IMPÉRIO X RESISTÊNCIA: O ATRASO DO BRASIL

Este post versa sobre cinco pontos:

1) O debate político na ágora pública perdeu quase toda a sua força. Embora este seja um fenômeno global, cada local apresenta suas próprias particularidades, pois a globalização não homogeneiza sociedade alguma – isso é papo de neoliberal ignorante. A esmagadora maioria das pessoas desinteressou-se pelo envolvimento direto e não sabe o que é cidadania. O hedonismo, o individualismo, o excesso de trabalho e o consumismo são traços globais que justificam essa atitude. Porém, o Brasil apresenta, além da sua heterogeneidade étnica, cultural, geográfica, climática e das diferentes matrizes econômicas regionais de pouco intercâmbio entre si, o ranço da ditadura e o conservadorismo exacerbado (v. “Por que o gaúcho é assim” – excelente série de textos do DIÁRIO GAUCHE em setembro de 2007).

2) A discussão política passou a ser feita de maneira frívola e sem conteúdo transformador ou investigativo. As pessoas informam-se, recebem uma série de juízos de valor e retroalimentam a mídia corporativa com suas impressões pessoais em um ciclo onde de passivo e de alienado o receptor tem muito menos do que se imaginava. A ágora digital é a mídia (seja o PIG ou a alternativa): querendo ou não, a mídia aogra constitui o único campo social que traduz a linguagem dos outros campos de maneira tão superficial quanto inteligível, nivelando por baixo a compreensão da sociedade através da insistência no uso de dicotomias cujas nuances se perdem na opacidade do fazer, da natureza vicária, da ética, da economia, da cultura e dos ritos e códigos característicos de todos os demais campos sociais. Ao mesmo tempo, a própria mídia esconde, ignora ou exacerba determinados traços inerentes aos bastidores de sua própria produção através da gramática de seus enunciados.

Todavia, a mídia corporativa não é o “quarto poder” e ela não manda e não decide nada sozinha. Ao mesmo tempo, ela deixa uma quantidade absurda de rastros facilmente detectáveis por pessoas de inteligência e escolaridade mediana, desde que sejam suficientemente observadoras e interessadas em comparar o que, como e através de quem ela apresenta os fatos e suas opiniões do cotidiano: ela obedece aos interesses do império, do qual ela faz parte e é financeiramente alimentada.

O mundo é regido pelos interesses das corporações globais, não pelo Estado-nação. Logo, como as pessoas são heterogêneas, a mídia não pode simplesmente influenciar, manipular ou doutrinar. Ela tenta e, eventualmente, em situações bastante pontuais, até consegue uma adesão aos propósitos de seus patrocinadores e parceiros comerciais. Possui, sim, um certo poder. Todavia, só mesmo uma classe média extremamente atrasada como a gaúcha para submeter-se a uma influência que nem a Globo consegue exercer.

Porém, ignorar a sua importância e as suas práticas; reduzir os problemas do país meramente à sua discursividade e enxergar os comunicadores conservadores como se eles fossem sumidades ou, por outro lado, demônios em forma de gente, é de uma ingenuidade acachapante: a mídia corporativa é, a grosso modo, apenas o funcionário que lê o pergaminho com a palavra do imperador.

Portanto, o monitoramento do que o rádio e a TV dizem, para quem, por quem, como e com que objetivo é muito mais significativo do que o que sai nos jornais e revistas. Afinal de contas, rádio e televisão são concessões federais de uso do espectro de ondas eletromagnéticas que devem, sim, ser fiscalizados, prestar contas e devem, acima de tudo, manter um compromisso social. No entanto, jornais e revistas compra quem quer. Quem é conservador, procura a mídia corporativa e crê na mensagem de seus mantenedores imperiais porque deseja tão-somente ver seus próprios valores endossados por outras palavras.

3) Para Hardt e Negri (2001), o império não são mais os Estados-nação mas, sim, as megacorporações globais que, devido à sua rede social, fazem parte de um sistema auto-organizado top-down, altamente hierarquizado que se faz presente em todas as áreas do conhecimento. Mesmo que o Brasil não tenha guerras civis há muito tempo, não viva mais a ditadura formal e a “guerra” contra o crime organizado não passe de um discurso de prioridade e proporção hipervalorizados e espetacularizados, o império só se mantém proporcionando um estado de guerra global permanente.

