Tenho lido a ansiedade, o ceticismo e até mesmo algumas crônicas de uma suposta morte anunciada do GRÊMIO escritos por alguns blogueiros extremamente atentos e inteligentes.
Não tiro a razão deles. Afinal de contas, ainda pode, sim, ocorrer uma grande reviravolta no BRASILEIRÃO 2008, tendo em vista que ainda faltam longas, emocionantes e angustiantes 14 rodadas ou 42 pontos a serem disputados por todos os 20 clubes. Ao mesmo tempo, o TRICOLOR DOS PAMPAS representa uma inesperada surpresa, pois não é um clube paulista: à exceção do brilhante CRUZEIRO de 2003, quem dominou as ações desde então foram SANTOS (2004), CORINTHIANS (2005) e SÃO PAULO (2006 e 2007).
Estar líder desde a 13ª rodada do 1º turno é um grande mérito, sobretudo porque o FLUMINENSE vice-campeão da LIBERTADORES está pela bola oito, rumo à SÉRIE B; o FLAMENGO perdeu a liderança e toda a sua regularidade anteriormente conquistada no instante em que negociou três titulares e ainda precisa remontar o time com nove contratações praticamente desconhecidas. No PALMEIRAS, a perda do habilidoso meia-atacante chileno VALDIVIA e do jovem zagueirão HENRIQUE (cotado por muitos como de seleção) é inestimável. Além disso, KLEBER é expulso a todo
instante e ÉLDER GRANJA também não tem tido mais aquele espaço no apoio que fez o
PORCO crescer no decorrer do 1º turno. O SANTOS, por sua vez, está abaixo da crítica; o CORINTHIANS está na “SÉRIE BRASIL” (como diz o JUCA KFOURI) e o CRUZEIRO também perdeu um jogador importante – o atacante MARCELO MORENO. Por último, seja pela sua soberba ou por seus incontáveis erros de planejamento neste ano, o TRADICIONAL ADVERSÁRIO também é carta fora do baralho.
Dentre os clubes emergentes, mérito para o VITÓRIA e para o CORITIBA, que manter-se-ão dignamente na “SÉRIE ARGENTINA” (outra hilária contribuição do JUCA KFOURI para o anedotário do futebol) e, obviamente, hurras para o BOTAFOGO de NEY FRANCO – um técnico com T maiúsculo que eu ainda quero ver no OLÍMPICO.
Isso posto, caso não ocorra nenhuma lesão grave, suspensões em cascata e nenhuma seqüência de erros de arbitragem contrárias, Vejo GRÊMIO, CRUZEIRO, BOTAFOGO, PALMEIRAS e SÃO PAULO (nesta ordem, considerando os dois primeiros como favoritos) como os únicos postulantes ao título.
Portanto, é preciso prestar atenção a uma série de detalhes que impedem o GRÊMIO de abrir uma vantagem ainda maior.
Pra começo de conversa, não há como negar que o nível técnico do futebol masculino adulto jogado por todo e qualquer clube brasileiro em qualquer divisão profissional tem caído ano após ano. Dessa forma, o plantel TRICOLOR também é tão fraco tecnicamente quanto a maioria de seus outros 19 oponentes desta temporada. O êxodo de jovens talentos que mal saíram das fraldas acontece cada vez mais cedo. Ao mesmo tempo, os pseudo-ricos (que hoje são, nesta ordem, SÃO PAULO, T.A. e PALMEIRAS) só conseguem repor o plantel ou com desconhecidos vindos do interior não mais em idade de revelação, ou repatriando veteranos e medíocres de qualquer idade que não tiveram força mental para suportar o fato de ainda terem que provar muito mais do que pensavam ser.
O futebol brasileiro atual é muito feio e mal jogado: vejo uma profusão de erros de passes, pouca competência nas bolas paradas de ataque e defesa e um monte de jogadores sem ousadia nem inteligência. Antes que alguém me pergunte sobre ela, quando a SELEÇÃO BRASILEIRA joga bem, só o consegue mediante intensa participação daqueles que já estão no exterior há pelo menos três anos. De lá para cá, a esmagadora maioria de quem saiu daqui foi parar em ligas pouco expressivas como na Rússia, na Coréia do Sul, na Ucrânia, nos Emirádos Árabes Unidos, na Arábia Saudita ou em clubes de segunda ou terceira linha de Inglaterra, Espanha, Itália, Portugal ou França. Nesses países, ou quem tem um olho é rei ou, então, o cara desaprende.
As duas únicas diferenças são as seguintes:
1) O GRÊMIO tem um grupo de jogadores MAIS EQUILIBRADO: ao contrário de seus principais rivais, não possui nenhum craque mesclado a uma maioria inapta. Trocando em mmiúdos, enquanto os outros têm um ou dois atletas nota 7 e 20 e poucos nota 4, o plantel do EXÉRCITO DE FERRO COM A ALMA CASTELHANA é quase todo nota 5 (exceto ANDERSON PICO e ANDRÉ LUIZ, que são nota 2);
2) O TRICOLOR foi amplamente beneficiado por três fatos: a) não perdeu nenhum jogador insubstituível durante a “janela” para o exterior; b) teve um mês para treinar depois das eliminações na CARAVANA DA MISÉRIA e na COPA DO BRASIL e c) O contestadíssimo CELSO ROTH foi a única pessoa a dizer que os meses de julho e agosto, recheados de rodadas no meio da semana, seria decisivo para separar os homens dos meninos. E nenhum time obteve resultados tão bons quanto o GRÊMIO nesse período.
Enfim, por mais que o GRÊMIO esteja sendo sistematicamente “secado” por toda a imprensa especializada acima da margem esquerda do RIO MAMPITUBA como jamais fizeram com clube algum de fora do eixo RJ-SP em tempo algum e por mais corneteiros e céticos gaúchos que não se cansam de abrir fogo “amigo” contra nós, é preciso lembrar de dois “pequenos” detalhes:
- Qualquer clube sem um plantel numeroso apresenta muitas oscilações porque não dá pra manter a mesma pegada física ou mental o tempo todo;
- Do outro lado, também há onze jogadores querendo acertar e um técnico que estudou a mecânica coletiva e as individualidades do GRÊMIO.
QUE NINGUÉM DUVIDE: “SI, SE PUEDE!”
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