E AGORA, DUDA?!

(adaptação sobre poema de “José” de Carlos Drummond de Andrade, imortalizada em canção de Chico Buarque de Hollanda)

O time perdeu,
A torcida calou,
O sócio sumiu,
A Brigada espancou,
E agora, Duda?
E agora, nós?
Tu que tens bom nome,
Que tens convicções
Do teu jeito reverso,
Que não ouve protestos,
E agora, Duda?

Estás sem apoio,
Perdeste o discurso,
Estás sem carinho,
Já não podes comprar,
E nem mais dispensar,
Ordenar já não pode,
O futebol já marchou,
Eder Luís não veio,
Gilberto Silva não veio,
Roger Chinelinho não veio,
Não veio a conquista,
O Gauchão enganou,
O Silas ruiu,
Meira muito errou,
E agora, Duda?

E agora, Duda?
Tua mansa palavra,
O teu fraco entusiasmo,
As tuas crenças erradas,
O teu Grêmio,
O nosso Grêmio,
Teu telhado de vidro,
Tua fraca sapiência,
Tua fraqueza – e agora?

Sem o time na mão
A salvação é Renato,
Não existe milagre;
Não queres morrer na praia,
Mas a praia secou;
Queres apoio,
Apoio não há mais.
Duda, e agora?

Se tu vencesses,
Se os resultados viessem,
Se desculpas pedisses
A torcida voltaria,
Se com Bandeira aprendesses,
Se com Obino aprendesses,
Se com Koff aprendesses…
Mas tu não aprendes,
Tu és teimoso, Duda!

Dormindo acordado
Qual menino assustado,
Sem utopia,
Sem poder ir pra Punta,
Para descansar,
Sem garantir que nos salve
Do rebaixamento iminente,
Morremos em vida, Duda!
Duda, em vida…

O GRÊMIO E A POLÍCIA

Meu nome é Hélio Sassen Paz. Tenho 36 anos. Minha esposa é Lúcia Isabel da Silva Schenini, 42 anos. Vamos juntos a 95% dos jogos do Grêmio no Olímpico todos os anos desde 1996. Tenho uma frequência no estádio superior a 90% desde 1981, exceto em 1979 e 1980 quando era muito pequeno 2000 e 2001 quando morei no Rio de Janeiro.

Sem rádio no estádio, li na manhã seguinte à partida contra o Cruzeiro (sexta-feira passada) no Correio do Povo que algumas centenas de gremistas com ingresso foram impossibilitadas de entrar na Geral antes do jogo começar – muitos deles sócios-torcedores. Mais tarde, no intervalo, a mesma atitude lamentável deu-se também na Social. O jornal disse que foi um jogo de empurra de um portão a outro: o Grêmio dizia que quem mandou fechar os portões foi a Brigada e a Brigada diz que quem emitiu a ordem foi o Grêmio.

Ingresso caro, jogo decisivo e cercado de expectativa, muitos matando aula e trabalho, outros com imensa dificuldade de chegar calmamente devido ao trânsito. Em qualquer aglomeração, sempre há idosos, mulheres, crianças e portadores de necessidades especiais.

Intervalo: nos portões 1 e 2, pouquíssimos sócios e locatários de cadeiras (a maioria deles com débito em conta ou cartão de crédito – portanto, de contribuição mensal sem atrasos) que normalmente podem acessar o estádio com atraso foram barrados por brigadianos truculentos. O jogo de empurra continuou. Minha esposa, que trabalha ou tem aula até tarde, eventualmente chega no intervalo dos jogos. Pois justamente nesta malfadada porém especialíssima semifinal contra o Cruzeiro foi a única vez em que foi barrada.

Se eu não tivesse encontrado o conselheiro Élvio, ou teria jogado meu copo de Coca-Cola no chão e levado umas cacetadas de algum brigadiano, ido para o HPS e maculado minha ficha limpa, ou teria quebrado a minha carteirinha. Neste último caso, até o devido esclarecimento das responsabilidades, teríamos sido pelo menos três sócios a menos – com profundo pesar e sob efeito do mais inconsolável dos lamentos. Afinal de contas, torcer e participar não pode nunca tornar-se um fardo ou uma obrigação.

