QUEDA DA LEI DE IMPRENSA E DO DIPLOMA DE JORNALISMO TENDEM A MELHORAR O SETOR

Já postei algumas vezes sobre minha posição contrária ao diploma de Jornalismo como obrigatoriedade para o exercício da profissão. Os blogs O DilúvioTrezentos e a posição de dezenas de seguidores meus (e de pessoas a quem sigo) no Twitter que são ligados ao ativismo político de esquerda também usaram argumentos muito interessantes contra o diploma. Façam uma busca e vejam as posições de dezenas de blogueiros políticos independentes, de ativistas do Software Livre, de cientistas políticos nunca vinculados ao conservadorismo, ao neoliberalismo ou à indústria cultural e também de muitos jornalistas e professores universitários que já foram tanto beneficiados quanto prejudicados pela ação dos sindicatos e da mídia corporativa para verem que essa não é a posição de um mero publicitário que desconhece os ritos e a história desse setor…

Nos moldes em que foi feita a defesa do diploma e também da Lei de Imprensa, prevaleceu a miopia de jornalistas vassalos da mídia corporativa, de professores que lidam predominantemente com estudos de recepção da mídia de massa e de sindicalistas que ignoram o volume cada vez maior de profissionais autônomos, freelancers e pequenos empresários em extrema dificuldade (financeira, jurídica e de venda de seus produto. Desenvolvo essa questão logo mais adiante.

A área da Comunicação como um todo carece de algo que nem o mercado de trabalho, nem as universidades e tampouco os sindicatos podem oferecer enquanto o currículo dos cursos e a mentalidade clientelista, corporativista e o sonho de ter um crachá da Globo, da Record, da Band, do SBT, da Folha, do Estadão, da Abril ou da RBS serem dominantes no senso comum. Esse algo chama-se PREPARO DE ADMINISTRAÇÃO, ECONOMIA, EMPREENDEDORISMO E LETRAMENTO DIGITAL. Está mais do que provado que quem não entende nada de REDES SOCIAIS e da dissociação entre tempo e espaço proporcionada pelas mídias digitais é analfabeto em termos de CAPITAL SOCIALECONOMIA DO MÉRITOCREATIVE COMMONS. Se não o for, é porque defende, ao contrário mas também a favor dos interesses das corporações, o corporativismo, o clientelismo e o paternalismo.

Repito mais uma vez: os valores relacionados à dissociação entre tempo e espaço na economia e no ativismo político ocasionam na não-necessidade e na não-obrigatoriedade de estabelecermos laços geográficos nem tampouco afetivos quando participamos de comunidades distribuídas globalmente mas que são fundamentais na reivindicação e na pressão sobre governos e corporações de todos os viezes ideológicos.

Movimentos REDES SOCIAIS, CAPITAL SOCIAL, ECONOMIA DO MÉRITO e CREATIVE COMMONS são os que verdadeiramente trazem repercussão, legitimidade, credibilidade e reflexão. São os que, não importa onde nem quando sejam originados, atravessam e são atravessados por relações sociais, políticas e econômicas que buscam uma solução prática no ambiente físico mas que precisam passar pelo ambiente virtual. Mídias sociais precisam repercutir na mídia de massa e vice-versa e a ágora deve oscilar entre a praça pública e a tela da TV.

