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	<title>HELIOPAZ &#187; patrocinadores</title>
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	<description>Grêmio, Mídias Sociais e Ciberativismo</description>
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		<title>A ECONOMIA POLÍTICA DO FUTEBOL BRASILEIRO II</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 16:11:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hélio Sassen Paz</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">No post anterior, falei sobre a importância da manutenção dos regulamentos dos campeonatos em função da regularidade exigida pelos organismos internacionais e também expus o intercâmbio das entidades clubísticas brasileiras com órgãos europeus. É sempre bom lembrar que, no futebol, quem manda é o Velho Mundo e não o Novo Mundo, mas que a mão-de-obra mais qualificada e os mercados consumidores de maior potencial situam-se  a priori na América Latina.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem: a UEFA, principal entidade do futebol europeu de seleções e de clubes (cujos torneios são melhor organizados, possuem maior repercussão midiática e obtem os maiores patrocinadores do mundo até mesmo em relação à FIFA – entidade máxima do esporte no planeta) tem, atualmente, os seguintes patrocinadores: Unicredit, Ford, Sony, Mastercard, Playstation, Heineken (Champions League) e Seat (Europa League). A FIFA – por sua vez –  tem Adidas, Coca-Cola, Emirates, Kia/Hyundai, Sony, Visa e os patrocinadores da Copa de 2010 na África do Sul (Budweiser, Castrol, Continental, McDonald&#8217;s MTN, e Satyam).</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui ao lado, a <a href="http://www.afa.org.ar/" target="_blank">AFA</a> (Associação Argentina de Futebol) adotou o calendário europeu e não possui campeonatos estaduais (o grande câncer do calendário brasileiro). Sua postura obviamente atraiu patrocinadores interessantes e rentáveis bem antes do Brasil. Ei-los: Volkswagen, Quilmes, Coca-Cola, Claro, YPF, Italcred, Standard Bank, Fibertel, Noblex, Dasani, Powerade e Aerolineas Argentinas, além da Adidas – fornecedora oficial de uniformes.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, a CBF possui como principais patrocinadores o Banco Itaú, o Guaraná Antarctica, a operadora de telefonia celular Vivo, Gilette, supermercados Extra e TAM linhas aéreas, além da fornecedora de material esportivo Nike. Porém, não sabemos ainda se esses patrocínios são mais em função das seleções do que de um Brasileirão de regulamento e veiculação televisiva previsíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do prestígio do presidente da CBF, Ricardo Teixeira (ex-genro do presidente de honra da FIFA, João Havelange) como membro do Comitê Executivo da FIFA e como membro do COI, grande parte do faturamento da entidade via patrocínios e direitos televisivos não é utilizada para subsidiar o futebol como um fator de educação, de inclusão social e de reforço da identidade nacional. Para a entidade, as seleções nacionais são muito mais importantes como um produto do que uma possível equidade a partir de uma melhor distribuição de renda. O modelo de negócio da confederação é mais verticalizado e mais voltado aos interesses da vitrine midiática do esporte de alta performance inclusive do que o marketing dos principais clubes do país tem tentado realizar.</p>
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		<title>A ECONOMIA POLÍTICA DO FUTEBOL BRASILEIRO I</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 15:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hélio Sassen Paz</dc:creator>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">A proposta de mudança do regulamento do Brasileirão – pelo menos da Série A – proposta pela <a href="http://redeglobo.globo.com/" target="_blank">Rede Globo</a> soa como um escárnio. E, caso o <a href="http://clubedostreze.globo.com/" target="_blank">Clube dos 13</a> a aprove, mostrará que é subserviente e que pouco se importa com a regularidade que um campeonato sério precisa ter a fim de afirmar a sua credibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O Juca Kfouri levantou a lebre (<a href="http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-10-11_2009-10-17.html" target="_blank">&#8220;Viva! Quem Diria?