O GRÊMIO PODE SER UM ÓTIMO CAMPEÃO SEM PRECISAR TER O MELHOR TIME

Com toda a sinceridade do mundo, sempre apoiei o máximo possível a todos os técnicos que trabalharam no nosso Grêmio. Porém, assim como meu amigo Bruno Saraiva, também considero que o peso da função de treinador é supervalorizada.

Temos muitas carências no plantel. Sobre elas, tendo em vista que cada um tem a sua própria opinião e tendemos a levar a passionalidade sobressair-se em relação a qualquer observação mais racional, pelo menos hoje me abstenho de me definir acerca dos piores.

Adoro falar sobre por que considero A ou B “bom” ou “ruim”, mas deixo essa pauta para outro dia. Hoje, quero falar de coisas boas. Nada ainda consolidado nem tampouco encaminhado, mas há boas tendências que não vislumbrávamos há bastante tempo.

Vanderlei Luxemburgo chegou cercado de desconfiança. Primeiro, dentro de campo: a rivalidade dele contra o “nosso” Felipão sempre exacerbou o bairrismo e tornou difícil podermos considerá-lo como “amigo”. Depois, a sua péssima performance na Seleção Olímpica e, mais recentemente, seus trabalhos muito aquém do esperado no Atlético-MG e no Flamengo. Fora de campo, a sua vida pessoal bastante controversa do ponto de vista ético tomou conta dos noticiários.

O cara conhece. E muito: ele consegue enxergar com rapidez as principais carências e as maiores qualidades de cada jogador e (salvo o 3-5-2 devidamente justificado porém, difícil de engolir em Ipatinga), por mais que muitos reclamem, eu prefiro ver o Grêmio perder arriscando do que empatar sem tentar. Certa vez, o próprio Luxa disse que “o medo de perder tira a vontade de ganhar”. Ao contrário de muitos, se o sistema defensivo não puder ser corrigido por falta de dinheiro ou de bons nomes sem contrato, eu prefiro levar dois gols e fazer três, quatro ou cinco do que ganhar de 1×0 ou 2×1.

Creio que haja alguns nomes que, infelizmente, não tem mais tempo para aprender fundamentos ou posicionamento porque parece lhes faltar inteligência suficiente para entender quando acelerar, quando cadenciar, quando chutar, quando passar e como se posicionar dentro de campo. Por outro lado, embora não tenhamos um plantel completo em termos de paridade técnica, tática, física e anímica, absolutamente nenhum grande clube brasileiro o possui. Se tanto, o T.A., o Peixe, o Timão e o Pó de Arroz. Entre os mais promissores, seja pela aplicação, seja pela ausência de jogadores efetivamente ruins e seja pela tentativa de impor-se mesmo correndo sérios riscos, vejo Palmeiras, São Paulo e Grêmio ali, loucos pra beliscar.

Mas tudo isso pode mudar em função das variáveis de sempre: as janelas de transferências, a rotatividade dos técnicos e a iminência de lesões e suspensões em momentos decisivos.

Obviamente, não escapo da passionalidade nem da bipolaridade. Mas ainda considero justo ter paciência com todos: afinal de contas, a maioria das piores atuações do Grêmio – não por acaso – ocorrem no último jogo pelo Gauchão que antecede a uma importante jornada pela Copa do Brasil. Nesse ponto, não sou louco de cobrar que os boleiros tirem o pé de uma dividida em meio a tantas lesões subsequentes.

Quarta vem aí. E o bicho vai ter que pegar. ;)

O FUTURO DO GRÊMIO DEPENDE DE IDEIAS, NÃO DE PESSOAS

Obino, Facchin, Dourado, Koff, Odone e Cacalo são antigas referências políticas para todo o gremismo. Independentemente da época, fosse quando ainda não haviam eleições diretas para os Conselhos Deliberativo e de Administração ou após a necessária abertura democrática, a falta de personalidade e a incapacidade administrativa de uma imensa maioria de conselheiros e ex-conselheiros prefere rodeá-los e deixá-los decidir ao invés de agirem com independência.

A despeito dos títulos inesquecíveis nas gestões de alguns e da construção do Olímpico Monumental e de raras e já antigas benfeitorias no estádio realizadas por outros, todos – sem exceção – cometeram um gravíssimo e comprometedor pecado para o futuro da instituição: nenhum deles jamais se interessou em formar sucessores capacitados em gestão nem na difícil política do meio futebol.

Cada um a seu tempo, juntos e separados, Dourado e Koff foram os melhores de uma época que não volta mais – quando ainda não haviam a Lei Pelé, as arenas multiuso (que precisam ser rentáveis em cada cm2 construído). Era um período histórico em que as categorias de base eram formadas por meninos garimpados no RS, onde ainda não havia o forte assédio dos agentes FIFA e de seus empregados (muitos deles atuando como insiders dentro dos clubes)…

Além das duas Libertadores, do Mundial, de uma Copa do Brasil, de um Brasileirão e de uma Recopa Sul-Americana, Koff foi inestimável para o Grêmio em incontáveis adiantamentos da verba da TV via Clube dos 13. Ele também trouxe para dentro do clube o verdadeiro mentor do condomínio de credores, que nos salvou da insolvência. Porém, foi incapaz também de liderar uma LIGA de verdade, na qual os clube deveriam ser concorrentes e adversários única e exclusivamente dentro de campo, como ocorre nas ligas profissionais dos EUA. Entendo que ele enfrentou um complô entre a Rede Globo e vários presidentes de clubes, mas ele deveria, SIM, ter jogado tudo no ventilador. Essa é a minha opinião.

Não podemos esquecer também que até mesmo os mais capazes são falíveis: Koff e Cacalo apoiaram a indicação do ex-(des)governador e ex-controller da Azaleia Antônio Karan de Britto Filho, a exemplo de Paulo Odone. Desconheço a posição dos mais desacreditados entre os próceres (Facchin e Obino) e admiro a postura de Hélio Dourado, que foi o único dentre os mais lendários ex-presidentes a rechaçar com veemência essa possibilidade.

