1. Renato tinha o desejo particular alimentado por um pedido de sua mãe para vir treinar o Grêmio e dar-nos um título;
2. Sabe-se lá por que, Renato aparentemente parece ter apagado os vínculos afetivos e identitários de sua vida pregressa no RS: não se sabe se ele chegou a procurou os antigos e nem mesmo se fez alguma questão de ter novos amigos por aqui. Vive isolado no hotel;
3. Tenho a informação de que Renato possuía bom relacionamento com o ex-presidente Duda e com o vice e o diretor de futebol Guerra e Rui, respectivamente. Com eles, bebia um chopp e comia uma carne. Mesmo assim, sem muita intimidade ou frequência;
4. Também tenho a informação de que Renato poucas vezes foi tratado com assertividade por Odone, Vicente, César Cidade e José Simões. Entendam: nunca faltou respeito e não se pode falar em frieza ou em má vontade mas, sim, em falta de tapinha nas costas, de levar um papo numa mesa de bar sobre o time, sobre o clube, conversar um pouco sobre a vida fora do futebol (eu vivi no Rio de Janeiro e trabalhei com setoristas dos clubes – Renato preza muito isso). Segundo as mesmas fontes, essa é a maneira didática de o Renato poder ouvir e repensar certas insistências que tem dado errado para então repensar;
5. 3 e 4 também tem a ver com a pouca disposição de Renato em se abrir. Como ele sempre fez questão de aparentar uma imagem de forte e de fanfarrão, procura evitar demonstrar suas fraquezas. Dessa forma, não parece ser nada simples ele poder considerar algum conhecido recente como um amigo de fato;
6. Em Porto Alegre, Renato não tem sossego: ele não pode ir a restaurante algum, shopping, teatro, cinema. Ele não é de andar com seguranças nem de se disfarçar. Infelizmente, o assédio exagerado compromete demais a liberdade individual e isso cansa, deprime e estressa. A vida de ninguém deve se resumir somente ao trabalho;
7. Renato gosta de praia e calor. POA não tem isso. E ele tem muito menos possibilidades de ir ao Rio do que poderia imaginar. Isso eu entendo, pois eu tenho pavor de clima frio e me sinto mais forte e mais confiante com a energia do sol, da areia e da imensidão do mar. Pra muita gente, isso é sinônimo de qualidade de vida;
8. Renato é absolutamente apaixonado pela Maristela e pela Carol. A falta delas é monstruosa no dia a dia dele. Já foi noticiado que a Maristela iria vir pra cá pra ele sair do hotel e eles morariam em um apartamento da família dela. Também foi especulado pela imprensa de que a Carol também tinha vontade de vir pra cá nos feriadões, em alguns finais de semana, etc. Mas aí é bem possível que o Renatão pai ciumento deva ter abortado a ideia;
9. Por mais que quisesse enganar a mim mesmo, sempre senti que ele seria um técnico com prazo de validade curto. Porém, a sua estada aqui seria muito intensa para toda a nação tricolor dos pampas;
10. Considero Jorge Kajuru como um polemista de baixo nível. Neste caso, ele pode ter sido suficientemente antiético a ponto de por no ar um off do Renato. Porém, Renato sabia do risco que estava correndo. Não foi trote e ele não falou ingenuamente. Por outro lado, o “eu não te contei nada” que Renato disse a Kajuru não significou em momento algum um pedido CLARO e VEEMEMENTE do técnico para que o jornalista mantivesse sigilo ou, então, que guardasse a informação para torná-la pública em um momento subsequente;
11. O custo de sua permanência aqui foi o alto salário que ele pediu para renovar. Incluída nesse custo estava a já declarada intenção de Odone e Vicente de contarem com outro técnico antes mesmo de serem eleitos. A pressão da torcida caso eles não tivessem feito um novo contrato estendendo a permanência de Renato aqui seria insuportável: em uma fração de segundos, a Geral teria mudado de lado e isso comprometeria até mesmo a crença em uma possibilidade de popularizar a associação de torcedores a baixo custo e o valor simbólico do Projeto Arena em si;
12. Apesar de todo o quadro acima exposto, por enquanto, ainda não há como afirmar que Renato esteja mesmo de partida – nem mesmo apesar de ter recebido uma proposta de seu amigo gestor da Unimed, patrocinadora do Fluminense;
13. Independentemente do desempenho de Renato deixar a desejar em 2011 e de Odone já ter mandado embora Vágner Mancini mesmo após um excelente rendimento daquele técnico em um início de temporada, no momento, não existe nenhum técnico de alto nível disponível no mercado. Descarto o melhor de todos, Muricy Ramalho, não porque o Grêmio não tenha dinheiro para pagar o seu salário (que é pouco maior do que o de Renato) mas, sim, porque as nossas categorias de base não tem formado grandes nomes ultimamente. Muricy revelou que vive intensamente o seu trabalho e, por isso, precisa de uma estrutura que lhe garanta minimamente a possibilidade de ser campeão brasileiro. E o Brasileirão é o campeonato nacional de um país de ponta mais difícil do mundo a ser conquistado para um clube de fora do raio de ação da CBF, da Globo e de seus patrocinadores;
14. Nomes como os de Nelsinho Baptista (hoje disponível no mercado) e Geninho já citados por nomes ligados à atual direção do Grêmio em off não agradam nem um pouco. E a tentativa de formar um técnico gaúcho com base no colorado Argel cai por terra a partir da suposição de que ele tenha mandado um jogador do Botafogo-SP bater em Paulo Henrique Ganso no último final de semana. Sobraria então Lisca, do Caxias, apesar da sua identificação com o nosso Tradicional Adversário;
15. Eu prefiro que Renato fique. Nenhum outro dos citados teria condições de nos dar, sob o toque imediato de uma varinha de condão, a segurança defensiva e a eficiência ofensiva de que tanto necessitamos para conquistarmos a Libertadores 2011;
16. Apesar de tudo, que o Grêmio consiga sair dessa melhor do que entrou. Perdemos a confiança do técnico em função da precipitação dos dirigentes. Perdemos Jonas, goleador e garçon. Viramos motivo de chacota por causa da não-contratação de Ronaldinho (embora não quisesse o seu retorno nem pintado de ouro). Os dois fatos mataram completamente a flauta do Mazembe. Agora, salvo uma imensa reviravolta, o ídolo-mor tende a sair e a sua reposição periga ser insuficiente ou, então, de resultado satisfatório previsível somente a longo prazo.
17. #FICARENATO , se possível. Senão, que recuperes a tua felicidade livre como um golfinho. E obrigado por tudo sempre!!! \o/