A MORTE DA POLÍTICA PARTIDÁRIA NO BRASIL I

Sim: depois de ter assistido a algumas sessões da CPI DO DETRAN-RS na ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA e de um dos tantos adiamentos da votação sobre a alteração ou não do PLANO DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO URBANO-AMBIENTAL DE PORTO ALEGRE que permitiria ou não a ESPECULADORES IMOBILIÁRIOS construir espigões para abastados de maneira nada sustentável em áreas de controle e de interesse público, vi com meus próprios olhos o baixo nível, a ignorância, a estupidez, a falta de objetividade e a hipocrisia retórica de pelo menos 90% dos integrantes das duas maiores casas parlamentares existentes no RS.

Raríssimas e honrosas exceções são capazes de juntar o tico e o teco pra mostrar que 2+2=4. Pior: os DEPUTADOS e VEREADORES não conseguem sequer representar uma farsa de maneira minimamente convincente, pois eles são tragicômicos por natureza. Quando comem casquinha, o sorvete estoura em suas testas e não em suas bocas.

Sim: eu, um cidadão e eleitor consideravelmente esclarecido e interessado por política, que me perdoem, mas, sinceramente, não tenho mais razão alguma para concordar com amigos, inimigos ou simpatizantes que erguem a bandeira de um partido qualquer.

Sinto-me constrangido demais pelo que foi feito com a ex-única instância pretensamente representativa brasileira surgida pós-1964 supostamente voltada para a solução de problemas coletivos voltados para os mais necessitados: a paixão simbólica por uma causa que muitos consideravam nobre e justa foi-se esvaindo à medida que os interesses pessoais e a necessidade da contrapartida em relação às demandas de poderosos financiadores de campanha relegou a luta por uma sociedade mais igualitária, menos faminta, mais culta mais honesta e mais independente a um quinto plano.

Muitos dizem que o BRASIL está melhorando e que “NUNCA ANTES NA HISTÓRIA…” blá, blá, blá.

DISCORDO REDONDAMENTE: do contrário, ver-se-ia o que tem ocorrido com o JUDICIÁRIO, com a POLÍCIA FEDERAL e com o MINISTÉRIO DA DEFESA?! Em um país minimamente preocupado com a corrupção, com a ética, com o papel social do funcionalismo público como vetor de qualidade de vida e com a intensa fiscalização da transparência e da relevância social dos investimentos privados, os episódios verificados nos posts mais recentes deste blog seriam a exceção e não a regra.

clipped from www.viomundo.com.br
Seria cômico, não fosse trágico e patético, o uso de instituições do Estado para proteger um banqueiro, com a devida cobertura midiática.

O governo Lula está envolvido até a medula na tentativa de desmoralizar aqueles que ousaram investigar o banqueiro, cujos crimes têm a obviedade de uma propina de um milhão de reais em dinheiro.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, é co-responsável pela patifaria. Já imaginaram se a PF fosse fazer buscas nas casas de todas as autoridades que vazaram informações para jornalistas? Isso é absolutamente corriqueiro. E o delegado Edmilson Bruno, aquele que vazou as fotos do dinheiro dos aloprados para os jornalistas na véspera do primeiro turno da eleição presidencial de 2006? Houve busca e apreensão na casa dele?

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ESQUERDA X TÉCNICA + DIREITA E CONSENSO

Tenho acompanhado os últimos comentários e os posts do DIÁRIO GAUCHE e do RS URGENTE. Vejo o predomínio de uma crença e de um interesse que o modelo representativo e eleitoral político-partidário nos moldes em que ainda são propostos e realizados aqui no Brasil não merecem mais.

Ou nunca se pensou em propor melhorias e transformações a esse sistema só porque já passamos por momentos muito piores (o negro, o índio e a mulher em um primeiro momento; e ninguém votava durante a ditadura militar, em um segundo momento), ou, infelizmente, acredita-se verdadeiramente nesse sistema.

EU NÃO ACREDITO MAIS. E não vou defender o indefensável. Afinal de contas, a gênese do marketing e da propaganda eleitoral na mídia de massa já continha dentro de si a possibilidade da transferência do debate do espaço público para o espaço midiatizado, isto é, onde pelo menos 80% de tudo o que se concorda ou se discorda em termos de fatos bem ou mal contados, verdadeiros ou falsos, passa pela mídia de massa, seja ela grande ou pequena, comercial e comprometida ou não.