Esse império não é os EUA, o Reino Unido, a França, a Itália, a Alemanha, a Rússia e nem a China mas, sim, a articulação entre a cúpula política conservadora, os megaempresários, banqueiros, latifundiários, indústria química (medicamentos, agrotóxicos, sementes transgênicas, hormônios), e produção de bens imateriais (comunicação, informação, entretenimento) que é a maior interessada pelo estado de guerra permanente;

4) A única forma de resistir à dominação e à violência dos detentores do poder hegemônico é utilizar as mesmas armas que eles utilizam no mesmo contexto histórico de cada forma de dominação. Atualmente, como o Estado-nação e a representatividade política não são mais legitimados por coerência ideológica nem pela consciência do compromisso de representar a sociedade, este Estado-nação passa a atender pioritariamente a interesses comerciais.

Dessa forma, o voto e a atividade parlamentar valem, em termos cidadãos, quase nada, pois a política partidária, os Três Poderes e a forma de financiamento de campanhas só faziam sentido para a democracia quando o Estado-nação ainda conseguia, quase autonomamente, ser um welfare state, uma ditadura ou democracia teocrática, civil, militar ou monárquica.

Portanto, se vivemos um estado de guerra permanente; se o império são as corporações; se o Estado-nação representa um controle e uma identidade fragmentados; se o status quo é mantido através das redes de comunicação, transmissão, circulação e negociação de bens simbólicos…

…A forma de resistência contemporânea deve ser também em rede.  A resistência forjada na modernidade não obterá nenhum sucesso se desejar tomar o poder político, pois, além de não ter força física, coercitiva, simbólica ou financeira suficiente, acabará entrando nessa rede como mera capataz dos interesses do império para, em troca, distribuir apenas migalhas do que poderia ser feito para o país inteiro.

A resistência moderna nem tampouco obterá sucesso se tentar pegar em armas, pois possui apenas cascalho para atirar contra um everest de titânio com canhões que atiram bombas de 100 megatons de plutônio.

A resistência moderna não consegue mobilizar pessoas com competência e visibilidade capaz de atrair a atenção e a adesão da classe média nem de forçar uma inserção midiática positiva no Brasil porque a nossa direita é mais inteligente do que a de todo o resto da América do Sul e a nossa esquerda ainda adota métodos modernos, que são péssimos para compreender e usufruir da rede.

A resistência moderna brasileira está sempre 200 órbitas atrás do império, pois segue pensando em povo e em massas ao invés de pensar na multidão.

Finalmente, o Brasil é, financeira e tecnologicamente muito mais avançado do que seus vizinhos de fala castelhana. Nossas oligarquias simbólicas, financeiras e políticas já estabeleceram laços mais fortes com o império – o que justifica o misto de alta tecnologia (o brasileiro é quem fica mais horas/mês na internet no mundo inteiro) com a pior distribuição de renda do planeta (para economia externa, os oligarcas são pós-modernos; para economia interna, são pré-modernos).

Nossos co-irmãos Uruguai, Paraguai, Argentina, Equador, Bolívia, Chile e Venezuela falam a mesma língua, possuem maiorias subjugadas de mesma matriz étnica e cultural e, embora menos desenvolvidos do que o Brasil, há uma quase homogeneidade tanto das oligarquias como dos pobres em relação às práticas econômicas, políticas e de articulação do poder. Eles são, em extratos importantes da sociedade, menos feudais e menos pós-modernos do que o Brasil. E os lados antagônicos da América Hispânica se conhecem muito melhor do que os do Brasil, pois a esquerda está muito atrasada em relação à direita.

Conseqüentemente, o Brasil, mesmo tentando exercer um papel de liderança política na região, não o consegue. Só para ficar em poucos motivos bastante óbvios, a barreira cultural e idiomática é enorme: enquanto a situação de cada um de nossos vizinhos é bastante conhecida por todos os demais, eles conhecem o Brasil, mas o Brasil não os conhece: nossa oligarquia e seus laços globais utilizam a mídia corporativa como um megafone que se cala diante da realidade da América Latina e reverbera o estado de guerra permanente para além de suas fronteiras, enquanto os nossos vizinhos se preocupam em resolver problemas particulares e imediatos dentro de suas próprias trincheiras. Problemas comuns ao Brasil que, de sua parte, pouco tem conseguido solucionar para si mesmo e é pouco participativo na hora de cooperar com os outros.

