O FUTURO DOS LIVROS

The Future of the Book. from IDEO on Vimeo.

Meet Nelson, Coupland, and Alice — the faces of tomorrow’s book. Watch global design and innovation consultancy IDEO’s vision for the future of the book. What new experiences might be created by linking diverse discussions, what additional value could be created by connected readers to one another, and what innovative ways we might use to tell our favorite stories and build community around books?

www.ideo.com

Pesquei esta de um post do MacMagazine publicado pelo Halex Pereira que, por sua vez, pescou o vídeo acima de um post do Brainstorm #9 postado pelo @cmerigo. O conceito está postado no Vimeo (site de rede social de vídeos em qualidade HD e com um design “matador”, bem diferente do YouTube). Aliás, vale a pena conferir todo o canal da agência de design IDEO no Vimeo, além de – obviamente – conhecer o trabalho dos caras, que é referência mundial em inovação.

Feito todo esse preâmbulo, não teria muito o que dizer a mais sobre as três propostas convergentes entituladas Nelson, Coupland e Alice além do post original, salvo alguns pitacos:

1) Certamente Nelson vem de uma homenagem a Ted Nelson, um dos patriarcas do hipertexto. A fluência do protótipo e a não-necessidade de se conhecer propriamente o URL de cada link clicado nesse tipo de e-book vão de encontro ao que o tio Ted prega no Projeto Xanadu. Inclusive já falei sobre esse tio numa das aulas na @comdig @unisinos. Pra quem quiser saber mais detalhes, basta baixar a apresentação aqui e se ligar nas lâminas 13 a 17.

A experiência proporcionada pelo protótipo Nelson tem relação direta com os comentários, com as citações e com as referências de cada parágrafo fichado por cada um dos interagentes. Ele instiga a natureza do debate. Sua interface e as apropriações dos diversos ambientes deste modelo de e-book (produso) lembra muito a divisão por ambientes que eu fiz nos blogs durante minha dissertação de mestrado;

2) O Coupland remete a formas mais interativas e visuais de busca dos e-books em especial: segundo o protótipo, a busca é feita a aprtir de um conjunto de comentários, revisões, compartilhamento livre e recomendações de e para grupos de interesses (nichos, comunidades <–> ambiente digital global). Me parece uma superação gráfica e de navegação que funciona como uma espécie de mashup de serviços como o Scribd (rede social de compartilhamento de arquivos de texto), o Digg (rede social de revisão e indicação de links), o LinkedIn (rede social de currículos e relações profissionais) e as comunidades do Orkut. Ele segue bem a lógica dos vídeos Social Networking e Social Media in Plain English (imperdíveis pela didática!);

3) Já o Alice, por sua vez, é um protótipo de engajamento do leitor com a obra e com as personagens das narrativas – sobretudo de ficção. O autor expande o escopo da sua obra beyond the box, isto é, ele segue a produzir mais texto além dos limites da história contida no livro. No exemplo, o leitor recebe spots para interagir com as personagens via iPhone. Além disso, o interagente é instigado a ser um co-autor da obra a partir da dispinibilização de um ambiente específico de interação para agregar conteúdo de maneira que a sua versão seja acrescentada ao livro original, porém sem deletá-lo nem impedir a leitura originalmente proposta pelo autor.

Esta proposta me lembra muito o trabalho da profª @raqlonghi da UFSC, que começou a partir da sua preocupação com o desenvolvimento de narrativas literárias hipertextuais há muito tempo atrás.

Como se vê, a tecnologia digital materializada e as relações práticas das suas apropriações do e no ambiente presencial são pesquisadas, refletidas e alteradas em meio a uma série de teorias e de modelos de interação, de leitura e de sociabilidade que vêm de muito longe. O que ocorre não são revoluções mas, sim, evoluções: cada conjunto de relações estabelecidas anteriormente constitui-se em uma futura superação sociotécnica que jamais anula o efeito produzido pela apropriação sociotécnica de um contexto histórico anterior.