No momento em que a mídia constituiu-se em um campo social cuja natureza vicária consiste em ser o tradutor dos ininteligíveis discursos vicários dos demais campos sociais a fim de proporcionar a compreensão do que estes campos são, querem e representam através de uma gramática audiovisual voltada para o que o senso comum é capaz de interpretar, a sua naturalização e a sua globalização já estavam consolidadas.

O importante é dominar a técnica para combater o poder hegemônico com as mesmas armas. E mesmas armas não significam paridade de circulação, tiragem e audiência entre veículos de esquerda e de direita e nem tampouco censura: as ferramentas estão aí. São relativamente baratas e o que falta é exatamente a “douta” e “politizada” esquerda intelectualizada das antigas prestar trabalho voluntário, “sujar as mãos” e instrumentalizar não partidariamente mas, sim, tecnicamente.

O problema é que são raros os técnicos de esquerda que dominam o instrumental não dominam a gramática. Acham que vinhetas graficamente ricas, sonoplastia, edição de imagens dinâmica, trilha sonora sensivelmente adaptada à história que está sendo contada e ao seu respectivo timing são menos importantes que o “conteúdo”, que o “texto”, que a “locução” ou que “as imagens falam por si”.

BULLSHIT: a mensagem faz parte do todo e o todo está inserido na mensagem!

Portanto, a direita não é mais eficiente em termos de desburocratização nem de força retórica porque tem uma mídia corporativa hegemônica a seu lado mas, sim, porque ela reconhece a importância de DOMINAR A FERRAMENTA buscando criar produtos adequados aos seus objetivos.

Ao contrário do que se pensa, é possível à esquerda manter suas posições sem se prostituir e sem ser mal-humorada, séria demais, grave, ranheta, sisuda e sem querer impor a “conscientização” e a “politização” do “povo”. Para dominar a técnica, não precisa ser rica e nem tampouco aliar-se à direita Contudo, parece que o que é material ou tecnológico é visto com uma reserva inexplicável, como se usar (ou até mesmo dar-se o direito de fascinar-se com o meio técnico) fosse um grande pecado ideológico.

QUEM NÃO CURTE O CONTATO COM ALGO DE QUE PRECISA NUNCA CONSEGUE FAZER NADA BEM FEITO.

Outro ponto que gostaria de abordar relativo aos posts e comentários nesses blogs é que os comentadores identificados com a direita utilizam aquele velho discurso do atraso, da conciliação e do consenso e de que não há outra forma de discutir a sociedade nem de se chegar a algum resultado prático. Nesse sentido, respondo-lhes através de dois vieses:

1) Não aceitar dividir palanque, não votar junto e nem assinar embaixo de decisões que vão contra valores pessoais e/ou contra o programa registrado em cartório do partido ao qual está filiado não é ser burro, nem intransigente, nem retrógrado: é crer que não dá pra conciliar algo que se considera inconciliável. Portanto, todo político que deseja manter a sua coerência e a sua base eleitoral não costuma amalgamar-se nem ceder a determinados apelos. Embora eu quase nunca tenha votado na direita (só o fiz em 1989 e em 1992 para alguns cargos em função do meu total desconhecimento do que aquelas pessoas e aqueles partidos representavam), um direitista convicto que deixa claro o que defende, o que combate e que verdadeiramente crê naquilo que crê sem vergar a espinha para a esquerda merece meu respeito como uma pessoa séria, coerente e com valores, mesmo que eu discorde destes;

2) Pensar diferente não é ter ressentimento, nem ser do contra: é afirmar o conhecimento de uma realidade alternativa que, seja esta melhor ou pior, mais ou menos útil do que a opção apresentada como hegemônica, deve ser sempre respeitada, aceita, levada em conta. Jamais criminalizada, ignorada, achincalhada, omitida. Como uma minoria incapaz de convencer à maioria que a sua proposta é a melhor, o desafio é sair da estrutura e do vínculo partidário trabalhando diretamente dentro das comunidades, independentemente de partido ou de cargo público, a fim de que, ao invés de delegar poderes à mídia, aos seus patrocinadores e, sobretudo, a qualquer político, proporcionando um crescimento em rede bottom-up, para que a discussão saia da ágora digital e exerça a pressão que os políticos de esquerda e seus militantes sindicalizados, funcionários públicos de baixo escalão e operários urbanos são completamente capazes de exercer diante da maioria direitosa.