&#8221;, &#8220;Pontos Corridos x Mata-Mata: o que já saiu neste blog&#8221; e &#8220;Eis o monstro que a Globo quer criar&#8221;</a>). Isso me lembra um post meu bem antigo (de <a href="http://heliopaz.com/2007/10/22/pontos-corridos-a-formula-da-geracao-internet/" target="_blank">2007</a>), que foi corroborado pelo Rodrigo Cardia do <a href="http://caouivador.wordpress.com/2009/10/19/mitos-acerca-dos-pontos-corridos/" target="_blank">Cão Uivador</a> a partir de argumentos históricos bem interessantes. O Bruno Coelho do <a href="http://gremio1903.wordpress.com/2009/10/23/mata-mata-no-brasileirao-e-retrocesso/" target="_blank">Grêmio 1903</a> também apresentou mais um conjunto consistente de argumentos pró-pontos corridos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um primeiro momento, o fato de o Brasil sediar a <a href="http://www.copa2014.org.br/" target="_blank">Copa 2014</a> e a <a href="http://www.rio2016.org.br/pt/Default.aspx" target="_blank">Olimpíada 2016</a> fazem com que o país passe a ser extremamente visado, observado e fiscalizado por organismos internacionais como a <a href="http://es.fifa.com/index.html" target="_blank">FIFA</a> e o <a href="http://www.olympic.org/" target="_blank">COI</a>. Na rebarba, virão <a href="http://www.imf.org/external/spanish/index.htm" target="_blank">FMI</a>, <a href="http://www.bancomundial.org/" target="_blank">Banco Mundial</a>, <a href="http://www.un.org/es/" target="_blank">ONU</a> e <a href="http://www.brasilia.unesco.org/" target="_blank">UNESCO</a>, <a href="http://www.unctad.org/Templates/StartPage.asp?intItemID=2068&amp;lang=3" target="_blank">Conferência para o Comércio e o Desenvolvimento</a>, <a href="http://www.forumsocialmundial.org.br/" target="_blank">Fórum Social Mundial</a>, etc. Tudo isso influi decisivamente na prospecção de novos investimentos eeconômicos em todas as áreas do conhecimento tanto no ambiente sociotécnico (&#8220;mercado de trabalho&#8221;) como no ambiente acadêmico (ensino, pesquisa e extensão do conhecimento junto à sociedade).</p>
<p style="text-align: justify;">Não entro em nenhum mérito acerca da índole, da competência e do histórico por vezes suspeito de boa parte dos principais entes envolvidos no lobby que favorece o país na sua aceitação por parte da comunidade internacional. Excluo deste post o componente político-partidário, bem como a análise teórico-prática das ideologias. Independentemente desses fatores, o Brasil é – mais do que nunca – OBRIGADO a virar um país bem mais cooperativo e menos concentrador do que sempre foi em curto prazo. Ponto.</p>
<p style="text-align: justify;">Em função dessa necessidade iminente de evolução da respeitabilidade do país no cenário mundial, <a href="http://clubedostreze.globo.com/index.php?com=noticias&amp;pagina=detalhe&amp;id=66" target="_blank">o Clube dos 13 tem-se aproximado</a> da <a href="http://www.ecaeurope.com/" target="_blank">ECA</a> (União Européia de Clubes – o antigo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/G-14" target="_blank">G14</a>), da <a href="http://pt.uefa.com/" target="_blank">UEFA</a>, da FIFA e da própria ONU.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso posto, os grandes clubes brasileiros agora estão com a faca e o queijo na mão: primeiro, porque cresce seu poder coletivo de barganha junto às federações e à televisão em questões que tangem ao marketing e à comunicação. Segundo, porque  as políticas de relacionamento suprainstitucional aumentam a sua autonomia em relação à <a href="http://www.cbf.com.br/php/home.php?e=0" target="_blank">CBF</a> e à <a href="http://www.conmebol.com/conmebol/indexConmebol.html?x=1" target="_blank">CONMEBOL</a> acerca do calendário e do  regulamento das principais competições. À medida que a rede de contatos lhes proporciona uma massa crítica mais recheada de informações consistentes, as desculpas a favor do formulismo vão diminuindo. Por que? Ora: por causa do dinheiro! Afinal de contas, os patrocinadores melhores e mais vultosos podem finalmente vir pra cá sem medo.</p>
