Peço muitas desculpas a todos os blogueiros e moderadores de comunidades vinculados à rede social que ajuda a divulgar o Exército Gremista e os planos de sócios do Grêmio pelo atraso neste post. Porém, a vida anda bastante atribulada. E, por falar no Tricolor, às vezes ocorrrem fatos que precisam furar a fila por alguma razão.
As fotos e vídeos deste post estão no Flickr. Assim que estiverem no ar, selecionarei algumas para ilustrá-lo. Portanto, ainda editarei este post algumas vezes. ;)
Graças à uma iniciativa das queridas amigas Melissa Devens e Bianca Ramos com a colaboração de Vitor Rodriguez, fui sorteado para participar da entrevista coletiva após a conquista do 1º turno do Gauchão 2011 ou Copa Piratini. Não vou adentrar na análise do jogo, pois o que importa é o que eu senti na sala de conferências do Olímpico. ;)
Preciso agradecer também ao nosso novo (porém velho conhecido e com um pedigree daqueles!) diretor-executivo de marketing Paulo César Verardi e à gerente de marketing Michelle Billo, pois são eles que organizam e viabilizam as iniciativas de tantos gremistas espalhados pelo mundo.
Bem… Após a condução da Bianca e do Vitor, fiquei no canto direito, na penúltima fila (a última é sempre ocupada pelos cinegrafistas, para que eles posicionem o foco, a distância e a direção de suas lentes o mais afastados possível de cabeças e braços inoportunos), com a instrução de que não poderia fazer perguntas.
O primeiro a adentrar o recinto para falar aos jornalistas foi o REI LEÃO. Muitos chamam-no de Santo; outros, de O Espírito que Anda e os mais infelizes de “Renato Gaúcho“. O REI LEÃO CHAMA-SE RENATO PORTALUPPI. Ponto. ;)
Com todo o respeito a diversos setoristas de diversos veículos, considero que as únicas perguntas capazes de instigar Renato a discutir as suas decisões como técnico mais a fundo foram a do repórter e analista tático Eduardo Cecconi, do Globoesporte.com. Não que outros profissionais experientes e respeitáveis tenham perguntado bobagens – longe disso. Apenas acho que, para aquilo que me interessa mais observar e, acima de tudo, APRENDER dentro de campo é preciso desenvolver uma conversa que traga consigo um pouco de cientificidade associada à prática. Mas isso é problema meu – coisa típica de acadêmico. Deixa pra lá! ;)
Além do Cecconi, consegui reconhecer também Glauco Pasa da RBS TV / SPORTV; Tatiana Lopes, do ClicRBS / Clube da Bolinha; Eduardo Gabardo, da Rádio Gaúcha; e Luiz Carlos Reche, da Rádio Guaíba.
O ambiente era bastante positivo e festivo. O presidente do Conselho de Administração do Grêmio, Paulo Odone Chaves de Araújo Ribeiro, o vice-presidente e o assessor de futebol Antonio Vicente Martins e César Cidade Dias deram uma discreta passada pela sala de conferências, sem usarem a palavra ou permanecerem no ambiente durante o decorrer das entrevistas do técnico e dos jogadores.
Considero que essa atitude foi muito digna e oportuna, pois as personalidades a serem celebradas e questionadas eram realmente aqueles que decidiram a parada dentro das quatro linhas. Ponto para eles.
Intimamente, Renato sabe que não se trata de uma conquista acachapante. Este foi um pequeno passo para o homem que – oxalá – possa se transformar em um grande passo para a humanidade. De qualquer forma, a celebração e o status de título foram carregados de emoção, quando ele lembrou-se de que a sua querida mãe, dona Maria Portaluppi, falecera no dia 21/02/2010 e que fizera um pedido a seu filho mais famoso: o de voltar a seu clube do coração e conquistar títulos como técnico do GRÊMIO.
Renato faz uma força danada pra manter a pose de durão. Ele claramente conteve as lágrimas, silenciou para evitar falar com a voz embargada e recompôs o semblante altivo com uma rara naturalidade. Renato em Porto Alegre não dá entrevistas de óculos escuros, ao contrário do que SEMPRE fazia no nosso amado Rio de Janeiro (fosse com 45ºC e sol a pino ou com 12ºC em dia de tempestade). Renato não deve nada a ninguém. Mas, aqui, ele mostra os olhos como se estivesse em uma espécie de [fiodebigodemodeon], característico dos melhores caracteres da nossa população.
A vida de pai da Carol, marido da Maristela, técnico profissional de fato e a maturidade de seus quase 49 anos incompletos (09/09/1962) nos oferecem um Renato bem diferente daquele que me fez vibrar ensandecidamente nos dias 29/07/1983 e 11/12/1983 quando eu era um gurizinho de 10 anos e ele uma fortaleza física e uma monstruosidade técnica de 20-21. A personalidade forte, a coragem, a ousadia e a irreverência são parte indissociável do seu ser. No entanto, ele é, hoje, mais sereno. E, dependendo daquilo que ouve ou de como sente as pessoas a partir do olhar e das falas dos corpos dos outros, menos paciente e mais arredio.
O hoje introspectivo Renato é um sentinela do Grêmio, assim como o são os quero-queros que dão rasantes nos incautos brigadianos que ousam circular próximos demais de seus ninhos ao redor do gramado do nosso Monumental: ele gostaria de saber e de poder cuidar mais e melhor do seu Grêmio. Porém, ele não possui o devido preparo para isso. Ele não foi feito pra fazer política, nem pra ser forçado a estudar para dominar uma técnica profissional diferente daquela que a intuição e a sua experiência de vida possam lhe oferecer.
Mas a velha impetuosidade do nosso ídolo mais incontestável mostra-se inclusive quando erra: sempre que precisa extrapolar o comando do vestiário ou quando insiste com alguns “bruxos” que, infelizmente, não tem trazido o mesmo resultado que no avassalador final de 2010, Renato peca porque é um lobo solitário em uma estepe vazia de comando.
Acho que é essa a impressão que eu posso relatar acerca de um contato próximo do homem que me trouxe a maior felicidade futebolística que eu tive em toda a minha vida.
Lembro que, quando vivi no Rio de Janeiro entre junho de 2000 e março de 2001, encontrei-o por diversas vezes jogando futevôlei e bebendo um chopp com amigos no quiosque do posto 9 em Ipanema. Não sou um cara tímido, mas gosto de preservar a intimidade das pessoas, para que elas sejam elas mesmas e sintam-se à vontade. Por isso, jamais o procurei para conversar naqueles tantos domingos.
Queria dizer a ele que eu era um piazinho que estava no hoje Quadro Social do Olímpico esperando por ele com a Mãe, com o Pai, com o Vô e com a dona Maria, quinta esposa do meu avô. Que o Vô era de setembro de 1903, assim como o Grêmio. Que o Pai era de Junho de 1930, assim como a primeira Copa do Mundo disputada em território platino, na República Oriental do Uruguai. Que eu achei sensacional o quimono que ele vestia quando deu um abraço bem apertado e um beijo pra lá de amoroso na sua mãe. Que o Vô, minutos antes, havia dançado alegremente com a dona Maria Portaluppi, com a alegre concessão da sua Maria, minha quarta avó emprestada. E que, infelizmente, eu não tenho mais o negativo daquele filme, que contava toda essa história…
Se a mim tivesse sido dada a oportunidade de falar na coletiva, teria dito uma única palavra: OBRIGADO POR TUDO SEMPRE, RENATO!!!