Importante salientar que todos os protótipos têm como suporte para a informação que determina e é determinada pela sua interface as tablets e os smartphones. No caso, uma perspectiva bem Apple de ser! ;)

REDES SOCIAIS: POR QUE NÃO DÁ MAIS PRA PARTIDARIZAR AS REIVINDICAÇÕES

Agora há pouco, em função do POST onde critico o fato de a ação multitudinária predominante na resistência dos movimentos sociais do campo e proponho ações de conexão com atores que podem simpatizar com o seu movimento (os favelados e os sem-teto) de maneira que a mídia corporativa e a classe média sofram um inevitável e irresistível nó epistemológico, troquei idéias com A CARAPUÇA.

A CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO, o GUGA TÜRCK do ALMA DA GERAL, o JEAN SCHARLAU, A CARAPUÇA e o RODRIGO CARDIA do CÃO UIVADOR tem opiniões que, de maneira geral, não divergem da minha quanto à defesa incondicional da intenção humanística, laboral, de saúde pública, de sustentabilidade e de desenvolvimento econômico acima da média que a pequena agricultura sem transgênicos nem agrotóxicos baseada na policultura proporciona aos municípios que assentaram antigos sem-terra.

Todavia, discordo de algumas posições dos amigos quando considero que as ocupações (sempre necessárias) seriam a única, a melhor ou a mais eficiente solução possível para a questão agrária. O Guga diz que a única solução possível é realizar as ocupações. A Cláudia diz que as ocupações costumam agilizar a desapropriação de terras para assentamento de pequenos agricultores. O Jean crê que, na contemporaneidade, as soluções de resistência que considero eficientes apenas em ambientes onde predomine o modo de produção taylorista-fordista permanecem sendo as melhores sem levar em consideração o fenômeno da MIDIATIZAÇÃO da sociedade. O Rodrigo, por sua vez, diferencia muito bem os termos ‘invasão’ e ‘ocupação’.

Aliás, de maneira geral, acho que não apenas o Rodrigo manifestaram-se com certa contrariedade por eu ter usado invasão ao invés de ocupação. Não é que eu tenha me enganado ou que eu ache que o ‘certo’ seria dizer ‘invasão’. Naquele post, eu não estava chamando única e exclusivamente o pessoal assumidamente militante e ativista de esquerda para conversar, mas também a CLASSE MÉRDIA FORREST GUMP.

Costuma-se falar em CLASSE MÉRDIA HOMER SIMPSON por causa de uma antiga declaração do âncora do JORNAL NACIONAL (nome bom de marketing: dá a impressão de ser oficial e confiável), WILLIAM BONNER. Acho que essa classe que tem um certo poder de consumo mas é conservadora, despolitizada e ignorante não é apenas fruto da concentração dos meios de comunicação de massa nas mãos de poucos, nem do ‘pensamento único’ resultante dessa configuração de forças em nosso país. Ela também é, sem perceber, o resultado da cultura do medo, da alienação, do consumismo e da omissão que, salvo nas rarar ocasiões nas quais se percebe que o BRASIL chegou ao fundo do poço, predomina neste país desde 1500, mesmo quando ainda não havia mídia de massa, alfabetização em massa, políticas de saúde pública, projetos de desenvolvimento e assim por diante.

Como essa parcela considerável da sociedade deixou-se abater sem reagir pelo sucateamento da educação iniciado durante a ditadura e maquiavelicamente aperfeiçoado no período puramente neoliberal que predominou até o início do lulopetismo, ela lê mal, interpreta mal e não sabe pensar em rede: ela considera-se desconectada do mundo que está além de suas preocupações com dívidas e consumismo. Então, por mais deprimente que isso seja, é necessário explicar-lhes as coisas como a mãe do FORREST GUMP fazia para o seu meninão de QI baixo: “falar de uma forma que ele possa compreender”. Se os Forrests da vida pensam que ocupação e invasão são a mesma coisa, primeiro temos que dourar a pílula para depois apresentarmos as diferenças fundamentais.

Não sei se eu menosprezo ou se tenho um preconceito acima do normal em relação ao perfil desse substrato populacional brasileiro. Só sei que os movimentos sociais precisam alcançá-los e conquistar pelo menos 20% deles como massa crítica. É mais ou menos como se faz pra uma criança entrar em conexão e em sintonia com a fala do adulto: o adulto precisa se agachar para ficar do tamanho do pequeno ser. Do contrário, a distância dificultará consideravelmente o contato tão necessário entre as gerações.