5) Queiramos ou não, nós mesmos somos alimentados pelos valores do império, pois não há como trabalhar, consumir, relaxar, socializar, sonhar e realizar colocando um escudo sobre aquilo em que não acreditamos. Mesmo em nossas críticas e constatações mais inteligentes e voltadas para um interesse puramente voltado para emparelhar a sociedade, nosso principal assunto, que é a mídia corporativa, a política, a economia e a sensibilidade, é debatido em função da ágora midiática.

Em suma: a resistência pós-moderna se estabelece em rede. Ou isso, ou bailamos na curva.

EM PORTO ALEGRE, A ESQUERDA PRECISA VOTAR NULO

Há algumas semanas, o RODRIGO CARDIA do CÃO UIVADOR mencionou a possibilidade de votar nulo.

Durante muitos anos, tive motivos de sobra para crer que o voto nulo favorecia às oligarquias e à direita. Além disso, ele era um direito do cidadão para tentar melhorar a convivência, a civilidade, o respeito, a autonomia e a economia de um determinado espaço geográfico cuja natureza e cuja urbe compartilha com muitos outros cidadãos. Em uma condição supostamente “normal” (ou, melhor, seguindo um certo consenso), abdicar de um direito desse porte significaria omissão, egoísmo ou ignorância – na minha opinião, os piores resultados da modernidade.

Todavia, o BRASIL mudou muito: em determinados quesitos, melhorou demais. Já em outros, as concessões feitas para poder distribuir melhor a renda e investir mais no social resultaram em severas catástrofes do ponto-de-vista do que é sensível e coletivo.

Tais mudanças colaboraram para que o maior medo das esquerdas (o coronelismo interiorano da troca de votos por paliativos materiais para a miséria) tenha sido significativamente reduzido.

Dessa forma, penso que o voto obrigatório já pode ser plenamente substituído pelo voto facultativo: primeiro, porque o dinheiro para comprar votos nunca é suficiente; segundo, porque qualquer pessoa coagida por um “coroné” ou por um de seus “capitães do mato” pode votar em outro candidato, anular ou votar em branco porque (estritamente nesse sentido), felizmente, não há provas materiais do seu voto.

Não gosto da área do Direito – ciência normativa moldada por uma ampla maioria de representantes do conservadorismo, que legisla a favor da sua própria casta. Também não confio no sistema eleitoral atual, que obriga todos a realizarem alianças programática e ideologicamente inaceitáveis e a venderem-se para os interesses daqueles que sempre estiveram no poder para atingirem o poder político. Também sei que não é possível fazer todo mundo escolher sim ou não ou, então, que todos os cidadãos tenham a palavra em assembléias. Plebiscito pra tudo também é impossível.

Com ou sem uma classe média raivosa, revanchista, racista e ignorante; com ou sem uma articulação poderosa, maleável e independente de qualquer relação espacial, geográfica ou até mesmo virtual; com ou sem o megafone desse poder etéreo chamado mídia corporativa, hoje penso de maneira diferente.

O Governo Lula resulta de um hibridismo entre esquerda e direita que só pôde ser realizado através de um pragmatismo capaz de ampliar a distribuição de renda desagradando amplamente à extrema esquerda e à exrema direita. Isso não quer dizer que o Governo Lula seja o melhor de todos os tempos e nem o pior, mas que faz muito mais tanto pelos especuladores financeiros e pelos miseráveis do que qualquer outro desde a Era Vargas (não que Vargas fosse suficientemente ‘bom’).

A luta de classes e as várias dicotomias tais como capital x trabalho; burguesia x proletariado; ricos x pobres; brancos x negros + índios; brasileiros x estrangeiros; civis x militares e assim por diante existem e não podem ser empurradas para debaixo do tapete. Da mesma forma, o neoliberalismo é muito mais nocivo do que favorável à maioria da sociedade. Os pobres sempre verão os ricos de uma certa forma e vice-versa. Afinal de contas, ignorância, preconceito e boatos ocorrem em qualquer ambiente moldado por humanos.

De toda sorte, há uma série de crenças que não apresentam mais nenhuma possibilidade
de serem empiricamente representadas através de fatos, eventos ou
modelos prontos ou puristas, nos quais muitos ainda crêem e continuarão crendo. Isso vale para todos os pólos, sem exceção, sem favorecimentos e sem desculpas.

