SÃO AS ARENAS, ESTÚPIDO!

Leia isto com atenção. Após uma análise fria dos dados, será que a sua conclusão será muito diferente da minha?
Os estádios são precários.
Os horários são péssimos.
Os ingressos são caros.
Os times são ruins.
Além do resultado de campo e de algumas vantagens nos valores de serviços de parceiros, o que poderia fazer o torcedor se associar?
Melhores estádios obviamente cobram preços bem mais altos a fim de manter a estrutura funcionando e de proporcionar lucro.
Porém, a velocidade do crescimento da economia não é tão grande assim e a diversidade de opções de lazer é grande.
Se há 12400 famílias de classe AB na Grande POA (universo de 3.400.000 habitantes), o pessoal que pode pagar 20 contos de estacionamento, ingresso de cadeira lateral (80) e um nº1 do MacDonald’s (porque não vai mais ter a Towner da “tia” nem o “entrevero” do boteco) não enche um estádio de 50000 lugares. Melhor dizendo, não enche a metade e, por melhor tratado que seja, sem time, não há público. Além disso, dependendo do adversário e do clima, nem vão.
O desafio de um marketing verdadeiramente profissional é MONSTRUOSO dada a realidade da baixíssima média de ocupação dos estádios brasileiros.
Isso que falamos apenas em Série A, grandes capitais, grandes clubes…
A realidade do êxodo cada vez mais precoce de talentos; o retorno de medalhões já operados em alguma articulação e a total falta de identidade dos atletas de outros estados para com a maioria dos clubes para os quais atuam aliada à sua curta permanência em cada cidade afastam o público.
Mesmo nos raros casos em que os dirigentes são gestores e técnicos competentes em suas respectivas áreas e estão no lugar certo, na hora certa e com a companhia ideal, ainda assim é preciso rodar a baiana para ter que remontar o plantel a cada meia temporada.
O Brasil possui pouquíssimos técnicos com formação e cultura tática. A maioria deles é motivadora e esse discurso possui um prazo de validade muito curto.
O desafio é sério e a necessidade de encará-lo está cada vez mais próxima…

O GRÊMIO E SUA GOVERNANÇA AMADORESCA

Essa de “exército de ferro, exército espartano com a alma castelhana” inventada pelo Pedro Ernesto Denardin é uma construção midiática sensacionalista que forjou uma maneira de pensar o clube como se bastasse ter jogadores baratos e brigadores pra se montar um time. Os resultados comprovam que, infelizmente, o futebol contemporâneo não permite mais competir em pé de igualdade com clubes ricos.

Hoje, o Grêmio é um clube rico em história. Contudo, o que muitos consideram como um valor atávico, intrínseco e naturalizado do nosso tricolor não passa de uma mera construção baseada em coincidências.

A primeira delas conta que o técnico precisa ser gaúcho pro time conquistar campeonatos de nível nacional e internacional. Nunca pararam pra pensar que eestão embutidos dois problemas graves nessa máxima? a) Tal pensamento desestabiliza a confiança e o apoio a um profissional de fora. Resultado: ele acaba ficando menos tempo aqui porque não recebe suporte suficiente para compreender a cultura da instituição e tampouco um plantel minimamente confiável; e b) Sempre que se contrata um treinador gaúcho de competência duvidosa, ele também acaba tendo uma sobrevida que perdoa demais uma série além do tolerável de resultados esquálidos obtidos sob a sua coordenação.

Outra mera coincidência é a de que, para se ganhar uma Libertadores, é necessário ter um “xerife” de origem castelhana: o mais “macho”, o mais forte, aquele que distribui mais pontapés, o mais malandro. De León era bandido?! Arce era mal encarado?!

A terceira grande bobagem tida como virtude: costuma-se dizer que basta termos um centromédio “espanador” e “macho”. Tirando Lucas Leiva e o atual ocupante da posição Adilson, me digam, depois de Dinho (que batia, sim, mas passava que era uma beleza) um outro centromédio que soubesse jogar bola e eu dou um Sonho de Valsa de presente. Nessa posição, é CRUCIAL saber retomar a bola e tocá-la para o armador ou, então, lançá-la para o ataque sem rompantes de Prof. Pardal. Onde se começa a impor o ritmo de jogo e onde se começa a proteger a zaga não se pode contar apenas com a virilidade. Finalmente, mais do que no miolo de zaga ou na armação, a pior posição para se ter um titular expulso ou lesionado é a de centromédio.