A discussão se estendeu num post do Guga através de comentários tão legais quanto os que eu recebi.

Obviamente, não tenho o contato pessoal com o pessoal do MST que o Guga tem. Realmente, a realidade do MST é como o Guga disse: eles não se sentem pertencentes, integrados e nem mesmo interessados no modus operandi da sociedade de consumo. Primeiro, porque eles não são notícia positiva; segundo, porque eles ainda estão correndo atrás de um mínimo de bens para poder sobreviver com dignidade; terceiro, porque eles tem uma política clara e engajada de defender a sustentabilidade e a saúde; e quarto, porque eles não são público-alvo de nenhum tipo de bem de consumo defendido pela publicidade. Eles assistem pouca televisão, ouvem pouco rádio, leem pouco jornal e, em seu meio, ainda é raro ter acesso à internet. Isso tudo é muito claro.

Contudo, o fato de saber que, NORMALMENTE, os movimentos sociais não costumam ter um espaço minimamente aceitável de veiculação massiva de suas demandas e a APARENTE inviabilidade deles serem apresentados por esse PIG sob uma agenda positiva não poderia funcionar como um incentivo à dissociação deles em relação ao principal consumidor e cliente da mídia hegemônica.

Um movimento civil que não sustenta e não é sustentado por ONGs, partidos e empresas é, por si só, um oásis no meio do Saara. As ocupações são 100% legais, pois eles vão direto nas terras improdutivas. Todo novo assentamento é uma vitória inimaginável para quem não passa pelo que eles passam. Todavia, há uma confusão muito grande entre dissociar-se e isolar-se de quem costuma nos fazer mal ao invés de mantermos uma convivência que possibilite aumentar o nosso contato com outros grupos que têm forte ligação com a mídia que pode funcionar como CONECTORA entre os movimentos sociais e nós sociais relevantes no meio urbano mesmo que essa mídia hegemônica tente evitar apresentar um ao outro.

Vou dar um exemplo bobo do pensar em rede que ilustra bem essa questão. Digamos que eu tenha uma turma de futebol sete e esteja desempregado. Quase sempre, os caras que jogam nos dois times são os mesmos. De vez em quando, uns dois ou três não podem jogar. Pra completar os times, é preciso convidar alguns “amigos dos amigos”. Como a gente não mistura os times, o que era uma brincadeira virou rivalidade. Aí, quando um dos times ganha duas ou três partidas seguidas e começa a rolar aquela corneta, as ‘chegadas’ começam a ficar mais fortes. Aí, rola um revide. Pronto: o pau comeu.

Eu nunca falto ao jogo. O cara com quem eu briguei, também não. No meio dessa turma, ninguém trabalha ou tem algum conhecido na minha área. Só que, um dia, o ‘pau no cu’ traz um parceiro que, mesmo que seja amigo íntimo do primeiro, por mais que o PNC tenha falado mal de mim pra ele, de alguma forma, eu vou com a cara dele e vice-versa. Aí, depois do jogo, mesmo que o PNC esteja entre nós na mesma mesa, não dá pra eu deixar de sentar ali pra conversar com o boleiro convidado por causa do meu desafeto, assim como não precisamos andar armados um diante do outro. Basta que um ignore o outro. Da mesma forma, é preciso aceitar que o meu problema é só com o PNC e vice-versa. Não necessariamente ele é um mau caráter e tampouco eu. Por isso, a relação do PNC com os meus amigos e a minha relação com os mais chegados dele não pode ser interrompida nem por mim, nem por  ele.

Pois esse parceiro que o PNC trouxe é chefe de uma equipe de representantes de uma fábrica de chocadeiras de carrapatos – a única coisa com que eu havia trabalhado antes de ser demitido. Pois graças ao PNC, fiz um novo amigo e, de quebra, recebi uma nova oportunidade de trabalho.