Isso posto, na prática, desde 2006, pelo menos informalmente, já não havia nenhuma obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Ao contrário do que professores desencaixados dessa realidade pensam, a procura pelos cursos de Jornalismo e a abertura de novas vagas e de algumas novas faculdades no país inteiro tem crescido desde então. Nas redações da mídia corporativa, a esmagadora maioria dos salários mais altos é destinada a formadores de opinião generalistas de posições fortes e conservadoras que estão no mercado há décadas. Entre excelentes e maus profissionais; entre opiniões inteligentes e estúpidas; entre ser éticos e aéticos, há gente conhecidíssima que sequer passou perto de uma sala de aula numa faculdade de Comunicação. Juca Kfouri é sociólogo; Ruy Carlos Ostermann é filósofo; Paulo Sant’Anna é advogado e ex-delegado; Alexandre Garcia não terminou a faculdade de Jornalismo na PUCRS; um montão de escritores hiperbem remunerados não são jornalistas e sequer formados em Letras; diversos comentaristas políticos são ou sociólogos, ou advogados, ou apenas meros “corneteiros”. O Jornalismo não se restringe e não é melhor nem pior se não for possível trabalhar em algum veículo da mídia corporativa. Com INTELIGÊNCIA, TALENTO, PRÓ-ATIVIDADE e TENACIDADE, sabendo administrar o tempo e aprendendo a competência vital de estabelecer redes sociais amplas e diversificadas, as oportunidades são múltiplas e não param de crescer. A produção de programas em geral e de documentários para vender para emissoras a cabo, rádio digital e TV digital estão aí pra provar isso. Publicitários nunca tiveram um sindicato corporativista, clientelista nem paternalista como salvaguarda. Agências de publicidade sempre foram muito mais neoliberais, raramente assinam a carteira e a rotatividade sempre foi muito maior do que nas redações da mídia corporativa. Apesar disso, em média, mesmo concorrendo contra pessoas vindas de escolas técnicas de criação publicitária e também com profissionais mais antigos sem curso superior, a média salarial para quem está na base da pirâmide é mais alta do que para os jornalistas iniciantes ou funcionários de pequenas empresas do setor. Eu sou de esquerda e socialista. Porém, acho que não é possível inverter valores de maneira significativa a ponto de eliminarmos a economia de mercado da sociedade em função do total desconhecimento de um sistema de troca alternativo. Até mesmo a essencial economia popular solidária, a reforma agrária e o fim da criminalização dos movimentos sociais só funcionam até o ponto em que a garantia da satisfação das necessidades básicas estiver garantida para todos. De maneira geral, em mais de 20 anos como ativista político, sempre vi tanto sindicalistas quanto empresários falando uma série de bobagens que JAMAIS tem o objetivo de procurar satisfazer às demandas da sociedade como um todo. Cada um, à sua maneira, procura apenas defender o corporativismo, o clientelismo e o paternalismo, Sindicalistas e empresários são, cada qual em um extremo diferente, excludentes e exclusivistas. Ao mesmo tempo, as faculdades de Comunicação costumam jogar ora contra, ora a favor de duas maneiras opostas que não possuem mais competência nem para puxarem a sardinha para o seu próprio assado. Alguém já viu algum sindicato de Jornalismo defender e trabalhar para assistir a um autônomo, a um freelancer e/ou a um pequeno empresário do setor com dificuldades financeiras, de planejamento de carreira, de captação de novos clientes e de necessidade de assessoria jurídica contra empresários maiores, contra os governos em geral e contra clientes que os lesaram?! Posso até estar redondamente enganado. Porém, se o fazem, possuem todos os meios necessários de divulgarem sua atuação aos quatro ventos. Como em QUALQUER profissão regida pela economia de mercado pertencente ao ramo das Ciências Sociais Aplicadas, à exceção do Direito, quase todas as demais áreas de Humanas não recebem nem benefícios, nem são cobradas através de leis especiais e diferenciadas pelo ônus de prejudicarem a sociedade. Nesse sentido, até mesmo o fim da Lei de Imprensa foi benéfico, pois qualquer um que vocifera e denuncia sem provas e omite ou distorce qualquer coisa sobre algo ou alguém pode ser denunciado por injúria, calúnia, difamação, perturbação da ordem pública, crime hediondo, homicídio culposo e homicídio doloso. Ora, se um jornalista canalha não tem seu diploma nem o direito de exercer a profissão cassados em função de alguma atrocidade cometida, logo, não pode ser comparado a um médico, que pode furar uma artéria e matar um paciente na cirurgia; a um engenheiro que, ao calcular errado o peso e os apoios de uma viga, pode esmagar pessoas quando essa estrutura rui

Portanto, o fim do diploma e o fim da Lei de Imprensa tendem a facilitar processos e prisões de maus profissionais que não são maus por serem jornalistas ou por não serem jornalistas de formação mas, sim, são maus caracteres. Por que o mau caratismo, a negligência, o oportunismo, o lobby e a maldade deliberada podem ser punidos pelos códigos Civil e Penal e o jornalista era munido de um anteparo?!