Pois bem: tais mitos foram repetidos à exaustão por muitas gestões sem nenhuma comprovação estatística ou científica de sucesso CONTINUADO. A curto prazo, essas escolhas obtiveram resultado. Contudo, trata-se de um modelo que desgasta-se rapidamente. Portanto, a qualidade técnica e a atitude são os fatores que realmente importam na montagem de um plantel vitorioso.

Meu medo no início da temporada está se concretizando: na base da garra sob a  tentativa de montar um time de qualidade juntando um bando de jogadores ruins e sem atitude, a botafoguização do Grêmio é iminente. Com Ruy, Túlio e outros “símbolos” de uma torcida há muito carente, o alvinegro carioca desperdiçou muitas chances de obter uma vaga à Libertadores ou de decidir uma Copa do Brasil nos últimos quatro anos em função da base emocionalmente instável que ora trabalha no Olímpico.

Como já falei no post anterior sobre a questão Maxi López, um olheiro experiente e poliglota com uma rede social ampla (técnicos, dirigentes, jogadores e jornalistas) é um cargo importantíssimo que não pode mais ser negligenciado justamente por poupar muito mais tempo e dinheiro do que se possa imaginar.

Logo, não vou me enganar e nem ao gremista que me dá o privilégio de ler meus textos: o plantel é fraco demais. Ponto. Como diria Mino Carta, é sabido até pelo mundo mineral que o clube está estendendo a latinha na calçada e que, salvo momentos esparsos de contratações baratas e certeiras, essa medida tem que ser vista como um paliativo e não como uma política permanente. Ela é o possível apenas neste triste período pós-ISL tdo qual talvez ainda levemos mais uma década  inteira até podermos nos equiparar a um São Paulo, Cruzeiro ou Inter em termos de frequencia e continuidade no pódio.

O Grêmio não vai à Libertadores em 2010. O Grêmio não vai passar pelo Cruzeiro. E não é porque eu não quero, nem porque eu sou vidente: é porque depende da sorte e não de sua competência. Mas eu não deixo de ir aos jogos. Por que? Porque, ao invés da “imortalidade” e do “alento custe lo que custe”, eu adoro correr o risco de ter dito uma grande besteira, de estar redondamente enganado, de ver o time, o técnico e a direção me fazerem morder a língua.

Enfim: pensamentos mágicos não são de agora. E não são coisa do presidente Duda, assim como segui-los não representou nenhum sucesso absoluto da gestão Odone. Em 1983, tínhamos pratas da casa (dentre os quais o maior gênio da história do futebol mundial) e craques experientes. Em 1985, tínhamos pratas da casa excepcionais, dois jovens talentos desperdiçados por Vasco e Flamengo (o que é cada vez mais comum naquela “zona” que se chama futebol carioca) e um técnico que dispensa maiores apresentações.

De lá pra cá, se tem gastado muito por jogadores bons a razoáveis que não deram certo no exterior, que ficam somente uma temporada por aqui. Isso nos obriga a remontarmos o plantel para a temporada seguinte. Porém, a falta de um especialista faz com que as negociações sejam lentas e evitam que o Grêmio consiga encontrar todas as opções disponíveis em função do seu escasso orçamento.

Enfim… Nos vemos obrigados a conviver com uma entressafra de idéias e de pessoas dentro de um contexto de penúria financeira. O Grêmio da primeira década do século 21 repete o Inter da década de 1990 e o Inter atual repete o Grêmio da primeira metade da década de 1980 e da segunda metade da década de 1990 porque, lá, houve uma verdadeira renovação. Quem havia ouvido falar de Vittorio Piffero, Fernando Carvalho ou de uma gestão de marketing composta por um vice-presidente e por mais seis ou sete diretores especializados há 10 anos atrás como protagonistas do clube vizinho?

O Grêmio, infelizmente, ainda vive ou de dinastias, ou de agregados dessa dinastias. A pretensa “democracia representativa” é tão farsesca e hipócrita dentro do clube que todo associado interessado em ser conselheiro é praticamente obrigado a rezar a cartilha desses clãs sob pena de não obter apoio para nada.

