POR QUE A ESQUERDA NÃO MUDA O MUNDO I

Este post é para todos. Mas, em especial, responde o excelente comentário que o VALDIR DALLA MARTA do blog TIMBLINDIM da belíssima CAMPO GRANDE (MS) fez há dois posts atrás.

Os leitores e os blogueiros que me dão o prazer, a amizade, o carinho e a honra de compartilhar comigo momentos de troca de informação, de inteligência e de solidariedade através de participações mútuas nos blogs de um e de outro e em alguns encontros presenciais (que, se dependessem de mim, seriam muito mais frequentes do que têm sido) estão cansados de saber que eu vivo insistindo na condição sine qua non de que a esquerda aprenda a trabalhar sem liderança centralizada e sem almejar tomar o poder político e coercitivo. O único poder possível de ser conquistado a partir das ferramentas que nos são disponibilizadas (mesmo assim, a duras penas) é o simbólico: no momento em que a sociedade amadurecer o suficiente a ponto de rever seus valores e seus conceitos para um mundo mais sustentável e mais tolerante, a tendência à alternância no poder político ora aumentar a miséria da esmagadora maioria e enriquecer estupidamente a raríssimos outros, ora inverter a hegemonia entre dois grupos de privilegiados semiantagônicos certamente diminuirá exponencialmente.

Sou um singelo iniciante na leitura e na interpretação (ainda um tanto pobre, admito) da obra de sociólogos e de filósofos clássicos cujas análises sociais, econômicas e políticas seguem valendo até hoje, dois ou três séculos depois daquilo que escreveram. Preciso aprofundar-me muito neles. Mas foi pra isso que serviu o mestrado: pra começar a ler e pra usar as teorias como muletas para justificar a ocorrência ou não de alguns insights que surgem a partir da observação de um determinado objeto empírico durante a pesquisa. Mais adiante, no doutorado, obviamente, meu discurso tornar-se-á muito mais sofisticado e eu deixarei de ser um mané, capacitando-me a inovar e a produzir conhecimento relevante para a sociedade.

Vou falar um pouco mais sobre uma maneira de resistir baseada na emergência e na articulação descentralizada e em rede que considero mais eficiente e adequada de ser posta em prática no atual contexto mundial.

Os livros IMPÉRIO e MULTIDÃO de ANTONIO NEGRI e MICHAEL HARDT obviamente são  passíveis de infinitas interpretações diferentes. Todos têm o direito de concordar e de discordar parcial ou integralmente com as idéias desses dois filósofos (o primeiro, italiano; o segundo, estadounidense). No caso, encontrei uma forma de discordar contraproducente, desinformada, desatualizada e limitada em relação à correlação de forças atual. E é sobre isso que eu quero falar.

Tais críticos defendem sempre a mesma maneira de resistir e de fazer o socialismo, além de crerem que as características daqueles que compõem tanto a classe privilegiada como a classe subordinada são quase imutáveis. Ora, se existe um pensamento em que a luta de classes ocorre sempre entre os mesmos entes de características sociais praticamente imutáveis, é sinal de que este pensamento não leva em conta o contexto sócio-econômico-político-cultural de cada período histórico como deveria. Estamos, pois, diante de uma significativa falta de capacidade de PROPOR algo DIFERENTE e TRANSFORMADOR a partir dessa crítica.

Pois bem: na crítica do link acima, entendo que a obra não foi devidamente interpretada como os autores esperavam que fosse. O pior dessa crítica é a sua ignorância em relação a uma série de ressalvas que NEGRI e HARDT fazem ao longo do livro: ao contrário do que diz o crítico em questão, Negri e Hardt NUNCA ignoraram ou minimizaram o papel das classes subalternas. Eles tão-somente constataram que a classe subjugada de hoje precisa utilizar novas formas de resistência compatíveis com as novas formas de dominação do império. Portanto, práticas antigas só oferecem capacidade de reação e de transformação quando confrontam práticas hegemônicas correspondentes em articulação financeira, social e tecnológica.

A esquerda leva laço porque não procura obter a bomba atômica, enquanto acha essa arma desleal e segue tentando vencer usando arco e flecha. É essa a comparação grosseira possível de fazer para explicar em outras palavras. Só que, ao possuir a bomba, não pode nem detoná-la, nem permitir que o império a detone. O fato de possuir a mesma arma serve para TENSIONAR e PREOCUPAR o outro lado. Quem não possui um adversário competente, não fica tenso nem preocupado. Não passa trabalho pra se impor e ainda pode dar-se o luxo de errar feio mas seguir “nas cabeças”.

