Depois de muito tempo, volto a comentar uma partida. Sinto saudade também das minhas antigas análises sobre os confrontos clubes europeus. Todavia, os meus prazerosos compromissos com a @comdig e com a @agexcom @unisinos mais o @gremioprata felizmente tem me tirado o tempo necessário para posts dessa natureza.
Portanto, sinto-me mui grato pela audiência de quem tanto passou por aqui e se decepcionou pela falta de regularidade nos posts que, daqui para a frente, tenderão a ser mais frequentemente atualizados. ;)
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Assisti ao jogo junto da minha amada @lubelskina , de amigos queridos como o @claudiodoprata e a sua Camila Hoffmann mais o inteligente Marmita e sua simpática senhora no Brechó do Futebol , já um consagrado reduto tricolor em Porto Alegre.
O clima e a confiança jamais se arrefeceram até o apito do fraco árbitro mexicano (em breve, a ficha técnica definitiva no site da Conmebol). Saímos de lá ainda bastante confiantes em nosso taco. Apesar das falhas, vocês logo saberão por que.
Estou longe de ter feito um curso de técnico, de ter o arquivo histórico e a memória de um PVC ou de um Eduardo Cecconi. Sequer ouso me colocar como alguém com mais de 20% da qualidade monstruosa desses comentaristas. Padeço também do mal da tendência à parcialidade por ser gremista. Mesmo assim, permaneço muito otimista.
O gol de Borges com assistência de Douglas foi um início muito acima da expectativa da maioria absoluta dos gremistas: um golaço cedo, com o time mantendo a posse de bola. Em menos de 5′, já havíamos chegado lá.
Não existe lógica em considerar que há ou não um momento mais ou menos propício para se marcar um gol contra quem quer que seja. Tanto faz se for em casa ou fora, se for em um amistoso ou valendo a competição interclubes mais importante do hemisfério: o importante é marcar mais do que levar e – se possível – apresentar tanto iniciativa quanto poder de reação.
Nada disso faltou ao Grêmio. Todavia, além da contusão de Lúcio, tivemos alguns contratempos. Porém, ao mesmo tempo, felizmente, houve, em alguns casos, tanto a repetição de uma consistência recentemente apresentada após um período de desconfiança geral como também comprovou-se uma verdadeira sinuca de bico para Renato resolver, tendo em vista que isso se daria contra as suas convicções. Cito esses fatos e jogadores pontualmente, da seguinte forma. Por favor, acompanhem:
1. André Lima e Borges podem, sim, jogar juntos: eles tem se esforçado bastante desde a primeira experiência relativamente frustrante contra o Oriente Petrolero e a segunda atuação muito bem-sucedida contra o Ipiranga de Erechim. Independentemente da qualidade dos adversários e da intensidade do foco do nosso plantel em ambas as competições, mesmo ontem, com André Lima severamente marcado e com Borges tendo mais chances além do belíssimo gol marcado, entendo que a movimentação de um está cada vez mais próxima de complementar e de auxiliar ao invés de interferir na movimentação do outro. A ausência de reservas de qualidade tanto centralizados quanto abertos força Renato a investir na dupla. De qualquer maneira, sinto mais claramente que o problema maior do ataque do Grêmio não é ter um dos dois no banco mas, sim, não tê-los por qualquer motivo;
2. Paulão foi quase perfeito defendendo. Todavia, a marcação sob pressão do Junior sobre todos os nossos homens capazes de sair com a bola dominada e com um bom passe muitas vezes obrigou o nosso zagueiro forte mas ainda bastante jovem a se desesperar, lançando de maneira errada. Rodolfo, apesar de ter chegado atrasado na marcação do 15, autor do 2º gol, até aquele momento, fazia uma partida igualmente irrepreensível defensivamente. Como é muito mais forte e possui uma qualidade no passe superior à de todos os zagueiros disponíveis, mostra que essa dupla de zaga é mesmo a titular;
3. Gilson jogou bem quase o tempo inteiro. Ele pegou confiança no gol e na assistência contra o Oriente Petrolero, repetiu a boa atuação contra o fraco Ipiranga pelo Gauchão e confirmou ontem estar em um momento de qualidade e atenção crescentes contra um adversário duríssimo e em seus domínios. Renato mais uma vez me ensina que é, sim, um verdadeiro técnico – hoje, garante-se na primeira linha do cargo no Brasil;
