CESC FÀBREGAS DE VOLTA AO BARÇA = CONTINUIDADE

Primeiro, uma demonstração de que até mesmo o clube de melhor futebol e que mantém a melhor organização de categorias de base do planeta também erra feio: o retorno do brilhante meia Cesc Fàbregas ao FC Barcelona demonstra que o clube cometeu um gravíssimo equívoco ao permitir que o jogador fosse negociado ao Arsenal com apenas 16 anos de idade. O investimento de €35,000,000.00 na recontratação do atleta poderia ter sido utilizado na contratação de pelo menos dois excelentes meias de ligação ou atacantes brasileiros ou argentinos, por exemplo.

Muito mais do que uma mera demonstração de poderio econômico ou de uma necessidade de resgate de um ídolo via afeto ou reencontro com a família, com o idioma, com a cultura e com todas as suas referências culturais, o Barcelona – pasmem – precisava (e muito) do retorno de Cesc. Vocês entenderão por que logo abaixo.

Primeiro, porque jogadores de articulação de primeira linha já adaptados ao 4-2-3-1 implementado em todas as categorias do clube e também na Furia (seleção espanhola) são como dinheiro, isto é, nunca é demais poder contar com vários desses talentos juntos. E segundo porque o Barça insiste em algo que os clubes brasileiros ou não conseguem realizar por falta de dinheiro, ou por falta de planejamento e e visão: algo tão vital para o futuro de um clube de futebol como o ar que respiramos – CON-TI-NUI-DA-DE.

Os craques Xavi Hernández e Andrés Iniesta já estão, respectivamente, com 31 e 29 anos de idade. A jovem revelação brasileira naturalizada espanhola Thiago Alcântara recém completou 20 anos. Fàbregas está aproximadamente no meio dessas duas gerações, com 24 anos. Portanto, ele já possui o traquejo dos mais velhos com ainda mais categoria (penso eu), sem ainda ter atingido o auge da sua forma física e técnica. Não demora muito, Xavi iniciará o momento decrescente na carreira, onde, mesmo que ainda possa manter-se durante – digamos – cinco anos com a mesma categoria e (oxalá) sem lesões graves, há uma natural perda de entusiasmo para quem já conquistou tudo o que podia conquistar associada a um decréscimo muscular que certamente fará com que não possa mais ser aproveitado na maioria dos jogos, a fim de poder manter-se no topo.

Recentemente, o Barça inaugurou La Nueva Masía, sede e alojamento dos principais jogadores das categorias de base. Tal investimento se faz necessário para que todo o suporte necessário ao bem-estar dos jovens mais promissores lhes possibilite preocuparem-se apenas em jogar bola.

A formação excelente e a continuidade tanto do sistema de jogo quanto da manutenção ou da aquisição de valores capazes de preservar e de aperfeiçoar as mesmas características de jogo é que criam empatia, atraem patrocinadores, geram repercussão positiva na mídia mundial, tornam-se bens intangíveis e colaboram para que o clube se torne um sonho e uma referência pra todo e qualquer jogador de futebol. A mística e a identidade são a alma da adesão a uma concepção de como torcer, como jogar, como analisar o futebol sem jamais deixar de lado a paixão, ainda que este esporte seja um grande negócio.

Nem os igualmente gigantescos Manchester United, Real Madrid e Milan conseguem aproximar-se da aura que ronda os culés. O Barcelona, mais do que qualquer outro clube deste mundo, é sinônimo de futebol. Flamengo, Corinthians, Santos, Boca Juniors, River Plate, Liverpool, Arsenal, Internazionale, Juventus, , Bayern, Porto ou Benfica: nenhum destes clubes de apelo popular, por mais levantadores de títulos que sejam, conseguem chegar perto dos culés em termos de marketing continuado. Todos, em diferentes momentos (sobretudo vinculados ao resultado – mais até do que no caso do Barça), já venderam mais camisetas ou tiveram em suas fileiras jogadores que, em um dado instante, foram superiores aos blaugrana. Porém, a frequência com que os barcelonistas tem-se reinventado desde o início deste século os colocam em um nível mais alto.

Afinal de contas, a atenção às diferentes gerações que precisam conviver sem que haja entre elas um hiato determina a sequência, a insistência, a convicção e a constante reciclagem.

Este também é um exemplo de que, dadas as diferenças socioculturais e financeiras, até mesmo o nosso Grêmio pode, sim, imitar essa fórmula. Mas que sejamos precisos e ágeis: afinal de contas, estamos muito para trás nessa corrida e não conseguimos sequer aproveitar os erros estratégicos que complicam a continuidade nos (atualmente) bem administrados São Paulo, Cruzeiro, Flamengo, Corinthians e, ainda, o nosso Tradicional Adversário.

