTBALL PORTO-ALEGRENSE para o biênio 2009-2010.

DUDA KROEFF, filho do saudoso patrono FERNANDO KROEFF, tem sua primeira chance de colaborar diretamente com o clube através do cargo de maior responsabilidade dentro do clube.

O resultado final divulgado pelo presidente do Conselho Deliberativo RAUL RÉGIS DE FREITAS LIMA foi o seguinte:

TOTAL DE ASSOCIADOS VOTANTES: 5.365 (100%)
CHAPA 1 (DUDA KROEFF): 2.909 (54,22%)
CHAPA 2 (ANTÔNIO VICENTE MARTINS): 2.452 (45,7%)
VOTOS EM BRANCO: 1 (0,01%)
VOTOS NULOS: 3 (0,05%)

Daqui pra frente, todo mundo se junta: parabéns a ambos os candidatos, que são cavalheiros. Vicente irá ajudar Duda, como deixou isso bem claro no abraço logo após o anúncio do resultado.

Vicente terá a sua vez. É um grande sujeito.

Pessoalmente, me parece que foi muito mais uma derrota pessoal de ODONE e de seus amigos também ligados a GUERREIRO por causa de uma postura pessoal ora inadequada, ora autoritária, que prejudicou a intenção dos movimentos políticos que apoiaram a chapa.

Seria bom se o MGN tivesse podido permanecer no Conselho de Administração em função do seu bom trabalho. Todavia, a “parceria” não ajudou. Daqui para a frente, só o tempo irá dizer se o MGN ainda será visto como um movimento independente com livre trânsito ou se acabará rotulado como um grupo identificado com a facção de ODONE. Particularmente, tenho muita fé de que o movimento não será prejudicado por isso.

O EDUARDO CAMINHA do MGI, só pra variar, quase sempre que me encontra, reclama das minhas escolhas. Concordamos apenas uma vez (e será muito difícil eu repetir aquela opção por ODONE). Mas o argumento dele não me convenceu.

Essa cantilena de “se não fosse pela gente, tu não estarias aqui votando agora” é inconsistente: o MGN aprendeu e conseguiu ter sua demanda pelo voto direto e pela diminuição da cláusula de barreira convivendo com todos os grupos políticos – quem não se lembra da chapa 2 GRÊMIO VENCEDOR KOFF E CACALO em 2004? Naquela ocasião, estavam com o MGN (ou o MGN estava com eles) movimentos como o GRÊMIO UNIDO – que é mais antigo, possui mais integrantes e apóia DUDA.

Então, dizer que eu estaria do lado dos caciques que não queriam permitir o voto do associado só porque vários deles estavam com DUDA e que estaria sendo incoerente é uma besteira sem tamanho. Como eu ouvi do JORGE BASTOS após o processo eleitoral de 2004, foi feita uma nova história no GRÊMIO e não tem mais volta. Tenho certeza de que vários dos caciques ligados a ODONE também eram contra a eleição direta, mas a pressão foi irresistível.

No mais, acho que é muito mais importante lembrar que RENATO MOREIRA e CACALO tiveram um papel muito mais decisivo na volta do GRÊMIO à SÉRIE A em 2005 do que ODONE e PELAIPE: em primeiro lugar, o nosso time não era grande coisa melhor do que os outros – tínhamos, sim, o melhor técnico.

Enquanto ODONE queria tirar o time de campo (conseqüentemente, o STJD puniria o GRÊMIO com uma derrota por placar mínimo – o que nos manteria no inferno), CACALO não deixou a torcida TRICOLOR invadir o gramado dos AFLITOS e RENATO MOREIRA convenceu a todos de que deveríamos deixar bater o pênalti e seguir jogando.

DE QUE LADO MOREIRA E CACALO ESTÃO?! Meritíssimo, sem mais perguntas…

É como eu digo: não se avalia política a partir de meras relações de causa e efeito que ficam apenas boiando na superfície das relações. Costuras e afinidades programáticas, profissionais, familiares e afetivas significam um mergulho mais fundo pra se compreender as engrenagens que movimentam o GRÊMIO.

No mais, o embate retórico e as ironias de parte a parte verificadas nos comentários, nos comunicados oficiais e também nos blogs de TODOS os movimentos sem exceção agora perdem o sentido.

Pelo menos até a próxima contradição surgida em uma reunião do CD…

Muitas vezes, esse papo furado entra para o folclore. Mas, às vezes, cansa.

Vamos seguir o baile: uma nova gestão precisa começar a partir de uma transição pacífica e transparente. Eleições no GRÊMIO representam um momento bianual onde senhores experientes que atuam como cabos eleitorais mas que não terão um cargo definido na futura gestão caso sua chapa seja eleita voltam quase ao jardim de infância. Isso é salutar, pois significa que eles ainda têm muita lenha pra queimar.

Afinal de contas, é melhor brincar de LEGO do que brincar de esconde-esconde.

Mas, quer saber de uma coisa? Caso eu tenha que sair de PORTO ALEGRE por motivos profissionais, esses momentos darão muita saudade.

Falando sério: façam como o cavalheiro ANTÔNIO VICENTE MARTINS e não torçam o nariz para a próxima gestão. Afinal de contas, O GRÊMIO É DE TODOS!

UM DUELO ENTRE IGUAIS

Por acaso o presidente Odone não foi acusado de ter tido uma atitude racista depois do que ele fez com o cunhado e com o sobrinho do Josias nas cadeiras e no vestiário?! O Wianey Carlet publicou o relato do conselheiro Carlos Josias, que não foi contestado e sequer processado. Logo, isso me leva a crer que ele não deva ter mentido.