Meu fechamento: quem disse que a política é a “arte do possível” é ou foi (e se foi, já foi tarde) um imbecil: em primeiro lugar, porque a política não tem nada de arte. Em segundo lugar, porque o possível quando se é minoria e coerente ao mesmo tempo, é muito pouco para resolver os problemas de uma sociedade e para fazer de um parlamentar honesto alguém objetivo e propositivo.

O Brasil, o RS e POA são atrasados porque “num intendem nada di tenéti” e porque possuímos uma miséria feudal e uma riqueza moderna quando até mesmo os nossos vizinhos mais pobres (Argentina, Equador, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Chile e Venezuela) possuem atividade e participação política mais adequadas ao que as tecnologias da informação e da comunicação podem oferecer em termos de movimentos de resistência bottom-up capazes de desembocar em um verdadeiro envolvimento presencial e protagonista.

BLOG DO PROTÓGENES

O delegdo da POLÍCIA FEDERAL PROTÓGENES QUEIROZ agora tem um blog. O conteúdo ainda é bastante recente.

O ATO CONTRA GILMAR EM PORTO ALEGRE

Atropelou a hierarquia do judiciário e safou Daniel Dantas, o maior corruptor da história deste pa�s

VEJA AS FOTOS AQUI
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O fotógrafo foi o CESAR CARDIA. O público presente parece pequeno, mas foi um aprendizado: ninguém nos olhou com desconfiança e até o humorista André Damasceno estava ali ao lado, apesar de não ter interagido conosco.

Aqui, há algumas peculiaridades culturais que contribuíram para que não tivéssemos mais gente envolvida. Quem oferece quorum e aparelhagem são os partidos e os movimentos sociais e eles teriam sido importantíssimos. Não incentivamos a participação deles, mas acredito que esta decisão foi um erro. Da mesma forma, eles estão muito envolvidos com duas manifestações nacionais de massa que são amplamente veiculadas pela mídia: o GRITO DA TERRA e a MARCHA DOS SEM.

Sábado também é um dia ruim em Porto Alegre, pois quase todo mundo acorda tarde. Domingo é que é o dia de movimento.

O Parque da Redenção é enorme, possui tradição democrática e é maravilhosamente bem localizado. Contudo, a Esquina Democrática no Centro e a Usina do Gasômetro também são pontos de muito movimento que podem ser experimentados.

Em uma primeira olhada, infelizmente, creio que a proposta de evitar interromper o fluxo de veículos e de não “bandeirizar” a massa com símbolos partidários ou sindicais não funciona em função da polarização. O gaúcho médio sempre torce para um lado e raramente reconhece as suas próprias falhas e as virtudes do oponente.

De qualquer forma, foi muito importante a manifestação, apesar da concorrência da Feira Ecológica do Brique e das barracas do PT e do DEM fazendo campanha.

O evento na sede do jornal Zero Hora há três meses atrás foi totalmente partidarizado, houve trancamento de via e havia policiais escondidos nos canteiros fotografando o pessoal. Mas teve cerca de 200 pessoas. O PIG mal e porcamente mostrou, mesmo tendo sido na frente da sua catedral.

Por outro lado, nós vamos sair no JÁ, jornal de circulação usual nos bairros Bonfim, Independência e
Moinhos de Vento. A repórter Naira Hoffmeister apareceu lá e acompanhou
o movimento. Como são bairros populosos, de classe média alta e não estávamos portando nenhum material identificado (salvo os crachás dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho que Cesar e Haroldo pregaram em suas camisas), a tendência é aumentar o movimento.

Aliás, recomendo a leitura do artigo sobre jornalismo comunitário em Porto Alegre escrito pela Profª. Dra. BEATRIZ DORNELLES da PUCRS. Este é um instrumento de mídia pequena que pode ser melhor integrado à blogosfera, apresentando problemas e soluções pontuais para a classe média onde uma mídia apóia a outra.