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		<title>A MÍDIA CORPORATIVA DENTRO DE UM SISTEMA CONSERVADOR</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 19:51:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hélio Sassen Paz</dc:creator>
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			</a>
		</div>
<p>A mídia corporativa, Grande Mídia ou MSM (Mainstream Media) é um problema. Porém, não é exatamente um problema para todos. Mesmo com os Trump, Murdoch, Berlusconi e Marinho da vida atuando em muitos países, há um incontável contingente de seguidores dos valores irradiados por esses protagonistas. O problema maior é a forma como a mídia corporativa estabeleceu-se no Brasil. As corporações de mídia daqui estabeleceram-se através de oligopólios familiares associados a grupos midiáticos estado-unidenses, banqueiros, megacorporações globais, latifundiários e políticos corruptos. Essa casta jamais irá regular o setor do qual tomam conta em prol da sociedade.</p>
<p>Tal modo de produção baseado nesse modelo econômico é extremamente nocivo e espraia-se através de milhares de tentáculos pelo mundo inteiro. No entanto, é preciso perceber que, apesar disso, não é exatamente a mídia corporativa (recursos financeiros + meios técnicos + mentalidade de seus donos + competência técnica, perspicácias e artimanhas dos editores) o principal problema da democracia. Dentre tantos problemas poíticos, econômicos e sociais, embora este seja um problema que, de certa maneira, interfere nos demais, ao mesmo tempo, essa mídia não representa o pior dos problemas que nos afligem.</p>
<p>Contraditório? Não: é apenas uma constatação. O problema maior é o baixo grau de solidariedade, de compaixão, de capacidade de desenvolvimento sustentável, de auto-estima, de confiança e de empreendedorismo consciente e responsável. Embora os valores dos donos do capital sejam reverberados pela mídia corporativa, caso houvesse interesse em promover o esporte, a cultura e o respeito, já teriam sido adotados valores capazes de originar um verdadeiro projeto de nação.</p>
<p>A mídia corporativa não manda nada: ninguém lê, ouve ou assiste o seu conteúdo com uma arma apontada para a cabeça. Mesmo na falta de qualidade conteudística, ninguém é obrigado a manter seus olhos e ouvidos antenados para a mensagem dela: há várias outras formas de lazer, cultura e informação disponíveis &#8211; mesmo sem dinheiro, há muito o que ver pela cidade e muita gente para conversar. Quem acredita ou deixa de acreditar em alguém ou em alguma coisa, ou acredita que acredita e sente-se bem com esse condicionamento, ou acredita que não acredita e vai buscar outra coisa pra fazer.</p>
<p>Como não existe unanimidade nem consenso (apenas uma tentativa discursiva de), seus donos e editores conseguem apenas um determinado grau de convencimento junto a determinados nichos dentro do universo que julgam compor sua audiência. Assim, o fazer técnico da mídia corporativa busca satisfazer os interesses dos políticos, do latifúndio, dos bancos e das megacorporações globais através de demandas que, caso atingidas, por tabela também irão beneficiar o negócio dos donos da mídia e tornarão mais famosos os seus funcionários mais pelegos.</p>
<p>Obviamente, como o negócio deles é grana a qualquer custo, se eles não tivessem uma ampla base de consumidores conservadores, mesmo que jamais pendesse à esquerda, seu discurso seria menos extremista, a fim de evitar perder pontos na audiência. Conseqüentemente, os abusos da mídia corporativa só ocorrem porque a sociedade em geral não é necessariamente influenciada mas, sim, porque ela alimenta o conservadorismo e os valores neoliberais de volta para a mesma mídia corporativa. Esta, por sua vez, aperfeiçoa e modifica o seu discurso em função do retorno (feedback) desse receptor, seja ele conservador ou não, procurando agradar mais ao perfil dos conservadores.</p>
