TRÂNSITO EM PORTO ALEGRE = EUA ANOS 1950′s

A paródia de Walt Disney que transformou o Pateta em uma espécie de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde da modernidade taylorista-fordista infelizmente cabe cada vez mais no trânsito de Porto Alegre deste ano de 2009.

Aos 17 anos, me acidentei de carro como caroneiro e sobrevivi por sorte. Desde então, nunca me interessei pelo carro como um símbolo de independência ou de ascensão social. Como pedestre, sinto que a quantidade de vantagens é muito menor do que a quantidade de desvantagens que se pode ter na condição de motorista.

Essa construção antropológica me aproximou muito de dois grupos de pessoas que admiro bastante: a dos cicloativistas e a dos ativistas pela sustentabilidade do planeta.

Nesse sentido, o uso individual, individualista, consumista e pouco – ou nada – solidário de um meio de transporte motorizado inviabiliza até mesmo o seu uso racional e civilizado. A economia de escala tornou a montagem de um veículo a partir de materiais que destroem o meio ambiente e um modo de vida mais saudável e menos veloz muito barata.

O condicionamento gerado por esse tipo de auto-regulamentação econômica dificulta enormemente qualquer tipo de campanha educativa que procure diminuir o peso do automóvel de uso individual no trânsito. Com isso, tudo o que não é veloz nem “bacana” como um carro é automaticamente excluído e intolerado pela classe média urbana.

Há uma série de vídeos e de blogs que tratam sobre o assunto. Mas eu deixo aqui apenas algumas referências: a dos blogs Pedalante e Apocalipse Motorizado.

EUROEGOÍSMO: MATRIZ CULTURAL BOVINÓIDE

Infelizmente, ainda não tive a honra e o imenso prazer de conhecer pessoalmente a querida MARIA DA GRAÇA M. G. TÜRCK.

Ela é mãe do GUGA e sogra da TÊMIS, os queridos amigos do COLETIVO CATARSE e do blog ALMA DA GERAL, de leitura diária.

Neste momento, creio que a Graça ainda deva estar em férias na Europa, continuando o seu belo registro etnográfico que nos revela que não é à toa que PORTO ALEGRE virou o que virou.

De maneira geral, a visão social, política e econômica conservadora, desinformada, pouco solidária e adepta do discurso do “novo” (não o novo de verdade mas, sim, a retórica do mais do mesmo) que observamos no RS e, mais particularmente, em POA, com desdobramentos noticiados pelo RS URGENTE e criticados pelo DIÁRIO GAUCHE não vem necessariamente do american way of life e do consumismo propagado pela mídia de massa.

Nesse ponto, sofremos com maior intensidade a influência da vertente alemã e italiana da moral judaico-cristã.

Deixo vocês com as palavras da Graça. Tirem suas próprias conclusões…

clipped from graturck.blogspot.com

Londres: “os negros não gostam de trabalhar de dia, são preguiçosos e ficam acordados à noite”. As praças públicas cercadas em bairros de luxo, só quem tem a chave do portão as freqüenta. Por quê? Porque os moradores do bairro as cuidam, pagam, são privatizadas, logo, excludentes.

Paris: empregos subalternos ocupados por estrangeiros de países de 3º mundo. Eles aprendem que neste mundo, se tiverem dinheiro, terão valor. Logo, para consegui-lo, aprendem que têm que enganar, extorquir.

Frankfurt: “eles estão dormindo na rua porque querem. Não querem trabalhar. Começam com drogas e terminam com vinho. O governo lhes dê condições de albergue, mas ficam na rua porque querem”.

Pelo jeito, não se questiona a sociedade de classes. Parece que não existe. Tudo é culpa do sujeito ou das etnias. Logo, pode-se inferir que a Questão Social na Europa se expressa pela alienação, através do preconceito que se viabiliza pela exclusão, muito bem caracterizada nas relações cotidianas.
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