Outro detalhe importantíssimo desse trabalho dos filósofos italiano e estadounidense nos leva à constatação de que essa classe subalterna não é mais predominantemente composta por trabalhadores rurais e, menos ainda, por operários: ela vive nas grandes cidades, com média de cerca de 80% da população  URBANA em quase todos os países do mundo. Logo, os filhos de operários da primeira metade do século XX que foram estudantes de classe média na época da ditadura militar hoje possuem filhos e netos que vivem uma realidade totalmente alheia àquela, pois não enxergam nem naquilo em que acreditam e menos ainda naquilo em que não acreditam o mundo de seus pais, avós e bisavós.

Vamos ver se consigo me fazer entender: as dificuldades emocionais, financeiras, de se manter no emprego, de como aproveitar o tempo livre e de como adquirir conhecimento e melhorar de vida almejando um mundo mais justo e mais solidário da classe operária pouco tem a ver com essas mesmas questões levantadas por um jovem que só não usa a internet como banheiro, cama, amante, bola, motor e avião porque não pode. É preciso entender que ele não é ignorante, alienado ou desinteligente: ele quer fazer política, desde que essa forma de fazer política e de trabalhar por um mundo melhor apresente a linguagem, a estética e uma forma de mobilização que ELES SEJAM CAPAZES DE ENTENDER.

Além do lixo da LEI AZEREDO e do ridículo TSE, o fato de a esquerda partidarizada e operária predominar em uma sociedade totalmente diferente daquela que originou a sua formação política não é um atraso nem tampouco um choque de gerações, mas significa um HIATO que impediu que o latim de uns e o provençal de outros resultasse em um francês comum a todos.

É esse gap que precisa ser superado para voltarmos a ter um papel transformador.

APROVEITEM AS BRECHAS DA MÍDIA

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Acho importantíssimo que a esquerda entenda que a RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA (MULTIDÃO, NEGRI e HARDT 2005) representa uma forma de ativismo cujo objetivo é abalar as estruturas do poder sem nenhuma ambição, interesse e nem sequer tentativa de tomá-lo de quem está lá.

A REDE SOCIAL estabelecida a partir da hiperexposição midiática de um fato que EMERGE do nada sem que a mídia corporativa possa deter o controle sobre AÇÕES INDIVIDUAIS, INDEPENDENTES, SISTEMÁTICAS e PONTUAIS pode significar que A SOMA DAS PARTES SEJA MAIOR DO QUE O TODO.

É difícil entender, pra quem baseia seus valores e suas esperanças em uma leitura equivocada do marxismo, que conceitos como povo, classe operária e proletariado são econômica e socialmente irrelevantes para a classe média urbana, que está aumentando de tamanho consideravelmente no BRASIL.

Uma classe média crescente resulta em um expressivo desenvolvimento da qualidade de vida através do investimento público, privado, coletivo e individual em educação, saúde, transporte, vestuário, alimentação, infra-estrutura, tecnologia e turismo. Todavia, uma classe média crescente inevitavelmente resulta em consumismo e em conservadorismo.

O vídeo acima, que assisti em um post do meu amigo RODRIGO CARDIA no CÃO UIVADOR, mostra um singelo exemplo de atitudes que se, por um lado, parecem bobas, irrelevantes ou ‘insanas’, na verdade possuem um potencial de espraiamento imensurável se houver o uso consciente e articulado das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação).

O desconhecimento do conceito de EMERGÊNCIA (JOHNSON) impede que as pessoas saibam que ela significa UM MOVIMENTO DE NÍVEL BAIXO QUE EXPLODE NO NÍVEL MAIS ALTO de qualquer cadeia relacional.

Num festival de música televisionado pela GLOBO, durante uma entrevista AO VIVO (tem que ser ao vivo pra não poder cortar – eis aí o movimento do nível mais baixo consolidando sua entrada no nível mais alto), apareceu um carinha defronte à câmera com um boné BRIZOLA 12.

O show foi em 2000. É uma grande pena que a temporalidade desse evento não tenha sido a mesma do DIREITO DE RESPOSTA de BRIZOLA lido por CIDO MOREIRA em pleno JORNAL NACIONAL, ocorrido em 1994.

