PROPOSTA DE VALORIZAÇÃO DA POLÍTICA PARTIDÁRIA

A exemplo da discussão no DIÁRIO GAUCHE, também acho que tinha que acabar com essa palhaçada de 2º turno, a fim de garantir que as forças que estão do mesmo lado já atuem oficial, legal e inapelavelmente coligadas desde o início da campanha.

Não considero mais o 2º turno como uma forma de repensar ou então de separar o joio do trigo: são tempo, dinheiro e paciência perdidos.

Ao mesmo tempo, a Cláudia tem toda a razão: eleições completas (presidente, governador, prefeito, senador, deputado federal, deputado estadual, vereador E, a exemplo dos EUA e de vários outros países ‘civilizados’, eleição de um representante do Estado para a Suprema Corte).

Voto facultativo, voto distrital (cada vereador, deputado estadual e deputado federal é o único representante de uma determinada região geográfica, não podendo ser votado fora dessa região), fim do voto nulo, fim do voto em branco, fim do voto na legenda, obrigatoriedade de votar exclusivamente em candidatos da MESMA coligação e um máximo de 5 e mínimo de 3 candidatos nas majoritárias: tem partido demais que não representa absolutamente nada na sociedade.

Financiamento público da campanha (seria proibida a doação por parte de pessoas jurídicas), e-mail profissional de funcionários públicos, sindicalistas e filiados com cargos em partidos de TODOS os escalões ABERTOS À COMUNIDADE, todos os telefones de órgãos públicos com ligações GRAVADAS e disponíveis na internet, telefones fixo e celular únicos (isto é, tem que estar registrados no nome e no endereço do político, do funcionário público ou do sindicalista e cada um não pode possuir mais de um celular em seu nome nem mais de um telefone fixo para a família inteira em sua respectiva residência.

Finalmente, tempos iguais para todos os candidatos independentemente do número de partidos ou da representação proporcional de sua respectiva coligação na câmara.

APRENDIZADOS DE CAMPANHA PARA O PT-POA

Infelizmente, há nuances político-eleitoreiras que são negligenciadas até mesmo pelas raras pessoas esclarecidas, críticas e socialmente conscientes. Vamos a elas:

1) A mídia corporativa não possui necessariamente o poder que a ela se atribui: caso contrário, não teria havido nenhuma espécie de contestação à administração atual. Portanto, todos os votos não-dados a Fogaça (ou seja, mais da metade dos votos válidos foram destinados a todos os demais candidatos) significam insatisfação – mesmo que seja uma insatisfação predominantemente despolitizada;

2) Tecnicamente, o senso comum confunde marketing, propaganda e publicidade, mas são três técnicas distintas. Ei-las:

- O marketing é um arranjo entre quatro variáveis: produto, preço, escolha dos pontos-de-venda e promoção. Essas quatro variáveis, conhecidas como os 4 P’s (em inglês: product, price, place e promotion), dependem de produção, transporte e transformação material ou produção de um bem intangível como, por exemplo, um site de comércio eletrônico. Portanto, a comunicação (publicidade E/OU propaganda; assessoria de imprensa e relações públicas) é apenas uma parte dentro do composto promocional. Portanto, não existe marketing político;

- Propaganda é a promoção de um produto ou idéia de cunho político-ideológico. Portanto, uma campanha para a Rosário é propaganda, assim como contra o porte de armas ou a favor do presidencialismo. Mas a aparição midiática sob uma linguagem persuasiva, normativa e/ou envolta em um determinado juízo de valores de uma bicicleta, de um perfume ou de um automóvel não são propaganda;

- Finalmente, a publicidade é a promoção de um bem (seja ele simbólico ou material) que precisa ser apresentado e consumido: pacote de viagens, bola de futebol, apartamento, conta bancária, etc. são publicidade e não propaganda.
____________________

Atualmente, a sociedade midiatizada, isto é, a sociedade na qual cerca de 80% de tudo o que se discute é produto de mediações (história premeditadamente editada) e remidiações (atravessamentos entre pautas semelhantes ou contrárias em todos os meios de comunicação), não dá valor nem importância à ágora pública (praças, parques, avenidas). E, sendo predominantemente consumista, pouco letrada e de classe média, não adianta forçar a barra pra tentar “conscientizá-la” acerca do seu papel social, “instruí-la” ou “educá-la” sobre política, cidadania, sociologia, filosofia, psicologia ou pedagogia de maneira informal através de explicações longas. Da mesma forma, é um erro crasso querer impor que a maioria dessas pessoas tenham de crer no discurso de um partido qualquer.