Não delego o meu destino e não torço mais a favor nem contra nenhuma instituição organizadas com fins político-partidários, classistas ou normativos porque são todos excludentes. Também me tornei extremamente desconfiado da verdadeira intenção de quem se candidata a algum cargo de representação pública em função de todas as incoerências e de todas as inversões de prioridade.

Portanto, na contemporaneidade, a cidadania não é mais representada pelo voto para cargos públicos, nem por trabalhar (remuneradamente ou não) a favor de alguma candidatura. Cidadania é participar, agir, ajudar, ser útil e buscar o bem comum com respeito, tolerância e despido de preconceitos, aliando sensibilidade e técnica a serviço de todos.

Se a ágora representada pela praça pública da pólis grega deslocou-se majoritariamente para os produtos da mídia (seja ela grande ou pequena, física ou virtual, massiva ou de nicho), é através do domínio dessa nova linguagem, dessa nova dinâmica de fluxos comunicacionais e, sobretudo, dessa gramatologia que a participação tem sido potencializada.

Política partidária significa tomada de poder. Todavia, as demandas individuais e coletivas são tão heterogêneas e pontuais que a forma mais eficiente de obter êxito ao negociá-las na atualidade é através da pulverização dos anseios, das necessidades, dos sonhos, das queixas e das soluções materiais imediatas sem tomar o poder.

É preciso compreender que ser a favor do sensível, do humano e do honesto e marcar posição firme contra o especulativo, o egoísmo e a ignorância não pressupõe a adesão ao discurso inócuo que ataca ou defende incondicionalmente a alguém ou a alguma coisa. Dessa forma, ser a favor de algo não significa ser contrário a alguém mas, sim, ser contrário a idéias antagônicas inconciliáveis e incompatíveis com o bem comum a todos.

Hoje, sinto-me como membro de uma multidão heterogênea e dispersa que, volta e meia, une-se em prol de uma demanda comum e, tão logo obtenha êxito definitivo, dispersa-se porque, de resto, aquelas pessoas todas não apresentam valores e crenças compartilhadas pela maioria na maior parte do tempo.

O povo é manipulado por uma série de interesses. A massa é desorganizada e 100% imprevisível. Já a multidão não: a multidão é onipresente e não obedece a nenhum mantra político-partidário. E, felizmente, sua força reside em sua autonomia e na possibilidade de cada um aceitar que é diferente mas que não é melhor nem pior do que ninguém. Que eles, elas e os outros não existem: o que existe é a circularidade entre o eu e o nós, desde o poucos de nós até o muitos de nós.

Essa é a leitura que faço de NEGRI e HARDT.

E essa é a leitura que faço do ZAPATISMO.

Minha decisão é: enquanto o sistema for assim, VOTO NULO com a tranqüilidade de que não posso me contentar com “o melhor dentre os ruins” ou com o “menos fraco” e, acima de tudo, de que o voto pode tranqüilamente ser facultativo.

Ao invés de omissão, de ignorância ou de intempestividade, considero minha posição um ato de protesto contra as regras da representatividade político-partidária. É uma forma de definir o meu lugar de exercer política.

Finalmente, por uma questão de ordem prática, desunida ou incoerente, a esquerda local não tem condições de retomar o poder aqui. Sendo assim, como cobrar, como fiscalizar, como exigir e como dialogar quando ainda se acredita que a única forma de ação política é tomar o poder?!

“O FATO DE ALGUÉM PENSAR DIFERENTEMENTE DE MIM NÃO SIGNIFICA NEM QUE EU SEJA MELHOR, NEM QUE ELE SEJA PIOR.”

VOTE NULO.

NÃO SOU BLOGUEIRO DE ALUGUEL

Infelizmente, há blogueiros contratados pela mídia corporativa e outros que dela se desincompatibilizaram cujos blogs possuem diversos anúncios (banners) tanto de empresas estatais como privadas. Essa opção pela parcialidade faz com que apenas parte da concorrência receba elogios e recomendações e a outra seja esquecida ou criticada de maneira imprópria.
Tal postura comprova uma ação profissional totalmente dependente da prática comercial e política de seus patrocinadores: de jornalistas, travestem-se como relações públicas e assessores de imprensa extra-oficiais em troca de uma viagem para conhecer a matriz e/ou de um belíssimo soldo, que sabe-se ser muito mais alto do que o ridículo valor do anúncio em uma página web.
Saindo do terreno das notícias e dos comentários sobre política e economia, a nova coqueluche em marketing viral e em publicidade online consiste no empréstimo de produtos materiais e na oferta da experiência de uso de bens intangíveis para blogueiros que recebem um agrado ($) para elogiarem ou criticarem determinados produtos ou serviços, pois a palavra de um blogueiro inteligente, bem articulado e educado pode ser mais eficiente do que a voz dos formadores de opinião da mídia de massa, tendo em vista o alcance desses blogueiros dentro de nichos bastante ecléticos, multiculturais, expressivos e distantes.
Não é uma atividade ilegal. Porém, considero tal procedimento um tanto baixo.

