ACAMPADA SOL, O FILME

Eis o documentário sobre o #M15 #acampadasol , o movimento multitudinário horizontal organizado rizomaticamente pelos jovens militantes espanhóis em uma Europa Ocidental do desemprego e do fim das garantias trabalhistas.

O Estado do Bem Estar Social ou Welfare State está totalmente comprometido pela precarização das relações de trabalho e pelo conservadorismo generalizado. A Grécia está passando por violentíssimas difculdades (agravadas pela brincadeira que foi a Olimpíada de 2004 – oxalá tal quebradeira NÃO venha a ocorrer também aqui no nosso Brasil, em função dos investimentos para a Copa 2014 e para a Olimpíada 2016).

Obrigado ao prof. Giuseppe Cocco da ECO-UFRJ pelo tweet! ;)

BALANÇO DA COPA 2010

 

Troféu mais famoso do esporte mundial, disputado apenas a cada quatro anos, não poderia estar em melhores mãos. Fonte: Getty Images

Rafael Nadal, pentacampeão de Roland Garros e bicampeão de Wimbledon morde a COPA DO MUNDO FIFA junto do seu amigo, o goleiro e capitão da FURIA, Iker Casillas, com o qual já protagonizou várias campanhas beneficentes

Após oito dias sem postar nada neste blog em função da sempre atarefada semana final do semestre na @comdig @unisinos, retomo o contato com os antigos e os novos interagentes. ;)

O PVC costuma dizer que, desde que a UEFA conseguiu tornar as suas competições interclubes mais rentáveis e muito mais expostas mundialmente em todas as mídias do que quase todos os eventos da FIFA, o calendário da Copa do Mundo passou a cada vez mais tornar-se um empecilho para o desempenho completo dos principais jogadores e das principais seleções do Velho Mundo. Afinal de contas, quem atua em cerca de 70 partidas por ano e – de quebra – ainda precisa doar-se para o seu país exatamente naquele mês em que deveria estar gozando férias reparadoras, terapêuticas e desopilantes dificilmente conseguirá manter o mesmo foco e a mesma sanidade que demonstrou na temporada anterior.

Paulo Calçade afirmou que a Copa do Mundo é um torneio no qual os melhores não são necessariamente os melhores ao longo do tempo mas, sim, os melhores daquele mês especial que ocorre somente a cada quadriênio.

A mística não é baseada em fatos concretos cientificamente comprovados e exaustivamente testados ao longo de muito tempo a partir da alteração da intensidade de todas as variáveis que a compõem. No entanto, significa a esperança, a curiosidade e a crendice popular, muitas vezes utilizada como uma forma de estímulo para os jogadores e para a comissão técnica. A grosso modo, serve para divertir e vender produtos midiáticos. Diz um desses mitos que as seleções que chegam desacreditadas e que não obtêm resultados avassaladores nem apresentam atuações convincentes no início da competição têm a chance de ser os próximos campeões.

O Barcelona e o Real Madrid disputaram a liga espanhola ponto a ponto e gol a gol até a última rodada. O Barcelona foi eliminado apenas nas semifinais da UEFA Champions League. E a FURIA conquistara a Euro há apenas dois anos atrás com a mesma base de jogadores que, naquele momento, também abdicaram de suas férias no período normal.

Dentre os titulares, o goleiraço e capitão 1 Iker Casillas; o lateral direito 15 Sergio Ramos e o centromédio 14 Xabi Alonso são todos merengues, assim como a dupla de zaga 3 Gerard Piqué e 5 Carles Puyol mais o outro centromédio Sergio Busquets, os habilidosíssimos meias 6 Andres Iniesta e 8 Xavi além dos atacantes 7 David Villa e 18 Pedro são todos blaugrana.

Como se dez titulares dos dois maiores clubes espanhóis em todos os tempos não fossem o suficiente, o Real Madrid abastece LA ROJA também com o zagueiro 2 Raúl Albiol e o lateral-esquerdo 17 Alvaro Arbeloa. E a lista do Barça não termina em seus sete titulares, não: o terceiro goleiro 1 Victor Valdés também faz parte da constelação catalã.

Treze jogadores em um plantel de 22 seriam uma exceção à hipótese de Paulo Vinicius Coelho ou tal fato representaria uma nova ordem?

Outra informação que contesta essa antiga observação do melhor comentarista do país é o fato de que o melhor jogador da Copa de 2010, o uruguaio Diego Forlán, disputou a Europa League até o seu final. Aliás, El Jefe Rubio marcou os dois gols que deram o título ao seu Atlético de Madrid em maio último.

Cabe ainda salientar algumas observações unânimes entre o melhor trio de comentaristas brasileiros (o mesmo PVC, Paulo Calçade e Mauro Cezar Pereira, todos dos canais ESPN e da Rádio Eldorado ESPN), a saber:

– Um dos maiores favoritos pode, sim, conquistar a Copa do Mundo;

– Esporte é continuidade, repetição e crença na metodologia: a antiga fama de “amarelona” da Espanha cai por terra quando listamos os seus últimos resultados desde as categorias de base a partir de pouco mais de uma década para cá. O investimento na maioria dos nomes citados desde a tenra idade formou um grupo maduro, consciente daquilo que executa, objetivo e pragmático, ainda que sensacionalmente técnico.

