PROMESSAS NÃO-CUMPRIDAS E O FUTURO DO GRÊMIO

O vídeo acima indicado pelo meu amigo @marcosalmeida72 é extremamente elucidativo: o atual presidente do Grêmio até 2012 e deputado estadual pelo PPS até 2014, Paulo Odone, aponta os caminhos que o clube deveria seguir durante este seu quinto biênio no poder.

No dia 12/12/2010, teve início a gestão do Conselho de Administração encabeçado pelo político. A atual cúpula diretiva do clube foi indiretamente homologada por um Conselho Deliberativo (este sim, democraticamente eleito pelos poucos sócios politizados e engajados no dia 11/09/2010 e que tomou posse dois dias depois).

Salvo se houver alguma (a meu ver, necessária) alteração do período eleitoral na próxima possibilidade de reforma estatutária em 2013, infelizmente prevalecerá a tendência de intromissão da política na atuação do futebol e nos demais departamentos do clube.

Dentre os 300 conselheiros + 60 suplentes eleitos nos dois últimos triênios com mandato intercalado (isto é, 150 + 30 entram a cada três anos e permanecem no Parlamento Tricolor por seis) podemos somar uma bancada inicial de pelo menos 85% de apoiadores de Odone.

Atualmente, o Movimento Grêmio Independente, em função da “fritura” que seus três dirigentes do futebol sofreram, ainda não posicionou-se explicitamente sobre a sua manutenção ou não dentro da aliança chamada de G4, composta ainda pelos movimentos Grêmio Novo, Grêmio Sem Fronteiras e Grêmio Democrático.

A composição do G4, até onde o sócio pode conhecer a partir dos sites dos respectivos movimentos, indica o seguinte quadro:

– Independente: 20 titulares  + 2 suplentes (2007-2013) e 35  + 7 suplentes (2010-2016). Total: 55 + 9 = 64;

– Novo: 16 titulares (2007-2013) e 26 titulares (2010-2016). Total: 42 titulares. Não há informação sobre suplentes no site;

– Democrático: os 7 integrantes da diretoria do movimento foram eleitos em 2010, além de mais um nome que conheço pessoalmente e não consta no site. Não há informação sobre quantos mais entraram no CD, nem sobre quais são titulares e suplentes, mas entende-se que o movimento não possui apenas 8 conselheiros no total;

– Sem Fronteiras: 58 conselheiros, sem discriminação no site de quantos entraram em 2007 e quantos entraram em 2010, nem quantos são suplentes.

Todos os sócios devem entrar nos sites dos respectivos movimentos e solicitarem maiores esclarecimentos sobre tudo o que a mídia veicula e sobre o funcionamento da gestão do clube, bem como sobre o seu posicionamento acerca das ações que não conseguem executar, bem como por que.

Temos também a aliança outrora hegemônica, composta pelo G7, hoje com pouquíssimos conselheiros, cujo mandato vence em 2013, além da antiga Terceira Via (Sócios Livres e Grêmio do Prata) e, provavelmente, também de um movimento surgido da Geral e prováveis desdobramentos, fusões e o surgimento de novos atores nos próximos anos.

O ideal seria que aqueles com mandato em vigor tivessem um blog institucional vinculado ao site oficial do clube sem nenhuma dependência de seus respectivos movimentos, a fim de que haja uma interação direta junto aos sócios. Enquanto isso não ocorrer, não saberemos ao certo a posição de ninguém. Afinal de contas, não é por terem sido eleitos juntos que todos irão concordar com tudo o que é feito nesta gestão extremamente desastrosa no futebol e nas relações institucionais intra-movimentos.

É importante que o associado com direito a voto lembre-se sempre em quem votou, seja para definir-se ideologicamente, seja para conhecer melhor a quem entregou a responsabilidade de representá-lo na vida do clube.

POR UM 442 À INGLESA PARA EQUILIBRAR O GRÊMIO

Apesar da enorme satisfação pela primeira atuação convincente do Grêmio no ano com uma vitória relativamente tranquila sobre o perigoso Junior de Barranquilla (COL) pela 5ª e penúltima rodada do grupo 2 da Copa Santander Libertadores 2011, é impossível deixar de apontar uma alternativa de jogo que considero bastante promissora, pois vejo nela uma possibilidade maior do que a atual de equilibrar o time.

