PAULA OLIVEIRA, BLOGUEIROS, MÍDIA: IRRESPONSABILIDADE E PARANÓIA

(ATUALIZADO TERÇA-FEIRA 18/02/2008 ÀS 17:30H)

Agora que as informações aparentam ser tão sólidas quanto uma boa apuração dos fatos assim o exige, vou completar esse post com o paradoxo que eu aponto na minha dissertação de mestrado (que disponibilizarei para download com licença Creative Commons assim que defendê-la em março).

Sabe-se que a mídia corporativa, sempre que possível, montará uma estratégia complexa de articulação entre diversos veículos do mesmo grupo e também junto a seus concorrentes. Em uma espécie de trégua momentânea, todos buscarão fazer uso da sua força a fim de defender seus interesses em comum (mas, acima de tudo, defenderão os interesses de seus patrocinadores graúdos).

Por mais que o jornalismo no Brasil feito por essa rede social de fortes relações políticas e econômicas (primeiro, seculares; e, desde a década de 1980, globais) seja predominantemente ruim ética e tecnicamente falando, também se sabe que eles não vão correr o risco de ter sua credibilidade – já bastante abalada – escorrer pelo ralo num passe de mágica. Isso posto, eles não podem ter sempre uma postura belicosa, sensacionalista ou cascateira. Então, mesmo que eles raramente investiguem a tudo e a todos como deveriam e mesmo que eles não prestem o serviço social que o direito à informação que nos é garantido pela Constituição de 1988 em tese os obrigue a prestar, até certo ponto, a paranóia morre aqui.

Por que a paranóia morre aqui? Porque a poeira baixou: agora, o problema é da polícia suíça e da família da moça, com uma assistência discreta do Itamaraty. Digo discreta porque não se trata de um risco à soberania nacional nem de um insulto diplomático mas, sim, de uma espécie de monitoramento do caso, de forma que o trauma da família seja minimizado até onde o papel do governo (que tem mais com o que se preocupar) deva ir.  Todo mundo ainda irá acompanhar alguns desdobramentos, mas o caso já está esfriando, pois a temporalidade dele como iniciador de discussões políticas, sociais e médicas está chegando ao fim. Sinceramente, eu jamais o colocaria em uma retrospectiva de 2009.

Alguém lembra da máxima de Tostines? O texto do simpático comercial da minha adolescência dizia “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Hoje, na era da midiatização (nós somos a mídia; a mídia está em tudo; o que não passa na mídia não existe e o espaço público de congraçamento e de protesto é mediado), o direcionamento é bem mais complexo:

A CREDIBILIDADE DA MÍDIA CORPORATIVA ESTÁ DIMINUINDO PORQUE OS BLOGS INDEPENDENTES FAZEM O QUE A MÍDIA DEVERIA FAZER MAS NÃO FAZ OU A CREDIBILIDADE DOS BLOGS INDEPENDENTES NÃO AUMENTA CONFORME O DESEJADO PORQUE ELES TAMBÉM NÃO FAZEM DIREITO O QUE DIZEM QUE A MÍDIA DEVERIA FAZER?

A crise de quem se acostumou a brincar de Deus cuspindo informação a esmo como se fosse o Big Brother de 1984 é inquestionável. Por outro lado, quem ainda não sabe usar adequadamente a técnica ora acessível que deixou de ser um segredo do jornalismo comercial também passa por uma crise. A crise do boi, que não sabe a força que tem.

O Brasil ainda não obteve grandes resultados políticos e sociais. no uso das TICs. Grandes resultados são aqueles que transformam pelo menos uma pequena dimensão do status quo de uma maneira tão significativa que passam a repercutir globalmente, servindo de exemplo para situações semelhantes existentes em outras culturas. E isso se deve ao fato de que a única referência dos blogs independentes é a própria mídia de massa (hegemônica ou não, competente ou não).

Defino essa falta de resultados consistentes a partir da blogosfera dita independente (sobretudo a de crítica política, econômica e midiática) a partir de uma parábola: se os blogs independentes são como crianças aprendendo a ler que precisam receber as primeiras lições de obrigação, compromisso, responsabilidade e ética e se os blogs são filhos do jornalismo tradicional, se essa criança seguir o exemplo do pai que chega em casa do trabalho e se atira no sofá pra assistir televisão, ela vai ser preguiçosa e não vai ajudar a sua mãe, nem dividir os brinquedos com seus irmãos. Ela só vai aprender depois que começar a conviver com outras crianças na escola.

