BREVE CRÍTICA DO JORNALISMO

Mais do que tentar influenciar e realizar a manipulação, a distorção, a descontextualização e a omissão, QUALQUER tipo de mídia (seja a corporativa ou a alternativa) produz enunciados que revelam não apenas os interesses dos seus patrocinadores financeiros e políticos como também seus próprios interesses cruzados em negócios paralelos através do conservadorismo da classe média ou do idealismo de menos de 20% dos integrantes de cada classe social.

Pobre quase não lê jornal ou revista: mídia de pobre é TV aberta e rádio. Quando uma pessoa pobre de pouco estudo e sem nenhum tipo de engajamento político ou social relevante ascende socialmente – se já não é – torna-se conservadora e entra no ciclo dos graúdos, tendo-os como referência de sucesso. A essa altura dos acontecimentos, eles nem querem saber se 80% dos ricos obtém seu lucro de maneira ilícita.

A mensagem trafega por uma via de mão dupla, de tal forma que a mídia influencia e é influenciada pela sociedade. As palavras são escritas sob encomenda do público-alvo. O jornalista é um romancista, um cronista ou um ensaísta de ficção que conta uma história segundo seu modo particular de ver o mundo, mas não percebe isso: ele acredita estar lidando com a verdade. Ele acredita ser imparcial. Ele acredita estar prestando um serviço de utilidade pública relevante à população. Contudo, verdade e imparcialidade não existem: cada um conta a sua versão e fim de papo.

No caso da mídia corporativa, ela escreve para pessoas conservadoras e eleva ao cargo de editor e de repórter-sênior na maioria das vezes profissionais conservadores.

Isso não deveria surpreender a ninguém. Afinal de contas, quem critica essa mídia corporativa como nós o fazemos sabemos muito bem que pouquíssima gente possui interesse e preparo para perceber que não faz parte do público-alvo desses jornais e revistas.

Logo, seria mais producente criticar suas palavras a partir de algum resultado prático nocivo ao exercício da cidadania sob uma visão de esquerda.

A chave que torna as histórias menos falsas chama-se EDUCAÇÃO.

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HAVERIA MÍDIA CONFIÁVEL SOB ESTE MODELO ECONÔMICO?

Não defendo, de forma alguma, a mídia corporativa. Todavia, ela não é a principal vilã e nem tampouco a única vilã: é preciso ter em mente que ela faz parte de um SISTEMA em REDE, na qual as MEGACORPORAÇÕES GLOBAIS são quem dá as cartas em quase todos os lugares do mundo. O estado-nação perdeu força em todo o planeta.

A mídia corporativa é, sim, um instrumento de comunicação orquestrado pelas oligarquias. O problema dessa “Grande Mídia” é que ela sobrevive a partir de um modelo econômico puramente mercantilista: se eu pago, posso cobrar que as matérias a respeito do meu negócio sejam positivas e que se omita as virtudes do meu concorrente. Se eu quero exclusividade na transmissão de uma Copa do Mundo, não posso falar mal do Ricardo Teixeira nem do Blatter.

Ao mesmo tempo, uma mídia verdadeiramente PÚBLICA não pode, de forma alguma, ser uma mídia ESTATAL. Senão, ela será essencialmente chapa-branca. Quando um governo acabar, pode mudar a política do próximo a assumir e ou terminar com ela, ou ser administrada como um ordinário ente comercial igual às suas concorrentes.

Também não dá pra cobrar que, para se democratizar os meios de comunicação no Brasil, seja imposta uma lei que obrigue a existência de uma mídia “de esquerda” e outra “de direita” em igual proporção: primeiro, porque o consumidor de notícias vai auto-organizar esse mercado, comprando mais alguns veículos e menos outros.

Finalmente, o modelo de excelência técnica, informação predominantemente relevante e menor distorção deveria ser muito parecido com o que a BBC oferece: o estado é dono de 50% + 1 das ações e a iniciativa privada não pode concentrar ações em poucas empresas do mesmo ramo ou dos mesmos donos (se possível).

Isenção, imparcialidade, totalidade de espectros de visões diferentes com o mesmo espaço disponível e complexidade não são atributos verdadeiros da mídia, seja ela hegemônica ou não, pública ou privada.

O importante é que exista a publicização da mídia não-hegemônica a fim de que as pessoas vão atrás dela caso queiram informar-se melhor.

No caso específico do RS, a mídia corporativa criminaliza os movimentos sociais, defende o agronegócio e a privataria porque escreve predominantemente para donas-de-casa de classe média e profissionais liberais. Como se sabe, o RS é um dos estados cuja população mais abastada é mais racista, simplista, revanchista, preconceituosa e puxa-saco dos ricos.

Ora, como grande parte dos jornalistas que gostam de trabalhar na Grande Mídia também vêm dessas classes, as subjetividades produzidas por eles vão além do medo, da notoriedade ou das ordens do editor ou do patrocinador: elas já estão naturalizadas na sua própria visão de mundo.

