O IMPÉRIO NO SÉCULO XXI

Trecho do meu texto para apreciação da banca de qualificação nas próximas semanas:

 

 

A Constituição do Império no início do século XXI

 

Nosso ponto de partida era o reconhecimento de que a ordem global contemporânea já não pode ser entendida adequadamente em termos de imperialismo, tal como era praticado pelas potências modernas, com base essencialmente na soberania do Estado-nação ampliada para territórios estrangeiros.

 

Em vez disso, surge agora um “poder em rede”, uma nova forma de soberania, que tem como seus elementos fundamentais, ou pontos nodais, os Estados-nação dominantes, juntamente com as instituições supra-nacionais, as grandes corporações capitalistas e outros poderes.

 

Consideramos que este poder em rede é “imperial”, e não “imperialista”. (HARDT e NEGRI, 2005 p. 10)

 

 

Os autores sustentavam que a ordem global contemporânea não se caracteriza nem pode ser sustentada pela participação igualitária de todos, ou sequer pela elite dos Estados-nação, até concluírem em sua tese sobre o império[1] que “em vez disso, nossa atual ordem global é definida por rígidas divisões e hierarquias, em termos regionais, nacionais e locais” (op. cit. p. 11).

Tal enunciado entra em conflito com o discurso da luta entre classes como meio de transformação o status quo através da tomada do poder “de todos para todos[2]”, surgido em uma época na qual o poder do Estado-nação ainda era muito maior do que o das instituições supranacionais, das grandes corporações capitalistas e de outros poderes[3]. Dessa forma:

 

O Império domina uma ordem global que não só é internamente fraturada por divisões e hierarquias como se vê acossada por uma guerra perpétua. O estado de guerra é inevitável no Império, e a guerra funciona como instrumento de domínio. A paz imperial de nossos dias, a Pax Imperii, exatamente como a da época da Roma antiga, é um arremedo de paz que na realidade preside um estado de guerra permanente. (HARDT e NEGRI, 2005 p. 11-12)

 

 

Mais adiante, para fins didáticos, Hardt e Negri simplificam a globalização em duas faces: na primeira, o império dissemina em caráter global sua rede de hierarquias e divisões que mantém a ordem através de novos mecanismos de controle e permanente conflito. A seguir, apresentam uma forma de resistência ao estado de guerra permanente do império. Portanto, além da perspectiva apocalíptica imperial, a mesma globalização “também é a criação de novos circuitos de cooperação e colaboração que se alargam pelas nações e os continentes, facultando uma quantidade infinita de encontros[4].” (HARDT e NEGRI, 2005 p. 12)


[1] V. HARDT e NEGRI, 2001.

[2] Na prática, se há luta pelo poder, alguém deseja impor-se. Logo, a igualdade não passa de uma mera retórica.

[3] Embora não pretenda aprofundar essas questões, uma breve contextualização possível de ser melhor visitada em uma vasta literatura. Em poucas palavras, tais idéias surgiram no Iluminismo, período histórico que questionou o poder das monarquias absolutistas da Europa nos séculos XVII e XVIII. Originou o positivismo, que serviu como diretriz para a Revolução Francesa (1789) e para a Revolução Farroupilha (1825-1835). Outra variante iluminista também serviu de base para o marxismo, cuja análise econômica e social sobre o impacto da Revolução Industrial inspirou os regimes socialistas a partir da Revolução Russa (1917-1924). Fato comum a praticamente todas as guerras civis é que, independentemente do regime político (p. ex. ditadura ou democracia civil, militar, monárquica ou teocrática), das conquistas e das perdas sociais (melhoras ou pioras sensíveis em vários setores da economia e da sociedade) ou das classes que perdiam ou tomavam o poder num Estado-nação qualquer (clero, nobreza, burguesia, proletariado, etc.), com o tempo, a nova classe hegemônica tende a tornar-se totalitária a fim de permanecer no poder.

[4] Grifo meu.

IMPÉRIO X RESISTÊNCIA: O ATRASO DO BRASIL

Este post versa sobre cinco pontos:

1) O debate político na ágora pública perdeu quase toda a sua força. Embora este seja um fenômeno global, cada local apresenta suas próprias particularidades, pois a globalização não homogeneiza sociedade alguma – isso é papo de neoliberal ignorante. A esmagadora maioria das pessoas desinteressou-se pelo envolvimento direto e não sabe o que é cidadania. O hedonismo, o individualismo, o excesso de trabalho e o consumismo são traços globais que justificam essa atitude. Porém, o Brasil apresenta, além da sua heterogeneidade étnica, cultural, geográfica, climática e das diferentes matrizes econômicas regionais de pouco intercâmbio entre si, o ranço da ditadura e o conservadorismo exacerbado (v. “Por que o gaúcho é assim” – excelente série de textos do DIÁRIO GAUCHE em setembro de 2007).

