OBAMA: CAMPANHA ELEITORAL PÓS-MODERNA

O MARCO WEISSHEIMER publicou hoje no RS URGENTE um post sobre a importância do papel da internet na vitoriosa campanha de OBAMA. Claro que ninguém é obrigado a pesquisar ou a desenvolver estratégias integradas de uso da técnica como os executivos das agências digitais ou analisar os fenômenos de sociabilidade, interatividade e comunicação mediada por computador como faz parte do meu trabalho. Mesmo assim, a esquerda brasileira apenas engatinha em relação ao ativismo social e ao empoderamento dos mais pobres quanto ao uso da blogosfera.

E isso ocorre porque a mentalidade da esquerda é meramente sindical e partidária – duas instâncias que, se permanecerem sendo geridas e legisladas sob o modelo atual, não servirão mais para nada dentro em breve. Aliás, diria que, hoje em dia, já servem muito pouco…

Com mais de 40 milhões de internautas que, em média, são os maiores navegadores do planeta (+de 28h/mês), não dá mais pra dizer que a internet no Brasil é elitista: elitista é a banda larga.

A maioria das escolas públicas e dezenas de telecentros nas maiores cidades brasileiras ensina as pessoas da periferia que, mesmo sem computador em casa, podem acessar em banda larga nas baratas LAN houses (R$2,00 a hora).

O programa de inclusão digital brasileiro é o melhor DO MUNDO (provavelmente uma das conquistas mais significativas do Governo Lula), segundo pesquisadores pagos pelos seus governos e universidades da Europa e dos EUA que passam até um ano percorrendo o Brasil para pesquisar o fenômeno, tais como o doutorando JEREMIAH SPENCE, da UNIVERSITY OF TEXAS, que esteve recentemente na UNISINOS palestrando para alunos e professores da MELHOR graduação em COMUNICAÇÃO DIGITAL (existente desde 2003, coordenada pelo meu grande amigo GUSTAVO FISCHER que, por sinal, está de aniversário hoje) e do PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO.

Porém, leis eleitorais retrógradas, arbitrárias e que modificam-se ou são julgadas pelos ventos que sopram à direita aliadas à desequilibradíssima concentração dos mídias brasileiros – praticamente sem igual no resto do planeta – impedem que se conheça essa realidade de maneira apropriada.

Não são apenas os blogs: é preciso dominar todas as possibilidades de interação mediada por computador como mensageiros instantâneos (tipo GTALK, WINDOWS LIVE MESSENGER, ICHAT, YAHOO! MESSENGER, AOL INSTANT MESSENGER), sites de microblogging (TWITTER) e TORPEDOS SMS. O JEREMIAH apresentou um interessantíssimo gráfico que mostra uma espécie de linha do tempo misturada com árvore genealógica dos diferentes MUNDOS VIRTUAIS (de 2005 a 2010).

Parece tecnofilia ou um excesso de informações e de ferramentas, mas não é: essas são as mesmas armas do império. E não se combate o império com armas incompatíveis com as armas das quais ele dispõe.

A campanha de OBAMA (já falei sobre isso AQUI) rolou quase toda via internet: a importância dos debates e das notícias veiculadas na mídia de massa foi maior para pessoas acima de 60 anos que comunicam-se prioritariamente via telefone e ainda consomem jornais e revistas mais do que o público abaixo de 40 anos.

Obama contou com uma assessoria em COMUNICAÇÃO DIGITAL extremamente antenada e ágil, que utilizou ÁLBUM DE FOTOS NO FLICKR (comunidade de fotógrafos amadores e profissionais do mundo inteiro), PERFIL NO FACEBOOK (uma comunidade virtual que deu mais certo lá do que o ORKUT – cujo sucesso restringe-se basicamente ao BRASIL e à ÍNDIA), PERFIL NO LINKEDIN (comunidade de compartilhamento de currículos profisionais p/indicação de postos de trabalho), PERFIL NO MY SPACE (pequenos sites pessoais da Microsoft) e PERFIL NO TWITTER, entre outras ferramentas.

