O SONHO DOS JOVENS BRASILEIROS X O DISCURSO ANACRÔNICO DOS BLOGUEIROS DE ESQUERDA NO BRASIL

Sonho Brasileiro from box1824 on Vimeo.

A pesquisa Sonho Brasileiro é um projeto sem fins lucrativos e sem viés de consumo. Fomos para 173 cidades em 23 estados perguntando para jovens de 18-24 anos “Qual é seu sonho para a nossa nação?”

Ajude-nos a divulgar os resultados da pesquisa que sairá em junho com conteúdo 100% aberto e livre na internet.

Música deste vídeo gentilmente cedida por Lucas Santtana

Realização: BOX 1824
Patrocínio: Itaú e Pepsi
Parceiros: RED, Colméia e Aktuell

Apoio: Rede Globo

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O fato da minha rotina profissional e de boa parte do ambiente familiar serem partilhados junto ao público-alvo da pesquisa O SONHO BRASILEIRO (leiam-na inteira) me leva a crer que o caminho para uma verdadeira revolução cidadã no Brasil precisa passar por um discurso essencialmente assertivo, desinstitucionalizado, horizontal e – sobretudo – colaborativo. A solidariedade, o engajamento cívico e o reconhecimento do outro como igual dependem da aprendizagem coletiva cujo fruto será o de desfazermos o rótulo de alienação e egoísmo atribuído à nossa juventude.

Essa minha crença não põe em segundo plano a colaboração e os ensinamentos dos bravos heróis da resistência à ditadura militar no país. Porém, o discurso que a maior parte deles conhece e sabe professar via blogosfera segue um modelo linguístico familiar ao seu grupo de interesse, mas que não surte o mesmo efeito diante de quem não vivenciou essa triste realidade e não tem como imaginar um panorama antidemocrático.

Todo e qualquer blogueiro “progressista“, e-blogueiro e mais a galera da Teia Livre e da Rede Liberdade, a despeito de uma série de aprendizagens e de adaptações ao pensamento em rede, infelizmente ainda apresentam uma série de opiniões formadas acerca do mundo dos jovens que não coincide nem com o mundo de quando eram eles próprios os jovens, nem tampouco com o mundo de seus pais e avós, que, salvo raríssimas e honrosas exceções, sequer tem noção do que seja exílio, tortura, censura e prisões. O Brasil “livre” que herdaram está distante demais de poderem compreender o que era não ter direitos nem poderes para fazer quase nada.

Conforme a pesquisa, os jovens entre 19 e 24 anos da atualidade desejam transições tranquilas, sem rupturas. Em oposição aos jovens marginalizados vítimas de todas as nossas mazelas sociais, eles não são de briga e não creem que a solução esteja no embate partidário ou sindical. Essa característica predominante mostra que a maioria dessa geração é mais afeita a realizar algo pelos outros sem muitas delongas ao invés de discutir leis ou de participar de manifestações presenciais de massa.

Infelizmente, os ativistas mais experientes tendem a considerar essa atitude passiva ou, então, incorrem no equívoco de culpar as redes sociais na internet como responsáveis pela “alienação”. Contudo, os resultados da pesquisa mostram que o egoísmo, o consumismo, a ignorância, a alienação, a passividade e uma agressividade projetada sobre objetos distantes do exercício da cidadania são a exceção e não a regra. Portanto, trata-se de uma forma diferente de representar o seu envolvimento social.

De fato, a quantidade de militantes políticos antigos que se tornaram exemplos diretos de ativismo nas ruas, nas ONGs, nas escolas e nas comunidades carentes é muito reduzida: vários deles já morreram, outros desiludiram-se e eles próprios tiveram o privilégio de proporcionar melhores condições a seus filhos e netos. E a pesquisa aponta que, para a galera de 19 a 24 anos em 2011, eles tem como exemplos de vida pessoas simples com as quais convivem no dia a dia. Portanto, o herói urbano de hoje não é alguém que erga uma bandeira mas, sim, alguém que está disponível aqui e agora pra dar o exemplo, para ser um tutor, para deixar fazer de maneira anárquica, sem apresentar-se como uma autoridade.