Hoje, em 2009, graças à blogosfera e aos canais de mídia alternativa da rede (confere meus links na coluna JORNALISMO à direita), isso poderia dar um BAFAFÁ ÚTIL e TRANSFORMADOR, mesmo que fosse em pequena escala.

No próximo post, um sugestão de emergência e de resistência pós-moderna para o MST.

COMUNICAÇÃO MEDIADA POR COMPUTADOR = RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA

Segundo post do DIÁRIO GAUCHE e breve opinião minha no post logo abaixo deste, penso que o BONECO DE VENTRÍLOQUO tem mais chances. Afinal de contas, ninguém nunca falou mal de seu governo (bem mais protegido do que o do POETA e muito menos descalabroso do que DEDO PODRE, PRIVATIZADOR MALUCO e RAINHA DAS PANTALHAS).

O POETA é, ainda, uma reserva técnica – ou, melhor, um é a reserva técnica do outro. Não vejo como a escolha principal dos NEOCONS BOVINÓIDES não ser por um dos dois. Os financiadores, patrocinadores e parceiros em geral da mídia corporativa (não é só a RBS; além disso, quem não quer, sequer a acompanha ou acredita nela, mesmo sendo de direita – cada vez mais as pessoas têm menos tempo pra ler jornal e assistir TV e preferem ouvir músicas do que notícias no rádio) decidirão qual dos dois será o seu homem a tempo.

Ontem, assisti à seção da CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE relacionada à votação ou não do PROJETO PONTAL DO ESTALEIRO. Chego à conclusão de que, independentemente da persona com a qual simpatize ou confie e do partido ao qual pertença, tanto o eleitor quanto o parlamentar da nossa capital são politicamente AUTISTAS, segundo a péssima impressão deixada por A, B e, acima de tudo, por C e D.

Percebi que cada um deles, independentemente de trabalhar para interesses econômicos poderosos e excludentes ou pelo bem sincero de uma determinada comunidade, possui deficiências técnicas, intelectuais e, em vários casos, até mesmo déficit de raciocínio lógico e de sensibilidade.

A verba de gabinete mantida por nossos impostos DEVERIA ser utilizada por cada vereador, deputado estadual, federal ou senador de forma que cada um deles contasse com um especialista jurídico, contábil/tributário/econômico, psicológico, médico, urbanístico, ecológico, educacional, artístico e esportivo, de forma que toda e qualquer votação pudesse ser devidamente racionalizada para que seu resultado nos poupasse tempo, dinheiro e, sobretudo, resolvesse de maneira honesta, ética, transparente e com qualidade os problemas prioritários para aqueles que mais precisam de soluções imediatas e definitivas.

Partido nenhum e a persona de qualquer político resolvem quase nada na sociedade. Enquanto a esquerda não aceitar o fato de que é preciso mais do que ser companheiro (deve ser TECNICAMENTE QUALIFICADO) e que deve-se saber dialogar com as forças antagônicas sem vender-se, sem ser convencido mas tampouco repudiá-las, a política partidária perde todo o seu sentido.

A chamada classe operária que foi base do bom PT não é nada significativa na atual sociedade de fluxos, serviços e bens imateriais.

O PTB tomou o lugar do PT como partido comunitário em regiões da CAPITAL BOVINÓIDE e do BOVINÃO nas quais o PT deixou muitos furos quando administrou, depois de dois mandatos e meio de um bom trabalho.

O PT está-se pedetizando (bagaceirando-se e dinossaurando-se) agora para, mais adiante, peemedebecizar-se (virar um saco de gatos no qual todos querem parecer pardos). Isso certamente irá acontecer com o PSOL e com o PSTU, assim como o PC DO B e o PSB já haviam feito anteriormente.

Em função desse quadro estritamente porto-alegrense, não dá mesmo pra lutar diretamente por causas macro, nem tampouco confiar em coerência partidária nem tampouco na defesa incondicional de interesses comuns aos da maioria da população sendo esta multicultural, multifacetada e dotada de alguns interesses comuns, porém não necessariamente todos em relação a toda a cidade.

RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA = FORMA CONTEMPORÂNEA DE COMBATER O IMPÉRIO TRANSNACIONAL COM AS MESMAS ARMAS DAS QUAIS O OPONENTE DISPÕE.

