GRÊMIO: NOSSA BASE DECAI EM 2010

Tenho a informação de que estão desprezando a proposta anterior de fazer caixa com os meninos que não teriam qualidade para fazer parte do plantel profissional e que estão dando menos ênfase aos torneios na Europa, que o Paulo Deitos tanto lutou para conseguir um espaço.

Independentemente da idade daqueles que foram convocados, passamos a temporada anterior com excelentes resultados nas excursões – tanto é que nos convidaram novamente.

O Paulo Deitos, sem ter que recorrer a empresário algum (isto é, sem nenhum intermediário que cobrasse um centavo sequer do Grêmio como ocorrem com as excursões das categorias de base de outros clubes de menor expressão e que têm ido ao Velho Mundo com bons resultados mesmo com um trabalho supostamente pior do que o nosso) ajudou a nos recolocar no mercado europeu – principalmente na Suíça, onde passamos mais de duas décadas “queimados” por causa da triste falsa acusação de Cuca, Henrique, Eduardo e Fernando naquele episódio da Copa Phillips de 1987.

Normalmente, a maioria desses torneios só rende convite para voltar se o time for pelo menos finalista. Após o Grêmio ter terminado em 6º lugar um torneio no ano passado, Deitos convidou o organizador a conhecer a nossa estrutura. Meses depois, o homem veio de surpresa e ficou tão impressionado que garantiu a nossa vaga neste ano.

Perdemos técnicos vitoriosos por eles receberem apenas salário de estagiário no Grêmio. Aí, o T.A. oferecia-lhes R$5.000,00 e eles iam embora. Aos poucos, o Irany junto com o Deitos foram aumentando um pouquinho essa perspectiva. Só não é possível aumentar mais no momento porque está claro que não existe uma política clara de integração técnica, tática e física do profissional com as categorias de base por parte de quem deveria se preocupar seriamente com isso, que são Duda e Meira.

Parece que a única preocupação é desonerar a área da Azenha para a OAS, ao invés de trabalhar em paralelo em todas as frentes das quais o clube necessita para fazer caixa. Aliás, diga-se de passagem, com o ótimo faturamento que nós temos, independentemente das dívidas, se for determinado um certo foco, poderíamos ser bem-sucedidos na base com muita frequência.

Silas é quase um neófito: ele muda de esquema a todo instante quando jogo aperta. Utiliza-se de expedientes que não foram devidamente treinados durante a semana e só trabalha com as categorias de base para eventuais e inúteis treinamentos em algunas segundas-feiras após a rodada do fim de semana – e apenas junto àqueles que não jogaram. Isso é insuficiente para aclimatar, para entrosar e para manter a continuidade no processo de amadurecimento dos guris.

Para um melhor equilíbrio, em quase todo o mundo não-faceiro e não-retranqueiro, utiliza-se o 4-4-2 com variações em função da comparação entre as características do próximo adversário e a do próprio plantel disponível.

No momento em que se contrata um técnico com grande dificuldade de se expressar (que, aos poucos, reconheço que tem se esforçado pra aprender e parece estar sendo bem assessorado nesse sentido), com um discurso cujo prazo de validade tende a vencer rapidamente (excesso de palavras de ordem e motivação religiosa cansam aos boleiros que, em poucos meses, passam a considerar esse discurso como praxe e entram mais frios em campo) e que possui o hábito de querer variar do 3-5-2 “chama-derrota” para o 4-4-2 losango, para o 4-4-2 em linha e para o 4-5-1 na mesma partida, é sinal de que nem ele e nem o seu auxiliar realmente estudaram o adversário ou conhecem pra valer o grupo que possuem em mãos.

Sem um comando devidamente especializado, passamos a perder em relevância.

FICA, ROSPIDE!

Fonte: Terra Networks Brasil

Fonte: Terra Networks Brasil

Sinceramente, não estou interessado em saber se os dirigentes do Grêmio possuem restrições à personalidade ou ao jeito de Marcelo Rospide se expressar. Também não quero saber se eles consideram um profissional gremista com 15 anos de casa suficientemente maduro ou não – segundo critérios bem subjetivos…

…Enfim, dada a negativa de Adílson Batista; o exagero na pedida de Dorival Júnior; a forte possibilidade de Silas tornar seu vestiário um antro de cordeirinhos pseudoevangélicos; a impossibilidade de se contratar um técnico verdadeiramente vitorioso e renomado e as notícias que dão conta de que o diretor de futebol Luiz Onofre Meira estaria tentando nomes inexpressivos como Nelsinho Baptista e Vadão, não nos resta outra alternativa que não a de apostar em nosso interino de excelente desempenho sempre que chamado.

Antes que voltem a aventar a possibilidade de Renato Portaluppi, façam-me o favor: ele não é técnico e é mercenário: c/pouca experiência e s/admitir trabalhar fora do RJ ou do Grêmio, não levanta a bunda da cadeira por menos de 300 paus. Além disso, foi o único ex-atleta que cobrou cachê em “1983: O Ano Azul”. Deixem sua craqueza histórica e a sua simpática fanfarronice permanecerem no imaginário da torcida como valores positivos.