O que quero dizer com isso? Que, assim como todo mundo tem vergonha de falar sobre sexo com os pais e acaba aprendendo mais sobre o assunto com seus amigos, é preciso ler mais blogs (blogs escritos pela gurizada, não necessariamente sobre política) do que jornais. É preciso twittar mais do que telefonar. É preciso ser menos verborrágico e menos personalista e atolar os posts de links. Mas, acima de tudo, é fundamental citar, mencionar, dar crédito e não apenas replicar o conteúdo publicado em outros blogs ou em sites de notícias: o que for apropriado de terceiros só faz sentido se for devidamente TRANSFORMADO, REVISTO e AMPLIADO para ser COMPARTILHADO.

A mídia de massa precisa da blogosfera independente e vice-versa, tanto como complemento como contraponto. A prova está no fato de que quase tudo o que os blogueiros usam como referência daquilo em que acreditam vem da grande mídia. Além disso, quando o gigantismo da estrutura dos veículos da mídia corporativa os impede de chegarem aos pormenores e aos indícios que só um blogueiro da comunidade ou profundo conhecedor de uma determinada questão bem pontual, também acabam recorrendo às mídias sociais.

Neste caso, os grandes e massivos deixam de dar créditos para os pequenos e colaborativos.

O jornalismo está se transformando rapidamente. Mas a revolução não será feita pelos jornalões, nem pelos contestadores dos jornalões que procedem como os jornalões. Anthony Giddens tem um conceito chamado DESENCAIXE. O que isso significa? Significa aquela sensação de desamparo e de angústia enfrentada por alguém criado sob uma determinada cultura, que fica totalmente perdido em meio a uma mudança de paradigma na sociedade.

___________________

Aumentei este post às 16:20h porque considerei necessário tentar solidificar mais os meus argumentos. Embora não se possa isolar a técnica da prática, pretendo analisar o que disponho até aqui pegando o jornalismo em si – aquele que gostaríamos de ver mais frequentemente na mídia corporativa brasileira.

Por enquanto, achei melhor deixar de lado a opinião e os grafismos (diagramação, edição de fotos, edição de vídeo). Apesar de eu ter uma boa noção prática e teórica de algumas das áreas do conhecimento destinadas à realização de uma análise séria, não posso querer dizer que sou um ganso quando é mais do que visível que eu sou apenas um pato. Por que essas exclusões? Porque a análise da opinião requer um estudo da análise do discurso  que não estou preparado nem disposto a fazer. Precisaríamos reunir professores de Letras, Psicologia, Sociologia, Semiótica e Filosofia em um esforço rápido e concentrado. Porém, não antes da pauta ter sido concluída. Os grafismos, por sua vez, são um trabalho técnico de fotógrafos, cinegrafistas e editores em geral (Jornalismo, Publicidade e Design) cuja observação requer domínio da Semiótica, a fim de estabelecermos relações sólidas entre significante e significado.

Em relação ao caso Paula Oliveira, fiquei preocupado com o que li em boa parte da blogosfera que se considera independente apenas por escrever de graça e por não ter motivos pessoais para atacar ou defender quem quer que seja. É absolutamente honesto deixar claro que todo mundo tem um lado. Porém, ainda não dispomos de subsídios suficientes para constatarmos se este é o caso ou não de ‘torcer’ para quem quer que seja. Dessa forma, me vejo obrigado a fazer algo que não gosto: fazer uma crítica contundente àqueles blogueiros (pagos ou não) que não estejam procedendo de maneira prudente ao emitirem seus juízos de valor. Minhas principais observações dos desdobramentos até o momento são as seguintes:

– Alguns atacaram/atacam/têm atacado/estão loucos pra atacar a mídia corporativa simplesmente por força do hábito. Tem gente que adora misturar alhos com bugalhos e enxergar pelo em ovo;