Em termos de delegação de poderes e confiança, o Odone pôs o Antônio Dorneu Maciel e o Flávio Vaz Neto (que, segundo alguns conselheiros próximos, seria o nome que Odone desejava para sua sucessão – de preferência por aclamação) no Conselho de Administração. Isso não significa nada além de, pelo menos, uma falta de cuidado e de conhecimento a respeito de alguns assessores importantes.

Nunca foi explicado de onde vieram cerca de R$120.000,00 (segundo informante do Hiltor Mombach do Correio do Povo) pra bancar uma campanha totalmente desproporcional pra presidente de um clube de futebol que não chegou a 7.000 votantes em 2006…

Ter confiado na TBZ como parceira da Arena quando a Europa inteira sabia que essa empresa era a maior falcatrua também demonstra falta de cuidado na escolha de parceiros comerciais. Um erro na Arena pode ser fatal para o clube.

A bem da verdade, Odone, assim como todos os ex-presidentes do clube e do Conselho são caciques.

Eu já escrevi: essa história de situação e oposição no Grêmio é totalmente relativa, pois o AVC foi candidato pela chapa 3 em 2006 (não passou pelo Conselho Deliberativo) e, agora, está com Odone. O Krieger não tem nenhum tipo de inimizade com o Odone, mas está com o Duda.

Muitos conselheiros são irmãos, primos, cunhados, filhos, tios e netos de outros conselheiros. Meia dúzia de gatos pingados se importam se vai haver eleição direta ou não – inclusive entre alguns dos grupos que juram de pés juntos que são representantes do associado até debaixo d’água…

Enfim… Os novatos de hoje serão os caciques de amanhã: afinal de contas, grande parte dos conselheiros de 1º ou 2º mandato com menos de 40 anos de idade em 2008 que prometem revolucionar o mundo certamente consideram cômodo manter o absurdo de permitir a inscrição de seus nomes em todas as chapas possíveis. Que democracia é essa quando a ambição de qualquer postulante a dirigente é possuir poder, prestígio e, acima de tudo, influência? Em bom português, isso significa VONTADE DE VIRAR CACIQUE.

Os detratores de Cacalo, Obino, Marcos Hermann e Adalberto Preis não percebem que Obino foi aclamado por TODOS OS CACIQUES. Duvido que eles não tenham pensado que a situação financeira deixada por Guerreiro iria queimar o nome de qualquer um deles. Então, jogaram o menos esperto pra se safar. Não tiveram coragem de segurar o rojão e nem competência pra formar novas lideranças. Com isso, não quero dizer que Obino não tenha sido incompetente e nem que ele não seja um cacique. Obviamente, não se trata de um senhor ingênuo. Contudo, foi jogado aos leões.

Movimentos recentes tiveram sua primeira chance de mostrar trabalho justamente na gestão Obino. O bom trabalho de jovens conselheiros no Quadro Social também iniciou no final da gestão Obino. Eles iriam apoiar Preis, mas Odone deu a eles uma vaga certa no Conselho de Administração. Antes disso, a maioria de seus integrantes reclamava um monte do caciquismo dele. E não deixavam ninguém esquecer que Guerreiro era da mesma facção de Odone. Trocaram muitos valores divulgados na imprensa e perante os sócios por um caminho mais fácil rumo ao poder.

Eles foram os primeiros a proceder assim? Serão os últimos? Foram os piores?  Ou os melhores? Resposta: nenhuma das anteriores. Tal atitude é fruto de uma cultura arraigada.

Resumindo: TODOS OS MOVIMENTOS POLÍTICOS, CADA UM A SEU TEMPO, COM OU SEM OPOSIÇÃO, POSSUEM TOTAL RESPONSABILIDADE TANTO NA DÍVIDA COMO NO REERGUIMENTO DO CLUBE.

Ninguém é santo na política e nos negócios. Só não confunde malandragem e meias-verdades com desonestidade e falta de ética generalizadas, pois nem sempre todos esses atributos caminham de braços dados.

Com isso, quero dizer que, se é pra participar do processo eleitoral, deve-se saber que, ao tomar-se uma posição, deve-se saber que as variáveis que formam as alianças são infinitas.

Logo, esse papo de inimizade e de situação x oposição não passa, na maioria das vezes, de uma mera retórica. Depois que o processo eleitoral terminar, todo mundo vai estar abraçado – com ou sem cinismo.

Quanto à posição do dr. Hélio Dourado, sinceramente, não sei se ele mudou de idéia ou não. O que está bem claro é que houve um canetaço e a imposição de um modelo de negócio muito arriscado. A bem da verdade, ainda não é certo que vá sair a Arena. Se ela sair, o mérito não será todo de quem a idealizou mas, sim, de quem também tiver fiscalizado todo o processo.

É muita infantilidade endeusar um dirigente qualquer. Da mesma forma, é falta de inteligência acirrar os ânimos sobre uma eleição que apresenta a mesmíssima plataforma de gestão em ambos os lados – ainda mais neste feliz processo que, a meu ver, pela primeira vez em muito tempo apresenta dois candidatos a presidente e 14 candidatos a vice-presidente de alto nível.

As rádios e os jornais querem ver sangue. Talvez até não provoquem, mas vendem mais se houver bate-boca, troca de sopapos e denúncias vazias. Que não se incentive atitudes nesse sentido, por favor!

Querendo ou não, a necessidade fará com que oponentes políticos acabem trabalhando juntos.

Sempre foi assim e sempre será assim. O pior cego é aquele que não quer ver.

Enfim… Ninguém é obrigado a votar. Mas se for votar, é bom saber que nem tudo o que parece catastrófico é ruim e nem tudo o que reluz é ouro.