<p>O procedimento técnico e a ideologia escolhidos para defender os interesses dessas oligarquias (manipulação, mentira, omissão, espetacularização, etc.), por sua vez, também é utilizado pela mídia dita pequena, seja esta militante de esquerda ou não. Afinal de contas, todos têm um lado e isso não pode ser escondido. A única verdade é que a maioria dos indivíduos deseja convencer o outro de que estão certos. Todos adorariam que houvesse um pensamento único voltado para a preservação dos seus próprios valores e do status quo. Em uma análise sincera e sem hipocrisia, o mundo seria muito mais tranqüilo, seguro e a vida seria muito mais fácil se não houvesse necessidade de discutirmos, certo?</p>
<p>As únicas regras<br />
estabelecidas pela mídia são as regras que ela impõe aos integrantes de outros campos sociais para discursarem sob a formatação de suas técnicas e enunciados quando precisam aparecer através dela. Isso posto, a mídia como um todo (até mesmo a pequena, alternativa ou não-corporativa) serve como um megafone para espraiar toda e qualquer<br />
ideologia, pois a política, a economia e a comunicação estão presentes em tudo e em todos. Ela serve de tradutora do discurso dos vários campos sociais através de uma gramática (falas, gestos, entonação, vocabulário)<br />
didaticamente genérica, a fim de que os mais diversos segmentos da<br />
sociedade laica conheçam aquilo que cada campo deseja revelar de si ou<br />
como os seus mediadores acham que enxergam esses campos sociais.</p>
<p>Dessa forma, a denúncia e a investigação sobre tudo e sobre todos não faz parte desse modelo econômico. A pluralidade, a neutralidade e a objetividade não passam de simples mitos, já que o jornalismo não exprime &#8220;A&#8221; verdade mas, sim, uma dentre tantas verdades possíveis contada e editada por alguém que, como sujeito, interfere na sociedade e é afetado por ela, de tal sorte que essa vivência define a forma que sua história irá tomar e para quem ela será contada.</p>
<p>Então, os veículos que EU escolho para me dar a sensação de estar bem informado ou os veículos que EU escolho para criticar através de suas contradições que fazem com que eu me sinta mal informado também dependem da minha vivência, das minhas influências e do meu poder individual e exclusivo de intervir em meu próprio ambiente.</p>
<p>O fato de eu acreditar que acredito ou de acreditar que não acredito em algo ou em alguém pode mudar. Porém, esta mudança, na maior parte das vezes, far-se-á de maneira lenta e gradual. Mudando ou não, nada garante que eu esteja certo depois de mudar, ou que eu estivesse certo enquanto pensava da maneira anterior. Ao mesmo tempo, os valores são tantos que há diferentes pesos entre certezas e incertezas. Portanto, mesmo um analfabeto faminto perdido no meio do mato com uma TV onde só pega o canal 12 não é necessariamente influenciável por todos os enunciados da mídia.</p>
<p>O cerne da discussão não deve<br />
ser técnico mas, sim, de uso: não importa se a mídia é grande ou<br />
pequena, se é militante ou não, se é declaradamente de esquerda ou de<br />
direita e nem tampouco se é plurigenérica ou se transmite um único<br />
gênero específico: o que não pode é haver o abuso de práticas que<br />
prejudiquem a vida, que julguem, que rotulem ou que defendam um lado<br />
sem apresentar ou &#8211; pior &#8211; demonizar o outro.</p>
<p>O poder da mídia corporativa é<br />
menor na pós-modernidade &#8211; pelo menos nas grandes metrópoles do planeta<br />
altamente conectadas. Mesmo no Brasil nota-se essa perda de poder. Caso<br />
contrário, o &#8220;nordestino preto analfabeto desempregado feio e burro&#8221;<br />
teria dado ouvidos às milhares de emissoras de rádio e TV, revistas e<br />
jornais que circulam neste imenso país.</p>