Enfim… No atual contexto, o melhor papel que Koff melhor pode desempenhar para o Grêmio é o de articulador político e econômico EXTRA-GRÊMIO, não mais intra-Grêmio. Acho nocivo ao clube manter um montão de conselheiros e ex-conselheiros incompetentes e/ou fisiológicos que vivem de beijar a mão de Koff. Convenhamos: ele deve odiar isso. Mas sabe que pode precisar desse constrangedor séquito para alguma coisa mais adiante.

O problema é que os presidentes dos movimentos precisam ser verdadeiramente PRESIDENTES para cortarem esse mal pela raiz: feliz ou infelizmente, “vão-se os aneis, mas ficam os dedos”. Afinal de contas, quem não possui formação técnica nem vivência política para tocar altos cargos dentro do clube deveria fazer o imenso favor de largar o osso pelo BEM MAIOR, que é o GRÊMIO FOOT-BALL PORTO ALEGRENSE. Isso independe da idade, da profissão, da religião, do tempo de Grêmio ou de onde estudou, onde mora ou do percentual do PIB gaúcho que carrega consigo em seu bolso.

Mas há algo ainda pior do que essa súplica quase pueril pela volta do maior presidente de todos os tempos (que é, assim como para muitos, meu ídolo e alguém a quem adoraria poder conhecer): é a espera de um gesto seu por semanas – e até mesmo meses.  Perder tempo para ouvir e acatar a sua decisão sobre se concorre ou não ou sobre quem irá receber a sua “bênção” ou não para ser o novo presidente do clube é muito pior do que a espera pela mudança da cor da fumaça na escolha do Sumo Pontífice.

Koff possui duas funções absolutamente decisivas para o clube: ou na Grêmio Empreendimentos, ou muito ligado ao Conselho de Administração, mas sem cargo formal atuando como um superconselheiro.

Chegou a hora de pararmos de pensar em um Messias, em um “salvador”. As alianças entre amigos que não sabem pensar um modelo de gestão profissional que compõem uma quantidade exagerada de movimentos estraga qualquer combinação possível dentro de uma nominata, quer seja para o Conselho de Administração, quer seja para o Conselho Deliberativo.

O Grêmio Sempre postou um artigo sobre o perfil do candidato a presidente do Grêmio.  Na minha mais modesta e extremamente pessoal opinião, só há dois homens que contém exatamente aquelas características e mais dois capazes de aprendê-las rapidamente. Todavia, eles precisam se definir. Ou ao menos um deles. E que a maioria aceite em um consenso positivo e absolutamente desprovido de fisiologismo esse candidato, que deverá necessariamente decidir por si o seu Conselho de Administração, sem ratear um vice para cada movimento aliado nem tampouco deixar que cada movimento escolha os seus nomes, pois esse candidato a presidente tem, sim, conhecimento suficiente para delegar poderes aos mais competentes em uma relação 100% profissional e de confiança.

Que me perdoem os amigos a quem considero altamente competentes e com serviços relevantes prestados ao clube durante décadas, mas ou eles deixam de concorrer junto e de arranjar “boquinhas” para seus confrades, ou não iremos a lugar algum nem mesmo sob as perspectivas mais otimistas que circundam o Projeto Arena.

Para o Grêmio voltar a crescer seriamente, é FUNDAMENTAL, VITAL e OBRIGATÓRIO seguir o Planejamento Estratégico: só a partir de um eixo temático de governança corporativa é que teremos direção, objetivo e metas para uma política de formação de jogadores, de modelo técnico-tático, de contratações, em finanças, marketing, jurídico, comunicação, etc.

Ou temos coragem de reunir OS MELHORES para um trabalho difícil, que será o de manter a relação com a OAS sempre favorável ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, ou seremos engolidos pela construtora.

ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DO PROJETO ARENA PARA O GRÊMIO

Este post foi gentilmente compartilhado na sua íntegra pelo analista do Banco Central do Brasil lotado em Porto Alegre Bruno Saraiva Ferreira e Silva, um grande gremista. Boa leitura a todos! :)

A análise do fluxo de caixa projetado da Arena do Grêmio é desafiador para qualquer analista, pois trabalha um campo ainda inexplorado pelos clubes brasileiros: a sofisticação de um ambiente historicamente rudimentar para o torcedor de futebol, isto é, o estádio de futebol. A questão passa pelos preços praticados e vai até a utilização desses novos ambientes em outras ocasiões que não somente aquelas relacionadas com o futebol. No caso específico da Arena do Grêmio há ainda um outro “complicador”. O clube conta hoje com um quadro social de cerca de 65 mil associados, herança dos acessos irrestritos verificados no velho Estádio Olímpico, mas que na Arena, por força da existência de um parceiro financiador e construtor, a OAS, deverá resultar numa estrutura complexa de receitas e despesas envolvendo as duas partes.

As especificidades da Arena em relação a sua capacidade de gerar receitas são muitas, mas destacam-se, principalmente, o tamanho da sua área bruta locável (28 mil metros quadrados), a possibilidade de se negociar os direitos de nome do estádio (naming rights), as 2300 vagas de estacionamento e a possibilidade de se locar o estádio para a realização de grandes shows. Estas receitas extras devem representar, na visão deste analista, cerca de 20% do total de receitas da Arena caso o Grêmio tenha um público médio mensal de cerca de 30 mil espectadores.

No lado das despesas, a amortização dos R$ 260 milhões que serão financiados junto ao BNDES em 90 parcelas mensais deverá representar a maior parte do desembolso mensal existente no fluxo de caixa do negócio Arena. As demais despesas deverão se concentrar na manutenção do estádio e no ressarcimento que a Gestora da Arena deverá fazer ao Grêmio como contrapartida às despesas que este terá pela obrigação de dar livre acesso ao estádio para os seus associados. Essa questão, inclusive, evidencia que há diferenças entre o fluxo de caixa do negócio Arena e o fluxo de caixa do Grêmio. Estes dois fluxos de caixa em conjunto, entretanto, impactam as finanças do clube de uma forma complexa e que resulta em informações assimétricas em torno do negócio. As próximas etapas desta análise visam eliminar estas assimetrias, muito embora o Grêmio e a OAS ainda não tenham liberado dados importantes sobre os preços que serão praticados na Arena.