2) A discussão política passou a ser feita de maneira frívola e sem conteúdo transformador ou investigativo. As pessoas informam-se, recebem uma série de juízos de valor e retroalimentam a mídia corporativa com suas impressões pessoais em um ciclo onde de passivo e de alienado o receptor tem muito menos do que se imaginava. A ágora digital é a mídia (seja o PIG ou a alternativa): querendo ou não, a mídia aogra constitui o único campo social que traduz a linguagem dos outros campos de maneira tão superficial quanto inteligível, nivelando por baixo a compreensão da sociedade através da insistência no uso de dicotomias cujas nuances se perdem na opacidade do fazer, da natureza vicária, da ética, da economia, da cultura e dos ritos e códigos característicos de todos os demais campos sociais. Ao mesmo tempo, a própria mídia esconde, ignora ou exacerba determinados traços inerentes aos bastidores de sua própria produção através da gramática de seus enunciados.

Todavia, a mídia corporativa não é o “quarto poder” e ela não manda e não decide nada sozinha. Ao mesmo tempo, ela deixa uma quantidade absurda de rastros facilmente detectáveis por pessoas de inteligência e escolaridade mediana, desde que sejam suficientemente observadoras e interessadas em comparar o que, como e através de quem ela apresenta os fatos e suas opiniões do cotidiano: ela obedece aos interesses do império, do qual ela faz parte e é financeiramente alimentada.

O mundo é regido pelos interesses das corporações globais, não pelo Estado-nação. Logo, como as pessoas são heterogêneas, a mídia não pode simplesmente influenciar, manipular ou doutrinar. Ela tenta e, eventualmente, em situações bastante pontuais, até consegue uma adesão aos propósitos de seus patrocinadores e parceiros comerciais. Possui, sim, um certo poder. Todavia, só mesmo uma classe média extremamente atrasada como a gaúcha para submeter-se a uma influência que nem a Globo consegue exercer.

Porém, ignorar a sua importância e as suas práticas; reduzir os problemas do país meramente à sua discursividade e enxergar os comunicadores conservadores como se eles fossem sumidades ou, por outro lado, demônios em forma de gente, é de uma ingenuidade acachapante: a mídia corporativa é, a grosso modo, apenas o funcionário que lê o pergaminho com a palavra do imperador.

Portanto, o monitoramento do que o rádio e a TV dizem, para quem, por quem, como e com que objetivo é muito mais significativo do que o que sai nos jornais e revistas. Afinal de contas, rádio e televisão são concessões federais de uso do espectro de ondas eletromagnéticas que devem, sim, ser fiscalizados, prestar contas e devem, acima de tudo, manter um compromisso social. No entanto, jornais e revistas compra quem quer. Quem é conservador, procura a mídia corporativa e crê na mensagem de seus mantenedores imperiais porque deseja tão-somente ver seus próprios valores endossados por outras palavras.

3) Para Hardt e Negri (2001), o império não são mais os Estados-nação mas, sim, as megacorporações globais que, devido à sua rede social, fazem parte de um sistema auto-organizado top-down, altamente hierarquizado que se faz presente em todas as áreas do conhecimento. Mesmo que o Brasil não tenha guerras civis há muito tempo, não viva mais a ditadura formal e a “guerra” contra o crime organizado não passe de um discurso de prioridade e proporção hipervalorizados e espetacularizados, o império só se mantém proporcionando um estado de guerra global permanente.

Esse império não é os EUA, o Reino Unido, a França, a Itália, a Alemanha, a Rússia e nem a China mas, sim, a articulação entre a cúpula política conservadora, os megaempresários, banqueiros, latifundiários, indústria química (medicamentos, agrotóxicos, sementes transgênicas, hormônios), e produção de bens imateriais (comunicação, informação, entretenimento) que é a maior interessada pelo estado de guerra permanente;

4) A única forma de resistir à dominação e à violência dos detentores do poder hegemônico é utilizar as mesmas armas que eles utilizam no mesmo contexto histórico de cada forma de dominação. Atualmente, como o Estado-nação e a representatividade política não são mais legitimados por coerência ideológica nem pela consciência do compromisso de representar a sociedade, este Estado-nação passa a atender pioritariamente a interesses comerciais.

Dessa forma, o voto e a atividade parlamentar valem, em termos cidadãos, quase nada, pois a política partidária, os Três Poderes e a forma de financiamento de campanhas só faziam sentido para a democracia quando o Estado-nação ainda conseguia, quase autonomamente, ser um welfare state, uma ditadura ou democracia teocrática, civil, militar ou monárquica.

Portanto, se vivemos um estado de guerra permanente; se o império são as corporações; se o Estado-nação representa um controle e uma identidade fragmentados; se o status quo é mantido através das redes de comunicação, transmissão, circulação e negociação de bens simbólicos…

…A forma de resistência contemporânea deve ser também em rede.  A resistência forjada na modernidade não obterá nenhum sucesso se desejar tomar o poder político, pois, além de não ter força física, coercitiva, simbólica ou financeira suficiente, acabará entrando nessa rede como mera capataz dos interesses do império para, em troca, distribuir apenas migalhas do que poderia ser feito para o país inteiro.

A resistência moderna nem tampouco obterá sucesso se tentar pegar em armas, pois possui apenas cascalho para atirar contra um everest de titânio com canhões que atiram bombas de 100 megatons de plutônio.

