
Rafael Nadal, pentacampeão de Roland Garros e bicampeão de Wimbledon morde a COPA DO MUNDO FIFA junto do seu amigo, o goleiro e capitão da FURIA, Iker Casillas, com o qual já protagonizou várias campanhas beneficentes
Após oito dias sem postar nada neste blog em função da sempre atarefada semana final do semestre na @comdig @unisinos, retomo o contato com os antigos e os novos interagentes. ;)
O PVC costuma dizer que, desde que a UEFA conseguiu tornar as suas competições interclubes mais rentáveis e muito mais expostas mundialmente em todas as mídias do que quase todos os eventos da FIFA, o calendário da Copa do Mundo passou a cada vez mais tornar-se um empecilho para o desempenho completo dos principais jogadores e das principais seleções do Velho Mundo. Afinal de contas, quem atua em cerca de 70 partidas por ano e – de quebra – ainda precisa doar-se para o seu país exatamente naquele mês em que deveria estar gozando férias reparadoras, terapêuticas e desopilantes dificilmente conseguirá manter o mesmo foco e a mesma sanidade que demonstrou na temporada anterior.
Paulo Calçade afirmou que a Copa do Mundo é um torneio no qual os melhores não são necessariamente os melhores ao longo do tempo mas, sim, os melhores daquele mês especial que ocorre somente a cada quadriênio.
A mística não é baseada em fatos concretos cientificamente comprovados e exaustivamente testados ao longo de muito tempo a partir da alteração da intensidade de todas as variáveis que a compõem. No entanto, significa a esperança, a curiosidade e a crendice popular, muitas vezes utilizada como uma forma de estímulo para os jogadores e para a comissão técnica. A grosso modo, serve para divertir e vender produtos midiáticos. Diz um desses mitos que as seleções que chegam desacreditadas e que não obtêm resultados avassaladores nem apresentam atuações convincentes no início da competição têm a chance de ser os próximos campeões.
O Barcelona e o Real Madrid disputaram a liga espanhola ponto a ponto e gol a gol até a última rodada. O Barcelona foi eliminado apenas nas semifinais da UEFA Champions League. E a FURIA conquistara a Euro há apenas dois anos atrás com a mesma base de jogadores que, naquele momento, também abdicaram de suas férias no período normal.
Dentre os titulares, o goleiraço e capitão 1 Iker Casillas; o lateral direito 15 Sergio Ramos e o centromédio 14 Xabi Alonso são todos merengues, assim como a dupla de zaga 3 Gerard Piqué e 5 Carles Puyol mais o outro centromédio Sergio Busquets, os habilidosíssimos meias 6 Andres Iniesta e 8 Xavi além dos atacantes 7 David Villa e 18 Pedro são todos blaugrana.
Como se dez titulares dos dois maiores clubes espanhóis em todos os tempos não fossem o suficiente, o Real Madrid abastece LA ROJA também com o zagueiro 2 Raúl Albiol e o lateral-esquerdo 17 Alvaro Arbeloa. E a lista do Barça não termina em seus sete titulares, não: o terceiro goleiro 1 Victor Valdés também faz parte da constelação catalã.
Treze jogadores em um plantel de 22 seriam uma exceção à hipótese de Paulo Vinicius Coelho ou tal fato representaria uma nova ordem?
Outra informação que contesta essa antiga observação do melhor comentarista do país é o fato de que o melhor jogador da Copa de 2010, o uruguaio Diego Forlán, disputou a Europa League até o seu final. Aliás, El Jefe Rubio marcou os dois gols que deram o título ao seu Atlético de Madrid em maio último.