Começarei pela principal receita projetada para a Arena: a bilheteria dos jogos. Como o objetivo principal desta análise é verificar a viabilidade do negócio Arena para o Grêmio – confundindo os dois fluxos de caixa em um só – projetarei um valor elevado para os ingressos, o que resultará em uma despesa elevada de ressarcimento pelo Grêmio junto à SPE. Para tornar o cenário ainda pior para o Grêmio em relação ao valor a ser ressarcido, considerarei que, na Arena, apenas 5% dos torcedores que frequentarem o estádio não serão locatários de cadeira (com livre acesso ao estádio) ou sócios-torcedores (que pagam 50% do valor do ingresso). Por quê isso é ruim para o clube? Porque as despesas de ressarcimento à SPE sobem na medida que o índice de associados presentes no estádio cresce. Abaixo está o percentual de cada tipo de torcedor que frequentará a Arena conforme os números atuais de sócios-torcedores e sócios-patrimoniais (futuros locatários de cadeira na Arena). Estes percentuais se baseiam nos números já informados pelo Grêmio em seus jogos no Olímpico e na intenção já declarada pelo clube de não abrir novos títulos de sócios-patrimoniais.

TIPOS DE TORCEDOR NO ESTÁDIO

Locatários de Cadeira ou  de Espaços na Geral

54,2%

Sócios-torcedores

36,3%

Torcedores comuns

5,0%

Camarotistas

4,5%

Estes torcedores devem ser distribuídos em 60540 lugares, conforme tabela abaixo:

ÁREAS DO ESTÁDIO

Anel Superior

23.470

Anel Inferior

15.266

Anel Gold

6.848

Anel Gold Grêmio

2.000

Anel Camarotes

2.728

Geral

10.228

TOTAL

60.540

Posteriormente tratarei unicamente da questão dos sócios, desde o preço das suas mensalidades até a sua distribuição dentro da Arena. Agora, trarei 6 cenários distintos de público médio para a Arena, o que logicamente resultará em receitas bastante variadas. Considerei um preço médio de R$ 61,00 para o Anel Superior (R$ 50,00 atrás do gol, R$ 60,00 no corner e R$ 70,00 no meio), de R$ 83,33 para o Anel Inferior (R$ 70,00 atrás do gol, R$ 80,00 no corner e R$ 90,00 no meio), de R$ 40,00 para a Geral (em qualquer parte dela) e de R$ 150,00 para o Anel Gold (qualquer parte dela). São valores muito acima daqueles vendidos para os torcedores no Olímpico e esse é um dos principais temores daqueles que se declaram críticos da Arena, pois ingressos altos representam reembolsos altos do Grêmio à SPE. Mais adiante nesta análise será identificada a real consequência financeira ao Grêmio pela presença de sócios nos diferentes setores da Arena. Os camarotes (capacidade de 12 pessoas cada um) seriam negociados a um preço médio de R$ 6,5 mil ao mês, o que não destoa dos preços atualmente praticados no Olímpico, ainda que com uma oferta bem mais baixa. Dado estes valores, abaixo seguem as projeções de arrecadação – por jogo e por mês (considerando 3 jogos por mês) – para diferentes médias de público na Arena:

  1. ARENA LOTADA

FATURAMENTO SPE BILHETERIA POR JOGO (ARENA LOTADA)

Anel Superior

 R$1.431.670,00

Anel Inferior

 R$1.272.166,67

Anel Gold

 R$1.027.200,00

Anel Camarote

 R$283.833,33

Geral

 R$409.120,00

TOTAL

 R$4.423.990,00

Faturamento SPE Bilheteria Mensal Lotada

 R$13.271.970,00

  1. ARENA COM MÉDIA DE 40 MIL PAGANTES

FATURAMENTO SPE BILHETERIA POR JOGO (40 MIL PESSOAS)

Anel Superior

 R$945.933,27

Anel Inferior

 R$840.546,20

Anel Gold

 R$678.691,77

Anel Camarote

 R$283.833,33

Geral

 R$270.313,84

TOTAL

 R$3.019.318,41

Faturamento SPE Bilheteria Mensal 40 mil

 R$9.057.955,24

  1. ARENA COM MÉDIA DE 30 MIL PAGANTES

FATURAMENTO SPE BILHETERIA POR JOGO (30 MIL PESSOAS)

Anel Superior

 R$709.449,95

Anel Inferior

 R$630.409,65

Anel Gold

 R$509.018,83

Anel Camarote

 R$283.833,33

Geral

 R$202.735,38

TOTAL

 R$2.335.447,14

Faturamento SPE Bilheteria Mensal 30 mil

 R$7.006.341,43

  1. ARENA COM MÉDIA DE 20 MIL PAGANTES

FATURAMENTO SPE BILHETERIA POR JOGO (20 MIL PESSOAS)

Anel Superior

 R$472.966,63

Anel Inferior

 R$420.273,10

Anel Gold

 R$339.345,89

Anel Camarote

 R$283.833,33

Geral

 R$135.156,92

TOTAL

 R$1.651.575,87

Faturamento SPE Bilheteria Mensal 20 mil

 R$4.954.727,62

  1. ARENA COM MÉDIA DE 15 MIL PAGANTES

FATURAMENTO SPE BILHETERIA POR JOGO (15 MIL PESSOAS)

Anel Superior

 R$354.724,98

Anel Inferior

 R$315.204,82

Anel Gold

 R$254.509,42

Anel Camarote

 R$283.833,33

Geral

 R$101.367,69

TOTAL

 R$1.309.640,24

Faturamento SPE Bilheteria Mensal 15 mil

 R$3.928.920,71

  1. ARENA COM MÉDIA DE 8 MIL PAGANTES

FATURAMENTO SPE BILHETERIA POR JOGO (8 MIL PESSOAS)