Apesar da gentileza do cel. Élvio e apesar de ter tido várias decepções dentro e fora de campo que tiveram como pivôs uma série de atitudes advindas de sucessivas gestões, nunca havia percebido tamanho desrespeito, tamanha ignorância, tamanha incompetência e tamanha estupidez da Polícia. E isso acarreta também na incompetência e no despreparo da própria direção tricolor.

Na volta para casa, no táxi, na Rádio Gaúcha, o depoimento com a voz embargada de um locatário de cadeira maduro, vindo de Bagé, que pegou 5h de estrada e não conseguiu chegar a tempo para o apito inicial. Além de barrado, apanhou feio da Brigada.

A postura fidalga de Duda, Krieger e outros menos votados, em um curto prazo, com ou sem a herança maldita da ISL, enfraqueceu o futebol como um todo do profissional às categorias de base. Para que a responsabilidade não fique somente atrelada ao grupo político que detém o poder na atualidade, o político profissional Paulo Odone, por sua vez, é fiel depositário de um governo estadual corrupto e truculento – o desgoverno responsável pela polícia bandida que defende corruptos e não protege o cidadão nas ruas de uma capital cada vez mais desprotegida.

Aonde quero chegar com essa comparação aparentemente sem pé nem cabeça? Em primeiro lugar, a gestão Duda não possui imbricações diretas no centro de decisão política do Estado. Em termos, tal postura ameniza o peso da participação do clube no seio de interesses clientelistas, corporativistas, estamentais e excludentes vinculados à macroestrutura. No entanto, isso aponta para uma gravíssima constatação: será que, para evitar as constantes arbitrariedades da Brigada Militar sobre os frequentadores de QUALQUER evento público dentro de recinto privado, é necessário haver algum integrante ou ex-integrante do poder coercitivo como parte do corpo diretivo de um clube de futebol a um grupo de escoteiros?!

No caso de a Brigada Militar ter-se tornado uma instituição politicamente desvalorizada e socialmente desrespeitada, será que essa triste constatação não ocorre exatamente por causa da gestão de mentes doentias no Desgoverno do Estado?

Se a “Máfia do Detran” teve peças-chave dirigindo o Grêmio até o ano passado e se eles subscrevem os desmandos da trupe de Yeda, isso significa que, por acaso, a gestão Odone tinha mais condições de segurar o facho da Brigada por fazer parte do círculo do poder da macroestrutura guasca?

Mais uma vez, repito: a democracia representativa apodrece todas as instituições. Se é um regime menos pior do que qualquer ditadura, monarquia, feudalismo ou patriarcado tribal, por outro lado apresenta de maneira camuflada tudo o que de pior existe em todos esses outros sistemas políticos e seus benefícios tornam-se muito menos significativos do que poderiam ser.

Na 1ª edição do SportsCenter na ESPN Brasil (meio-dia da sexta dia 03/07), o repórter Vinícius Nicoletti estima entre 1500 e 2000 o número de associados tricolores barrados e covardemente agredidos pela polícia (ver as quatro matérias relacionadas aquiaqui, sem nos esquecermos dos verdadeiros excessos, que não foram coibidos pela BM aqui e aqui também).

Muito me admira a falta de coragem e de reconhecimento dos direitos de cidadão dos agredidos: munidos de câmeras digitais e com um monte de repórteres por perto, além da presença do juizado especial junto ao portão 6, era plenamente possível que muito mais fotos e vídeos tivessem inundado a internet. O registro do crachá de agentes públicos concursados e muito bem treinados para NÃO fazer o que fizeram e a busca do nome do responsável direto pela corporação que tratou da “proteção” ao torcedor há uma semana atrás poderiam ter resultado em algo muito mais significativo para a sociedade gaúcha do que o mero medo de apanhar de cassetetes, de levar um tiro ou de ser pego na rua à paisana.

Não tenho nada contra a Polícia. Muito pelo contrário. Porém, ela faz parte da sociedade e não está nem acima e tampouco abaixo da lei. Aos gremistas agredidos que guardaram os nomes de seus agressores, eis o contato da CORREGEDORIA para denúncias.

Pra terminar, os cidadãos precisam necessariamente conhecer, exigir, cobrar, sugerir e esclarecer todas as suas dúvidas relacionadas à proteção policial institucionalizada entrando em contato com o comand0 geral da Brigada Militar.

Outros blogs que discutem essa questão com seriedade são o Alma da Geral e o Grêmio Libertador.