Como diz o pessoal da NOVA CORJA, a tropa de choque do jornalismo oligárquico “num sabe usá tenéti” e fica ameaçando com bravatas e denúncias vazias porque não tem por onde sair, já que seu modus operandi comercial compromete – e muito – a credibilidade de suas notícias e comentários.

Em época de uma nova campanha política no Brasil (a primeira cujo conhecimento prático e teórico no uso das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação – as NTICs – também demanda e é demandada pelos atravessamentos da sociedade midiatizada), precisamos estar sempre atentos para a ignorância da censura que instituições supostamente isonômicas como o TSE, o TRE, o STF e todos os MPs brasileiros têm realizado neste ano.

Pior: nosso Congresso tem a cara-de-pau, a ignorância, a estupidez ou até mesmo a má intenção de aprovar um projeto de arapongagem digital proposto pelo ex-desgovernador de MG tucanóide e atual senador EDUARDO AZEREDO (confiram a carta que o TRÄSEL enviou para o Senado e assinem a PETIÇÃO ONLINE que a dupla SÉRGIO AMADEU + ANDRÉ LEMOS abriu contra essa lei estapafúrdia), que – diz a mídia alternativa em Minas – parece possuir estreitas relações com uma enorme empresa de segurança em TI que deseja monopolizar a rede no país. Comprovem isso logo e, de uma lei ridícula, teremos apenas um reles castelo de cartas registrados nas páginas negras dos anais da internet.

Uma das melhores opiniões disponíveis sobre tal aberração é do IDELBER AVELAR. Interessante como todos os con$ervadore$ que criam e conseguem quorum para votar uma estupidez de tamanha magnitude, seja aqui ou em PALAU (com o devido respeito aos nativos daquele paraíso), não entendem patavina sobre internet.

Em suma: o uso do jabá por parte de vários “colonistas” e o uso da publicidade através da voz de blogueiros pagos para puxarem o saco ou detonarem um determinado produto ou serviço, nos incomodam e devemos resistir a tal arbitrariedade e falta de ética. Por hora, apesar desse empecilho temporariamente significativo para o pleno desenvolvimento da blogosfera brasileira estar diante de nós, adiante apresento um exemplo de como a comunicação e a articulação de redes sociais não pode ser controlada:

Sem entrar no mérito se ele é ou não um político honesto; se ele estaria mesmo voltado para satisfazer as demandas daqueles que mais precisam nos EUA e se verdadeiramente pretende tornar-se um líder pela paz e pela redução da miséria no mundo, BARACK OBAMA angariou centenas de milhões de dólares em doações de pessoas físicas e jurídicas e dezenas de milhares de voluntários espalhados por todos oe 50 estados de seu país porque sua assessoria soube trabalhar com ferramentas como e-mail marketing (spam para quem não gosta de receber e-mail no formato de mala direta) e pelo menos DEZESSEIS (16) diferentes sites de relacionamento voltados para nichos de eleitores completamente diferentes.

Como exemplos, cito o FACEBOOK (um site de redes sociais muito mais popular nos EUA do que o Orkut é no Brasil ou na Índia), o MY SPACE (site personalizado de notícias e de relacionamento vinculado ao MESSENGER, ao HOTMAIL e a um serviço de agenda e calendário disponibilizado pela MICROSOFT), vídeos da campanha no YOU TUBE, álbuns de fotos coletivos com fotos de Obama tiradas por amadores em todas as prévias e entrevistas das quais participou no FLICKR, ranking de notícias e artigos sobre OBAMA indicados pelos internautas no DIGG, a nova febre de comunicação em rede na internet, também utilizada pelo jornalismo conhecida como TWITTER, um perfil no site de relacionamento voltado para redes de colaboração profissional LINKEDIN e, finalmente, o envio massivo de torpedos via celular.