Anel Superior

 R$189.186,65

Anel Inferior

 R$168.109,24

Anel Gold

 R$135.738,35

Anel Camarote

 R$283.833,33

Geral

 R$54.062,77

TOTAL

 R$830.930,35

Faturamento SPE Bilheteria Mensal 8 mil

 R$2.492.791,05

Nos 6 cenários acima a única receita que se manteria estável é aquela oriunda de camarotes, pois estes terão demanda inelástica em relação aos jogos de futebol. Funcionarão como suítes e escritórios particulares inclusive para dias sem futebol no Estádio. Todas as demais áreas variam igualmente entre os cenários conforme diminui a média de público. É, certamente, uma análise simples, mas que tende a refletir razoavelmente uma média de arrecadação no longo-prazo. O mesmo ocorre com o Anel Gold, embora o Vice-Presidente Eduardo Antonini tenha informado que este setor deve ter 70% das cadeiras negociadas diretamente pela SPE à pessoas-jurídicas. Optou-se, contudo, não considerar este cenário apresentado pelo nosso Vice-Presidente justamente para se considerar um cenário que resulte em mais desembolsos do Grêmio à SPE, ou seja, um cenário mais pessimista.

As outras fontes de receita da Arena virão da locação de 28 mil metros quadrados de área locável bruta no interior do estádio, da locação de 2300 vagas de estacionamento, da negociação de naming rights e da locação do estádio para outros eventos, sejam eles shows ou até jogos da seleção brasileira.

A primeira receita analisada é aquela oriunda dos 28 mil metros quadrados área locável bruta. Para se ter um norte do valor comercial destes espaços, optou-se por se fazer um paralelo com o preço de shopping centers em grandes centros urbanos brasileiros. A constatação é de que estes espaços são o mais próximo possível daquilo que teremos na Arena, muito embora seja necessário corrigir o preço da locação pelo número de dias em que não ocorrerão eventos dentro do estádio, já que shoppings centers atualmente possuem movimento 7 dias por semana. Os melhores shoppings brasileiros possuem um preço de locação do metro quadrado de cerca de R$ 375,00 por mês. É o caso do Shopping Iguatemi localizado na avenida Faria Lima de São Paulo. Esse, entretanto, certamente não é o paralelo correto para ser utilizado na comparação com a Arena Gremista. Shopping Centers normais tem um preço médio de metro quadrado ao redor de R$ 250,00. É isto que informa a consultoria imobiliária Cushman & Wakefield. Tendo em vista que a Arena Gremista terá cerca de 3 match days por mês e mais uma mínima utilização em dias sem jogos, optou-se por utilizar uma relação de 15% em relação ao preço de shopping centers normais, ou seja, cerca de R$ 30,00 por mês o preço do metro quadrado locável. Desta forma, a Superficiária arrecadaria cerca de R$ 840 mil ao mês com a locação de toda a sua área bruta disponível.

A receita com locação para shows e outros eventos na Arena é de difícil mensuração, pois estamos tratando de um mercado em expansão na capital gaúcha e que contará, além da Arena Gremista, também com o Beira-Rio reformulado para a realização deste tipo de eventos na cidade de Porto Alegre. Em contato com um  funcionário de uma empresa de eventos de Porto Alegre, foi perguntado qual era o custo de um estádio como o Beira-Rio para a locação para a realização de um grande espetáculo. Foi informado que o preço girava em torno de R$ 100 mil. A análise, portanto, além de considerar esse preço no fluxo de caixa projetado da Arena, considerou que o novo estádio tricolor será sede de cerca de 3 grandes shows a cada 2 anos, o que resultaria em receitas anuais ao redor de R$ 150 mil.

A receita com naming rights também gera bastante dúvidas quanto ao seu real potencial de impactar as finanças da Superficiária. A razão é a total ausência de histórico para balizar uma projeção confiável. A solução foi comparar o preço anual do patrocínio principal da camisa do clube com este novo produto relacionado não a uma camisa de futebol, mas a um estádio de futebol. O Grêmio atualmente recebe cerca de R$ 15 milhões anuais do seu patrocinador master. Partindo desse valor, foi projetado ser bastante factível negociar o patrocínio de um grande estádio de futebol por cerca de R$ 12 milhões ao ano.

A receita advinda das 2300 vagas de estacionamento, considerando que no Estádio Olímpico o custo de cada uma das cerca de 400 vagas gira em torno de R$ 150,00, deve ficar ao redor de R$ 345 mil por mês. Este analista não encontrou motivos para a majoração de preços, principalmente pelo grande aumento da oferta de vagas. Além das 2300 vagas existentes na Arena Gremista, haverá ainda mais 3 mil vagas disponíveis em um edifício garagem a ser explorado unicamente pela OAS Empreendimentos.

Na esfera das despesas a Superficiária da Arena Gremista incorrerá basicamente em 3 grandes desencaixes além da tributação: amortização do financiamento junto ao BNDES, manutenção do Estádio e o ressarcimento de R$ 8 milhões ao Grêmio. É importante deixar claro que a amortização do financiamento tem como prazo 90 meses e que, com a sua liquidação, a Superficiária passará a ressarcir o Grêmio em R$ 16 milhões anuais. Nessa análise, contudo, será  considerada apenas a viabilidade do negócio durante o período de amortização do financiamento junto ao BNDES.

O financiamento que a Superficiária retirou junto ao BNDES muito possivelmente teve o valor de R$ 260 milhões, o máximo permitido conforme termo do aditivo de contrato firmado entre Grêmio e OAS. O prazo informado foi de 90 meses. A linha utilizada não foi informada. Não se sabe se foram concedidos recursos do Pró-Copa à Arena, sabidamente mais baratos. Logo, foi considerada s taxa de 6,5% ao ano, comumente utilizada pelo BNDES em suas operações de longo-prazo. Carregando os dados acima em uma HP12C o valor mensal a ser amortizado pelo Superficiária ficou em R$ 3,655 milhões.

