O ESQUEMA TÁTICO É IMPORTANTE?

No seguinte comentário, meu grandissíssimo amigo prof. GUSTAVO FISCHER fez algumas considerações que merecem ser apreciadas.

O Gustavo disse: “meu insight é o seguinte: os treinadores brasileiros nunca mostraram
inovação tática. o brasil é colonizado taticamente no futebol. nossa
invenção está no fato de jogadores extraordinários ocuparem as vagas
desde os WMs, 2-3-5, 4-3-3, 5-3-2, 4-4-2, etc…todos esquemas importados.”

Concordo plenamente. 75% da lista de técnicos no post comentado por ele é predominantemente formada por ex-jogadores que falam apenas o português, não possuem nem um curso superior de Educação Física, nem o curso de formação de técnicos de futebol da CBF ou da UEFA. Seu trabalho é orientado pela sua intuição, cuja referência empírica vem de uma época na qual o futebol era muito diferente daquele que é jogado atualmente. Procuram compensar a falta de domínio tático e da percepção detalhada dos pontos fortes e fracos de ambos os oponentes (isto é, do seu próprio time e também do adversário) através da motivação.

Como não são estudiosos e nem psicólogos e o Brasil não possui a figura do diretor técnico que aplica uma tática voltada para cada adversário, escala, contrata e libera jogadores, o prazo de validade de todos os técnicos no país, sem exceção, varia de quatro meses a três anos.

Eu fico com a entrevista que o LUCAS LEIVA, ex-GRÊMIO atualmente no LIVERPOOL deu ao João Castelo Branco da ESPN BRASIL: não há mais, nos centros desenvolvidos europeus, as figuras do volante que defende mais do que ataca nem a do meia habilidoso que ataca mais do que defende. A exigência é que cada um saiba exatamente a sua posição INICIAL dentro de campo e se deverão exercer marcação individual ou por zona. Bom passe, inteligência e habilidade ao dar o bote no adversário e muita velocidade são qualidades inerentes a todos os jogadores.

Por que eu não gosto do MARCEL no GRÊMIO, assim como o PETER CROUCH foi uma solução incompleta para o LIVERPOOL? Porque a mobilidade deles é pequena e nem mesmo atitude de pivô eles têm, já que o passe e a velocidade de resposta de ambos os avantes são pífios.

Vejam a zaga do GRÊMIO: ninguém é lento ou pesado e a qualidade do passe é um pouco acima da fraca média dos zagueiros em atividade no futebol brasileiro. Todos eles, quando devidamente cobertos, arriscam-se não apenas nos escanteios para o cabeceio mas, sim, em avançar como efeito surpresa para lançamentos rumo à área. Peguem o THIEGO no GRÊMIO e o CARRAGHER no LIVERPOOL: dadas as diferenças de experiência, maturidade e consagração, o papel deles muitas vezes substitui o de um volante ou de um lateral.

Acho que o que define o futebol hoje é a versatilidade. Há, sim, um biotipo próprio para quem deve destruir, outro para quem deve construir e outro para quem deve finalizar. Mas nada garante que dois times parelhos em um 442 clássico farão um “jogo de xadrez”, nem que um time no 352 contra outro no 442 será mais frágil ou mais surpreendente.

Bem ou mal, os técnicos de clubes brasileiros – quando suficientemente bons – são verdadeiros alquimistas: no verão, o mercado nacional impõe baixas no plantel dos mais pobres e fartura (mais em quantidade do que em qualidade) nos mais ricos; no inverno, severas baixas para o mercado europeu desmontam um time que está começando a manter o ritmo de jogo desejado. É uma analogia com os economistas brasileiros dos tempos de hiperinflação, que são ágeis ao lidar com cenários tão dinâmicos quanto imprevisíveis.

O importante mesmo é conhecer as peças brancas, as peças pretas e transformar o máximo possível de peões em rainhas.

Um exemplo disso sou eu mesmo: no meu jogo de terça-feira na ASHCLIN, eu me fardo pensando em atacar. Aí, eu vejo que tem um guri rápido que não marca e um veterano mais leve e com melhor chute do que o meu. Vou para a zaga, claro. Mais adiante, quando o time deles começa a cansar e o resultado já é favorável ao meu time, posso ir para cima, pois o espaço para eu perder 2/3 das oportunidades de gol que surgem à minha frente e, mesmo assim, balançar as redes e garantir a vitória aparece na segunda meia hora de jogo.

+ DE 50.000 VISITAS!!!

Agradeço enormemente ao meu pequeno punhado de leitores fiéis, que acham que eu tenho algo inteligente a dizer sobre sociedade, política, mídia, educação e tecnologia por este blog ter ultrapassado a marca de 50.000 visitas desde seu lançamento, na longínqüa data internética de 14/10/2006. :D

Não sou político, não sou jornalista, não sou programador de linguagens web, não sou marqueteiro, não sou artista, não sou desportista e nem sequer executivo ou clérigo. Bem que gostaria, mas não ganho um centavo pra manter o PALANQUE DO BLACKÃO. Se isso for uma questão de honra para garantir a minha independência, que assim o seja.

Infelizmente, não possuo muitos contatos nos movimentos sociais e não consigo nenhuma repercussão dentro da mídia corporativa (nem mesmo para incomodá-la – o que seria o ideal). Meus conhecidos de classe média e alta dão de ombros para a minha visão de mundo.

Por tudo isso, considero uma vitória inestimável o fato de ter uma audiência média diária que, nos últimos tempos, têm crescido de maneira estável que chega a cerca de quatro grandes salas de aula cheias.

Ultimamente, estou em débito com todos vocês, pois tenho andado doente em função da verdadeira quimioterapia que é o tratamento para a hepatite C com injeções semanais de Interferon peguilado e quatro comprimidos de Ribavirina por dia.

Ao mesmo tempo, minha banca de qualificação de mestrado está próxima e eu tenho muito trabalho pela frente, que só é prejudicado pelo tempo que eu perco quando preciso ficar em repouso.

Aos poucos, tudo se ajeita. Aos blogueiros gaúchos de esquerda, em particular, saibam que eu os visito diariamente, assim como também a outros blogs listados na coluna à esquerda. Por mais prazer que me dê escrever e comentar posts, eventualmente estarei menos assíduo em função da saúde e, acima de tudo, do meu grande sonho e do meu grande objetivo de vida que é me sentir verdadeiramente gratificado e útil à sociedade cumprindo com a função social e política de ser professor e pesquisador acadêmico.

Acho que o Noblat tem uns 200000 visitantes/dia (quatro vezes mais o que eu consegui em um ano e meio). Mas isso não me importa, pois é melhor ser coerente do que ser popstar internético. A quantidade só é encorpada se houver uma massa crítica de qualidade.

E pode haver qualidade mesmo na discordância, que nunca foi negada por mim. ;)

MUITO OBRIGADO PELOS 50000! RUMO AOS 100000!!! :D