MÍDIA BRASILEIRA: A MAIS ALARMISTA DO MUNDO?

GABRIELA GUIMARÃES, filha do presidente e fundador do MOVIMENTO DOS SEM-MÍDIA, o consultor internacional de autopeças EDUARDO GUIMARÃES, confirma que a mídia corporativa brasileira pode ser uma das mais alarmistas do mundo em relação à crise econômica mundial.

Em um país com uma quantidade acima da média de políticos, funcionários públicos corruptos e empresários lobistas e especuladores, prevalecem a subserviência e a idolatria ao modelo de capitalismo preconizado pelos EUA.

Minha filha Gabriela só foi me dar razão sobre o alarmismo da mídia brasileira agora que está na Austrália, e meus outros contatos no exterior me relataram o mesmo que ela. Todas essas impressões me fizeram crer que, proporcionalmente, em nenhum outro lugar do mundo se vê bombardeio de más notícias nos meios de comunicação igual ao que há neste país.

LEIA ARTIGO COMPLETO AQUI.

EUROEGOÍSMO: MATRIZ CULTURAL BOVINÓIDE

Infelizmente, ainda não tive a honra e o imenso prazer de conhecer pessoalmente a querida MARIA DA GRAÇA M. G. TÜRCK.

Ela é mãe do GUGA e sogra da TÊMIS, os queridos amigos do COLETIVO CATARSE e do blog ALMA DA GERAL, de leitura diária.

Neste momento, creio que a Graça ainda deva estar em férias na Europa, continuando o seu belo registro etnográfico que nos revela que não é à toa que PORTO ALEGRE virou o que virou.

De maneira geral, a visão social, política e econômica conservadora, desinformada, pouco solidária e adepta do discurso do “novo” (não o novo de verdade mas, sim, a retórica do mais do mesmo) que observamos no RS e, mais particularmente, em POA, com desdobramentos noticiados pelo RS URGENTE e criticados pelo DIÁRIO GAUCHE não vem necessariamente do american way of life e do consumismo propagado pela mídia de massa.

Nesse ponto, sofremos com maior intensidade a influência da vertente alemã e italiana da moral judaico-cristã.

Deixo vocês com as palavras da Graça. Tirem suas próprias conclusões…

clipped from graturck.blogspot.com

Londres: “os negros não gostam de trabalhar de dia, são preguiçosos e ficam acordados à noite”. As praças públicas cercadas em bairros de luxo, só quem tem a chave do portão as freqüenta. Por quê? Porque os moradores do bairro as cuidam, pagam, são privatizadas, logo, excludentes.

Paris: empregos subalternos ocupados por estrangeiros de países de 3º mundo. Eles aprendem que neste mundo, se tiverem dinheiro, terão valor. Logo, para consegui-lo, aprendem que têm que enganar, extorquir.

Frankfurt: “eles estão dormindo na rua porque querem. Não querem trabalhar. Começam com drogas e terminam com vinho. O governo lhes dê condições de albergue, mas ficam na rua porque querem”.

Pelo jeito, não se questiona a sociedade de classes. Parece que não existe. Tudo é culpa do sujeito ou das etnias. Logo, pode-se inferir que a Questão Social na Europa se expressa pela alienação, através do preconceito que se viabiliza pela exclusão, muito bem caracterizada nas relações cotidianas.
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MÍDIA + IDEOLOGIA: TENDÊNCIA + HIPOCRISIA

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Normalmente, textos desconstrutivos são chatos e, em muitos casos, incompreensíveis ou polêmicos. Isso ocorre porque, de maneira geral, todo estranhamento e toda a tentativa de enxergar a questão “de fora” permitem que se encontre várias contradições embutidas dentro das instituições e grupos nos  quais todos sem exceção participam na sociedade. Tal processo é doloroso porque todos têm crenças e posicionamentos e desejam ardorosamente conquistar novos adeptos às suas causas. Todo mundo (inclusive eu e quem pensa como eu) é incoerente, preconceituoso, ardiloso e mesquinho quanto quem pensa die maneira diametralmente oposta. E, eventualmente, podemos até estar do mesmo lado em determinadas questões.

Eu acredito que QUALQUER mídia (grande ou pequena, de massa ou não, declaradamente ou não de esquerda ou de direita) vive da seguinte equação:

Economia + política + ideologia + técnica = agenda + pauta + estilo (criados e definidos por alguém que possui determinadas crenças para um público que compartilha dessas crenças).