– Sendo comentaristas ultraconservadores de direita e baba-ovos do patrão ou de seus patrocinadores, certos ‘analistas’ (especializados em que, mesmo?!) podem até tentar associar o caso ao Governo Lula só pra inventar mais um motivo para atacá-lo. Mas este seria um ataque desesperado, infantil, irresponsável e descontextualizado que, ao contrário do ‘mensalão’ e do ‘caos aéreo’, representa um tipo de ataque muito pequeno e sem sentido. Partindo desse pressuposto, os comentaristas da mídia corporativa que optaram por essa linha, os ‘caga-regras’ e os chutadores de plantão devem ser todos ignorados enquanto o caso não for devidamente esclarecido;

– Por enquanto, as notícias divulgadas são o que são: todas divergentes e inconclusas. Ainda não vi nenhum veículo brigar com a notícia – até porque ainda não houve nenhuma confirmação de nada. Como está cada vez mais difícil dar uma conotação política, sociológica e econômica coerente ao caso, os manda-chuvas da mídia corporativa e seus patrocinadores graúdos ainda não estão podendo conduzir seus subordinados na direção de sua preferência. Por enquanto, os grandes veículos se veem forçados a procurar praticar um jornalismo mais correto, a partir da exploração da sucessão dos relatos assim como eles tem chegado através das entrevistas ora disponíveis;

– O grande erro da mídia corporativa no caso Paula Oliveira refere-se ao sensacionalismo policialesco pra vender mais. Não vejo nenhum motivo para supervalorizar um caso isolado ocorrido no exterior só porque envolvia uma cidadã brasileira. Quando não conseguem enfiar uma conotação política, procuram explorar o fato mercadologicamente através da sua superexposição. Até aí, nada de novo, pois eles são sustentados por uma estrutura que torna essa prática normal, embora eticamente questionável;

– Vou insistir nessa tecla: ainda não se pode tomar partido algum: houve mesmo ataque de skinheads? A moça foi mesmo agredida ou ela tem problemas emocionais sérios? A polícia suíça está escondendo algo? Por que? Há depoimentos de pessoas que confiam e desconfiam dos dois lados. De maneira geral, todos com argumentos totalmente lógicos;

– Desde o momento em que publiquei este post pela primeira vez (aproximadamente 11:45h de 17/02/2009) e até agora (16:20h), pouco mudou: ainda vejo o ato de tomar partido como uma postura completamente irresponsável, que não passa de uma frágil tentativa de defender o que ainda não pediu pra ser defendido ou de atacar o que ainda não forneceu subsídios suficientes para ser atacado;

Essa postura irresponsável de alguns blogueiros (não da maioria) tira toda a credibilidade de seus blogs (no frigir dos ovos, não importa muito se sejam partidarizados ou não, pois é uma questão de atenção àquilo que se quer transmitir aos internautas), que perdem todos os argumentos para criticar a mídia corporativa. Tornam-se motivo de chacota dentro das redações e também no setor de advocacia, que é tão conservador e crítico em relação à mídia corporativa como também se aproveita dela e serve-lhe de escudo quando bem interessar. Essa irresponsabilidade, essa “torcida” (seja pela Paula, seja pelo  Governo Lula, seja pela polícia ou pela psiquiatria daqui ou da Suíça), reforça a posição daqueles que defendem ardorosamente o diploma de jornalista.

Parênteses: muitos de meus colegas mestrandos e doutorandos e alguns de meus professores vão querer me matar, mas eu ainda não consegui ser convencido do valor desse papel timbrado. Primeiro, porque o sindicalismo enfraqueceu; segundo, porque quase todo veículo aceita praticamente qualquer um pra emitir opinião na ‘grande mídia’;

Como se tudo isso não bastasse, o pior não é isso: o pior de tudo é o fato de alguns desses blogueiros independentes estarem oferecendo o seu próprio pescoço tracejado com caneta hidrocor e besuntado com graxa como uma oferta generosa para poupar trabalho a seus algozes.

