FOUCAULT, KANT E O RS DE YEDA

CUIA: ícone do controle e da menoridade guasca

CUIA: ícone do controle e da menoridade guasca

Não sou filósofo como o MARCO WEISSHEIMER, a KATARINA PEIXOTO nem o MARCELO DA SILVA DUARTE. Também não sou sociólogo como o CRISTÓVÃO FEIL. Corrijam-me se estiver errado, mas acho que vale a pena eu arriscar um exercício

Vocês conhecem um LUGAR que, por acaso, faz parte do BRASIL cujo senso comum não se considera brasileiro; se acha mais próximo do URUGUAI, mas acha os uruguaios ‘chinelões’; fala mal dos argentinos, porém adora a ARGENTINA e não percebe que a sua empáfia é ainda maior do que a que atribuem aos portenhos?

Sem generalizar, essa é a visão da oligarquia local transmitida para seus humildes funcionários. MICHEL FOUCAULT que me perdoe e compreenda – espero estar utilizando corretamente seus conceitos. Vamos a eles:

O principal MECANISMO DE CONTROLE dessa oligarquia é um tradicionalismo falcatruesco que se exacerba sempre que um REGIME NAPOLEÔNICO toma o poder nessa terra. Os preceitos dessa cultura de almanaque são irradiados pelo PANÓPTICO GUASCA (que pratica o pior jornalismo político, econômico e comunitário deste imenso país).

A todos aqueles que, seja como for, conseguem escapar parcial ou totalmente dessa crença, meus sinceros e entusiasmados parabéns. Afinal de contas, à medida que seu ‘povo’ não percebe que suas virtudes escoam pelo ralo da história ao aceitarem passivamente serem VIGIADOS e PUNIDOS, tornando-os ESCRAVOS dos mais ordinários, daquele tipo que não reage, que se resigna, que teme, que ignora e que come galinha e arrota faisão pra ter a concessão de virar CAPITÃO DO MATO.

Excluindo o machismo, o racismo, o carolismo e todas as demais formas de ignorância e de preconceito contidas nessa cultura deplorável, esta província tinha tudo pra jamais deixar de ser reconhecida através de uma imagem de marca justa e positiva em função de vários indicadores sociais.

Para isso, não seria preciso ser melhor do que ninguém, nem tampouco competir com os outros entes da Federação: bastaria tão-somente não regredir à MENORIDADE da qual IMMANUEL KANT falava.

A evolução social, política, educacional, cultural, alimentar, ecológica, econômica e cidadã depende de um esforço contínuo rumo à MAIORIDADE kantiana. Para ser maior, é preciso amadurecer. É preciso refletir. É preciso pensar. Ponderar. Agir. Buscar sempre dar o melhor de si. Reconhecer o outro como igual. SER ESCLARECIDO.

No entanto, SER MENOR É MUITO MAIS CÔMODO…

APRENDIZADOS DE CAMPANHA PARA O PT-POA

Infelizmente, há nuances político-eleitoreiras que são negligenciadas até mesmo pelas raras pessoas esclarecidas, críticas e socialmente conscientes. Vamos a elas:

1) A mídia corporativa não possui necessariamente o poder que a ela se atribui: caso contrário, não teria havido nenhuma espécie de contestação à administração atual. Portanto, todos os votos não-dados a Fogaça (ou seja, mais da metade dos votos válidos foram destinados a todos os demais candidatos) significam insatisfação – mesmo que seja uma insatisfação predominantemente despolitizada;

2) Tecnicamente, o senso comum confunde marketing, propaganda e publicidade, mas são três técnicas distintas. Ei-las:

- O marketing é um arranjo entre quatro variáveis: produto, preço, escolha dos pontos-de-venda e promoção. Essas quatro variáveis, conhecidas como os 4 P’s (em inglês: product, price, place e promotion), dependem de produção, transporte e transformação material ou produção de um bem intangível como, por exemplo, um site de comércio eletrônico. Portanto, a comunicação (publicidade E/OU propaganda; assessoria de imprensa e relações públicas) é apenas uma parte dentro do composto promocional. Portanto, não existe marketing político;

- Propaganda é a promoção de um produto ou idéia de cunho político-ideológico. Portanto, uma campanha para a Rosário é propaganda, assim como contra o porte de armas ou a favor do presidencialismo. Mas a aparição midiática sob uma linguagem persuasiva, normativa e/ou envolta em um determinado juízo de valores de uma bicicleta, de um perfume ou de um automóvel não são propaganda;

