O BRASIL EMERGENTE I

Quando falamos em emergência, imaginamos dois sentidos básicos: primeiro, o de pronto-socorro médico; segundo,  a imagem de uma sequência de cabeças subindo para a superfície da água.

A grosso modo, o tipo de manifestação espontânea, não-hierarquizada e normalmente incontrolável do qual a aula do vídeo acima trata relaciona-se mais com o segundo sentido da expressão.

Já escrevi bastante sobre EMERGÊNCIA. Talvez não tenha sido tão didático nem tão competente quanto gostaria ao tentar demonstrar que eu e de vários pesquisadores consideramos muitas práticas socioeconômicas e políticas predominantemente analógicas superadas no meio urbano conectado. Vou recapitular alguns posts pra vocês:

A Esquerda Pós-Moderna
Blogs e Emergência
Emergência

De uma forma bem resumida, a emergência (livro) é um fenômeno que, segundo Steven B. Johnson, se dá quando um nível de elementos relativamente simples segue em direção a formas de comportamento mais sofisticadas. Um sistema emergente é auto-organizado: por isso, dispensa formas hierarquizadas de organização.

Em termos políticos, tal comportamento – que resulta das formas de atravessamento e de apropriação do homem pela interface e vice-versa – é compreendido com dificuldade e até mesmo com um certo preconceito. Dessa forma, a militância que se considera eminentemente socialista e permanece acreditando em termos  não conseguiu adaptar a sua

Pra aperfeiçoar minha falta de didática, eis a palavra dos especialistas do vídeo acima. ;)

O Ph.D. Gustavo Fischer hoje é coordenador do curso de Design da Unisinos no campus de Porto Alegre.

O M.S. Daniel Bittencourt assumiu a coordenação da Comunicação Digital no campus de São Leopoldo.

A Ph.D. Suely Fragoso leciona na Comunicação Digital e no PPG em Ciências da Comunicação da mesma Unisinos. Aliás, ela foi orientadora de doutorado do Gustavo e minha orientadora no mestrado.

APELO A MEC, CAPES, CNPQ, PPGs EM COMUNICAÇÃO E UNIVERSIDADES EM GERAL

Um post do Raphael Tsavkko Garcia retrata as dificuldades que ele enfrenta para obter um trabalho fixo remunerado e legalmente reconhecido. Tais dificuldades referem-se à enorme – e injusta – discrepância entre a experiência que a esmagadora maioria das pessoas pode oferecer no momento e entre as exigências que empresas privadas e públicas (inclusive por meio de concurso) fazem para contratar pessoas de um perfil muitas vezes inexistente.

O jovem blogueiro, um universitário carioca, ressalta também que a exigência de experiência acima de seis meses é ilegal. Portanto, trata-se de mais uma lei não obedecida no Brasil.

Seu caso é angustiante. Porém, genérico e já explorado à exaustão pela mídia corporativa – infelizmente, sem muitos efeitos sociais relevantes. É sinal de que não existe nenhuma política de recursos humanos e de empregabilidade setorial-demográfica no país. Voltarei a este tema mais adiante.

Enfim, parto dese caso como princípio para uma situação pessoal que – certamente – aflige a dezenas de mestrandos, mestres, doutorandos e doutores em Comunicação desempregados no Brasil inteiro.

Defendi minha dissertação de mestrado no dia 05/03/2009 no PPGCC/UNISINOS. Antes do mestrado, já havia lecionado por dois semestres como professor substituto na FABICO/UFRGS (instituição na qual obtive meu bacharelado em Comunicação Social na habilitação em Publicidade e Propaganda) e por mais um semestre na UNIFRA, em Santa Maria/RS. Já fui orientador de dois TCCs e participei de mais três bancas. Tudo isso ainda sem titulação e sem nenhum vínculo empregatício permanente. Professores experientes, exigentes e bastante críticos disseram que eu fui muito bem na experiência da UFRGS.