Neste Estado, é raro poder discutir política encontrando pontos concordantes entre pessoas que votam em pólos diferentes. Não há nem centro-esquerda, nem centro-direita: todos são extremistas. Além disso, quem conhece a fundo política e sociologia possui uma visão naturalmente de esquerda que uma pessoa de direita educada sob a égide taylorista-fordista e crente no mito do gaúcho não consegue aceitar, da mesma forma que a esquerda dificilmente consegue enxergar o lado positivo para a sociedade e para a economia das empresas HONESTAS se tiver sido doutrinada exclusivamente pelo marxismo.

Todavia, esta não é uma virtude nem um defeito maior ou menor seja de quem pensa mais à esquerda, seja de quem pensa mais à direita: afinal de contas, a neutralidade não existe. A visão predominante agrícola, arrogante, decadente e positivista do RS é, de um lado e de outro, uma das mais atrasadas do continente.

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CONFIRA AS FOTOS DO ATO EM PORTO ALEGRE AQUI

AINDA SOU O MESMO DE SEMPRE

Este blog nasceu quando eu ainda acreditava em muitas das instituições brasileiras que demonstram-se ora viciadas. Na mesma época, eu ainda acreditava em várias formas de reivindicação e de debate regidas pelas atuais leis brasileiras como a “melhor” forma de solucionar demandas sociais relevantes para tentarmos transformar a pirâmide social em um cubo.

Não vou deletar nem me arrepender de nada do que eu escrevi daqueles tempos em que ainda cria nos partidos, nos sindicatos, nas leis: eventualmente, um daqueles fatos pontuais pode ser fonte de alguma solução contemporânea porque a temporalidade de ambas as questões permanece semelhante e segue o mesmo ritmo dos ritos políticos modernos.

A transição da modernidade para a pós-modernidade é desigual e jamais terminará: mais cedo ou mais tarde, a mudança de época consolidar-se-á por diversas culturas de forma que a técnica e a comunicação atinjam o mesmo grau de fonte de poder e de meio de realização econômica ao qual o meio urbano já vive.

Por outro lado, algumas raras sociedades pré-históricas, medievais ou agrárias ainda poderão viver muito bem nesses estágios de temporalidades, culturas e alteridades distintas. Por uma questão de cidadania, tudo isso deve ser tolerado, respeitado e não-modificado de fora para dentro. O desafio é proteger essas culturas e ajudá-las a resistir ao bombardeio hegemônico, cujo objetivo de homogeneizar a sociedade é meramente comercial.

O problema maior surge quando defende-se como único modelo de sociedade a celebração dos valores iluministas da Revolução Francesa como um mantra; a modernidade industrial taylorista-fordista como uma forma de organização tão necessária como conflitante e a tecnofilia do fetiche, na qual o produto sociotécnico torna-se mais do que a forma com que a sociedade irá se apropriar do seu uso mais importante do que esse uso.

Cada indivíduo é responsável e interessado por uma determinada esfera da sociedade. Sua vontade de atuar coletivamente depende do quão consciente ele é da sua identidade e da sua pertença. Essa consciência da preservação de uma cultura local, hoje em dia, para a MINHA forma de atuar como ativista, significa pouco e não soluciona mais nem questões pontuais e imediatas, nem tampouco ajuda-nos a encontrar o primeiro floco que originou a imensa bola de neve na qual estamos todos presos.

Não tenho como ensinar nem como impor um jeito “certo” de blogar ou de resistir. Tampouco sei qual é o jeito “errado” de blogar ou de resistir. A única coisa que eu sei neste início de pós-modernidade é que toda a informação que circula pelo ar e pelas ondas eletromagnéticas vai reverberar em algum lugar. Depois, em outros. Mais adiante, em mais outros. Quando voltar, terá sido rebatida e transformada por incontáveis mediadores e remediadores daquele fato inicial.

Portanto, não creio que a solução para um problema local tenda a ser resolvida mais rapidamente se ela permanecer restrita a um conjunto extremamente pequeno de interlocutores locais: ela precisa circular e ser transformada no meio do caminho.