VESTIBULAR UFRGS: MINHA LU PASSOU EM HISTÓRIA!!!

ELA CONSEGUIU!!! :D

Não tenho palavras pra descrever o orgulho, a satisfação, a alegria e o amor que envolvem ver o nome da minha Lu no listão da UFRGS 2010. :)

Aos 42 anos, com um filho de quase 23 do primeiro casamento, tendo terminado o ensino médio com supletivo apenas em 1991, ela passou em Matemática na UFRGS em 1993. As necessidades de subsistência da época a impediram de concluir o curso. Depois, separou-se, passou bastante tempo tendo que dividir apartamento com amigas, mas sempre foi competente como secretária e como auxiliar administrativa. Ela transmite sinceridade, confiança e não costuma deixar “furos” por onde quer que passe. Sempre disponível, atende aos clientes e ensina muito aos colegas mais jovens. Em função disso, nunca teve dificuldades para obter uma colocação.

Porém, é muito difícil ter que trabalhar apenas para sobreviver. Mais difícil ainda é – mesmo que com competência, dedicação e honestidade – ter que passar muitos e muitos anos esperando uma oportunidade para poder se aproximar da sua verdadeira vocação.

Quando pequena, chegou a passar fome quando seu pai sofreu uma discriminação pesada durante a ditadura militar. Mais adiante, seus pais também separaram-se. Felizmente, voltaram. Porém, não tive o provilégio de ter podido conviver com meus certamente queridos sogros, pois eles se foram ainda muito jovens, com menos de 60 anos. Ela, já com um filho pequeno, ficou sem pai nem mãe com 20 e poucos anos e ganhando pouco.

Hoje, com o filho criado e podendo nós vivermos sob o gentil e inestimável teto da minha mãe já velhinha, foi possível economizar parte do seu salário para investir em um curso pré-vestibular. E, dentro de quatro anos, o mundo terá mais uma excelente professora de História: bastante crítica e minuciosa, ela irá compartilhar um conhecimento precioso com uma nova geração que carece de qualidade e de compreensão suficientes para poder ter coragem de ingressar em um curso superior mesmo quando oriundos da pobreza e da violência.

Minha amada é um exemplo absurdo pra mim. E, juntos, conseguiremos conquistar o nosso espaço. Afinal de contas, somos pessoas “do bem”! ;)

Pra terminar este post, abaixo, uma de nossas centenas de fotos juntos. Esta foi tirada em março de 2008, no Rio de Janeiro. Ela, bebendo uma latinha de Itaipava; eu, a água de um coco. Pra um casal que detesta frio e inverno, foi um momento sensacional.

Daqui pra frente, assim que eu obtiver uma colocação – seja aonde for – faremos disso um hábito mais frequente! ;)

Minha Lu e eu nim fim de tarde em Ipanema, Cidade Maravilhosa

ATUALIZAÇÃO: saiu o boletim de desempenho. Ela não precisaria nem de vaga via Ensino Público, nem da nota do ENEM. Passou para o 1º semestre e a média foi de quase 30 pontos superior à que calculamos com base no Manual do Candidato e nos simuladores dos sites do Universitário e do Unificado!!! :D

Belos escores - principalmente em Português e Redação! ;)

ABEDI PELÉ AYEW, O ÍDOLO DE GANA

O futebol escreve certo por linhas tortas. Nos gramados, o inesperado costuma acontecer mesmo quando o que os olhos dos outros veem, o pé que bate na bola não sente.

Como um atacante com uma média de apenas 0,2 gols/jogo nos clubes e 0,33 gols/partida na sua seleção nacional conseguiu ser eleito como o maior jogador ganês de todos os tempos? E como conseguiu ser escolhido como o melhor jogador africano em três temporadas consecutivas (1991, 1992 e 1993) sem ter disputado nenhuma Copa do Mundo e sem ter sido campeão nacional ou europeu por nenhum dos maiores centros europeus (Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal ou Alemanha)?

Um pouco pela precocidade, um pouco pelos deuses dos estádios terem abençoado-o por estar na hora certa, no lugar certo e com a companhia certa, Abedi “Pelé” Ayew estreou nos Estrelas Negras aos 18 anos, em 1982. Vejam como o então menino era pé quente: em uma Trípoli abarrotada de fanáticos torcedores da Líbia, os donos da casa perderam para Gana nos pênaltis. Percebam o mérito dessa conquista ao ouvirem aquele caldeirão enorme borbulhando:

O Pelé ganês foi vicecampeão europeu em 1990/1991 contra o Estrela Vermelha da então Iugoslávia (hoje Sérvia), na derrota do Olympique de Marseille nos pênaltis por 4×5, após empate em 0×0. Porém, duas temporadas depois, mais precisamente no dia 26/05/1993, teve melhor sorte ao erguer o caneco contra o poderoso Milan ao vencer os italianos por 1×0.