Em plantéis movediços por causa dos euros do exterior e da monstruosa dívida, não há espaço para quem possui apenas um discurso motivador ou um discurso meramente tático. Não é preciso ser acadêmico, mas também não pode ser um mero ex-boleiro puro. E o técnico não pode ser uma estrela maior do que os jogadores.

No Twitter, sempre que falar em futebol, encerre seus comentários digitando #forameira e #ficarospide

O GRÊMIO AGORA TEM UM PROJETO DE CLUBE

O dono da melhor campanha da Libertadores finalmente possui um técnico com T maiúsculo: rodeado de expectativas, o tão esperado Paulo Autuori foi bastante exposto na mídia local durante a sua primeira semana de trabalho. Em uma série de entrevistas, C=confirmou ser um homem altamente capacitado devido à sua inteligência privilegiada, à sua educação e à sua articulação incomuns no mundo do futebol. Um homem maduro, preparado, meticuloso e muito franco. Sério, mas avesso a polêmicas. Altamente observador, é dono de um currículo internacional superior ao dos decantados Felipão, Luxemburgo e Muricy.

Muito mais do que o passado vitorioso (campeão brasileiro de 1995 pelo Botafogo, Mineiro e da Libertadores de 1997 pelo Cruzeiro e da Libertadores e Mundial pelo São Paulo em 2005), trata-se de um nome que virou referência. Ele é objetivo e não é chorão: impõe-se por meio de suas idéias e concepções, que apontam sempre para alguém decidido, convicto e que assume todas as suas responsabilidades.

Autuori é o grande investimento da gestão Duda Kroeff. O fato de termos de volta ao país um técnico de ponta que passou quase três anos e meio recebendo muito dinheiro no Japão e no Catar demonstra por si só que não queremos falso marketing, picaretagem e nem tampouco indefinições. O reforço do técnico é um passo à frente na história do clube, que pretende se destacar por um padrão claro de jogo e de fomação de atletas.

A implantação de uma nova metodologia de trabalho poderá ser capaz de elevar a estrutura do clube a um patamar mais alto, independentemente dos títulos – ou da falta de – neste ano de 2009. Porém, apesar da necessidade imediata de estabelecer uma mecânica de jogo confiável e compatível com as características dos atletas que nós temos, a crença em uma nova mentalidade dentro e fora das quatro linhas é sempre um projeto de longo prazo.

De qualquer forma, o primeiro passo está dado: parabéns ao presidente Duda Kroeff, ao vice de futebol André Krieger, ao diretor de futebol Luiz Onofre Meira e ao gerente de futebol Mauro Galvão, que apostaram pesado em uma linha de pensamento que possui alguns vetores, sim, mas que, no fundo, visa tornar o clube independente de nomes, de personas, de marcas e de egos.

Discreção, ousadia, responsabilidade e risco calculado são termos que põem por terra a ignorância, a sorte, a choradeira, a insegurança e, acima de tudo, a enganação.

O futebol contemporâneo é grande demais para admitir incompetência administrativa, truculência, demagogia e falta de coragem. Depois de bastante desconfiança e um certo princípio de decepção, embora não tenha como concordar com tudo o que é decidido ou realizado dentro do Grêmio, posso dizer que a gestão Duda será lembrada por tentativas inteligentes que, mesmo que não acabem surtindo o resultado esperado, terão valido a pena.

Lembro da coragem de Pedro Paulo Zachia que, após um tremendo insucesso, disse que “O Inter muda não mudando.” Logo depois, Fernando Miranda, eleito para tornar o tradicional adversário novamente digno de crédito na praça, iniciou todo o processo que culminou na grandeza que aquele outro grande clube do sul do Brasil ostenta hoje em dia.

Quando um objetivo é traçado por estratégias claras, tudo o que se quer é um crescimento sustentado:  a progressão contínua organizada a partir de um eixo que deve ser aplicado tanto pela facção A como pela facção B sob a batuta do presidente X ou do presidente Y oportuniza uma maior sabedoria.

Sabedoria? Sim, senhor: o que queremos é diminuir a margem de erro nas contratações de técnicos e jogadores. Queremos evitar gastos e lucrar com os investimentos. Talento e inteligência são bens tão raros quanto essenciais a qualquer organização.

Talento e organização acompanham a antevisão: quem enxerga antes e à frente sabe que, mesmo diante de uma infinidade de obstáculos, o que importa é ter um caminho a seguir. Porque, quando não se tem um objetivo, qualquer caminho serve. Quando qualquer caminho serve, definitivamente, não se chega a lugar nenhum.

Lamento muito que a assessoria de imprensa e a disposição pessoal da diretoria não deixe claro ao associado, à imprensa e a uma parcela importante do Conselho Deliberativo que tudo o que eu percebi durante esta primeira semana de trabalho precise ser explicada. Vir a público para anunciar tais deliberações tranquilizaria a torcida e aumentaria a respeitabilidade do Grêmio perante todo o universo futebolístico mundial.