O CAMPEÃO DE TUDO NÃO É DE NADA!

CANTANDO ATÉ FICAR ROUCOS, OS GAVIÕES DA FIEL CALARAM O BEIRA-RIO

CANTANDO ATÉ FICAR ROUCOS, OS GAVIÕES DA FIEL CALARAM O BEIRA-RIO

A foto acima é do DK e foi postada pelo @jucakfouri no seu blog. E o título deste post foi dito pelo @caouivador no #twitter. Aliás, o blog dele está aqui.

Título mais do que merecido. E a torcida do “campeão de tudo” AMARELOU dentro de casa.

Mano Menezes é useiro e vezeiro em conquistar títulos em pleno Beira-Rio como visitante. Acho que ele é o nome óbvio para substituir Dunga no comando da Seleção após a Copa de 2010.

Andrezinho e Alexsandro, armador e atacante tidos como reservas, costumam jogar mais do que os esquálidos e excessivamente badalados D’Alessandro e Nilmar. Por isso, o Inter reagiu.

Durante a comemoração, pedras enormes voaram das arquibancadas. Uma delas estourou a boca do reserva corintiano Marcelinho.

BEIRA-RIO DEVE SER INTERDITADO.

Parabéns ao Corinthians! ;)

SOBRE INTER x CORINTHIANS

Me abstenho de ver o tradicional adversário (a quem não odeio, mas por quem jamais torço e seco apenas por diversão) e o Corinthians (em cujo belíssimo time da badalada “Democracia Corintiana” tocamos 3×1 no Olímpico e, poucas semanas depois, fomos campeões brasileiros pela primeira vez) decidirem a Copa do Brasil.

Com todo o respeito, não é desdém, inveja e nem tampouco raiva: simplesmente, considero os dois clubes como os maiores rivais do Grêmio e não pretendo prestigiá-los. Conforme o vídeo do último link do parágrafo anterior, o pênalti que deu o título ao Inter em 1992 foi inventado por um árbitro localista. E, em 1995, Marcelinho Carioca pisou no joelho de Roger e CUSPIU em cima do querido lateral-esquerdo tricolor no jogo de ida no Pacaembu. Não por acaso, o gol da vitória corintiana por 2×1 em São Paulo e a origem da jogada do gol do título no Olímpico em Porto Alegre deram-se pelo lado esquerdo de defesa do Grêmio.

Sinceramente, não há por quem torcer nem a quem secar nesse confronto. Acho bonitas as duas torcidas, tenho muitos amigos queridos que amam esses clubes e, assim como os bons dirigentes, bons técnicos e bons jogadores, os maus também vão e ficam. Chorei de emoção com a volta do Corinthians à Série A, pois só quem já esteve na B consegue entender o pavor e a humilhação que é estar lá. Também me revoltei com a roubalheira descarada que foi o título brasileiro de 2005 e fiquei comovido ao ver meus queridos conterrâneos colorados felizes por finalmente poderem tido a experiência de serem campeões do mundo em 2006.

Todavia, prefiro assistir à semifinal da Libertadores (torneio anos-luz mais importante – ainda mais quando o duelo se dá entre dois tricampeões) do que à final de um certame de alcance meramente nacional.

De coração, que os deuses dos estádios iluminem o Beira-Rio para que a injustiça de 2005 seja desfeita. Mas acho que , apesar de não faltar fé, esperança, apoio, time, técnico e nem direção ao Tradicional Adversário, falta banco -  o resultado da semana passada no Pacaembu que o diga…

RACISMO NOS CLUBES: DISCUTINDO PROCESSOS E NÃO PESSOAS

Todo clube social é excludente e possui uma origem racista. O Inter, o Grêmio, o Leopoldina Juvenil, o União, a Sogipa e tantos outros possuem, em parte de seus fundadores e conselheiros atuais herdeiros desses fundadores, um ranço racista.  Tolerar, conviver junto e aproveitar-se das qualidades e dos benefícios que funcionários e jogadores negros oferecem não é o mesmo que buscar tratá-los de forma igual.

