PELA DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NO BRASIL

Intervozes – Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman

Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri

Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez

Direção de Arte: Anna Luiza Marques

Produção de Locação: Diogo Moyses

Produção de Arte: Bia Barbosa

Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas

Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues

Animações: Pedro Ekman

Voz: José Rubens Chachá

CC – Alguns direitos reservados

Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.

Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

Você deve dar crédito ao autor original.

BREVE DISCUSSÃO SOBRE INTERAÇÃO DA BLOGOSFERA COM O PIG

O PIG muitas vezes entrevista os dois lados, dando maior espaço para o lado que o patrocina, que o cobra e que, em outra dimensão, dele também depende.

Contudo, normalmente o que eles fazem quando chamam um “especialista” pra falar é endossar o status quo, já que os especialistas chamados na maioria das vezes ou são conservadores, ou se pronunciam cheios de dedos porque, de seu lado, também dependem dos patrocinadores do PIG.

Infelizmente, um blog não foi, não é e sequer terá como ser considerado mídia de massa porque é fruto de uma interação um-um ou um-uns e não um-todos ou todos-todos (compreenda  melhor esses conceitos aqui), como o rádio, a TV, o jornal ou a revista. Se existe um alento em relação a essa realidade aparentemente trágica é o fato de que os portais de conteúdo do PIG também não podem ser considerados como mídia de massa. Por exemplo: se o ClicRBS quiser continuar mantendo os comentários abertos para cada notícia que postar, certamente encontraremos alguns (às vezes mais da metade) comentários bem legais de pessoas de esquerda, dando “nos dedos” deles.

Ora, como todos os grandes portais de conteúdo disponibilizam comentários, o primeiro que fechar esse canal de diálogo com o seu consumidor cairá em desgraça junto aos seus próprios pares.

Claro que eles podem deletar, censurar e serem malcriados com um comentário que contraria a sua agenda de interesses. No entanto, com centenas de novas notícias por dia em dezenas de editorias e a preocupação em decupar e editar o trabalho semi-escravo de um punhado de jornalistas, o que conta a nosso favor quanto ao gigantismo deles é a impossibilidade deles darem conta de censurar milhares de interagentes.

Percebam: o espaço de comentários é o único espaço dentro de um site ou blog que, mesmo quando protegido por senha ou quando reconhece a localização do comentador por IP, oferece a total impossibilidade de previsão de quantidade, qualidade ou viés das interações. E, como falei acima, salvo em raras e desonrosas exceções, mesmo que eles desenvolvessem um robô que deletasse automaticamente comentários que contivessem determinadas palavras-chave, isso seria impraticável e descaradamente desonesto, tendo em vista que eles não podem ignorar que comentários favoráveis à sua agenda também podem conter as mesmas palavras de um comentário oposto.

Trocando em miúdos: mídias intrusivas (este é um termo aparentemente meu, que não sei se seria correto, mas acho que fica mais fácil de entender dessa forma), isto é, aquelas que “agradecem o carinho de entrar sem pedir na sua sala, no seu quarto, na sua cozinha, na rua, no metrô ou no seu carro”, são massivas. As mídias para as quais o receptor precisa correr atrás a fim de buscar informação não são massivas.

Entendo quando se fala que as idéias neoliberais ou de direita já possuem espaços demais enquanto as idéias socializantes ou de esquerda são menos visibilizadas a partir de qualquer tipo de mídia. Porém, se informação é aquilo que produz diferença, informação, notícia, opinião e crítica são gêneros totalmente diferentes que não necessariamente produzem diferença. Se formos dicotomizar essa afirmação, poderíamos dizer que, tanto à esquerda como à direita (ignorando-se as infinitas nuances dos valores estritamente pessoais e o contexto de cada indivíduo), pode-se OU NÃO produzir informação (e,
conseqüentemente, diferença).

Trocando em miúdos, a grande diferença técnica, teórica e empírica entre a web (portais, sites, blogs) e a mídia de massa (rádio, TV, jornal, revista, publicidade, RP e assessoria de imprensa sobre suportes urbanos) é que os funcionam como um telefone sem fio e a mídia de massa funciona como um megafone.

Então, como produzir diferença? A diferença reside em fazer o que o senso comum não espera que seja feito e que o que for feito siga um modelo discursivo inesperado. Isso é o que chama a atenção para que os que não comungam das mesmas idéias do blogueiro emerjam como uma importante parcela da audiência, que supera em importância até mesmo a do mundinho dos próprios pares do blogueiro. É o pulo que se dá a fim de superar a fase de conversar com as paredes ou de não produzir debate nem o contraditório.

Enfim, eu tenho uma posição formada sobre determinadas pautas que acredito serem imutáveis, seja a favor ou contra. Há, ainda, um outro conjunto de temas sobre o qual posso mudar de opinião parcialmente ou até mesmo totalmente. E isso acontece com toda e qualquer pessoa, sem que se possa afirmar que o sujeito é “do bem”, “vaselina”, “maria vai com as outras” ou que ele queira “reinventar a roda”. Não é assim que se confia ou desconfia, nem que se mede coerência.

O PIG não possui ferramentas – digamos – mais humanas e mais comunitárias para surpreender a sociedade. Hipoteticamente, a gente não vai conseguir alcançar um espaço maior se não conseguirmos arrancar o megafone da mão dele durante 15 segundos em uma hora.

Portanto, ele não vai se confundir, entrar em contradição e tampouco reverberar aquilo que nos interessa se a nossa prática for semelhante à dele.

Nesse ponto, considero importante ouvir os dois lados. Não importa que o outro lado já possua espaço midiático excessivo: como eles serão mediados por nós, poderemos fazer as questões que o PIG não faz em função do comprometimento dele e da nossa independência. O esperado por eles é que nós não saiamos do alcance de nossos pares e permaneçamos conversando dentro da mesma roda de amigos.