Enquanto os militantes de esquerda mais racionais e mais conscientes não se derem conta de que é muito mais eficiente na atualidade reivindicar por demandas PONTUAIS, PEQUENAS, COMUNITÁRIAS com força e com conhecimento de causa; investigar a diferença entre o que cada um dos entes políticos, econômicos e sociais envolvidos em uma  determinada causa dizem e fazem procurando por maiores informações sobre eles através de sites de redes sociais, comunidades virtuais, associações, sindicatos e entidades da sociedade civil organizada as quais pertencem e postarem tudo aquilo que for devidamente comprovado e que não atentar contra a honra de ninguém em blogs, a sociedade não irá caminhar rumo a um desenvolvimento sustentável e transparente.

Questões do macroambiente e intenções de obter o poder ao invés de fiscalizá-lo e de contestá-lo sempre que necessário devem ser substituídas pela necessidade premente de aproximar o espaço público que detém a hegemonia do debate político contemporâneo (os produtos midiáticos) daquele espaço público verdadeiramente comum e democraticamente reconhecido por lei e pouco praticado pela cidadania desvinculada de vícios partidários ou sindicais que é o da praça, da rua e do parlamento. O que funciona melhor é o conceito COMO PEQUENAS COISAS PODEM FAZER UMA GRANDE DIFERENÇA.

É preciso utilizar as armas que as TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) disponibilizam tanto para a direita quanto para a esquerda – ainda cética, despreparada e incompetente no BRASIL, pois permanece com um pensamento militante da década de 1960.

Vocês não têm idéia da gigantesca capacidade de mobilização apolítica, impessoal e da diversidade de opiniões e de sugestões que brotam através de espaços ou ambientes de conversação e de debate proporcionados por comunidades no ORKUT; informações breves e urgentes + links no TWITTER; listas de discussão por E-MAIL; diálogos longos em mensageiros instantâneos como MICROSOFT MESSENGER (MSN), ef="http://www.skype.com/">SKYPE ou ICHAT; dialogos curtos em sites como o PLURK; e, finalmente, posts, comentários, intercâmbio de links através de COLETIVOS DE BLOGS.

Grandes exemplos de mídia alternativa global, descentralizada e barata como o THE REAL NEWS NETWORK e alternativas de empoderamento de pequenas comunidades com demandas pontuais espalhadas pelo mundo estão em GLOBAL VOICES ONLINE. São estas as referências que devemos seguir.

O movimento estudantil e os sindicatos fazem um uso ainda muito imaturo, sem estratégia nem articulação social e política suficientemente capazes de estabelecer uma rede de quantidade de participantes, volume e qualidade de informação suficientemente capilarizados a ponto de derrubar senadores e candidatos a ministros da SUPREMA CORTE, tal como ocorreu nos EUA em 2004 e foi relatado no livro BLOG, do jornalista e blogueiro estado-unidense HUGH HEWITT.

Enfim… Se há uma forma extremamente eficiente e atual de se discutir em ambientes mediados e de realizar atos públicos volumosos, esta depende muito da participação online e do uso freqüente e criativo das ferramentas que citei neste post.

ESQUERDA DE PORTO ALEGRE, REFLITA


A defesa incondicional, acrítica, tendenciosa e desinformada do PT, de LULA e das ações de esquerda baseadas em dicotomias não possui mais o menor sentido.

Dada a enorme dificuldade em vários militantes de partidos e de sindicatos acostumados a enxergar a atividade de esquerda como dependente e idólatra desse modelo ineficiente para o contexto social contemporâneo nas respostas ao excelente post do DIÁRIO GAUCHE do CRISTÓVÃO FEIL ou eu precisemos desenhar para que as pessoas entendam o que nosso amigo blogueiro e sociólogo quis dizer na sua fala, vou tentar dizer mais ou menos o mesmo, só que de uma forma diferente. ;)

1) O mundo está fragmentado e não bipolarizado: não existe mais um povo uno, uma massa uniforme mas, sim, uma MULTIDÃO (NEGRI e HARDT), que se une tão-somente quando lhe interessa atingir determinadas demandas bem pontuais e não municipais, estaduais, nacionais, continentais ou mundiais. Isso significa que pessoas de diferentes profissões, classes sociais, culturas e nacionalidades se juntam apenas quando elas querem, sem nenhuma espécie de filiação, de liderança vertical ou de vínculo político ou ideológico permanente: solucionou o problema? Dispersa! Na emergência de alguma outra demanda pontual, vai haver outros grupos multitudinários diferentes, com alguns indivíduos que participaram de um determinado movimento e outros de outros. É por isso que não dá pra partidarizar, sindicalizar ou ideologizar;