GRÊMIO: APOIO INCONDICIONAL DEIXA O FUTEBOL ACOMODADO

O post de hoje é muito sério. Escrevo em um tom grave, porém, de maneira alguma, alarmista ou inquisidor. Acredito que chegou a hora de pensar um pouco na forma de torcer, de acompanhar e de se importar com o Grêmio. Acima de qualquer ideologia, religião, atração física ou desgosto profundo e inexorável em função de uma sucessão de ocorrências totalmente contrárias aos nossos valores, me parece que a instância mais incondicional de amor e de devoção ora corrente no Brasil seja o futebol.

Se não fosse pelo futebol, nenhum interagente interessado pelo tema que lê este blog saberia que eu existo. Tal constatação é o suficiente para que, concordando ou não com as minhas posições, tenhamos uma preferência em comum.

Muito me incomoda as tentativas ou ingênuas ou hipócritas de se buscar um consenso. Não existe nem uma maneira correta ou ideal de torcer, nem de jogar futebol ou de dirigir um clube. Porém, as pessoas são todas diferentes. Até mesmo nos pontos em que concordam, cada uma apresenta diversas contradições  referentes à forma com que irão agir.

Por isso, não é “feio” nem “errado” criticar. Não é incoerente nem contraditório expor os problemas daquilo em que se acredita ou as virtudes daquilo em que não se acredita. Fazendo bom uso do nosso privilegiadíssimo e ímpar cérebro, a crítica pode construir – e muito.  Ao contrário do que muitos pensam, a intriga, a inveja, a polêmica, a manobra diversionista buscando retomar o poder e a ignorância não fazem parte da contrariedade sadia e podem estar camufladas até mesmo na mais  cordial das “unanimidades”.

De maneira simplista, muitos dizem que é fácil falar de fora. Ou, de maneira arrogante e ignorante, outros, em um arroubo de autoafirmação, tentam destituir a crítica afirmando “quem és tu pra dizer isso se eu sou conselheiro há 40 anos e tu és um reles associado?”

Isso posto, cada um dos 50 e poucos mil associados e dos mais de seis milhões de gremistas podem E DEVEM discutir a sua relação com o clube. Afinal de contas, o amor é turbulento e dramático; é confiante e desconfiado; é fogoso e distante ao mesmo tempo. Porém, quando apenas um dos lados de qualquer uma dessas dicotomias prevalece sobre o outro, é sinal de que algo vai mal. Então, chegou a hora de eu por os meus pratos sobre a mesa. E seria extremamente salutar se todos os gremistas fizessem o mesmo.

O fato de eu racionalizar demais e de me intrometer em questões referentes ao clube as quais, na prática, não posso sequer ser chamado de coadjuvante não significa que eu pretenda esvaziar o tão necessário espírito de irmandade, de colaboração, de paixão e de sacrifício inerentes à qualidade de torcedores do Grêmio. Afinal de contas, o apoio, a crença, a tenacidade, a curiosidade e a esperança tornam as pessoas mais alegres e, consequentemente, mais produtivas e mais criativas em todos os aspectos de suas vidas. Se não fosse por isso, o Grêmio não passaria de um dentre tantos simpáticos grupos de amigos que jogam bola e fazem churrasco no areião do carismático Parque Ararigboia entre os bairros Petrópolis e Jardim Botânico em Porto Alegre.

Antigamente, muitos reclamavam do excesso de cornetagem e da falta de vibração da maioria dos poucos associados que contribuíam com o clube. Hoje, muitos desses pioneiros já morreram. No Grêmio do século 21, a torcida rejuveneceu. A atual geração, criada de uma maneira mais liberal e menos engajada, é mais lúdica, mais tribalista e menos ligada a dogmas. Por isso, agarra-se a algo que norteia as suas crenças. Em função de uma série de necessidades, desejos, carências e objetivos, determina um valor intangível a um elemento abstrato de coesão massiva. Porém, esse elemento abstrato precisa ter um escape palpável e visível para não poder ser confundido com uma religião qualquer, apesar de uma relação metafórica muito forte existente entre os atos de orar e torcer.

O conceito da “imortalidade” inexiste na natureza animal e vegetal e também na ciência tal qual a conhecemos. Ele é parte da necessidade que muitos (nem todos, que fique bem claro) tem de correr atrás de um argumento complexo que explique o inexplicável ou que justifique o injustificável. Ele está em nosso hino e é muito gostoso de se utilizar quando ocorre alguma conquista ou alguma reviravolta de proporções acima da média a nosso favor. É provocador, é irônico, é cômico e pode até intimidar.