Aliás, como bem lembrado por Calçade e Mauro Cezar, o próprio Brasil tetracampeão em 1994 possuía muitos ex-campeões mundiais Sub-20 de 1983 e de 1985 no seu plantel (Taffarel, Jorginho, Aldair, Branco, Dunga, Müller, Bebeto e Romário – apenas para citarmos alguns).

Cito que a boa campanha de Gana, a melhor seleção africana do Mundial, teve pelo menos quatro campeões mundiais Sub-20 em 2009 – inclusive o melhor meio-campista da equipe, Andre Ayew, filho do ídolo Abedi Pelé (carinhosamente apelidado por mim como ‘Araghorn, filho de Arathorn’). No caso dos Estrelas Negras, a manutenção de cerca de 60% do plantel que disputara a Copa de 2006 foi, ao contrário do que infelizmente tem ocorrido com Camarões nas últimas décadas, não o fruto do envelhecimento em meio a uma entressafra mas, sim, o aproveitamento de uma geração jovem e bem-sucedida que ora mostra-se amadurecida e ainda jovem.

A encantadora Alemanha apenas revigorou-se e pôde apresentar um futebol envolvente a partir do aproveitamento dos campeões europeus Sub-21 de 2009 em posições-chave, tais como o zagueiro 14 Badstuber, o lateral esquerdo 20 Jerome Boateng e os excelentes meias 8 Mesut Özil e 13 Thomas Müller (este último eleito o Chuteira de Ouro da Copa, com cinco gols e três assistências).

Diria que a máxima de PVC aplicou-se claramente às seleções do Uruguai e da Holanda: tanto o quarto colocado como a vice-campeã possuem pouquíssimos jogadores que disputaram títulos desgastantes pau a pau contra rivais poderosos até o desfecho da última temporada europeia. As exceções foram justamente o melhor jogador de cada uma dessas boas seleções e o fiel escudeiro da segunda: o já citado 10 Diego Forlán dos charruas e o 10 Sneijder, que foi fundamental para a conquista da UEFA Champions League pela Internazionale, assim como o vice-campeão 7 Arjen Robben, pelo Bayern München.

Outra boa desmentida da antiga “máxima” de PVC é o fato de a seleção da Alemanha contar com o vice campeão da Champions e campeão da Bundesliga Bayern München como base: o goleiro reserva 22 Butt; o lateral-direito 16 Philipp Lahm; o zagueiro 14 Holger Badstuber; o centromédio 7 Bastian Schweinsteiger e o meia 13 Thomas Müller, além dos atacantes 11 Miroslav Klose e 23 Mario Gomez.

Um detalhe importante: as seleções que fracassaram e que delas se esperava muito mais (Brasil, França, Itália e Inglaterra) não seguiram o mesmo padrão. Por isso, torna-se bastante difícil diagnosticar exatamente se o seu fracasso foi meramente técnico-tático caso alguns de seus convocados tivessem sido outros atletas.

A Inglaterra e a Itália contam com uma ampla maioria de seus jogadores atuando nas suas fortes e ricas ligas nacionais. Isso facilita as convocações e também o entrosamento em função da proximidade da vivência entre eles. Já Brasil e França apresentaram uma geração envelhecida e menos privilegiada tecnicamente do que de costume.

África, Ásia, América do Norte/Central/Caribe e Oceania apresentaram apenas  uma única seleção capaz de impressionar: a mescla amadurecida e rejuvenescida Gana, que foi vítima de seus próprios nervos no jogo mais sensacional da Copa frente a um bravíssimo, orgulhoso, experiente, frio e competente Uruguai.

HELIOPAZ (ARTIGO) BLOG: UMA UNIDADE DE CONVERSAÇÕES REMEDIADAS

2009_heliopaz_cibersociedad

Este artigo aceito e originalmente publicado nos anais (aqui) do IV Congreso de la Cibersociedad (iniciativa online de instituições de fomento e de universidades espanholas, mais especificamente da Galícia e da Catalunha), cujo público era bastante eclético. No Brasil, normalmente os congressos que envolvem os acadêmicos das áreas de Comunicação e Educação normalmente são organizados separadamente por cada área do conhecimento que investiga fenômenos ciberculturais cada uma à sua maneira. Aqui, a interface é mais holística.

Este artigo é uma reescrita do capítulo 2 da minha dissertação, onde busquei em vários autores e em vários conceitos diferentes uma forma particular de definir o que considero como blog. A “descoberta” desse conceito foi fundamental para nortear a pesquisa empírica e para construir os procedimentos metodológicos.

Inicialmente, foi uma enorme surpresa que, logo, transformou-se em uma intensa satisfação ter tido um artigo aprovado para um evento internacional.

