[CAN'08] CAMARÕES SEM NGOM KOME E MEYONG ZÉ


BBC SPORT | Football | African | No Nations Cup for Cameroon duo

Embora os Leões Indomáveis estejam entre os maiores favoritos para a conquista da Copa Africana de Nações (CAN) que se avizinha em janeiro de 2008 por terem classificado-se com a melhor campanha do continente na fase de grupos eliminatória, a derrota na última rodada para a lanterna Guiné Equatorial em Malabo deixou enormes seqüelas entre a FECAFOOT (Federação Camaronesa de Futebol) e o Ministério dos Esportes.

Segundo o site BBC Sport, o ministro Augustin Edjoa suspendeu da seleção camaronesa por SEIS MESES aos jogadores Daniel Ngom Kome e Meyong Ze. Motivo: ambos foram para a balada na véspera da derrota por 1×0 lá mesmo no pequeno país vizinho (um dos raros da África que fala espanhol).

A notícia no site fala que o ministro não revelou o teor da indisciplina cometida pelos dois bons jogadores. No entanto, um repórter de TV confessou tê-los encontrado em uma danceteria.

Daniel Armand Ngom Kome nasceu no dia 19/05/1980 e atua no Real Valladolid da segunda divisão da Espanha com a camisa nº14. Ele atua no país desde 1999 e possui passaporte espanhol. Possui 17 gols marcados com a lendária camiseta dos Leões Indomáveis. Em 1999-2000, esteve no Real Madrid B. Em 2000-2001, atuou pelo mesmo Levante do seu companheiro de festas e de seleção. Jogou apenas sete vezes e não compareceu junto às redes adversárias. De 2001 a 2004, vestiu a camisa do Numancia, onde disputou 89 jogos e fez 12 gols. Na temporada 2004-2005, vestiu as cores do Getafe em 20 partidas, deixando sua marca duas vezes. Em 2005-2006, atuou pelo Murcia, com três gols marcados em 32 jogos. No início da temporada seguinte, ainda em 2006, jogou apenas cinco partidas pelo Mallorca, sem nenhum gol marcado. Seus direitos federativos ainda estão ligados ao Mallorca, que o emprestou para o Real Valladolid onde, por enquanto, atuou apenas duas vezes, sem gols.

Albert Meyong Zé (pronuncia-se Zê) nasceu em 19/10/1980 e é centroavante do Levante da Espanha. Atuou pelos seguintes clubes: Ravenna ITA, de 1998 a 2000 (7 J, 2 G); Vitória de Setúbal POR, de 2000 a 2005 (141 J, 51 G); Belenenses POR, 2005-2006 (26 J, 17 G) e, em quase um ano e meio de Levante, disputou apenas 10 jogos e assinalou um único golzinho. Pela seleção de Camarões, marcou dois gols em 19 jogos. Meyong Zé é o reserva imediato do craque Samuel Eto’o do Barcelona, que recupera-se de uma cirurgia. Rumores pela Europa dão conta de que o jogador pode transferir-se para o Maccabi Tel-Aviv de Israel na janela de janeiro.

Ambos conquistaram a medalha de ouro na Olimpíada de Sydney 2000, onde o gol da vitória nas quartas-de-final contra o Brasil deu-se em um contra-ataque na prorrogação, onde Ronaldinho  (que poderia ter-se consagrado graças ao golaço de falta que empatou o jogo quase perdido quase ao trilar do apito) quis fazer balaca ao invés de segurar a posse de bola e entregou o contra-ataque para o golaço do reserva Mbami, aos 113′, com uma bucha de fora da área.
Vanderlei Luxemburgo jamais esquecerá aquela noite de 23/09/2000 em Brisbane, Austrália…

Os dois também disputaram a Copa de 2002 na Japéia, onde quase se classificaram para a segunda fase, não fosse a única falha do voluntarioso capitão Rigobert Song (que já está na sua quarta temporada no Galatasaray da Turquia, depois de ter passado por Metz, Salernitana, Liverpool, West Ham United, Köln e Lens).

Voltando à vaca fria: Ngom Kome e Meyong Zé não jogaram contra a Guiné Equatorial porque retornaram à concentração somente na madrugada.