BARCELONA 2011: NADA PODE SER MAIOR

Nunca antes na história deste esporte houve um time que jogasse com tamanha fluidez, segurança, paciência, técnica e precisão.

Técnico Josep Guardiola, jogadores Victor Valdés, Dani Alves, Carles Puyol, Gerard Piqué, Éric Abidal, Xavi Hernández, Andrés Iniesta, Sergio Busquets, David Villa, Pedro Rodríguez, ele – LIONEL MESSI – e mais: Gabriel Milito, Adriano, Maxwell, Javier Mascherano, Seydou Keita, Ibrahim Afellay, Jeffren e Bojan Krkic: todos nomes inesquecíveis e com um bom tempo de bom futebol pela frente.

 

SÃO AS ARENAS, ESTÚPIDO!

Leia isto com atenção. Após uma análise fria dos dados, será que a sua conclusão será muito diferente da minha?
Os estádios são precários.
Os horários são péssimos.
Os ingressos são caros.
Os times são ruins.
Além do resultado de campo e de algumas vantagens nos valores de serviços de parceiros, o que poderia fazer o torcedor se associar?
Melhores estádios obviamente cobram preços bem mais altos a fim de manter a estrutura funcionando e de proporcionar lucro.
Porém, a velocidade do crescimento da economia não é tão grande assim e a diversidade de opções de lazer é grande.
Se há 12400 famílias de classe AB na Grande POA (universo de 3.400.000 habitantes), o pessoal que pode pagar 20 contos de estacionamento, ingresso de cadeira lateral (80) e um nº1 do MacDonald’s (porque não vai mais ter a Towner da “tia” nem o “entrevero” do boteco) não enche um estádio de 50000 lugares. Melhor dizendo, não enche a metade e, por melhor tratado que seja, sem time, não há público. Além disso, dependendo do adversário e do clima, nem vão.
O desafio de um marketing verdadeiramente profissional é MONSTRUOSO dada a realidade da baixíssima média de ocupação dos estádios brasileiros.
Isso que falamos apenas em Série A, grandes capitais, grandes clubes…
A realidade do êxodo cada vez mais precoce de talentos; o retorno de medalhões já operados em alguma articulação e a total falta de identidade dos atletas de outros estados para com a maioria dos clubes para os quais atuam aliada à sua curta permanência em cada cidade afastam o público.
Mesmo nos raros casos em que os dirigentes são gestores e técnicos competentes em suas respectivas áreas e estão no lugar certo, na hora certa e com a companhia ideal, ainda assim é preciso rodar a baiana para ter que remontar o plantel a cada meia temporada.
O Brasil possui pouquíssimos técnicos com formação e cultura tática. A maioria deles é motivadora e esse discurso possui um prazo de validade muito curto.
O desafio é sério e a necessidade de encará-lo está cada vez mais próxima…

MEU JEITO DE APRECIAR O FUTEBOL

Sou um crítico sistemático da Seleção Brasileira Masculina Adulta Profissional de Futebol. Essa é a única modalidade pela qual não me comporto como um torcedor de fato. Isso não quer dizer que eu esteja correto ou que eu torça contra (embora isso tenha ocorrido em 1998). Quando o assunto são as categorias de base SUB-17 e SUB-20 ou – sobretudo – quando o torneio envolve a Seleção FEMININA, aí, sim, me emociono e me envolvo com mais passionalidade.

Desde 1982, passei a simpatizar muito com as seleções africanas. Já postei sobre Camarões e Argélia daquela época e lembro bem de Marrocos 1986, Camarões 1990, Senegal 2002 e Gana 2006 – as quatro últimas passaram de fase uma ou até duas vezes, como no caso dos Leões Indomáveis e dos Leões de Teranga.

A partir de 1992, passei a acompanhar, de dois em dois anos, a CAN (Copa Africana de Nações). A África me encanta muito por uma série de motivos – a maioria deles de cunho emocional: a alegria e a paixão daquele torcedor que é, em média, muito mais miserável do que o brasileiro é contagiante e comovente, pois ainda contém um quê de esperança misturada ao sonho que o profissionalismo exacerbado e a encheção de saco de boa parte da imprensa brasileira se ocupam de tentar desfazer.