A mídia não cria fatos, factóides e nem uma visão mais honesta ou menos honesta sobre qualquer coisa de maneira meramente impositiva para que o público acredite nela. E ela nunca esteve sozinha nesse negócio. Ela REVERBERA aquilo que a parcela da população que a consome diz e pensa de acordo com a sua realidade.

Portanto, se quisermos uma mídia melhor, precisamos investir pesadamente em sociologia, psicologia e em um reforço substancial em línguas.

Afinal de contas, enquanto vigir esse modelo mercantilista, nada irá mudar.

Por outro lado, se serve de alento, a tiragem dos jornalões e o seu número de assinantes tem caído vertiginosamente desde o final da década de 1980 no mundo inteiro. A internet gratuita tem parte nisso, apesar de que os blogs são lidos por uma minúscula minoria e que os portais de conteúdo pertencem às mesmas organizações midiáticas.

Porém, o positivo é que, na internet, um portal não possui normas fixas nem tempo suficiente para que alguém filtre todos os comentários “de esquerda” sobre as notícias desses portais.

Dessa forma, comentar ostensivamente nas notícias de política e economia dos portais surte um efeito maior do que as nossas discussões na blogosfera, pois a quantidade de comentários por notícia é, em média, pelo menos dez vezes maior do que a média dos comentários dos blogs de esquerda mais visitados.

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AS CONTRADIÇÕES ENTRE GRANDE MÍDIA x ESQUERDA

Embora a mídia corporativa defenda as bandeiras que defende através de uma forma, de um enunciado, de uma gramática audiovisual tecnicamente produzida para contar histórias que contem apenas a versão que interessa a seus patrocinadores, não dá para jogar todas as práticas e todos os profissionais em uma vala comum.

Exemplo 1: o GNT, emissora a cabo das Organizações Globo (OGs), transmitiu a maioria dos filmes do MICHAEL MOORE (Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11 e Sicko) e o do AL GORE (An Unconvenient Truth), assim como o excelente SUPERSIZE ME de Morgan Spurlock.

Exemplo 2: repete-se também nos canais abertos, nas emissoras de rádio, nos
jornais e nas revistas (tanto de conteúdo segmentado por tema como nos
veículos generalistas) uma certa fração da programação total que
verdadeiramente trata de utilidade pública, conteúdo educativo sem um
viés de direita e uma leve pitada de jornalismo bem feito – a exemplo
do exemplo anterior sobre a GNT. De volta, quem trabalha nessas empresas não é
nem Hitler, nem Gandhi.

A primeira impressão seria considerar esse procedimento uma estratégia para enganar o público em geral e amansar a esquerda, levando-os a pensar que, quando as corporações de mídia veiculam esse tipo de programa mais crítico, seria um sinal de que elas seriam realmente “neutras” e, conseqüentemente, a audiência deveria crer na “neutralidade” da Grande Mídia. Assim, obteriam a defesa do público quando alguém questionasse se estão mentindo quando falam sobre política, economia, valores conservadores e criminalização dos movimentos sociais em seus telejornais.

A segunda impressão seria jogar numa vala comum os jornalistas dessas grandes empresas. Os assalariados subalternos são vistos de várias maneiras: “coitados”, “covardes”, “burros”, “chinelões ambiciosos”, “pelegos” ou, ainda, como técnicos competentes pagos para executar uma tarefa de maneira acrítica. Porém, eles são gente passível de todos os tipos de comportamento possíveis, assim como qualquer um de nós – apenas isso.

Outro ponto fundamental freqüentemente ignorado nas discussões sobre o papel do jornalista na Grande Mídia é o seguinte: os editores contratam, em sua maioria, repórteres, fotógrafos e articulistas que pensam como eles e como os donos dos veículos. Esses, em certos casos, podem até não receber os melhores salários, nem serem FDPs ou pelegos: eles simplesmente são conservadores e crêem que os valores nos quais acreditam são os valores ideais para se chegar a uma sociedade melhor. Pois a esmagadora maioria da sociedade, independentemente da região em que more, da cor da pele, de sua religião, faixa etária, escolaridade ou profissão tende a ser extremamente conservadora. Conseqüentemente, tanto os donos como os patrocinadores, os funcionários e os programas da Grande Mídia serão conservadores.

Também há uma visão extremamente equivocada de que a mídia corporativa manda no mundo ou de que ela possui o poder absoluto de decidir os rumos da política, da economia e dos valores morais de uma sociedade. Embora ela tenha um alcance gratuito e cubra quase 100% do território nacional, o receptor não é passivo e ele não precisa ter curso superior nem viver em um centro urbano para questionar, duvidar ou ignorar a mensagem transmitida pelos meios de comunicação. Claro que, quanto maior a ignorância, maior a possibilidade de acreditar sem questionar. E que, obviamente, o seu objetivo é satisfazer aos interesses de quem a banca.

Pois é quem a patrocina quem detém o verdadeiro poder simbólico, político, econômico e coercitivo. Ela é tão-somente um instrumento que é voltado para interesses puramente comerciais. A lei vigente e as práticas culturais relacionadas à percepção social média a respeito do conteúdo midiático permitem e estimulam a não-obrigação da Grande (e também da pequena mídia) de serem culturais, educativas, conscientizadoras, politizadoras, investigativas e o escambau.