O problema é que, no Brasil, quem foi mais esperto em utilizar essas ferramentas e em estabelecer sociabilidades através dessas novas tecnologias foi a pseudo-esquerda da esperta MANUELA D’ÁVILA (E AÍ, BELEZA?) e a juventudi (bela expressão também “chupada” da NOVA CORJA – sorry, guys!) da direita e do – sem comentários – candidato a vice-prefeito pelo PP na chapa de ONYX LORENZONI (DEM), o deputado estadual MANO CHANGES.

Enfim, a campanha de OBAMA pelos democratas foi o maior exemplo mundial até agora da mobilização através da internet. E serve como mais um subsídio para a minha hipótese de que não há esvaziamento nem alienação política: o que há é o deslocamento da pertença local e terrestre para uma pertença global diretamente relacionada à satisfação das demandas pontuais de determinados grupos sociais, normalmente minoritários, periféricos ou marginais.

Mas aqui vai um recado para nossos juristas, políticos e aDEvogados (com todo o respeito aos advogados): se eu quiser dizer em quem irei votar no meu blog, eu digo. Se eu quiser dizer por que eu acho que eu e quem lê o que eu escrevo deveRIA ou não votar em fulano, beltrano ou ciclano do partido que for e para o cargo que for, eu vou dizer.

E não poderei ser processado: sabem por que? Porque a minha liberdade de expressão está garantida pela CONSTITUIÇÃO FEDERAL. No momento em que eu não estiver mentindo, caluniando nem difamando, posso dizer o que eu acho sobre qualquer coisa e está acabada a discussão.

Agora vocês sabem meus motivos por ter aderido à campanha NÃO SOU BLOGUEIRO DE ALUGUEL graças ao post do GLOBAL VOICES ONLINE, que repercutiu a excelente iniciativa do FREELANDO PRO DIABO. É  por isso que creio ser tão importante vocês também levarem essa idéia adiante.

clipped from freelandoprodiabo.com

Os anunciantes estão descobrindo a melhor maneira de usar esta ferramenta para chegar a nichos que beiram os meios convencionais de comunicação. Blogs são interessantes porque consistem em doses periódicas de conteúdo assinadas por alguém que cativa audiências com interesses afins. Muito já se tentou: blogs fictícios, personagens, banners, até o famigerado post pago disfarçado de post autoral, modalidade repudiada pelos blogueiros que prezam pela sua credibilidade e respeitam seus leitores.
Blogueiro de verdade fala a verdade, doa a quem doer.
Blogueiro de aluguel é quem não conhece a dinâmica do meio e tenta enganar.
Mas não adianta: o diálogo acaba não acontecendo porque fica mentiroso, vazio, falho.
Quem rouba no jogo é blogueiro de aluguel. Quem censura a livre expressão dos blogueiros não deveria nem participar da discussão. Antes de ser mídia ou veículo, blog é opinião registrada de quem tem voz ativa e diz o que pensa: eu não sou blogueiro de aluguel.
blog it

DESCENTRALIZAÇÃO > INSTITUCIONALIZAÇÃO

O prof. GILSON CARONI, que leciona SOCIOLOGIA na FACHA, é colunista da AGÊNCIA CARTA MAIOR e colabora com o OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, defende, em seu artigo mais recente, que Lula é de esquerda.

Embora minhas leituras sobre Sociologia, Antropologia, Ciência Política, Filosofia, Psicologia e tanto minha militância presencial como minha relativa juventude sejam extremamente incipientes perto de qualquer intelectual (mesmo os de má qualidade – o que não é o caso do prof. Gilson), tenho uma percepção e uma série de referenciais que me permitem emitir minha opinião.

Perrrguntas:

1) A quem interessa defender um partido, um sistema partidário, as empresas globalizadas ou um estado como locus de pertença representativo da alteridade?

2) A quem interessa utilizar figuras semânticas em retóricas vazias sem um verdadeiro sentido de inclusão, tais como “povo”, “partido”, “sindicato”, “cooperativa”, etc.?!

Quando em algum momento da história o PT trabalhou verdadeiramente pelos movimentos sociais a não ser para incluí-los no seu modelo de cidadania e de meritocracia, que inclui somente quem for sindicalizado? Enquanto o cara não for sindicalizado, ele não tem voz. Ele é um mero prospect, ou cliente em potencial. Quando “assina o contrato”, o partido trabalha um pouco por ele a fim de ganhar adeptos para todas as suas causas. Contudo, quem verdadeiramente faz um FORUM SOCIAL MUNDIAL são as entidades globais e locais da sociedade civil organizada. Os partidos, os governos e as empresas têm um papel extremamente reduzido em termos de mobilização e de proposições para as demandas da sociedade.