A imortalidade faz parte da loucura da qual tantos geraldinos afirmam viver. Contudo, além dessa comovente e emocionante característica social comum a grande parte dos adolescentes e dos jovens adultos deste início de século 21, a crença na imortalidade tricolor também possui um lado sombrio, que mascara, que tergiversa, que funciona como uma manobra diversionista para desviar a atenção dos verdadeiros problemas enfrentados pelo clube.

Quanto mais a direção do clube aposta na imortalidade, menos ela investe no futebol, que é o objetivo-fim do Grêmio. Quanto mais o clube e seus fornecedores faturam na venda de produtos licenciados, mais comercial e menos humana vai ficando essa relação. O torcedor, associado ou não, vai acumulando belíssimas histórias da sua relação com o clube. Eu, mesmo, poderia escrever uma enciclopédia de 10 volumes só com o que eu já vivenciei dentro e fora do Olímpico junto a amigos e parentes em função do nosso tricolor.

Porém, a cada dia que passa, até mesmo o próprio associado é encarado como apenas um consumidor. Quando o clube vira um produto, o seu cliente pode simplesmente deixar de considerar a sua compra algo corriqueiro como ir à padaria diariamente e passar a questionar, a exigir especificações, a desconfiar do vendedor, a denunciar a má qualidade do produto e a não recomendá-lo para mais ninguém.

Como já cansei de dizer, tenho 36 anos, meu avô nasceu em 1903, meu pai foi associado durante mais de 30 anos, tenho irmão e sobrinhos gremistas e convenci minha esposa, colorada de família, a amar e a sofrer com o Grêmio e comigo. Hoje, ela nem simpatiza mais com o tradicional adversário.

Por não crer em imortalidade e por ser um cientista social, embora tenha esperança em ser enganado pelo imponderável ocasionado pela impossibilidade de se prever fatos e reações totalmente subjetivas, ao contrário do chapabranquismo de vários blogs que pregavam o “alento”, a “loucura” ou uma virada “épica” tida como “certa”, prefiro ser realista e sincero desejoso da surpresa do que ser enganosamente otimista ou pessimista. Há uma semana atrás, eu disse que o mais provável seria nem Grêmio e nem Inter conseguirem os seus respectivos objetivos. Contudo, eu esperava que não perdessem e que não jogassem mal. Enfim: me sinto desconfortável se tiver que dizer que o gato morreu ou que ele saltou corajosamente para um galho a 4m de distância do telhado. Tem gente que prefere dizer que o gato está na relva e que aquilo que está no telhado é um ectoplasma, mas eu não sou assim.

Isso não é por água no chope de ninguém. E não pensem que eu não fiquei chateado. Ontem, cheguei ao Olímpico vacinado, o que é diferente. Eu apenas estava ciente das seriíssimas limitações do Grêmio. Isso não é motivo pra ninguém achar que eu sou mais ou menos gremista do que quem procurava se iludir.

Há muito o que reclamar no Grêmio. Muita coisa precisa melhorar. O “alento” em excesso torna os jogadores, a comissão técnica e a direção tranquilos, achando que seu trabalho é da maior importância e da melhor qualidade existentes no mercado. Enquanto isso, o torcedor menos crítico vai limpando as suas necessidades com folha de mamoneiro pagando o triplo do valor de um rolo de papel ultramacio, perfumado e picotado.

25% da gestão Duda Kroeff já se passou. O saldo dentro de campo é de uma incompetência que, na última década, só foi superada pelo último ano da gestão Guerreiro e pela gestão Obino. Enquanto isso, há outros mais modestos, de torcida menor, de tradição bem menos contundente e com cofres bem mais raspados do que os nossos fazendo mais com menos.

Cavalos paraguaios ou não, tanto o Atlético-MG de CELSO ROTH (um técnico usualmente defenestrado pela imprensa golpista e pela ala mais passional da torcida) e o Vitória de Paulo César Carpegiani (tido como ultrapassado) estão anos-luz à nossa frente.

GRÊMIO 2009: PERGUNTAS SOBRE CATEGORIAS DE BASE

Se política é a “arte” do possível, então não seria um bom político, pois penso diferente. Pra mim, a boa política consiste em ter como norte o clelebre ditado de Sir Bernard Shaw: “Você vê as coisas como elas são e pergunta “Por que?”, mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: POR QUE NÃO?”