Tentei a seleção para ingressar no mestrado nos anos de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 no PPGCOM/UFRGS. Tentei, ainda, o mesmo PPGCC/UNISINOS  que me acolheu em 2007 também em 2005 e, em 2007, tentei também o PPGCOM/PUCRS. Embora inseguro em uma série de questões, persistência e convicção acerca do que considero minha aptidão não falta. E consciência acerca das minhas limitações, do quanto preciso aprender para poder obter uma maior reputação também não falta.

Isso posto, definitivamente, não se pode dizer que a minha experiência até aqui é irrelevante. Tampouco pode-se dizer que sou um “aventureiro”.

Tive o privilégio de ter sido representante discente da minha turma de mestrado. Aprendi muito em termos burocráticos e institucionais – sobretudo quanto às exigências da CAPES para avaliar os cursos de pós-graduação no país. Obtive meu título em uma instituição de ponta não apenas no Brasil, como certamente também na América Latina. Fui aluno de sumidades inquestionáveis que são consultores ad hoc do CNPQ e da CAPES; ocupam ou ocuparam cargos diretivos na INTERCOM e na COMPÓS; publicaram artigos e já deram cursos de extensão e palestras inclusive no exterior – incluindo aí as minhas queridas orientadora e a coordenadora do curso. Estudei em uma instituição nota 5, que busca incessantemente atingir o nível 6 na área.

Com isso, não nego que posso – e devo – ser questionado e submetido a entrevistas, provas escritas e que pode-se divergir ou cobrar-me acerca da minha até agora modestíssima produção intelectual. Porém, as oportunidades tem sido bastante escassas.

Gostaria muito de poder sair do sul e do sudeste do país para ajudar regiões com carência de profissionais graduados em Comunicação Social. O país é imenso e as melhores oportunidades não estão necessariamente nos grandes centros econômicos ou próximas a eles. Todavia, desempregado (o investimento contínuo de tempo, dinheiro e o foco em um objetivo específico acabaram desqualificando-me profissionalmente e tirando o meu interesse na atuação em empresas do setor privado), não possuo fundos para poder percorrer o Brasil e bater de porta em porta nas universidades particulares para me oferecer.

Minha esposa larga tudo para me acompanhar. Porém, ela está trabalhando e estudando para poder fazer o que gosta e ingressar em um curso superior. Seu salário não é muito alto e, se não fosse pelo enorme coração da minha mãe ao permitir que um filho de 36 anos e uma nora de 42 morem com ela. Já passei por uma experiência de largar tudo sem possuir um lastro para chegar com certa estabilidade em outra cidade e em outro estado… Caso fosse solteiro e caso minha mãe fosse mais jovem e plenamente saudável, provavelmente arriscaria alguma vaga do Oiapoque ao Chuí.

Embora essa seja uma questão meramente pessoal e o problema não seja nem do MEC, nem da CAPES, nem do CNPQ, considero que o Governo Federal deveria ser muito mais direto, objetivo e explícito acerca do seu investimento em bolsas de pós-graduação: afinal de contas, de que adiantou investir cerca de R$36.000,00 no meu mestrado sem mostrar aonde eu posso atuar?!

Os concursos públicos para professor são altamente excludentes. Da mesma forma, as questões econômicas falam muito mais alto do que a qualidade para as instituições particulares pequenas do interior. Algumas observações que tenho feito a partir da minha procura são as seguintes:

1) Se o mestrado é exigência básica e se não há vagas disponíveis para lecionar na maioria das universidades particulares do sul e do sudeste do país e também nas capitais do Nordeste, por que a exigência mínima para a maioria dos concursos é o doutorado?