2) As pessoas vivem em REDES SOCIAIS e não isoladas em grupos estanques. Todos os grupos possuem laços que os ligam a todos os outros, mesmo quando discordam deles. Não dá pra pensar em não querer dialogar nem debater com A ou B porque eu penso C. Afinal de contas, A e B podem precisar de mim e eu mais ainda deles na solução de pendengas em comum;

3) Nos grandes centros urbanos, o que menos se tem são “operários”. E a figura do “proletário” não existe mais: serviços e o comércio de bens imateriais oferecem muito mais oportunidades do que a indústria;

4) Fora consultoria jurídica e, em alguns raros e honrosos casos como o do Sindicato dos Engenheiros do RS, que proporciona UNIMED por metade do preço a seus filiados, existe tanto oportunismo, desvio de dinheiro, má gestão, nepotismo e politicagem como em qualquer partido, empresa ou repartição pública. Os sindicatos pedem emprego quando deveriam financiar cursos de empreendedorismo, gestão, noções de direito tributário, recursos humanos e, finalmente, parcerias com os 5S, a fim de evitar que seus filiados permaneçam como “empregados”, “funcionários”, “proletários”. Isso se chama oportunismo, ignorância e preconceito contra ciências como Economia e Administração (coisa de ‘capitalista’ ou de ‘burguês’);

5) O uso da mídia corporativa, o excesso de individualismo, o consumismo e os interesses de quem patrocina essa mídia (latifundiários, grandes industriais, políticos, banqueiros e multinacionais) significam o INTERESSE em despolitizar as questões. Contudo, as pessoas fazem PRODUÇÃO BIOPOLÍTICA ao denunciarem questões como a da GONÇALO DE CARVALHO, do PONTAL DO ESTALEIRO, da ARENA DO GRÊMIO e da VILA SÃO JUDAS TADEU;

6) A esquerda não sabe usar a internet e insiste em dar murro em ponta de faca: a população como um todo está CAGANDO para estudantes, professores, bancários, sindicalistas, sem-terra e assim por diante. Manifestações em espaço público urbano só podem funcionar quando setores de fora dos partidos, dos sindicatos e dos próprios cidadãos prejudicados souberem atrair outros setores da sociedade para dar volume às suas demandas. Sozinhos, nunca conseguirão nada, pois só pensam em confronto e na diferença ao invés de pensarem em parcerias e nos pontos em comum.

Portanto:

- Pra que depender do Estado?!

- Pra que depender da Igreja?!

- Pra que depender dos partidos?!

- Por que depender da boa vontade de quem estiver disposto a dar um peixe ao invés de sentir que assim como está não pode ficar, levantar a bunda da cadeira e procurar ajuda de quem pode ensinar a pescar?!

- Por que confiar e se iludir com esse sistema representativo absurdo?!

Graças a tudo isso, a direita e os cidadãos não-politizados de classe média e alta envolvidos com ONGs + VOLUNTARIADO fazem muito mais do que os governos de esquerda em relação a demandas pontuais e serão muito mais lembrados pelas comunidades as quais ajudam do que qualquer político.

A ESQUERDA PARTIDÁRIA E SINDICAL PORTO-ALEGRENSE TORNOU-SE TÃO CARETA, CARRANCUDA, CONSERVADORA, TENDENCIOSA, OPORTUNISTA E PRECONCEITUOSA COMO O PIG E A DIREITA.

ESQUERDA SE FAZ COM ALEGRIA. ESQUERDA SE FAZ SEM PARTIDOS. ESQUERDA SE FAZ ACEITANDO A PARTICIPAÇÃO DE QUALQUER UM EM TORNO DA MESMA CAUSA.

A ESQUERDA DEVE FISCALIZAR, PROPOR, ACOMPANHAR E FAZER, DE MANEIRA DESINSTITUCIONALIZADA.

SEJAM CIBERATIVISTAS. DO CONTRÁRIO, PERDERÃO NÃO APENAS OS ANÉIS E OS DEDOS, MAS AS MÃOS E OS PÉS.

