GRÊMIO: BANGUZINHO 2008 HUMILHA MORANGUINHOS MARQUETEIROS

ESTRÉIA PÍFIA DO 'TUDO DE BOM SEMPRE' ANDRÉS D'ALESSANDRO CONTRA 'BANCÁRIOS' E 'SUB-BANCÁRIOS' DO GRÊMIO

Talvez muitos aqui não se lembrem do habilidoso porém inconstante nº15 do tradicional adversário ANDRÉS D’ALESSANDRO. E nem poderiam: afinal de contas, depois do reconhecimento obtido no campeonato mundial SUB-20 em 2001 onde a ARGENTINA foi campeã dentro de casa. Permaneceu até 2003 no seu RIVER PLATE, onde, na LIBERTADORES 2002, levou duas belas sapecadas do mesmo GRÊMIO de ontem.

No dia 24/04/2002, a primeira derrota foi por 2×1 em pleno MONUMENTAL DE NUÑEZ. Em casa, D’Alessandro iniciou no banco e entrou cedo, por causa da lesão de ARIEL ORTEGA. Já no dia 02/05/2002 no OLÍMPICO MONUMENTAL, foi surrado por 4×0 pelo GRÊMIO. No jogo de volta, o argentino demonstrou toda a sua admiração e todo o seu respeito pelo manto sagrado, pela história, pela tradição e pela qualidade técnica do TRICOLOR DOS PAMPAS ao vesti-lo com muito orgulho após a eliminação dos MILLONARIOS. Um verdadeiro troféu para uma amarga lembrança.

Seu ciclo de cinco temporadas mal-sucedidas na Europa foi marcado pelo gitanismo: tal como um cigano, perambulou feito por clubes pequenos da Espanha e da Alemanha (WOLFSBURG, o provável novo clube do zagueiro LÉO, autor do gol de empate TRICOLOR; PORTSMOUTH, REAL ZARAGOZA e, novamente, Wolfsburg e Zaragoza). No início de 2008, foi repatriado para a terra do tango pelo SAN LORENZO. O clube de ALMAGRO pretendia conquistar a sua primeira COPA SANTANDER LIBERTADORES no ano do seu centenário.

No entanto, o CICLÓN infelizmente repetiu a sina da maioria dos grandes clubes brasileiros, para os quais o ano do centenário marca uma larga profusão de “quases”: ou é quase campeão, ou sagra-se quase finalista de quase todos os campeonatos que disputa, ou quase é rebaixado. O final melancólico da temporada centenária costuma ser o limbo.

Trazido pelo tradicional adversário como a última bolachinha do pacote, D’Alessandro estreou ontem à noite, de maneira pífia, marcado pelos zagueiros RESERVAS do Grêmio.

Isso mesmo: enquanto em 1986 o modestíssimo ponta-esquerda JORGE VERAS (atual técnico do FORTALEZA) estreou fazendo dois gols em um Grenal, o incensado argentino, com o apoio de sua torcida e jogando dentro de casa, cobrou mal duas faltas, quase não obteve vitórias pessoais em nenhum setor do meio para a frente, errou feio em suas duas únicas tentativas de assistência e deu apenas um chute a gol que, embora forte, esteve muito longe da categoria de conclusões indefensáveis.

Desde o final da semana passada, cansei de ouvir de colorados ilustres (alguns conselheiros sem muita influência junto à presidência e também funcionários menos conhecidos com os quais mantenho contato) que o TRICOLOR DOS PAMPAS era um time “ruim”, “fraco”. Que havia conseguido muitos de seus resultados através de “sorte” e de “ajuda da arbitragem” – inclusive no embate do 1º turno no OLÍMPICO MONUMENTAL, onde juram que o goleiro RENAN (excelente, porém de pouca estrela – portanto, vendê-lo para o VALENCIA foi um negócio da China) não deu aquele coice no atacante gremista.

Bem, PORTO ALEGRE está cheia de oftalmologistas bem formados para resolver esse problema. Contudo, o que não pode ser resolvido por terceiros é a arrogância, a empáfia e a esquizofrenia dos dirigentes fragarianos* que, com seu campo de distorção da realidade, produz o discurso de que eles são “tudo de bom sempre”.

Este jogo teve uma pequeníssima dimensão para o Grêmio, pois funcionou tão-somente para o técnico CELSO ROTH testar novas formações, dar a oportunidade a atletas que têm jogado pouco e poupar seus preciosos titulares para um VERDADEIRO CLÁSSICO contra um ADVERSÁRIO TEMÍVEL.