O @marcosalmeida72 comentou no @sempreimortal :

“A velocidade do Paulão faz falta para a defesa ontem quase foi fatal.”

Isso me traz novamente à preocupação que tenho com o 442 de Leonardo na Internazionale, que – dadas as diferenças técnicas quase todas a favor do time italiano se comparado ao nosso – é quase o mesmo que Renato aplica aqui no Tricolor: sendo os quatro homens do meio dispostos em um losango, temos um meia defensivo (centromédio ou volante); dois meias – um pela esquerda e outro pela direita – que não são nem ofensivos nem defensivos demais, mas que tem a obrigação de ser os homens que auxiliam o único centromédio na marcação e que apoiam o apoiador, armador ou “ponta de lança” sempre que possível.

[ATUALIZAÇÃO de 15/04: @valdirespinosa comentou sabiamente hoje que o esquema das fracassadas Seleções de 2006 e de 2010, além do atual esquema praticado pelo @manomenezes, é praticamente o mesmo. Isso reflete o modelo tático mais utilizado pelos técnicos brasileiros da Série A. Portanto, a Seleção é um reflexo dos clubes – mesmo que a maioria dos jogadores estejam no exterior. Lá, via de regra, muito poucos de nossos convocados mais frequentes atuam no mesmo esquema e na mesma posição. Isso não significa que os nossos técnicos estão defasados e que o intercâmbio com a Europa é muito pequeno?!]

Isso posto, a dificuldade que o Grêmio tem em não conseguir reter a bola no ataque adicionada à baixa capacidade de o nosso time marcar adiantado não decorrem apenas de uma qualidade menor do que a desejada em nosso plantel.

Por que? Porque tivemos uma série de atuações recentes assustadoras, nas quais produzimos muito pouco defensivamente (média superior a um gol por jogo), apesar do excelente desempenho contra clubes pequenos neste início de ano (média de mais de dois gols por partida).

Espero que isso [ATUALIZAÇÃO: incluindo aí o vexame contra o Oriente Petrolero] tenha acendido o sinal amarelo para que a nossa comissão técnica repense a forma de armar o sempre complexo quebra-cabeça da escalação, do posicionamento e do equilíbrio entre marcar sem sofrer muito e manter a iniciativa lá na frente.

Na minha visão, partindo do pressuposto de que não iremos contratar mais nenhum jogador para a sequência da Libertadores, em função das características e com as deficiências que verifiquei em nosso plantel num post recente (recomendo a leitura: passa lá, comenta e volta, por favor!), o losango me parece enfraquecer todo e qualquer sistema de marcação quando não possuirmos: a) exímios passadores; b) zagueiros velozes e c) dois avantes no estilo pivô ou dois atacantes abertos. Um outro detalhe: Douglas, devido à sua lentidão, à sua péssima forma física e ao seu apenas eventual interesse em dedicar-se ao time, é tudo o que não precisamos (assim como Carlos Alberto, que é da mesma posição) ou, seja, não acelera o jogo e não marca. O Grêmio é incapaz de vencer fora de casa a adversários apenas razoáveis porque falta velocidade, precisão nos passes e nas conclusões e posse de bola. Tudo isso estoura na zaga e diminui o potencial de aproximação dos bons volantes Adilson e Rochemback.

Falando neles e voltando ao esquema tático equivocadamente utilizado por Renato, reitero que, com o meio disposto em losango, as inversões de posição entre os volantes é menor do que a necessária, pois eles acabam indo para cima menos vezes do que seria possível fazer.

Isso ocorre porque o centromédio (isto é, o meia do vértice baixo do losango) fica quase sempre restrito à sua função defensiva. Outro ponto prejudicial no posicionamento desse jogador: trata-se de um único homem para tentar evitar que a zaga fique no mano-a-mano contra os meias e os atacantes adversários.

