GRÊMIO E POLÍCIA: AJUDEM A DIREÇÃO

BOA VONTADE DO COMANDO GERAL DA BM E DA DIREÇÃO TRICOLOR

BOA VONTADE DO COMANDO GERAL DA BM E DA DIREÇÃO TRICOLOR

Este blog apóia a gestão atual com as devidas críticas, assim como elogiou – e muito – os acertos da gestão anterior, cujas práticas políticas e financeiras dentro e fora do clube não iam de encontro à minha visão de mundo. Portanto, não sou nem cordeiro de uns, nem lobo de outros.

Por fonte segura do clube mas não da administração direta, soube que o comandante geral da BM gaúcha, cel. Trindade, é um profissional exemplar e, principalmente, um cidadão de alto nível, ao contrário do pitbull anterior. Portanto, minha hipótese de que a violência deu-se sob o comando exclusivo do responsável pelo jogo infelizmente confirmou-se.

Nada justifica a ação da BM que, à revelia, sem diálogo com a direção do Grêmio, saiu lacrando todos os portões. Isso é ilegal. Além disso, não se tem notícias de ingressos falsos e o número de não-pagantes foi baixo. A diretoria ficou ilhada nas cadeiras. E a BM não é treinada nem para tomar posse de patrimônio privado, nem para bater. Afinal de contas, uma instituição sesquicentenária está sendo manchada por atos isolados de boçais dentro da corporação. Corregedoria, sindicância e um comandante geral honesto existem para por ordem na casa e confio nisso.

É importante que todos saibam que a punição à Geral é coisa exclusiva da BM, é 100% ilegal e NUNCA contou com o aval da atual direção do Grêmio. Mesmo diante da falta de pulso e da incompetência demonstradas no futebol e no discurso de fala exageradamente mansa, a gestão Duda apóia muito a Geral. Ela só não compactua com líderes de torcida que fazem bolo, vendem produtos piratas e vendem ingressos gratuitos. Pra bom entendedor, meia palavra basta: apoio não significa bajulação nem doação em troca de apoio político-partidário.

Enfim, a imagem da gestão Duda foi manchada por algo que fugiu à sua esfera. Nisso, infelizmente, quase ninguém acredita. Agradeçam à fábrica de crises da mídia corporativa (louca por uma polêmica e por um sensacionalismo que ficam acima da verdade factual apenas para vender mais) e ao fato do Inter possuir departamentos de marketing e de comunicação muito mais competentes do que os nossos…

Participem. Denunciem. Não tenham medo. Mas procurem se informar melhor. Como ficou demonstrado hoje, o diálogo entre Grêmio (o dono do Olímpico) e Brigada Militar (responsável pela segurança e proteção de todos) vai melhorar. Apesar da inesquecível, traumática e inaceitável agressão e humilhação física e emocional sofrida por alguns milhares de gremistas, o mea culpa foi feito por ambas as partes. O clube agora terá um interlocutor melhor habilitado para essa difícil relação entre poder e medo, que precisa ser transformada em cooperação e respeito. E a Brigada trabalhará da maneira que dela se espera.

Os blogs Sempre Imortal e Grêmio Copero (aqui e aqui também) se manifestaram com veemência a respeito da gravíssima e imperdoável questão pessimamente apurada pela imprensa e muito mal interpretada pela torcida. Vale a pena acompanhar as discussões desses espaços de interação tricolor tão importantes.

O GRÊMIO E A POLÍCIA

Meu nome é Hélio Sassen Paz. Tenho 36 anos. Minha esposa é Lúcia Isabel da Silva Schenini, 42 anos. Vamos juntos a 95% dos jogos do Grêmio no Olímpico todos os anos desde 1996. Tenho uma frequência no estádio superior a 90% desde 1981, exceto em 1979 e 1980 quando era muito pequeno 2000 e 2001 quando morei no Rio de Janeiro.

Sem rádio no estádio, li na manhã seguinte à partida contra o Cruzeiro (sexta-feira passada) no Correio do Povo que algumas centenas de gremistas com ingresso foram impossibilitadas de entrar na Geral antes do jogo começar – muitos deles sócios-torcedores. Mais tarde, no intervalo, a mesma atitude lamentável deu-se também na Social. O jornal disse que foi um jogo de empurra de um portão a outro: o Grêmio dizia que quem mandou fechar os portões foi a Brigada e a Brigada diz que quem emitiu a ordem foi o Grêmio.