2) No sul e no sudeste, o nível de exigência está tão alto que nem mesmo mestrandos estão sendo contratados – exceção feita para os raríssimos cursos iniciantes e para alunos de graduação e bolsistas de iniciação científica que são da própria região da universidade;

3) Universidades particulares que precisam de professores de Publicidade acabam fazendo professores de Jornalismo acumularem funções ou, então, contratam como professores bacharéis sem titulação porque sai mais barato encontrar alguém com essas características na região onde se encontra a instituição do que investir provisoriamente em um mestre de outra cidade e atraí-lo com uma certa estabilidade;

4) Os concursos públicos quase sempre exigem graduação, mestrado E doutorado na mesma área. Antigamente, havia oferta para pós em áreas afins. O mundo está ficando cada vez mais multidisciplinar, com uma série de profissões novas. Ao mesmo tempo, as àreas da Comunicação, das Ciências Sociais e da Educação estão intrinsecamente ligadas a partir de um atravessamento técnico, político, econômico e social cada vez mais forte – inclusive na graduação. Segundo a exigência da esmagadora maioria dos concursos atuais nas universidades federais, se eu sou publicitário e mestre em Comunicação, preciso necessariamente fazer doutorado em Comunicação. Do contrário, estou inelegível para qualquer concurso. Esse erro é grave: afinal de contas, um professor multidisciplinar pode contribuir muito mais do que um especialista de base teórica mais ortodoxa.

Será que o Ministério da Educação possui uma política estratégica de descentralização e de qualificação do ensino, da pesquisa e da extensão em Comunicação? Pergunto isso porque, se um mestre não possui a chance de trabalhar na sua área em determinadas regiões do país, por que então o CAPES financiou o meu mestrado se não ajuda a fazer valer o seu próprio investimento?!

Sem poder lecionar, não tenho vínculo com universidade alguma. Isso significa que não posso sequer ser pesquisador remunerado, pois nenhuma instituição pode aceitar a minha presença formal. E, mesmo que eu pudesse me sujeitar a trabalhar sem remuneração em dinheiro, também não seria aceito porque as instituições tem medo de que eu possa entrar na Justiça do Trabalho contra elas.

Por questões financeiras, não participei de nenhum congresso porque não tenho como viajar. Então, não teria como apresentar trabalho. Nesse meio, quem não é visto, não é lembrado. E, quanto mais tempo fora, menores serão as minhas chances de colocação.

Outra questão gravíssima: assim como no “mercado” de trabalho empresarial, também nas universidades dá-se preferência por pessoas mais jovens. Bolsistas de iniciação científica já possuem experiência de pesquisa e tem professores de pós-graduação como tutores. Não-raro, possuem artigos em co-autoria com esses mesmos professores em uma quantidade impressionante antes mesmo de se decidirem por entrar no mestrado. Independentemente da sua competência e de nenhum fator ilegal ou antiético envolvido nessa questão, é preciso salientar que a dificuldade de quem é mais velho e não passou pela mesma experiência não poderia jamais ser critério de seleção.

Atualmente, é mais do que necessário que eu exerça uma atividade remunerada ou, então, que tenha a chance de receber uma bolsa CAPES. Porém, a produção científica e a participação em congressos são critérios fortes na seleção para o doutorado e na destinação de bolsas. Sou muito grato por ter podido cursar o mestrado com uma bolsa CAPES. Porém, neste momento, só seria possível eu ingressar no doutorado se recebesse uma bolsa CNPQ ou, então, uma CAPES especial.

A vida de quem não tem família para manter e de quem é bem maos jovem e possui lastro familiar para bancar o aprendizado acadêmico é muito mais fácil. Respeitadas as proporções,  é uma situação tão desparelha e incômoca quanto um estudante da periferia vindo da escola pública que só pode entrar em uma faculdade se for na federal, onde irá concorrer contra estudantes de classe média alta oriundos de escolas particulares e de cursos pré-vestibular.