Com o atual plantel do Grêmio, só vejo uma chance (pequena, diga-se de passagem) de o time voltar a render mais do que tem rendido ainda sob esse esquema a meu ver falido (o losango): entendo que, caso já carregasse consigo as devidas maturidade, entrosamento e força física, o centromédio deveria ser Fernando. manter um homem parado entre os meias e o ataque só funciona se ele não tiver pança, se dignar a dar o combate e errar menos entre cadenciar e acelerar o jogo (repito: Douglas não é solução porque é bipolar; e, se não é regular, é insuficiente). Por fim, viver de cruzamentos quando não se tem um avante alto é um erro que custa a perda da posse de bola e muitos contra-ataques ao adversário.

O 442 em duas linhas de quatro é muito mais equilibrado tanto para atacar quanto para defender. Todavia, ele exige que todos os zagueiros e volantes sejam velozes e que os meias mordam, pois o seu objetivo é manter a posse de bola no ataque. Para isso, a marcação se faz no campo do adversário.

Tendo isso em vista, eu escalaria o Grêmio da seguinte forma:

Victor; Gabriel, Mário Fernandes, Rodolfo e Lúcio; Pessali, Rochemback, Adilson e Escudero; Leandro e Borges.

Com este esquema, até jogadores como Willian Magrão e Fernando receberiam mais oportunidades. Assim, dentro de alguns meses, também fariam parte de um grupo mais homogêneo, com um maior compartilhamento de alternativas por setor gerando, assim, uma quantidade maior de acertos. Haveria também a possibilidade de acelerar o processo de amadurecimento do bom Mateus Magro e haveria mais efetividade quando fossem utilizados outros atacantes – sobretudo Vinicius Pacheco e Viçosa. E até mesmo Bruno Collaço tenderia a melhorar sob esse esquema.

Aí, vocês perguntam: mas e Douglas? Afinal de contas, não seria ele o jogador mais bem dotado de qualidades técnicas para acionar o ataque e surpreender o adversário alterando a velocidade para ditar o ritmo do jogo?

Vale a pena insistir: Douglas, Carlos Alberto e Escudero (este último ainda com alguma chance de dar certo) não são os homens certos para o que o Grêmio precisa na posição. Perdemos a chance de trazermos dois homens que fazem a diferença no Cruzeiro, o grande favorito à Libertadores 2011: Gilberto e Roger.

Douglas corre pouco. Douglas poucas vezes dá o combate. A proporção dos erros de Douglas em relação aos acertos, infelizmente, é grande. Vejo qualquer grande clube europeu jogar e não vejo nenhum jogador barrigudo. Vejo qualquer grande clube brasileiro que atue nesse mesmo esquema do Grêmio cujo “enganche” (meia de ligação ou “ponta de lança”) seja muito mais brigador do que o nosso.

O Grêmio se vê quase obrigado a jogar nesse esquema com o losango no meio de campo porque possui três enganches caros, sendo que nenhum deles é exatamente afirmado e seria necessário obter lugar no time para pelo menos dois deles – seja inventando um deles mais aberto pela meia esquerda (Escudero, na eventual impossibilidade de Lúcio poder atuar) ou pela meia direita (Carlos Alberto). Já se tentou deslocar um deles para o ataque (Escudero pela esquerda ou Carlos Alberto pela direita), mas eles ainda não conseguiram mostrar um desempenho aceitável.

Descontada a timidez e o mau estado físico com que o argentino Escudero chegou ao Olímpico e a real possibilidade de ele poder oferecer um bom nível de atuação pelo lado esquerdo do ataque (embora inferior ao que pode apresentar como enganche), Carlos Alberto só teria lugar aonde fica Douglas.

Portanto, a única chance de equilibrar esses – até o momento – erros de avaliação por mim considerados até o momento é alterar o esquema tático e mostrar que não há ninguém intocável no plantel do Grêmio.

Outra pergunta que podem me fazer: por que Pessalli? Porque o menino, depois de ter passado por uma fase em que pensava jogar mais do que realmente jogava e após uma lesão grave, demonstra um amadurecimento e uma humildade surpreendentes para a sua idade. E, quando entra, ele demonstra ter velocidade e – disparado – o melhor cruzamento do plantel do Grêmio com o pé direito.

