Tenho a informação de que estão desprezando a proposta anterior de fazer caixa com os meninos que não teriam qualidade para fazer parte do plantel profissional e que estão dando menos ênfase aos torneios na Europa, que o Paulo Deitos tanto lutou para conseguir um espaço.
Independentemente da idade daqueles que foram convocados, passamos a temporada anterior com excelentes resultados nas excursões – tanto é que nos convidaram novamente.
O Paulo Deitos, sem ter que recorrer a empresário algum (isto é, sem nenhum intermediário que cobrasse um centavo sequer do Grêmio como ocorrem com as excursões das categorias de base de outros clubes de menor expressão e que têm ido ao Velho Mundo com bons resultados mesmo com um trabalho supostamente pior do que o nosso) ajudou a nos recolocar no mercado europeu – principalmente na Suíça, onde passamos mais de duas décadas “queimados” por causa da triste falsa acusação de Cuca, Henrique, Eduardo e Fernando naquele episódio da Copa Phillips de 1987.
Normalmente, a maioria desses torneios só rende convite para voltar se o time for pelo menos finalista. Após o Grêmio ter terminado em 6º lugar um torneio no ano passado, Deitos convidou o organizador a conhecer a nossa estrutura. Meses depois, o homem veio de surpresa e ficou tão impressionado que garantiu a nossa vaga neste ano.
Perdemos técnicos vitoriosos por eles receberem apenas salário de estagiário no Grêmio. Aí, o T.A. oferecia-lhes R$5.000,00 e eles iam embora. Aos poucos, o Irany junto com o Deitos foram aumentando um pouquinho essa perspectiva. Só não é possível aumentar mais no momento porque está claro que não existe uma política clara de integração técnica, tática e física do profissional com as categorias de base por parte de quem deveria se preocupar seriamente com isso, que são Duda e Meira.
Parece que a única preocupação é desonerar a área da Azenha para a OAS, ao invés de trabalhar em paralelo em todas as frentes das quais o clube necessita para fazer caixa. Aliás, diga-se de passagem, com o ótimo faturamento que nós temos, independentemente das dívidas, se for determinado um certo foco, poderíamos ser bem-sucedidos na base com muita frequência.
Silas é quase um neófito: ele muda de esquema a todo instante quando jogo aperta. Utiliza-se de expedientes que não foram devidamente treinados durante a semana e só trabalha com as categorias de base para eventuais e inúteis treinamentos em algunas segundas-feiras após a rodada do fim de semana – e apenas junto àqueles que não jogaram. Isso é insuficiente para aclimatar, para entrosar e para manter a continuidade no processo de amadurecimento dos guris.
Para um melhor equilíbrio, em quase todo o mundo não-faceiro e não-retranqueiro, utiliza-se o 4-4-2 com variações em função da comparação entre as características do próximo adversário e a do próprio plantel disponível.
No momento em que se contrata um técnico com grande dificuldade de se expressar (que, aos poucos, reconheço que tem se esforçado pra aprender e parece estar sendo bem assessorado nesse sentido), com um discurso cujo prazo de validade tende a vencer rapidamente (excesso de palavras de ordem e motivação religiosa cansam aos boleiros que, em poucos meses, passam a considerar esse discurso como praxe e entram mais frios em campo) e que possui o hábito de querer variar do 3-5-2 “chama-derrota” para o 4-4-2 losango, para o 4-4-2 em linha e para o 4-5-1 na mesma partida, é sinal de que nem ele e nem o seu auxiliar realmente estudaram o adversário ou conhecem pra valer o grupo que possuem em mãos.
Sem um comando devidamente especializado, passamos a perder em relevância.
