Se política é a “arte” do possível, então não seria um bom político, pois penso diferente. Pra mim, a boa política consiste em ter como norte o clelebre ditado de Sir Bernard Shaw: “Você vê as coisas como elas são e pergunta “Por que?”, mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: POR QUE NÃO?”
Como associado e como alguém interessado na política do clube, mantenho relações cordiais com quem quer que seja, mas sem jamais fazer média. Por isso, além de não negar a opinião a nenhum integrante de qualquer movimento político de dentro do clube, obviamente posso tanto discordar redondamente daqueles a quem apoiei como também posso concordar com pessoas ligadas a próceres dos quais discordo frequentemente.
Pois é exatamente em momentos de crise como o atual que mais se deve ouvir opiniões de fora do Conselho. A crise, todos sabem, não é apenas técnica nem de relacionamento. Não é da torcida e não tem como principais responsáveis o Duda, o Odone, os “velhos”, os “noviços”, a imprensa ou os paulistas: a crise é de todos – inclusive da falta de senso crítico resultante do alento pelo alento, da crença na imortalidade, do consumismo pelo consumismo e da acomodação da maior parte dos setores do clube em função desse apoio incondicional e acrítico.
Nós torcemos e nos preocupamos com a prosperidade de uma instituição tão apaixonante quanto complexa. Por isso, tudo o que vem do mundo para o Grêmio e sai do Grêmio para o mundo repercute em escala planetária. Sem meias palavras, a oscilante cultura administrativa feudal é a maior responsável pelas ISLs, pelos Obinos, pela transformação de Fábio Koff e de Cacalo em eminências pardas e pela cooptação informal de novos movimentos a partir de uma relação de suserania e vassalagem como se o surgimento de novos valores fosse uma mera concessão do senado romano.
Vendo de fora sem me deixar influenciar pelo interesse puramente comercial de jornalistas que pensam que nosso ouvido é penico e que o que escrevem serve para algo mais nobre do que embrulhar peixe no mercado, procuro participar de algumas incursões informais junto ao que se passa nos bastidores do clube. Não me interessa denunciar, concordar nem discordar de pessoas pura e simplesmente a partir de informações como, por exemplo, quem é dono do que, quem é filho de quem ou quem é vassalo e quem é suserano. Em termos de articulação política, de expectativa em relação à atuação de A ou B em determinado cargo e por mera curiosidade, isso é interessante. Porém, JAMAIS sairá deste blog algo que atente contra a honra de alguém. Não vejo valor nenhum em fazer fofoca nem em criar amizades ou inimizades com base em critérios estamentais.
Como diria o Arnaldo, a regra é clara: basta revelar seu nome verdadeiro, oferecer depoimentos não-fantasiosos e não-depreciativos que, ao entrar em contato comigo, terá sua opinião publicada neste blog. Nada me fará ignorar, desmerecer ou distorcer a opinião de quem quer que seja. Quem achar que a informação de alguma fonte deste blog estiver equivocada, por favor, que envie a sua versão dos fatos.
Desdta vez, o conselheiro Jeferson Thomas do Movimento Grêmio Novo comentou no post em que defendo a solvência financeira da gestão Duda mas critico a conduta do futebol o seguinte:
“Helio, me perdoa, mas teu texto parte de uma premissa equivocada: a da solvência financeira. Um dos requisitos básicos que a gestão Odone tinha estipulado era limites orçamentários para despesas com futebol (na questão, a folha de pagamento não podia ultrapassar a arrecadação da cota da TV).
Na atual gestão, esse valor foi desrespeitado desde janeiro. Atualmente, é desrespeitado em R$ 1,8 milhão. Não há como tornar um clube superavitário desrespeitando regras orçamentárias ou ignorando o controle do fluxo de caixa. O Irany – com sua visão de auditor do Banco Central – deve estar maluco com o descaso de pagar a todo custo.
Quanto a empresários na base, apenas mudaram os empresários. Temos conselheiros (?!) e filhos de próceres do clube empresários e/ou ligados a empresários FIFA atuando na base e com portas abertas no clube (é só pesquisar no site da FIFA sobre isso). Te digo, por ter visto muita coisa na gestão passada (que inequivocamente possuía graves vicissitudes, há que se reconhecer isso), que o quadro atual é muito pior. E isso não é apenas uma visão de oposicionista (que tu sabes que sou), mas sim de alguém preocupado com a continuidade do clube.