4. Lúcio faz uma falta absurda. Naquela posição, aberto pela meia-esquerda, não temos nenhum jogador capaz de fazer sombra a ele. Além disso, a mecânica de jogo consolida-se a seu favor à medida que não pode ser repetida nem mesmo pelo lado direito, onde Carlos Alberto precisou mais cobrir e proteger o fantástico Gabriel. A entrada de Bruno Collaço trouxe maior consistência ao time como um todo, pois ele cumpriu exatamente o papel de Lúcio;
5. Já sabíamos todos que Fábio Rochemback é o jogador mais importante do Grêmio na atualidade: sem ele, o time fica capenga tanto na marcação quanto no início dos contra-ataques. Porém, em um mundo no qual é extremamente difícil para quase qualquer time ou seleção apresentar equilíbrio e consistência utilizando um esquema que não seja o 4-4-2, é natural que um time precise ter dois volantes e dois meias para manter-se no prumo. Isso posto, enquanto os meninos Mateus Magro e Fernando ainda não estiverem maduros (ambos tecnicamente muito bons, porém ainda fisicamente menos robustos e de estatura relativamente baixa), apesar de algumas indecisões, Adilson mantém-se como titular absoluto e necessário ao lado de Rochemback. Conversei anteontem por telefone com um profundo conhecedor, meu querido amigo Paulo Deitos, que me confirmou que, entre ambos, a sincronia entre cobertura e apoio é quase perfeita e que o mesmo não se repete quando precisamos atuar sem um dos dois. Isso indica que não é positivo em circunstância alguma para o time que Renato repita a experiência faceira do difícil primeiro tempo contra o modesto Oriente Petrolero. No entanto, o sinal de alerta está ligado para o querido “alemão” Adilson: muito em breve, ele poderá, sim, ser superado em muitos quesitos pelos seus dois jovens reservas;
6. Embora cada um tenha a sua convicção quando defende a presença ou a ausência de um determinado jogador, a palavra final é a de Renato. Por mais que o respeite, não preciso concordar com tudo o que ele faz. E não é por eu não ser técnico nem por não fazer parte da vida de trabalho no nosso Tricolor que estaria impedido de dar a minha opinião. Mas, enfim… Nunca fui fã da atitude de Douglas, embora admire muito o que ele consegue fazer com a bola. Renato recuperou um jogador contratado a peso de ouro que não rendia absolutamente nada com outros técnicos. E, como ex-boleiro que sabe muito bem lidar com quem gosta da noite, essa relação de confiança chegou a um ponto em que não pode ser desfeita.
Chegaram Carlos Alberto (destro, voluntarioso, menos cobrador de faltas mas melhor chutador do que Douglas) e Escudero (igualmente canhoto, muito mais ofensivo e com a virtude de correr com a bola grudada a seu pé). A meu ver, Carlos Alberto é um virtuose que tem como seu maior inimigo uma personalidade impaciente e explosiva quando agredido. E, por estar sempre disposto a colaborar, apesar de sacrifícios como o de ontem para cobrir Gabriel diante da pressão irresistível do Junior durante o 1º tempo, leva cartões bobos em demasia. Para corrigir isso, precisa entrar no lugar de Douglas.
Já o argentino Escudero, por sua vez, a meu ver, também concorre à mesmíssima vaga. Em uma condição de equilíbrio, ainda não consigo enxergar Douglas + Escudero + Carlos Alberto. Também não consigo ainda enxergar Escudero/Carlos Alberto + André Lima ou Escudero/Carlos Alberto + Borges: eu prefiro um meio-de-campo com Rochemback, Adilson, Lúcio e Carlos Alberto, tendo Escudero como primeira alternativa tanto para Lúcio como para substituir um dos dois atacantes quando necessário. No meio, Bruno Collaço seria uma outra alternativa a Lúcio para o uso de Escudero como ponta-de-lança ou enganche na ponta ofensiva do losango.
Todavia, com os mesmos jogadores, preferia muito mais poder apreciar os quatro jogadores do meio-de-campo postados em linha à inglesa do que como um losango, pois isso facilitaria a movimentação ofensiva e defensiva de ambos os volantes na cobertura um do outro, como também aperfeiçoaria a velocidade dos contra-ataques e intensificaria a quantidade de lançamentos para os atacantes.
Nesse caso, a mudança para um posicionamento em duas linhas de quatro (laterais + zagueiros atrás e volantes + meias no meio) requer uma atualização na mecânica de jogo, onde as linhas de meio e de defesa não podem estar distantes e também no fato de ser decisivo saber adiantar ambas as linhas para encurralar o adversário em seu campo de defesa a partir da diminuição dos erros de passes aliados a uma maior posse de bola.
Eu sugeriria essas medidas.