Ingresso caro, jogo decisivo e cercado de expectativa, muitos matando aula e trabalho, outros com imensa dificuldade de chegar calmamente devido ao trânsito. Em qualquer aglomeração, sempre há idosos, mulheres, crianças e portadores de necessidades especiais.

Intervalo: nos portões 1 e 2, pouquíssimos sócios e locatários de cadeiras (a maioria deles com débito em conta ou cartão de crédito – portanto, de contribuição mensal sem atrasos) que normalmente podem acessar o estádio com atraso foram barrados por brigadianos truculentos. O jogo de empurra continuou. Minha esposa, que trabalha ou tem aula até tarde, eventualmente chega no intervalo dos jogos. Pois justamente nesta malfadada porém especialíssima semifinal contra o Cruzeiro foi a única vez em que foi barrada.

Se eu não tivesse encontrado o conselheiro Élvio, ou teria jogado meu copo de Coca-Cola no chão e levado umas cacetadas de algum brigadiano, ido para o HPS e maculado minha ficha limpa, ou teria quebrado a minha carteirinha. Neste último caso, até o devido esclarecimento das responsabilidades, teríamos sido pelo menos três sócios a menos – com profundo pesar e sob efeito do mais inconsolável dos lamentos. Afinal de contas, torcer e participar não pode nunca tornar-se um fardo ou uma obrigação.

Apesar da gentileza do cel. Élvio e apesar de ter tido várias decepções dentro e fora de campo que tiveram como pivôs uma série de atitudes advindas de sucessivas gestões, nunca havia percebido tamanho desrespeito, tamanha ignorância, tamanha incompetência e tamanha estupidez da Polícia. E isso acarreta também na incompetência e no despreparo da própria direção tricolor.

Na volta para casa, no táxi, na Rádio Gaúcha, o depoimento com a voz embargada de um locatário de cadeira maduro, vindo de Bagé, que pegou 5h de estrada e não conseguiu chegar a tempo para o apito inicial. Além de barrado, apanhou feio da Brigada.

A postura fidalga de Duda, Krieger e outros menos votados, em um curto prazo, com ou sem a herança maldita da ISL, enfraqueceu o futebol como um todo do profissional às categorias de base. Para que a responsabilidade não fique somente atrelada ao grupo político que detém o poder na atualidade, o político profissional Paulo Odone, por sua vez, é fiel depositário de um governo estadual corrupto e truculento – o desgoverno responsável pela polícia bandida que defende corruptos e não protege o cidadão nas ruas de uma capital cada vez mais desprotegida.

Aonde quero chegar com essa comparação aparentemente sem pé nem cabeça? Em primeiro lugar, a gestão Duda não possui imbricações diretas no centro de decisão política do Estado. Em termos, tal postura ameniza o peso da participação do clube no seio de interesses clientelistas, corporativistas, estamentais e excludentes vinculados à macroestrutura. No entanto, isso aponta para uma gravíssima constatação: será que, para evitar as constantes arbitrariedades da Brigada Militar sobre os frequentadores de QUALQUER evento público dentro de recinto privado, é necessário haver algum integrante ou ex-integrante do poder coercitivo como parte do corpo diretivo de um clube de futebol a um grupo de escoteiros?!

No caso de a Brigada Militar ter-se tornado uma instituição politicamente desvalorizada e socialmente desrespeitada, será que essa triste constatação não ocorre exatamente por causa da gestão de mentes doentias no Desgoverno do Estado?

Se a “Máfia do Detran” teve peças-chave dirigindo o Grêmio até o ano passado e se eles subscrevem os desmandos da trupe de Yeda, isso significa que, por acaso, a gestão Odone tinha mais condições de segurar o facho da Brigada por fazer parte do círculo do poder da macroestrutura guasca?

Mais uma vez, repito: a democracia representativa apodrece todas as instituições. Se é um regime menos pior do que qualquer ditadura, monarquia, feudalismo ou patriarcado tribal, por outro lado apresenta de maneira camuflada tudo o que de pior existe em todos esses outros sistemas políticos e seus benefícios tornam-se muito menos significativos do que poderiam ser.

Na 1ª edição do SportsCenter na ESPN Brasil (meio-dia da sexta dia 03/07), o repórter Vinícius Nicoletti estima entre 1500 e 2000 o número de associados tricolores barrados e covardemente agredidos pela polícia (ver as quatro matérias relacionadas aquiaqui, sem nos esquecermos dos verdadeiros excessos, que não foram coibidos pela BM aqui e aqui também).