A resistência moderna não consegue mobilizar pessoas com competência e visibilidade capaz de atrair a atenção e a adesão da classe média nem de forçar uma inserção midiática positiva no Brasil porque a nossa direita é mais inteligente do que a de todo o resto da América do Sul e a nossa esquerda ainda adota métodos modernos, que são péssimos para compreender e usufruir da rede.

A resistência moderna brasileira está sempre 200 órbitas atrás do império, pois segue pensando em povo e em massas ao invés de pensar na multidão.

Finalmente, o Brasil é, financeira e tecnologicamente muito mais avançado do que seus vizinhos de fala castelhana. Nossas oligarquias simbólicas, financeiras e políticas já estabeleceram laços mais fortes com o império – o que justifica o misto de alta tecnologia (o brasileiro é quem fica mais horas/mês na internet no mundo inteiro) com a pior distribuição de renda do planeta (para economia externa, os oligarcas são pós-modernos; para economia interna, são pré-modernos).

Nossos co-irmãos Uruguai, Paraguai, Argentina, Equador, Bolívia, Chile e Venezuela falam a mesma língua, possuem maiorias subjugadas de mesma matriz étnica e cultural e, embora menos desenvolvidos do que o Brasil, há uma quase homogeneidade tanto das oligarquias como dos pobres em relação às práticas econômicas, políticas e de articulação do poder. Eles são, em extratos importantes da sociedade, menos feudais e menos pós-modernos do que o Brasil. E os lados antagônicos da América Hispânica se conhecem muito melhor do que os do Brasil, pois a esquerda está muito atrasada em relação à direita.

Conseqüentemente, o Brasil, mesmo tentando exercer um papel de liderança política na região, não o consegue. Só para ficar em poucos motivos bastante óbvios, a barreira cultural e idiomática é enorme: enquanto a situação de cada um de nossos vizinhos é bastante conhecida por todos os demais, eles conhecem o Brasil, mas o Brasil não os conhece: nossa oligarquia e seus laços globais utilizam a mídia corporativa como um megafone que se cala diante da realidade da América Latina e reverbera o estado de guerra permanente para além de suas fronteiras, enquanto os nossos vizinhos se preocupam em resolver problemas particulares e imediatos dentro de suas próprias trincheiras. Problemas comuns ao Brasil que, de sua parte, pouco tem conseguido solucionar para si mesmo e é pouco participativo na hora de cooperar com os outros.

5) Queiramos ou não, nós mesmos somos alimentados pelos valores do império, pois não há como trabalhar, consumir, relaxar, socializar, sonhar e realizar colocando um escudo sobre aquilo em que não acreditamos. Mesmo em nossas críticas e constatações mais inteligentes e voltadas para um interesse puramente voltado para emparelhar a sociedade, nosso principal assunto, que é a mídia corporativa, a política, a economia e a sensibilidade, é debatido em função da ágora midiática.

Em suma: a resistência pós-moderna se estabelece em rede. Ou isso, ou bailamos na curva.

EM PORTO ALEGRE, A ESQUERDA PRECISA VOTAR NULO

Há algumas semanas, o RODRIGO CARDIA do CÃO UIVADOR mencionou a possibilidade de votar nulo.

Durante muitos anos, tive motivos de sobra para crer que o voto nulo favorecia às oligarquias e à direita. Além disso, ele era um direito do cidadão para tentar melhorar a convivência, a civilidade, o respeito, a autonomia e a economia de um determinado espaço geográfico cuja natureza e cuja urbe compartilha com muitos outros cidadãos. Em uma condição supostamente “normal” (ou, melhor, seguindo um certo consenso), abdicar de um direito desse porte significaria omissão, egoísmo ou ignorância – na minha opinião, os piores resultados da modernidade.

Todavia, o BRASIL mudou muito: em determinados quesitos, melhorou demais. Já em outros, as concessões feitas para poder distribuir melhor a renda e investir mais no social resultaram em severas catástrofes do ponto-de-vista do que é sensível e coletivo.

Tais mudanças colaboraram para que o maior medo das esquerdas (o coronelismo interiorano da troca de votos por paliativos materiais para a miséria) tenha sido significativamente reduzido.

Dessa forma, penso que o voto obrigatório já pode ser plenamente substituído pelo voto facultativo: primeiro, porque o dinheiro para comprar votos nunca é suficiente; segundo, porque qualquer pessoa coagida por um “coroné” ou por um de seus “capitães do mato” pode votar em outro candidato, anular ou votar em branco porque (estritamente nesse sentido), felizmente, não há provas materiais do seu voto.

Não gosto da área do Direito – ciência normativa moldada por uma ampla maioria de representantes do conservadorismo, que legisla a favor da sua própria casta. Também não confio no sistema eleitoral atual, que obriga todos a realizarem alianças programática e ideologicamente inaceitáveis e a venderem-se para os interesses daqueles que sempre estiveram no poder para atingirem o poder político. Também sei que não é possível fazer todo mundo escolher sim ou não ou, então, que todos os cidadãos tenham a palavra em assembléias. Plebiscito pra tudo também é impossível.

Com ou sem uma classe média raivosa, revanchista, racista e ignorante; com ou sem uma articulação poderosa, maleável e independente de qualquer relação espacial, geográfica ou até mesmo virtual; com ou sem o megafone desse poder etéreo chamado mídia corporativa, hoje penso de maneira diferente.