Portanto, a guilhotina sempre afiada dos blogueiros da mídia corporativa pitbull está recebendo de bandeja exatamente aquilo que eles mais queriam: argumentos verdadeiramente plausíveis e racionais  para ajudar a reforçar a imagem de marca dos veículos para os quais trabalham. Se é para estabelecer um embate sistemático contra as práticas jornalísticas dos grupos hegemônicos e se o procedimento destes em relação aos blogueiros independentes também busca o predomínio da disputa ao invés da colaboração, então alguns estão dando um tiro no pé.

Sejamos coerentes: opinar, todo mundo pode. Afinal de contas, vivemos em uma suposta democracia e em um país cuja retórica política, jurídica e midiática 0 considera “livre”. Todavia, os blogueiros independentes estão cometendo o gravíssimo erro de realizarem uma das práticas mais condenáveis do jornalismo: opinar à Bangu e dar uma de donos da verdade sem apurar os fatos e sem que eles mesmos tenham contato com os dois lados.

Bem… Se não são ou se não pretendem agir como jornalistas e se não há tempo e dinheiro disponíveis para telefonar, mandar e-mail, ou chamar no Skype (ou, na hipótese mais remota, ir até a Suíça e, aqui no Brasil, até a cidade onde a família da moça mora), então esses blogueiros estão fazendo um JORNALISMO DE GABINETE tão desprezível quanto o dos chamados pitblogueiros da mídia corporativa. Em outras palavras, estão emitindo juízos de valor a partir de fatos que não foram checados nem por eles, nem por fontes comprovadamente críveis. É o efeito contrário daquilo que mais criticam nas práticas jornalísticas voltadas à indústria do entretenimento, do consumismo e da adesão às bandeiras levantadas pela oligarquia.

Quer defender a moça? Quer defender o Governo Lula? Quer defender a polícia e os médicos da Suíça? ENTÃO, AGUARDA POR INFORMAÇÕES MAIS CONSISTENTES.

Que fique bem claro: os blogs cuja posição neste caso resolvi citar não estão entre os que eu considerei irresponsáveis. Por enquanto, o BLOG DO MELLO está sendo um dos raros blogs independentes que opina e informa com maior parcimônia a respeito do assunto. Apesar de gostar muito do que EDUARDO GUIMARÃES escreve sobre a política e a economia na América Latina e de boa parte de suas críticas bem fundamentadas sobre a mídia corporativa, achei precipitada a sua tomada de partido. Em relação ao que li do CRISTÓVÃO FEIL, tendo em vista o predomínio da PERFUMARIA e da CASCATA nas redações tradicionais, o cérebro dos bons jornalistas que aceitaram submeter-se a esse sistema tem sido cada vez mais subutilizado, por razões que todos conhecemos muito bem. Na busca de um ‘furo’, qualquer fato (mesmo incompleto) costuma ser noticiado com sensacionalismo e precipitação por causa da natureza dinheirista dos meios tradicionais. Até aí, não dá pra saber se a Globo quis ferrar Lula provocando uma crise diplomática, visto que o caso Jean Charles (que considero muito mais sério e complexo do que o da Paula) seria muito mais fácil de explorar com uma intenção ‘malévola’ sobre o nosso governo e isso não aconteceu.

Num encontro entre vários blogueiros gaúchos que tivemos no início de dezembro, o  representante do blog CELEUMA (formado por jornalistas) declarou algo que me marcou bastante e que se encaixa perfeitamente nesse caso: a palavra-chave é PARANÓIA:

“[…] Observa muito, lê muito todos os jornais todos os dias, liga um pro outro dizendo ‘Tu viu na página 27 a notinha, no canto esquerdo [ali, assim, assado]? É meio paranóica, assim, a coisa […] Tem a coisa da paranóia, né (dessa corrente que eu falei dos [incômodos, perseguições, etc]? A paranóia também [deve] alimentar a paranóia do outro lado, entende? Mas, então, criar isso que a gente chama de… Que a gente chama, não: isso, na verdade tem um nome. Mas fazer essa… Aquilo que se chama de ‘guerrilha psíquica’. Criar essa paranóia, que até expressa muito desse troço da mitologia: ‘Daonde vem isso?’, ‘Quem é que tá falando isso?’, ‘Que organização é essa?’ […]“

A grande lição que fica para quem se emocionou demais e foi impulsivo na hora de blogar sobre o lamentável estado da moça é a seguinte: opinar com base em uma cadeia hierárquica de quatro níveis ou mais é acreditar em ‘telefone sem fio’ – aquela brincadeira na qual, invariavelmente, QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO.