Como associado e como alguém interessado na política do clube, mantenho relações cordiais com quem quer que seja, mas sem jamais fazer média. Por isso, além de não negar a opinião a nenhum integrante de qualquer movimento político de dentro do clube, obviamente posso tanto discordar redondamente daqueles a quem apoiei como também posso concordar com pessoas ligadas a próceres dos quais discordo frequentemente.

Pois é exatamente em momentos de crise como o atual que mais se deve ouvir opiniões de fora do Conselho. A crise, todos sabem, não é apenas técnica nem de relacionamento. Não é da torcida e não tem como principais responsáveis o Duda, o Odone, os “velhos”, os “noviços”, a imprensa ou os paulistas: a crise é de todos – inclusive da falta de senso crítico resultante do alento pelo alento, da crença na imortalidade, do consumismo pelo consumismo e da acomodação da maior parte dos setores do clube em função desse apoio incondicional e acrítico.

Nós torcemos e nos preocupamos com a prosperidade de uma instituição tão apaixonante quanto complexa. Por isso, tudo o que vem do mundo para o Grêmio e sai do Grêmio para o mundo repercute em escala planetária. Sem meias palavras, a oscilante cultura administrativa feudal é a maior responsável pelas ISLs, pelos Obinos, pela transformação de Fábio Koff e de Cacalo em eminências pardas e pela cooptação informal de novos movimentos a partir de uma relação de suserania e vassalagem como se o surgimento de novos valores fosse uma mera concessão do senado romano.

Vendo de fora sem me deixar influenciar pelo interesse puramente comercial de jornalistas que pensam que nosso ouvido é penico e que o que escrevem serve para algo mais nobre do que embrulhar peixe no mercado, procuro participar de algumas incursões informais junto ao que se passa nos bastidores do clube. Não me interessa denunciar, concordar nem discordar de pessoas pura e simplesmente a partir de informações como, por exemplo, quem é dono do que, quem é filho de quem ou quem é vassalo e quem é suserano. Em termos de articulação política, de expectativa em relação à atuação de A ou B em determinado cargo e por mera curiosidade, isso é interessante. Porém, JAMAIS sairá deste blog algo que atente contra a honra de alguém. Não vejo valor nenhum em fazer fofoca nem em criar amizades ou inimizades com base em critérios estamentais.

Como diria o Arnaldo, a regra é clara: basta revelar seu nome verdadeiro, oferecer depoimentos não-fantasiosos e não-depreciativos que, ao entrar em contato comigo, terá sua opinião publicada neste blog. Nada me fará ignorar, desmerecer ou distorcer a opinião de quem quer que seja. Quem achar que a informação de alguma fonte deste blog estiver equivocada, por favor, que envie a sua versão dos fatos.

Desdta vez, o conselheiro Jeferson Thomas do Movimento Grêmio Novo comentou no post em que defendo a solvência financeira da gestão Duda mas critico a conduta do futebol o seguinte:

“Helio, me perdoa, mas teu texto parte de uma premissa equivocada: a da solvência financeira. Um dos requisitos básicos que a gestão Odone tinha estipulado era limites orçamentários para despesas com futebol (na questão, a folha de pagamento não podia ultrapassar a arrecadação da cota da TV).

Na atual gestão, esse valor foi desrespeitado desde janeiro. Atualmente, é desrespeitado em R$ 1,8 milhão. Não há como tornar um clube superavitário desrespeitando regras orçamentárias ou ignorando o controle do fluxo de caixa. O Irany – com sua visão de auditor do Banco Central – deve estar maluco com o descaso de pagar a todo custo.

Quanto a empresários na base, apenas mudaram os empresários. Temos conselheiros (?!) e filhos de próceres do clube empresários e/ou ligados a empresários FIFA atuando na base e com portas abertas no clube (é só pesquisar no site da FIFA sobre isso). Te digo, por ter visto muita coisa na gestão passada (que inequivocamente possuía graves vicissitudes, há que se reconhecer isso), que o quadro atual é muito pior. E isso não é apenas uma visão de oposicionista (que tu sabes que sou), mas sim de alguém preocupado com a continuidade do clube.

Grande abraço.”