- Finalmente, a publicidade é a promoção de um bem (seja ele simbólico ou material) que precisa ser apresentado e consumido: pacote de viagens, bola de futebol, apartamento, conta bancária, etc. são publicidade e não propaganda.
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Atualmente, a sociedade midiatizada, isto é, a sociedade na qual cerca de 80% de tudo o que se discute é produto de mediações (história premeditadamente editada) e remidiações (atravessamentos entre pautas semelhantes ou contrárias em todos os meios de comunicação), não dá valor nem importância à ágora pública (praças, parques, avenidas). E, sendo predominantemente consumista, pouco letrada e de classe média, não adianta forçar a barra pra tentar “conscientizá-la” acerca do seu papel social, “instruí-la” ou “educá-la” sobre política, cidadania, sociologia, filosofia, psicologia ou pedagogia de maneira informal através de explicações longas. Da mesma forma, é um erro crasso querer impor que a maioria dessas pessoas tenham de crer no discurso de um partido qualquer.

Hoje em dia, os partidos não têm mais cara e todo candidato é um produto. Os pobres, vítimas de racismo, sexismo, maior probabilidade de doenças, subnutrição, ignorância e todo tipo de violência, não são mais a classe operária de Marx, nem tampouco o “povo”: as pessoas podem até se unir em torno de uma causa em comum. Porém, não é por terem-se unido em torno de um determinado objetivo neste instante que terão que unir-se e defender as mesmas demandas sempre, já que não há mais um “povo” uno e nem uma “massa” facilmente manobrável: a sociedade atual é composta por uma MULTIDÃO que não é homogênea e não precisa fazer parte de um determinado grupo classista – é a causa que gera a união e não uma crença e práticas individuais predominantemente comuns, já que todos são diferentes.

Portanto, o desafio é reivindicar por transformações radicais nas leis que regem o sistema político-partidário-eleitoral, as prestações de contas da campanha e repensar o papel da cidadania política separada dos partidos. A falta de consciência a respeito de todos esses fatos fez o PT porto-alegrense parar no tempo em que a sua base militante ainda era formada por uma grande parcela da população representada por operários da indústria e por funcionários públicos moradores da periferia.

Atualmente, os filhos e netos dos operários, dos funcionários públicos e da pequena parcela da classe média que lutou contra a ditadura militar e fez política há 30, 40 ou 50 anos atrás não são mais pobres e compõem a maioria da população da capital sul-riograndense. Distantes do ensino público de qualidade e completamente dissociados da história do país, não possuem a menor identificação com os valores políticos e sociais nos quais seus pais e avós acreditam – ou acreditavam.

A classe média é predominantemente conservadora, pois quer preservar o pouco que possui e almeja ser como os figurões que encontram nos cadernos de “variedades” dos jornais, em revistas de fofocas ou através de programas sensacionalistas de rádio, televisão e portais da internet.

Apesar desse quadro, a esquerda precisa aceitar vender seus candidatos como mercadorias ao mesmo tempo em que deva esmerar-se tecnicamente para saber apresentar suas idéias e suas realizações confrontando as falhas dos seus oponentes com dinamismo, velocidade e sem confrontos contraproducentes.

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MULTIDÃO, POVO, MASSAS E CLASSE OPERÁRIA

Mais um trecho da minha quali:

 

 

Negri e Hardt (2005 p. 12) diferenciam três conceitos para reuniões ou agrupamentos de uma grande quantidade de pessoas: a multidão, o povo e as massas:

 

- A multidão seria como uma rede aberta e em expansão, na qual todas as diferenças podem ser expressas livre e igualitariamente, proporcionando os meios de convergência para que possamos trabalhar e viver em comum, com a ressalva de que isso não quer dizer que todos se tornem iguais: essa segunda face da globalização, por sua vez, proporciona a possibilidade de descobrirmos os pontos comuns que permitam que nos comuniquemos uns com os outros a fim de agirmos conjuntamente;

 

- O povo é uma concepção unitária muito utilizada para reduzir as mais amplas diferenças que caracterizam a população numa identidade única;

 

- Diferentemente do povo e a exemplo da multidão, as massas também não podem ser reduzidas a uma unidade ou identidade, pois são compostas de todos os tipos e espécies. Contudo, não se pode apontar quais dentre os diferentes sujeitos sociais formam as massas, pois a essência das massas é a indiferença: “todas as diferenças são submersas e afogadas nas massas. Todas as cores da população reduzem-se ao cinza. Essas massas só são capazes de mover-se em uníssono porque constituem um conglomerado indistinto e uniforme” (op. cit. p. 13);

 

- O conceito de classe operária, em sentido estrito, é utilizado: a) para distinguir os trabalhadores dos proprietários que não precisam trabalhar para se sustentar; b) para separar os operários dos demais trabalhadores, refere-se apenas aos trabalhadores industriais, distinguindo-os dos trabalhadores da agricultura, do setor de serviços e de outros setores. Em sentido amplo, a classe operária “refere-se a todos os trabalhadores assalariados, diferenciando-os dos pobres que prestam serviços domésticos sem remuneração e de todos os demais que não recebem salário” (op. cit. p. 13). 