A manutenção da Arena é um ponto interessante de ser analisado e de difícil mensuração, pois, embora o novo Estádio seja muito maior em área que o Estádio Olímpico, grande parte das suas instalações (28 mil metros quadrados) serão locados para terceiros e esses incorrerão em custos condominiais para a manutenção das áreas em comum. Isso deve resultar em menores desembolsos para a Superficária no que se refere à manutenção. Outro aspecto positivo é que a Arena deve ter uma gestão mais eficiente em virtude da profissionalização da sua gestão. A projeção é a de que serão necessários cerca de R$ 1 milhão por mês para cobrir estas despesas.

A última despesa que a Superficiária deve ter são R$ 666,6 mil fixos que ela terá que desembolsar ao Grêmio em contrapartida aos custos que este último deve ter para permitir o livre ingresso dos seus sócios à Arena. Adiante será debatido o montante desse custo para o Grêmio. É importante deixar claro que este valor fixo de R$ 666,6 mil não está relacionado com o real desembolso que o clube deve ter para permitir o livre acesso à Arena para os associados.

Em vista dos dados discutidos, abaixo é mostrada a projeção de resultado para a Superficiária em cima de 6 cenários diferentes para o público presente na Arena:

Demonstração de Resultado Superficiária

 

Arena Lotada

40 Mil

30 Mil

RECEITAS

 15.469.470

 11.255.455

 9.203.841

Bilheteria

 13.271.970

 9.057.955

 7.006.341

Naming Rights

 1.000.000

 1.000.000

 1.000.000

Locação Área Comercial

 840.000

 840.000

 840.000

Locação Shows

 12.500

 12.500

 12.500

Estacionamento

 345.000

 345.000

 345.000

DESPESAS

 (5.321.837)

 (5.321.837)

 (5.321.837)

Amortizaçao Financiamento

 (3.655.170)

 (3.655.170)

 (3.655.170)

Manutenção Estádio

 (1.000.000)

 (1.000.000)

 (1.000.000)

Ressarcimento Gremio

 (666.667)

 (666.667)

 (666.667)

RESULTADO ANTES DO IR

 10.147.633

 5.933.618

 3.882.005

Imposto 34%

 (3.450.195)

 (2.017.430)

 (1.319.882)

LUCRO LÍQUIDO

 6.697.438

 3.916.188

 2.562.123

 

20 Mil

15 Mil

8 Mil

RECEITAS

 7.152.228

 6.126.421

 4.690.291

Bilheteria

 4.954.728

 3.928.921

 2.492.791

Naming Rights

 1.000.000

 1.000.000

 1.000.000

Locação Área Comercial

 840.000

 840.000

 840.000

Locação Shows

 12.500

 12.500

 12.500

Estacionamento

 345.000

 345.000

 345.000

DESPESAS

 (5.321.837)

 (5.321.837)

 (5.321.837)

Amortizaçao Financiamento

 (3.655.170)

 (3.655.170)

 (3.655.170)

Manutenção Estádio

 (1.000.000)

 (1.000.000)

 (1.000.000)

Ressarcimento Gremio

 (666.667)

 (666.667)

 (666.667)

RESULTADO ANTES DO IR

 1.830.391

 804.584

 (631.546)

Imposto 34%

 (622.333)

 (273.559)

 -

LUCRO LÍQUIDO

 1.208.058

 531.025

 (631.546)

O único cenário negativo para a Superficiária é aquele que apontou uma média de público de 8 mil pessoas por jogo. As receitas com bilheteria não seriam suficientes para cobrir os desencaixes fixos do estádio. Todos os demais cenários são positivos para a Superficiária. Um cenário bastante factível – aquele que apresenta média de público de 30 mil pessoas por jogo – resulta em um lucro líquido de cerca de R$ 2,5 milhões por mês.

            Após a análise do negócio Arena sob a ótica da Superficiária, fica a pergunta: de quê forma o resultado da Superficiária impacta as finanças do Grêmio em relação aos jogos em que o clube é mandante? Afinal, o clube terá participação de 65% no resultado (lucro líquido) desta Superficiária, desde que esta não apresente prejuízo (cláusula prevista no aditivo de contrato firmando em agosto de 2011). A resposta é muito dependente da receita que o clube terá com o seu quadro social, pois ela é a principal fonte de receita do clube quando se analisa unicamente os jogos em que ele é mandante. Outras receitas como patrocinador da camisa, publicidade móvel, comercialização de jogadores, etc, não devem ser consideradas, porque não estão inclusas no negócio Arena. O objetivo é comparar quanto o clube ganha ou perde com a troca do Estádio Olímpico pela Arena.

            O preço das mensalidades é o grande ponto de discussão, bem como o número de associados. Quanto maior for o valor destas duas variáveis, maior será a receita do clube. Entretanto, pela lógica micro-econômica, a correlação destas duas variáveis é negativa. A busca de um ponto ótimo é mandatória por parte do Conselho de Administração do clube. Muito debate em torno do assunto em redes sociais e informações imprecisas já foram lançadas por nossos dirigentes e mídia esportiva. Este analista que vos escreve, portanto, optou por um cenário em que o quadro social não muda de tamanho e que o Conselho de Administração decide por uma majoração razoável das mensalidades. Entende-se que a atratividade do novo Estádio permitirá este aumento, logo não deve haver ingresso de novos associados no clube. Os preços escolhidos, inclusive, tem sido divulgados recentemente por conselheiros próximos ao Eduardo Antonini. Nos próximos parágrafos, além da divulgação dos preços das mensalidades (opinião), serão mostrados os critérios utilizados por este analista para definir a procura por cada uma das modalidades que provavelmente existirá na Arena.