Apesar disso, a palavra oficial da FECAFOOT avalia que o ministro dos esportes está fazendo uma confusão de papéis através da ingerência hierárquica dentro da entidade máxima do futebol camaronês.

Ambos os atletas são importantes. No ataque, se Eto’o ainda não estiver no melhor de sua forma, seu substituto natural seria Meyong Zé. Tudo indica que o reserva do reserva não deve ser grande coisa, pois a ausência das seleções SUB-17 e SUB-20 nos últimos mundiais de ambas as categorias oferece indícios de falta de qualidade.

Esperemos. Afinal de contas, como dizia um ex-presidente do Grêmio de triste lembrança, o futebol é dinâmico.

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[GER] Alemanha em 2007

DFB – Deutscher Fußball-Bund e.V. –  The “Mannschaft”

A seleção da Alemanha disputou seis partidas no ano de 2008, com cinco vitórias e apenas uma derrota. Venceu todos os três compromissos pelas eliminatórias da EURO 2008 e dois amistosos contra adversários de bom nível, como a Suíça e a Inglaterra (este último ontem, por 2×1, no New Wembley Stadium em Londres).

Vamos ver como o técnico Joachim Löw escalou suas equipes nesses seis jogos e quem foram os goleadores. Vale ressaltar que Löw está promovendo aos poucos uma renovação, convocando e escalando todas as principais revelações das duas últimas temporadas da Bundesliga. Lembremos também que alguns jogadores importantes lesionaram-se e não foram chamados em algumas dessas ocasiões.
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07/02 (amistoso) Düsseldorf (GER): Alemanha 3×1 Suíça
Lehmann; Friedrich, Mertesacker, Metzelder e Lahm; Fritz, Frings (74′ Hitzsperger), Ballack (46′ Borowski) e Schweinsteiger (74′ Jansen); Gomez (58′ Hanke) e Kuranyi (83′ Schlaudraff).

Gols: 7′ Kuranyi, 30′ Gomez, 66′ Frings. 71′ Streller (SWI)
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24/03 (elim. EURO) Praga (CZE): República Tcheca 1×2 Alemanha
Lehmann; Lahm, Mertesacker, Metzelder e Jansen; Schneider, Frings, Ballack e Schweinsteiger; Kuranyi e Podolski (89′ Hitzlsperger)

Gols: 41′ e 62′ Kuranyi. 76′ Baros (CZE)
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28/03 (amistoso) Duisburg (GER): Alemanha 0×1 Dinamarca
Enke; Fritz, Madlung, Friedrich e Jansen; Hilbert (58′ Freier), Rolfes (71′ Castro), Hitzlsperger e Trochowski; Kuranyi (46′ Kießling) e Schlaudraff (78′ Helmes)

Gol: 81″ Bendtner
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02/06 (elim. EURO) Nürnberg (GER): Alemanha 6×0 San Marino
Lehmann; Lahm (70′Helmes), Mertesacker, Metzelder e Jansen; Hilbert (59′ Fritz), Frings, Schneider e Hitzlsperger; Klose e Kuranyi (59′ Gomez)

Gols: 45′ Kuranyi, 52′ Jansen, 54′ (pen.) Frings, 63′ e 65′ Gomez, 67′ Fritz.
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06/06 (elim. EURO) Hamburg (GER): Alemanha 2×1 Eslováquia
Lehmann; Lahm, Mertesacker, Metzelder e Jansen; Fritz, Frings Hitzlsperger; Schneider (90′ Rolfes); Klose (74′ Trochowski) e Kuranyi (65′ Gomez)

Gols: 10′ Durica (contra, pró GER); 20′ Metzelder (contra, pró SVK); 43′ Hitzlsperger.
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22/08 (amistoso) Londres (ENG): Inglaterra 1×2 Alemanha
Lehmann; Friedrich, Mertesacker, Metzelder, Pander e Lahm; Odonkor (54′ Hilbert), Schneider (90′Castro), Trochowski (72′ Rolfes) e Hitzlsperger; Kuranyi