Embora não goste do modelo de negócio da Arena e não tenha visto com bons olhos a participação na gestão Odone, não posso, de maneira alguma, negar o trabalho do MGN. O Quadro Social estava melhor na gestão Odone. O trabalho do Sérgio Bombassaro, do Ronei Krolow e do Jorginho foi excelente. E acho que essa foi uma contribuição coletiva bastante significativa naquele momento de penúria e de rejunte dos cacos.

Independentemente da juventude e do pouco tempo de conselho, afirmo que o Jeferson é um cara extremamente agradável de se tratar, assim como o Jorge Bastos. Sei também que ele é um profissional muito respeitado na sua área e que, independentemente das panelinhas de dentro do CD tricolor, ele tem uma participação interessante. Digo isso também do Carlos Josias e do Cacaio Azambuja, mesmo que discorde de algumas explosões do primeiro e do excesso de zelo pela proteção dos próceres do segundo.

Enfim… São três pessoas de atitudes e de correntes que pensam o Grêmio de maneiras diferentes, com as quais concordo em alguns pontos e discordo em outros. Da mesma forma, embora pequena demais para o meu gosto, foi legal a renovação de 2006 que trouxe novas cabeças (não necessariamente em idade e não necessariamente desconhecidas). Do contrário, entre odonistas e anti-odonistas, entre obinistas e anti-obinistas, a questão da Arena teria passado em branco.

Por tudo isso, como muito me interessa a questão das categorias de base por eu acreditar que, mais do que qualquer outra fonte de receita, é ela quem dará a partida em times vencedores e que sustentará o clube. Pelo menos enquanto não tivermos 100 mil sócios + pelo menos 20% do montante do que os principais clubes da Espanha, da Itália, da Inglaterra ou da Alemanha recebem pelos direitos de televisionamento.

Então, gostaria muito que alguém da atual gestão pudesse responder às seguintes perguntas:

1) Em que pontos o conselheiro Jeferson Thomas está correto ou não e por que?

2) Existe alguma avaliação da inevitável evasão nas categorias de base em função da livre cooptação de futuros valores por parte desses empresários?

3) Quais as vantagens e desvantagens PARA O CLUBE entre a atuação dos empresários que atuavam em parceria com a gestão Odone e entre os que atuam agora na gestão Duda?

4) Sabemos que o Grêmio não é juridicamente nem uma empresa de capital aberto, nem um órgão público e tampouco uma entidade filantrópica. Porém, em função do elevado número de associados e de consumidores que contribui mensalmente com milhões de reais na receita do clube, isso significa que há um gigantesco apelo midiático acerca dos fatos e da imagem do clube na sociedade. Isso posto, após seis meses de resultados vergonhosos nas categorias de base e da não-entrega de jovens de personalidade e força física suficientemente preparados para trabalhar na categoria profissional, o Departamento de Futebol não teria que tornar público o grande calcanhar de Aquiles desta gestão que é a atuação dos garimpeiros das escolinhas e da administração de Mauro Galvão no lugar de Rodrigo Caetano?

5) Certamente, o processo de intromissão dos agentes de futebol no clube deve ter iniciado bem antes disso, mas uma tentativa extremamente frustrada foi a do balaio de pernas-de-pau trazido pelo filho do então diretor remunerado de péssima lembrança e ex-jogador de agradabilíssimas recordações Mário Sérgio no início da gestão Odone. Sabe-se também que clubes como o Barueri e o Santo André são times de aluguel e que tanto o método de Paulo Pelaipe mostrou-se pouco cortês como o método de André Krieger mostrou-se extremamente ineficiente por este último conhecer muito pouco de futebol. Dados esses fatos e lembrando sempre que a dívida do Grêmio possui um montante assustador, o Grêmio está dando uma de índio fascinado com os espelhinhos e miçangas trazidos pelos portugueses porque desconhece outra solução ou o motivo dessa dependência não pode vir a público?

Minhas perguntas são pesadas. Mas eu não sou nenhum inquisidor e tampouco quero mal a essas pessoas. Me interessa tão-somente conhecer melhor o Grêmio e tentar colaborar. Perguntar não ofende. Porém, se não quiserem responder às questões de um associado, é sinal de que algo não muito bom pode estar acontecendo…

O GRÊMIO AGORA TEM UM PROJETO DE CLUBE

O dono da melhor campanha da Libertadores finalmente possui um técnico com T maiúsculo: rodeado de expectativas, o tão esperado Paulo Autuori foi bastante exposto na mídia local durante a sua primeira semana de trabalho. Em uma série de entrevistas, C=confirmou ser um homem altamente capacitado devido à sua inteligência privilegiada, à sua educação e à sua articulação incomuns no mundo do futebol. Um homem maduro, preparado, meticuloso e muito franco. Sério, mas avesso a polêmicas. Altamente observador, é dono de um currículo internacional superior ao dos decantados Felipão, Luxemburgo e Muricy.

