MATTIONI: PODIA TER SIDO MELHOR VENDIDO. MAS…

O meu amigo GUGA TÜRCK do ALMA DA GERAL tem razão em relação a uma série de detalhes que ele discutiu sobre a venda do jogador FELIPE MATTIONI. Em outras palavras porém com o mesmo teor, isso também fora dito ainda em 2008 no CORREIO DO POVO na coluna de domingo do LUIZ CARLOS RECHE.

Concordo 100% com o que o GUGA e o RECHE disseram: afinal de contas, a negociação de um jogador ‘comunitário’ e conhecido dos olheiros europeus há bastante tempo jamais poderia ter saído tão barata. Até entendo que os cartolas da poderosa JUVENTUS não seriam burros de investir oito milhões de euros em um jogador que eles não considerassem suficientemente bom.

Então, no que a minha opinião se diferencia das opiniões do GUGA e do RECHE? Eu, Hélio, pela alta amostragem de jogos assistidos desse jogador desde as categorias de base tenho subsídios suficientes para afirmar que, por enquanto,  FELIPE MATTIONI apresentou, até agora, um rendimento medíocre: no BRASILEIRÃO 2008, ele jogou 13 partidas. Nenhum gol, 15 desarmes, 21 faltas cometidas, três cartões amarelos e um vernelho. Convenhamos: oportunidades não lhe faltaram.

Ele demorou nove ou dez do total de 13 partidas disputadas no BRASILEIRÃO 2008 para conseguir um mínimo de vitórias pessoais sobre o atacante adversário ao qual deveria marcar. Por isso, o GRÊMIO sofreu tanto dentro de casa quanto fora, por deixar alguns PELADEIROS (encontro melhores ali no PARQUE ARARIGBOIA, entre os bairros Petrópolis e Jardim do Salso em Porto Alegre) passarem de vereda por ele até a linha de fundo, tocarem a bola para trás e alguém guardar.

Lembrem-se: apesar de ser tecnicamente mais fraco do que MATTIONI, PAULO  SÉRGIO pelo menos marcava bem. Coincidentemente, PAULO SÉRGIO jogou a maioria dos jogos do primeiro turno – responsáveis pela melhor pontuação e pelo melhor percentual de um campeão do primeiro turno em todos os BRASILEIRÕES por pontos corridos até aqui.

No segundo turno, abalados por lesões e por suspensões e também a partir de insatisfações ora coincidentes, ora divergentes entre direção, departamento de futebol, mídia e torcida, ROTH se viu obrigado a mexer muito no time, que perdeu a ‘liga’.

O lateral-direito titular de 2005 a 2007, PATRÍCIO, no GRÊMIO, obteve uma performance, em média, insuficiente. Só para compararmos: na PORTUGUESA (LUSA ou, melhor dizendo, LOSER), PATRÍCIO mostrou que se, por um lado, marcou menos do que PAULO SÉRGIO e mais do que MATTIONI, por outro lado, incrivelmente, apoiou melhor do que PAULO SÉRGIO e MATTIONI.

Com isso, não quero dizer que MATTIONI não virá a ser um jogador de nível de seleção brasileira ou quase isso. Só que o processo de maturação dele tende, até aqui, a ser mais lento. Não é como dar uma camisa do MILAN para o KAKÁ e ele sair arrebentando em seus dez primeiros jogos.

Eu nunca vi ele passar boa parte do jogo combinando jogadas com os meias e os volantes pra chutar da entrada da área.

Eu nunca vi ele manter uma média razoável para um bom lateral de pelo menos duas idas à linha de fundo em cada tempo.

Tudo isso deveria acontecer não simultaneamente mas, sim, com frequência durante pelo menos seis jogos a cada dez, mesmo que o adversário seja o SÃO PAULO ou o MANCHESTER UNITED. Aí, sim, poderíamos dizer que se trata de um ótimo lateral.

Pior: não o avalio apenas pela amostragem apresentada por ele no profissional, pois assisti a alguns jogos dele no suplementar e também acompanhei o BRASILEIRÃO SUB-20 na PUCRS em 2007.

Por tudo o que se diz dele em relação ao que ele demonstrou na prática, ainda precisa desenvolver muita personalidade.

Tá certo: é um menino. Mas, cá pra nós: Danrlei, Arilson, Carlos Miguel, Roger, Emerson, Rafael Carioca, Willian Magrão (também tenho restrições quanto a este, mas, NO CONJUNTO, tende a funcionar bem) e William Thiego também são (ou eram) e entraram no time direto.

Não é nem o caso, mas há outro tipo de menino que estoura entre os 14 e os 17 anos feito DIOGO e DIEGO (aquele que cavou um pênalti ao obrigar ROGER, o que quase nunca era driblado, a derrubá-lo) e, dali até os 22, fica enganando.

Tudo bem: são outros tempos. Mas eu vi PAULO ROBERTO COELHINHO, ALFINETE (pra mim, o melhor de todos – o único que lançava de três dedos pra ele mesmo, chutava com uma precisão absurda e cruzava melhor ainda; um dos injustiçados que não foi para a seleção por uma questão de bruxaria, EDSON BOARO e LILICA foram menos jogadores do que ALFINETE, por exemplo) e CHIQUI ARCE.

A questão é que, embora a responsabilidade seja tanto de CELSO ROTH como dos atacantes que não prendiam a bola lá na frente e dos meias e volantes que eram a última instância antes do mano-a-mano com o lateral ou com o zagueiro, as dobradinhas PATRÍCIO-TCHECO e PAULO SÉRGIO-TCHECO funcionaram muito bem tanto na LIBERTADORES de 2007 como no primeiro turno do BRASILEIRÃO 2008.

TCHECO, mais recuado, ajudando a marcar e a sair jogando, obteve aí sua maior contribuição em ambas as passagens pelo GRÊMIO. Ele foi recuado também para proteger MATTIONI. Porém, dadas as características desse jovem lateral, ou ele aprende a disciplinar-se taticamente e a esforçar-se herculeamente para marcar bem, ou, então, será apenas mais uma dentre tantas promessas não cumpridas.

A prova de que TCHECO é o salvador dos laterais direitos está nas estatísticas: o meia disputou 25 partidas no BRASILEIRÃO 2008. Foram cinco gols marcados, 47 DESARMES e 47 FALTAS COMETIDAS. Um cartão vermelho e cinco amarelos.

Foi a falta de qualidade técnica de laterais de características tão antagônicas entre si (tanto do lado direito quanto do esquerdo) que obrigou ROTH a recuar o meia de ligação, a fim de ele contribuir na marcação.

Enfim… Gostaria de estar enganado. Espero que o tempo me desminta. Mas MATTIONI nunca teve cara de solução.

Inclusive creio que ele será emprestado em sua primeira temporada européia para um time menor.