Gols: 9′ Lampard (ENG); 26′ Kuranyi, 40′ Pander
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OBS.: o primeiro jogo do ano marcou a última partida de Lahm pelo lado esquerdo quando a Alemanha joga no equema 442, repetindo sua mudança de lado no Bayern München, implementada com sucesso pelo gênio Ottmar Hitzfeld. Na seleção, Löw mata dois coelhos com uma só cajadada: aproveita a boa fase de Jansen do Werder Bremen e descansa o veterano Friedrich que, apesar de regular, a idade agora pesa contra ele. No entanto, quando o adversário é muito forte como a Inglaterra e Joachim Löw não puder contar com seu único meia habilidoso pelo centro (Ballack), ele deverá optar pelo cauteloso 352, onde Lahm então volta à sua antiga posição.

Aos poucos, o bom meia Hitzlsperger também vai entrando na equipe. Odonkor é sempre útil, principalmente em função da sua velocidade quando o objetivo principal da Alemanha é defender-se com ardor e explorar os contra-ataques.

A safra de bons atacantes agora traz aquela boa dor de cabeça que todo técnico gostaria de ter. Enquanto o jovem Podolski não estiver emocionalmente confiante nem mentalmente focado como entre 2004 e 2006, a dupla titular será mesmo Klose e Kuranyi. Mas vejam: Mario Gomez do campeão Stüttgart está cavando seu lugar com competência através de gols.

Ballack, fora de forma devido à cirurgia e sem um ritmo de jogo adequado por não estar em boa fase no Chelsea, cedeu lugar ao sempre bom Tim Borowski que, para mim, forma uma das melhores duplas de volantes duros, leais, de bom passe e de excelente chute de fora da área formada por ele e por Thorsten Frings também no clube, o Werder Bremen.

O goleiro Lehmann está pedindo para ser retirado do time, com sucessivas falhas tanto pela seleção como pelo Arsenal. Embora Löw tenha testado o experiente Enke no amistoso contra a Dinamarca, o homem ideal para proteger a meta germânica é o campeão pelo Stüttgart e recém contratado pelo Valencia Hildebrand.

Por enquanto, a escalação do Blackão para a Alemanha é a seguinte:
Hildebrand; Lahm, Mertesacker, Metzelder e Jansen; Fritz, Frings, Hitzlsperger e Schweinsteiger; Kuranyi e Klose.

Vou dar uma de José Trajano: perdi minha paciência com Ballack.

Acho que o Schweini tem totais condições de assumir a criação pelo lado esquerdo, embora funcionasse melhor com Lahm pelo mesmo lado. Todavia, tanto ele como o lateral trocam de lado constantemente e podem executar o 2-1 tanto pela esquerda como pela direita.

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[GER] O VALE DO RUHR EM TRÊS DIVISÕES

Em homenagem ao prematuro derby entre os dois clubes de maior rivalidade em toda a Alemanha no próximo sábado dia 18/08/2007 pela segunda rodada da 1.Bundesliga 2007/2008, considero muito interessante falar sobre o futebol em uma região tradicionalíssima e próspera do país: o vale do Rühr.

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Começo pelos poderosíssimos e popularíssimos Schalke 04 x Borussia Dortmund. No próximo sábado, a Veltins Arena AufSchalke em Gelsenkirchen estará botando gente pelo ladrão, sem sombra de dúvida. Não imagino menos de 80.000 torcedores dos dois times abarrotando as lindas cadeiras do time mais simpático do país. Obviamente, o mesmo acontecerá no segundo turno, na penúltima rodada, no enorme Westfalenstadion, em Dortmund, “o coração da Nordrhein-Westfalia”.

São as duas maiores torcidas da Alemanha, de cidades vizinhas e rivais, desde os gloriosos tempos em que predominavam as populações operárias da saudosa indústria do carvão e do aço dentro dos estádios das duas cidades. Hoje, modernizadas, tanto Gelsenkirchen como Dortmund abrigam a segunda e a terceira gerações de torcedores, com um novo perfil que só não alterou a paixão, o fanatismo e a assiduidade nos jogos em casa.

Para vocês terem uma idéia, o calendário da 1.Bundesliga jamais marca jogos em casa do Shalke e do Borussia na mesma rodada por medida de segurança.