O Governo Lula resulta de um hibridismo entre esquerda e direita que só pôde ser realizado através de um pragmatismo capaz de ampliar a distribuição de renda desagradando amplamente à extrema esquerda e à exrema direita. Isso não quer dizer que o Governo Lula seja o melhor de todos os tempos e nem o pior, mas que faz muito mais tanto pelos especuladores financeiros e pelos miseráveis do que qualquer outro desde a Era Vargas (não que Vargas fosse suficientemente ‘bom’).

A luta de classes e as várias dicotomias tais como capital x trabalho; burguesia x proletariado; ricos x pobres; brancos x negros + índios; brasileiros x estrangeiros; civis x militares e assim por diante existem e não podem ser empurradas para debaixo do tapete. Da mesma forma, o neoliberalismo é muito mais nocivo do que favorável à maioria da sociedade. Os pobres sempre verão os ricos de uma certa forma e vice-versa. Afinal de contas, ignorância, preconceito e boatos ocorrem em qualquer ambiente moldado por humanos.

De toda sorte, há uma série de crenças que não apresentam mais nenhuma possibilidade
de serem empiricamente representadas através de fatos, eventos ou
modelos prontos ou puristas, nos quais muitos ainda crêem e continuarão crendo. Isso vale para todos os pólos, sem exceção, sem favorecimentos e sem desculpas.

Não delego o meu destino e não torço mais a favor nem contra nenhuma instituição organizadas com fins político-partidários, classistas ou normativos porque são todos excludentes. Também me tornei extremamente desconfiado da verdadeira intenção de quem se candidata a algum cargo de representação pública em função de todas as incoerências e de todas as inversões de prioridade.

Portanto, na contemporaneidade, a cidadania não é mais representada pelo voto para cargos públicos, nem por trabalhar (remuneradamente ou não) a favor de alguma candidatura. Cidadania é participar, agir, ajudar, ser útil e buscar o bem comum com respeito, tolerância e despido de preconceitos, aliando sensibilidade e técnica a serviço de todos.

Se a ágora representada pela praça pública da pólis grega deslocou-se majoritariamente para os produtos da mídia (seja ela grande ou pequena, física ou virtual, massiva ou de nicho), é através do domínio dessa nova linguagem, dessa nova dinâmica de fluxos comunicacionais e, sobretudo, dessa gramatologia que a participação tem sido potencializada.

Política partidária significa tomada de poder. Todavia, as demandas individuais e coletivas são tão heterogêneas e pontuais que a forma mais eficiente de obter êxito ao negociá-las na atualidade é através da pulverização dos anseios, das necessidades, dos sonhos, das queixas e das soluções materiais imediatas sem tomar o poder.

É preciso compreender que ser a favor do sensível, do humano e do honesto e marcar posição firme contra o especulativo, o egoísmo e a ignorância não pressupõe a adesão ao discurso inócuo que ataca ou defende incondicionalmente a alguém ou a alguma coisa. Dessa forma, ser a favor de algo não significa ser contrário a alguém mas, sim, ser contrário a idéias antagônicas inconciliáveis e incompatíveis com o bem comum a todos.

Hoje, sinto-me como membro de uma multidão heterogênea e dispersa que, volta e meia, une-se em prol de uma demanda comum e, tão logo obtenha êxito definitivo, dispersa-se porque, de resto, aquelas pessoas todas não apresentam valores e crenças compartilhadas pela maioria na maior parte do tempo.

O povo é manipulado por uma série de interesses. A massa é desorganizada e 100% imprevisível. Já a multidão não: a multidão é onipresente e não obedece a nenhum mantra político-partidário. E, felizmente, sua força reside em sua autonomia e na possibilidade de cada um aceitar que é diferente mas que não é melhor nem pior do que ninguém. Que eles, elas e os outros não existem: o que existe é a circularidade entre o eu e o nós, desde o poucos de nós até o muitos de nós.

Essa é a leitura que faço de NEGRI e HARDT.

E essa é a leitura que faço do ZAPATISMO.

Minha decisão é: enquanto o sistema for assim, VOTO NULO com a tranqüilidade de que não posso me contentar com “o melhor dentre os ruins” ou com o “menos fraco” e, acima de tudo, de que o voto pode tranqüilamente ser facultativo.

Ao invés de omissão, de ignorância ou de intempestividade, considero minha posição um ato de protesto contra as regras da representatividade político-partidária. É uma forma de definir o meu lugar de exercer política.

Finalmente, por uma questão de ordem prática, desunida ou incoerente, a esquerda local não tem condições de retomar o poder aqui. Sendo assim, como cobrar, como fiscalizar, como exigir e como dialogar quando ainda se acredita que a única forma de ação política é tomar o poder?!

“O FATO DE ALGUÉM PENSAR DIFERENTEMENTE DE MIM NÃO SIGNIFICA NEM QUE EU SEJA MELHOR, NEM QUE ELE SEJA PIOR.”

VOTE NULO.