Por outro lado, há uma contradição entre o espírito de luta que os antigos militantes apresentam de fato e entre a atitude que gostariam que seus filhos e netos tivessem no atual contexto: primeiro, que as gerações anteriores de ativistas não tinham como pensar nem realizar uma mudança social dialogada porque havia um abismo muito grande entre a liberdade e a violência. Isso posto, não havia (entre 1964 e 1979) como pensar em uma transição suave quando a maior parte desses grupos acostumou-se a conviver com um retrocesso que violentou pelo menos quatro gerações de brasileiros; segundo, que a quantidade de informação disponível é imensurável e cresce exponencialmente dia após dia; terceiro, que a sociabilidade que atravessa e é atravessada pelos ambientes digital e presencial torna as causas pelas quais os jovens resistem dissociadas no espaço e no tempo, isto é, para muitos, é mais importante investir $5.00 contra o apartheid israelense sobre os palestinos via AVAAZ.ORG do que ajudar o filho do vizinho a passar em Química.

Sinto desapontar grande parte dos meus queridíssimos e valiosíssimos AMIGOS de todos esses foruns que se amalgamam por um sentimento bonito e comum, mas até mesmo a solução de problemas locais que afligem os nossos jovens necessitam cada vez mais da experiência de quem vivencia barras semelhantes porém muito mais pesadas em lugares muito pouco aprazíveis por eles descobertas na internet. Ao discuti-las em comunidades virtuais, o excedente cognitivo que produzem gera uma economia não-rival que resulta na adaptação da solução encontrada n’além-mar para a nossa realidade sociocultural sem armas, sem conspirações, sem terem como base o marxismo. E esse mesmo excedente cognitivo é apropriado por jovens de outras paragens com o mesmo intuito: nunca foi tão verdadeira a afirmação de que a soma das partes é cada vez maior do que o todo.

Parte dos ativistas mais experientes que lutaram contra a ditadura ou de seus herdeiros ideológicos – que lhes enchem de orgulho por causa de um modus operandi muito parecido (senão igual) – precisam tomar o cuidado de não esquecerem de que a sua credibilidade está balizada em um ethos que prima pela justiça equânime, pela razão, por balizarem os seus argumentos em uma série de referências mais profundas do que aquilo que a mídia corporativa geralmente costuma oferecer e pela verdade. No entanto, a verdade precisa ser a verdade verdadeira e não a mera verdade que oculta o lado incompetente, burocrático, autoritário, preconceituoso e hipócrita de seus pares que hoje ocupam cargos no atual governo federal.

Por mais difícil que seja apurar, denunciar e serem tão implacáveis na multiplicação da informação contra os “seus”, o grupo político-partidário-sindical que apoiam em função da compatibilidade de afetos e das afinidades, crenças e valores também deve ser desconstruído com o mesmo peso que tem a desconstrução da direita.

Felizmente, sei que a maioria não pensa assim: blogueiros de esquerda de 40, 50, 60 e 70 anos sempre mostram-se bastante dispostos a conhecer ideias novas e a conviver com as gerações mais recentes, que precisam dos mais velhos.

Ambas as gerações possuem diferenças muito grandes acerca de como surge o embasamento teórico e as motivações que envolvem as práticas políticas e sociais de contingentes que não são concorrentes e nem mesmo antagônicos. Nessa questão, a lacuna mais importante a ser preenchida é a do entendimento de que não é porque vivemos em uma sociedade mais consumista, mais individualista, mais competitiva e menos intelectualizada que não é possível pensar e agir de maneira cidadã.

Pra refletir… ;)

EDUCAÇÃO, PEDAGOGIA, SITE

A professora SILVANA MARMO enviou um comentário solicitando uma parceria com este blog.

Devido ao conteúdo importante que ela publica e pelo nosso interesse comum na resistência e no desenvolvimento sustentável da EDUCAÇÃO, mesmo através de caminhos e de saberes diferentes que, no fundo, se complementam, a adição do link do blog COORDENADORES PEDAGÓGICOS não representa pra mim uma simples parceria – seja ela formal ou informal: é, sem dúvida, um belo presente de Natal proporcionado pela blogosfera.

Não tenho nem 30% do conhecimento que pessoas como ela, como as que escrevem em seu blog e como a da freqüentemente citada amiga CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO (dois posts seguidos falando em ti – um recorde!).

Enfim… A todos aqueles que quiserem conhecer mais sobre esta apaixonante área do conhecimento tão gratificante quanto exigente e, infelizmente, tão pouco valorizada neste país, convido-os a conhecer mais uma construção coletiva de tamanha importância para a blogosfera, já que pouco se fala a respeito do tema na mídia corporativa. E, quando se fala, se fala com uma série de equívocos.