É tudo uma questão de saber realmente o que se quer comunicar, quando e para quem. Pois a partir dessa questão é que se define o alcance da diferença que se deseja produzir.

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A COMUNICAÇÃO RESISTENTE

Este texto dialoga com o “DE SACO CHEIO“, um depoimento sincero do RODRIGO CARDIA do blog CÃO UIVADOR. que também toma a minha mente quando estou pessimista.

Diante de tantas asperezas e da eterna impressão de sermos Davids contra Golias, não me canso de repetir que o mais importante de tudo no atual contexto social é a esquerda começar a aparelhar-se mais mental e metodologicamente do que financeiramente – CUBA é um exemplo de sucesso em educação com pouco dinheiro disponível. Creio que o aparelhamento midiático através da internet também é possível a baixo custo, mas os movimentos sociais são, salvo raras e honrosas exceções, maus conhecedores do uso de redes sociais e ainda crêem na centralidade das dicotomias que marcaram a Era Moderna como se estas fizessem parte da razão da existência dos confrontos atuais (burguesia x proletariado, bem x mal, socialismo x capitalismo, etc.).

É fundamental sentir prazer, intimidade e, acima de tudo, esforçar-se para aprender a comunicar-se através da linguagem que essa classe mérdia urbana está acostumada a se comunicar.

É preciso que saibam que as teorias matemáticas da Comunicação (emissor-receptor-mensagem; quem-diz o que-onde-para quem-com que efeito) e as teorias marxistas (como a Teoria Crítica de Adorno e Horkheimer, por exemplo – a preferida das esquerdas que ainda enxergam o mundo como Taylor e Ford) foram verdadeiramente superadas por Orozco, Verón, Martín-Barbero, Mattelart.

A mídia está em tudo: mais de 80% de todas as discussões sociais são feitas sobretudo através do atravessamento daquilo que é noticiado e publicizado através de todas as mídias. Dessa forma, não é mais possível acreditar em alienação nem em ignorância total ou – pior – na “manipulação” da mídia: ela TENTA manipular; ela TENTA persuadir; ela defende suas bandeiras e não fala mal de seus patrocinadores. Ela segue a lógica do capitalismo.

Mas que atire a primeira pedra quem consegue viver à parte do sistema econômico, social, político e, sobretudo, cultural vigente. Temos que trocar, que produzir, que adquirir, somos cobrados por desempenho.

E, mesmo que não seja de uma maneira egoísta, autoritária e nem totalizante, podemos até não cultivarmos ambições financeiras. A competitividade na qual cremos pode até não ser excludente. Nossos sonhos, nossos objetivos, nossas metas, nossos planos, sempre irão buscar uma auto-satisfação, mesmo que esta não seja proporcionada pelo status.

É preciso saber que o receptor definitivamente não é (e nem nunca foi) passivo: ele é multicultural e multifacetado. Ele reage ao cruzamento e ao atravessamento de opiniões semelhantes E divergentes em função de como ele sobrevive em seu próprio meio, associado à sua visão sobre o que seria um mundo ideal para todos a partir da sua própria concepção.

Um mesmo indivíduo, independentemente dele ser do campo ou da cidade, de esquerda ou de direita, analfabeto ou pós-doutor, é capaz tanto de ser mais realista, objetivo e totalitário do que o suposto pensamento único costuma lhe dizer do que de discordar veementemente (e até com revolta).

Os movimentos pela democratização da comunicação discutem mais aspectos técnicos e econômicos do que aspectos práticos e discursivos. A gente já sabe como o oponente age. Logo, não deveríamos também conhecer o antídoto?!

Em parte, apesar de eu não ter tido tempo nem preocupação em aprofundar-me naquilo que a KATARINA PEIXOTO do blog PALESTINA DO ESPETÁCULO TRIUNFANTE escreveu com uma prática acadêmica muito superior à minha, até determinado ponto, minha preocupação coincide bastante com a dela.

É outro artigo que vale a pena ser lido aqui (ver ‘QUAL É A MÚSICA DO I FÓRUM DE MÍDIA LIVRE?‘).

Finalizo este post deixando bem claro que uma teoria não anula as outras porque um autor recente seja mais “competente” ou porque tenha escrito em um contexto no qual esteja mais “adequado”: ele pesquisa o que ocorre na atualidade que é um pouco (ou diametralmente) diferente daquilo que se passou há décadas ou séculos atrás.

Por isso, repito mais uma vez NEGRI e HARDT aqui: a forma mais eficiente de resistência é aquela cuja técnica e seu respectivo uso sejam exatamente os mesmos praticados por quem detém a hegemonia.

Não que deva-se desistir dos protestos em praça pública nem que a internet atinja à maioria da população. Todavia, é preciso compreender que, atualmente, a MULTIDÃO, que é formada por INDIVÍDUOS DIFERENTES, que PENSAM DIFERENTE mas que, por uma dada razão, decidem REUNIR-SE PRESENCIAL OU VIRTUALMENTE EM REDE, de maneira DESCENTRALIZADA, a fim de buscar atingir suas demandas. Depois, cada um segue seu próprio caminho.

Isso não significa egoísmo. Isso não significa despolitização. Isso não significa falta de afeto: a esquerda precisa aprender a lidar com as novas formas de reunião e aceitar reagir conforme o modo de afetividade que a atual forma de MOBILIZAÇÃO POLÍTICA se movimenta, isto é, SEM BUSCAR ATINGIR O PODER.

A ideologia, a exclusão e os conflitos entre uma casta central e uma MULTIDÃO periférica nunca cessaram e jamais irão cessar. O que muda é a FORMA de resistir.