GRÊMIO, TORCIDA, FLAUTA INTELIGENTE

Conversando recentemente com a minha LU e com os amigos MARCELO e RODRIGO CARDIA nas Sociais, pensei muito sobre se deveria ou não postar sobre o assunto. Primeiro, porque interpretações equivocadas e precipitadas poderiam levar alguns a crer que eu seria contra as torcidas organizadas, que eu sou careta ou que gostaria de ‘orientar’ a atitude da massa. Nenhuma dessas três afirmativas é verdadeira.

Isso posto, considero total falta de inteligência os cânticos e palavras de ordem da torcida TRICOLOR DOS PAMPAS contra o tradicional adversário quando NÃO jogamos contra eles e, principalmente, quando a condição deles (seja no mesmo certame que estivermos disputando, seja em um outro torneio qualquer) não puder melhorar nem piorar naquele instante.

Há alguns anos atrás, assisti no SPORTV um documentário sobre a estrutura do Real Madrid. A TV do clube tem programação em pay-per-view 24h/dia e sete dias/semana com especiais sobre a carreira de dezenas de craques do clube merengue através dos tempos, reprise de jogos históricos e narração e comentários dos coletivos, além de entrevistas exclusivas com os atuais jogadores e dirigentes.

Dois fatos me chamaram a atenção nesse programa:

a) A DIRETORIA, O PLANTEL E A COMISSÃO TÉCNICA TEM ORDEM EXPRESSA PARA EVITAREM AO MÁXIMO PROVOCAR, TOCAR FLAUTA E RESPONDER A PROVOCAÇÕES DOS BLAUGRANA. Um dirigente do Real Madrid disse que, quando um está mal e o outro está bem, a fase varia em função da virtude administrativa e técnica de um e do infortúnio ou da incompetência do outro. Em outras palavras, UM NÃO DEPENDE MAIS DO OUTRO COMO PARÂMETRO PARA CRESCER.

Secar, comparar um com o outro e provocar de maneira saudável em confrontos diretos é totalmente válido. Mas não faz o menor sentido cantar ‘Chora macaco imundo que nunca ganhou de ninguém’ a partir de dezembro de 2006, nem tampouco cantar ‘Atirei o pau no Inter…’ quando nosso adversário for outro. Que se vibre quando der um gol contra eles no rádio, mas que se use o cérebro.

b) TODOS TEM AMIGOS, PARENTES E COLEGAS DO OUTRO LADO. Um funcionário da TV do Real Madrid nasceu em e torce para o Barça, mas sabe que é bom para toda a comunidade madridista quando o Madrid ganha, pois eles tem participação nos lucros.

Em suma: CADA UM COM SEUS PROBLEMAS. Mesmo seguindo essa dica, obviamente a rivalidade não irá se arrefecer e, de certa forma, um sempre irá se preocupar com os destinos do outro. Em condições normais, um jamais irá torcer pelo outro. Só que não se pode tirar o foco dos jogadores, como ocorrera na última rodada do BRASILEIRÃO de 2008: ainda tínhamos chance de sermos campeões caso vencêssemos o ATLÉTICO-MG e o SÃO PAULO perdesse para o GOIÁS. Em certo momento, a vibração dentro do OLÍMPICO MONUMENTAL fora enorme em função do rádio: enquanto eu e alguns milhares de torcedores acreditávamos que o PERIQUITO DO CERRADO havia feito um gol, essa vibração desproporcional que em nada contribuía para nossos interesses na competição, eis a surpresa – estavam vibrando ensandecidamente com um gol do… FIGUEIRENSE sobre o tradicional adversário.

Essa atitude foi tão ridícula, que, momentaneamente, até tirou o foco da vitória dos nossos jogadores. Ao mesmo tempo, cá pra nós: se os fragários já estavam garantidos na COPA SULAMIRANDA 2009 e se não faria a MENOR DIFERENÇA para o campeonato ou para eles caso houvessem vencido ou perdido por 20×0, não seria mais inteligente esquecer deles quando o futuro deles já estava selado?!

Pra terminar: briga séria entre parentes, amigos e vizinhos por causa de futebol é uma atitude condenável e inaceitável sob todos os sentidos em qualquer lugar do planeta.