DANTAS, JORNALISMO, DIREITO, ESTADO, CIBERCULTURA

FATO 1: o Brasil não possui uma Grande Imprensa predominantemente confiável, honesta, justa, investigativa, inquisidora, denunciadora, minuciosa e nem tampouco apuradora. Sinto muito aos bons bacharéis que, ao invés de fazerem valer seu juramento, calam e consentem. Meu diploma de publicitário vale o mesmo que o de jornalista: menos do que um rolo de papel Neve usado. Essa é a realidade.

FATO 2: há vários tipos de jornalista que vivem de jabá. Quando o contrato de prestação de serviços firmado entre ambas as partes assim o permitir, alguns desses profissionais poderão seguir ligados às corporações de mídia. Outros, ao deixarem de ser funcionários dessas corporações, publicam blogs nos quais usualmente procedem de três maneiras predominantes: a) entrevistam predominantemente a mesma base de sustentação política, econômica, social, financeira e cultural de seus antigos chefes, funcionando apenas como um novo megafone para o discurso único; b) não passam de meros assessores de imprensa ou de relações públicas de seus anunciantes; c) em função de a e b, recebem muito mais do que quando eram empregados não por causa do mérito, da trajetória, da suposta credibilidade profissional, mas, sim, porque são mais conservadores e mais realistas do que o rei quando são editores de si mesmos; d) Não passam de uma mera marca, publicando notícias requentadas através do control-C control-V do que saiu em veículos maiores.

Só no RS, há vários exemplos: 1, 2, 3, 4, dentre outros. Reparem como os patrocinadores são, quase sempre, os mesmos. Há como denunciar ou como pensar diferente sendo financiado pelas mesmas fontes?!

Feliz ou infelizmente, o tão criticado, ridicularizado e até mesmo frívolo XICÃO TOFANI cumpre muito melhor com o papel ao qual se propõe a fazer do que os quatro exemplos acima.

____________________

CONCLUSÃO 1: os fatos 1 e 2 comprovam que a midiatização da sociedade é um fenômeno que mistura funções, profissões, atribuições, direitos e deveres de cada um em uma salada cujos ingredientes são absolutamente impossíveis de serem separados voltando-se ao sabor original de cada um.

CONCLUSÃO 2: creio que nenhuma das profissões técnicas atravessada pelos meios de comunicação tem sofrido tanto com esse desencaixe da alteridade e com essa multiplicidade funcional meramente empírica sem grandes reflexões a respeito do verdadeiro papel social de cada um como os verdadeiros assessores de imprensa e os verdadeiros relações públicas. Afinal de contas, seu território foi invadido por pseudo-profissionais ou por profissionais de fato cujo treinamento e prática tinham como objetivo trabalhar outras técnicas enunciativas. Para os RRPPs e para os assessores de fato e de direito, o caminho inverso ou o rápido encontro de outro nicho no qual possam exercer a sua função sem distorções é quase impossível.
____________________

Isso posto, há tanto no “mercado” como na academia opiniões que consideram a profissão de relações públicas extinta em função do canibalismo do assessor de imprensa. Da mesma forma, se a função do jornalista é a de criticar, investigar, denunciar, ouvir os dois lados da questão, traduzir a linguagem vicária de todos os demais campos sociais para a sociedade laica através da temporalidade e da discursividade de seus meios produzindo um discurso aparentemente homogêneo e facilmente compreensível, no momento em que a maioria dos jornalistas depende de patrocínios que carregam valores econômicos, sociais e culturais embutidos em seus objetivos comerciais que devem necessariamente deter a hegemonia sobre seus concorrentes materiais e simbólicos, o jornalismo também QUASE não existe mais – a não ser quando este não dependa da espetacularização de alguns valores e da omissão de outros para sobreviver.

Dado o atual contexto sociotécnico, não podemos mais recuar àquele antigo patamar de compreensão e de operação facilmente percebido até mesmo pela classe média ainda presa ao modus operandi da modernidade: não há como forçar a barra nem para o passado “como o ‘meu tempo’ era bom”, nem para pensar o futuro de maneira apocalíptica (‘o mundo acabou’).

Leis supostamente socializantes (leia-se moralizantes) normalmente são incompletas, arbitrárias às avessas (pois apresentam os mesmos componentes que repudiamos na autocracia de direita legitimados por oportunistas que pareciam estar do nosso lado) e repletas de brechas para que o status quo continue deitando e rolando. Na mesma direção, não consigo ser tão otimista a ponto de crer em um hipotético, utópico, ufanista e espetacularizante código de ética que torne magistrados, políticos, empresários de comunicação, jornalistas corporativos, jornalistas de mídia independente, blogueiros, radialistas, cineastas e artistas tão responsáveis e conhecedores sobre seus direitos e deveres não com a lei mas, sim, com a sociedade.

Vejo blogs dando prioridade à análise do que saiu no jornalão A ou B. Ora, jornal e revista são o de menos. Primeiro: só compra quem quer; segundo: não são concessões públicas; terceiro: cada vez menos gente lê jornais e revistas – os leitores de jornal
tradicionais estão morrendo de velhos. Seus filhos e netos ou trabalham
tanto, ou têm tantas outras opções de lazer e informação disponíveis
online que a tiragem dos jornais está caindo vertiginosamente
PRATICAMENTE NO MUNDO INTEIRO
; quarto: quase sempre, o consumidor padrão do bem simbólico crítico-noticioso pertenceu às classes A e B, cuja influência na base da pirâmide diminuiu drasticamente nas últimas décadas; quinto: a cultura pós-moderna é audiovisual, dinâmica, ubíqüa, fragmentada, inconstante – uma foto num jornal significa muito pouco para essa geração, pois a experiência sensorial que oferece é muito baixa. Seu texto correspondente, menos ainda.