O PNC é um hub ou conector altamente ligado a uma grande quantidade de nós. Eu, que sou meio retraído e ando sem grana pra ir a botecos, jantas, festas, etc. com meus contatos, tenho poucas conexões. E a minha ausência nos encontros com os amigos verdadeiros aos poucos vai enfraquecendo os nossos laços. De alguma forma, preciso voltar a tornar esses laços fortes ao mesmo tempo em que administro os novos laços recém estabelecidos.

Com a auto-estima recuperada, passo a jogar melhor. O PNC vai pensar duas vezes antes de torrar o meu saco, pois seu amigo também é meu amigo e, por alguma razão, a amizade entre os dois é tão cara ao PNC que ele não vai mais bulir comigo de maneira ostensiva. Senão, o laço entre eles vai enfraquecer e tornar o meu laço com o novato mais forte.

Pensar e agir em rede articulando táticas de guerrilha a partir das ENORMES brechas que essa mesma mídia corporativa sempre apresentou deveria ser objetivo da maioria da esquerda.

Ao contrário do pensamento social verticalizado, centralizador, burocrático, pouco criativo e segregador que prevalece nos ambientes onde ainda se utiliza o modo de produção capitalista moderno (taylorismo-fordismo, baseado na uniformidade e na linha de produção), os movimentos sociais não estão à margem da sociedade nem da mídia corporativa e, menos ainda, do consumidor, do produtor ou do financiador dessa mídia hegemônica.

Os grupos humanos são multifacetados e, hoje em dia, não se pode mais pensar na separação ou na padronização do que seriam o povo, a classe operária, a burguesia ou a oligarquia. Só que a experiência mostra que a esquerda ortodoxa quase sempre perde porque evita ter que cruzar o caminho do grande conector para juntar-se a outro grupo de esquerda que segue um caminho paralelo. Já a direita quase sempre ganha porque sempre percebeu a importância dos laços fracos, dos laços fortes e dos conectores: se ela tiver que pedir penico para um grande conector de esquerda, ela pede sem constrangimento, pois é a maneira mais rápida dela juntar forças com a outra parte da direita que corre em paralelo.

Esse antagonismo é representado em ambientes modernos por dois móveis que iniciam suas respectivas trajetórias a partir do mesmo ponto zero e seguem a direção horizontal. Porém, um deles segue o sentido da esquerda e o outro segue o sentido da direita. Isso na cabeça da esquerda ortodoxa…

A direita, por sua vez, sacou muito antes direita que a representação físico-matemática da pós-modernidade através de um gráfico consiste em uma circunferência. os dois móveis partem do mesmo ponto em direção circular. Porém, um dos móveis desloca-se sempre para a esquerda (sentido anti-horário) e o outro desloca-se sempre para a direita (sentido horário). Dessa forma, ao invés de se afastarem ad infinitum como na representação linear, suas trajetórias ao redor da circunferência sempre irão proporcionar pontos de cruzamento que nem sempre serão opostos, isto é, nem sempre a distância entre os dois móveis será exatamente inversa (180º), já que a velocidade de cada um deles é sempre variável ao invés de ser constante ou de ir acelerando sem parar.

Vamos agora para uma representação biológica com traços marxistas: em um formigueiro, a vida em comunidade e o cumprimento integral das atividades que cabem a cada um de seus diferentes grupos de membros (rainha, sentinelas, operárias, enfermeiras e larvas) é a condição moderna de sobrevivência da colônia. Tudo parece sempre igual: a primeira gera larvas; as segundas protegem o castelo; as terceiras constroem e reformam e as quartas alimentam as quintas que, com o passar do tempo e de acordo com a necessidade da colônia, serão uma nova rainha, novas sentinelas, operárias e enfermeiras. Ao dono dos meios de produção, a manutenção dessa estrutura funcional é muito cômoda. Inicialmente, os funcionários não percebem a força que tem ao submeterem-se à ordem vertical, imutável, purista desse modelo.

