A TISE e a KAKÁ do FUTEBOLISTAS ROXAS manifestaram sua preocupação diante do êxodo de jogadores brasileiros em meio ao BRASILEIRÃO. As duas gurias espertas avaliaram que os clubes brasileiros estariam melhor protegidos e seus respectivos plantéis manter-se-iam sem perdas significativas durante mais tempo caso o calendário da CBF fosse adaptado às mesmas datas da UEFA.
Diante de várias observações que fiz sobre essa questão, constatei que, neste caso, alterar o calendário da CBF não adiantaria nada, pois sempre haveria uma janela de três meses entre o término de uma temporada e o início de outra e mais um mês entre o final do 1º e o começo do 2º turno dos campeonatos nacionais. Portanto, pagou, levou. É tudo uma questão de tempo.
Então, o que deveria ser feito? Infelizmente, azar das pequenas comunidades que ficariam um ou mais anos sem ver os grandes clubes nacionais visitando as suas cidades. Porém, pelo bem geral do futebol de alto nível, competitivo e voltado para resultados como se fosse uma empresa, nenhum dos clubes que disputam a série A do Brasileirão poderiam disputar nenhum campeonato estadual.
Como primeiro benefício, o BRASILEIRÃO SÉRIE A passaria a ocupar uma distância maior entre datas, proporcionando mais tempo para treinamento e para recuperação de viagens e lesões, enfraquecendo menos e punindo menos o investimento dos clubes. Certamente o padrão de jogo melhoraria como um todo.
A CBF foi além de todos os limites e os clubes foram extremamente vassalos ao aceitarem a resolução que determina que quem joga a COPA SANTANDER LIBERTADORES não pode jogar a COPA DO BRASIL. Dessa forma, a Copa do Brasil tornou-se um torneio extremamente fraco tecnicamente e com pouca emoção, já que os poucos grandes clubes que a disputam não passam da reba da temporada anterior. Quando algum deles estiver ou em situação calamitosa (zona de rebaixamento) ou na ponta do nacional (título ou vaga à Libertadores do ano seguinte), a COPA NISSAN SUL-AMERICANA deixa de ser uma fonte de renda e de exposição midiática no exterior para tornar-se um enorme empecilho, obrigando a seus participantes a escolha entre aquilo que pode lhes trazer maior resultado financeiro ou evitar-lhes o pior dos prejuízos.
Portanto, assim como ocorre na Europa com a UEFA CHAMPIONS LEAGUE e com a UEFA CUP e na África com a CAF MTN CHAMPIONS LEAGUE e com a CAF CONFEDERATION CUP , a Libertadores e a Sul-Americana deveriam ocorrer em paralelo, com as copas nacionais passando para o semestre seguinte. Assim, a atenção de todos os interessados (torcida, mídia, clubes e patrocinadores) estaria 100% voltada para as competições continentais com o começo do Brasileirão em um semestre e com a Copa do Brasil e o Brasileirão se decidindo no semestre seguinte.
Nesse sentido, só o fato de a CBF adaptar os seus torneios ao calendário europeu não resolveria em nada nem o êxodo dos jogadores, nem a melhora da qualidade de todos os campeonatos da América do Sul. Em primeiro lugar, porque os presidentes de federações e os patrocinadores de cada estado querem mamar na teta dos estaduais. Em segundo lugar, porque a CONMEBOL também deveria cumprir com a sua parte na reforma do calendário do continente, colocando finalmente suas duas competições ao mesmo tempo.
A obrigatoriedade dos grandes clubes disputarem os estaduais e o fato de a Copa do Brasil (um torneio de baixa qualidade técnica e de fórmula de disputa muito mais fácil) dar uma vaga à Libertadores nivelam o futebol por baixo e estragam a preparação dos clubes para aquilo que realmente vale.
Se a CONMEBOL mexesse os seus pauzinhos, as seleções nacionais de todas as categorias seriam altamente valorizadas e não seria mais necessário pedir penico para a FIFA, para a Corte Arbitral do Esporte e nem tampouco ficar à mercê dos clubes europeus para que eles liberem seus jogadores.
Pra terminar: é preciso acabar com esse ridículo marketing da inclusão de clubes da América Central pela CONMEBOL. Como integrantes de outra federação, a CONCACAF, os melhores clubes desses países já têm a sua chance de obterem prestígio, dinheiro e uma vaga na COPA DO MUNDO DE CLUBES FIFA através da CONCACAF CHAMPIONS LEAGUE.