O Grêmio é um grande PMDB. Quando digo isso, não é necessariamente porque as pessoas sejam predominantemente incompetentes, porque apelem para conchavos e para o “jeitinho” ou porque sejam parentes de velhos conselheiros. Apesar desse fator ser clientelista, paternalista e oportunista, o que mais pesa nessa questão é a falta de objetivos, de plataformas, de metas e de conhecimento técnico qualificado. Quando falo em conhecimento qualificado, não me refiro a advogados, engenheiros, médicos, administradores, comunicadores e economistas mas, sim, de uma visão holística do clube. O que quero dizer com isso? Que uma doença financeira não pode ser curada com uma medida profilática voltada exclusivamente ao simplismo do binômio receita/despesa e do corte de gastos desimportantes mas, sim, a partir da conscientização e do culturamento de funcionários pagos, de dirigentes abnegados e de dirigentes profissionalizados acerca do que é e do que significa o Grêmio. Isso existe, mas precisa ser intensificado e naturalizado.

Ao mesmo tempo, a terceirização de diversos setores para não onerar o pagamento de impostos é uma das maiores mentiras do neoliberalismo econômico: na maioria das empresas públicas ou privadas com no mínimo 30 anos de atuação no mercado, tem-se a média de aumento de gastos na ordem de quase 300% com o custeio de serviços externos em detrimento da montagem de equipes funcionais especializadas dentor do próprio clube. Não, a intenção não é a de criar um cabide de empregos nem de desconfiar da competência dos contratados externos: isso, sim, é economia E investimento, já que o terceirizado, mesmo que seja gremista, não terá a obrigação nem o sentimento de ser e de fazer parte da instituição: quando sua tarefa terminar, é tchau e bênção.

Enquanto isso não mudar, as oscilações e os riscos tenderão a ser maiores do que as estabilidades e os ganhos.

GRÊMIO, CONTEXTO, TÉCNICO, PLANTEL, FINANÇAS, 2009

Talvez eu seja um dos raros gremistas que nunca nutriu nenhum sentimento negativo em relação ao técnico Celso Roth, embora admita que suas convicções teimosas e o seu tempo no mercado tornam qualquer campanha imprevisível, já que é comum ele acertar quando menos se espera que ele acerte ou, pelo contrário, que Roth erre quando a maioria acha que ele iria acertar.

O Paulo Vinicius Coelho (é sem acento, mesmo), o PVC da ESPN Brasil e colunista da Folha, pra mim, é o melhor comentarista do país porque ele trabalha sempre baseado em estatísticas. O cara é uma enciclopédia ambulante da história e das escalações de todos os times lendários do país, não apenas os do eixo Rio-São Paulo. Ele deve ter uma biblioteca monstruosa e uma quantidade de contatos gigantesca, além de uma memória privilegiadíssima.

Ano passado, ele falou duas coisas que me marcaram bastante:

1) Roth nunca fez uma campanha pior do que 58% em nenhum campeonato que tenha participado. Isso garante vaga na Sul-Americana e, dependendo da temporada, pode também garantir um 4º ou 5º lugar e vaga na Libertadores. Quando seus times não chegaram a essas posições, foi porque ele chegou no meio da temporada pra apagar algum incêndio, isto é, pra salvar do rebaixamento;

2) O São Paulo tendia a dar poucas chances para o Goiás na última rodada porque jogava pelo empate e jogaria pela 11ª vez com o mesmo trio de zagueiros (Rodrigo, Miranda e o outro não lembro) que não havia perdido nenhuma partida. E, até aquele momento, o São Paulo não dava mostras de nervosismo, pois seu número de cartões e de expulsões estava abaixo da média.

Parece bobagem, já que o futebol é apaixonante justamente por ser um dos raros esportes em que o favorito nem sempre ganha (os outros considero os esportes a motor, que dependem de máquina e clima). Contudo, esse detalhe, que parece uma preocupação “americanizada”, é superimportante, pois determina uma TENDÊNCIA MUITO FORTE, com uma margem de acerto muito alta (acima de 80%).

Então, eu parei totalmente de ouvir rádio, só dou uma passada de olhos no Correio do Povo e não assisto mais a programas de debates entre comentaristas gaúcho. Sinceramente, eles são muito amiguinhos de alguns dirigentes (Fernando Carvalho, que os recepcionava com churrascos em seu escritório) e jogadores e “inimiguinhos” de outros (Celso Roth, por não submeter-se com sangue de barata às suas inquisições inócuas) pra serem levados a sério. Podem até ser senhores de respeito e profissionais tecnicamente corretos. Porém, a postura, o vocabulário, o tipo de análise e, finalmente, o fato de defenderem e valorizarem o Gauchão, que não leva nem os times do interior a lugar algum, me afastam desse tipo de discussão.

