CAMPANHAS ELEITORAIS RIDÍCULAS E INÓCUAS PELO BRASIL AFORA

Leiam imediatamente o relato do AZENHA sobre a convenção democrata. Talvez ainda haja uma pequeníssima porém sólida e promissora possibilidade de que se venha a aceitar com respeito e com muita atenção o fato de que não existe um processo de despolitização catastrófico, apocalíptico e irreversível mas, sim, o deslocamento do espaço público para o ambiente mais adequado a conquistar a atenção e a demandar alguma forma de participação multitudinária do que as antigas formas de debate disponíveis antes da midiatização da sociedade.

Não digo que o OBAMA seja o “bem”, nem que o jeito dos EUA fazerem marketing, ideologia e comunicação sejam um modelo a ser seguido. Discordo desse mise-en-scène das campanhas nababescas. Contudo, as estratégias que ele utiliza e eu já citei em outro post são fundamentais para haver a passagem de uma forma e de um ambiente de discussão que não têm mais nenhuma relação com a gramática, com a estética, com a retórica, com a discursividade, com a linguagem e, acima de tudo, com a maneira mais bem aceita pelos cidadãos serem contactados rumo a algum tipo de ação política.

Nesse sentido, a legislação, a representatividade político-partidária, a lei de doações de campanha e a competência das assessorias de comunicação que não sabem usar as TICs (Tecnologias da Comunicação e da Informação) como um instrumento de integração, barateamento, de debate e de incitação ao engajamento predominantes no BRASIL estão pra lá de atrasadas.

Ganhe quem ganhe (do jeito que ganhar) as eleições por todo o país, a população como um todo perderá porque não irá se envolver o suficiente para buscar alguma forma de mudança.

E apareçam o que aparecerem depois de resultados técnicos e financeiros plenamente satisfeitos, nada irá negar que, em termos de atualização discursiva e de estratégia de campanha, todo e qualquer serviço terá sido porco.

Que me perdoem os coleguinhas pela sinceridade. Por enquanto, o máximo de avanço a que se chegou (porém ainda longe do mínimo aceitável para quebrar um paradigma) foi o que a MANUELA e o MANO CHANGES conseguiram na eleição anterior.

Novamente, não que eles sejam grande coisa ou que sejam mais espertos: eles apenas sabem como chegar no eleitor, pois possuem sintonia discursiva com esta geração.

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AS CONTRADIÇÕES ENTRE GRANDE MÍDIA x ESQUERDA

Embora a mídia corporativa defenda as bandeiras que defende através de uma forma, de um enunciado, de uma gramática audiovisual tecnicamente produzida para contar histórias que contem apenas a versão que interessa a seus patrocinadores, não dá para jogar todas as práticas e todos os profissionais em uma vala comum.

Exemplo 1: o GNT, emissora a cabo das Organizações Globo (OGs), transmitiu a maioria dos filmes do MICHAEL MOORE (Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11 e Sicko) e o do AL GORE (An Unconvenient Truth), assim como o excelente SUPERSIZE ME de Morgan Spurlock.

Exemplo 2: repete-se também nos canais abertos, nas emissoras de rádio, nos
jornais e nas revistas (tanto de conteúdo segmentado por tema como nos
veículos generalistas) uma certa fração da programação total que
verdadeiramente trata de utilidade pública, conteúdo educativo sem um
viés de direita e uma leve pitada de jornalismo bem feito – a exemplo
do exemplo anterior sobre a GNT. De volta, quem trabalha nessas empresas não é
nem Hitler, nem Gandhi.

A primeira impressão seria considerar esse procedimento uma estratégia para enganar o público em geral e amansar a esquerda, levando-os a pensar que, quando as corporações de mídia veiculam esse tipo de programa mais crítico, seria um sinal de que elas seriam realmente “neutras” e, conseqüentemente, a audiência deveria crer na “neutralidade” da Grande Mídia. Assim, obteriam a defesa do público quando alguém questionasse se estão mentindo quando falam sobre política, economia, valores conservadores e criminalização dos movimentos sociais em seus telejornais.

A segunda impressão seria jogar numa vala comum os jornalistas dessas grandes empresas. Os assalariados subalternos são vistos de várias maneiras: “coitados”, “covardes”, “burros”, “chinelões ambiciosos”, “pelegos” ou, ainda, como técnicos competentes pagos para executar uma tarefa de maneira acrítica. Porém, eles são gente passível de todos os tipos de comportamento possíveis, assim como qualquer um de nós – apenas isso.