A pós-modernidade, por sua vez, pode funcionar como uma colônia de formigas antropomórficas a la VIDA DE INSETO: um indivíduo, FLIK, destaca-se na sociedade não por ser o mais rico, o mais forte, o mais inteligente e nem mesmo um grande líder mas, sim, por ser o mais conectado. Criativo e visionário, cometeu um erro grave ao permitir que o poder hegemônico (HOPPER, o chefe dos gafanhotos – conectado a seus subordinados e às formigas) pusesse a colônia em risco. Ele foi isolado pelo hub do formigueiro, que é a RAINHA. Seus laços enfraqueceram com a maioria dos membros da colônia, menos com a princesa DOT, que o manteve conectado tanto à sua mãe quanto à sua irmã, a princesa ATTA.

Mais adiante, ele próprio virou o maior de todos os conectores: primeiro, DOT convenceu-o a não desistir, a não fugir, a fazer por si o que ele havia dito à sua pequenina amiga e fã para fazer.

APROVEITEM AS BRECHAS DA MÍDIA

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uRadXwe5lDU]

Acho importantíssimo que a esquerda entenda que a RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA (MULTIDÃO, NEGRI e HARDT 2005) representa uma forma de ativismo cujo objetivo é abalar as estruturas do poder sem nenhuma ambição, interesse e nem sequer tentativa de tomá-lo de quem está lá.

A REDE SOCIAL estabelecida a partir da hiperexposição midiática de um fato que EMERGE do nada sem que a mídia corporativa possa deter o controle sobre AÇÕES INDIVIDUAIS, INDEPENDENTES, SISTEMÁTICAS e PONTUAIS pode significar que A SOMA DAS PARTES SEJA MAIOR DO QUE O TODO.

É difícil entender, pra quem baseia seus valores e suas esperanças em uma leitura equivocada do marxismo, que conceitos como povo, classe operária e proletariado são econômica e socialmente irrelevantes para a classe média urbana, que está aumentando de tamanho consideravelmente no BRASIL.

Uma classe média crescente resulta em um expressivo desenvolvimento da qualidade de vida através do investimento público, privado, coletivo e individual em educação, saúde, transporte, vestuário, alimentação, infra-estrutura, tecnologia e turismo. Todavia, uma classe média crescente inevitavelmente resulta em consumismo e em conservadorismo.

O vídeo acima, que assisti em um post do meu amigo RODRIGO CARDIA no CÃO UIVADOR, mostra um singelo exemplo de atitudes que se, por um lado, parecem bobas, irrelevantes ou ‘insanas’, na verdade possuem um potencial de espraiamento imensurável se houver o uso consciente e articulado das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação).

O desconhecimento do conceito de EMERGÊNCIA (JOHNSON) impede que as pessoas saibam que ela significa UM MOVIMENTO DE NÍVEL BAIXO QUE EXPLODE NO NÍVEL MAIS ALTO de qualquer cadeia relacional.

Num festival de música televisionado pela GLOBO, durante uma entrevista AO VIVO (tem que ser ao vivo pra não poder cortar – eis aí o movimento do nível mais baixo consolidando sua entrada no nível mais alto), apareceu um carinha defronte à câmera com um boné BRIZOLA 12.

O show foi em 2000. É uma grande pena que a temporalidade desse evento não tenha sido a mesma do DIREITO DE RESPOSTA de BRIZOLA lido por CIDO MOREIRA em pleno JORNAL NACIONAL, ocorrido em 1994.

Hoje, em 2009, graças à blogosfera e aos canais de mídia alternativa da rede (confere meus links na coluna JORNALISMO à direita), isso poderia dar um BAFAFÁ ÚTIL e TRANSFORMADOR, mesmo que fosse em pequena escala.

No próximo post, um sugestão de emergência e de resistência pós-moderna para o MST.

EM ÉPOCA DE ELEIÇÃO, NÃO DÁ PRA ESTUDAR, TRABALHAR E NEM DORMIR SOSSEGADO

(sáb 20/09/2008 – 16:05h) Acaba de descer a Nilo Peçanha em direção à Praça Carlos Simão Arnt uma minicarreata com um bando de puxa-sacos pagos e gratuitos de classe mérdia fazendo campanha para o Fumaça – com buzinaço, bandeiras e um jingle horroroso a todo volume.