Muito mais do que o passado vitorioso (campeão brasileiro de 1995 pelo Botafogo, Mineiro e da Libertadores de 1997 pelo Cruzeiro e da Libertadores e Mundial pelo São Paulo em 2005), trata-se de um nome que virou referência. Ele é objetivo e não é chorão: impõe-se por meio de suas idéias e concepções, que apontam sempre para alguém decidido, convicto e que assume todas as suas responsabilidades.

Autuori é o grande investimento da gestão Duda Kroeff. O fato de termos de volta ao país um técnico de ponta que passou quase três anos e meio recebendo muito dinheiro no Japão e no Catar demonstra por si só que não queremos falso marketing, picaretagem e nem tampouco indefinições. O reforço do técnico é um passo à frente na história do clube, que pretende se destacar por um padrão claro de jogo e de fomação de atletas.

A implantação de uma nova metodologia de trabalho poderá ser capaz de elevar a estrutura do clube a um patamar mais alto, independentemente dos títulos – ou da falta de – neste ano de 2009. Porém, apesar da necessidade imediata de estabelecer uma mecânica de jogo confiável e compatível com as características dos atletas que nós temos, a crença em uma nova mentalidade dentro e fora das quatro linhas é sempre um projeto de longo prazo.

De qualquer forma, o primeiro passo está dado: parabéns ao presidente Duda Kroeff, ao vice de futebol André Krieger, ao diretor de futebol Luiz Onofre Meira e ao gerente de futebol Mauro Galvão, que apostaram pesado em uma linha de pensamento que possui alguns vetores, sim, mas que, no fundo, visa tornar o clube independente de nomes, de personas, de marcas e de egos.

Discreção, ousadia, responsabilidade e risco calculado são termos que põem por terra a ignorância, a sorte, a choradeira, a insegurança e, acima de tudo, a enganação.

O futebol contemporâneo é grande demais para admitir incompetência administrativa, truculência, demagogia e falta de coragem. Depois de bastante desconfiança e um certo princípio de decepção, embora não tenha como concordar com tudo o que é decidido ou realizado dentro do Grêmio, posso dizer que a gestão Duda será lembrada por tentativas inteligentes que, mesmo que não acabem surtindo o resultado esperado, terão valido a pena.

Lembro da coragem de Pedro Paulo Zachia que, após um tremendo insucesso, disse que “O Inter muda não mudando.” Logo depois, Fernando Miranda, eleito para tornar o tradicional adversário novamente digno de crédito na praça, iniciou todo o processo que culminou na grandeza que aquele outro grande clube do sul do Brasil ostenta hoje em dia.

Quando um objetivo é traçado por estratégias claras, tudo o que se quer é um crescimento sustentado:  a progressão contínua organizada a partir de um eixo que deve ser aplicado tanto pela facção A como pela facção B sob a batuta do presidente X ou do presidente Y oportuniza uma maior sabedoria.

Sabedoria? Sim, senhor: o que queremos é diminuir a margem de erro nas contratações de técnicos e jogadores. Queremos evitar gastos e lucrar com os investimentos. Talento e inteligência são bens tão raros quanto essenciais a qualquer organização.

Talento e organização acompanham a antevisão: quem enxerga antes e à frente sabe que, mesmo diante de uma infinidade de obstáculos, o que importa é ter um caminho a seguir. Porque, quando não se tem um objetivo, qualquer caminho serve. Quando qualquer caminho serve, definitivamente, não se chega a lugar nenhum.

Lamento muito que a assessoria de imprensa e a disposição pessoal da diretoria não deixe claro ao associado, à imprensa e a uma parcela importante do Conselho Deliberativo que tudo o que eu percebi durante esta primeira semana de trabalho precise ser explicada. Vir a público para anunciar tais deliberações tranquilizaria a torcida e aumentaria a respeitabilidade do Grêmio perante todo o universo futebolístico mundial.