Outro ponto fundamental freqüentemente ignorado nas discussões sobre o papel do jornalista na Grande Mídia é o seguinte: os editores contratam, em sua maioria, repórteres, fotógrafos e articulistas que pensam como eles e como os donos dos veículos. Esses, em certos casos, podem até não receber os melhores salários, nem serem FDPs ou pelegos: eles simplesmente são conservadores e crêem que os valores nos quais acreditam são os valores ideais para se chegar a uma sociedade melhor. Pois a esmagadora maioria da sociedade, independentemente da região em que more, da cor da pele, de sua religião, faixa etária, escolaridade ou profissão tende a ser extremamente conservadora. Conseqüentemente, tanto os donos como os patrocinadores, os funcionários e os programas da Grande Mídia serão conservadores.

Também há uma visão extremamente equivocada de que a mídia corporativa manda no mundo ou de que ela possui o poder absoluto de decidir os rumos da política, da economia e dos valores morais de uma sociedade. Embora ela tenha um alcance gratuito e cubra quase 100% do território nacional, o receptor não é passivo e ele não precisa ter curso superior nem viver em um centro urbano para questionar, duvidar ou ignorar a mensagem transmitida pelos meios de comunicação. Claro que, quanto maior a ignorância, maior a possibilidade de acreditar sem questionar. E que, obviamente, o seu objetivo é satisfazer aos interesses de quem a banca.

Pois é quem a patrocina quem detém o verdadeiro poder simbólico, político, econômico e coercitivo. Ela é tão-somente um instrumento que é voltado para interesses puramente comerciais. A lei vigente e as práticas culturais relacionadas à percepção social média a respeito do conteúdo midiático permitem e estimulam a não-obrigação da Grande (e também da pequena mídia) de serem culturais, educativas, conscientizadoras, politizadoras, investigativas e o escambau.

Não, elas não são e nem precisam ser. Também não devem ser censuradas. E não dá pra forçar a barra restringindo o seu alcance e tentar investir uma fortuna em uma alternativa verdadeiramente educativa, conscientizadora, politizadora, investigativa, inteligente e assim por diante se não houver interesse do público no tipo de temática a ser abordada, nem tampouco se os produtores dessa mídia alternativa não souberem utilizar uma linguagem técnica recortada, fragmentada, de vocabulário simples, ritmo dinâmico e dotada de uma edição de som, de vinhetas e de legendas totalmente adaptadas à semiótica contemporânea.

A situação é extremamente complexa, dados os seguintes pontos:

1) O cumprimento de todos os requisitos para a primeira autorização e para as sucessivas renovações das concessões do espectro das ondas de rádio destinadas às emissoras de rádio e televisão deveria ser exemplarmente obedecido e punido quando necessário;

2) O ideal é absolutamente impossível de se obter em qualquer lugar do mundo. Não dá para impedir e nem tampouco fiscalizar o tempo inteiro políticos, funcionários públicos de qualquer instância e empresários que veicularam anúncios, releases ou comerciais nos últimos 10 anos; funcionários e associados que trabalham, trabalharam ou possuem negócios com esses mesmos patrocinadores, políticos e donos de veículos e até três gerações de suas respectivas famílias a obterem concessões. Nem todos esses caras são ricos, famosos, suficientemente poderosos ou conhecidos e fazem parte de uma rede social que envolve centenas de milhares de pessoas espalhadas pelos quatro cantos do país. Não dá para emparelhar a capacidade econômica de investimento entre o que seria uma mídia “de direita” e uma mídia “de esquerda” porque o grosso da sociedade é conservadora;

3) Uma TV pública não pode ser uma TV estatal. Do contrário, a Voz do Brasil e as TVEs (sejam bem ou mal administradas) são mais do que suficientes. Ela não pode ter nenhum cargo político mas, sim, cargos eminentemente técnicos. O mandato de sua diretoria não pode estar vinculado ao mandato do presidente da república, do governador, do prefeito, dos senadores ou dos deputados estaduais. Deve ser mais longo (sugiro 12 anos) e regido por uma eleição da qual toda a sociedade participe;

4) Nem a internet e nem a TV digital proporcionam ou proporcionarão ao mundo maior justiça, democracia, cultura e/ou inteligência: o grande equívoco dessa discussão é que ela é centralizada ou na tecnofilia de que tudo será melhor para a maioria, ou na tecnofobia de que as TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) são o grande mal, a grande fonte de alienação da sociedade.

Em primeiro lugar, novos grupos de comunicação municipais vinculados ou não à grande mídia regional ou nacional irão produzir localmente pautas voltadas às comunidades locais de forma que, com mais dinheiro, maior profissionalismo e com o apoio dos caciques da comunidade, não deixará de haver um agendamento conservador. Apesar da possibilidade de TVs e rádios “favela” poderem aparecer e contestar essa nova agenda hegemônica de abrangência local, a maioria das pessoas tenderá a assistir os programas técnica, enunciativa e esteticamente melhor produzidos.

Sim, diminuirá o conservadorismo e o nível de conscientização irá aumentar. Porém, não será tão significativo quanto se imagina ou se deseja.