Escrever bifes não basta. Realizar painéis em escolas, auditórios de igrejas, faculdades, sedes de partidos, sindicatos, entidades patronais, órgãos do governo, hospitais, etc. é interessante: porém, não basta; distribuir panfletos é legal, mas também não basta; dar a cara a tapa para o MENDES defronte ao PIRATINI é contundente pro causa do “bolo”, mas igualmente não basta; clamar pela democratização dos mídias me parece mais importante do que as sugestões anteriores mas, ainda não basta…

…Não é que tais reivindicações não sejam importantes ou que sejam inócuas. Porém, tais demandas por si só, pensadas como os secundaristas e universitários do período da ditadura militar no Brasil faziam, são apenas algumas poucas ferramentas de ATIVISMO e de EMPODERAMENTO, cuja eficiência normalmente só costuma ser significativa quando existe um PENSAMENTO EM REDE cujo objetivo jamais vise tomar o poder e que não pode ter uma liderança centralizadora da informação. Dentre os mais significativos coletivos de ativismo em rede através de MÍDIAS SOCIAIS pelo planeta cito: THE REAL NEWS NETWORK, CHANGE, AVAAZ, INDYMEDIA (e seu correspondente brasileiro chamado MÍDIA INDEPENDENTE).

O que importa é PENSAR E AGIR EM REDE, isto é, organizar a comunicação não mais no arcaico e – este, sim – inócuo modelo emissor-receptor-mensagem mas, sim, pensar em REMIDIAÇÃO (Bolter e Grusin),  MIDIATIZAÇÃO (Eliseo Verón) e no PRODUSER (Axel Bruns). Aliás, dicas interessantes pra quem quiser saber um pouco mais de uma forma não-superficial a respeito dessas questões está no post da querida professora SANDRA MONTARDO, coordenadora do MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO DIGITAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE, que foi extremamente gentil e generosa na minha banca de qualificação.

A rede não é massiva, mas aproxima MILITANTES ANÔNIMOS como qualquer um de nós e FORMADORES DE OPINIÃO que dominam um determinado conhecimento específico e participam intensamente da sociedade civil organizada.

Minha decepção com a esmagadora maioria dos jornalistas, publicitários, médicos, engenheiros, administradores, sociólogos, filósofos, psicólogos, professores e advogados de esquerda reside no fato de que eles  contraditoriamente procedem de maneira resistente e conservadora em relação ao manejo e ao domínio de uma ferramenta como qualquer outra para as quais desenvolveram competências tão banais que, nos casos mais radicais, descamba para a ignorância: parece que a eles basta ter a competência para ler e interpretar nas entrelinhas o que ficou escondido por detrás do discurso midiático através de jornais, revistas, rádios e TVs, mas fogem do manual de instruções ou da orientação de um filho ou de um neto sobre como se usa um videocassete para gravar um programa qualquer…

O ATIVISMO APARTIDÁRIO tem sido muito mais eficiente.

Pra terminar, eis várias opiniões que corroboram o título deste post. Pra quem não lembra, A CAMPANHA ELEITORAL DE BARACK OBAMA FOI A PRIMEIRA CAMPANHA PÓS-MODERNA DO PLANETA:

TIMOTHY MCCARTHY

SMARTMOBS

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Todo o resto é século passado (ou até mesmo retrasado). Mas não é aquele século passado nostálgico, extremamente útil ou universal. E o pós-moderno não é um mero chavão, nem tampouco uma retórica enganadora da direita e da mídia corporativa: é adaptação, é reinvenção, é usar o passado como impulso para o presente e o presente com o passado como uma forma de antever as práticas sociais do futuro.

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ESQUERDA NÃO SABE USAR A INTERNET NEM FAZER MÍDIA ALTERNATIVA

Pra corroborar ainda mais com meus argumentos contra o diploma de jornalismo em função da visão corporativista, paternalista e oportunista da FENAJ e dos sindicatos em relação ao tema devido ao fato de não estarem interessados nem em aprender/financiar o empreendedorismo e a autonomia de seus filiados e nem tampouco em propor melhoras no currículo e na pedagogia das faculdades de Jornalismo brasileiras, eis o post de RODRIGO ÁLVARES do blog NOVA CORJA.