A procura dos sócios-patrimoniais aos diferentes setores do novo Estádio gremista é algo difícil de ser mensurado, pois estamos tratando de uma situação nova e jamais vivida pelo clube. Por conta disso, optou-se por utilizar o critério do preço da mensalidade x disponibilidade de assentos para estipularmos a demanda. Logo, quanto mais nobre é o setor, menor será a sua procura. Entretanto, se a área for pequena (em termos relativos), o percentual de ocupação dessa área por sócios-locatários poderá ser maior. Logicamente, há muita subjetividade nessa questão. Mesmo que saibamos que cada um tem o seu, o bom senso foi a ferramenta utilizada para determinar o tamanho das áreas disponíveis e o quão procuradas elas seriam. É importante frisar que a divisão dos setores do Estádio e os seus respectivos preços mensais para sócios-locatários obedeceu informações dadas informalmente pelo Vice-Presidente Eduardo Antonini em entrevistas às rádios de Porto Alegre. Não é nada oficial divulgado pelo clube. Antonini mais de uma vez divulgou que o setor mais barato para sócios-locatários seria a Geral (anel inferior atrás do gol) e que o mais caro, depois do anel Gold (área VIP), seria a área central do anel inferior. Todos estes setores seriam divididos entre áreas localizadas atrás do gol, nos corners e no meio das arquibancadas. Quanto mais central, mais caro. Abaixo é mostrada como ficou a matriz de preços versus disponibilidade de assentos versus procura sócios-locatários.:

  1. GERAL

Categoria

Valor Mensalidade

Lugares na Arena

% de Associados Neste Setor

Associados Neste Setor

Renda Mensal

G E R A L

Geral  R$90,00

 10.228

70%

 7.160

 R$644.364,00

Total Geral  

 10.228

 

 7.160

 R$644.364,00

  1. ANEL INFERIOR

 

Categoria

Valor Mensalidade

Lugares na Arena

% de Associados Neste Setor

Associados Neste Setor

Renda Mensal

A N E L   I N F E R I O R

Inferior Corner  R$160,00

 5.089

50%

 2.544

 R$407.093,33

Inferior Atrás do Gol  R$140,00

 2.544

60%

 1.527

 R$213.724,00

Inferior Meio  R$180,00

 7.633

45%

 3.435

 R$618.273,00

Total Inferior  

 15.266

 

 7.506

 R$1.239.090,33

 

 

  1. ANEL GOLD

 

Categoria

Valor Mensalidade

Lugares na Arena

% de Associados Neste Setor

Associados Neste Setor

Renda Mensal

A N E L   G O L D

Gold SPE  R$300,00

 6.848

15%

 1.027

 R$308.160,00

Gold Grêmio  R$300,00

 2.000

15%

Total Gold  

 8.848

 

 1.027

 R$308.160,00

 

 

  1. ANEL SUPERIOR

 

Categoria

Valor Mensalidade

Lugares na Arena

% de Associados Neste Setor

Associados Neste Setor

Renda Mensal

 
 

A N E L   S U P E R I O R

Superior Corner  R$120,00

 11.735

75%

 8.801

 R$1.056.150,00

 
Superior Atrás do Gol  R$100,00

 4.694

80%

 3.755

 R$375.520,00

 
Superior Central  R$140,00

 7.041

65%

 4.577

 R$640.731,00

 
Total Superior  

 23.470

 

 17.133

 R$2.072.401,00

 

 

 

            Os números acima mostram que o Grêmio terá cerca de 24 mil sócios-locatários de espaços nos setores mais baratos da Arena: a Geral e o Anel Superior. O fato condiz com a distribuição verificada atualmente no Estádio Olímpico. Os demais sócios locatários, cerca de 8,5 mil, estão nos setores mais caros, assim como ocorre atualmente no setor oeste do anel superior do Estádio Olímpico. A diferença é que, na opinião deste analista, a Arena terá cerca de 3 mil associados a mais nestes setores considerados mais nobres, pois esta conquistará clientes que o velho Olímpico não tinha condições de atender. Destaca-se o fato de que no Anel Gold apenas 15% dos 6.848 assentos disponíveis para locação foram negociados para sócios. O número é baixo em virtude do Antonini já ter antecipado que cerca de 70% daquele setor deve ser negociado para pessoas jurídicas, além de que 2 mil cadeiras serão próprias do Grêmio para concessão à membros do Conselho Deliberativo, do Conselho de Administração, proprietários de cadeiras perpétuas do Olímpico e convidados do clube.

            O valor das mensalidades, como se pode perceber, sofreu uma majoração de cerca de 40% para os associados que hoje são sócios-proprietários no Olímpico e que passarão a ser locatários de cadeira (ou de espaços, no caso da Geral) na Arena. A localização destes no estádio mudará do primeiro para o quarto anel. Para os atuais sócios-locatários do Estádio Olímpico (localizados no anel superior, setor oeste) a majoração ocorreria apenas se o Anel Gold fosse a sua escolha.

            O número de sócios-torcedores permaneceria mais ou menos o mesmo daquele verificado atualmente com o Estádio Olímpico, isto é, 32 mil associados. Eles pagariam metade do valor da mensalidade mais barata da Arena, isto é, da Geral.

Sócios Torcedores  R$45,00

                32.000

 R$1.440.000,00

            Muito embora o quadro social deva se manter estagnado em número de associados em virtude da majoração das mensalidades, ele passará a ser mais rentável para o clube. Foi considerado que os sócios patrimoniais, em sua grande maioria, pretenderá manter o seu direito de acesso irrestrito à Arena, aceitando o aumento da mensalidade em troca do melhor conforto oferecido no novo Estádio. Aqueles que não desejarem ainda terão mais de 10 mil lugares na Geral oferecendo praticamente o mesmo custo atual. A receita mensal do Quadro Social do Grêmio, portanto, passaria a ser esta:

TOTAL

            64.826

 R$5.704.015,33

A receita de R$ 666,6 mil reais por mês que o Grêmio terá oriunda da Superficiária será, obviamente, a contrapartida da  despesa de mesma natureza da Superficiária conforme descrito e analisado anteriormente. Portanto, esse ponto não precisa ser novamente debatido.