Além disso, deixo sugestões para a solução de problemas técnicos relacionados ao acesso às informações necessárias para se obter uma vaga de professor:

- Há dezenas de sites de universidades. Por questão de desinteresse ou de ignorância, a maioria dos coordenadores de cursos simplesmente não respondem e-mails. Nem sempre é possível investir em ligações telefônicas ou em viagens para conhecer instituições sem compromisso. Isso torna a busca extremamente frustrante para um candidato a professor, pois ele não obtém retorno algum sobre seu currículo, sobre o que precisa fazer para poder obter uma vaga naquela ou em outra instituição e assim por diante. Um banco de dados unificado entre as universidades com nome, e-mail, Lattes e links DIRETOS para os artigos e projetos de pesquisa dos coordenadores e de todos os professores deveria ser coordenado pela CAPES. Dessa forma, não precisaríamos entrar em um monte de sites ou termos que depender da boa vontade e de conhecer pessoas ligadas a todas as universidades para ter que pedir informações;

- Ao contrário da graduação, na pós cada PPG possui linhas de pesquisa totalmente diferentes. Até aí, nenhuma objeção. Porém, a busca e o estabelecimento de contatos instituição por instituição é um processo lento e complicado.  Por exemplo: no meu caso, muito provavelmente terei que ir para a UFRJ, pois não possuo produção acadêmica suficiente para poder me candidatar a uma bolsa na UNISINOS nem na UFRGS. Tentarei também na PUCRS, mas os orientadores e a linha de pesquisa mais adequados estão no Rio de Janeiro;

- Tanto as faculdades de Comunicação das universidades públicas como das privadas poderiam estabelecer um padrão de editais no qual fosse divulgado o CURSO, a DISCIPLINA e a QUANTIDADE DE VAGAS em primeiro lugar ao invés de termos que baixar ou navegar por zilhões de PDFs chamados de “edital nº xxx-2009″. Isso precisaria ser acessado diretamente do site do da CAPES, através de um padrão semântico de nomenclatura de arquivos e de tags;

- Por que não se reescreve a interface de atualização do Currículo Lattes? Uma estrutura fundada na chamada “web 2.0″ evitaria o recarregamento e as rolagens d páginas desnecessárias, que tomam muito tempo, caso fossem utilizados formulários atualizados “on the fly”;

- Meu pai, quando formou-se com muita dificuldade em Engenharia de Minas e Metalurgia na então URGS, no distante ano de 1956, recebeu uma carta da Petrobras oferecendo-lhe emprego no Rio de Janeiro. Ele não foi, mas obteve facilidade de colocação na Viação Férrea do RS (posteriormente encampada pela RFFSA). Ora, se o Governo Federal precisa expandir a educação no país e se há uma vasta área repleta de cidades com deficiência de formação, por que não indicar os mestres recém-formados para essas áreas?

Recentemente, fiquei sabendo pela coordenadora do PPG em Ciências da Comunicação da UNISINOS, profª Christa Berger, que ela participou de uma banca na UFSC para uma vaga de professor de Jornalismo com 22 CANDIDATOS COM DOUTORADO E TODOS DESEMPREGADOS. Ora, se a intenção do Governo Federal é a de qualificar o ensino e a pesquisa, não deveria justamente encaminhar mestres e doutores para locais distantes e até mesmo abrir novas instituições onde há demanda? Não deveria obrigar as universidades a desvincular graduação, mestrado e doutorado da mesma área para aceitar candidatos de áreas afins?

Caso não haja demanda para a área de Comunicação no país, como é claro que o objetivo do Brasil é tornar-se um país desenvolvido e líder mundial, então sugiro que seja incentivada a exportação de professores para países do Terceiro Mundo e também para a Europa que, por mais rica que seja, por incrível que pareça, ainda tem muito a aprender conosco.

O tempo de formação é muito longo. Idade e falta de capacidade de investimento não podem ser um empecilho. Do contrário, estaríamos diante de um desperdício imensurável de mão-de-obra qualificada

EU QUERO PROVAR POR QUE MERECI MINHA BOLSA E POR QUE MEREÇO ENTRAR PARA O DOUTORADO.