Imagino homens entre 25 e 50 anos que cresceram ouvindo ou presenciando histórias melodramáticas de seus discretos e sisudos pais e avós sobre a época em que pegavam pesado nos carrinhos e nas fundições. Nas doenças de coluna e nas doenças respiratórias. Nos colegas de trabalho, nas choppadas sempre que o curto dinheiro permitia uma prosaica diversão. Na vinda do patriarca de cada família a partir de várias regiões não apenas do país, mas também de quase toda a Europa, para aquela confluência de rios onde a mineração cresceu em progressão geométrica a partir da Revolução Industrial e, assim que a fonte secou na década de 1960 (quando a rivalidade entre Schalke e Borussia já estava mais do que turbinada), no desemprego e na decadência urbana, social e econômica.

Hoje, são outros tempos. Tempos em que a tecnologia digital e o capital virtual globalizado da sociedade em rede reaqueceram a vida no Ruhr através de serviços de ponta e de novas gerações mais intelectualizadas. Tempos de estádios enormes, que sediaram duas Copas do Mundo em um período de 32 anos.

Falaremos à exaustão dos dois grandes. Afinal de contas, o APITO DO BLACKÃO acompanha a 1.Bundesliga sempre com muito interesse. Vamos então aos clubes que pouca gente conhece.

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O vale do Rühr conta com várias cidades, formando a sexta maior megalópole européia, perdendo apenas para as grandes Moscou, Londres, Madrid, Paris e Istanbul. Além de Schalke e Borussia,  outros dois clubes profissionais da região estão nesta edição da 1.Bundesliga: os pequenos Duisburg e Bochum, que vivem a condição de clubes-elevador, segundo o comentarista da ESPN Brasil, Gerd Wenzel: sobem num ano e descem no outro. Quem subiu da 2.Bundesliga 2006/2007 foi o Duisburg, conhecido como “Zebras Azuis”, enquanto o também azul e não menos simpático Bochum se manteve com méritos na 1.Bundesliga e promete crescer ainda mais.

Infelizmente, desta vez não há nenhum representante da região na 2.Bundesliga, a segunda divisão alemã. No entanto, no grupo norte da Regionalliga, a terceira divisão, organizada pela Deutscher Fussball Bund (a Confederação Alemã de Futebol), há mais dois representantes do vale do Ruhr: o Rot-Weiß Oberhausen e o centenário Rot-Weiss Essen. O momento dos dois vermelhos do vale do Ruhr é bem distinto: enquanto o Essen foi rebaixado da 2.Bundesliga, o Oberhausen subiu da Oberliga Nordrhein (um dos grupos da quarta divisão alemã).

A vida deles na Regionalliga Nord não será nada fácil por duas razões: primeiro, lá estão os times B de quatro clubes da 1.Bundesliga: Werder Bremen, Energie Cottbus, o próprio Borussia Dortmund (rival da mesma região) e o Hamburger SV. Segundo, porque será criada a 3.Bundesliga a partir da temporada 2008/2009 e o sistema de acesso e descenso ainda não foi definido pela Bund (confederação).

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Como grande curiosidade, encontrei até o card de um jogador muito mais provavelmente brasileiro do que português no plantel do Essen, chamado Paulo Sérgio (foto), cuja origem duvido que até mesmo o PVC conheça!

Enfim, é disso que o futebol da Renânia do Norte/Vestfália é feito!

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Platini x G-14: O Pau Vai Cantar

No já distante dia 22/03/2006, o colunista esportivo do ano no Reino Unido, Martin Samuel, escreveu sobre o G-14: o que a associação defende, qual o seu maior medo e quais os males que a sua influência exerce sobre o futebol no planeta.

O G-14 é uma associação entre os supostos 18 clubes mais ricos da Europa desde o início do século XXI. Digo supostos porque apenas alguns de seus membros de fato o são. Apesar da maioria dos clubes do G-14 serem multicampeões em seus países e na Europa, alguns de seus integrantes têm importância contextual duvidosa, por falta de tradição.