Nem se fosse do PT eu suportaria. Esse tipo de expediente só chama a atenção de gente que acha que campanha eleitoral consiste em aporrinhar o saco de quem não tem nada a ver com o pato.

Campanha é o que o OBAMA faz nos EUA. O resto é arremedo.

A população pobre da GRANDE POA e de outras regiões do interior é anos-luz menos conservadora e mais inteligente do que a da capital.

Aconteça o que acontecer, é chegada a hora da esquerda decidir se quer permanecer viva fazendo sua ideologia e suas crenças serem mais disseminadas e levarem a uma verdadeira pressão sobre os três poderes a partir de demandas comunitárias sem nenhum vínculo partidário ou sindical atraindo a classe média para junto de si…

…Ou, então, fazendo papel de trouxa, participando de um esquemão falido por pura ilusão.

A MERDA É SEMPRE A MESMA: O QUE MUDA SÃO AS MOSCAS!!!

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INTERNET: CULTURA GLOBAL DE GUETOS EM REDE

Em um primeiro momento, a internet não é aquele espaço tão democrático como se pensava. Em termos técnicos e idealistas (muito em função de o Brasil possuir o maior e melhor programa de inclusão digital do mundo para a população de baixa renda), poder-se-ia até dizer que sim. Contudo, o fato de a internet possuir uma dimensão infinita e de proporcionar maior independência de criação e uma ampla pluralidade de opiniões não significa necessariamente poder e autonomia para todos os plugados.

A maioria esmagadora dos sites é encontrada através de um punhado de ferramentas de busca – ferramentas que põem freqüentemente no topo da página inicial do resultado de qualquer busca não necessariamente os links mais visitados, os mais completos sobre determinado assunto e nem tampouco os preferidos da maioria dos internautas, pois a preferência vai para aqueles que pagam mais para aparecer melhor. Apesar da enorme gama de inteligências e de produtos que vão além do site de buscas, o que vale mesmo é o binômio publicidade e negócio – uma fórmula bem antiga que muitos devem conhecer.

80% dos internautas não passam da primeira página de busca. Apenas 10% passam da terceira. Além disso, a proporção de resultados encontrados em inglês é maior do que a diferença entre a quantidade de sites existentes em inglês e a quantidade de sites encontrados em outras línguas.

À exceção dos sites de órgãos do governo (tanto daqui quanto de qualquer outro país – um serviço muito procurado em todo o planeta) e das grandes universidades, a terceira grande parcela dos sites mais visitados e mais referenciados do mundo são os portais da mídia corporativa.

Apesar da enorme queda na circulação de jornais impressos nos últimos 20 anos no mundo inteiro, da recente porém contínua queda da audiência da TV aberta no Brasil e do envelhecimento do público leitor dos jornalões e que assiste aos telejornais e ouve notícias no rádio, a maioria das pessoas tende a preferir encontrar na internet os mesmos assuntos com o mesmo viés dos seus gostos e valores desenvolvidos no cotidiano e também através da mídia de massa.

De fato, a mudança de hábito de apropriação técnica e de transformação de valores e de discursos pela qual estamos passando trouxe com muita força a percepção da necessidade de um sistema de relacionamento, de troca de informações e de aprendizagem horizontal cujos caminhos são 100% definidos individualmente, descentralizado, infinito e imensuravelmente segmentado imposto de cima para baixo em detrimento de um sistema intrusivo, massivo, segmentado, impessoal e que não lida com o interesse de cada um, apenas com interesses definidos por terceiros que juram que vão conseguir obter o mesmo efeito sobre uma multidão que se move junta somente enquanto for necessário resolver um determinado assunto em comum, mas que preza a liberdade e a individualidade acima de qualquer coisa.

Muito mais do que desencaixes, desencontros, falta de noção de identidade e uma tentativa muitas vezes perdida, desorganizada e até mesmo violenta (neotribalismo) de retornar à afetividade, ao encontro e ao reconhecimento de si, do outro e do mundo justificados por uma crença tardia na teoria hipodérmica, a dificuldade pessoal e coletiva da maioria das pessoas que têm acesso mas que passam longe de um computador é a de aceitar conviver em um ambiente ubíqüo no qual o tempo e o espaço estão dissociados e onde ainda não é possível perceber a relação mediada apenas por três sentidos (visão, audição e fala).