FUÇANDO NA INTERFACE DO BLOG

Como todos sabem, dentre o admirável volume de blogueiros ativistas políticos, sociais, ambientalistas e de esquerda (ou não) da Grande POA, este blog, o CÃO UIVADOR, o AMIGOS DA GONÇALO DE CARVALHO e o POA VIVE, estão entre alguns exemplos de uso da plataforma de gerenciamento de conteúdo (CMS ou Content Management System, em inglês) WORDPRESS. Outros blogs de extremo impacto na informação ativista que também utilizam o WP são o ÁRVORES VIVAS, o ECOTECNOLOGIA, o FOLHA VERDE (isso me lembra os tempos de matrícula analógica na UFRGS – folha verde era a folha pra preencher os códigos das disciplinas obrigatórias do curso; folha branca era para pedir matrícula em disciplinas optativas e a folha rosa era para solicitar disciplinas de outro curso ou curso dois – bons tempos…).

Como todo produto de qualquer área ou origem e dependendo do ponto-de-vista e da necessidade de cada um, o WP possui uma série de vantagens e de desvantagens em relação a outras plataformas.

A plataforma de CMS mais utilizada pelos blogueiros é o BLOGGER que começou sua história e ajudou a popularizar a blogosfera mundo afora em 1999. Hoje, o filho mais bem-sucedido do lendário PYRA LABS pertence ao Big Brother do conteúdo da web chamado GOOGLE.

O WORDPRESS, por sua vez, é uma iniciativa baseada em SOFTWARE LIVRE. O desenvolvimento do código e da ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO (visões 1, 2 e 3) desembocam em um trabalho de DESIGN de IHC [Interface e – não interação – Homem-Computador) robusto e extremamente intuitivo, baseado em pesquisas de opinião de seus próprios usuários via web e também através de grupos (focus groups) de testadores da interface. A empresa que gerencia e atualiza a plataforma WP chama-se AUTTOMATIC.

Ao contrário do BLOGGER, que permite copiar e editar o código em CSS (Cascading Style Sheets ou Folhas de Estilo em Cascata – v. DICAS AVANÇADAS), a versão gratuita do WORDPRESS (.COM) não o permite. Isso significa que o usuário do BLOGGER pode adicionar quaisquer “tranqueiras” desenvolvidas em JAVASCRIPT direto no seu blog gratuitamente. Na versão gratuita do WP, só dá pra adicionar nos WIDGETS de texto as “tranqueiras” que NÃO possuam Javascript. Apesar da liberdade em poder editar o código para adicionar novas funcionalidades ao seu blog, a concorrência do WP fez com que a GOOGLE se mexesse, preocupando-se em adicionar cada vez mais GADGETS (o nome bloggeriano para widgets) a fim de evitar que o seu usuário tenha que sujar as mãos em código.

A habilidade total para mexer no código só existe na versão paga. Já o domínio WORDPRESS.ORG apresenta FAQs, fora (plural de forum) e uma infinidade de dicas, widgets e templates. O ponto alto do .org é permitir download do CMS para a máquina do usuário, com direito a instalar zilhões de widgets também de graça. Neste caso, é a hospedagem em algum provedor e o registro de domínio que permitem liberdade total. de fuçar no código e em widgets. Particularmente, acho que vale muito a pena para quem deseja que seu blog seja um canal de relacionamento efetivo. Dessa forma, o usuário poderá baixar todo o CMS para o seu computador, atualizando seu blog de maneira mais rápida do que acessando o site e logando nos servidores da empresa – mesmo com o uso de um template gratuito.

Aparentemente, isso seria uma desvantagem. Contudo, a AUTTOMATIC não é a GOOGLE e precisa sobreviver de alguma forma. A versão gratuita do WP só é possível porque a robustez, a confiabilidade e a possibilidade do próprio usuário ou de uma empresa hospedeira são reconhecidos e amplamente utilizados por empresas e universidades, que pagam caro por isso. A UNISINOS é um exemplo de uso do WP em quase todos os blogs oficiais de seus grupos de pesquisa, publicações e cursos (DESIGN, PPGCC, COMDIGI, etc.).