ENJOY! ;)

ORTEMÁN VEM PARA O GRÊMIO

Orteman ao lado de Palacio, pelo Boca Juniors<br />

Agora, sim: enquanto até mesmo nós, gremistas, respeitamos o meia
argentino GUIÑAZU, que encantou a América pelo LIBERTAD há alguns anos
atrás e que veio parar no nosso mais tradicional adversário, finalmente
o GRÊMIO conseguiu contratar um meia um pouco mais ofensivo e com menos
idade, de características um pouco diferentes.

ORTEMÁN ajudou a eliminar o próprio GRÊMIO da LIBERTADORES de 2002, jogando muito no DEFENSORES DEL CHACO em ASUNCIÓN. Já havia assistido a alguns jogos dele pela fase de grupos e impressionou-me muito.

Não deu certo em sua passagem pelo BOCA JUNIORS. No entanto, aos 29 anos, cabe como uma luva para dar mais experiência, posicionamento correto e, acima de tudo, andamento ofensivo e passes mais precisos para o ataque TRICOLOR.

O jogador já passou por INDEPENDIENTE, OLIMPIA, RACING e BOCA JUNIORS antes de passar um tempo quase escondido no pequeno RACING SANTANDER, de onde veio para PORTO ALEGRE.

Rapidamente, ANDRÉ KRIEGER vai não apenas tentando suprir a ausência de ROGER mas, sobretudo, melhorando consideravelmente a qualidade do plantel do GRÊMIO.

BRASILEIRÃO não se ganha sem banco.

Parabéns ao diretor de futebol mais atento ao mercado que já tivemos nos últimos 10 anos!

NADAL, FEDERER E TV = CONHEÇA O HOMEM URBANO

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Acompanhem a emoção desses torcedores provavelmente pobres dos EUA assistindo à partida em uma antiga e pequena TV de 17″. A gravação do game final provavelmente deva ter sido feita com uma câmera fotográfica digital, dada a baixa qualidade da imagem.

O que fica é a explosão de alegria de dezenas de milhões de aficcionados por RAFAEL NADAL em todo o mundo e o reconhecimento de ROGER FEDERER pela mais doída derrota de toda a sua magnífica carreira.

Quem disse que é só no estádio de futebol ou na várzea que se vibra?! É bom acostumarem-se a torcer com mais fidalguia e ponderação, porém sem perder a ternura, a garra e a espontaneidade jamais: afinal de contas, o futebol está-se elitizando nos estádios, enquanto as transmissões cada vez mais populares do fidalgo, aristocrático e reconhecidamente distante tênis têm-se tornado cada vez mais freqüentes.

Em uma sociedade midiatizada onde o sentido de pertença e de alteridade e os antigos valores de solidariedade, justiça e igualdade confundem-se e são severamente questionados à medida que não se pode mais confiar nas instituições propostas pela modernidade, o plano fechado sobre a emoção explícita ou contida em um olhar; o plano aberto em um tique nervoso ou em uma teatral tentativa de esconder seus tiques procurando dar uma de homem-estátua; todos os olhares na arquibancada e do outro lado da TV focados não em uma equipe mas, sim, sobre um homem para o qual está reservado ou o Olimpo, ou o subsolo abaixo do mármore do inferno.

Não que as pessoas sejam egoístas, hipócritas, apolíticas, aculturadas ou ignorantes de maneira geral: esse determinismo não pode ser aplicado a uma sociedade multicultural, multifacetada e hiperbolicamente referenciada e referenciante. Há focos ora periféricos, ora hegemônicos dessas formas maniqueístas de tentar abarcar o mundo e puxar a sardinha para a sua brasa. Mas é melhor procurarmos observar o que há de mais particular e original em cada nicho para só então analisarmos seus pontos de intersecção com outros grupos sociais.

Repito novamente: ao invés do esvaziamento, não é mais lógico admitirmos que ficamos para trás na evolução da sociedade e que precisamos conhecer os seus valores, reconhecer a sua alteridade para então descobrirmos para onde podemos direcionar uma nova linguagem e uma nova institucionalidade política?

Não que o futebol deixará de ser o esporte número um nos próximos anos ou décadas. Nem que o tênis venha a substituí-lo. Mas o crescimento da cultura do acompanhamento do tênis já ultrapassa aquela pequena elite godê e esnobe de outros tempos. Nem ela mesma consegue compreender por que esses “novos ricos” ou por que essa “chinelagem” está tão ligada nesse esporte.

Cibercultura. Fragmentação, Globalização. Ver a si como um indivíduo e não como uma cabeça de alfinete indistinguível de uma massa cujo objetivo sabe-se lá se é mesmo claro ou se as suas demandas irão mesmo me interessar.

Quem aprende a ver o mundo através da mediação só pode ser compreendido como um ente político mediado. A transmissão esportiva de um evento de tamanha magnitude mostra algo que os movimentos sociais, os partidos políticos, os jornalistas doutrinados pelo mainstream e a classe mérdia que come galinha e arrota faisão não conseguem enxergar.

Quem mais perde com o desconhecimento desses fatos são os movimentos sociais, principalmente os do campo.

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