<p>Por conseguinte, quem decide o que é notícia, quem deve ser promovido, quem deve ser defenestrado, a quem defender, a quem atacar, quando, como, aonde, por que e a quem investigar e denunciar possui a mesma formação conservadora dos patrocinadores, de seus chefes e de boa parte da sua audiência. Essa questão explica parcialmente o fato de que o gaúcho médio não<br />
é &#8220;tapado&#8221; do jeito que é pura e simplesmente por causa da atividade<br />
midiática: ele é &#8220;tapado&#8221; porque, antes de existir a mídia, já haviam a<br />
retórica, o discurso, a boataria e a coerção.</p>
<p>O quarto poder atribuído às corporações de mídia não existe como tal. Nem o discurso e nem as personas dos editores e dos donos das corporações de mídia possuem controle sobre a audiência e sobre o seu próprio modo de fazer. O verdadeiro primeiro poder (e não segundo, terceiro ou quarto) está muito acima do executivo, do legislativo e do judiciário. Trata-se do poder simbólico circulante na rede, onde os bancos, o latifúndio, as indústrias de armamentos, tabaco, bebidas alcoólicas, medicamentos, a indústria farmacêutica, parte do crime organizado (contrabando e tráfico de drogas, animais silvestres, plantas e pedras preciosas), políticos corruptos com as costas quentes e políticos donos de concessões das afiliadas das nove famílias articulam-se em rede. Todos se conhecem. Todos fazem negócios entre si. Todos pedem coisas uns aos outros e se esforçam ao máximo para atender e ser atendidos, custe o que custar. E todos possuem patrimônio, investimentos, perdas e ganhos em diferentes segmentos econômicos.</p>
<p>A questão é: como desconstruir esse sistema de redes sociais altamente profissional, competente, ágil e adaptável? Em toda a história da civilização ocidental, sempre houve uma casta nababesca e excludente que só pôde ser derrubada pela parte mais ambiciosa e mais esclarecida da casta colocada imediatamente abaixo da primeira. Ambas as castas precisam deum grande  volume de pessoas, a fim de defender um lado ou outro. A massa é constituída por uma série de inocentes úteis, que não passam de meras buchas de canhão. Quem luta pelo poder político e simbólico fica na retaguarda, pois não vai correr o risco de morrer. Feita a troca de bastão, no período histórico seguinte, a mesma massa permanecerá sendo excluída. A única diferença é que a aristocracia anterior agora é decadente e serve muito bem à burguesia emergente como referência de dominação. Isso sempre ocorreu, com ou sem mídia de massa, com ou sem internet, com ou sem naves espaciais, com ou sem cavalos.</p>
<p>Com base na teoria dos campos sociais de Pierre Bourdieu, na caracterização dos mídias (grande, pequena, ruim, boa) como um campo social (Adriano Duarte Rodrigues) e na midiatização da sociedade (Eliseo Verón), chega-se à conclusão de que o campo dos mídias é o único campo social que atravessa e é atravessado pelos outros campos. Essa intromissão dos mídias nos demais  campos sociais (jurídico, esportivo, médico, político, científico, religioso, militar, etc.) não necessariamente coincide com uma posição de maior poder (seja ele econômico ou simbólico).</p>
<p>O papel da mídia não é nem deseducar, nem educar. A mídia é tão-somente um instrumento técnico. O tipo de uso que se faz dela depende da intenção das pessoas que a patrocinam. E a crença sobre como deve-se &#8220;ensinar&#8221; a audiência a viver depende sobremaneira da ideologia e dos valores dos produtores de cada programa.</p>
<p>É preciso mudar a maneira de pensar e de viver como um todo. Afinal de contas, se há desinformação, omissão, manipulação descarada, tentativa de consenso através de um pensamento político e econômico único, é porque existe tanto um grupo de financiadores, de produtores e de legisladores como sobretudo uma enorme parcela de público cidadão e consumidor como protagonistas desse processo. A mídia corporativa alimenta sua audiência&#8230;</p>
<p>&#8230;Mas também é fartamente alimentada por ela.</p>
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