Se era pra trocarmos de técnico, isso teria que ter sido feito no verão, logo após o término do Brasileirão. Mas era justo que se tentasse manter Roth, apesar do time ter entregado o título, em função de sua posição inédita e da melhor campanha do GRÊMIO em um Brasileirão de pontos corridos. Dada a supremacia econômica do São Paulo, do Palmeiras, do Cruzeiro e do Internacional; ao trabalho profissional realizado pela parceria do Fluminense com a Unimed; à estabilidade nas contas do Santos e, finalmente, ao fato de que o Flamengo (mesmo em crise) possui um plantel parelho com o do GRÊMIO, considero que fizemos milagre em função da nossa penúria financeira, que nos impede de contratarmos jogadores experientes, porém não-bichados; com boa qualidade técnica E atitude. Por isso, nosso capitão é uma pessoa boa, porém instável emocionalmente e ele transmite um certo medo ao restante do grupo.

Insisto mais uma vez: aquele time campeão da Série B não teria mantido o GRÊMIO na Série A. O nível de exigência é muito diferente. Prova disse é que o pessoal da ESPN Brasil (principalmente os chefes de reportagem e principais comentaristas, PVC e Mauro Cezar Pereira – é com Z, mesmo) não duvidam, porém acham difícil que o Corinthians seja capaz de classificar-se à Libertadores 2010. Se nada mudar na janela de verão (europeu), com muita garra e uma dupla iluminada (Ronaldo e Dentinho), eles deverão garantir uma vaga na Sula. Pra Libertadores, o furo fica bem mais embaixo.

Não tenho o hábito de cuspir no prato em que comi. Eu relembro a história, reverencio ídolos, reconheço o trabalho competente que deu saudade e valorizo muito a contribuição de quem já passou pelo nosso GRÊMIO. De qualquer forma, apesar da regularidade e de uma certa surpresa com o 3º lugar em 2006 recém voltando da Série B, o GRÊMIO tinha, sim, um plantel um pouco mais qualificado do que os de 2007 (vice-campeão da Libertadores) e, mais ainda, do que em 2008. Hugo e Diego Souza entrariam com um pé nas costas nesse time, além de Pereira ser um jogador regular que não poderia ter sido excluído do clube. Lucas, Carlos Eduardo… Comparem: Roth só tem de melhor do que Mano à sua disposição os dois laterais.

E, de maneira geral, a maioria de nossos jogadores não tem COJONES pra chamar a responsabilidade pra si. Quando o fazem, o fazem com medo de errar. A única frase do prof. dr. Luxerlei Vanderburgo que considero interessante é: “O MEDO DE PERDER TIRA A VONTADE DE GANHAR”.

Por fim, como já falei em um recente post em vídeo, apesar das proporções serem quase incomparáveis (um técnico e 60% de um plantel tricampeões brasileiros, muito dinheiro e muito poder político), a campanha do São Paulo no Paulistão é praticamente igual à do GRÊMIO e nunca ninguém falou em mandar técnico e jogadores embora. Não se enganem: o SPFC põe muito dinheiro fora com contratações caras que não dão certo. Além disso, o Muricy já cansou de ser muito mais estúpido com a imprensa do que o Roth e já cometeu erros crassos em jogos.

Isso posto, por mais que eu queira, não vou cobrar da direção nem do plantel ou do técnico algo que, quase com certeza, infelizmente eles não tem condições de proporcionar à torcida do GRÊMIO em 2009: uma vaga à Libertadores 2010.

Contudo, mesmo que se mude de técnico após uma eliminação na Libertadores 2009 (a não ser que cheguemos pelo menos à final), irei torcer até o fim, elogiando o que tiver que elogiar e criticando o que tiver de criticar.

Ainda assim, em função de alguns jogos na altitude e da dificuldade de ganhar fora de casa, o percentual médio de Roth (58%) é mais do que suficiente para ser campeão da Libertadores – e bem.

Com tudo isso, não quero defender demais a quem não precisa de advogado de defesa, nem atacar com exagero e má vontade a quem não cometeu erros suficientemente graves para merecer ser tratado dessa maneira. Ao mesmo tempo, o fato de eu insistir na falta de atitude deste plantel (o que provavelmente irá levar o GRÊMIO a uma ‘cucana botafoguização’) e na penúria financeira (na qual ninguém mais fala) tem como objetivo evitar que a torcida se iluda. O trabalho é o POSSÍVEL, de acordo com nossos bolsos quase raspados. A farra da ISL quase acabou com o clube, que ainda demorará cerca de uma década de trabalho quase perfeito fora de campo para se estabelecer no mesmo patamar do SPFC, do Cruzeiro e dos fragários.