Portanto, MUITA CALMA NESSA HORA, pois este mundo repleto de informações atravessadas e sobrepostas (muitas delas socialmente irrelevantes ou de péssima qualidade técnica) alimenta e é alimentado pela paranóia.

Encerro este longo texto com a seguinte pergunta:

– DIANTE DESSE SURTO DE PARANÓIA MIDIÁTICA, SERÁ QUE A GENTE SABE DISTINGUIR POR QUAIS TIPOS DE FATO E DE SUAS DIVERSAS ABORDAGENS VALE A PENA QUEIMARMOS NOSSAS ENERGIAS (SEJA PARA DEFENDERMOS OU SEJA PARA ATACARMOS ALGUÉM OU ALGUMA COISA) APENAS EM NOME DAS BANDEIRAS QUE DEFENDEMOS PARA A SOCIEDADE?

BREVE DISCUSSÃO SOBRE INTERAÇÃO DA BLOGOSFERA COM O PIG

O PIG muitas vezes entrevista os dois lados, dando maior espaço para o lado que o patrocina, que o cobra e que, em outra dimensão, dele também depende.

Contudo, normalmente o que eles fazem quando chamam um “especialista” pra falar é endossar o status quo, já que os especialistas chamados na maioria das vezes ou são conservadores, ou se pronunciam cheios de dedos porque, de seu lado, também dependem dos patrocinadores do PIG.

Infelizmente, um blog não foi, não é e sequer terá como ser considerado mídia de massa porque é fruto de uma interação um-um ou um-uns e não um-todos ou todos-todos (compreenda  melhor esses conceitos aqui), como o rádio, a TV, o jornal ou a revista. Se existe um alento em relação a essa realidade aparentemente trágica é o fato de que os portais de conteúdo do PIG também não podem ser considerados como mídia de massa. Por exemplo: se o ClicRBS quiser continuar mantendo os comentários abertos para cada notícia que postar, certamente encontraremos alguns (às vezes mais da metade) comentários bem legais de pessoas de esquerda, dando “nos dedos” deles.

Ora, como todos os grandes portais de conteúdo disponibilizam comentários, o primeiro que fechar esse canal de diálogo com o seu consumidor cairá em desgraça junto aos seus próprios pares.

Claro que eles podem deletar, censurar e serem malcriados com um comentário que contraria a sua agenda de interesses. No entanto, com centenas de novas notícias por dia em dezenas de editorias e a preocupação em decupar e editar o trabalho semi-escravo de um punhado de jornalistas, o que conta a nosso favor quanto ao gigantismo deles é a impossibilidade deles darem conta de censurar milhares de interagentes.

Percebam: o espaço de comentários é o único espaço dentro de um site ou blog que, mesmo quando protegido por senha ou quando reconhece a localização do comentador por IP, oferece a total impossibilidade de previsão de quantidade, qualidade ou viés das interações. E, como falei acima, salvo em raras e desonrosas exceções, mesmo que eles desenvolvessem um robô que deletasse automaticamente comentários que contivessem determinadas palavras-chave, isso seria impraticável e descaradamente desonesto, tendo em vista que eles não podem ignorar que comentários favoráveis à sua agenda também podem conter as mesmas palavras de um comentário oposto.

Trocando em miúdos: mídias intrusivas (este é um termo aparentemente meu, que não sei se seria correto, mas acho que fica mais fácil de entender dessa forma), isto é, aquelas que “agradecem o carinho de entrar sem pedir na sua sala, no seu quarto, na sua cozinha, na rua, no metrô ou no seu carro”, são massivas. As mídias para as quais o receptor precisa correr atrás a fim de buscar informação não são massivas.

Entendo quando se fala que as idéias neoliberais ou de direita já possuem espaços demais enquanto as idéias socializantes ou de esquerda são menos visibilizadas a partir de qualquer tipo de mídia. Porém, se informação é aquilo que produz diferença, informação, notícia, opinião e crítica são gêneros totalmente diferentes que não necessariamente produzem diferença. Se formos dicotomizar essa afirmação, poderíamos dizer que, tanto à esquerda como à direita (ignorando-se as infinitas nuances dos valores estritamente pessoais e o contexto de cada indivíduo), pode-se OU NÃO produzir informação (e,
conseqüentemente, diferença).