Vejo que Escudero tem potencial e pode vir a recuperar a sua forma física em breve. E atuar pela sua faixa preferencial de campo em combinação com o lateral e com o atacante deve trazer muitas alegrias para a torcida tricolor.

Lúcio, que é uma figura humana incrível e trata-se de um jogador muito inteligente e qualificado, deveria ser recuado para a lateral esquerda. Lá, ele rende ainda mais do que o bom futebol que tem apresentado na meia. E, de quebra, resolve o nosso maior problema, que é a colossal deficiência técnica de Gilson e a miudez de Bruno Collaço.

Mário Fernandes, a quem Renato – em princípio – considera reserva, possui estatura, leveza, técnica e velocidade. Embora (ao contrário de muitos) eu reconheça em Rafael Marques um bom jogador (regular, aceita atuar nos dois lados da zaga, faz gols e, mesmo sem brilhar, erra menos do que seus companheiros de posição), neste caso, para manter a sua titularidade, só se ele fizesse o lado esquerdo em lugar de Rodolfo. Porém, este último, embora demonstre ser mais extremado do que regular (quando erra, erra feio; e, quando acerta, seu brilho é notável), ainda parece ser superior tecnicamente, em que pese a sua baixa estatura.

Repeti algumas considerações porque realmente considero fundamental repensar MUITO o time do Grêmio. Quem sabe se o próprio Espinosa não senta com o Renatão pra tomar um choppinho e sugerir algo parecido ao amigo, hein? ;)

É PRECISO REPENSAR A ARENA DO GRÊMIO

http://globoesporte.globo.com/platb/futebolnordestino/2011/03/17/a-arena-do-sport/

Pontos importantes:

1. Na noite desta quinta-feira, 17, o conselho deliberativo do clube, em assembléia, aprovou o projeto do consórcio Plurisports para a construção da arena do clube. A próxima etapa prevê a votação em ASSEMBLEIA GERAL com todos o sócios em dia, maiores de 18 anos com pelo menos um ano no quadro. A provável data para a realização do novo pleito é o dia 7 de abril.

2. O estádio terá capacidade para 45 mil lugares e toda a obra deve custar R$ 500 milhões.

3. Segundo o presidente do Sport, Gustavo Dubeux, o clube pernambucano terá 100% dos lucros das bilheterias, quadro de associados etc. já nas receitas da arena, que compreendem às cadeiras cativas, eventos, publicidades, são 7% na primeira década e passam a 15% no décimo quinto ano. Com duas décadas, chega aos 25%. O consórcio tem duração de 30 anos.
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- Pra que o estádio da Copa em outro município?! Santa Cruz prefere o velho Arruda, que é enorme e central (ideal p/clube bem povão c/torcida pobre), Sport terá uma Arena excelente NO MESMO LUGAR e torcida do Náutico em geral (que tem +$ do que as de Sport e Santa) já avisou que não irá ocupar aquela arena que fica aonde o diabo perdeu as meias;

- O Olímpico tem capacidade p/51000 espectadores. BM permite vender 45000. Quando estoura a tanga, público total chega a 41, 42 mil e poucos. Será MESMO que, quando a Arena deixar de ser novidade, inclusive com 100000 sócios (sendo a esmagadora maioria de longe de POA e que só pode pagar 18 reais/mês), irá lotar os 57000 lugares projetados (sobretudo sendo funcionário da Globo como diz o analista econômico Luís Nassif aqui)> Conforme este estudo, ainda estamos muito longe de termos uma parcela de nossa população demograficamente capaz de lotar uma Arena elitizada;

- 100% das bilheterias serão do Sport. Enquanto isso, a cada jogo que não pusermos 19000 e poucos torcedores, teremos que devolver parte do adiantamento referente à essa média de público à OAS com CINCO MESES deficitários (férias em dezembro e Gauchão – isso nos obriga a estarmos sempre nas cabeças da Libertadores e com um time de ponta);
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- : o Palmeiras constrói NO MESMO LUGAR do Parque Antarctica e será dono do complexo (cento de convenções, etc.) após 30 anos. Mas há um detalhe importante em que o Grêmio leva desvantagem em relação à OAS onde, na comparação, o Palmeiras ganha junto à W/TORRE:

“Quando o Palmeiras não puder jogar em seu estádio por compromissos da Arena Multiuso com outro tipo de espetáculo, o clube ficará com 100% da renda no estádio alugado e a W. Torre pagará 50% do aluguel desse palco. A única diferença em relação à situação atual do Morumbi é que o São Paulo não tem alguém que pague 50% do aluguel. Semana que vem, o Morumbi estará fechado, apesar de haver São Paulo x Corinthians no domingo, por causa do show do Iron Maiden.”

Já ouvi falar que, gradativamente, os donos de cadeiras que pagam 1200 e poucos reais passarão de 4200 anuais na Arena. E que o ingresso mais barato dificilmente custará menos de 60 reais em Gauchão.

Não estamos na Inglaterra. Portanto, precisamos adaptar o modelo alemão ao Brasil, um país de baixa escolaridade e população pobre, cujos ricos não frequentam futebol na maior parte do tempo porque tem muitas opções de lazer pelas quais podem pagar.

Por isso, reitero a leitura de uma antiga série de posts do meu blog:

<http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio/>

<http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio-ii/>

<http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio-iii/>

Caso haja uma melhora repentina na qualidade de vida do porto-alegrense, mesmo assim, não podemos correr o risco de mudarmos radicalmente o perfil do torcedor: mesmo quando temos um time ruim, o que nos torna mais fortes e diferentes dos outros clubes é uma torcida vibrante e ruidosa. Se perdermos isso, morre o Grêmio como o conhecemos.

O relato sobre o futebol inglês no próximo link é arrasador:

<http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-15/carta-da-inglaterra/o-esporte-que-vendeu-a-sua-alma>

Fala aqui um cara que tinha severas restrições ao modelo de negócio da Arena do Grêmio e que se rendeu à oportunidade antes que a bolha estoure. No entanto, considero que todas as ponderações acima precisem ser levadas a sério.

CARA A CARA COM O REI LEÃO: APRENDER SEM TIETAR E OUVIR EM SILÊNCIO

Peço muitas desculpas a todos os blogueiros e moderadores de comunidades vinculados à rede social que ajuda a divulgar o Exército Gremista e os planos de sócios do Grêmio pelo atraso neste post. Porém, a vida anda bastante atribulada. E, por falar no Tricolor, às vezes ocorrrem fatos que precisam furar a fila por alguma razão.

As fotos e vídeos deste post estão no Flickr. Assim que estiverem no ar, selecionarei algumas para ilustrá-lo. Portanto, ainda editarei este post algumas vezes. ;)

Graças à uma iniciativa das queridas amigas Melissa Devens e Bianca Ramos com a colaboração de Vitor Rodriguez, fui sorteado para participar da entrevista coletiva após a conquista do 1º turno do Gauchão 2011 ou Copa Piratini. Não vou adentrar na análise do jogo, pois o que importa é o que eu senti na sala de conferências do Olímpico. ;)

Preciso agradecer também ao nosso novo (porém velho conhecido e com um pedigree daqueles!) diretor-executivo de marketing Paulo César Verardi e à gerente de marketing Michelle Billo, pois são eles que organizam e viabilizam as iniciativas de tantos gremistas espalhados pelo mundo.

Bem… Após a condução da Bianca e do Vitor, fiquei no canto direito, na penúltima fila (a última é sempre ocupada pelos cinegrafistas, para que eles posicionem o foco, a distância e a direção de suas lentes o mais afastados possível de cabeças e braços inoportunos), com a instrução de que não poderia fazer perguntas.