Por hora, o melhor que temos a fazer é apoiar, alentar, torcer, valorizar, respeitar. Mas, acima de tudo, criticarmos com uma certa compreensão desse contexto desfavorável. No fundo, o que eu quero não é me conformar mas, sim, SER SURPREENDIDO NOVAMENTE.

GM PERTO DA FALÊNCIA

[gm.jpg]

A notícia divulgada pelo RS URGENTE do jornalista e filósofo MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER, também um dos editores da AGÊNCIA CARTA MAIOR, oferece uma série de indícios que ajudam até mesmo a um leigo como eu a tentar desvendar o porquê dessa notícia que, de surpreendente, não tem nada.

A GENERAL MOTORS é uma empresa centenária que manja quase tudo de marketing, logística, economia de escala e investimento no mercado financeiro. Portanto, não possui o perfil daquelas que entrariam em processo de falência da noite para o dia. Afinal de contas, nos dias atuais, ainda não se sabe de nenhum crack da bolsa de NY nem de alguma monumental falcatrua realizada pela empresa e por suas “sistemistas” – a não ser o que houve na ENRON, mas acho que uma coisa não pode ser associada a outra. Portanto, não é nada normal verificar “cagadas” sucessivas em tal nível de excelência.

São vários os fatores publicamente conhecidos por não-especialistas que provocam tal situação:

1) A melhor relação custo-benefício do carro coreano e japonês, que invadem os EUA desde a década de 1980;

2) A sempre melhor qualidade técnica, performance de motor e obsessiva preocupação com design e ergonomia da indústria automobilística européia (a maioria dos meus conhecidos que sacam tudo de mecânica e de dirigibilidade e vivem nos EUA são quase unânimes ao afirmarem que ‘gringo não sabe fazer carro’);

3) A absurda alta no preço do petróleo na última década e o desinteresse da indústria energética em substituir uma matriz altamente poluente de valor agregado ínfimo por uma série de tecnologias cuja pesquisa e desenvolvimento já as colocam em ponto de industrialização massiva.
____________________

Já repararam que, salvo raras e honrosas exceções, quando uma empresa global decide investir em um país mal-administrado, corrupto, de baixa escolaridade, baixa média salarial, grande contingente de excluídos e assim por diante vem a sua publicidade e o séquito de puxa-sacos e lobistas que garantiram a ela o incentivo fiscal e o argumento do desenvolvimento de um município ou região única e exclusivamente pelo ICMS (mesmo que este só passe a ser recolhido 30 anos após a instalação da planta)?

Já repararam que, no mesmo modelo de negócio, ninguém discute o que é desenvolvimento quando, na verdade, há carência de mão-de-obra especializada e deve-se contratar a maioria dos profissionais de curso superior e técnico de outros estados?

Já repararam que eles mentem quando afirmam que trarão ciência e tecnologia para uma região que não possui tamanho nível de desenvolvimento quando, na verdade, o que trazem é única e exclusivamente um caríssimo sistema de produção de commodities, pois são incapazes de inovar porque seu único objetivo é desovar e faturar?
____________________

Gravataí e seu deputado e ex-prefeito Bordignon caíram no conto. Ou será que eu, que prefiro desenvolvimento sustentável e investimento constante SEM ARREGO para quem não precisa de dinheiro do estado que estou “errado”, já que eles se contentam com o ditado “é melhor do que nada”?!

Mas que nada é esse se a pequena agricultura gera muito mais ICMS e empregos do que uma indústria de automóveis?! Qualquer jornal ou revista especializado em economia dos EUA, do Reino Unido, da França ou do Japão sabe disso.
____________________

Tomara que eu esteja redondamente enganado. Porém, dentro de um prazo de cinco a dez anos, é bastante provável que a região de Gravataí, caso não haja investimento verdadeiro em ciência, tecnologia, educação, saúde e cultura bem acima da média e já compatível com os poucos porém verdadeiros benefícios diretos gerados pela GM no município (um amigo meu está abrindo uma franquia de uma rede de pizzarias de primeira linha lá porque há uma boa classe média dentre seus 300 mil habitantes que se deslocam todos os finais de semana para comer a porcaria das pizzas rodízio da Assis Brasil), fique como pobres criancinhas que criaram-se brincando com fazendinhas de mocotó e, um dia, um grupo de “tios” solidários foi lá de surpresa em um Natal, ofereceu brincadeiras, palhaçadas e deu brinquedinhos de plástico para todos.

Num belo dia, as crianças maiores arrancaram o brinquedinho das menores e foram embora para a cidade grande.