Todos, sem exceção, revelam parcialmente, omitem, distorcem e precisam vender a (des)informação que influencia e é influenciada tanto por esse público que crê no veículo em questão como pelos patrocinadores e acionistas que mantêm esse negócio.

Se o mundo econômico fosse predominantemente socialista, comunista, anarquista, monarquista ou sei lá o que, haveria a mesma preocupação que temos como orientados pelas idéias de esquerda clamando por maior democratização dos meios de comunicação e pela validade do diploma de jornalismo mesmo se o agendamento e os mantenedores do sistema midiático fossem de um campo diametralmente oposto.

Neutralidade não existe. A verdade em geral também não, pois a minha verdade não é igual à de mais ninguém, assim como eu vou ter razão total, parcial ou negativa de acordo com quem me lê.

Eu creio que a direita só tem razão em 20% de suas demandas e que a esquerda tem razão em 60%. Tem gente que dá 100% para um lado e 0% para o outro (e vice-versa). Mas essa é uma escolha, um problema, uma virtude ou um defeito meus e daqueles que partilham de grande parte do mesmo pensamento.

Gênios não existem, pois toda unanimidade é burra. E estúpidos ao extremo também não existem, pois a contradição está dentro de cada um de nós.

Enquanto não me apresentarem para outras, seguirei crendo que há apenas duas únicas verdades “verdadeiras”. A primeira é: eu acredito naquilo em que acredito porque é nesses valores em que quero acreditar e não acredito naquilo em que não acredito porque não é nesses valores que quero acreditar.

Ser de esquerda não é ser comunista ou arnarquista e tampouco ser contra o capitalismo: mas é ser contra o neoliberalismo, contra o estado mínimo, contra o consumismo, contra o egoísmo e contra a falta de politização. Também não é necessário, para ser de esquerda e ter o direito à ter sua voz ouvida, sua opinião respeitada e fazer parte de deliberações políticas, econômicas, sociais e afetivas voltadas ao interesse altruísta e coletivo ser partidarizado ou sindicalizado.

Pensar como eu penso não é jogar na lata do lixo pensadores como MARX, GRAMSCI, FOUCAULT, PAULO FREIRE e tantos outros.

Quem disser que não existe política, ideologia, economia, preconceito e disputa de poder em todas as instâncias da vida (até mesmo nos afetos e no altruísmo) tende a acreditar em “bons” e “maus”. Pior: tende a crer que é sempre uma pessoa “boa” e que todo “mal” é justificável porque visa a “bondade” pessoal ou coletiva. Todavia, grande parte dos objetos empíricos dissecados por esses pesquisadores estão relacionados a um determinado contexto social, econômico e cultural que é muito diferente daquele no qual nos encontramos. Dessa forma, considero que a pesquisa das ciências humanas com um viés esquerdista será tão competente quanto a sua capacidade manter-se sob a mesma ideologia criticando e fundamentando teoricamente as contradições e os modelos anteriores com o mesmo conhecimento de causa com que propõe novos modelos relacionados a cada contexto.

Pra terminar, uma provocação: será que muitas pessoas sabem ou querem mesmo saber que precisa ser salvas? Se elas sabem, como é que sabem? E, sabendo que sabem, será que elas querem MESMO ser salvas?

Eu ainda creio que sim. Mas é preciso entender quem não pensa assim. E eu não posso impor nada a quem não estiver sendo receptivo. Dessa forma, me parece que a quantidade de pessoas supostamente manipulada pela mídia de massa neoliberal e oligárquica capaz de abrir os olhos caso tenha acesso a outro tipo de informação seria mínima.

Afinal de contas, quem é que disse que o meu jeito de educar e conscientizar é o jeito pelo qual as pessoas desejam ser educadas ou conscientizadas?!

É por isso que tendemos a nos aproximar de quem possui maiores afinidades conosco. E é por isso que tendemos a acreditar em algumas coisas e a não acreditar em outras: algumas delas nos mobilizarão. Outras, não.

Muito me alivia saber que não sou perfeito, nem coerente, nem santo, nem mocinho: isso faz com que eu me sinta menos hipócrita e ainda mais disposto em crer naquilo em que creio e em fazer aquilo que eu faço.

Se cada um refletisse dessa forma com concentração e seriedade à sua própria maneira, certamente teríamos um mundo melhor.