Além do sucesso europeu, nessa mesma época, o Olympique sagrou-se tetracampeão francês, de 1989-1990 a 1992-1993. Vale ressaltar que a primeira temporada de Abedi Pelé no L’OM não foi nada boa: em 1987-1988, ele disputou apenas nove partidas sem estufar os cordéis das redes adversárias.

Nesse período de hegemonia francesa do L’OM, Abedi Pelé não fez parte do plantel que conquistou o primeiro título, pois passara duas temporadas no Lille. Lá ele parece ter amadurecido e ter tido maior liberdade para dar seus dribles curtos em velocidade – sua marca registrada desde sempre. Inclusive algumas de suas jogadas mais incríveis, daquelas dignas de abertura de programas esportivos, foram realizadas neste clube e não no grande L’OM. Aliás, uma de suas atuações mais sublimes foi exatamente contra o L’OM, em um clássico no qual desconcertou a marcação na entrada da área até a bola chegar livre para o avante. No 2º tempo, não sastisfeito, o craque meteu uma bucha de falta, a la Platini:

A segunda decisão de CAN com Abedi Pelé em campo foi a de 1992, na qual o já consagrado atleta foi não apenas o líder do seu time como também o goleador da competição. Infelizmente, ele havia sido suspenso e não pode participar da dramática decisão contra a Costa do Marfim, em uma extenuante decisão por pênaltis que terminou em 11×10 para os marfinenses. Ele fez falta, sem sombra de dúvida.

Pelé foi o jogador com o maior número de partidas (78) pelos Estrelas Negras e foi também seu máximo goleador em todos os tempos, com 33 gols. Vamos ver o que será que os agora maduros e consagrados remanescentes da Copa de 2006 reforçados por algumas das revelações do time campeão mundial Sub-20 contra o pentacampeão Brasil como seu filho Dedé Ayew (do mesmo L’OM que consagrou seu pai) irão aprontar em Angola daqui a nove dias…

Pelo visto, após o empréstimo para o pequeno Arles-Avignon da Ligue 2, o menino voltará para Marseille com tudo! ;)

OS ANOS DE OURO DO FUTEBOL DE GANA


History of Football – Football Culture Ghana

A história é a ciência humana que mais reverencio. A partir dela, costumo constatar que nada surge por acaso.

No início do documentário acima, a narração do vídeo pressupõe que Gana é o país mais bem-sucedido do continente no futebol e que a sua história começou com o já extinto clube Excelsior, em 1903 (Por acaso o ano indica alguma coisa aos gremistas? E o atual fornecedor esportivo, hein?!). Os britânicos fundaram a Football Association of Gold Coast em 1922. Pra quem não sabe, até a sua independência em 1957, Gana era então chamada de Costa do Ouro pelos colonizadores ingleses. Hoje, Gana é o segundo maior produtor de cacau do planeta. O maior produtor é a Nigéria.

O clube ainda existente mais antigo de toda a Àfrica Ocidental é o Hearts of Oak (Corações de Carvalho – a árvore), de 1910, campeão africano de 2000. O Hearts foi o primeiro campeão nacional profissional, em 1956. Porém, um perigoso rival do norte também passou a merecer todas as atenções: é o Asanté Tokoto, de Kumasi, campeão africano de 1970. Não-raro, ambos são os representantes mais assíduos de Gana na CAF Champions League. Embora haja outros clubes nas mesmas cidades, em princípio, o futebol ganês desenvolveu-se  a partir de torneios locais mais especificamente em Acra e em Kumasi. Daí o enorme contraste usualmente verificado na tábua de classificação do campeonato nacional entre os times de Acra e Kumasi em relação aos demais.

O futebol africano floresceu da mesma forma que ocorreu no Brasil (não por acaso o segundo maior contingente negro do mundo, não por acaso uma terra de péssima distribuição de renda): pelos campos de chão batido, sem chuteiras nem arquibancadas, a juventude se unia e todos assistiam maravilhados aos jogos dos times adultos.