E EU CONFIO NO BRASIL. Mas preciso poder participar mais desse lindo processo de inclusão social através da educação.

DITADURA E MÍDIA: HERANÇAS SOCIAIS NADA BRANDAS

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O EDUARDO GUIMARÃES diz uma coisa com a qual concordo. Se nosso país fosse como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca ou a Finlândia, até poderíamos aceitar (e inclusive sermos) a direita numa boa. Afinal de contas, pelo menos no papel, lá não falta nada pra quase toda a população. Porém, em um país tão desigual quanto o nosso, por uma simples questão de humanismo, solidariedade, cooperação, respeito e compreensão, somente a má fé, a ignorância e o egoísmo justificam a preferência bovina do gaúcho pelo pior dos conservadorismos – o racista, sexista, preconceituoso, belicoso, reacionário e estúpido.

Agradeço ao meu amigo RODRIGO CARDIA por ter citado dois ou três posts meus no CÃO UIVADOR ao tratar do COMEÇO DO FIM DE PORTO ALEGRE. Foi ele quem inspirou este post.

Como TRAGÉDIA POUCA É BOBAGEM, ontem nossa cidade foi brindada pela omissão da maioria passiva. Apesar de eu trabalhar com isso e conhecer muito bem os seus efeitos, não se pode creditar à mídia corporativa toda e qualquer espécie de manipulação ou de persuasão das pessoas, que possuem seu livre arbítrio até mesmo quando não possuem cultura ou estabilidade emocional para lidar com essa mecânica.

A bem da verdade, como PORTO ALEGRE quase sempre teve uma classe média proporcionalmente maior do que a da maioria das outras capitais brasileiras, quem deixou de ser pobre e almeja ser rico torna-se naturalmente egoísta, oportunista e conservador. E o pessoal da mídia corporativa que trabalha com política e economia também é recrutado por ser conservador.

Um jornalista, mesmo bem intencionado, tende a pensar que possui uma capacidade de brincar de Deus com as palavras. É mais do que normal eles caírem na armadilha de superestimar a sua retórica e a sua discursividade e de subestimar a inteligência e a existência (eventualmente até predominante na sociedade, dependendo da agenda em discussão) da resposta dissonante de uma audiência multifacetada cujo perfil é, hoje em dia, impossível de ser determinado a partir de um certo padrão.

Acho que os grandes males da sociedade pós-moderna não são exatamente o consumismo, o egoísmo, a discussão mediada, as tentativas oligárquicas de se obter falsos consensos, as famílias desfeitas, nem tampouco o amadurecimento forçado e forjado de crianças e adolescentes: todos esses elementos (além de diversos outros que tomariam muito tempo pra citar) são meras consequências do estrago ESTRUTURAL iniciado durante a ditadura.

Pra quem insiste em DITABRANDA, além dos gravíssimos casos de perda das liberdades civis, de cerceamento da liberdade de expressão, do patrulhamento de pessoas que pensavam de maneira diferente, das mortes, prisões, torturas e exílio, as consequências culturais, sociais e materiais da ditadura nos devastam até hoje: a piora constante na qualidade do ensino; o sucateamento e o investimento inútil em obras faraônicas e a gênese do modus operandi da corrupção atual são as heranças para o presente.

Convivemos com uma maioria passiva, covarde, egoísta, sexista, dinheirista, pouco solidária, fria e indiferente. Em todas as classes sociais, em todas as profissões, honestos, desonestos, francos ou enroladores, não importa: o Brasil passa por uma crise de HUMANISMO, responsável pelo desconhecimento de que o desenvolvimento sustentável de um país depende do compartilhamento de experiências e da composição de uma nova realidade a partir das trocas multiculturais entre gêneros, raças, ideologias e religiões.