Os nomes dos bois são: Milan, Ajax, Borussia Dortmund, Barcelona, Bayern München, Internazionale, Porto, Juventus, Liverpool, Manchester United, Olympique Marseille, Paris Saint-Germain, PSV, Real Madrid, Arsenal, Bayer Leverkusen, Olympique Lyonnais e Valencia.

O interesse dos clubes acima é salvaguardar a sua vontade de organizar os campeonatos dos quais participam definindo o regulamento das competições, a política de aquisição de atletas e a liberação deles para suas respectivas seleções nacionais de modo que os campeões possam ser, de preferência sempre, um deles.

No próprio site oficial, a palavra consensual justifica que eles se uniram porque as federações (no caso, UEFA e FIFA) ainda mantêm uma política de valorização das seleções quando, para eles, os clubes detêm o protagonismo do futebol mundial, afirmando que x% dos atletas que disputaram a última Copa do Mundo pertencem a algum dos integrantes do G-14 e que seus 18 membros somam x títulos europeus e domésticos.

É inegável que, à exceção do Olympique Marseille, do PSG, do Bayer Leverkusen e do Borussia Dortmund, todos os demais volta e meia chegam ao topo do futebol europeu. É inegável que o futebol virou muito mais negócio do que romantismo. É inegável que é muito mais atraente para o público – seja no estádio ou na TV – assistir a jogos entre clubes “conhecidos” ou “grandes”. É inegável que eles têm as maiores torcidas e, conseqüentemente, muita tradição não apenas doméstica, como também na Europa e até mesmo em outros continentes. É inegável também que, por terem mais dinheiro e sociedades seculares, atraiam os holofotes da mídia do mundo inteiro e, sobretudo, os melhores jogadores sul-americanos, para atuarem lá. É inegável que, devido à sua organização, à maior segurança nos estádios e à cultura reinante de limpeza, glamour e grandiosidade, seja muito mais gostoso assistir aos campeonatos, inglês, espanhol, alemão e italiano do que ao nosso velho Brasileirão de guerra.

Todavia, as vantagens políticas e econômicas que os clubes do G-18 já possuem e ainda almejam obter caracterizam a velha relação entre colonizador e colonizado; entre o rico que quer ser cada vez mais rico e entre o pobre que deve limitar-se tão-somente a lhe servir e a respirar.

A admissão dos campeões de San Marino, Liechtenstein e Montenegro na primeira fase preliminar da UEFA Champions League não é nenhum populismo barato para agradar aos pequenos, muito menos uma afronta aos grandes: os três países-membros da UEFA simplesmente comprovaram que possuem ligas nacionais disputadas anualmente com fórmula definida. Portanto, seu direito de possuírem um representante cada na mais badalada competição interclubes do planeta é mais do que legítima.

Por outro lado, até determinado ponto, concordo que há uma perda técnica para a competição caso Platini saia vitorioso em sua reivindicação pela supressão de uma vaga para os países melhor ranqueados na UEFA, reduzindo o número máximo possível de participantes por país de quatro para três. Também concordo que, na Inglaterra, onde apenas dois clubes dispararam, mesmo que ainda haja dois outros grandes clubes na peleia (Liverpool e Arsenal, respectivamente), não valeria mais a pena para clubes como o Tottenham, o Middlesborough, o Newcastle, o Aston Villa ou o Bolton seguir investindo pesado se o prêmio desse investimento torna-se cada vez mais distante. Poderia dizer o mesmo para o Atletico Madrid, Sevilla, Villareal, do Celta e Deportivo La Coruña na Espanha, assim como para o Palermo, o Catania, o Livorno, a Lazio e a Fiorentina na Itália, ou para o Stuttgart e o Schalke 04 na Alemanha.

Contudo, será mesmo que, com o atual volume de investimentos, o futebol russo não merece dois clubes entrando direto na fase de grupos? A Ucrânia, a República Tcheca também. E quanto a Portugal e França? Não mereciam três ao invés de dois?

A Europa tem 53 países em uma área pouco maior do que a do Brasil (se excluírmos a parte asiática de Rùssia e Turquia). São milhares de clubes apoiados por mais de 600 milhões de habitantes. Em todas as cidades com mais de um milhão de habitantes, a população é cosmopolita, multi-étnica e multi-religiosa. Há anos que, em quase todos os clubes, predominam mais jogadores estrangeiros do que do próprio país.