Gostaria muito que tudo o que eu escrevi neste post fosse refletido. Contudo, sei que nada irá mudar…

[CB'09 1/64] UNIÃO RONDONÓPOLIS 1×0 INTERNACIONAL

ODVAN, firme, vencedor e experiente

ODVAN, firme, vencedor, experiente e humilde

[…] Minha casa era modesta mas
eu estava seguro
Não tinha medo de nada
Não tinha medo de escuro
Não temia trovoada
Meus irmãos à minha volta
E meu pai sempre de volta
Trazia o suor no rosto
Nenhum dinheiro no bolso
Mas trazia esperança
. […]

Até acho que não, mas, quem sabe este duelo também entra nas 10 MAIORES HUMILHAÇÕES DO INTER da hilária série do IMPEDIMENTO?

Mesmo que os FRAGÁRIOS ganhem de 15×0 o jogo de volta, um resultado desses para um time tão GALÁTICO, como diria um ex-presidente de triste lembrança:

ASSIM NÃO PODE!
ASSIM NÃO DÁ!!!

Até acho que não, mas certos sinais podem indicar a DEGRINGOLADA. Sinais que vem de dentro, não da mídia ou dos SECADORES. Justamente por não ser coisa nossa é que vocês precisam se preocupar:

Crítica do associado Bjorn Borg, via Dr. Doolittle

CUIDADO: o CENTENÁRIO da maioria dos grandes clubes brasileiros caracteriza-se por ser um evento regido pelo EXU CAPA PRETA. Mas pai de santo é o que não falta…

[G'08 5ª] GRÊMIO 1×2 T.A.

O importante é ser coerente com tudo aquilo em que eu acredito no futebol e fiel aquilo que eu vi. Qualquer um pode pensar futebol, GRÊMIO, GAUCHÃO, a importância de um clássico de maneira bem diferente de mim. Mas a minha opinião é a seguinte:

– No momento em que um clube passa a frequentar a zona da LIBERTADORES quase todos os anos, o GAUCHÃO, que é um reles arremedo, não vale absolutamente nada. Afinal de contas, se quem joga LIBERTADORES não pode jogar a COPA DO BRASIL, pra que jogar essa naba?!

– O T.A. tem uma folha de pagamento quase igual à do SPFC (o verdadeiro multimilionário do futebol brasileiro). Isso dá mais do que o triplo da folha do GRÊMIO. Portanto, ser campeão da COPA SULAMIRANDA, brigar pelo título do BRASILEIRÃO e disputar a LIBERTADORES sempre é, desde que eles se assumiram como GALÁTICOS GAUDÉRIOS, OBRIGAÇÃO, pois o plantel deles possui jogadores mais técnicos, mais fortes e mais velozes do que a maioria dos nossos em praticamente todos os setores do campo. Dado o montante da nossa dívida, diria que, sempre que eles NÃO conseguirem enfiar no mínimo três gols de diferença no GRÊMIO, é sinal de que jogaram muito mal. Nesses termos, é uma VERGONHA, uma HUMILHAÇÃO fazer só 2×1 na gente;

– Se eles estão em um nível mais alto do que o nosso ou se, na melhor das hipóteses, estamos um degrau quebrado abaixo deles, é sinal de que NENHUM DOS DOIS deveria considerar grande coisa ganhar ou perder para o outro, já que a mentalidade da disputa dos certames que REALMENTE valem, isto é, o campeonato nacional mais difícil do mundo e o torneio continental mais tradicional que proporcion prestígio midiático por todo o planeta e dá o direito de decidir o título MUNDIAL contra a máquina européia da vez, é baseada ou em pontos corridos, ou em uma parte de pontos corridos e em outra de mata-mata.

Em todo o BRASILEIRÃO e na primeira fase da LIBERTADORES, o SOMATÓRIO DE SUCESSOS é muito mais importante do que os detalhes de um único jogo isolado. O retrospecto mostra que o GRÊMIO JAMAIS desclassificou ou ganhou um título decente sobre o T. A. em mata-matas, mas ficou na frente deles na maioria dos BRASILEIRÕES de pontos corridos em que ambos participaram juntos.

No jogo em si, verificou-se o que tem sido a tônica dos últimos anos: eles tendem a ser mais fortes, mais velozes e mais técnicos, enquanto nós tendemos a manter a posse de bola por mais tempo e arrematamos mais à meta adversária, embora nossa eficiência seja menor. Como são estilos muito diferentes, o detalhe é quem decide se dará a lógica (time mais veloz, mais técnico E mais forte fisicamente) ou o menos lógico – porém jamais zebra (mais lento, porém mais compacto e mais preciso no bote defensivo).