O primeiro a adentrar o recinto para falar aos jornalistas foi o REI LEÃO. Muitos chamam-no de Santo; outros, de O Espírito que Anda e os mais infelizes de “Renato Gaúcho“. O REI LEÃO CHAMA-SE RENATO PORTALUPPI. Ponto. ;)

Com todo o respeito a diversos setoristas de diversos veículos, considero que as únicas perguntas capazes de instigar Renato a discutir as suas decisões como técnico mais a fundo foram a do repórter e analista tático Eduardo Cecconi, do Globoesporte.com. Não que outros profissionais experientes e respeitáveis tenham perguntado bobagens – longe disso. Apenas acho que, para aquilo que me interessa mais observar e, acima de tudo, APRENDER dentro de campo é preciso desenvolver uma conversa que traga consigo um pouco de cientificidade associada à prática. Mas isso é problema meu – coisa típica de acadêmico. Deixa pra lá! ;)

Além do Cecconi, consegui reconhecer também Glauco Pasa da RBS TV / SPORTV; Tatiana Lopes, do ClicRBS / Clube da Bolinha; Eduardo Gabardo, da Rádio Gaúcha; e Luiz Carlos Reche, da Rádio Guaíba.

O ambiente era bastante positivo e festivo. O presidente do Conselho de Administração do Grêmio, Paulo Odone Chaves de Araújo Ribeiro, o vice-presidente e o assessor de futebol Antonio Vicente Martins e César Cidade Dias deram uma discreta passada pela sala de conferências, sem usarem a palavra ou permanecerem no ambiente durante o decorrer das entrevistas do técnico e dos jogadores.

Considero que essa atitude foi muito digna e oportuna, pois as personalidades a serem celebradas e questionadas eram realmente aqueles que decidiram a parada dentro das quatro linhas. Ponto para eles.

Intimamente, Renato sabe que não se trata de uma conquista acachapante. Este foi um pequeno passo para o homem que – oxalá – possa se transformar em um grande passo para a humanidade. De qualquer forma, a celebração e o status de título foram carregados de emoção, quando ele lembrou-se de que a sua querida mãe, dona Maria Portaluppi, falecera no dia 21/02/2010 e que fizera um pedido a seu filho mais famoso: o de voltar a seu clube do coração e conquistar títulos como técnico do GRÊMIO.

Renato faz uma força danada pra manter a pose de durão. Ele claramente conteve as lágrimas, silenciou para evitar falar com a voz embargada e recompôs o semblante altivo com uma rara naturalidade. Renato em Porto Alegre não dá entrevistas de óculos escuros, ao contrário do que SEMPRE fazia no nosso amado Rio de Janeiro (fosse com 45ºC e sol a pino ou com 12ºC em dia de tempestade). Renato não deve nada a ninguém. Mas, aqui, ele mostra os olhos como se estivesse em uma espécie de [fiodebigodemodeon], característico dos melhores caracteres da nossa população.

A vida de pai da Carol, marido da Maristela, técnico profissional de fato e a maturidade de seus quase 49 anos incompletos (09/09/1962) nos oferecem um Renato bem diferente daquele que me fez vibrar ensandecidamente nos dias 29/07/1983 e 11/12/1983 quando eu era um gurizinho de 10 anos e ele uma fortaleza física e uma monstruosidade técnica de 20-21. A personalidade forte, a coragem, a ousadia e a irreverência são parte indissociável do seu ser. No entanto, ele é, hoje, mais sereno. E, dependendo  daquilo que ouve ou de como sente as pessoas a partir do olhar e das falas dos corpos dos outros, menos paciente e mais arredio.

O hoje introspectivo Renato é um sentinela do Grêmio, assim como o são os quero-queros que dão rasantes nos incautos brigadianos que ousam circular próximos demais de seus ninhos ao redor do gramado do nosso Monumental: ele gostaria de saber e de poder cuidar mais e melhor do seu Grêmio. Porém, ele não possui o devido preparo para isso. Ele não foi feito pra fazer política, nem pra ser forçado a estudar para dominar uma técnica profissional diferente daquela que a intuição e a sua experiência de vida possam lhe oferecer.

Mas a velha impetuosidade do nosso ídolo mais incontestável mostra-se inclusive quando erra: sempre que precisa extrapolar o comando do vestiário ou quando insiste com alguns “bruxos” que, infelizmente, não tem trazido o mesmo resultado que no avassalador final de 2010, Renato peca porque é um lobo solitário em uma estepe vazia de comando.