Em meio aos festejos da independência em 1957, a lenda do futebol inglês, sir Stanley Mattews, participou de um jogo com os Hearts em Acra e foi então coroado como o “Rei do futebol em Gana”. Era interessante ver que – na maioria dos jogos –mesmo em estádios de chão batido (a maioria deles sem arquibancadas), o público parecia respeitar bastante o jogo e não tinha cara de quem invadia o campo antes do apito final.

O presidente de Gana, o Dr. Kwame Nkrumah (1909-1972), percebeu dois detalhes: 1) pipocavam independências políticas de várias ex-colônias inglesas e francesas por todo o vasto continente africano entre o final da década de 1950 e o início da década de 1960; 2) havia uma enorme diversidade cultural, distâncias geográficas bastante consideráveis e muitas barreiras linguísticas; 3) considerava positivo tentar unir a África em uma grandiosa nação. Para isso, apostou que o futebol seria o grande catalisador para a fundação dos Estados Unidos da África. Portanto, o presidente ganês pretendeu – sem sucesso – realizar uma atualização do chamado Panafricanismo. Com esse intuito, criou o seu próprio time com interesse político, o The Real Republicans, no início da década de 1960. Nkrumah formou seu time a partir da base sólida do vitorioso plantel dos Hearts. Em 1958, houve inclusive uma reunião entre vários líderes do continente  para tratar do assunto – não por acaso com sede em Gana…

Em se tratando de um dos raros países africanos que, entre meados da década de 1950 e meados da década de 1960 pouco sofreu com ditaduras e guerras civis mesmo dentro de uma pequena área superpopulosa com várias etnias e seus diferentes dialetos transitando livremente, o ambiente pareceu bastante favorável para a aparição de um futebol de qualidade – ainda que pecasse pela falta de organização administrativa, financeira e  tática, além de uma desscoberta muito tardia de seus principais valores pelos principais polos futebolísticos europeus.

Enfim… Como diz o vídeo, o futebol era uma forma de autoexpressão diante do poder colonial e das idiossincrasias do tribalismo.

[Taí um bom tema pra investigar: será que as condições políticas e sociais de Gana também não foram semelhantes na Costa do Marfim, na Nigéria e em Camarões? Afinal de contas, as semelhanças são bastante grandes, apesar desses vizinhos não terem tido nenhum presidente com ambições tão grandes quanto as de Nkrumah]

Notem, por volta dos 06″20′ do vídeo que mostra um trecho de um jogo daquela época, que havia uma enorme estrela negra nas costas das camisas dos jogadores da seleção de Gana, caracterizando aí o carinhoso apelido The Black Stars.

[o apelido The Black Stars remete ao navio mercante estadunidense Black Star, que, de 1919 a 1922, influenciado pelo movimento pacifista anti-segregacionista, fez o caminho de volta da América para a África, levando de volta à terra-mãe muitos negros. Por linhas tortas, isso livrou alguns negros do terrível racismo da época, onde imperava o terrorismo racista da Ku Klux Klan, que predominava nos estados do sul dos EUA. O então todo-poderoso do FBI, Edgar Hoover, pôs espiões infiltrados nas viagens do Black Star e encerrou a linha em 1922]

Por incrível que pareça, o momento mais marcante da história do futebol ganês em todos os tempos não consta no documentário: o heróico empate contra o todo-poderoso Real Madrid (de Alfredo Di Stefano, Gento, Puskas, etc.) pentacampeão espanhol e europeu em 1960 por 3×3.

Em 1961, na tentativa de nacionalizar o futebol ganês como exemplo para o panafricanismo, Nkrumah trouxe como técnico um ex-jogador ganês do Hearts vindo do Fortuna Düsseldorf. Seu nome era Charles Kumi Gyamfi. Aliás, em 2006, comemorou-se o cinquentenário do intercâmbio futebolístico entre Gana e Alemanha, no qual usualmente o país africano mandava jogadores e recebia treinadores. O caso de Gyamfi foi sui generis, pois representou a inversão dessa lógica.

[No próximo post, falarei sobre outro fruto desse intercâmbio – o craque Anthony Yeboah, que marcou época na segunda metade da década de 1980 e no início da década de 1990 no Eintracht Frankfurt.]

Os Black Stars eram os embaixadores de Gana: espalhavam a palavra do Panafricanismo que tanto Nkrumah desejava tornar realidade. Em 1963 o pequeno país era então um dos mais prósperos de toda a África: não apenas sediou como ergueu a CAN pela primeira vez. Em 1965, o bicampeonato veio movido pela premiação de uma casa nova para cada atleta, feita pelo presidente Nkrumah.