As cores, as diferentes culturas (vestuário, culinária, etnias, crenças, idiomas) e a musicalidade (baseada em uma variedade muito maior de estilos de coro e percussão do que as nossas) criam uma atmosfera envolvente e leve, que fazem com que – mesmo no meu imaginário – eu me realize na fruição desse mundo tão especial.

Copa do Mundo, pra mim, é diversidade: a relação do atleta com o estado nacional faz com que ele atue de uma maneira muito diferente daquela a que estamos acostumados a assistir nos clubes. O futebol envolve variáveis tão imensuráveis quanto qualitativas e subjetivas que qualquer detalhe pode alterar o entrosamento, a forma física e o estado anímico de cada um.

Do ponto-de-vista de quem convoca (ou de quem contrata, no caso dos clubes), o futebol parece um quebra-cabeças de 10.000 peças que precisa ser montado em tempo recorde. Já do ponto-de-vista de quem observa o adversário e estabelece a estratégia que julga como a mais adequada para superar o próximo oponente, o futebol parece xadrez.

Quando falo no Grêmio, aí, sim, deixo-me levar por uma certa dose de passionalidade. Em um grau menor, diria que sinto um carinho especial que me leva a torcer também por clubes como Liverpool, Barcelona, Porto e Bayern.

Sinto uma simpatia especial pelos argentinos: eles possuem uma escola de garra, refinamento e muita dramaticidade que é mais parecida com o Brasil do que se possa imaginar. Aqui, só se muda do tango para o antigo samba “estilo dor-de-cotovelo” e as diferenças entre o malandro do morro e o malandro do porto.

Isso posto, eu procuro observar cada jogo sob uma perspectiva mezzo etnográfica, mezzo psicológica: como o futebol é um jogo, considero que ele apresenta um perfil agonístico de disputa, de superação e de guerra associado ao lúdico. Portanto, mais do que torcer por alguém, eu torço por um ótimo jogo.

O que entendo por um bom jogo? Independentemente da quantidade de gols, que os jogadores de ambos os lados não se machuquem e que eles disputem cada lance no melhor de suas condições. Os lados atlético e intelectual se completam, mas funcionam melhor quando existe solidariedade, perspicácia, criatividade e dedicação.

Gosto de ver muitos gols. Porém, não me agrada ver um time golear o outro: senão, parece um halterofilista espancando um menino de sete anos. O bom jogo, pra mim, é recheado de alternâncias: lá e cá, contra-ataques fulminantes, toque de bola, desarmes, mudança de posicionamento, chances parelhas para ambas as equipes. Quem errar menos e quem tiver mais força e talento, na maioria das vezes, sairá vencedor.

FUTEBOL: PROPOSTA DE CALENDÁRIO E COMPETIÇÕES

As federações em geral ferram o futebol de alto nível, os dirigentes são subservientes e oportunistas e o Clube dos 13 virou uma mera central de negócios de direitos de transmissão muito mal negociados, por sinal, pois são cedidos a um monopólio que engessa uma série de iniciativas baratas e altamente lucrativas como, por exemplo, poder vender por conta própria assinaturas da transmissão dos jogos no nosso site oficial.

Há quantos mandatos e há quantas décadas o Grêmio não possui uma diretoria que briga pelos interesses do clube junto a essas instituições engessantes?!

1 Campeonatos estaduais: só deveriam ser disputados por clubes da Série C brasileira para baixo: tomam tempo e dinheiro, desgastam, não se conquista nada de valor e oferecem o risco de lesionar jogadores importantes, além de matar quase três meses e meio do calendário – suficientes para uma temporada de amistosos no exterior pra faturar mais, uma pré-temporada decente com um mês de treinamento e um maior espaçamento, reduzindo as datas de meio de semana;

1.2 A bem da verdade, em nível PROFISSIONAL, sou contra todo e qualquer campeonato estadual para clubes que disputam das Séries A a E do Brasileirão. E a Série E seria como a Segunda B da Espanha: um montão de grandes grupos com ida e volta e mata-mata entre quase metade dos times de baixo da Série D contra a metade dos times de cima da Série E pra definir acesso e descenso;

2 Aumentaria a Copa do Brasil para 256 clubes, como são a Copa da França e a Copa da Inglaterra. O intercâmbio com outros estados é anos-luz mais importante do que as pseudo-rivalidades entre a fome e a vontade de comer entre cidades vizinhas. Ao mesmo tempo, acho que muitos dos clubes de futebol deveriam se transformar em clubes sociais e também buscar patrocínios para montarem times verdadeiramente fortes de futsal, vôlei e basquete. O custo é muito menor e eles realmente mobilizam a COMUNIDADE;