Acho que é essa a impressão que eu posso relatar acerca de um contato próximo do homem que me trouxe a maior felicidade futebolística que eu tive em toda a minha vida.

Lembro que, quando vivi no Rio de Janeiro entre junho de 2000 e março de 2001, encontrei-o por diversas vezes jogando futevôlei e bebendo um chopp com amigos no quiosque do posto 9 em Ipanema. Não sou um cara tímido, mas gosto de preservar a intimidade das pessoas, para que elas sejam elas mesmas e sintam-se à vontade. Por isso, jamais o procurei para conversar naqueles tantos domingos.

Queria dizer a ele que eu era um piazinho que estava no hoje Quadro Social do Olímpico esperando por ele com a Mãe, com o Pai, com o Vô e com a dona Maria, quinta esposa do meu avô. Que o Vô era de setembro de 1903, assim como o Grêmio. Que o Pai era de Junho de 1930, assim como a primeira Copa do Mundo disputada em território platino, na República Oriental do Uruguai. Que eu achei sensacional o quimono que ele vestia quando deu um abraço bem apertado e um beijo pra lá de amoroso na sua mãe. Que o Vô, minutos antes, havia dançado alegremente com a dona Maria Portaluppi, com a alegre concessão da sua Maria, minha quarta avó emprestada. E que, infelizmente, eu não tenho mais o negativo daquele filme, que contava toda essa história…

Se a mim tivesse sido dada a oportunidade de falar na coletiva, teria dito uma única palavra: OBRIGADO POR TUDO SEMPRE, RENATO!!!

FOI UM PORTALUPPI QUE PASSOU EM MINHA VIDA

1. Renato tinha o desejo particular alimentado por um pedido de sua mãe para vir treinar o Grêmio e dar-nos um título;

2. Sabe-se lá por que, Renato aparentemente parece ter apagado os vínculos afetivos e identitários de sua vida pregressa no RS: não se sabe se ele chegou a procurou os antigos e nem mesmo se fez alguma questão de ter novos amigos por aqui. Vive isolado no hotel;

3. Tenho a informação de que Renato possuía bom relacionamento com o ex-presidente Duda e com o vice e o diretor de futebol Guerra e Rui, respectivamente. Com eles, bebia um chopp e comia uma carne. Mesmo assim, sem muita intimidade ou frequência;

4. Também tenho a informação de que Renato poucas vezes foi tratado com assertividade por Odone, Vicente, César Cidade e José Simões. Entendam: nunca faltou respeito e não se pode falar em frieza ou em má vontade mas, sim, em falta de tapinha nas costas, de levar um papo numa mesa de bar sobre o time, sobre o clube, conversar um pouco sobre a vida fora do futebol (eu vivi no Rio de Janeiro e trabalhei com setoristas dos clubes – Renato preza muito isso). Segundo as mesmas fontes, essa é a maneira didática de o Renato poder ouvir e repensar certas insistências que tem dado errado para então repensar;

5. 3 e 4 também tem a ver com a pouca disposição de Renato em se abrir. Como ele sempre fez questão de aparentar uma imagem de forte e de fanfarrão, procura evitar demonstrar suas fraquezas. Dessa forma, não parece ser nada simples ele poder considerar algum conhecido recente como um amigo de fato;

6. Em Porto Alegre, Renato não tem sossego: ele não pode ir a restaurante algum, shopping, teatro, cinema. Ele não é de andar com seguranças nem de se disfarçar. Infelizmente, o assédio exagerado compromete demais a liberdade individual e isso cansa, deprime e estressa. A vida de ninguém deve se resumir somente ao trabalho;

7. Renato gosta de praia e calor. POA não tem isso. E ele tem muito menos possibilidades de ir ao Rio do que poderia imaginar. Isso eu entendo, pois eu tenho pavor de clima frio e me sinto mais forte e mais confiante com a energia do sol, da areia e da imensidão do mar. Pra muita gente, isso é sinônimo de qualidade de vida;