Diante de todas as informações acima, em termos sociais e visando o equilíbrio do esporte, o que a hegemonia do G-14 significa?

Como a entidade defende única e exclusivamente seus próprios interesses, se pudessem, seus membros baniriam as seleções nacionais do planeta. Segundo eles, o investimento do clube em um atleta estrangeiro (principalmente de outro continente) representa um enorme risco a cada convocação, pois eles podem voltar lesionados, desfalcando-os durante meses. Então, por pressão do G-14, a FIFA, há alguns anos atrás, determinou que os clubes não são obrigados a ceder seus atletas estrangeiros para amistosos nem para campeonatos amadores. Além disso, virou quase obrigação as federações nacionais pagarem os altíssimos salários de seus jogadores que atuam no estrangeiro enquanto estiverem servindo às suas respectivas nações.

Os campeonatos nacionais de clubes na Europa tinham, em sua maioria, até o início da década de 1990, 16 clubes. Hoje, a maioria tem 20, alguns têm 18 e os que têm 16, 14 ou 12 só o têm porque são pequenos demais.

Isso provocou a queda do nível técnico em todos os campeonatos, pois representa o acréscimo de dois ou quatro clubes que, na prática, não teriam condições financeiras, técnicas e nem de ifnra-estrutura para estarem na 1ª e na 2ª divisão da maioria dos países: todos os clubes jogam de quatro a oito rodadas a mais do que antigamente, obrigando-os a disputarem rodadas de meio de semana que não existiam há 10 ou 20 anos atrás, acarretando em mais lesões, em um maior desgaste de seus atletas, em gastos maiores com viagens e estadias e em um maior cansaço, que acaba nivelando os melhores clubes com os medíocres da pior maneira possível.

Depois da abertura de mercado da União Européia, todos os jogadores nascidos em qualquer país-membro da UE é considerado quase como um cidadão nato do país cujo clube os contratou. Dessa forma, os clubes de nações ricas foram melhorando muito através da variedade obtida com a contratação de atletas muito diferentes do padrão étnico, físico e técnico predominante entre os seus jogadores nacionais.

Todavia, as seleções dos campeonatos nacionais mais ricos e mais badalados do planeta, Inglaterra e Espanha, respectivamente, não conseguem passar das quartas-de-final de uma Copa do Mundo há muito tempo: a Inglaterra, desde 1990, quando foi quarta colocada; a Espanha, desde 1958.

Quantas Recopas, Copas da UEFA, UEFA Champions League, Supercopas da UEFA, Finais Intercontinentais e Mundiais de Clubes foram vencidas pelos clubes da Espanha e da Inglaterra desde então? Mais de 10, com toda a certeza. A França, que tem obtido um destaque internacional muito maior do que Inglaterra e Espanha, é um país de campeonato fraco e de vocação exportadora há muito tempo. Isso fez com que ela tenha passado 12 anos sem disputar um mundial, entre 1986 e 1998. Apenas Itália e Alemanha ainda conseguem ter campeonatos onde a mescla de estrangeiros com nativos mantém seleções de ponta, apesar de seus campeonatos nacionais não serem plasticamente interessantes.

Platini gosta de campeonatos de seleções. Platini respeita as seleções da América do Sul e da África, pois foi um craque que tinha um futebol muito plástico, bem latino: hoje, a Europa possui muitos países a mais do que em 1990. A Tchecoslováquia se dividiu em duas, a Iugoslávia em seis e a União Soviética em quinze, sendo treze locadas no Velho Continente. Na atualidade, a UEFA ganhou 18 membros.

Há, portanto, 53 interesses nacionais diferentes. de vez em quando, verifica-se algumas pautas em comum a partir de países que compartilham idioma e traços étnicos, religiosos e culturais comuns, com reflexo direto sobre o futebol. Mas as reivindicações de fórmulas de disputa, de políticas de contratação de estrangeiros e de demandas financeiras mais veementes partem dos clubes.

Mas não estamos falando de todos os clubes de uma mesma divisão de um mesmo país, nem dos clubes da mesma região ou da mesma cidade: quem mais chora é quem mais mama. E os chorões são exatamente os 18 membros do G-14.