3 Calendário equivalente ao das principais ligas da Europa, com uma pequena imitação da Bundesliga: se, na Alemanha, existe a pausa de inverno, aqui deveria existir a pausa de verão na mesmíssima época. A grande vantagem seria a de programar a compra e a venda de jogadores, com reforços e desmanches previstos com bastante antecedência e sabendo-se que, na Europa, a janela da pré-temporada dura três meses e a janela entre os dois turnos dura apenas um mês. Se, por um lado, tendemos a perder os nossos principais jogadores no verão europeu, poderemos repatriar no inverno muitos dos que não deram certo em um momento em que os clubes do Velho Mundo investem menos. Assim como está, as maiores perdas para os nossos plantéis se dão em um terço do Brasileirão e a reposição ocorre nas nossas férias de verão. Aí, o cara vem da Europa e do Oriente Médio em plena temporada, não descansa quando o resto estiver engrenando e sofre uma fratura por stress ou uma lesão muscular grave;

4 Nunca, jamais, sob hipótese alguma a Copa do Brasil e a Libertadores poderiam ser interrompidos nem pela Copa do Mundo, nem por uma Copa América da vida;

5 Nunca, jamais, sob hipótese alguma o Brasileirão poderia ter sete rodadas e ser interrompido nem pela Copa do Mundo, nem por uma Copa América da vida;

6 Sendo franco e honesto, a Copa do Brasil não poderia dar uma vaga à Libertadores. Não é porque o Grêmio se beneficiou dessa possibiliddade várias vezes que eu tenho que concordar com isso. Isso não existe em nenhum lugar do mundo: as vagas ao torneio continental mais importante precisam ser obtidas da maneira mais difícil – via campeonato nacional, que premia a regularidade e a resistência;

7 Poucas coisas podem ser mais estúpidas no futebol mundial do que a CBF proibir que os times que disputam a Libertadores também disputem a Copa do Brasil. Chega dessa palhaçada!

8 A Sul-Americana deveria ter a mesma fórmula da Libertadores e ser disputada simultaneamente, nas mesmas datas. E deveria existir o mesmo regulamento da UEFA, que permite que um clube eliminado como 3º lugar no grupo da UEFA Champions League entre no primeiro “mata-mata” (oitavas-de-final) da Europa League. Isso garante não apenas uma sobrevida continental aos principais clubes do país como também valoriza uma competição disputada pela reba do continente;

9 Infelizmente, será necessário jogar mais vezes no meio de semana pra compensar os anos de Copa do Mundo, Copa das Confederações e Copa América nesses anos. Será então permitido inscrever uma quantidade bem maior de jogadores por competição, inclusive as continentais. Nas Olimpíadas, futebol masculino somente Sub-17. E a Copa América precisa ser de 4 em 4 anos, não mais de 2 em 2. A Europa também precisaria mudar, passando a Euro para o mesmo ano ímpar da Copa América. A África, idem: Copa Africana de Nações também de 4 em 4 anos, no meio do ano, em um ano ímpar, ao invés de 2 em 2 nos anos pares;

10 A exemplo da Alemanha, da Inglaterra, da Espanha, da França, da Itália, de Portugal, Turquia, Grécia, Bélgica e Holanda (ou seja, das ligas que prestam) a temporada deveria terminar da seguinte forma:

- Fim de semana 1: última rodada do Brasileirão;
- Fim de semana 2: final da Copa do Brasil;
- Fim de semana 3: final da Sul-Americana;
- Fim de semana 4: final da Libertadores.

Por que? Para valorizar financeira, midiática e animicamente TODAS as decisões. Nenhum campeonato profissional poderia ser disputado entre essas datas. É também por isso que os estaduais têm que acabar.

Isso movimenta a economia, gera muita receita com turismo e serviços e facilita a compreensão do calendário.

11 Somente será permitido um horário de jogo no meio de semana: 20:30h. Nos fins de semana, dois horários: 15 e 17h (inverno) e 16 e 18h (verão);

12 Com todas essas medidas, o trânsito melhora, a facilidade de ir e vir via transporte coletivo aumenta, não se sai nem se volta cedo nem tarde demais. Garanto que uma liga decente e uma entidade de clubes mais colhuda do que o Clube dos 13 poderia ELA deter os direitos de transmissão dos jogos, gerando muito mais receita para todos os seus afiliados e sem depender da grade fixa da programação de um monopólio.

E também é balela a história de perder patrocínio: alguns patrocinadores se retirariam e novos surgiriam.