QUEM NÃO APRENDER A PENSAR ASSIM, QUE SE JOGUE DA COBERTURA…

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APRENDIZADOS DE CAMPANHA PARA O PT-POA

Infelizmente, há nuances político-eleitoreiras que são negligenciadas até mesmo pelas raras pessoas esclarecidas, críticas e socialmente conscientes. Vamos a elas:

1) A mídia corporativa não possui necessariamente o poder que a ela se atribui: caso contrário, não teria havido nenhuma espécie de contestação à administração atual. Portanto, todos os votos não-dados a Fogaça (ou seja, mais da metade dos votos válidos foram destinados a todos os demais candidatos) significam insatisfação – mesmo que seja uma insatisfação predominantemente despolitizada;

2) Tecnicamente, o senso comum confunde marketing, propaganda e publicidade, mas são três técnicas distintas. Ei-las:

- O marketing é um arranjo entre quatro variáveis: produto, preço, escolha dos pontos-de-venda e promoção. Essas quatro variáveis, conhecidas como os 4 P’s (em inglês: product, price, place e promotion), dependem de produção, transporte e transformação material ou produção de um bem intangível como, por exemplo, um site de comércio eletrônico. Portanto, a comunicação (publicidade E/OU propaganda; assessoria de imprensa e relações públicas) é apenas uma parte dentro do composto promocional. Portanto, não existe marketing político;

- Propaganda é a promoção de um produto ou idéia de cunho político-ideológico. Portanto, uma campanha para a Rosário é propaganda, assim como contra o porte de armas ou a favor do presidencialismo. Mas a aparição midiática sob uma linguagem persuasiva, normativa e/ou envolta em um determinado juízo de valores de uma bicicleta, de um perfume ou de um automóvel não são propaganda;

- Finalmente, a publicidade é a promoção de um bem (seja ele simbólico ou material) que precisa ser apresentado e consumido: pacote de viagens, bola de futebol, apartamento, conta bancária, etc. são publicidade e não propaganda.
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Atualmente, a sociedade midiatizada, isto é, a sociedade na qual cerca de 80% de tudo o que se discute é produto de mediações (história premeditadamente editada) e remidiações (atravessamentos entre pautas semelhantes ou contrárias em todos os meios de comunicação), não dá valor nem importância à ágora pública (praças, parques, avenidas). E, sendo predominantemente consumista, pouco letrada e de classe média, não adianta forçar a barra pra tentar “conscientizá-la” acerca do seu papel social, “instruí-la” ou “educá-la” sobre política, cidadania, sociologia, filosofia, psicologia ou pedagogia de maneira informal através de explicações longas. Da mesma forma, é um erro crasso querer impor que a maioria dessas pessoas tenham de crer no discurso de um partido qualquer.

Hoje em dia, os partidos não têm mais cara e todo candidato é um produto. Os pobres, vítimas de racismo, sexismo, maior probabilidade de doenças, subnutrição, ignorância e todo tipo de violência, não são mais a classe operária de Marx, nem tampouco o “povo”: as pessoas podem até se unir em torno de uma causa em comum. Porém, não é por terem-se unido em torno de um determinado objetivo neste instante que terão que unir-se e defender as mesmas demandas sempre, já que não há mais um “povo” uno e nem uma “massa” facilmente manobrável: a sociedade atual é composta por uma MULTIDÃO que não é homogênea e não precisa fazer parte de um determinado grupo classista – é a causa que gera a união e não uma crença e práticas individuais predominantemente comuns, já que todos são diferentes.

Portanto, o desafio é reivindicar por transformações radicais nas leis que regem o sistema político-partidário-eleitoral, as prestações de contas da campanha e repensar o papel da cidadania política separada dos partidos. A falta de consciência a respeito de todos esses fatos fez o PT porto-alegrense parar no tempo em que a sua base militante ainda era formada por uma grande parcela da população representada por operários da indústria e por funcionários públicos moradores da periferia.

Atualmente, os filhos e netos dos operários, dos funcionários públicos e da pequena parcela da classe média que lutou contra a ditadura militar e fez política há 30, 40 ou 50 anos atrás não são mais pobres e compõem a maioria da população da capital sul-riograndense. Distantes do ensino público de qualidade e completamente dissociados da história do país, não possuem a menor identificação com os valores políticos e sociais nos quais seus pais e avós acreditam – ou acreditavam.

A classe média é predominantemente conservadora, pois quer preservar o pouco que possui e almeja ser como os figurões que encontram nos cadernos de “variedades” dos jornais, em revistas de fofocas ou através de programas sensacionalistas de rádio, televisão e portais da internet.

Apesar desse quadro, a esquerda precisa aceitar vender seus candidatos como mercadorias ao mesmo tempo em que deva esmerar-se tecnicamente para saber apresentar suas idéias e suas realizações confrontando as falhas dos seus oponentes com dinamismo, velocidade e sem confrontos contraproducentes.

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