A riqueza material, a segurança e as oportunidades de amadurecimento mental e intelectual são fatores determinantes da atração que a Europa exerce sobre os jogadores do Brasil, da Argentina, do Uruguai, da Colômbia, do Chile, do Paraguai, do México, de Camarões, da Costa do Marfim, do Egito, de Gana e de Marrocos. Todo mundo deve ter o direito de ir e vir e, infelizmente, nossos clubes, o Estado, a iniciativa privada, as federações regionais e nacionais não têm como escapar da miséria, da insegurança e da falta de infra-estrutura, das quais o futebol é apenas uma dentre centenas de facetas sociais.

Platini tem muito o que fazer. Terá propostas rejeitadas na raiz por seus próprios pares, membros do comitê executivo da UEFA. Ao mesmo tempo, terá um aliado importantíssimo, que irá ajudá-lo a preparar terreno para ser presidente da FIFA: o atual mandatário-mor do futebol mundial, Sepp Blatter.

Sim: a tentativa de diminuir o poder de quem tem muito e de distribuir a riqueza visando o crescimento dos pequenos e, por conseguinte, um maior equilíbrio de forças tornando o esporte verdadeiramente global e, acima de qualquer coisa, muito mais atraente do que tem sido, são as maiores obsessões do novo presidente da UEFA.

Quem sabe a partir da segunda metade do mandato de quatro anos de Michel Platini no comando do futebol europeu não possamos voltar a observar um campeonato brasileiro mais forte, caso consiga aprovar uma limitação na contratação de estrangeiros? Quem sabe não possamos voltar a assistir a seleção brasileira jogando novamente dentro do nosso país? Quem sabe não possamos ter, na Olimpíada de Pequim, uma seleçã forte, reforçada por Anderson do Porto, Diego do Werder Bremen e por Denílson do Arsenal? Anderson, mesmo que não estivesse lesionado, não seria liberado pelo clube português, assim como os londrinos negaram-se a ceder Denílson para esta fraca seleção sub-20 que sagrou-se campeã sul-americana ontem à noite em solo paraguaio.

Isso que o Brasil é considerado um país “rico” pelo menos em termos da qualidade do patrimônio e do material humano através da mão-de-obra qualificadíssima que fornece aos europeus do meio para a frente…

Imaginem, então, a situação de um país africano: envoltos em uma miséria que faz do sertão brasileiro um oásis e em guerras sangrentas por um prato de comida, vários países africanos são obrigados a ver suas amadas seleções jogarem a maior parte de seus amistosos na Europa. Vejam bem: a única diversão possível para povos horrivelmente sofridos é o futebol que, para tristeza geral, está cada vez mais distante.

Pegando como exemplo a Costa do Marfim, dos excelentes Didier Drogba (Chelsea), Kolo Touré e Arouna Koné (PSV): de onde a FIF (Fèdèration Ivoiriènne du Football) tiraria dinheiro para pagar os salários de centenas de milhares de euros que esses craques recebem em seus clubes na Europa enquanto estivessem atuando pela sua seleção, hein?!

Da mesma forma, muitos jogadores jovens, recém saídos das fraldas, sequer ouviram a torcida de seus clubes do coração gritarem seus nomes e já estão na Europa. Muitos deles são contratados pelos integrantes do G-14. Cada integrande do G-14 costuma ter não 25 a 30, mas 40, 45 e até 50 jogadores profissionais sob contrato. Sem espaço para jogarem nesses grandes clubes, alguns são emprestados sem possibilidade de negociação em definitivo, mas a grande maioria permanece no limbo, ora atuando pelo time B, ora apenas participando de coletivos entre os reservas contra o sub-21 e o sub-19.

Sem ritmo de jogo, dezenas de jovens valores deixam de ser observados e lembrados para as seleções de seus países. Independentemente de terem 16, 17, 18, 19 ou 20 anos, vários deles teriam condições técnicas e emocionais de segurarem o rojão da seleção principal. Só que quem não é visto, não é lembrado. Então, perdem em ritmo de jogo, decaem tecnicamente e suas seleções igualmente perdem qualidade.

