PAREM BELO MONTE!!!

A necessidade da obra da usina hidrelétrica de Belo Monte é altamente questionável sob todos os aspectos. Na hipótese menos desonesta, menos agressiva e mais inclusiva possível, este blogueiro pós-moderno condena veementemente a manutenção de políticas que consideram a industrialização taylorista-fordista como a principal forma de desenvolvimento.

Mas me preocupa ainda mais a questão humana, animal e vegetal: quem diz que não haverá perdas significativas ou está mentindo, ou está muito mal informado. Para mim, a natureza finita precisa de um manejo sustentável do ponto de vista socioeconômico e cultural.

CHEGA DE POR O HOMEM ACIMA DE ANIMAIS E PLANTAS. AFINAL DE CONTAS, DEPENDEMOS DELES PARA SOBREVIVER.

PAI BLACKÃO PREVÊ A WEB POLÍTICA EM 2015

Digital Life: Today & Tomorrow from Neo Labels on Vimeo.

15 keys facts and conclusions to know the future of the Internet in 2015.

Visit | http://digitallife.neolabels.com

Research & Script:
Inés Leopoldo | http://www.mitsueventure.com

Visual Thinking, Art, Production & Development:
Neo Labels Company | http://neolabels.com

O vídeo acima mostra que, em quatro anos, haverá uma forte tendência rumo ao predomínio da tablet e do smartphone, superando de longe a conectibilidade de desktops e notebooks. O crescimento na base de usuários da internet será enorme, assim como o uso intensivo de serviços “na nuvem”.

Ao confirmarem-se as previsões, já teremos um mundo baseado em novos modelos de trabalho, de circulação da informação e do capital, da exponenciação da sociabilidade e de novas formas de ocuparmos o tempo. Esse novo contexto fatalmente resultará em novas formas de democracia, em novas experiências de representatividade e, consequentemente, em um empoderamento jamais visto para a população.

Por outro lado, creio que as alternativas de resistência pós-moderna à hegemonia do neoliberalismo e ao turbofordismo travarão um embate dramático ora juntas, ora dissociadas do novo grande jogador do mercado midiático – os portais e as TVs a serem oferecidas em diversos suportes digitais via indústria da telefonia.

Vejo que o crescimento da importância social do design terá um papel muito importante na forma de apresentar e de aperfeiçoar a funcionalidade das mídias digitais alternativas ao sistema hegemônico corrente: o conteúdo precisa cada vez mais ser organizado sob a batuta de projetos sérios de AI e UX inclusive nos mash-ups de blogs, sites de redes sociais e demais dispositivos transmídia dos quais será necessário apropriar-se mais como um especialista do que como um amador.

Também pressuponho que a integração entre interagentes de vários países e/ou de diversas causas terão maior competência e contundência na propagação do seu discurso. Que a barreira do idioma, da religião, da classe social e da cultura será cada vez menos severa na interação com as TIC.

Por isso, é fundamental que trabalhemos pela neutralidade na rede – uma bandeira da qual dependem diversas outras, tais como a da inclusão social, da substancial necessidade de melhora na educação, do respeito, da tolerância, da solidariedade e do compartilhamento.

GATEKEEPER, UM MORIBUNDO

O jornalismo corporativo as we know it precisa morrer.

Todavia, nos locais em que o letramento da população é tardio, onde predomina uma baixa conectibilidade às mídias digitais e cuja audiência ainda tem em alta a reputação de oligopólios da mídia corporativa, infelizmente, o jornalismo impresso ainda irá durar bastante tempo.

Já em lugares onde a mídia de massa é bem mais descentralizada e onde o letramento e a conectibilidade se dão em nível avançado, a hora dele já está chegando:

Final Edition from Matthew Roberts on Vimeo.

NEGOCIAÇÃO E FORMAÇÃO DE JOGADORES NO BRASIL

No atual estágio financeiro do  futebol masculino profissional jogado pelos clubes brasileiros, é extremamente difícil manter a espinha dorsal titular durante mais de uma temporada. Caso um dos titulares seja oriundo das categorias de base e apresente um desempenho acima da média, este será o primeiro a ser negociado para o exterior.

A repatriação de atletas é cara e de resultado incerto. Os melhores só voltam  ao país sob três condições: 1) ou em idade avançada demais, já com uma sobrevida física muito reduzida; 2) ou após terem se comportado como primadonnas em uma cultura que procura abominar o paternalismo ainda custando uma fortuna aos nossos cofres ou, finalmente, 3) retornam “bichados”, sem nenhuma garantia de que seus joelhos, tornozelos, músculos e tendões que lhes proporcionaram cirurgias e muitos meses afastados dos gramados tornem a permitir que o seu rendimento seja no mínimo 80% parecido com aquele que os fez emigrar.