Mesmo que toda resistência seja necessária, já foi-se o tempo em que fazer bravata, greve, operação-tartaruga e o escambau resolvia alguma coisa de maneira permanente e, sobretudo, garantindo os grevistas ou os sindicalistas no emprego. Hoje em dia, não é o discurso político que é vazio mas, sim, o discurso político-partidário. Não é mais a pertença a um determinado pedaço de terra ou a identificação com um punhado de gente que se criou de maneira semelhante que garante por quem ou para quem se deve lutar a fim de se ter uma vida melhor: o ativismo é pela saúde do planeta que, espera-se, influenciará melhorias substanciais na saúde, na educação, na infra-estrutura, na energia sustentável, no reaproveitamento de material, na redução radical da exploração dos recursos naturais e em uma racionalidade jamais antes vista em transportes e infra-estrutura, contribuindo para uma sociedade cujo maior valor seja a solidariedade.

Mesmo com palavras diferentes dos autores e misturando uma coisa com a outra, tudo o que eu disse no parágrafo anterior aproxima-se bastante dos últimos trabalhos do prof. BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS, da UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA, e também dos trabalhos de ALBERT-LASZLÓ BARABÁSI (LINKED), STEVEN JOHNSON (EMERGÊNCIA) e, acima de todos estes, da dupla ANTONIO NEGRI e MICHAEL HARDT (IMPÉRIO e MULTIDÃO).

A Grande Imprensa ataca, mente e omite. Mas a audiência NÃO É PASSIVA: ela interpreta a notícia e a coluna de acordo com o referencial cultural (escolaridade, rua, bairro, cidade, clube, profissão, trabalho, praça, trânsito, idiomas, viagens, etc.) e com a sua alteridade (aonde estou, a que/a quem/com quem/com o que me sinto íntimo, à vontade e me dá vontade de ajudar e de aceitar ser ajudado; de defender e de cobrar que seja defendido). A esquerda precisa conhecer autores latino-americanos que escrevem sobre sociedade midiatizada, propaganda, consumo como JESÚS MARTÍN-BARBERO, OROZCO, NESTOR GARCÍA-CANCLINI, ARMAND MATTELART, MUNIZ SODRÉ e também fazer um paralelo entre as histórias sociais do conhecimento e da mídia, através do trabalho dos ingleses ASA BRIGGS e PETER BURKE.

Se todos fossem uns coitadinhos ignorantes, explorados em todos os sentidos, subservientes e obedientes em todas as situações de suas vidas, aí, sim, a Grande Mídia, seus patrocinadores e seus representantes em todos os níveis de governo seriam “os” grandes intelectuais orgânicos. Seu papel é importante para a manutenção do status quo e merece todo o nosso cuidado e as nossas denúncias. Porém, há várias instâncias que devem ser observadas fora da mídia, dos partidos, dos sindicatos e das empresas que envolvem ações globais descentralizadas que, através da internet e dos celulares, ao invés de entregarem o ouro ao bandido, voltam a oferecer força e seriedade às manifestações presenciais. Portanto, o discurso político existe com força, sim, e não é nada vazio.

Concordo com o artigo: Lula não deixou de ser de esquerda e nem tampouco se vendeu ao sistema: todavia, tudo em que sempre acreditou está repleto de referências setentistas do “milagre brasileiro”, onde engenharia pesada era sinônimo de desenvolvimento e foda-se a natureza, pois o homem é um animal “superior”.

Não importa quem, aonde nem quantos foram os petistas históricos que abandonaram o partido prevendo esse desastre nem quais foram os oportunistas de outras siglas não necessariamente de esquerda que juntaram-se ao PT (e, pior, foram aceitas). O que importa é que, se a falta de escolaridade do presidente o prejudicou em alguma coisa, o prejudicou no fato de que seus antigos “cumpanhêros” com curso superior, viajados, poliglotas e melhor articulados com empresários são hoje consultores da mesma estirpe dos que superpovoavam os gabinetes de Collor e FHC.

Um pseudo-partido de pseudo-esquerda no governo sempre fará menos pior do que um partido de centro-esquerda diante de uma população predominantemente miserável.