Cabe ainda salientar algumas observações unânimes entre o melhor trio de comentaristas brasileiros (o mesmo PVC, Paulo Calçade e Mauro Cezar Pereira, todos dos canais ESPN e da Rádio Eldorado ESPN), a saber:
– Um dos maiores favoritos pode, sim, conquistar a Copa do Mundo;
– Esporte é continuidade, repetição e crença na metodologia: a antiga fama de “amarelona” da Espanha cai por terra quando listamos os seus últimos resultados desde as categorias de base a partir de pouco mais de uma década para cá. O investimento na maioria dos nomes citados desde a tenra idade formou um grupo maduro, consciente daquilo que executa, objetivo e pragmático, ainda que sensacionalmente técnico.
Aliás, como bem lembrado por Calçade e Mauro Cezar, o próprio Brasil tetracampeão em 1994 possuía muitos ex-campeões mundiais Sub-20 de 1983 e de 1985 no seu plantel (Taffarel, Jorginho, Aldair, Branco, Dunga, Müller, Bebeto e Romário – apenas para citarmos alguns).
Cito que a boa campanha de Gana, a melhor seleção africana do Mundial, teve pelo menos quatro campeões mundiais Sub-20 em 2009 – inclusive o melhor meio-campista da equipe, Andre Ayew, filho do ídolo Abedi Pelé (carinhosamente apelidado por mim como ‘Araghorn, filho de Arathorn’). No caso dos Estrelas Negras, a manutenção de cerca de 60% do plantel que disputara a Copa de 2006 foi, ao contrário do que infelizmente tem ocorrido com Camarões nas últimas décadas, não o fruto do envelhecimento em meio a uma entressafra mas, sim, o aproveitamento de uma geração jovem e bem-sucedida que ora mostra-se amadurecida e ainda jovem.
A encantadora Alemanha apenas revigorou-se e pôde apresentar um futebol envolvente a partir do aproveitamento dos campeões europeus Sub-21 de 2009 em posições-chave, tais como o zagueiro 14 Badstuber, o lateral esquerdo 20 Jerome Boateng e os excelentes meias 8 Mesut Özil e 13 Thomas Müller (este último eleito o Chuteira de Ouro da Copa, com cinco gols e três assistências).
Diria que a máxima de PVC aplicou-se claramente às seleções do Uruguai e da Holanda: tanto o quarto colocado como a vice-campeã possuem pouquíssimos jogadores que disputaram títulos desgastantes pau a pau contra rivais poderosos até o desfecho da última temporada europeia. As exceções foram justamente o melhor jogador de cada uma dessas boas seleções e o fiel escudeiro da segunda: o já citado 10 Diego Forlán dos charruas e o 10 Sneijder, que foi fundamental para a conquista da UEFA Champions League pela Internazionale, assim como o vice-campeão 7 Arjen Robben, pelo Bayern München.
Outra boa desmentida da antiga “máxima” de PVC é o fato de a seleção da Alemanha contar com o vice campeão da Champions e campeão da Bundesliga Bayern München como base: o goleiro reserva 22 Butt; o lateral-direito 16 Philipp Lahm; o zagueiro 14 Holger Badstuber; o centromédio 7 Bastian Schweinsteiger e o meia 13 Thomas Müller, além dos atacantes 11 Miroslav Klose e 23 Mario Gomez.
Um detalhe importante: as seleções que fracassaram e que delas se esperava muito mais (Brasil, França, Itália e Inglaterra) não seguiram o mesmo padrão. Por isso, torna-se bastante difícil diagnosticar exatamente se o seu fracasso foi meramente técnico-tático caso alguns de seus convocados tivessem sido outros atletas.
A Inglaterra e a Itália contam com uma ampla maioria de seus jogadores atuando nas suas fortes e ricas ligas nacionais. Isso facilita as convocações e também o entrosamento em função da proximidade da vivência entre eles. Já Brasil e França apresentaram uma geração envelhecida e menos privilegiada tecnicamente do que de costume.
África, Ásia, América do Norte/Central/Caribe e Oceania apresentaram apenas uma única seleção capaz de impressionar: a mescla amadurecida e rejuvenescida Gana, que foi vítima de seus próprios nervos no jogo mais sensacional da Copa frente a um bravíssimo, orgulhoso, experiente, frio e competente Uruguai.