Hoje em dia, os partidos não têm mais cara e todo candidato é um produto. Os pobres, vítimas de racismo, sexismo, maior probabilidade de doenças, subnutrição, ignorância e todo tipo de violência, não são mais a classe operária de Marx, nem tampouco o “povo”: as pessoas podem até se unir em torno de uma causa em comum. Porém, não é por terem-se unido em torno de um determinado objetivo neste instante que terão que unir-se e defender as mesmas demandas sempre, já que não há mais um “povo” uno e nem uma “massa” facilmente manobrável: a sociedade atual é composta por uma MULTIDÃO que não é homogênea e não precisa fazer parte de um determinado grupo classista – é a causa que gera a união e não uma crença e práticas individuais predominantemente comuns, já que todos são diferentes.

Portanto, o desafio é reivindicar por transformações radicais nas leis que regem o sistema político-partidário-eleitoral, as prestações de contas da campanha e repensar o papel da cidadania política separada dos partidos. A falta de consciência a respeito de todos esses fatos fez o PT porto-alegrense parar no tempo em que a sua base militante ainda era formada por uma grande parcela da população representada por operários da indústria e por funcionários públicos moradores da periferia.

Atualmente, os filhos e netos dos operários, dos funcionários públicos e da pequena parcela da classe média que lutou contra a ditadura militar e fez política há 30, 40 ou 50 anos atrás não são mais pobres e compõem a maioria da população da capital sul-riograndense. Distantes do ensino público de qualidade e completamente dissociados da história do país, não possuem a menor identificação com os valores políticos e sociais nos quais seus pais e avós acreditam – ou acreditavam.

A classe média é predominantemente conservadora, pois quer preservar o pouco que possui e almeja ser como os figurões que encontram nos cadernos de “variedades” dos jornais, em revistas de fofocas ou através de programas sensacionalistas de rádio, televisão e portais da internet.

Apesar desse quadro, a esquerda precisa aceitar vender seus candidatos como mercadorias ao mesmo tempo em que deva esmerar-se tecnicamente para saber apresentar suas idéias e suas realizações confrontando as falhas dos seus oponentes com dinamismo, velocidade e sem confrontos contraproducentes.

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Powered by ScribeFire.

DIPLOMA DE JORNALISTA: NOS TERMOS ATUAIS, SOU CONTRA

Eu sou contrário ao diploma. Em primeiro lugar, porque há cursos de Comunicação caça-níqueis sem núcleos de pesquisa voltados apenas a jogar gado no mercado sem reflexão. Em segundo lugar, porque quase nenhuma das outras áreas da Comunicação conhecidas no Brasil (Propaganda e Publicidade, Relações Públicas, Radialismo e Televisão e COMUNICAÇÃO DIGITAL) é regulamentada.

Não há piso, teto nem diferentes graduações de salário ou de atribuições em função da experiência do profissional.

Além disso, qualquer um pode fazer comunicação aprendendo um pouco de direito e ética e dominando a técnica de maneira autodidata – a internet está aí para isso.

Eu busco ajudar os iniciantes a refletirem sobre o contexto social, econômico, político, cultural e tecnológico a fim de que tomem suas próprias decisões. Cobro-os com um nível de exigência acima da média exatamente buscando valorizar o curso e a importância de se buscar tais referências, pois há uma grande acomodação e má vontade em certos feudos do ensino público, tornando-o tão fraco quanto a formação de gado no ensino privado de baixa qualidade.

Logo, se o iniciante só enxerga como alternativa para si trabalhar para as corporações midiáticas cujos princípios mercantilistas desinformativos insistimos em combater, é sinal de que ele não é politicamente engajado à esquerda, ou, ainda, de que ele acredita em Papai Noel ou considera a griffe mais importante do que o conteúdo.