MÍDIA BRASIL: POR UM MODELO BBC

Este debate precisa ser expandido. Infelizmente, não tenho tempo nem dinheiro que me possibilitem viajar nem sei de alguma entidade disposta a me ouvir e que concorde em grande parte das questões que eu levanto nessa discussão. Mesmo assim, entre acertos e erros, considero-me razoavelmente apto a falar sobre a questão da democratização nos meios de comunicação no Brasil.

É uma questão muito importante, pois trata da soberania nacional e, acima de tudo, da autonomia social e econômica da maioria de nossa população em relação à sua capacidade de reconhecer o mundo a partir de um determinado conjunto de histórias contadas como se fossem a expressão da verdade de uma época sob um determinado contexto.

Assim como só vejo como possível a capacidade de se atrair novos atores sociais dispostos a exercer a sua cidadania política, econômica, social e simbólica pressionando o poder a partir de iniciativas em rede que podem retomar o espaço público como uma ágora eliminando-se uma visão partidária e sindicalizada,  considero o debate pela democratização dos mídias no Brasil a partir do viés acadêmico influenciado pela escola marxista que resultou na TEORIA CRÍTICA da Comunicação um tanto limitado. Afinal de contas, regular, regulamentar, moralizar, educar, propor ações sociais e quebras de paradigma com autonomia e liberdade é uma equação muito difícil de ser solucionada e, definitivamente, não há almoço grátis.

Um erro nessa resistência à mídia hegemônica é o de não reconhecer a importância da estética da linguagem como um fator de necessidade econômica e simbólica voltado para a produção de bens de consumo mais racionais e gratificantes a partir da experiência social resultante do contato com tudo o que é produzido, transmitido e discutido sob o olhar mediado. Considero que, invariavelmente, a limitação das conquistas em relação à democratização dos meios de comunicação deva-se muito ao fato de que reconhece-se muito pouco a fundamental importância do custo de produção e da falta de apuro estético.

O conteúdo só se torna atraente se a edição e o discurso tiverem uma linguagem adequada à linguagem do público predominante. Em termos de empoderamento de pequenas comunidades, qualquer equipamento serve. Porém, quando entra-se no broadcast, o furo é muito mais embaixo.

Embora sejam fatores nada desprezíveis em relação ao consumo de baixarias e da alienação oferecida por conteúdos frívolos que não podem ser chamados de informação (partindo-se do pressuposto bergsoniano de que informação é aquilo que produz diferença), deve-se levar em conta o fato de que, para muitas pessoas, a sua preferência por esse tipo de programação (bem como a preferência dos mídias pela sua produção) não decorre da ignorância nem da falta de escolaridade ou de politização. A preferência por uma estética funcional costuma estar de acordo com a dinâmica social de seu tempo. A maioria das pessoas não têm tempo nem saco pra assistir a um programa de TV com cenário pobre, trilha sonora mal gravada, linguagem de 10 anos atrás e assim por diante. Ser honesto e tecnicamente correto não é suficiente: é preciso ser surpeendente. E há muita surpresa mesmo naquilo que não possui conteúdo relevante. Essa é a fórmula do sucesso de quem está por cima da carne seca.

Talvez a preocupação moral e conservadora que, em certos pontos, também conquistou a minha adesão no momento em que se descobre o quanto certas mensagens podem transformar a educação de uma criança, não deva ser vista como um cavalo de batalha. Ignorá-la, jamais; porém, que ela não se torne a principal bandeira nessa modalidade de resistência política e simbólica. Digo isso porque cada vez menos pessoas assistem televisão. Conheço dezenas de pessoas que, ao começar a trabalhar e a fazer novas amizades, simplesmente perderam até o prazer de assistir aquilo que costumavam assistir.