Não, elas não são e nem precisam ser. Também não devem ser censuradas. E não dá pra forçar a barra restringindo o seu alcance e tentar investir uma fortuna em uma alternativa verdadeiramente educativa, conscientizadora, politizadora, investigativa, inteligente e assim por diante se não houver interesse do público no tipo de temática a ser abordada, nem tampouco se os produtores dessa mídia alternativa não souberem utilizar uma linguagem técnica recortada, fragmentada, de vocabulário simples, ritmo dinâmico e dotada de uma edição de som, de vinhetas e de legendas totalmente adaptadas à semiótica contemporânea.

A situação é extremamente complexa, dados os seguintes pontos:

1) O cumprimento de todos os requisitos para a primeira autorização e para as sucessivas renovações das concessões do espectro das ondas de rádio destinadas às emissoras de rádio e televisão deveria ser exemplarmente obedecido e punido quando necessário;

2) O ideal é absolutamente impossível de se obter em qualquer lugar do mundo. Não dá para impedir e nem tampouco fiscalizar o tempo inteiro políticos, funcionários públicos de qualquer instância e empresários que veicularam anúncios, releases ou comerciais nos últimos 10 anos; funcionários e associados que trabalham, trabalharam ou possuem negócios com esses mesmos patrocinadores, políticos e donos de veículos e até três gerações de suas respectivas famílias a obterem concessões. Nem todos esses caras são ricos, famosos, suficientemente poderosos ou conhecidos e fazem parte de uma rede social que envolve centenas de milhares de pessoas espalhadas pelos quatro cantos do país. Não dá para emparelhar a capacidade econômica de investimento entre o que seria uma mídia “de direita” e uma mídia “de esquerda” porque o grosso da sociedade é conservadora;

3) Uma TV pública não pode ser uma TV estatal. Do contrário, a Voz do Brasil e as TVEs (sejam bem ou mal administradas) são mais do que suficientes. Ela não pode ter nenhum cargo político mas, sim, cargos eminentemente técnicos. O mandato de sua diretoria não pode estar vinculado ao mandato do presidente da república, do governador, do prefeito, dos senadores ou dos deputados estaduais. Deve ser mais longo (sugiro 12 anos) e regido por uma eleição da qual toda a sociedade participe;

4) Nem a internet e nem a TV digital proporcionam ou proporcionarão ao mundo maior justiça, democracia, cultura e/ou inteligência: o grande equívoco dessa discussão é que ela é centralizada ou na tecnofilia de que tudo será melhor para a maioria, ou na tecnofobia de que as TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) são o grande mal, a grande fonte de alienação da sociedade.

Em primeiro lugar, novos grupos de comunicação municipais vinculados ou não à grande mídia regional ou nacional irão produzir localmente pautas voltadas às comunidades locais de forma que, com mais dinheiro, maior profissionalismo e com o apoio dos caciques da comunidade, não deixará de haver um agendamento conservador. Apesar da possibilidade de TVs e rádios “favela” poderem aparecer e contestar essa nova agenda hegemônica de abrangência local, a maioria das pessoas tenderá a assistir os programas técnica, enunciativa e esteticamente melhor produzidos.

Sim, diminuirá o conservadorismo e o nível de conscientização irá aumentar. Porém, não será tão significativo quanto se imagina ou se deseja.

Portanto, só vejo uma única possibilidade técnica, política e financeira para que haja uma distribuição massiva de conteúdo decente não apenas no Brasil como em qualquer país do mundo: seguir, com as devidas adaptações culturais de cada cultura, o modelo da BBC.

Falarei mais sobre esse modelo mais adiante, em outro post.

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GILMAR NO ORKUT REFLETE TONTURA DO PIG

Atropelou a hierarquia do judiciário e safou Daniel Dantas, o maior corruptor da história deste pa�sAtropelou a hierarquia do judiciário e safou Daniel Dantas, o maior corruptor da história deste país

Fiz uma busca por GILMAR MENDES nas comunidades do ORKUT.

Encontrei 23 comunidades, das quais APENAS DUAS são a favor do ministro amigo do colarinho branco.

No total, 3271 pessoas querem o impedimento do presidente do STF.

Apenas 413 são a favor dele.

Embora isso não reflita cientificamente a proporção real de brasileiros que conhecem e se interessam pelo fato, ao menos é um indicativo de que o PIG está confuso: ao passo em que derrubar DANIEL DANTAS é interessante para os grupos midiáticos que tentaram investir na privatização das teles e saíram de mãos abanando, mesmo os cupinchas de dantas na Grande Mídia são insuficientes para evitar que a empresa pelo menos desta vez deixem de repercutir a vontade da audiência e da maioria de seus patrocinadores.

Nesse ponto, o PIG, que nunca deixa de chafurdar na lama da mentira, sentiu o estrume em seus olhos e grunhiu por uma mangueirada na cara só pra parecer limpinho.