Portanto, o poder do indivíduo está no atravessamento das mídias e no uso que o receptor faz do seu conteúdo na sociedade em que vive. Podemos até julgar, criticar, avaliar, duvidar e até mesmo subvalorizarmos essa experiência midiática multidimensional particular. Todavia, nenhum receptor é passivo: todos estão, cada um a seu modo, ressemantizando e ressignificando tudo o que chega até eles, transformando, reciclando, adaptando e, acima de tudo, PRODUZINDO DIFERENÇA.

Falo sempre em resistência pós-moderna. Em comunicação atomizada, descentralizada, produzida a partir de nós que estabelecem uma teia repleta de laços fortes e de laços fracos ao redor da Terra. Na solução de demandas locais, pontuais, simples, pequenas, mas que resolvem a vida de muita gente ao mesmo tempo – porém discutidas e reverberadas do local para a rede, a fim de que a rede traga de volta para o local uma repercussão em potência de 10 na comparação com a intrusividade do carro de som, das palavras de guerra inúteis do líder sindical mal articulado com o vernáculo, do panfleto mal redigido e de chegar à praça pública de maneira desordenada, impensada, não-planejada, previamente anunciada (dando a cara a tapa para a polícia e para a mídia corporativa vociferar como bem entender a respeito dessa manifestação).

Portanto, o Paulo Sant’Ana, o Nelson Sirotsky, os políticos de direita, empresários e latifundiários que eles usam em seus editoriais e até mesmo a página 10 da Rosane de Oliveira e nada são QUASE a mesma coisa.

Claro que o que fica registrado por escrito pode ser documentado e retomado tantas vezes quantas o suporte dessa informação (papel, plástico, pano) permaneça intacto. Mas o peso da mídia corporativa (sobretudo a impressa) é realmente muito menor do que parece ter. O que fede mais é o que é ouvido, o que é assistido e o que deixa mais marcas na memória – o audiovisual: o Sant’Ana no Jornal do Almoço; a Rosane de Oliveira na Rádio Gaúcha e na TV COM; o Lasier Martins na RBS TV, na Rádio Gaúcha e na TVCOM e tantos outros produzem subjetividades mais intensas e tão marcantes quanto efêmeras ATRAVÉS DE CONCESSÕES ILEGAIS DE ONDAS ELETROMAGNÉTICAS REGIDAS PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E PELA LEI GERAL DAS TELECOMUNICAÇÕES.

Mesmo assim, a TV aberta felizmente está sofrendo do mal do gigante do pé-de-feijão: não é apenas o seu público tradicional que está desenraizado da sua alteridade, da sua territorialidade e que não sabe como nem em que espaço discutir política. Ela mesma desconhece os meninos nascidos desde o início da década de 1990. No começo, atraíram-nos até o seu castelo sobre as nuvens. Depois, deixaram a galinha dos ovos de ouro ao seu lado e pegaram no sono. Finalmente, João já está de volta ao solo e já pegou o seu machado.

Portanto, é preciso ter um QI de funcho ou uma visão de mundo restrita ao volume de um ovo de tênia para acreditar piamente nos produtos políticos e consumistas das corporações mídia de massa. Afinal de contas 40% dos brasileiros já possuem acesso freqüente à internet, mais de 20% já possuem computador + acesso discado em casa e, a despeito do uso mais freqüente ser para e-mail, MSN, ORKUT, YOU TUBE, notícias (predominantemente dos mesmos grupos de mídia de massa) e, um pouco mais abaixo na lista, para ler, comentar e blogar (sendo que menos de 10% dos blogs lidos são sobre política),

Escrevi este post em função da prisão do DANIEL DANTAS (que, em breve, será solto porque JOSÉ DIRCEU é funcionário dele e JOSÉ EDUARDO GREENHALGH é seu braço jurídico e político dentro do PT, que possui o rabo preso sim, senhor) e da catrefa de peixes pequenos tucano-pefelês pega na mesma tarrafa (FHC, ACM, LUIZ EDUARDO MAGALHÃES, SERJÃO – todos escaparão); da crise no judiciário; e, finalmente, por causa das conclusões da blogosfera sobre o episódio POLÍBIO ADOLFO BRAGA x NOVA CORJA.

Até bem pouco tempo atrás, confesso que levava muito a sério o acompanhamento da mídia corporativa de massa (rádio, televisão, jornal, revista). Hoje, ela me irrita: se intromete na minha vida, no meu trabalho, no meu lazer, na minha intimidade, no meu espaço, na minha privacidade, usa um megafone a 10 cm de distância do meu ouvido, cores berrantes e letras garrafais a 1 cm dos meus olhos e passa o tempo todo dizendo o que e como comprar, como educar os filhos, como votar, quais deveriam ser os meus valores, como ela acha que eu deveria ser cidadão e por aí afora.