Grande abraço.”
Embora não goste do modelo de negócio da Arena e não tenha visto com bons olhos a participação na gestão Odone, não posso, de maneira alguma, negar o trabalho do MGN. O Quadro Social estava melhor na gestão Odone. O trabalho do Sérgio Bombassaro, do Ronei Krolow e do Jorginho foi excelente. E acho que essa foi uma contribuição coletiva bastante significativa naquele momento de penúria e de rejunte dos cacos.
Independentemente da juventude e do pouco tempo de conselho, afirmo que o Jeferson é um cara extremamente agradável de se tratar, assim como o Jorge Bastos. Sei também que ele é um profissional muito respeitado na sua área e que, independentemente das panelinhas de dentro do CD tricolor, ele tem uma participação interessante. Digo isso também do Carlos Josias e do Cacaio Azambuja, mesmo que discorde de algumas explosões do primeiro e do excesso de zelo pela proteção dos próceres do segundo.
Enfim… São três pessoas de atitudes e de correntes que pensam o Grêmio de maneiras diferentes, com as quais concordo em alguns pontos e discordo em outros. Da mesma forma, embora pequena demais para o meu gosto, foi legal a renovação de 2006 que trouxe novas cabeças (não necessariamente em idade e não necessariamente desconhecidas). Do contrário, entre odonistas e anti-odonistas, entre obinistas e anti-obinistas, a questão da Arena teria passado em branco.
Por tudo isso, como muito me interessa a questão das categorias de base por eu acreditar que, mais do que qualquer outra fonte de receita, é ela quem dará a partida em times vencedores e que sustentará o clube. Pelo menos enquanto não tivermos 100 mil sócios + pelo menos 20% do montante do que os principais clubes da Espanha, da Itália, da Inglaterra ou da Alemanha recebem pelos direitos de televisionamento.
Então, gostaria muito que alguém da atual gestão pudesse responder às seguintes perguntas:
1) Em que pontos o conselheiro Jeferson Thomas está correto ou não e por que?
2) Existe alguma avaliação da inevitável evasão nas categorias de base em função da livre cooptação de futuros valores por parte desses empresários?
3) Quais as vantagens e desvantagens PARA O CLUBE entre a atuação dos empresários que atuavam em parceria com a gestão Odone e entre os que atuam agora na gestão Duda?
4) Sabemos que o Grêmio não é juridicamente nem uma empresa de capital aberto, nem um órgão público e tampouco uma entidade filantrópica. Porém, em função do elevado número de associados e de consumidores que contribui mensalmente com milhões de reais na receita do clube, isso significa que há um gigantesco apelo midiático acerca dos fatos e da imagem do clube na sociedade. Isso posto, após seis meses de resultados vergonhosos nas categorias de base e da não-entrega de jovens de personalidade e força física suficientemente preparados para trabalhar na categoria profissional, o Departamento de Futebol não teria que tornar público o grande calcanhar de Aquiles desta gestão que é a atuação dos garimpeiros das escolinhas e da administração de Mauro Galvão no lugar de Rodrigo Caetano?
5) Certamente, o processo de intromissão dos agentes de futebol no clube deve ter iniciado bem antes disso, mas uma tentativa extremamente frustrada foi a do balaio de pernas-de-pau trazido pelo filho do então diretor remunerado de péssima lembrança e ex-jogador de agradabilíssimas recordações Mário Sérgio no início da gestão Odone. Sabe-se também que clubes como o Barueri e o Santo André são times de aluguel e que tanto o método de Paulo Pelaipe mostrou-se pouco cortês como o método de André Krieger mostrou-se extremamente ineficiente por este último conhecer muito pouco de futebol. Dados esses fatos e lembrando sempre que a dívida do Grêmio possui um montante assustador, o Grêmio está dando uma de índio fascinado com os espelhinhos e miçangas trazidos pelos portugueses porque desconhece outra solução ou o motivo dessa dependência não pode vir a público?
Minhas perguntas são pesadas. Mas eu não sou nenhum inquisidor e tampouco quero mal a essas pessoas. Me interessa tão-somente conhecer melhor o Grêmio e tentar colaborar. Perguntar não ofende. Porém, se não quiserem responder às questões de um associado, é sinal de que algo não muito bom pode estar acontecendo…