Muito me admira a falta de coragem e de reconhecimento dos direitos de cidadão dos agredidos: munidos de câmeras digitais e com um monte de repórteres por perto, além da presença do juizado especial junto ao portão 6, era plenamente possível que muito mais fotos e vídeos tivessem inundado a internet. O registro do crachá de agentes públicos concursados e muito bem treinados para NÃO fazer o que fizeram e a busca do nome do responsável direto pela corporação que tratou da “proteção” ao torcedor há uma semana atrás poderiam ter resultado em algo muito mais significativo para a sociedade gaúcha do que o mero medo de apanhar de cassetetes, de levar um tiro ou de ser pego na rua à paisana.

Não tenho nada contra a Polícia. Muito pelo contrário. Porém, ela faz parte da sociedade e não está nem acima e tampouco abaixo da lei. Aos gremistas agredidos que guardaram os nomes de seus agressores, eis o contato da CORREGEDORIA para denúncias.

Pra terminar, os cidadãos precisam necessariamente conhecer, exigir, cobrar, sugerir e esclarecer todas as suas dúvidas relacionadas à proteção policial institucionalizada entrando em contato com o comand0 geral da Brigada Militar.

Outros blogs que discutem essa questão com seriedade são o Alma da Geral e o Grêmio Libertador.

GRÊMIO x CRUZEIRO: VIOLÊNCIA DA POLÍCIA NO OLÍMPICO (2)

quinta-feira, 2 de julho de 2009 23:00:44, upload feito originalmente por heliop@z®.

A desculpa, seja da Direção, seja da Brigada (acredito que seja dos dois, pois o que mais se viu no episódio foi um jogo de empurra, arrogância e falta de autoridade), foi a de que haviam quebrado “todo” o Quadro Social e “toda” a Gremiomania. MENTIRA: foram ALGUNS vidros e a atitude lamentável partiu de ALGUNS gremistas inconsequentes.

Sob hipótese alguma, o justo deve pagar pelo pecador. Nenhum tipo de incidente justifica a agressão de policiais despreparados técnica e psicologicamente. Homens medrosos sob uma farda e com as costas quentes por detrás de uma instituição sesquicentenária, se sofreram abuso ou carência na infância e se tudo o que veem lhes tira a sensibilidade não podem mais pertencer à corporação. Pra mim, são tão bandidos quanto os mortos de fome a quem costumam prender. Diria mais: uma polícia aloprada é muito mais perigosa para a sociedade do que delinquentes.

GRÊMIO x CRUZEIRO: VIOLÊNCIA DA POLÍCIA NO OLÍMPICO (1)

 

quinta-feira, 2 de julho de 2009 23:06:19, upload feito originalmente por heliop@z®.

A foto saiu fora de foco por dois motivos. Primeiro, o menos importante: a sensibilidade da câmera do celular Sony Ericsson W380 é muito fraca na captura de objetos no escuro e também em movimento.

O segundo motivo é o mais grave: minha Lu, que chegou atrasada a Grêmio 2×2 Cruzeiro na última quinta-feira no Estádio Olímpico Monumental em Porto Alegre em função da aula, quase não pode entrar para assistir ao 2º tempo.

Enquanto isso, assustada e tremendo, ela registrou algumas imagens bizarras.

Fui adolescente na década de 1980 e quase apanhei da FICO na saída do Grenal decisivo do Gauchão de 1988 na Av. Princesa Isabel pouco antes da esquina com a Rua Santana. No penúltimo Grenal do Gauchão de 1991, quase apanhei na saída do Beira-Rio. Ambas as vezes saindo em silêncio, apesar de duas vitórias tricolores, pois havia muitos colorados ao redor.

Foram momentos de horror: como frequentador assíduo do Estádio Olímpico Monumental desde 1979, ainda não havia visto tamanho descaso de uma diretoria do Grêmio contra o seu próprio associado ao aceitar passivamente (e, diga-se de passagem, com a sua própria conivência) a humilhação do maior patrimônio do clube (isto é, do seu próprio corpo associativo).

Digam o poder coercitivo da polícia e o poder econômico que sustenta a mídia corporativa o que disserem, apesar da banalização da violência e da intempestividade da juventude atual, quase sempre volto de ônibus do estádio e vou a todos os jogos. Briga e quebra-quebra, felizmente, são fatos isolados. Sou testemunha de que tanto os motoristas como os cobradores e fiscais da Carris sob um apoio RACIONAL da Brigada Militar tem apresentado um bom preparo: tanto é que as depredações e as batucadas nas portas dos veículos praticamente terminaram.