Salvo em caso de expulsão, de desequilíbrio emocional, de sucessivos instantes de desatenção ou de falhas técnicas bisonhas, o que define um jogo de futebol é o xadrez entre qual individualidade saberá explorar melhor suas próprias qualidades sobre o defeito do marcador homem a homem ou do trabalho em equipe que tentará parar o ataque adversário por zona.

O mais veloz, se não for habilidoso nem tiver um bom arremate, não será bom o suficiente para superar um zagueiro bem postado e atento que não seja lento demais nem gratuitamente violento. Um grupo compacto de jogadores menos velozes que saiba trocar passes errando pouco às vezes pode ser mais eficiente.

O T. A. possui um goleiro, LAURO, quase do nível do nosso, VICTOR; o lateral direito gremista apoiou muito pouco hoje, assim como seu oposto MARCÃO. TITE rateou feio ao não iniciar com KLEBER e, mais ainda, ao colocá-lo no meio-campo.

No geral, os jogadores do T. A. foram mais mordedores, estiveram mais ligados durante todo o 1º tempo, mesmo que o GRÊMIO tivesse chutado mais vezes ao gol de LAURO: botes precisos, sem nenhuma falta perto de sua área defensiva e contra-ataques rápidos.

D’ALESSANDRO decide frequentemente com suas levantadas de bola peçonhentas – diria que bem mais venenosas do que as do lendário MARCELINHO CARIOCA: altura, velocidade e efeitos ideais para pegar mais o atacante de frente para o gol do que o zagueiro na direção do meio-de-campo.

Normalmente, não gosto de responsabilizar uma individualidade. Porém, o conjunto da obra do jovem WILLIAN MAGRÃO o tem comprometido. Primeiro, porque ele é um dos jogadores que mais erra passes no GRÊMIO desde o ano passado; segundo, porque dependia muito do suporte e da cobertura de TCHECO e, acima de qualquer outro, de RAFAEL CARIOCA. Ora, se o primeiro não precisa mais cobrir o lateral direito porque este é bem melhor do que os de 2008 e se há um único atacante, três zagueiros e dois volantes (contando o próprio MAGRÃO) e se o segundo não está mais no clube, as falhas individuais de MAGRÃO tornam-se mais escancaradas e suas qualidades aparecem menos. Falta-lhe maturidade, atenção e paciência. Foi isso o que verifiquei no 1º gol deles.

CELSO ROTH estava em uma encruzilhada: ou arriscava tentar atacá-los pau a pau dando o contra-ataque aos velocíssimos TAISON e NILMAR com o suporte dos lançamentos de ALEX e D’ALESSANDRO, ou procurava fazer o GRÊMIO jogar nos contra-ataques, mais fechadinho, porém, acontecesse o que tivesse que acontecer, jamais seria goleado nem tampouco demonstraria crassa falta de qualidade física e técnica. Dado o seu retrospecto, por uma questão de autopreservação, eu também teria apelado para uma cautela maior, pois sei que temos uma média de altura mais baixa, uma velocidade média muito menor e que eles possuem atacantes mais eficientes do que os nossos.

TITE, por sua vez, cometeu erros que foram salvos pela qualidade superior do seu plantel que, em 2009, deixou a soberba de lado (esta é corrente apenas entre seus dirigentes e torcedores) e fez uma pré-temporada decente, trabalhadora, honesta, sem exposição midiática exacerbada e canalizando marketing e comunicação para o consumo, para a informação e para a defesa de seus interesses ao invés de pensarem como popstars. Por isso, os vi voando. E não é que os jogadores do GRÊMIO sejam pouco inteligentes, desatentos ou tecnicamente deficientes, mas o biotipo médio dos FRAGÁRIOS apresenta um porte bem superior ao nosso.

Só que o técnico colorado fez tudo para dar sopa ao azar: D’ALESSANDRO fora para dar lugar a ANDREZINHO retira o grosso da capacidade de catimba, de lançamentos em velocidade, a bola parada e o chute de fora da área, principalmente em um raro dia no qual ALEX jogou muito pouco. Aliás, nem ALEX, nem os laterais e tampouco o multitarefa GUIÑAZU jogaram bem.

ROTH, por sua vez, poderia, sim, ter arriscado um pouquinho mais  – creio eu, muito provavelmente sem prejuízo, embora também não dê pra garantir que o GRÊMIO teria vencido caso ele procedesse como eu direi agora: se fosse pra jogar com um único atacante, teria apostado na velocidade de JONAS desde o início ao invés do lento e baixo ALEX MINEIRO diante de uma zaga ENORME, formada pelos excelentes ÍNDIO e ÁLVARO (um monstruoso conhecedor da posição: maduro, sereno e sem frescura nem violência).