Portanto, só vejo uma única possibilidade técnica, política e financeira para que haja uma distribuição massiva de conteúdo decente não apenas no Brasil como em qualquer país do mundo: seguir, com as devidas adaptações culturais de cada cultura, o modelo da BBC.

Falarei mais sobre esse modelo mais adiante, em outro post.

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A VERDADE SOBRE O ESPORTE BRASILEIRO

Copio na íntegra a crônica do prof. RONALDO PACHECO DE OLIVEIRA FILHO, da Secretaria de Edudação do Distrito Federal cedido à UnB e da Universidade Católica de Brasília, publicado originalmente no BLOG DO JUCA, um dos menos de 100 jornalistas com J maiúsculo que existem neste país:

Desculpas ao esporte e aos atletas brasileiros

Por RONALDO PACHECO DE OLIVEIRA FILHO*

Desculpem pela falta de espaços esportivos nas escolas;

Pela falta de professores de educação física nas séries iniciais;

Pelas escolinhas mercantilizadas que buscam quantidade de clientes e não qualidade de aprendizagem;

Desculpem pela falta de incentivo na base;

Desculpem pela falta de praças esportivas;

Desculpem pelo discurso de que “o esporte serve para tirar a criança da rua” (é muito pouco se for só isso!);

Desculpem
pela violência nas ruas que impede jovens de brincar livremente,
tirando deles a oportunidade de vivenciar experiências motoras;

Desculpem se muito cedo lhe tiraram o “esporte-brincadeira” e lhe impuseram o “esporte-profissão”;

Desculpem pelo investimento apenas na fase adulta quando já conseguiram provar que valia a pena;

Desculpem
pelas centenas de talentos desperdiçados por não terem condições
mínimas de pagar um transporte para ir ao treino, de se alimentar
adequadamente, ou de pagar um “exame de faixa”;

Desculpem por não permitirmos que estudem para poder se dedicar integralmente aos treinos.

Desculpem
pelo sacrifício imposto aos seus pais que dedicaram seus poucos
recursos para investir em algo que deveria ser oferecido gratuitamente;

Desculpem
levá-los a acreditar que o esporte é uma das poucas maneiras de
ascensão social para a classe menos favorecida no nosso país;

Desculpem pela incompetência dos nossos dirigentes esportivos;

Desculpem
pelos dirigentes que se eternizam no poder sem apresentar novas
propostas; Desculpem pelos dirigentes que desviam verbas em benefício
próprio;

Desculpem pela falta de uma política nacional voltada para o esporte;

Desculpem por só nos preocuparmos com leis voltadas para o futebol (Lei Zico, Lei Pelé, etc.);

Desculpem se a única lei que conhecem ligada ao esporte é a “Lei do Gérson” (coitado do Gérson);

Desculpem
pelos secretários de esporte de “ocasião”, cujas escolhas visam atender
apenas, promessas de ocupação de espaços político-partidários (e com
pouca verba no orçamento);

Desculpem pelos políticos que os
recebem antes ou após grandes feitos (apenas os vencedores) para
usá-los como instrumento de marketing político;

Desculpem por
pensar em organizar “Olimpíadas” se ainda não conseguimos organizar
nossos ministérios; nossas secretarias, nossas federações, nossa
legislação esportiva;

Desculpem por forçá-los, contra a vontade, a se “exilarem” no exterior caso pretendem se aprimorar no esporte;

Desculpem pela cobrança indevida de parte da imprensa que pouco conhece e opina pelo senso comum.

Desculpem o povo brasileiro carente de ídolos e líderes por depositar em vocês toda a sua esperança;

Desculpem pela nossa paixão pelo esporte, que como toda paixão, nem sempre é baseada na razão;

Desculpem por levá-los do céu ao inferno em cada competição, pela expectativa criada;

Desculpem pelo rápido esquecimento quando partimos em busca de novos ídolos;

Desculpem
pelas lágrimas na derrota, ou na vitória, pois é a forma que temos para
extravasar o inexplicável orgulho de ser brasileiro e de, apesar de
tudo, acreditar que um dia ainda estaremos entre os grandes.

*Ronaldo
Pacheco de Oliveira Filho é professor da Secretaria de Educação do DF
(cedido à UnB) e da Universidade Católica de Brasília.

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No próximo post, trechos da espetacular entrevista de JUCA KFOURI à REVISTA DO BRASIL.

BLOG DOS ALUNOS DO DIREITO DA UFRGS

VITOR, talvez um dirigente do CAAR (Centro Acadêmico André da Rocha) da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da UFRGS, escreve um blog chamado A PORTO ALEGRE DE FOGAÇA.

É muito bom saber que ainda há uma juventude que não se deixa contaminar pelos pensamentos burgueses da maioria de seus colegas, futuros perpetuadores do status quo no qual só são presos pretos, pobres e putas neste país.