Trocando em miúdos, a grande diferença técnica, teórica e empírica entre a web (portais, sites, blogs) e a mídia de massa (rádio, TV, jornal, revista, publicidade, RP e assessoria de imprensa sobre suportes urbanos) é que os funcionam como um telefone sem fio e a mídia de massa funciona como um megafone.

Então, como produzir diferença? A diferença reside em fazer o que o senso comum não espera que seja feito e que o que for feito siga um modelo discursivo inesperado. Isso é o que chama a atenção para que os que não comungam das mesmas idéias do blogueiro emerjam como uma importante parcela da audiência, que supera em importância até mesmo a do mundinho dos próprios pares do blogueiro. É o pulo que se dá a fim de superar a fase de conversar com as paredes ou de não produzir debate nem o contraditório.

Enfim, eu tenho uma posição formada sobre determinadas pautas que acredito serem imutáveis, seja a favor ou contra. Há, ainda, um outro conjunto de temas sobre o qual posso mudar de opinião parcialmente ou até mesmo totalmente. E isso acontece com toda e qualquer pessoa, sem que se possa afirmar que o sujeito é “do bem”, “vaselina”, “maria vai com as outras” ou que ele queira “reinventar a roda”. Não é assim que se confia ou desconfia, nem que se mede coerência.

O PIG não possui ferramentas – digamos – mais humanas e mais comunitárias para surpreender a sociedade. Hipoteticamente, a gente não vai conseguir alcançar um espaço maior se não conseguirmos arrancar o megafone da mão dele durante 15 segundos em uma hora.

Portanto, ele não vai se confundir, entrar em contradição e tampouco reverberar aquilo que nos interessa se a nossa prática for semelhante à dele.

Nesse ponto, considero importante ouvir os dois lados. Não importa que o outro lado já possua espaço midiático excessivo: como eles serão mediados por nós, poderemos fazer as questões que o PIG não faz em função do comprometimento dele e da nossa independência. O esperado por eles é que nós não saiamos do alcance de nossos pares e permaneçamos conversando dentro da mesma roda de amigos.

É tudo uma questão de saber realmente o que se quer comunicar, quando e para quem. Pois a partir dessa questão é que se define o alcance da diferença que se deseja produzir.

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Powered by ScribeFire.

DUNGA NÃO ACEITA CRÍTICAS

[vodpod id=ExternalVideo.683385&w=425&h=350&fv=midiaId%3D878401%26autoStart%3Dfalse%26width%3D480%26height%3D392]

Dunga foi – só pra variar – antipático, melindrado, desrespeitoso e ignorante. Reconheço que ele foi anos-luz menos estúpido do que Ronaldo e Júlio César contra o presidente Lula. Contudo, embora cada um acredite naquilo que deseja acreditar e duvide daquilo que deseja duvidar, neste caso específico, qual a diferença entre mim e Lula? Apenas a exposição midiática que o presidente tem e o peso do cargo que ocupa. Nada mais do que isso.

Não sou jornalista, nunca fui jogador profissional, técnico, dirigente, gestor e nem tampouco político. Só ganho o prazer de trocar comentários e links com vários outros blogueiros e leitores espalhados mundo afora. O meu papel é de um entusiasta assíduo do futebol cuja posição é a de alguém que se interessa em ver o esporte ser visto com mais respeito, a fim de que a diversão que ele me proporciona seja cada vez melhor. Não foi nesse sentido que Lula se referiu ao criticar a seleção brasileira utilizando as virtudes dos argentinos como exemplo?

Ricardo Teixeira não confronta os interesses da mídia corporativa. Da mesma forma, deu um jeito de fazer com que os interesses comerciais da Globo passassem a conviver em simbiose com os interesses da CBF. Isso é muito perigoso, na medida em que existe aí uma interferência nociva para o futebol brasileiro.