A sofisticação da corrupção civil, militar, econômica e moral hoje realizada pelos herdeiros dos primeiros ícones do colarinho branco incentivadores dos golpes contra Getúlio Vargas e Jango corrompe também o sentido de alteridade de um povo a partir do não-aproveitamento coletivo de muitos saberes seculares e regionalizados capazes de mudar o mundo paulatina e continuamente.

Portanto, a DITADURA não tem nada de branda, pois ela ainda define comportamentos e tendências sociais. Sua contribuição gerou um atraso mental, moral, legal, social e racional que precisará de décadas para ser parcialmente desfeito.

O nacionalismo, o investimento maciço nas universidades federais e na qualificação de muitos professores no exterior durante a década de 1970 e aquela sensação de segurança nas ruas, de respeito dos jovens perante os mais velhos e outros argumentos de sustentação insuficiente usados com insistência por muitas pessoas das classes A, B e C não  compensa, não justifica, não inverte a equação que trouxe como principal resultado perdas incalculáveis para o país em praticamente todas as áreas do conhecimento.

Não quero com isso dizer que todo empresário é safado nem que todo militar é sanguinário. Porém, os bons empresários, os bons militares e as pessoas que sofreram durante a ditadura sabem muito bem separar o joio do trigo.

A tristeza maior está na incapacidade do eleitor, do consumidor e do cidadão médio não terem se ligado ainda que é preciso pensar em rede. Que tudo se mistura e que tudo vai e vem, se atravessa em um determinado ponto e depois muda de direção. Graças a esse comportamento covarde e omisso, todos pagam por isso.

Inclusive quem acha que o problema é dos outros e não deles…

EDUCAÇÃO, PEDAGOGIA, SITE

A professora SILVANA MARMO enviou um comentário solicitando uma parceria com este blog.

Devido ao conteúdo importante que ela publica e pelo nosso interesse comum na resistência e no desenvolvimento sustentável da EDUCAÇÃO, mesmo através de caminhos e de saberes diferentes que, no fundo, se complementam, a adição do link do blog COORDENADORES PEDAGÓGICOS não representa pra mim uma simples parceria – seja ela formal ou informal: é, sem dúvida, um belo presente de Natal proporcionado pela blogosfera.

Não tenho nem 30% do conhecimento que pessoas como ela, como as que escrevem em seu blog e como a da freqüentemente citada amiga CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO (dois posts seguidos falando em ti – um recorde!).

Enfim… A todos aqueles que quiserem conhecer mais sobre esta apaixonante área do conhecimento tão gratificante quanto exigente e, infelizmente, tão pouco valorizada neste país, convido-os a conhecer mais uma construção coletiva de tamanha importância para a blogosfera, já que pouco se fala a respeito do tema na mídia corporativa. E, quando se fala, se fala com uma série de equívocos.

REFORMA AGRÁRIA FAZ MUITO MAIS POR MUITO MENOS

desenvolvimento sustentável, ICMS e ISSQN extra para centenas de pequenos municipios falidos, crianças educadas por suas familias, alimentação saudável para todos e, acima de tudo, muita solidariedade

REFORMA AGRÁRIA: desenvolvimento sustentável, ICMS e ISSQN extra para centenas de pequenos municípios falidos, crianças educadas por suas famílias, alimentação saudável para todos e, acima de tudo, muita solidariedade

A oligarquia guasca (oligarquia porque desejam o monopólio de tudo, são excludentes e não têm cultura – é muito diferente de ter dinheiro, bom nível e pensar na sociedade como um todo como uma verdadeira elite o faria – portanto, o RS não possui elite) obteve mais uma vitória em uma batalha da qual sua retórica imediatista e entreguista doutrinada por um pensamento único político, econômico e social que quebrou o planeta inteiro foi amplamente tornada como um fato positivo pela mídia amiga, que sempre trata de esconder as contradições de seus poderosos financiadores.

Na época do charque, os abigeateiros como o sempre impune e falsamente heróico imperador da “Grande Bagé” Bento Gonçalves da Silva (cuja quinta geração de descendentes até hoje não precisa trabalhar – só se quiser) mandavam seus filhos para aprender francês e bons modos em Paris.