IMPERDÍVEL: LEIAM JÁ!!!

O mito da imparcialidade é conversa mole pra boi dormir, assim como o coitadismo de querer/precisar ser funcionário da Grande Mídia.

Afinal de contas, até onde eu sei, nenhum jornalista é obrigado a ser escravo, omisso ou pelego, certo?

JORNALISMO: EXIGÊNCIA DO DIPLOMA = COITADISMO

Sou contra a visão da FENAJ e dos sindicatos.

Em primeiro lugar, a Federação Nacional dos Jornalistas acha que existe maior responsabilidade, ética, compromisso com a “verdade” e assim por diante. Mas já está provado que ética, bom texto e domínio da técnica (ainda mais sendo esta uma técnica tão fácil de ser aprendida) independem de formalidades legais.

Em segundo lugar, os sindicatos só pensam na relação de “emprego”, que é algo que NÃO EXISTE MAIS. Tal fenômeno definitivamente não é algo que o governo e o alto empresariado impõem: há variáveis econômicas, jurídicas determinadas pelo próprio modus operandi da sociedade de fluxos baseada nos serviços, na inteligência coletiva e na interação mediada por computador.

Há, sim, possibilidades de trabalho infinitas para quem estiver disposto a aprender a EMPREENDER, a ser DONO DO SEU NARIZ, a APRENDER A FAZER CONTATOS COM PESSOAS E EMPRESAS QUE PODEM COMPRAR O SEU SERVIÇO. Se os sindicatos fossem bons para os profissionais, a contribuição sindical não seria compulsoriamente descontada em folha mas, sim, opcional. Além disso, a exemplo da política do governo Lula (que só proporciona a inclusão social daqueles que possuem endereço fixo, certidão de nascimento e carteira de identidade), os sindicatos são que nem as reuniões do Orçamento Participativo em Porto Alegre assim que ele deixou de ser cidadão para ser “cumpanhêro”: só quem pertence ao partido que dá base a esse sindicato é devidamente beneficiado pela ajuda advocatícia.

Por isso, não participo de discussões pela democratização dos meios de comunicação enquanto a Fenaj e os sindicatos de jornalistas não pensarem em usar a sua verba para promover cursos de capacitação em contabilidade, direito comercial e marketing para tornar a maioria dos jornalistas mais autônoma, crítica, independente e produtiva. capaz de reconhecer em si a responsabilidade de quem detém o papel social de orientar o cidadão no mundo que o cerca.

Ser empreendedor não é ser contrário à esquerda. Ser dono do seu próprio nariz não é pecado. Usar o cérebro pra suprir exigências de mercado para saber sobreviver aprendendo a administrar o seu próprio futuro adquirindo as técnicas de outros campos além do da própria Comunicação não tem nada a ver com “cuspir no prato em que comeu” e nem tampouco com “trair” ou “ser incoerente”.

Tá cheio de oportunidades pipocando por aí com as centenas de novos canais da futura TV DIGITAL e dá pra produzir e vender uma série de programas para empresas e para a TV a cabo.

Na internet, dá pra produzir PODCASTS para blogs profissionais (que geram receita) e para empresas.

Nisso a FENAJ e os sindicatos não pensam. Para mim, a culpa e a responsabilidade da falta de ética e do endeusamento à mídia corporativa parte diretamente deles: afinal de contas, seu discurso contrário às práticas dessas corporações midiáticas é totalmente contradito pela defesa incondicional que fazem dos “coitadinhos” dos colegas que estão lá “porque não têm outra opção”.

CHEGA DE COITADISMO!!!

VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!