Se fosse apenas por isso, eu continuaria defendendo a manutenção de Dunga no comando técnico da seleção. Porém, agora é uma questão de postura, pois a imagem do futebol brasileiro está sendo mais uma vez arranhada em outro período de transição entre gerações, assim como o fora com Falcão logo após a Copa de 1990.

more about “DUNGA NÃO ACEITA CRÍTICAS“, posted with vodpod

PROJETO PALANQUE DO BLACKÃO 2009

No dia 13/05/2008, data da “abolição” da escravatura assinada pela PRINCESA ISABEL em 1888 e aniversário da queridíssima ativista e amiga CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO, o PALANQUE DO BLACKÃO atingiu a marca de 50.000 visitas, desde 14/10/2006.

50.000 visitas em 19 meses de blog é um nada perto de blogueiros independentes experientes, conhecidos em diversos meios e pertencentes a redes sociais bastante amplas. Não os considero concorrentes e, se chegar a 20% do que eles possuem hoje, sei que não estarei retirando audiência deles mas, sim, tornando-me, mais do que agora, um parceiro de conversação e de opinião mais próximo.

Em relação aos blogs políticos da mídia corporativa, todos nós (até mesmo o RS URGENTE e o CIDADANIA.COM) são nanicos, com algo entre 700.000 e 850.000 visitas em todos os tempos, ao passo que estima-se a audiência de NOBLAT, REINALDO AZEVEDO, DIOGO MAINARDI e outros em algo entre 1,5 e 3 MILHÕES/MÊS.

Até mesmo POLÍBIO BRAGA, DIEGO CASAGRANDE e outros possuem, no RS, algumas dezenas de page views a mais do que os melhores blogs independentes de esquerda.

Apesar de tudo, meu “nada”, ao mesmo tempo, não deixa de ser uma pequena conquista, pois não sou filiado a partido nenhum; não sou sindicalizado; não pertenço a nenhuma ONG; falo do campo sem ser do campo; falo do empresariado sem pertencer a esse meio; não sou funcionário público e critico o jornalismo sem ser jornalista.

Eu trabalho com metas. Porém, fiquem sossegados: não vou virar um barão capitalista nem um pelego vendido. Afinal de contas, dentre meus objetivos com o blog definitivamente não estão os de tornar-me famoso, de virar comentarista da mídia corporativa e nem tampouco de escrever somente para agradar aos outros, pois eu sei que blog não é mídia de massa e que suas duas principais funções são a de divulgar um pensamento próprio que diverge da mídia corporativa e, acima de tudo, de funcionar como um espaço de conversação e debate informal representativo de um substrato mínimo da sociedade.

Não é um modelo grandioso mas, sim, gratificante de se aprender a produzir conteúdo utilizando as técnicas midiáticas e de se interagir com pessoas que, em condições presenciais normais, infelizmente jamais fariam parte de nosso círculo de convívio, amizade e trabalho.

Em 19 meses, obtive 50.000 visitas. Arredondando, é uma média de pouco mais de 78 acessos diários. Pois hoje, dia 21/06/2008, cheguei aos 60.000. Esses 10.000 acessos a mais em apenas 39 dias representam 20% do que eu havia demorado 19 meses para obter anteriormente. Portanto, houve um crescimento vertiginoso (que, por falta de investimento, ainda não pude detectar claramente como se deu) para mais de 256 page views diários desde a última comemoração/reflexão anual acerca da LEI ÁUREA.

Preciso aprender, acima de tudo, a gerenciar a audiência do PALANQUE como deveria. O primeiro passo será o de elaborar uma estratégia para que a audiência cresça substancialmente nos fins de semana: o público atual é um nicho muito específico que viaja bastante, ou, simplesmente, sabe que é raro ocorrer alguma notícia relevante sobre política aos sábados e domingos para discuti-las com o devido interesse? Qual tema poderia utilizar nos finais de semana a fim de atrair um público diferente, que utiliza a internet durante o sábado e o domingo?

Preciso correr atrás de anunciantes, pois o blog toma tempo, desvia a atenção da minha prioridade pessoal e profissional mais imediata e eu acho que mereço ser remunerado por isso de alguma forma. Contudo, quais seriam esses anunciantes, de forma que meu discurso e minha prática não fossem comprometidos? Não vou evitar criticar nem elogiar a quem EU acho que deve ser criticado ou elogiado, sem desculpas para o fato de estar financiando este espaço ou não.