Todas essas constatações não apontam necessariamente para um mundo melhor e nem pior mas, sim, diferente. Hoje, creio que a questão da concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos é anti-democrática quando a maioria das pessoas humildes acredita piamente na TV ou no rádio e quando o alcance dos jornais feitos para donas-de-casa conservadoras de classe média passa a abarcar uma parcela muito maior da sociedade.

Nesse ponto, a população menos letrada porém mais curiosa é mais crítica. Mesmo com o ensimo público sucateado resultando em semi-analfabetos com 3º grau, há uma série de estímulos que aguçam a inteligência e despertam a pró-atividade rolando através de uma pedagogia informal e, não-raro, não-escolar.

Em função disso, as corporações de mídia precisarão gastar centenas de vezes mais recursos a fim de segmentarem seus veículos para uma audiência não apenas heterogênea e segmentada como quase individual, que prefere receber informações personalizadas. Na internet, isso é fácil e barato. No papel e na TV, mesmo com a TV digital (que também será concentrada nas mãos dos mesmos poucos e irá oferecer um nível de segmentação de conteúdo bem menor do que o da internet, dos jornais e das revistas – não se iludam), é uma brincadeira tecnicamente quase inviável.

Muito se idolatra a liberdade de expressão, a diversidade de opiniões, a criatividade, a multiculturalidade, a transdisciplinaridade, a convergência midiática e uma forma mais sensível de se relacionar através de um ambiente no qual não somos meros receptores mas, sim, produtores/usuários/interagentes ao mesmo tempo. Porém, toda essa liberdade só torna-se evidente no sentido de “cada um faz o seu do jeito que quiser” e “cada um vai atrás do que bem entender na ordem que quiser”.

O fato de executar uma série de ações simultâneas como, por exemplo, postar no blog, enviar o orçamento de um trabalho para um cliente por e-mail, fazer videoconferência com um professor, combinar uma cervejada por mensageiro instantâneo e acompanhar as últimas notícias do seu time no portal tende a pulverizar ainda mais as opiniões.

Dessa forma, creio que a auto-organização das redes sociais (tanto online como presenciais) tende a reproduzir reuniões visando reivindicar uma quantidade cada vez menor de pautas em comum, porém de uma maneira cada vez mais global, a partir de um número cada vez maior e mais heterogêneo de atores.

A isso dou o nome de metaefemeridade, ou uma efemeridade do efêmero, onde eu posso simultaneamente fazer parte de uma multidão que exige plano de saúde integral para todos em uma empresa japonesa, verba municipal para comprar o último terreno baldio da minha rua a fim de cultivar uma horta comunitária, a cabeça do técnico do meu time de futebol na Inglaterra e contribuir com um fundo contra a miséria no Uzbequistão.

Tudo isso se resolve ou não de maneira muito veloz e a simultaneidade de atividades é apenas parcial, assim como a intersecção de indivíduos com mais de um interesse em comum tende a ser cada vez menor.

Enfim, embora a sociedade urbana contemporânea esteja completamente midiatizada, vejo a mídia (tanto a ‘boa’ como a ‘má’) como um instrumento a serviço de um poder maior, ao invés de ser a materialização do poder. Porém, à medida que eu e centenas de milhões de leigos vamos nos apropriando da técnica e da discursividade como produtores e usuários de veículos não-massivos e em rede, grande parte do discurso midiático cai no ridículo.

E não pensem que ele cai no ridículo apenas para os tecnófilos ou para os ricos: do contrário, Serra teria sido eleito presidente – e em 1º turno.

Peço desculpas por não ter citado direta ou indiretamente vários autores que inspiraram este post. Perdoem-me também por não ter aprofundado diversos conceitos dos quais me apropriei, mas acho que pude dar uma idéia geral do que eu penso. Tem um quê de Bauman, Maffesoli, Giddens, Foucault, Marcondes Filho, Fragoso, Lèvy, Hardt e Negri, De Masi, Adorno, Horkheimer e outros.

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