Sociedade Alternativa

Raul Seixas

Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas

Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva O Novo Eon!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva! Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa…

Se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá!
Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei! Da Lei!
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa…

“-Faz o que tu queres
Há de ser tudo da Lei”
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
“-Todo homem, toda mulher
É uma estrêla”
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
Han!…

Mas se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou discutir Carlos Gardel
Ou esperar Papai Noel
Então vá!
Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei! Da Lei!
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa…

“-O número 666
Chama-se Aleister Crowley”
Viva! Viva!
Viva! A Sociedade Alternativa
“-Faz o que tu queres
Há de ser tudo da lei”
Viva! Viva!
Viva! A Sociedade Alternativa
“-A Lei de Thelema”
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
“-A Lei do forte
Essa é a nossa lei
E a alegria do mundo”
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva! Viva! Viva!)…

ILUSÕES E DESILUSÕES DE UM MILITANTE DE ESQUERDA BURGUÊS

Bem sei que minha opinião formada por um olhar que me força sempre a duelar contra as minhas crenças a fim de encontrar nelas as suas próprias idiossincrasias ou contradições através do distanciamento crítico cria muitas discordâncias em relação ao pensamento da própria esquerda bovina (sim, os bovinos estão por toda a parte na capital e no RS).

Fui líder estudantil no final do 1º grau em escola pública. Estudei em universidade pública, gratuita e, até então, ainda de qualidade. Viajei pelo país em três ENECOMs; fui militante do PT durante quase duas décadas e, sempre que tiver tempo ou julgar minha opinião útil e – acima de tudo – passível de ser devidamente ouvida, respeitada e aceita, ainda participarei eventualmente de reuniões no diretório municipal.

Tenho vários episódios de embates urbanos durante campanhas partidárias-eleitorais que, felizmente, posso garantir com toda a honestidade do mundo que JAMAIS foram provocadas por mim ou por qualquer um dos millitantes que estavam junto comigo em tais ocasiões:

1) No canteiro defronte à Praça da ENCOL, um homem com menos de 40 anos muito bem vestido e bem grande (gordão e com cerca de 1,90m de altura), arrogante e irônico, atravessou a rua para provocar a nossa militância. Algumas professoras estaduais e seus filhos queriam apelar para a ignorância. Felizmente, meu distanciamento permitiu-me ser o único do grupo a enxergar um carro estacionado defronte à praça com um cara de estilo muito parecido com o do que veio nos provocar cujo motorista estava sorrindo com uma câmera de vídeo. Prontamente, apontei-o para todos e apartei o princípio de desentendimento (1994);

2) Quase fui atropelado com o sinal fechado por um jovem motorista de um Gol que sentiu-se muito incomodado com as bandeiras do PT tomando conta do cruzamento da Mostardeiro com a Goethe defronte ao Parcão de maneira alegre, pacífica e hegemônica (1998);

3) Me deixei ser “espancado” pelo inócuo “pauzinho de plástico” da bandeira de uma eleitora do Rigotto defronte ao HSBC da 24 com Olavo Barreto Viana. Se o filho dela não fosse um guri sensato, a merda estaria feita: eu tinha tanta razão que fiquei parado e ameacei processá-la e chamar a imprensa (2002);

4) De 1989 até 2006 (a última campanha da qual participei nas ruas), sempre bandeirando nas avenidas Nilo Peçanha, Carlos Gomes, Plínio Brasil Milano, 24 de Outubro, Goethe, Independência, Osvaldo Aranha, Parcão, Redenção, Gasômetro e indo a todos os comícios no Largo da EPATUR (em 2008, foi a primeira vez que eu sequer soube quando haveria algum comício e perdi os dois ou três que ocorreram), cansei de ser abordado por pessoas que perguntavam se eu era CC, professor, funcionário público, dirigente sindical, delegado de partido, desempregado, se não tinha coisa melhor pra fazer, “como é que um moço tão ['bonito, inteligente, alegre, cheio de energia', etc. - dependendo do interlocutor, que quase sempre, esteve enganado em relação a mim] é capaz ‘disso’?”

Além dessas histórias urbanas, sempre tive calorosas, pouco civilizadas e extremamente traumatizantes discussões familiares (sobretudo quando eu era muito novo e era conscientemente censurado e inconscientemente humilhado perante estranhos pelo meu pai e pelo meu irmão), as quais durante muitos anos, mesmo coberto de razão, não conseguia saber me defender nem contra-atacar de maneira racional e fidalga. Essas são as marcas que mais doem e que nunca irão se apagar: mesmo sem ódio, sem raiva e procurando evitar esse tipo de desgaste, não nego minha fraqueza de, mesmo conseguindo entender o porquê deles serem assim, é impossível para mim não guardar rancor. Nenhuma demonstração atual ou futura de amor, carinho, atenção, respeito, solidariedade ou coisa parecida até hoje foi capaz de fazer com que eu esqueça, minimize ou seja capaz de me sentir melhor em relação a esses sentimentos.