De cerca de seis anos atrás para trás, presenciei muitos Grenais nos quais colorados e gremistas se cruzavam dentro do pátio do Olímpico praticamente sem agressões. Quando ocorria algum incidente, seus protagonistas eram imobilizados e presos com rapidez e sem estardalhaço, preservando a sensação de segurança dos demais espectadores.

Isso posto, tanto a ordem quanto o método de repressão utilizados contra uma maioria de associados patrimoniais, proprietários e torcedores e de locatários de cadeiras em dia com o clube não se justificam sob hipótese alguma.

Seguirei o tema no próximo post.

PAULA OLIVEIRA, XENOFOBIA, VIOLÊNCIA, SENSO COMUM, PIG

Espero encerrar minha participação nesse assunto com este post.

Poucas pessoas tem (acho que caiu o acento diferencial), como eu, verdadeira desconfianca e pavor de todo e qualquer mecanismo de controle e de poder desumanizante, criminalizante, arbitrário e autoritário. Não morro de amores por nenhum tipo de patriotismo ou nacionalismo de onde quer que venha e de quem quer que seja. Portanto, não acho o Brasil ‘o máximo’ nem uma ‘república de bananas’, assim como não acho que a Europa Ocidental, os EUA, o Japão e Israel sejam países bons, livres, humanistas, cultos e maravilhosos e nem o supra-sumo do que há de pior no planeta.

Sempre me pergunto (ainda vou postar sobre isso e quero respostas pra poder entender um pouco a respeito dessa questão): o que leva uma pessoa de qualquer origem social, com qualquer escolaridade, que tenha OU NÃO passado por algum trauma relacionado à violência urbana ou doméstica, seja na infância, seja na fase adulta, a desenvolver a crença de que a polícia é tão justa, disciplinada, honesta e ágil que vale a pena ser um policial ou um militar. Será que apenas espírito de justiça ou de vingança; civismo; abnegação; dom; tradição familiar ou desejo de fazer parte do poder instituído são motivos suficientes para uma pessoa sujeitar-se a ser intolerante de um lado (contra quem está abaixo deles) e extremamente dócil de outro (em relação às instituições e à hierarquia)?

Enfim… A família da moça JAMAIS foi veemente em sua defesa (isso que seu pai é advogado). A própria Paula Oliveira é advogada. E eu duvido muito que os amigos que desconfiaram da veracidade da gravidez e da autenticidade ecografia tenham sido comprados. Seria muita gente próxima da moça a ser comprada ou silenciada. Será que essas pessoas teriam sangue de barata ou canalhice suficiente para se venderem a um veredicto policial estrangeiro?

O histórico de lupus confirmado por seu pai; a falta de convicção dele na defesa de sua filha; o fato de os riscos terem sido feitos somente em lugares onde a Paula teria alcance; um ataque de neonazistas sem hematomas fortes, cortes profundos que demandariam pontos e nenhum indício de pauladas, socos ou pontapés e também sem tentativa de estupro não é algo estranho? Neonazistas ‘do bem’, que só teriam apelado para a humilhação e para alguns arranhões?

Apesar de tudo isso, NESTE CASO, acho exagero dizer que a mídia corporativa provocou um incidente diplomático para prejudicar o Governo Lula. PODE ATÉ TER TENTADO, mas esteve longe de conseguir.

Muitos blogueiros defensores incondicionais do patriotismo, da Paula e atacantes incondicionais da mídia corporativa enxergaram pelo em ovo e, ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO, foram muito precipitados.

Enfim… Mesmo diante desse quadro, nem a moça, nem sua família devem ser execrados. Como eu postei, o problema é deles, com uma assistência adequada do Itamaraty.

Pra terminar: sinceramente, não vejo uma relação direta e imediata entre o exemplo de um brasileiro isolado que comete algum erro no exterior sair do particular ou do pontual para o geral no senso comum estrangeiro – nem mesmo diante do quadro de desemprego e de imigrações na Europa.

Dar uma de midiota é, sim, o brasileiro classe mérdia ficar com vergonha de seus patrícios pobres e do que ALGUNS dos estrangeiros com os quais essa classe mérdia tem contato (normalmente tão conservadores e tapados quanto eles).

É a própria classe mérdia midiota quem mais detona os brasileiros no exterior. Ela fala tão mal (e até faz denúncias) que, aí, sim, o PIG reverbera e faz com que o comércio local de vários países da Europa Ocidental, Japão e EUA mais as suas polícias ajam de maneira truculenta e generalizada contra os turistas e imigrantes brasileiros.