TV aberta?! Rádio?! Jornal?! Revista?! A mídia de massa não é mais tão forte quanto já foi. É por isso que eu acho um exagero (e até perda de tempo) discutir algo que nunca irá mudar (isto é, o discurso de sempre da Grande Mídia). A RBS, a ABRIL, a FOLHA, o ESTADO e outros menos votados não exercem a menor influência na minha vida. Sinceramente, não me considero mais culto, mais inteligente e nem tampouco mais “esperto” ou “do contra” por preferir (com restrições) CAROS AMIGOS, CARTA CAPITAL ou coisa parecida. Eu acho que, mesmo sendo uma minoria, há um monte de gente que não é necessariamente de esquerda ou com alto grau de escolaridade capaz de fazer as mesmas escolhas.

Infelizmente, são poucas as pessoas com acesso a TV a cabo e internet. E, o que é mais grave, é a total falta de conhecimento de outros idiomas, a fim de fazer com que o Brasil descubra imediatamente tudo o que está sendo feito em termos de empoderamento.

A minha mãe só estudou até a 4ª série e assiste a todos os programas de fofoca e noticiários espreme-sangue da TV aberta. Ela não consegue acompanhar as legendas e não assiste nada em outras línguas porque não consegue entender.

O mundo, em todos os sentidos, é uma coisa extremamente complexa pra ela. Ela não se interessava e não tinha coragem nem saúde pra assistir a uma programação decente, até que vários dos canais a cabo voltados para questões de família, educação dos filhos, novidades da medicina, evoouções tecnológicas e sexualidade fossem duplados para potuguês. A visão de mundo dela pode até não mudar muito, mas, pelo menos, ela aprende um montão de coisas e apresenta assuntos bem mais interessantes pra gente conversar em casa.

Portanto, não podemos considerar a programação como um todo de baix qualidade ou excludente.

As origens dessas questões são muito mais profundas e complexas do que meramente discutirmos sobre quem são os donos dos poderes político, econômico e coercitivo ou por que a mídia corporativa emburrece a população em geral: por mais leis que se tente aprovar e por mais mecanismos de fiscalização, infelizmente, é tudo uma questão de desligar o botão ou de se arranjar outra coisa pra fazer. Ou, pelo contrário, seria a televisão um meio “hipnótico”?! Creio que não. O que deve-se quebrar é a barreira do condicionamento, a partir de uma campanha voltada à uma vida social mais intensa vivida presencialmente junto a seus afetos e atividades ao ar livre.

Por outro lado, há programas maravilhosos na televisão, em grande quantidade. A maioria deles a cabo.

Então, defendo um modelo igualzinho ao da BBC: 50% + 1 das ações pertencentes à emissora estatal, que oferece educativos de altíssima qualidade e interesse no horário nobre (das 19h às 21h) e possui quatro emissoras abertas com conteúdo diferente entre si, mais ou menos como os canais Discovery (só que com qualidade melhor).

A BBC produz programas de primeira porque contrata o melhr iluminador, o melhor fotógrafo, o melhor maquiador… DO MUNDO, por empreitada (como free-lancer).

Eis o grande impasse: a BBC cobra 10 libras/mês para fornecer uma set-top box  e corta o sinal de quem não paga a mensalidade. Essa set-top box, além de proporcionar todos os canais de qualidade educacional e noticiosa da BBC, também libera o acesso a uma série de outros canais.

No Brasil, há uma lei que fala sobre o direito universal à Comunicação. Com isso, a TV aberta foi baixando a qualidade técnica, subtraindo a relevância social e foi espetacularizando a sua programação, quase unificando o discurso em função da pequena quantidade de proprietários e de centenas de patrocinadores em comum.

Temos uma TV a cabo muito cara e de alcance restrito somente aos grandes e médios centros urbanos dos estados do Sul, do Sudeste e das regiões litorâneas do Nordeste. É uma programação cara, repetitiva e redundante, mas que possui, inegavelmente, uma qualidade média de discurso e de apuro técnico superior às produções abertas.

Há, ainda, a questão da TV PÚBLICA, que não é pública mas, sim, ESTATAL: qualquer governo pode optar entre torná-la chapa branca, extingui-la ou fazer dela um cabide de emprego. Caso a TV BRASIL operasse em condições ideais em TV aberta ou fechada no país, teríamos acesso a toda a sua programação em canal próprio – coisa que não ocorre.