Meus bons e velhos amigos, em muitos momentos foram mais significativos e mais importantes em termos de empatia e de afinidade do que com a minha própria família. Contudo, hoje sei que não há como contar nem com os amigos, nem com a família para tudo: cada grupo de afeto e de identidade supre determinadas necessidades individuais e coletivas, mas é incapaz de satisfazer a todas.

As escolhas profissionais e a maneira com que cada um foi criado, mesmo tendo uma adolescência de esquerda a partir de pais entre 10 e 20 anos mais jovens do que os meus que efetivamente tentaram lutar contra a ditadura civil e militar de direita, hoje são muito divergentes das minhas: pode-se dizer que eu nunca consegui ser pragmático e que sempre tive severas divergências em relação a me tornar ou a me sentir como um escravo do “deus-mercado”. Mantendo-me parcialmente à margem do sistema, ainda não tive filhos, não possuo patrimônio, não viajei pelo mundo e não consegui estabelecer uma rede social capaz de me ajudar profissionalmente.

Foi extremamente difícil tentar integrar-me a esse sistema. Demorei muito tempo até descobrir minha vocação autêntica e para entender que politicagem, subjetividade e, acima de tudo, a necessidade de estabelecer laços HONESTOS e SINCEROS com pessoas influentes (ou muito populares, ou dotadas de um alto poder político, social e/ou financeiro) é a única forma de se conseguir chegar aonde se quer sem sectarismo e com a capacidade de poder circular com respeito por vários ambientes diferentes inclusive em meio a severas divergências.

Jamais mudarei de lado. Porém, sei que que meu ponto-de-vista baseado em uma matriz teórica contemporânea gera um afastamento da visão reducionista e simplista que é progressivamente irreversível e autofágica em função da miopia da única forma aceita e conhecida de se fazer política: partidos e sindicatos mandam, os outros “bedecem”.

A paixão, a idolatria e a defesa incondicional de práticas e de pessoas cuja contribuição política e cidadã não vale meio centavo furado em relação a tudo o que OLÍVIO DUTRA protagonizou me fez estudar e pesquisar seriamente outras alternativas legitimamente políticas, politizadas e politizantes, atuantes, ativistas, cidadãs, esclarecidas e mobilizantes ainda emergentes cujos resultados têm sido muito mais eficientes do que sob lideranças centralizadoras baseadas em uma visão atrasada e retrógrada (que não tem nada a ver com o discurso direitista do ‘novo’).

Para mim, o declínio do sistema representativo político baseado em partidos cujo financiamento de campanha funciona de maneira X e que depende de uma espécie de relacionamento Y a fim de sobreviver às forças conservadoras (banqueiros, megacorporações globais, latifundiários, agronegócio, políticos de direita e corporações de mídia) exige uma ampla discussão a fim de buscar uma nova legislação capaz de fazer com que alterações profundas nesse modelo falido possam fazer com que ele volte a fazer sentido para a sociedade como um todo.

Enfim… Tudo o que demanda centralização, autoritarismo e pensamento único me torna extremamente pessimista e faz com que eu, alguém disposto e interessado em debater a respeito de qualquer coisa desde sempre, chegue ao extremo de considerar perda de tempo discutir política sob os moldes partidários, eleitorais e representativos sob este modelo.

Há muita gente extremamente lutadora, de biografia tão longa quanto significativa e que é muito conhecida no meio da esquerda sul-riograndense por uma quantidade enorme de militantes mergulhando em uma espiral de ilusão, de auto-enganação e de incapacidade total de analisar o macroambiente, por mais que leia, por mais que participe de palestras e cursos, por mais que viaje.

Há, tamb