Repito: voto no PT, mas porque é o único partido que possui um conteúdo programático que indica menos desonestidade, maior inclusão e maior respeito às minorias. Nas eleições, caso saia de camiseta, bandana, estrela, bótons e adesivos espalhados pelo corpo, será por puro desespero, pelo mais profundo medo de ver o pior dos piores manter-se ditando as regras e privilegiando quem menos precisa de privilégios em toda a sociedade. Como nunca me filiei a partido algum, posso afirmar minha frustração e minha descofiança sem eliminar a sua importância nem o seu valor que, em determinados nichos da sociedade, ainda oferece um alento. Porém, não serve mais como tábua de salvação para um país.

Caso isso se perca, ou mudam na lei a forma de representatividade democrática, ou passarei a votar nulo, pois a militância mais importante não é a do partido, da igreja, do sindicato, do clube, da profissão: é a da cidadania. Mas não da cidadania meramente local para resolver pro
blemas egoístas ou, às vezes, até mesmo pequenos: a verdadeira militância, o verdadeiro ativismo é o da CIDADANIA GLOBAL.

Bato sempre nessa tecla. Enquanto isso não for introjetado em toda a esquerda, enquanto os esquerdistas não crerem mais na desinstitucionalização do que em entidades de classe oportunistas que funcionaram durante décadas mais como intelectuais orgânicos para sustentar os privilégios de uma minoria do que como fonte permanente e honesta de militância, ativismo e luta contra um poder antagônico e excludente, todo e qualquer embate tende a ser vergonhosa e ingenuamente perdido.

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ANÚNCIOS PAGOS NA MÍDIA CORPORATIVA

Há uma série de ações na internet cujo efeito é inócuo. Talvez a principal delas seja a petição. O problema das petições é que elas não possuem nenhum valor legal em função da facilidade de preencher um nome que não pode ser comprovado em outro país (p. ex. o CPF só funciona no Brasil e o security number só funciona nos EUA).

Além disso, qualquer um pode reunir milhões de endereços de e-mail. E nenhum endereço de e-mail funciona como identificação válida. Portanto, a esmagadora maioria de quem recebe uma petição por e-mail considera-o como spam. Portanto, é um mau produto para as esquerdas, já que está fora do fluxo natural de informação, de consumo e de sociabilidade da classe média urbana, que é a parte da sociedade que DEVERIA ser mais bem informada a respeito da cidadania global.

Descobri uma nova forma de investir em mensagens com amplo alcance nos meios de comunicação de massa. No entanto, os movimentos sociais precisam entrar na lógica do mercado e do consumo tal como ele se apresenta para o senso comum SEM PRECONCEITO.

Como exemplo disso, a IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS adquiriu um império através de uma mensagem que dizimou a base da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA no BRASIL porque o discurso católico, além de ultra-conservador, é uma pregação da era do rádio ou, voltando mais ainda no tempo, da cultura oral. A partir do contestado PADRE MARCELO ROSSI é que os católicos passaram a investir em marketing para conhecer o seu MERCADO potencial, como atingi-lo e como GERAR CONSUMO. Apesar da ampla gama de padres serem velhos e da maioria dos crentes romanos também possuir idade avançada, mesmo que tenha perdido o bonde da história, já está obtendo resultados positivos.

No site da AVAAZ, paguei 5 dólares por uma fração do valor de um anúncio de página inteira para ser veiculado no principal jornal da África do Sul relativo à questão do ZIMBÁBUE. Não precisa juntar mais do que 130 ou 140 doadores de cinco “verdinhas” pra bancar o anúncio.

O PIG define suas pautas da seguinte forma: os assuntos são incluídas e excluídas da edição em função do comercial: novos anúncios = editor deleta, reduz ou amplia uma determinada matéria, de acordo com a necessidade. Se o anúncio e o fato não são mentirosos, como há um cliente e eles estão interessados no dinheiro, se a esquerda se mobilizar, pode mudar toda a face de um jornal impresso.

Caso um jornal negue um anúncio; caso uma rádio negue um spot ou um jingle; caso um site comercial negue-se a publicar um banner; e caso uma emissora de TV se negue a veicular um comercial, PROCON e CONAR neles.

O importante é o negociador gravar e salvar todos os contatos que tiver com o comercial dos veículos, publicar qualquer negativa em blogs e acionar o Ministério Público.

Se eu estiver errado, por favor, algum advogado me ajude!

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