Também preciso aprender a por o blog no topo das ferramentas de busca, através da inclusão de alguns pequenos comandos de linguagens de programação de páginas web conhecidas como HTML, CSS, Javascript e outras.

Ainda, preciso aprender a utilizar melhor e a disseminar entre os blogueiros ferramentas de multiplicação da audiência e da busca de posts e de blogs, tais como GOOGLE, YAHOO, DIGG, TECHNORATI, STUMBLE UPON, DEL.ICIO.US, MAG.NOLIA e outras.

Porém, como o layout influencia diretamente na leitura e na permanência do internauta dentro de um site ou de um blog tanto quanto o seu teor conteudístico, várias dessas possibilidades ainda estão em banho-maria porque eu fiz a escolha de trabalhar com o WORDPRESS, que, depois de muitas experiências com uma série de outras ferramentas de blogagem, considero a mais completa e flexível.

Porém, o WORDPRESS só é realmente completo e flexível em sua modalidade paga: seu único defeito (coisa que o BLOGGER oferece sem custos) é o de ter que investir 15 dólares/ano para poder mexer no código-fonte do meu template. Sem mexer no código-fonte, não posso, por exemplo, mudar as cores dos links, nem redefinir a fonte-padrão dos posts (caso não esteja satisfeito com as opções ora disponíveis). Tampouco posso adicionar anúncios (como do GOOGLE AD SENSE) ou badges (ícones) dos serviços acima citados.

Tenho, ainda, a idéia de pagar para utilizar um layout mais parecido com o de um portal de notícias, que costuma atrair mais audiência. Contudo, um bom layout WORDPRESS criado por terceiros custa 75 dólares sem exclusividade e quase 300 dólares com exclusividade.

Também estou em processo de escolha de um provedor de acesso nos EUA, parceiro da WORDPRESS, que me possibilite o máximo de vantagens possíveis (espaço em disco, tamanho de caixas postais, quantidade, meticulosidade e qualidade de ferramentas de gestão de audiência) a um baixo custo. Isso teria um custo médio de R$270,00 a cada dois anos.

Incluída na escolha do provedor está a mudança de domínio de todos os meus blogs para um só: assim que possível, PALANQUE DO BLACKÃO (política, sociedade, cidadania e midiatização – heliopaz.wordpress.com), APITO DO BLACKÃO (futebol – blackao.wordpress.com) e BASTANTÃO DO BLACKÃO (acadêmico, cibercultura – bastantao.wordpress.com) todos serão reunidos sob um único domínio, HELIOPAZ.COM. Haverá três abas diferentes direcionando para páginas de layouts parecidos, porém ligeiramente diferentes na imagem de topo e nas cores dos links. Minha previsão para que eu possa promover tais alterações é maio de 2009.

Todas essas medidas ajudarão sensivelmente a multiplicar exponencialmente a audiência para além dos limites de parte da esquerda gaúcha que desenvolve seu senso ativista político através da blogosfera. E tão importante quanto isso é expandir a rede social.

Finalmente, por falta de experiência, de tempo e de dedicação suficientes para isso, ainda faço um uso muito tênue do coletivo de blogs SIVUCA, de um contato mais próximo com o simpático pessoal do LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL, da AGÊNCIA CARTA MAIOR, das revistas FORUM, CARTA CAPITAL, CAROS AMIGOS, do portal VERMELHO e, sobretudo, do GLOBAL VOICES ONLINE. Esses contatos não podem ser jamais desperdiçados ou desvalorizados.

Os valores não são altos. Todavia, não tenho como pagar, pois não posso ter vínculo empregatício por causa da bolsa CAPES e sequer tenho tempo ou vontade (confesso) de fazer trabalhos como free lancer, pois não me considero mais um publicitário ou um web designer e, sim, um aspirante a comunicólogo.

MUITO OBRIGADO A TODOS! ESPERO CONTINUAR CONTANDO COM VOCÊS!!! ;)

Blogged with the Flock Browser