Se terá competência, não sei. Se será bem assessorado, não sei. Se já possui experiência e poder político suficiente, tampouco sei. Mas o novo presidente da UEFA e futuro presidente da FIFA tem o meu apoio incondicional até o momento.

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Platini x G-14

O novo presidente da UEFA, Michel Platini, terá um osso muito mais duro de roer do que a oposição de Franz Beckenbauer.

Com base no artigo de 23/01 do comentarista Phil Holland da ESPN Soccernet, tudo indica que o francês pretende impedir – até onde seus poderes possam permitir – os clubes europeus de negarem-se a ceder jogadores para seleções nacionais do mundo inteiro. Além disso, suas declarações me levam a pensar que é contra a obrigatoriedade de toda e qualquer federação nacional ter de pagar os salários aos jogadores enquanto estiverem servindo às suas respectivas seleções.

Platini também pretende propor, na assembléia da UEFA marcada para abril, a redução do máximo de quatro para três clubes participantes da UEFA Champions League nos países melhor ranqueados. Sabe-se que Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha e França opor-se-ão diametralmente à essa medida.

Embora ainda não tenha descoberto na web nenhuma declaração isolada de nenhum delegado representante, creio que a pequena diferença de votos a favor de Platini (27×23 e dois votos nulos) tenha sido decidida pelos representantes das maiores federações, ao passo que os votos para o veteraníssimo Lennart Johansson muito provavelmente tenham vindo majoritariamente dos países grandes e médios da Europa.

Explica-se o provável apoio da maioria dos países europeus de maior tradição no futebol a partir das realizações da gestão Johansson, que beneficou a todos os pesos-pesados.

O ex-presidente sueco foi o grande responsável pela transformação da Copa dos Campeões, um torneio antigo sempre no “mata-mata” cujos participantes eram exclusivamente os campeões nacionais, na grandiosa, rica e glamourosa UEFA Champions League, a partir de 1992.

Essa foi a grande realização dos 17 anos em que o sueco esteve à frente da confederação européia. A Champions tornou-se global a partir de um pesado investimento em marketing, de uma nova fórmula e, sobretudo, da garantia de que os principais campeões, vices e terceiros lugares entram direto na fase de grupos, que traz aos clubes um retorno financeiro muito alto.

A antiga Copa Européia de Nações transformou-se em Euro. A duração da competição aumentou, o número de participantes na fase final também: de 8 para 16. Mas isso foi decidido na gestão anterior. Daqui para a frente, tanto ele como Platini são favoráveis à expansão de 16 para 24 participantes a partir de 2012. Apesar do caráter eleitoreiro, a desculpa é o grande aumento de países-membros após a dissolução de URSS, Iugoslávia e Tchecoslováquia em 21 países.

Por último, a UEFA Cup agora possibilita a clubes do segundo escalão dos países tradicionais e aos maiores de países médios disputar o dobro de partidas que costumavam jogar na antiga fórmula exclusivamente “mata-mata”, onde quem perdia a melhor de duas estava fora da peleia.

Desconfio que, entre os 23 votos recebidos, a esmagadora maioria dos seguintes países deve ter dado seu aval para mais uma reeleição de Johansson: Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França, Portugal, Holanda, Grécia, Rússia, Ucrânia, Escócia, Bélgica, Dinamarca, Suíça, Áustria e República Tcheca.

É quase certo que Platini tenha sido eleito majoritariamente pelos pequenos: sua declaração de que pretende equilibrar as forças no continente europeu através de medidas mais populares (ou populistas?! Só o tempo dirá), agradam ao presidente da FIFA Joseph Blatter, que acabou atuando informalmente como um privilegiado cabo eleitoral.

Ora, se o novo presidente deseja excluir a quarta vaga dos três maiores ranqueados da UEFA e pretende obrigar todos os clubes do Velho Mundo a liberar seus convocados para as seleções de origem sempre que solicitados sem que as federações nacionais paguem os salários dos boleiros, está declarada a guerra contra o poderosíssimo G-14, uma espécie de Clube dos 13 dos ricos.

Isso vai dar o que falar. Só quero ver se o discurso vai condizer com a prática ou não.

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