Sua aposta pela cautela fez com que, em princípio, eu até tivesse concordado em manter o que, neste ano, até hoje, havia dado mais certo do que errado: começar o jogo com FÁBIO SANTOS ao invés de JADILSON. Porém, o segundo gol FRAGÁRIO saiu em um lance no qual o lateral tido como melhor marcador sequer estava perto de sua posição defensiva habitual e necessária. Além disso, eu creio que um esquema de três zagueiros deva necessariamente ser modificado nos 10 minutos finais, sob pena de passar a ser apenas atacado e de não ter mais o poder de retomada e construção de contra-ataques do tempo de jogo em que tanto  zagueiros como laterais e volantes ainda não estavam cansados física nem mentalmente.

Pra mim, TITE pediu para não ganhar e ROTH não conseguiu tentar ao menos não perder procurando reter mais a bola na frente para evitar uma blitz rubra no final. Se bem lembrarmos dos áureos tempos de TITE no OLÍMPICO naquela campanha da COPA DO BRASIL de 2001, embora o contexto fosse totalmente diferente, o 3-5-2 de ADENOR LEONARDO BACCHI apresentava maior retenção no meio com ZINHO e um ataque fulminante com MARCELINHO PARAÍBA. Naquelas memoráveis fases decisivas contra SÃO PAULO e CORINTHIANS, mesmo com três zagueiros e contando com mais velocidade do que o plantel que ROTH tem hoje em mãos, o TRICOLOR decidia muitos jogos no último terço das partidas. Nesse sentido, a estatística bem aplicada poderia ter sido uma aliada do GRÊMIO, já que apontaria a necessidade de mexer no esquema ao final.

Quanto à arbitragem, CARLOS EUGÊNIO SIMON, uma pessoa boa praça, inteligente e bastante profissional, não decidiu o jogo a favor de A ou B. Ele apitou mal, errando para os dois lados NA MESMA MEDIDA. Sou contra a sua escolha não porque ele seja “gremista” ou “colorado” mas, sim, porque ele trunca o jogo com faltas bobas em excesso porque tem medo de errar e porque, quando percebe um erro crasso, sempre procura compensar.

Nesse sentido, jamais se pode culpá-lo por utilizar dois pesos e duas medidas em seus critérios, onde ele é altamente coerente, por mais equivocado que esteja. Houve duas entradas violentas de cada lado que ele deveria ter punido com cartão e não puniu. Também evitou dar uma falta clara na entrada da área adversária para cada um dos rivais. E, finalmente, não deu vermelho para o zagueiro REVER, último homem, que deu um ippon em NILMAR, assim como se fez de louco para a posição legaíssima do sempre eficiente JONAS, que teria determinado a virada do marcador para o GRÊMIO.

Pra terminar, o segundo gol deles não pode ser creditado a uma falha de ADILSON. Primeiro, porque ele marcou bem melhor e errou menos passes do que WILLIAN MAGRÃO no tempo em que esteve em campo, comprovando que a paciência do técnico e a minha com o jogador que teve outros melhores como muletas em 2008 chegaram a um limite; depois, porque ele não poderia correr o risco de ser expulso e de dar um pênalti ao adversário, já que uma derrota normal e digna para um adversário técnica e fisicamente superior poderia ter sido convertida em uma goleada; e, finalmente, porque ele não era o homem da sobra e porque havia um zagueiro e um lateral fora do lugar, contribuindo para a insuperável velocidade de NILMAR.

Pessoalmente, pra mim, GRENAL é um jogo de três pontos como QUALQUER OUTRO, para o qual ninguém deve tentar o suicídio se perder nem considerar-se ‘the king of the world’ se ganhar.

Por isso, não considero importante analisar este tipo de jogo contra este adversário em particular como se ele valesse mais do que um duelo decisivo contra SÃO PAULO, CRUZEIRO, PALMEIRAS ou os próprios FRAGÁRIOS em uma circunstância bem mais exigente do que a de um reles GAUCHÃO.

Como eu disse há poucos posts atrás, coragem e tempo para fazer TORNEIOS DE VERÃO entre os cinco ou seis melhores da temporada anterior seriam muito mais úteis e verdadeiros e válidos como experiências sérias para todos os times.