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OBAMA: CAMPANHA ELEITORAL PÓS-MODERNA

O MARCO WEISSHEIMER publicou hoje no RS URGENTE um post sobre a importância do papel da internet na vitoriosa campanha de OBAMA. Claro que ninguém é obrigado a pesquisar ou a desenvolver estratégias integradas de uso da técnica como os executivos das agências digitais ou analisar os fenômenos de sociabilidade, interatividade e comunicação mediada por computador como faz parte do meu trabalho. Mesmo assim, a esquerda brasileira apenas engatinha em relação ao ativismo social e ao empoderamento dos mais pobres quanto ao uso da blogosfera.

E isso ocorre porque a mentalidade da esquerda é meramente sindical e partidária – duas instâncias que, se permanecerem sendo geridas e legisladas sob o modelo atual, não servirão mais para nada dentro em breve. Aliás, diria que, hoje em dia, já servem muito pouco…

Com mais de 40 milhões de internautas que, em média, são os maiores navegadores do planeta (+de 28h/mês), não dá mais pra dizer que a internet no Brasil é elitista: elitista é a banda larga.

A maioria das escolas públicas e dezenas de telecentros nas maiores cidades brasileiras ensina as pessoas da periferia que, mesmo sem computador em casa, podem acessar em banda larga nas baratas LAN houses (R$2,00 a hora).

O programa de inclusão digital brasileiro é o melhor DO MUNDO (provavelmente uma das conquistas mais significativas do Governo Lula), segundo pesquisadores pagos pelos seus governos e universidades da Europa e dos EUA que passam até um ano percorrendo o Brasil para pesquisar o fenômeno, tais como o doutorando JEREMIAH SPENCE, da UNIVERSITY OF TEXAS, que esteve recentemente na UNISINOS palestrando para alunos e professores da MELHOR graduação em COMUNICAÇÃO DIGITAL (existente desde 2003, coordenada pelo meu grande amigo GUSTAVO FISCHER que, por sinal, está de aniversário hoje) e do PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO.

Porém, leis eleitorais retrógradas, arbitrárias e que modificam-se ou são julgadas pelos ventos que sopram à direita aliadas à desequilibradíssima concentração dos mídias brasileiros – praticamente sem igual no resto do planeta – impedem que se conheça essa realidade de maneira apropriada.

Não são apenas os blogs: é preciso dominar todas as possibilidades de interação mediada por computador como mensageiros instantâneos (tipo GTALK, WINDOWS LIVE MESSENGER, ICHAT, YAHOO! MESSENGER, AOL INSTANT MESSENGER), sites de microblogging (TWITTER) e TORPEDOS SMS. O JEREMIAH apresentou um interessantíssimo gráfico que mostra uma espécie de linha do tempo misturada com árvore genealógica dos diferentes MUNDOS VIRTUAIS (de 2005 a 2010).

Parece tecnofilia ou um excesso de informações e de ferramentas, mas não é: essas são as mesmas armas do império. E não se combate o império com armas incompatíveis com as armas das quais ele dispõe.

A campanha de OBAMA (já falei sobre isso AQUI) rolou quase toda via internet: a importância dos debates e das notícias veiculadas na mídia de massa foi maior para pessoas acima de 60 anos que comunicam-se prioritariamente via telefone e ainda consomem jornais e revistas mais do que o público abaixo de 40 anos.

Obama contou com uma assessoria em COMUNICAÇÃO DIGITAL extremamente antenada e ágil, que utilizou ÁLBUM DE FOTOS NO FLICKR (comunidade de fotógrafos amadores e profissionais do mundo inteiro), PERFIL NO FACEBOOK (uma comunidade virtual que deu mais certo lá do que o ORKUT – cujo sucesso restringe-se basicamente ao BRASIL e à ÍNDIA), PERFIL NO LINKEDIN (comunidade de compartilhamento de currículos profisionais p/indicação de postos de trabalho), PERFIL NO MY SPACE (pequenos sites pessoais da Microsoft) e PERFIL NO TWITTER, entre outras ferramentas.