Por não termos uma esmagadora maioria da população composta por imigrantes e descendentes de imigrantes italianos, alemães e espanhóis como ocorre na Argentina, nossos jogadores chegam ao Velho Mundo sem o passaporte da União Européia. Portanto, sem esse diferencial competitivo, salvo raríssimas exceções, nossos clubes tem que vender barato.

Após décadas de planos econômicos fracassados, de um enorme paternalismo e de um clientelismo nojento entre o público e o privado, nossos grandes clubes, em sua maioria, estão à beira da falência. Isso força os jogadores de capacidade medíocre de mais de 25 anos a fazer fortuna no Catar, na Coréia do Sul, na China, no Japão, na Ucrânia, na Suíça, na Turquia e em clubes menores dos grandes centros (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e Portugal, com uma licença poética para França e Holanda).

Nossos jovens das seleções Sub-17 e Sub-20, cuja exposição midática global é garantida pela FIFA, também são bastante acompanhados por intermédio dos olheiros que os euros podem pagar. Além disso, o impedimento institucional (e, em alguns casos, até mesmo legal) de poder negociar diretamente de clube a clube sem o intermédio de um agente-atravessador poliglota e muito bem comissionado contribui vorazmente para a remontagem anual de nossos plantéis.

Até aqui, nenhuma novidade. Mas este post tem a função de servir como um link de contextualização entre o post anterior e o próximo – ambos diretamente relacionados ao trabalho que tem sido feito no Grêmio.

MEGANÃO CONTRA A LEI AZEREDO DIA 25 EM PORTO ALEGRE

O brilhante vídeo acima, descoberto entre meus amigos pelo Rodrigo Cardia (que montou o blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, o melhor exemplo de ciberativismo, emergência e multidão de Porto Alegre até o momento) do blog Cão Uivador, demonstra claramente a verdadeira intenção daqueles que defendem o vigilantismo constante e a ciberpatrulha: nossas frágeis democracias ocidentais estão-se tornando estados policiais a passos largos.

Não quero jamais dizer, como a Folha de S. Paulo, que o Brasil teve uma “ditabranda”. Afinal de contas, os prejuízos na economia, na saúde, na educação e na proteção de interesses oligárquicos financiados pelos “cordéis de fora” causaram um estrago que apenas hoje começa a ser lenta e gradualmente corrigido. Ao mesmo tempo, o trauma de presos, torturados, mutilados, agredidos, despedidos, expurgados, exilados, órfãos e viúvos não pode ser superado.

De qualquer forma, creio ser possível afirmar que o clima de insegurança crescente no hemisfério ocidental não se deve nem à crise econômica, nem à gripe “suína”, nem ao narcotráfico, nem ao fundamentalismo religioso, nem ao desemprego em massa, nem à fome, à miséria, à violência urbana, ao analfabetismo funcional ou à exclusão social: o verdadeiro drama que envolve a nossa vivência atual consiste no fato de vivermos dentro de jaulas invisíveis, porém muito mais fortes do que as daqueles tempos em que a violência física não podia ser reprimida pela vontade do indivíduo exercer a cidadania.

Jaulas essas que nós, cidadãos de classe média relapsos, egoístas, covardes e oportunistas fazemos questão de aceitar sermos colocados sem nenhuma resistência ou oposição pelo simples fato de que o medo não encoraja mas, sim, imobiliza.

Neste final da primeira década do século XXI, o xis da questão não se refere ao quão nociva é uma tecnologia. O problema mais grave não se refere ao desencaixe de gerações pré-internet quanto às novas estéticas e as novas linguagens que resultam da dissociação do tempo e do espaço: O mais grave é que uma Lei Azeredo é vendida e aceita como um bem ou, na pior das hipóteses, como um “mal necessário”.

Triste é sermos desinformados, enganados e desencorajados por uma intensa articulação de patrocinadores altamente interessados na aprovação desse projeto juntamente com a mídia corporativa – seu braço lobista e discursivo na sociedade.

MEXA-SE: informe-se melhor a partir dos twitteiros que trabalham diretamente na causa. São jornalistas, gerentes de TI, advogados e políticos. Leia blogs. Leia veículos de mídia que não estão atrelados a grandes grupos econômicos.

Nos próximos posts sobre este tema, indicarei várias referências. Por hora, escrevi demais! ;)