Com o equivalente a R$10,00/mês de todas as pessoas interessadas em possuir programação de TV em suas casas, certamente teríamos acesso a um conjunto de canais de programação segmentada com programação de qualidade suficiente para dar um banho em todas as GLOBO, RECORD, RBS, BAND, SBT e emissoras estatais juntas.

Tudo custa dinheiro. E não se pode aumentar impostos ou realizar descontos compulsórios a torto e a direito. Ao mesmo tempo, leis que definem um percentual x do orçamento público ou privado para o investimento em qualquer setor dependem das oscilações de mercado muito mais do que a oscilação resultante do aumento ou da diminuição da audiência em si.

Por que a TV BRASIL não colou ainda?! Simples: porque sua política de distribuição e sua infra-estrutura são pífias, já que falta coragem e interesse nesse investimento pesado sem uma contrapartida.

No meio textual (impresso ou internet), o cara escreve como e sobre o que quiser. Acredita ou duvida dele quem bem entender. Porém, a propagação da voz e da imagem através de ondas eletromagnéticas é uma concessão pública, que deve obedecer a uma política social e educacional.

NESTLÉ: MORTE EM BIAFRA NÃO FOI SUFICIENTE

Matéria do jornal O GLOBO* inicialmente repercutida pelo excelente BLOG DO MELLO informa que os EUA não aceitaram vender e distribuir a FARINHA LÁCTEA NESTLÉ produzida no BRASIL, pois ela contém pesticidas proibidos pela lei estadunidense por serem comprovadamente nocivos à saúde de toda a fauna, flora e água do planeta.

Em nosso país, desde 1500, todas as formas e personas responsáveis pelos poderes econômico, político e coercitivo fazem o que querem com a necessidade de produzir, distribuir e forçar o consumismo a fim de manterem vivo o seu modelo social, econômica e ecologicamente insustentável e insalubre.

Dói mais saber que aqueles que um dia foram supostamente contrários a essa visão de mundo excludente dividem-se entre os que se vendem e os que se curvam em função do toma-lá-dá-cá chamado de “governabilidade”.

ALIMENTO INDUSTRIALIZADO DE BAIXO POTENCIAL ALIMENTÍCIO QUE CONTÉM ADITIVOS QUÍMICOS DESNECESSÁRIOS É PIOR DO QUE COMER LIXO: se não puderes evitá-los por ordem de suas finanças pessoais ou por falta de consciência social e ambiental, procura informar-te melhor. Afinal de contas, o maior legado que podes deixar a teus filhos, netos e bisnetos é espraiar a vontade de viver e de deixar os outros viverem de forma independente, honrada e tolerante. Isso exige a eliminação de produtos que provocam câncer, diabetes, alergia e problemas respiratórios e circulatórios muitas vezes irreversíveis, independentemente do fator de risco genético.

Esta não é a primeira – e nem será a última vez – em que a Nestlé poderá ser responsabilizada pela MORTE. Contudo, não posso propor boicote à empresa porque eles baixaram substancialmente o preço de um produto caríssimo para diabéticos, me apresentaram um distribuidor aqui em Porto Alegre e atenderam prontamente à minha solicitação. Isso colaborou para a melhora na qualidade e também ajudou a aumentar um pouco o tempo de vida do meu pai em 2002.

A lição que fica: o mundo precisa de empreendedores sustentáveis e solidários que não procuram passar por cima das leis. Riqueza honesta, sem sonegação, sem corrupção e sem lobby é possível, sim. Como vimos, a mesma empresa é passível de contradições incríveis.

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* Este é um daqueles casos nos quais concordo com a gurizada da NOVA CORJA: apesar das intenções políticas e econômicas dos financiadores das corporações midiáticas normalmente pautarem pelo conservadorismo, pela distorção e pela omissão de informações socialmente importantes, ainda há uma parte do seu agendamento que não pode ser declarada “má, feia e bobona”. Do contrário, a blogosfera independente e ativista estaria sendo incoerente ao criticar essa mesma mídia enquanto seguem sendo pautados por ela que, bem ou mal, orienta e situa o consumidor de informação mediada no mundo em que vive.

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