Não nego que, embora socialmente precário e reduzido, o seu papel informativo existe e possui lá a sua importância. Também não nego nem a necessidade e tampouco a importância de algo que me irrita muito mais do que o suposto efeito dos meios de comunicação, que são as instituições políticas e sociais. Também não pretendo me tornar um fora-da-lei.

Todavia, o que se vê na política, nas corporações e em parte da mídia nada mais é do que o reflexo da pior crise de identidade da história da humanidade. Tal crise torna-se ainda mais dramática à medida que nem metade da população das duas últimas gerações brasileiras ainda é capaz de enxergar o mundo simultaneamente a partir de todos os significados pessoais e sociais de pertencer a um certo território ao mesmo tempo em que teletransporta-se incessantemente no ritmo da vazante da infomaré.

As leis e o uso do poder no Brasil contemporâneo não dão conta nem dos integrados, nem dos apocalípticos. A aproximação e o intercâmbio entre ambas as maneiras extremistas de reconhecer a si mesmo dentro da sociedade surgem em ondas disformes, impermanentes, imprecisas que, assim como vêm até a praia, voltam para o oceano.

Então, como é que eu posso aceitar me submeter passivamente a um sistema caduco que só me prejudica?! Pra que chover no molhado tentando convencer tanta gente diferente a pensar como eu se nem eu mesmo sei se o que é melhor pra mim hoje vai ser melhor pra mim ou pra todos amanhã?!

Se eu quero adesão, parece ser mais fácil eu disponibilizar o que eu penso não através de um outdoor, de um megafone ou de um locutor piegas cheio de caras e bocas: eu vou deixar poucas idéias – nada muito complexo – num lugar onde quem quiser ver, vai encontrar. Se gostar, vai falar comigo. Se quiser aderir, vai multiplicar à sua maneira. Quando houver massa crítica suficiente (que pode ser de Porto Alegre, de Roma ou de Nairobi), a gente articula um plano de ação, cada um no seu lugar. Quando tudo estiver pronto, a gente sai pra rua sem ser contra ninguém, mas apenas a nosso favor.

NÃO SOU BLOGUEIRO DE ALUGUEL

Infelizmente, há blogueiros contratados pela mídia corporativa e outros que dela se desincompatibilizaram cujos blogs possuem diversos anúncios (banners) tanto de empresas estatais como privadas. Essa opção pela parcialidade faz com que apenas parte da concorrência receba elogios e recomendações e a outra seja esquecida ou criticada de maneira imprópria.
Tal postura comprova uma ação profissional totalmente dependente da prática comercial e política de seus patrocinadores: de jornalistas, travestem-se como relações públicas e assessores de imprensa extra-oficiais em troca de uma viagem para conhecer a matriz e/ou de um belíssimo soldo, que sabe-se ser muito mais alto do que o ridículo valor do anúncio em uma página web.
Saindo do terreno das notícias e dos comentários sobre política e economia, a nova coqueluche em marketing viral e em publicidade online consiste no empréstimo de produtos materiais e na oferta da experiência de uso de bens intangíveis para blogueiros que recebem um agrado ($) para elogiarem ou criticarem determinados produtos ou serviços, pois a palavra de um blogueiro inteligente, bem articulado e educado pode ser mais eficiente do que a voz dos formadores de opinião da mídia de massa, tendo em vista o alcance desses blogueiros dentro de nichos bastante ecléticos, multiculturais, expressivos e distantes.
Não é uma atividade ilegal. Porém, considero tal procedimento um tanto baixo.

Como diz o pessoal da NOVA CORJA, a tropa de choque do jornalismo oligárquico “num sabe usá tenéti” e fica ameaçando com bravatas e denúncias vazias porque não tem por onde sair, já que seu modus operandi comercial compromete – e muito – a credibilidade de suas notícias e comentários.

Em época de uma nova campanha política no Brasil (a primeira cujo conhecimento prático e teórico no uso das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação – as NTICs – também demanda e é demandada pelos atravessamentos da sociedade midiatizada), precisamos estar sempre atentos para a ignorância da censura que instituições supostamente isonômicas como o TSE, o TRE, o STF e todos os MPs brasileiros têm realizado neste ano.

Pior: nosso Congresso tem a cara-de-pau, a ignorância, a estupidez ou até mesmo a má intenção de aprovar um projeto de arapongagem digital proposto pelo ex-desgovernador de MG tucanóide e atual senador EDUARDO AZEREDO (confiram a carta que o TRÄSEL enviou para o Senado e assinem a PETIÇÃO ONLINE que a dupla SÉRGIO AMADEU + ANDRÉ LEMOS abriu contra essa lei estapafúrdia), que – diz a mídia alternativa em Minas – parece possuir estreitas relações com uma enorme empresa de segurança em TI que deseja monopolizar a rede no país. Comprovem isso logo e, de uma lei ridícula, teremos apenas um reles castelo de cartas registrados nas páginas negras dos anais da internet.