Escrever bifes não basta. Realizar painéis em escolas, auditórios de igrejas, faculdades, sedes de partidos, sindicatos, entidades patronais, órgãos do governo, hospitais, etc. é interessante: porém, não basta; distribuir panfletos é legal, mas também não basta; dar a cara a tapa para o MENDES defronte ao PIRATINI é contundente pro causa do “bolo”, mas igualmente não basta; clamar pela democratização dos mídias me parece mais importante do que as sugestões anteriores mas, ainda não basta…

…Não é que tais reivindicações não sejam importantes ou que sejam inócuas. Porém, tais demandas por si só, pensadas como os secundaristas e universitários do período da ditadura militar no Brasil faziam, são apenas algumas poucas ferramentas de ATIVISMO e de EMPODERAMENTO, cuja eficiência normalmente só costuma ser significativa quando existe um PENSAMENTO EM REDE cujo objetivo jamais vise tomar o poder e que não pode ter uma liderança centralizadora da informação. Dentre os mais significativos coletivos de ativismo em rede através de MÍDIAS SOCIAIS pelo planeta cito: THE REAL NEWS NETWORK, CHANGE, AVAAZ, INDYMEDIA (e seu correspondente brasileiro chamado MÍDIA INDEPENDENTE).

O que importa é PENSAR E AGIR EM REDE, isto é, organizar a comunicação não mais no arcaico e – este, sim – inócuo modelo emissor-receptor-mensagem mas, sim, pensar em REMIDIAÇÃO (Bolter e Grusin),  MIDIATIZAÇÃO (Eliseo Verón) e no PRODUSER (Axel Bruns). Aliás, dicas interessantes pra quem quiser saber um pouco mais de uma forma não-superficial a respeito dessas questões está no post da querida professora SANDRA MONTARDO, coordenadora do MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO DIGITAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE, que foi extremamente gentil e generosa na minha banca de qualificação.

A rede não é massiva, mas aproxima MILITANTES ANÔNIMOS como qualquer um de nós e FORMADORES DE OPINIÃO que dominam um determinado conhecimento específico e participam intensamente da sociedade civil organizada.

Minha decepção com a esmagadora maioria dos jornalistas, publicitários, médicos, engenheiros, administradores, sociólogos, filósofos, psicólogos, professores e advogados de esquerda reside no fato de que eles  contraditoriamente procedem de maneira resistente e conservadora em relação ao manejo e ao domínio de uma ferramenta como qualquer outra para as quais desenvolveram competências tão banais que, nos casos mais radicais, descamba para a ignorância: parece que a eles basta ter a competência para ler e interpretar nas entrelinhas o que ficou escondido por detrás do discurso midiático através de jornais, revistas, rádios e TVs, mas fogem do manual de instruções ou da orientação de um filho ou de um neto sobre como se usa um videocassete para gravar um programa qualquer…

O ATIVISMO APARTIDÁRIO tem sido muito mais eficiente.

Pra terminar, eis várias opiniões que corroboram o título deste post. Pra quem não lembra, A CAMPANHA ELEITORAL DE BARACK OBAMA FOI A PRIMEIRA CAMPANHA PÓS-MODERNA DO PLANETA:

TIMOTHY MCCARTHY

SMARTMOBS

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Todo o resto é século passado (ou até mesmo retrasado). Mas não é aquele século passado nostálgico, extremamente útil ou universal. E o pós-moderno não é um mero chavão, nem tampouco uma retórica enganadora da direita e da mídia corporativa: é adaptação, é reinvenção, é usar o passado como impulso para o presente e o presente com o passado como uma forma de antever as práticas sociais do futuro.

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COMO ATRAIR A JUVENTUDE PARA A POLÍTICA?

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OUT/2001: revolução via torpedo em MANILA (FILIPINAS)


Saliento novamente que ser de esquerda e ser politizado não significa ser partidarizado ou sindicalizado: essas duas instâncias tradicionais da democracia representativa consagradas pelo modelo republicano têm-me tirado do sério há um bom tempo porque elas precisam ser severa e dramaticamente transformadas a fim de voltarem a fazer sentido inseridas em uma sociedade de fluxos na qual o espaço público é midiatizado e as demandas mais bem-sucedidas são aquelas reivindicadas para o microambiente e realizadas por atores da própria comunidade e também por outros atores solidários à causa que, normalmente, compartilham situação semelhante.

Tais atores não dependem da boa vontade de governos ou megaempresas que enganam a todos com a propaganda da “responsabilidade social”: eles matam a cobra e mostram o pau, literalmente.

Isso significa que o discurso de “não ser contra ninguém mas, sim, a favor da nossa coletividade” exige jovialidade (não de idade, mas de atitude), engajamento e dedicação. Além disso, o ideal seria adotar uma postura jamais de confronto irreconciliável nem tampouco de apoio ou adesão a uma pessoa ou partido, já que a resistência pós-moderna implica também em não querer tomar o poder, questionando-o sistematicamente como se fosse sempre de oposição.