No mesmo ano, o ex-craque local Osei Kofi relata (por volta de 7′ do vídeo) que os Estrelas negras foram convidados para um amistoso de independência do Quênia e deram uma sonora sumanta no adversário (13×0). Foi a visita mais indigesta que o futebol ganês já realizou. Kofi foi escolhido como o jogador africano do ano e recebeu um televisor e várias honrarias de estado como prêmio.

Porém, o futebol ganês passou por um enorme ostracismo a partir do gole de estado que derrubou Nkrumah em 1966, durante uma viagem à China.

[China -> comunista -> "Estados Unidos da África" -> independência + união = v. Zeitgeist Addendum, especialmente a questão dos "assassinos econômicos]

PROBLEMAS DO JORNALISMO COMO REFERÊNCIA HISTÓRICA

A minha querida amiga Cláudia Cardoso postou no Dialógico (que ela divide com as incríveis charges do Eugênio Neves) um artigo interessantíssimo chamado “O Comprometimento da Mídia Guasca com Yeda Crusius“.

Nesse post, os comentadores* Miguel Grazziotin e Turquinho consideram a hipótese bastante plausível de que a blindagem da corrupção do atual desgovnerno bovino não se deva apenas à preservação pura e simples dos interesses econômicos e simbólicos dos patrocinadores da mídia corporativa do RS, mas também a uma espécie de contrato social de baixo nível entre corruptores e corruptos. Segundo essa premissa, não seria nada difícil supor que a RBS e todas as suas concorrentes tenham se envolvido no processo de articulação responsável pela maior dilapidação que este estado já viu.

Ora, se a blogosfera possui (ao contrário do que o prof. Celso Schröder me levou a crer em debate recente – mas isso fica para um post que estou devendo) apuração, reportagem, investigação, denúncia e opinião responsável e metodologia de documentação a partir de jornalistas, sociólogos, filósofos, geógrafos, historiadores e uma série de cidadãos críticos e responsáveis, não é impossível desconstruir essa blindagem. Se essa blindagem for rompida por um necessário aumento do espectro que essa desconstrução atualmente em curso possa vir a alcançar, logo, tornar-se-á impossível à mídia corporativa manter a sua credibilidade perante a maioria da população.

No final do post, a Cláudia escreveu algo que me levou a uma preocupação. Preocupação esta que levarei à minha cunhada Rosângela Oliveira, aos professores de cursinho da minha Lu (que vai prestar vestibular para História) e para o já quase historiador Rodrigo Cardia do Cão Uivador.

Disse a Cláudia:

“…Quem recorrer aos jornais impressos, daqui há alguns anos, não poderá avaliar a situação dramática do RS nesse período…”

Nós, leigos em História, em Biblioteconomia, em Museologia e em Arquivologia, estamos todos acostumados a reunir jornais e revistas como documentação factual devido à facilidade de acesso e à cronologia que esse suporte de informação cotidiano nos fornece há pelo menos um século e meio no Brasil.

No entanto – e aí preciso do socorro do pessoal da área de História – parece que muitos historiadores prudentemente apresentam muito cuidado para evitar tanto quanto possível a relação direta entre a confiabilidade do conteúdo jornalístico como fonte histórica e a devida transformação desse material bruto em História. consagrada. Pessoalmente, creio que isso se deva a uma série de fatores:

1) A informação mediada sempre serve aos patrocinadores da mídia corporativa – que, por sinal, são aqueles que detém o status quo. Logo, tudo o que não interessa ou é omitido, ou é manipulado, ou, ainda, não é analisado com a devida profundidade;

2) O procedimento cuidadoso leva os historiadores a terem a imprensa como uma referência menos importante – ou, então, apenas como mais uma referência dentre tantas outras amostras documentais e testemunhais. Dessa forma, me parece que, tanto quanto possível, o processo historiográfico deve buscar reunir, além das provas materiais e documentais mais corriqueiras, um conjunto de depoimentos de protagonistas, antagonistas e de herdeiros relacionadas a um determinado contexto;

3) Em um futuro não muito distante, os jornais e revistas cujo suporte material ora é o papel ou o plástico estarão em desuso por causa da dificuldade de conservação, desse material, do alto custo de armazenagem de material com volume e peso significativos e, obviamente, também em função da sustentabilidade por uma questão de sobrevivência.