Quem não é, não sabe o que quem é sente quando é agredido. No episódio que recente que está tirando o Grêmio para Cristo, digamos que Maxi López possa até não ter dito o que disse com uma conotação racista. Digamos também que  Elicarlos não tenha tentado fazer um bolo pra provocar a expulsão do adversário. Como defesa anti-repulsa ao Grêmio e anti-racista ao nosso atacante, a palavra de uma professora de espanhol do Instituto Cervantes, que é uruguaia e cita um dicionário de insultos argentinos. Como justificativa (seja contra ou a favor de Maxi), no calor do jogo, se diz tudo, assim como tem gente que se aproveita da lei provocando situações de má fé.

Embora não creia que o Grêmio deva dar satisfações a quem quer que seja por não ter sido um ato institucional, definitivamente, nosso clube não é o mais racista, nem o precursor do racismo, nem o incentivador do racismo no futebol, seja dentro ou fora dos gramados. E o fato não teve respaldo nem endosso da direção ou dos atletas.

Quanto a acusar ou não a mídia corporativa especializada, além de não entender nada sobre o assunto e de procurar especialistas voltados à defesa do status quo, ela ora bate, ora assopra, segundo os interesses comerciais de seus anunciantes. Não tenho achado que seu trabalho neste momento seja necessariamente antigremista nem colorado. Basicamente, vejo a ignorância em relação a uma questão socialmente complexa e delicada.

Quanto ao Inter, não adianta ter o rótulo de popular e ter um saci como mascote porque o tratamento dispensado aos negros é igual.

Em qualquer clube (seja de futebol, de bocha, de botão ou de chá), pode até nem se falar nisso nas reuniões do CD. Mas dentro de grupos políticos, em conversas informais puxadas por amigos de tempos, isso pode acontecer, seja como piada, seja como tentativa de valorizar o seu argumento e de minimizar a importância do que o outro falou usando racismo, sexismo, etc. como uma forma de justificar o injustificável.

De maneira geral, a forma carinhosa ou até mesmo os insultos trocados por jogadores antigos eram tirados de letra porque, além do peso dos insultos ser menor, o nível de escolaridade era bem superior ao atual. Havia famílias mais estruturadas e menos fragmentadas em todos os estamentos, havia muito menos desemprego e a concentração de renda era muito menor. hoje em dia, tudo – absolutamente tudo – o que é discutido por leigos, isto é, segundo a forma que o senso comum encontra de afirmar a sua visão limitada sobre qualquer assunto, é dicutido na base da ponta de faca.

Como parte integrante de uma sociedade multifacetada e envolta nas mais diversas contradições, o Grêmio não pode ser visto como a única nem como a maior coisa da vida de um torcedor. O Grêmio, como uma instituição composta por pessoas extremamente diferentes, não poderia ser diferente de ninguém: nem melhor, nem pior. A crítica que faço ao Grêmio não é prioritariamente voltada ao Grêmio nem ao Maxi mas, sim, ao gaúcho como um todo: infelizmente, vivemos no lugar mais racista e reacionário do país.

DENÚNCIA, INTER: SÓCIO ANTIGO AGORA PAGA PARA FILHOS ASSISTIREM AOS JOGOS

Os colorados que me perdoem de me meter no clube deles – ainda mais porque os problemas do Grêmio não são poucos. Contudo, podemos traçar uma analogia e até mesmo nos unirmos: afinal de contas, as incertezas em relação aos direitos do associado patrimonial (oportunamente chamado de ‘proprietário’ a partir da Gestão Odone) na futura Arena são muito semelhantes ao que meu cunhado Eduardo da Silva Schenini, coloradaço, relata abaixo.

Assim como ele, MILHARES de colorados estão sendo lesado como associados titulares do Parque Gigante com direito ao uso do Beira-Rio para assistir aos jogos sem pagar ingresso como parte do pacote que costumava reger o contrato da respectiva categoria associativa.

Uma possível ASSOCIAÇÃO DOS ASSOCIADOS PATRIMONIAIS DA DUPLA GRENAL teria muito mais força para reivindicarmos nossos direitos do que se cada torcedor lesado tiver que procurar o PROCON (que, por experiência própria, favorece quase sempre à indústria ou ao mau fornecedor de produtos e serviços) individualmente.

Eis o relato do Eduardo. Inicialmente, foi endereçado ao colunista Paulo Sant’Ana, mas o apelo vale para todos os comunicadores com espaço privilegiado na mídia corporativa:

 

 

Agora chega!! Ou como transformar uma paixão em relação comercial!!??