Hoje, a moral judaico-cristã que diz que a única chance de uma pessoa ser digna na Terra e de prosperar no céu é trabalhar feito um cão sarnento e ser chutada por todos achando bonito ganhar um salário de fome sem dar um pio forja uma burguesia que sabe de tudo um pouco, mas não sabe bem sobre nada. E, quando sabe, sabe fazer o seu ofício apenas segundo uma única forma, um único estilo, que é o que todos devem seguir.

A preocupação da oligarquia urbana forjada nos MBAs é apenas com o macro: processos de gestão, parcerias, etc. tão-somente têm valor midiático e simbólico caso sejam feitas com outros cachorros grandes. Se existe corrupção, troca de favores, compra de votos, sonegação de impostos, latifúndio, monoculturas e especulações imobiliária e financeira agradeçam a esses caras, que não pensam no micro, isto é, naquelas milhões de pequenas coisas que resolvem imediatamente a vida de dezenas de milhões de pessoas que, somadas, valem muito mais do que o todo do conjunto das grandes.

Por mais que o digam, a eles não interessa ver a distribuição de renda, o fim da miséria e da violência através do empoderamento, da autonomia e do culturamento da multidão. Isso explica, ao lado da atual confusão entre o público e o privado, entre o legal e o justo, a inversão de prioridades no tocante aos investimentos público e privado: bastaria um volume de financiamento minimanente digno a fim de proporcionar um padrão mínimo de sobrevivência aceitável em saúde, alimentação, higiene, vestuário, moradia e consciência social, política e ecológica.

Da próxima vez que tu, um sul-riograndense de classe média, perder um emprego ou faltar dinheiro pra fazer aquele curso de especialização que pode te trazer uma promoção ou que o SEBRAE se negar a te ajudar a andar pelos teus próprios pés porque ele exige de ti uma renda mínima impensável pra poder te financiar e te ensinar a trabalhar melhor com o menor risco possível de quebrar, lembra que, ao invés de pensar em ti, governos e empresas (de vários setores, de várias origens) tendem a usar a sempre falha desculpa de fazer crescer primeiro o seu próprio bolo para depois distribuí-lo.

Pra enganar os incautos, eles usam termos como “reengenharia”, “gestão por competências”, “ISO 287573475″ e por aí afora.

Pois é por essas cabeças que a prefeitura de Porto Alegre, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, boa parte do Governo Federal, todas as grandes empresas de todos os setores, sejam elas nacionais ou multinacionais, pensam e procedem.

ARENA DO GRÊMIO, GIGANTE PARA SEMPRE, PONTAL DO ESTALEIRO, AZENHA, HUMAITÁ, VILA ASSUNÇÃO, VILA CONCEIÇÃO, CRISTAL e por aí afora: eis a falta de sensibilidade, o dinheirismo e a falta de zelo com o meio ambiente.

Porto Alegre está cada vez mais parecida com o que há de pior em SÃO PAULO e PEQUIM. Enquanto o modelo de “desenvolvimento” for esse, baseado na velha lógica taylorista-fordista, desde quando eu era criança, o RS era o 5º estado mais rico do país e o 1º em ensino público. Hoje, cerca de 25 anos depois, é apenas o 17º.

Até onde sei, desenvolvimento não-sustentável baseado no latifúndio e na monocultura jamais ocorreu no mundo inteiro. É fruto da exploração e da violência dos brancos sobre os mestiços e os pobres na América Latina. E desenvolvimento sustentável baseado em concreto, asfalto, cimento, espigões e excesso de automóveis (responsáveis por 33% da emissão de gases tóxicos que causam o aquecimento global) simplesmente não existe, salvo em regiões desérticas.

O Brasil vai mais ou menos. O RS está pior do que nunca. Enquanto isso, Porto Alegre está-se encaminhando para a insalubridade.