O mesmo pode ser dito em relação às despesas de ressarcimento que o Grêmio deverá incorrer junto à Superficiária. Elas representam o pagamento que o Grêmio deverá fazer junto à Gestora da Arena para bancar o seu sócio dentro do novo Estádio. A lógica é a de que quanto maior for o número de associados presentes na Arena, maior será o desembolso do Grêmio para bancar este associado no novo Estádio.  Em vista da projeção do número de associados em cada setor da Arena e do preço cobrado pela Superficiária para cada um destes setores, foram construídas tabelas projetando o valor total a ser ressarcido pelo Grêmio considerando cada um dos 6 cenários já citados. São eles:

RESSARCIMENTO GRÊMIO P/ SPE POR JOGO (ARENA LOTADA)

Sócios Locatários de Cadeira

 R$2.111.065,04

Sócios Torcedores no Anel Superior

 R$169.860,84

Sócios Torcedores no Anel Inferior

 R$284.170,63

Sócios Torcedores no Anel Gold

 R$383.672,37

Sócios Torcedores na Geral

 R$53.933,49

TOTAL

 R$3.002.702,38

RESSARCIMENTO GRÊMIO P/ SPE MENSAL (ARENA LOTADA)

R$9.008.107,13

RESSARCIMENTO GRÊMIO P/ SPE MENSAL (40 MIL PESSOAS)

R$5.545.922,84

RESSARCIMENTO GRÊMIO P/ SPE MENSALL (30 MIL PESSOAS)

R$4.057.963,29

RESSARCIMENTO GRÊMIO P/ SPE MENSAL (20 MIL PESSOAS)

R$2.570.003,74

RESSARCIMENTO GRÊMIO P/ SPE MENSAL (15 MIL PESSOAS)

R$1.826.023,96

RESSARCIMENTO GRÊMIO P/ SPE MENSAL (8 MIL PESSOAS)

R$784.452,28

Os valores que não aqueles referentes à Arena lotada representam uma função desta, portanto não foi divulgado o valor específico de ressarcimento para cada modalidade de sócio conforme a sua localização dentro da Arena.

O resultado final para o Grêmio na conjunção dos dois fluxos de caixa, da Superficiária e do próprio clube, foi considerado positivo por este analista, pois em nenhum dos 6 cenários de público médio projetados o Grêmio verificaria saldo de caixa negativo. Entretanto, ocorreria um fato curioso: quanto maior o público médio na Arena, menor será o resultado positivo do clube devido ao incremento nas despesas de ressarcimento à Superficiária. Vamos aos números:

Fluxo de Caixa Final Projetado para o Grêmio

 

Arena Lotada

40 Mil

30 Mil

Receita Quadro Social

 5.704.015

 5.704.015

 5.704.015

Receita SPE > Gremio

 666.667

 666.667

 666.667

Despesa de Ressarcimento SPE por Lotação

 (9.008.107)

 (5.545.923)

 (4.057.963)

Resultado Sem Participação SPE (Grêmio)

 (2.637.425)

 824.759

 2.312.719

Receita Participação SPE

 4.353.335

 2.545.522

 1.665.380

Resultado Líquido (Grêmio + SPE)

 1.715.910

 3.370.281

 3.978.099

 

20 Mil

15 Mil

8 Mil

Receita Quadro Social

 5.704.015

 5.704.015

 5.704.015

Receita SPE > Gremio

 666.667

 666.667

 666.667

Despesa de Ressarcimento SPE por Lotação

 (2.570.004)

 (1.826.024)

 (784.452)

Resultado Sem Participação SPE (Grêmio)

 3.800.678

 4.544.658

 5.586.230

Receita Participação SPE

 785.238

 345.167

 -

Resultado Líquido (Grêmio + SPE)

 4.585.916

 4.889.825

 5.586.230

Considerando um cenário básico onde o Grêmio mantenha um público médio de 30 mil espectadores por jogo, o resultado do Grêmio com o negócio Arena giraria em torno de R$ 4 milhões por mês, um valor muito longe dos números alarmistas encontrados “no mercado”.

            O resultado final dessa análise jamais pode ser considerado conclusivo. Este analista, além de não dispor de todas as informações necessárias para a construção de uma análise mais completa, trabalhou quase sempre com hipóteses. Entretanto, considera-se que os dados que serão divulgados futuramente sobre preços e mensalidades não devem destoar muito daquilo que foi trabalhado, o que torna possível ao leitor ter um norte de como o novo Estádio tricolor poderá impactar as finanças do clube nos próximos anos. A análise recém finalizada visa somente enriquecer o debate em torno do Projeto Arena. Em nenhum momento este analista buscou defender uma posição política ao realizar esse estudo, até mesmo por ser um associado sem vínculo algum a qualquer grupo político dentro do clube. O seu partido é o Grêmio e, por amar o clube, querer o seu melhor e para dirimir dúvidas pessoais quando à viabilidade econômico-financeira do Projeto Arena, tentou unicamente se certificar se este será saudável ou não para o clube. Por isso, o mesmo está aberto a críticas. Elas servirão para trazer um melhor entendimento sobre o tema e para enriquecer o debate em torno daquele que pode ser o turning point do clube nas próximas décadas.

Bruno Saraiva Ferreira e Silva
Sócio desde 1998
Administrador de Empresas
Mail: mundiko@msn.com

A FORMAÇÃO DE JOGADORES SUBSTITUÍDA PELO MARKETING

Jamais seria louco de remar contra a maré e de negar a necessidade e a importância do marketing esportivo. Tampouco nego que – atualmente – o jogador precise ser uma empresa repleta de assessores para agenciar a sua carreira (os mais promissores e os já consagrados contam com assessoria de imprensa contratada, media training para não falarem muitas bobagens, estilista pessoal, marca própria, etc.). Afinal de contas, ele é um componente-chave dentro de uma cadeia produtiva.