Isso posto, toda a informação que circula e pode ser reproduzida digitalmente não depende mais de nenhum suporte material. Todavia, a existência e o consumo da informação digitalizada só são percebidos a partir do momento em que esse conteúdo é reproduzido em uma série de interfaces cujos suportes são todos necessariamente alimentados por uma série de formas de energia que se transformam em eletricidade. Sem energia, o que está armazenado não pode ser recuperado nem tampouco reproduzido. Em outras palavras, a informação “desenergizada” não é informação. Afinal de contas, sob essas condições, todo e qualquer conteúdo não passará de um amontoado de bits presos em suportes sintéticos impossíveis de ser recuperados.

Por exemplo: o que é um HD? O que é um pen drive? O que é um cartão de memória? O que é um DVD? A apropriação básica para a qual esses produtos foram criados perde totalmente o sentido quando o seu conteúdo não pode ser visualizado.

Então, mesmo que o problema não seja um colapso energético involuntário, podem haver cortes de energia arbitrários que funcionariam como a Inquisição da Idade Média – os apagões seriam o poder do clero e da nobreza “queimando” os “livros” da pós-modernidade.

Hoje, discute-se muito a abolição dos direitos autorais, que é uma agenda decisiva. Outra agenda diretamente relacionada a essa é a da democratização e da desconcentração da propriedade e da livre expressão dos mídias. Porém, o que eu trato neste post deverá necessariamente se tornar uma questão crucial para a permanência da memória e para o respeito a todo e qualquer tratado capaz de organizar a sociedade.

Já está mais do que na hora de discutirmos garantias legais que sustentem uma certa materialidade para a informação que – desde o começo deste século – está sendo quase totalmente digitalizada.

Portanto, a democratização da comunicação depende também da preservação do acesso tecnológico necessário aos suportes de todo o conhecimento da humanidade que não cabe mais em bibliotecas, nem nos museus e tampouco nos órgãos do Judiciário.

Com a palavra, os especialistas! ;)

GRÊMIO: UM MODELO DE GESTÃO INSUFICIENTE

Depois que deixei de ser um piá fanático, passei a ver que, mesmo que os colorados já tenham dito “Ah! Eu sou macaco!” em alguns grenais onde nos venceram e que eles mesmos vistam máscara de macaco por pura irreverência…

…Trabalho com a dura hipótese de ter que admitir que a esmagadora maioria do pensamento da classe média urbana gaúcha construído culturalmente é racista até hoje. Nessa mesma linha, a origem de QUASE TODOS os clubes sociais de Porto Alegre fundados no máximo até meados do século XX é predominantemente racista por analogia. Infelizmente, ainda não posso pensar de forma contrária, pois não possuo subsídios suficientemente consistentes para poder celebrar a minha vontade.

O que ninguém diz é que, também por semelhança, o Inter obviamente também tem uma origem racista. No lado vermelho, não adianta ter 5% de conselheiros negros e mulatos nem ter um saci como mascote ou gastar todo o latim repetindo que foram os primeiros a admitir jogadores negros.

O Josias foi extremamente feliz ao recuperar o fato de que o Grêmio admitiu um atleta negro antes. Porém, o Inter escolheu alguns jogadores de cor melhores e em quantidade maior antes do Grêmio. Em termos sociais e para a imagem institucional, nenhum desses fatos significa grande coisa, pois o modelo de gestão e os principais frequentadores não apenas dos clubes de futebol mas do Leopoldina, da Sogipa, do União e de outros décadas atrás sempre foi aristocrático. Pra ser aristocrático, é necessário fazer algumas concessões. Porém, nenhuma dessas concessões chega a ser tão significtiva a ponto de alterar o status quo.

Vejamos: sendo as chapas do Conselho Deliberativo de qualquer clube (de botão, de chá, de empresários, de sindicalistas e até de futebol) listas fechadas e sendo o modelo participativo um arremedo de democracia representativa, estamos diante de uma institucionalidade incapaz de representar os interesses do associado. As recentes mudanças de estatuto (Conselho de Administração, redução na cláusula de barreira, etc.) e os mimos de marketing que fazem com que um punhadinho de associados participem de instâncias “ocultas” do clube sob uma ótica meramente consumista não dão conta nem de melhorar a imagem do clube de maneira exponencial perante a sociedade, nem de exponencializar o consumo e a participação.

Isso posto, não posso compactuar com a concessão do voto a jubilados nem que eles sejam as melhores pessoas do mundo. Afinal de contas, eles já possuem um capital social tão alto que circulam, fazem lobby e definem eleições e chapas como eminências pardas.

Eu estou pesquisando um modelo de democracia participativa via internet para associados com uma autenticação digital extremamente confiável. Porém, ainda não posso avançar nessa questão.