8. Renato é absolutamente apaixonado pela Maristela e pela Carol. A falta delas é monstruosa no dia a dia dele. Já foi noticiado que a Maristela iria vir pra cá pra ele sair do hotel e eles morariam em um apartamento da família dela. Também foi especulado pela imprensa de que a Carol também tinha vontade de vir pra cá nos feriadões, em alguns finais de semana, etc. Mas aí é bem possível que o Renatão pai ciumento deva ter abortado a ideia;

9. Por mais que quisesse enganar a mim mesmo, sempre senti que ele seria um técnico com prazo de validade curto. Porém, a sua estada aqui seria muito intensa para toda a nação tricolor dos pampas;

10. Considero Jorge Kajuru como um polemista de baixo nível. Neste caso, ele pode ter sido suficientemente antiético a ponto de por no ar um off do Renato. Porém, Renato sabia do risco que estava correndo. Não foi trote e ele não falou ingenuamente. Por outro lado, o “eu não te contei nada” que Renato disse a Kajuru não significou em momento algum um pedido CLARO e VEEMEMENTE do técnico para que o jornalista mantivesse sigilo ou, então, que guardasse a informação para torná-la pública em um momento subsequente;

11. O custo de sua permanência aqui foi o alto salário que ele pediu para renovar. Incluída nesse custo estava a já declarada intenção de Odone e Vicente de contarem com outro técnico antes mesmo de serem eleitos. A pressão da torcida caso eles não tivessem feito um novo contrato estendendo a permanência de Renato aqui seria insuportável: em uma fração de segundos, a Geral teria mudado de lado e isso comprometeria até mesmo a crença em uma possibilidade de popularizar a associação de torcedores a baixo custo e o valor simbólico do Projeto Arena em si;

12. Apesar de todo o quadro acima exposto, por enquanto, ainda não há como afirmar que Renato esteja mesmo de partida – nem mesmo apesar de ter recebido uma proposta de seu amigo gestor da Unimed, patrocinadora do Fluminense;

13. Independentemente do desempenho de Renato deixar a desejar em 2011 e de Odone já ter mandado embora Vágner Mancini mesmo após um excelente rendimento daquele técnico em um início de temporada, no momento, não existe nenhum técnico de alto nível disponível no mercado. Descarto o melhor de todos, Muricy Ramalho, não porque o Grêmio não tenha dinheiro para pagar o seu salário (que é pouco maior do que o de Renato) mas, sim, porque as nossas categorias de base não tem formado grandes nomes ultimamente. Muricy revelou que vive intensamente o seu trabalho e, por isso, precisa de uma estrutura que lhe garanta minimamente a possibilidade de ser campeão brasileiro. E o Brasileirão é o campeonato nacional de um país de ponta mais difícil do mundo a ser conquistado para um clube de fora do raio de ação da CBF, da Globo e de seus patrocinadores;

14. Nomes como os de Nelsinho Baptista (hoje disponível no mercado) e Geninho já citados por nomes ligados à atual direção do Grêmio em off não agradam nem um pouco. E a tentativa de formar um técnico gaúcho com base no colorado Argel cai por terra a partir da suposição de que ele tenha mandado um jogador do Botafogo-SP bater em Paulo Henrique Ganso no último final de semana. Sobraria então Lisca, do Caxias, apesar da sua identificação com o nosso Tradicional Adversário;

15. Eu prefiro que Renato fique. Nenhum outro dos citados teria condições de nos dar, sob o toque imediato de uma varinha de condão, a segurança defensiva e a eficiência ofensiva de que tanto necessitamos para conquistarmos a Libertadores 2011;

16. Apesar de tudo, que o Grêmio consiga sair dessa melhor do que entrou. Perdemos a confiança do técnico em função da precipitação dos dirigentes. Perdemos Jonas, goleador e garçon. Viramos motivo de chacota por causa da não-contratação de Ronaldinho (embora não quisesse o seu retorno nem pintado de ouro). Os dois fatos mataram completamente a flauta do Mazembe. Agora, salvo uma imensa reviravolta, o ídolo-mor tende a sair e a sua reposição periga ser insuficiente ou, então, de resultado satisfatório previsível somente a longo prazo.

17. #FICARENATO , se possível. Senão, que recuperes a tua felicidade livre como um golfinho. E obrigado por tudo sempre!!! \o/