Uma das melhores opiniões disponíveis sobre tal aberração é do IDELBER AVELAR. Interessante como todos os con$ervadore$ que criam e conseguem quorum para votar uma estupidez de tamanha magnitude, seja aqui ou em PALAU (com o devido respeito aos nativos daquele paraíso), não entendem patavina sobre internet.

Em suma: o uso do jabá por parte de vários “colonistas” e o uso da publicidade através da voz de blogueiros pagos para puxarem o saco ou detonarem um determinado produto ou serviço, nos incomodam e devemos resistir a tal arbitrariedade e falta de ética. Por hora, apesar desse empecilho temporariamente significativo para o pleno desenvolvimento da blogosfera brasileira estar diante de nós, adiante apresento um exemplo de como a comunicação e a articulação de redes sociais não pode ser controlada:

Sem entrar no mérito se ele é ou não um político honesto; se ele estaria mesmo voltado para satisfazer as demandas daqueles que mais precisam nos EUA e se verdadeiramente pretende tornar-se um líder pela paz e pela redução da miséria no mundo, BARACK OBAMA angariou centenas de milhões de dólares em doações de pessoas físicas e jurídicas e dezenas de milhares de voluntários espalhados por todos oe 50 estados de seu país porque sua assessoria soube trabalhar com ferramentas como e-mail marketing (spam para quem não gosta de receber e-mail no formato de mala direta) e pelo menos DEZESSEIS (16) diferentes sites de relacionamento voltados para nichos de eleitores completamente diferentes.

Como exemplos, cito o FACEBOOK (um site de redes sociais muito mais popular nos EUA do que o Orkut é no Brasil ou na Índia), o MY SPACE (site personalizado de notícias e de relacionamento vinculado ao MESSENGER, ao HOTMAIL e a um serviço de agenda e calendário disponibilizado pela MICROSOFT), vídeos da campanha no YOU TUBE, álbuns de fotos coletivos com fotos de Obama tiradas por amadores em todas as prévias e entrevistas das quais participou no FLICKR, ranking de notícias e artigos sobre OBAMA indicados pelos internautas no DIGG, a nova febre de comunicação em rede na internet, também utilizada pelo jornalismo conhecida como TWITTER, um perfil no site de relacionamento voltado para redes de colaboração profissional LINKEDIN e, finalmente, o envio massivo de torpedos via celular.

O problema é que, no Brasil, quem foi mais esperto em utilizar essas ferramentas e em estabelecer sociabilidades através dessas novas tecnologias foi a pseudo-esquerda da esperta MANUELA D’ÁVILA (E AÍ, BELEZA?) e a juventudi (bela expressão também “chupada” da NOVA CORJA – sorry, guys!) da direita e do – sem comentários – candidato a vice-prefeito pelo PP na chapa de ONYX LORENZONI (DEM), o deputado estadual MANO CHANGES.

Enfim, a campanha de OBAMA pelos democratas foi o maior exemplo mundial até agora da mobilização através da internet. E serve como mais um subsídio para a minha hipótese de que não há esvaziamento nem alienação política: o que há é o deslocamento da pertença local e terrestre para uma pertença global diretamente relacionada à satisfação das demandas pontuais de determinados grupos sociais, normalmente minoritários, periféricos ou marginais.

Mas aqui vai um recado para nossos juristas, políticos e aDEvogados (com todo o respeito aos advogados): se eu quiser dizer em quem irei votar no meu blog, eu digo. Se eu quiser dizer por que eu acho que eu e quem lê o que eu escrevo deveRIA ou não votar em fulano, beltrano ou ciclano do partido que for e para o cargo que for, eu vou dizer.

E não poderei ser processado: sabem por que? Porque a minha liberdade de expressão está garantida pela CONSTITUIÇÃO FEDERAL. No momento em que eu não estiver mentindo, caluniando nem difamando, posso dizer o que eu acho sobre qualquer coisa e está acabada a discussão.

Agora vocês sabem meus motivos por ter aderido à campanha NÃO SOU BLOGUEIRO DE ALUGUEL graças ao post do GLOBAL VOICES ONLINE, que repercutiu a excelente iniciativa do FREELANDO PRO DIABO. É  por isso que creio ser tão importante vocês também levarem essa idéia adiante.

clipped from freelandoprodiabo.com

Os anunciantes estão descobrindo a melhor maneira de usar esta ferramenta para chegar a nichos que beiram os meios convencionais de comunicação. Blogs são interessantes porque consistem em doses periódicas de conteúdo assinadas por alguém que cativa audiências com interesses afins. Muito já se tentou: blogs fictícios, personagens, banners, até o famigerado post pago disfarçado de post autoral, modalidade repudiada pelos blogueiros que prezam pela sua credibilidade e respeitam seus leitores.
Blogueiro de verdade fala a verdade, doa a quem doer.
Blogueiro de aluguel é quem não conhece a dinâmica do meio e tenta enganar.
Mas não adianta: o diálogo acaba não acontecendo porque fica mentiroso, vazio, falho.
Quem rouba no jogo é blogueiro de aluguel. Quem censura a livre expressão dos blogueiros não deveria nem participar da discussão. Antes de ser mídia ou veículo, blog é opinião registrada de quem tem voz ativa e diz o que pensa: eu não sou blogueiro de aluguel.
blog it