Contudo, a recente contratação de um jogador chinês pelo Corinthians e as falhas da Lei Pelé nocivas aos clubes põem em sério risco a priorização da formação de jogadores nas categorias de base por parte dos grandes clubes brasileiros.

Apesar do fantástico exemplo do Barcelona – cujo investimento em La Masia é crescentemente recuperado dentro e fora do campo (inclusive no Brasil e na Argentina) – temos, no Brasil, um fator limitador: os clubes só podem firmar um contrato profissional com jogadores a partir do dia em que eles completarem 16 anos de idade. Antes, eles são agentes livres – podem sair gratuitamente para qualquer lugar, sem que a instituição formadora seja minimamente ressarcida.

A partir da Lei Bosman na Europa, as leis trabalhistas passaram a impedir os clubes de ter aquilo que chamávamos antigamente de “passe” – apesar da multa rescisória pela negociação anterior ao prazo definido nos ora ditos “direitos federativos” resultar quase na mesma condição anterior. Além disso, por uma questão de isonomia e para evitar qualquer jurisprudência trabalhista nesse sentido, seria injusto com outras categorias profissionais ou flexibilizar, ou tornar mais rígida a condição do atleta profissional. Portanto, a solução precisa de um outro mecanismo – mesmo que seja necessário abrir uma exceção jurídica, o que nossos amigos da área do Direiro podem ajudar a operar com as devidas salvaguardas para evitar o risco da jurisprudência. Se não agirmos nesse sentido, casos de aliciamento como o deste triste exemplo irão minar o interesse dos grandes clubes em seguirem bancando as categorias de base.

Se o que interessa é expandir o universo de consumidores e de fãs, apesar de o nosso país ser demograficamente vasto, a fidelidade, a identidade regional, a tradição familiar e a necessidade de faturar cada vez mais para contratar e reter talentos são limitadores do crescimento do público de um clube. Apesar de a globalização levar à procura rumo aos mercados superpopulosos e financeiramente prósperos da Ásia, a pesquisa da Pluri Consultoria sobre o torcedor brasileiro aponta para uma maior proximidade do fã para com a sua respectiva identidade regional.

Mesmo assim, demográfica e culturalmente, não posso afirmar, hoje, que haja – demográfica e culturalmente – certeza de que a maioria dos jogadores que poderão vir a proporcionar frutos valiosos para o nosso Grêmio em um futuro próximo repliquem a mesma lógica que permeou a maioria de nossas equipes multicampeãs (isto é, a de jogadores predominantemente gaúchos feitos em casa). Todavia, a forma com que os agentes (insisto: mal denominados como “empresários”) prospectam, oferecem e adquirem os meninos como mercadorias faz com que eles circulem de maneira muito precoce por mercados aos quais a maioria deles terá imensa dificuldade de adaptação.

Paralelamente, temos um exemplo bastante próximo do RS no Uruguai, onde a AUF, sob o comando do técnico Óscar Tabarez, tem obtido resultados extremamente significativos dentro de campo e – mais do que isso – contribui para um culturamento formal mais amplo, reduzindo a chance de os jogadores serem descartados como qualquer bem de consumo material de obsolescência programada. A intenção uruguaia é bem diferente da brasileira, que é uma réplica do que ocorre na maioria dos grandes centros europeus: enquanto nossos vizinhos cisplatinos investem na formação do cidadão, do homem culto, politizado e autônomo em relação ao seu futuro, sabedor da sua identidade sociocultural, aqui se tem muito medo de que os jogadores deixem de ser as ovelhinhas preferidas por muitos técnicos e dirigentes.

A formação uruguaia traz consigo um gigantesco bônus para o futebol: ao invés de seguidores, líderes; ao invés de alienados e/ou semianalfabetos, profissionais capazes de se manifestar como formadores de opinião qualificados; ao invés de respostas evasivas, de polemizações desnecessárias e de um falso bom-mocismo, entrevistas mais francas e mais repletas de significado, com as quais a mídia e os torcedores terão muito a aprender.

Em função de todo esse contexto, precisamos urgentemente de uma verdadeira UNIÃO dos clubes para que as comissões + cessão ou divisão dos direitos federativos de todo e qualquer menino das categorias de base para agentes FIFA não ultrapasse os 30% e que, neste caso especialíssimo – o dos atletas em formação – o primeiro contrato profissional possa ser firmado aos 12 anos.

Finalmente, que todo e qualquer clube dito profissional deva necessariamente manter e desenvolver sempre TODAS as categorias de base, a fim de manter-se federado e presente em ligas competitivas. Isso garantiria a geração de empregos em todas as instâncias do futebol e tornaria a ação dos agentes mais transparente.

Contudo, há um fortíssimo entrave para a concretização desse modo de trabalho: a poderosa articulação entre dirigentes e patrocinadores que faturam alto com as constantes transações e agentes que funcionam ora como mecenas, ora como agiotas. E se esse tipo de relacionamento promíscuo ocorre até mesmo no seio dos clubes (eventuais diretores de escolinhas inescrupulosos, conselheiros que tormaram-se agentes e o costumeiro constrangimento que impede que conhecidos e partidários desses entes revelem a verdade).

Na área da Administração, costuma-se incentivar o empreendedorismo afirmando-se que, para toda a ameaça, surge uma oportunidade. Eis, portanto, o meu, o teu, o NOSSO desafio para, ainda que lentamente, possamos alterar esse estado de coisas que é comprovadamente nocivo ao Grêmio.

ENTREVISTA DE ANTONINI À RBS: MIGRAÇÃO DE SÓCIOS PARA A ARENA

Faço votos para que as últimas frases de um dos vice-presidentes do Conselho de Administração do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e presidente da Grêmio Empreendimentos Ltda., o engenheiro Eduardo Antonini, sejam amplamente vistas com muito carinho e seriedade pelos profissionais da Sociedade de Propósito Específico (SPE) responsável pela organização de eventos e pela gestão da ocupação, do uso e do consumo da e na Arena do Grêmio.