
SUPER JONAS CONTRA O BAIXO ASTRAL (frase de Anderson Kegler)
De acordo com o meu ponto de vista, isto é, de uma posição estritamente pessoal, acho que não há adoradores do Jonas. O que há são duas formas bastante polarizadas de tentar categorizar o jogador:
1) Há uma diferença colossal entre parte dos gremistas que reconhecem as suas limitações, o seu valor e a necessidade de ele ser titular incontestável do Grêmio DE HOJE e tratá-lo como craque;
2) Há também uma grande diferença entre apontar as suas falhas sem exaltá-las além das suas qualidades e defenestrá-lo por pura má vontade.
Afirmo a minha posição sem possuir nenhum grau de parentesco com o rapaz e sem ainda ter tido nenhum contato pessoal com ele, pois me vejo no direito de achar que existem ataques intempestivos e um excesso de impaciência e de má vontade gratuita contra o jogador.
Hoje, se estamos sem Borges, então, tirem o Jonas do time pra ver se existe ataque!
Concordo plenamente que ele poderia ter um pouco mais de personalidade, que ele não possui a técnica do drible apurada, que ele muitas vezes perde gols por baixar a cabeça na hora de chutar e por ansiedade e que ele recebe muito mais do que seria o justo. Todavia, poucos são os jogadores do meio para a frente que se esforçam tanto quanto ele.
Sei que, de boas intenções, o inferno está cheio. Entendo que, para alguns, ele não faça gols decisivos (embora gol decisivo, pra mim, seja qualquer um). Mas te garanto que ele teria lugar certo em pelo menos 80% dos clubes da Série A do Brasileirão.
Um recado para quem espera que ele seja valorizado a ponto de poder ser negociado já nesta janela do verão europeu: não é nada fácil negociar Jonas, pois ele já tem 26 anos e nunca figurou nem nas listas de jovens promissores (p. ex. seleções de categorias de base), nem entre os melhores do Brasileirão. Além disso, ele é dono de seus direitos federativos e, dessa forma, só teria mercado no Oriente Médio ou no Extremo Oriente com algum retorno (bastante pequeno) para o Grêmio. Para mercados menos expressivos da Europa, ele sairia de graça.
Para revolta total de quem o “odeia”, soube que ele não recebe apenas R$170 mil, não: esse é apenas o salário. O aluguel do “passe” é de… Deixa pra lá. Senão, é capaz de aparecer algum doido varrido querendo bater no jogador, nos dirigentes ou, até mesmo, numa crise bipolar, decidir se jogar da janela.
Contudo, devido ao conjunto de sua obra, independentemente de esse valor ser justo ou não, ele é um dos poucos jogadores do atual plantel tricolor que ainda pode vir a trazer um retorno muito maior do que Roca (que até jogou bem contra o Avaí e mostra que está merecendo a titularidade ao lado do cada vez melhor Adílson, diga-se de passagem) e outros menos votados.
E como seria esse retorno? Ora, seria em forma de títulos que, consequentemente, trariam um belíssimo retorno financeiro. Por exemplo: outro dia, um comentador do blog Sempre Imortal escreveu que o meia Giuliano do Tradicional Adversário (T.A.) tivera seus direitos federativos adquiridos por €2,5 milhões e era reserva. Contudo, trata-se de um grande talento com uma passagem longa e vitoriosa pela Seleção Sub-20 e ele demonstra uma maturidade fora do comum até mesmo nas derrotas mais frustrantes. Semana passada, ele marcou o gol da classificação deles para a semifinal da Libertadores na casa do atual campeão Estudiantes aos 43′ do 2º tempo. Caso eles consigam conquistar a Libertadores (toc, toc, toc!), os R$5.772.297,119 (pelo câmbio de hoje) investidos pelo nosso “inimigo” atávico terão sido um mero cafezinho.
O Grêmio desperdiçou duas alternativas economicamente viáveis de poder contar com um atacante brasileiro de qualidade técnica e poder de decisão superiores às de Jonas. Coincidentemente, uma em cada ano (2009 e 2010) e – pasmem – ambas para o megaendividado Atlético-MG: primeiro, o selecionável Diego Tardelli, que andava bastante desvalorizado após ter sido considerado “pavio curto” pelo SPFC e por não ter partido do PSV da Holanda para um centro maior do futebol europeu e que estava dando sopa em um Flamengo que, até então, não cheirava e não fedia; e, mais recentemente, o único atacante de qualidade e atitude que jogava no Avaí – Muriqui. Este é, atualmente, o garçon perfeito para Tardelli.
No mais, o mercado anda muito escasso em termos de qualidade. E, quando ela existe, infelizmente, está fora de nossas posses.