Aqui no Brasil, alguns usuários com domínio e servidor pagos que servem como referências em suas respectivas áreas são: o prof. ALEX PRIMO, coordenador do LIMC/UFRGS (Laboratório de Interação Mediada por Computador); e o blog MACMAGAZINE, coordenado pelo meu amigo RAFAEL FISCHMANN. Nos EUA, a esmagadora maioria dos principais blogs profissionais sobre tecnologia, política e jornalismo de dentro e de fora da Grande Mídia utilizam o WP (THE NEW YORK TIMES, FORD, por exemplo). Confiram o SHOWCASE de blogs gerenciados através do WP.

Porém, os usuários do WP no Brasil que considero mais felizes em termos de auto-organização e de diversidade no uso tão customizado quanto diferente desse CMS são os blogueiros do coletivo INSANUS (dentre os quais um blog sempre visitado e citado por mim tanto para o bem como para o mal, o NOVA CORJA).

Nesse sentido, até mesmo a versão gratuita do WP apresenta uma série de vantagens significativas que o BLOGGER não oferece. O WP apresenta uma capacidade de armazenagem de dados, a possibilidade de backup do blog (para sevidores situados em outras cidades ou até mesmo países) e, acima de tudo, aceita uma quantidade de usuários simultâneos bem superior. Tais quesitos são muito importantes para quem pretende ampliar o público-alvo de seu respectivo blog para atingir maior audiência – independentemente do fato de pretender viver do blog ou não.

De maneira geral, a grande maioria de nossos blogs recebe apenas algumas poucas centenas de visitantes/dia. O BLOGGER segura alguns milhares de visitantes simultâneos numa boa. Mas quando o volume de visitas ultrapassa os cinco dígitos diários, o gargalo começa a espantar visitantes que não têm saco pra esperar o conteúdo carregar de maneira lenta. Pior: nesse caso, o blog pode até ficar momentaneamente inacessível até o tráfego dar uma reduzida.

Um detalhe que parece irrelevante mas não é: os templates do BLOGGER oferecidos em seu próprio site são utilizados por dezenas de milhões de blogueiros no planeta inteiro. Outros templates de terceiros normalmente apresentam uma estética muito brega e uma interface muito pobre em termos de intuitividade e de recursos padrão. Mesmo os templates mais chinfrins do WORDPRESS costumam oferecer uma maior organização nesse sentido. Como exemplo, cito uma jovem designer que costumava criar templates para o BLOGGER e, hoje, possui um blog oficial no WORDPRESS chamado simplesmente BY MARINA. Aliás, o template que a Marina utiliza é uma livre adaptação do layout e da interface criados por outra jovem talentosa, a DANI DANCZUK do SINOPSE.

Em suma: satisfeitos ou não com o CMS de cada um de vocês, pelo menos aos mais curiosos eu recomendo que, no mínimo, dêem uma olhadinha no site do WORDPRESS. Vocês irão se surpreender com a quantidade e com a seriedade das informações contidas nos FAQs e em como funciona

Falando nisso, estou pensando seriamente ou em voltar a utilizar o template anterior ou em testar algum outro, pois este aqui está me tirando audiência ao invés de aumentá-la. Eu gosto de layouts com imagem no cabeçalho e é um enorme risco utilizar uma interface com menos de três colunas ou com os widgets abaixo do conteúdo, pois as pessoas não irão rolar a página até o fim. Talvez o problema esteja na nova organização do conteúdo: por um lado, pensei que juntar ativismo + CMC + futebol fosse aglutinar os diferentes públicos, mas parece que os ativistas estão mais presentes, os acadêmicos mal se manifestam e o futebol definitivamente perdeu bastante.

Quanto aos acadêmicos, na minha área as pessoas não costumam gostar muito de futebol. E o segmento que gosta de política não se envolve muito, observando à distância pra criticar depois. Como eu ainda não participei de nenhum congresso, não publiquei nenhum artigo, não recebi meu título e, no momento, estou impedido de lecionar, sou um reles desconhecido. O ano pra esse público crescer é 2009. Porém, só na metade para o fim do 2º semestre.

O que vai mudar? 1) O número de links no meu BLOGROLL será muito menor: a seleção de sites por mim considerados como “coisa muito fina” e os blogs que eu acesso constantemente passará por um pente fino e abrangerá três temas: academia, futebol (+ GRÊMIO) e ativismo e b) Outras formas de me encontrar pra um bate-papo ou de acompanhar o que eu gosto, o que eu recomendo ou o que eu faço na rede (PLURK e TWITTER, entre outras TICs).

Mas essa é uma tarefa para os próximos dias, já que NETNOGRAFIA é tudo pra mim! :)

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