Eis que o EXÉRCITO DE FERRO COM A ALMA CASTELHANA tomou a forma de um modestíssimo arranjo de jogadores conhecidos pela sua baixa capacidade de conclusão e por uma quantidade de passes errados acima do limite que separa um time do G4 de um time que luta para não cair. Mais uma vez, contrariando a todos os secadores e corneteiros, ROTH fez o GRÊMIO jogar no contra-ataque e com pouca posse de bola como tornou-se rotina em 2008. Mais uma vez, jogou melhor fora do que dentro de casa.

Finalmente, o que sobrou desse jogo foi a HUMILHAÇÃO DE ENORMES PROPORÇÕES para o clube “tudo de bom sempre”, cujo investimento e cujo marketing são incompatíveis com a verdadeira imagem que passam ao seu torcedor e a todos os seus adversários nesta temporada.

Para o GRÊMIO, o jogo trouxe a

possibilidade da reedição do BANGUZINHO (pra quem lembra dos anos dourados de 1995/96, eram nossos modestos reservas que, invariavelmente, ganhavam do tradicional adversário completo). Dependendo do adversário, caso consiga abrir uma vantagem maior na liderança do BRASILEIRÃO 2008, pode-se poupar novamente os titulares para compromissos mais acirrados.

Sem retranca e com pouca qualidade, na casa dos “tudo de bom sempre”, um empate com gols que dá a vantagem do 0×0 em casa no dia 28.

Enfim… A COPA NISSAN SUL-AMERICANA 2008 é apenas um aperitivo para o que realmente importa.

MUNTARI, A CONTRATAÇÃO DO ANO

Divulgação/Site oficial

A maior vantagem do grande técnico JOSÉ MOURINHO ter trabalhado em um clube riquíssimo como o CHELSEA foi a de poder garimpar um mercado tão diversificado quanto atraente como é o da PREMIER LEAGUE. Agora na INTERNAZIONALE, Mourinho, que tinha MICHAEL ESSIEN, um dos dois melhores volantes do mundo, agora contrata a cara-metade de Essien: o também ganês SULLEY MUNTARI, de estilo parecido, porém mais marcador e menos apoiador do que Essien.

Pra quem acompanha este blog e viu a intensa cobertura que eu fiz da ACN ou CAN (Copa Africana de Nações) em janeiro, a dupla foi decisiva para que seus colegas menos experientes que jogam em ligas pouco expressivas do Velho Mundo conseguissem, empurrados por uma das mais apaixonadas torcidas que eu já vi na vida, chegar ao honroso 3º lugar na competição. Muntari marcou três gols e Essien dois.

Muntari volta à Itália. Antes de ir para o PORTSMOUTH, atuava com sucesso pela UDINESE (clube o qual ajudou a participar da UEFA CHAMPIONS LEAGUE em 2005/2006, com o técnico revelação LUCIANO SPALLETTI, hoje na ROMA). Como dizem os portugueses do excelente blog JOGO DIRECTO, Muntari volta à Bota pela porta da frente, para atuar no clube de maior expressão de sua carreira até o momento. E ele é ainda mais jovem do que sua “alma gêmea” Michael Essien: Muntari completará em agosto apenas 24 anos de idade. É vigor físico e qualidade técnica para uma década adiante.

Em termos práticos, Mourinho já deve ter observado que uma das principais razões pela qual a Inter não consegue ir muito longe na Champions é que o volante argentino ESTEBAN CAMBIASSO e o francês PATRICK VIEIRA são muito técnicos. Cambiasso é mais leve e avança além da conta, enquanto Vieira, por melhor que seja, já possui idade avançada. A idéias é evitar sobrecarregar a zaga nos contra-ataques.

Por falar em Portsmouth, o clube praiano recebeu uma injeção de dinheiro através de um novo proprietário e fez uma boa campanha na Premier League 2007/2008 (8º lugar, à frente de clubes tradicionais como MANCHESTER CITY, WEST HAM UNITED e TOTTENHAM HOTSPUR) apostando em veteranos africanos como NWANKWO KANU (de triste lembrança para os brasileiros), goleador do time em uma temporada na qual chegou a liderar na 5ª rodada e manteve-se em 2º lugar até a 7ª rodada.

Coincidentemente, na primeira rodada da temporada 2008/2009, o Chelsea de FELIPÃO recebe o Portsmouth em STANFORD BRIDGE no domingo 17/08/2008 ao vivo às 09:30h da manhã pelos canais ESPN.