Os sindicatos nunca trabalharam com duas possibilidades: a) A do empreendedorismo, que traria maior autonomia e possibilidade ao profissional de gerar produtos investigativos de alta qualidade técnica com um discurso menos superficial. Por exemplo, se o GUGA, a TÊMIS e o JÉFFERSON podem ter um coletivo como o CATARSE e vender excelentes produtos para a AGÊNCIA BRASIL assim como outros vendem para o SPORTV, para o GNT, para o DISCOVERY CHANNEL e assim por diante, por que a maioria de seus colegas e os sindicatos não vislumbram essa alternativa? b) A de serem um misto de funcionários e de donos com a TV Digital chegando por aí (embora eu ache que os grandes grupos se apropriarão delas também).

Os sindicatos e a maioria dos profissionais que não foram educados para serem donos é a eterna dependência  de que alguém lhes dê uma oportunidade ao invés deles correrem atrás de alternativas mais gratificantes em modelos de negócio e de trabalho diferenciados. A ajuda maior que qualquer família, amigo de verdade, professor ou chefe honesto pode fazer por um indivíduo é ajudá-lo a encontrar a sua autêntica vocação para que ele possa viver por si, criar, inovar. Os sindicatos vivem essa atrasada visão dicotômica de burguesia x proletariado quando o jornalista JAMAIS se constituiu em um proletário ou em um escravo miserável. Além disso, não enxergam bem outra possibilidade que não seja a de serem empregados injustiçados de um patrão totalitário.

Da mesma forma que um partido político não é mais representante de seus eleitores e não apresenta mais um discurso claro e complexo sem deixar de fazer promessas que não poderá cumprir nem utilizar o precioso tempo disponível para focar-se em propostas concretas ao invés de meramente atacar aos adversários, um sindicato também não consegue dar conta da multiplicidade de possibilidades que o profissional possui para produzir e exigir seus direitos.

Caso os sindicatos funcionassem como uma alternativa de reforço de capacitação profissional para os jornalistas indicando-lhes o caminho do empreendedorismo, cumpririam o fundamental papel social e prático que grande parte das faculdades infelizmente não cumpre. Além disso, a Lei de Imprensa não deveria existir separadamente dos CÓDIGOS CIVIL e PENAL: quem mente, omite, calunia e difama deveria ter diploma cassado, responder a processos com indenizações bem gordas e até mesmo passar um tempo em cana pra aprender o que é bom pra tosse.

No momento em que isso acontecer, aí, sim, os sindicatos e o estabelecimento legal de certas garantias como há para dentistas, médicos, engenheiros, advogados, arquitetos e agrônomos fariam sentido. A grande diferença é que as profissões citadas logo acima possuem uma natureza discursiva e ritual vicária, que acarreta em grave risco de morte e que impede com que um cara como eu possa realizar uma cirurgia, erguer uma construção ou definir um julgamento. Na área da Comunicação, embora ela também tenha seus ritos e suas particularidades, a aprendizagem da técnica é bisonhamente simples.

Por fim, deixo algumas perguntas como provocações que considero bastante pertinentes:

- Um bom cartunista, além de estar antenado com o mundo, ter talento, criatividade e técnica de desenho precisa ser jornalista, publicitário ou designer?

- Alguém que saiba escrever muito bem precisa necessariamente ser da área de Humanas?

- Senso crítico e capacidade investigativa não são habilidades que podem ser desenvolvidas através da vivência de cada um?

- O fato de ser mais ou menos honesto ou de ser mais ou menos independente depende de profissão ou de um certificado?

- O tipo de defesa que o Sindicato dos Jornalistas consegue realizar a fim de proteger seus associados vale cada centavo da contribuição sindical ou ele só luta contra injustiças cometidas pelas corporações de mídia?

Entenderam aonde eu quero chegar? Na TRANSFORMAÇÃO COMPLETA DE UM MODELO INEFICIENTE.

, , ,

Powered by ScribeFire.

BLOG DOS ALUNOS DO DIREITO DA UFRGS

VITOR, talvez um dirigente do CAAR (Centro Acadêmico André da Rocha) da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da UFRGS, escreve um blog chamado A PORTO ALEGRE DE FOGAÇA.

É muito bom saber que ainda há uma juventude que não se deixa contaminar pelos pensamentos burgueses da maioria de seus colegas, futuros perpetuadores do status quo no qual só são presos pretos, pobres e putas neste país.