Estou enviando esta correspondência por que já não sei mais a quem apelar – a não ser para a Justiça. Não gostaria de fazer isso com o meu clube do coração, mas não me deixam outra alternativa quando burlam os direitos de meus filhos colorados de paixão. Se você publicar esta carta com os acontecimentos que relato talvez ajude a parar com esses abusos contra os consumidores e torcedores do Internacional.

É um absurdo o que estão fazendo com milhares de torcedores do Internacional proprietários de títulos do Parque Gigante: quando o time não tinha nenhum título de vulto internacional, nem sequer uma Copa do Brasil, essas pessoas contribuíam para o clube pela paixão pelo seu Colorado.

Muitos, como é o meu caso, compraram o título do Parque Gigante ainda na planta (sem ter nada no terreno). Acreditavam no clube e na sua grandeza e queriam ajudar a construí-la. Afora isso, um dos argumentos dos vendedores dos títulos do Parque Gigante – na época – era de que tanto o sócio quanto os dependentes do Parque Gigante teriam direito a entrar nos jogos do Inter no Beira-Rio de graça. Quando comprei o título do Parque Gigante era setembro de 1981. Ainda tenho o carnê para comprovar.

No entanto, desde que o Inter ganhou o campeonato mundial, começaram a acontecer coisas estranhas com os sócios do Parque Gigante.

Primeiro houve um aumento da mensalidade em mais de 100%: de R$ 35,00 para R$ 53,00. Depois, naquele velho processo de que os bons pagam pelos ruins, obrigaram os dependentes do Parque Gigante e, por conseqüência, os sócios que iam ao jogo com seus dependentes a entrarem somente pelo portão 2, diferenciando-os dos demais sócios, como se fossem torcedores de uma outra classe. Alegaram na época que era para impedir fraudes. Quer dizer ao invés de colocar gente para conferir as carteiras, puniram todos os sócios do Parque Gigante, e, só os do parque, como se outros sócios não fizessem falcatrua com as carteiras. Então eu os meus filhos e minha esposa que nunca participamos deste tipo de fraude pagamos pela falta de ética dos outros e pela imcompetência da administração do inter, no controle de acesso do Beira-Rio com as carteiras!!

Continuando as coisas estranhas, os sócios do Parque Gigante por lógica e direito sempre colocaram os seus carros dentro do Parque Gigante. Então para ganhar mais uns trocados, o inter inventou que o sócio do parque gigante teria que pagar para estacionar o seu carro em dias de jogos, mas, como eles “são bonzinhos”, eles deixariam os sócios do clube pagarem um pouco menos que os demais torcedores.

Agora, por fim, veio esta de cobrar 50% de ingresso de todos os dependentes do Parque Gigante mesmo daqueles que compraram os títulos há mais de 20 anos atrás quando os vendedores vendiam o título do parque, informando que os sócios e dependentes não pagariam nada para ingressar nos jogos do Beira-Rio. Minha única alternativa é procurar o PROCON e recomendo que todos os demais sócios que se sentirem lesados façam o mesmo. Se não eles continuarão cada vez mais tirando nossos direitos, pois eles contam que somente alguns poucos entram na justiça. Esta é a lógica do “mercado” da atual direção colorada. Tanto é que a atendente e a gerente da Central de Atendimento ao Sócio que me atendeu disse que eu tinha que provar para ela que eu tinha um determinado título para que meu dependentes tivessem acesso. Não bastou eu apresentar o carnê de pagamento. Eles alegam que não possuem mais os títulos antigos arquivados e quem tem de provar é o sócio. Portanto, eles contam que os sócios não tenham guardado o título durante mais de 20 anos para impedir os dependentes de sócio do Parque Gigante de entrar no Beira-Rio sem pagar. O que a Diretoria atual, devido ao time estar em alta consideram um privilégio e que na época em que eu comprei o título era considerado direito, talvez por que eles precisassem que fossem mais pessoas no estádio. Agora esta diretoria está dizendo que não precisa mais destes torcedores, a não ser, é claro que eles paguem mais, além da mensalidade de sócio do Parque Gigante para entrar. Esta é a lógica desta diretoria, transforma a paixão colorada numa relação mercantilista transformando o clube do povo num clube elitista e excludente. Que pena… Dá-lhe Inter!!! Como diria Mário Quintana, ‘eles passarão eu passarinho!’”