É isso o que atrai a gurizada que não faz parte de DCEs, partidos e sindicatos (que são a esmagadora maioria da população).

Todavia, em situações extremas, mesmo quando o partido ideológica e programaticamente mais encaixado com os nossos valores literalmente se vendeu, é fundamental que se vote nele salientando o constrangimento tácito em relação àquilo que ele deixou de ser enquanto instituição, enquanto símbolo e, sobretudo, aquilo que deixou de ser enquanto identidade.

O meu lado revolucionário, preconceituoso, intolerante, radical, intempestivo e romântico remete a uma realidade que jamais saberei se seria feliz ou infelizmente vivida por mim. É isso o que me faz investir dois anos praticamente sem ganhar dinheiro e sem emprego formal qualificando-me a fim de poder multiplicar esse conhecimento para uma geração que não possui mais nem pais ou avós oriundos da ditadura militar.

A crise partidária e sindical não está só no pensamento único da mídia corporativa e de seus poderosos financiadores e parceiros neoliberais, nem tampouco na inócua briga entre tecnófilos x tecnófobos ou entre administradores x sociólogos: está, sobretudo, no não-reconhecimendo do deslocamento do espaço público – da ágora. Grande parte dos teóricos da esquerda que atuam como intelectuais orgânicos de entidades partidárias e sindicais baseados tão-somente em autores clássicos tendem a crer em despolitização e em esvaziamento ao invés de procurarem inserir-se no espaço público dos meios de comunicação como produtores independentes e marginais com um discurso atual.

Eles estão, portanto, DESENCAIXADOS, pois seus valores identitários remetem à REVOLUÇÃO FRANCESA, ao MAIO DE 1968 e às DITADURAS NA AMÉRICA LATINA. Tais períodos históricos de luta fazem sentido à medida que servem de referência e de exemplo de mobilização e de coragem no enfrentamento ao poder hegemônico.

NEGRI e HARDT vão mais além: dizem que a forma mais eficiente de resistir ao império é utilizar-se das mesmas armas que este império se utiliza para manter-se hegemônico. Portanto, não é combinando com os colegas de trabalho em greve uma manifestação diante do PIRATINI quando a YEDA está no 21º andar do TOBOGÃ que vai fazer com que os transeuntes do Centro se toquem de que aquela manifestação deveria lhes dizer respeito: é como o arco e flecha dos ameríndios contra os mosquetões e canhões dos conquistadores europeus ou como os pilotos KAMIKAZES japoneses em PEARL HARBOR que, ingenuamente, não sabiam que sua ofensiva não faria nem cócegas perto das bombas que o ENOLA GAY despejou covardemente em HIROSHIMA e NAGASAKI.

Independentemente da concentração de veículos midiáticos nas mãos de poucos proprietários, há de se discutir por que diabos a gurizada conseguiu fazer o  então presidente das FILIPINAS JOSEPH ESTRADA SENTAR NA BONEQUINHA (isso mesmo: xô, tchau, sem-vergonha!) em outubro de 2001 reunindo MILHARES vestidos de preto defronte ao palácio do governo em Manila através de uma rede imensurável, descentralizada e auto-organizada através da transmissão de torpedos via celular, com a seguinte mensagem: “GO 2 EDSA WEAR BLACK

No último fim de semana, ocorreu a primeira GRANDE manifestação jovem e politizada em rede, auto-organizada horizontalmente através da blogosfera ativista carioca: saiu até foto e matéria na FOLHA DE S. PAULO!

Isso significa que o PIG não pode esconder, blindar, ignorar ou distorcer a la vonté todo e qualquer foco de resistência às forças que o sustentam, pois movimentos que emergem e pegam o poder coercitivo, o poder jurídico, o poder político e o poder econômico todos com as calças na mão não podem ser ignorados.

Uma forma bastante eficiente de conclamar a gurizada é através da IRONIA e da IRREVERÊNCIA: isso explica o fato de o CQC de MARCELO TAS (uma adaptação brasileira bem-sucedida de uma fórmula que iniciou na ARGENTINA e espalhou-se para a ESPANHA) e de blogs como a NOVA CORJA possuírem uma audiência crescente, atraindo o interesse de pesquisadores da área.

O discurso precisa ser LEVE, gerando INDIGNAÇÃO e ENVOLVIMENTO através da ALEGRIA de ser SOLIDÁRIO, FAZENDO FESTA ENQUANTO COBRA E PROPÕE.

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