 

Para salientar a multiplicidade da multidão em relação à unicidade do povo, Hardt e Negri afirmam que “a multidão é composta de inúmeras diferenças internas que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única” (op. cit. p. 12).

A fim de esclarecer melhor a diferença entre a multiplicidade multitudinária em relação à indistinção uniforme das massas, os autores destacam que “na multidão, as diferenças sociais mantêm-se diferentes, a multidão é multicolorida” (op. cit. p. 13).

Por último, os autores explicam que diferentemente do reducionismo classificatório do conceito de classe operária, a multidão é um conceito aberto e abrangente que procura apreender a importância das recentes mudanças na economia global: hoje em dia, a classe operária industrial, ainda que se mantenha bastante numerosa no mundo inteiro, já não desempenha mais um papel hegemônico na economia global.

Ao mesmo tempo, quando dizem que a produção já não pode ser concebida apenas em termos econômicos, porque deve ser encarada na atualidade como produção social (op. cit. p. 13), Negri e Hardt (2005) iniciam uma discussão sobre o papel e as implicações da multidão que abrange todo o livro: em linhas gerais, além de funcionar como a forma contemporânea de resistência ao império, toda a construção colaborativa de conhecimento, cultura, ação política e geração de riqueza através da transação virtual tanto de bens imateriais como de bens materiais nas redes bottom-up resulta em novas formas de comunicação, relacionamento e formas de vida (op. cit. p. 13) emergentes a partir da multidão. Tal modelo ora dominante na sociedade contemporânea que envolve a produção econômica afetando e produzindo todas as facetas econômicas, culturais ou políticas da vida social é denominado pelos autores de produção biopolítica.

A produção biopolítica e o desejo de democracia como moeda comum a diversos movimentos e lutas de libertação através do mundo (Hardt e Negri, 2005 p. 15) atravessam e são atravessados pela rede distributiva a qual chamamos de internet que, por sua vez, constitui uma base ou modelo para a multidão (op. cit. p. 14). Logo, os coletivos de blogs sobre política e crítica da mídia também são um exemplo de produção biopolítica, cujo objetivo é estabelecer relações capazes de fazer emergir uma forma atual de democracia em rede suficientemente ampla e hábil para resistir ao império representado pelo comportamento top-down das corporações de mídia.

Finalmente, os autores afirmam que os vários pontos nodais se mantêm diferentes mas estão todos conectados na rede e as fronteiras externas da rede são de tal forma abertas que novos pontos nodais e novas relações podem estar sendo constantemente acrescentados (ibidem). Portanto, encontramos em Hardt e Negri (2005) uma série de semelhanças com o experimento do organismo unicelular conhecido como Dictyostelium discoideum utilizado por Johnson (op. cit. p. 9-18) como forma de facilitar a sua explanação sobre o comportamento bottom-up que desemboca na emergência e na teoria da complexidade, bem como referências às redes sociais, à cauda longa, aos grafos, aos laços fortes e laços fracos vistos em Barabási (2003).


Os grifos deste conceito destacam, nas palavras de Hardt e Negri, os principais pontos convergentes entre o pensamento desses autores já observados nas teorias de Barabási (2003) e Johnson (2001).

P. ex.: diferentes culturas, raças, etnias, gêneros e orientações sexuais; diferentes formas de trabalho; diferentes maneiras de viver; diferentes visões de mundo; e diferentes desejos. (op. cit. p. 12)

CLASSE MÉDIA GAÚCHA LANÇA BOATOS À VONTADE

Candidatos definidos, o trabalho sujo não precisa ser feito pelos próprios políticos de direita do Rio Grande do Sul, o Bovinão, a República Reaça dos Gaudérios.

Vocês acham que quem trabalha para eles formal ou informalmente é quem mexe os pauzinhos?! Menos do que se imagina!

Vocês atribuem a formação da opinião da classe mérdia à mídia corporativa e a seus patrocinadores? Hummm… ACORDEM!!! Tem muita gente sem tempo nem vontade de assistir telejornais, ouvir rádio, ler jornais e revistas. E ainda há muita gente que, mesmo com acesso à internet, a utiliza apenas para e-mail, Orkut e MSN.

Essa é apenas uma parte de um sistema gigantesco, amplo, em rede, totalmente informal.

O problema do reacionarismo guasca é social, econômico, político, cultural e midiático ao mesmo tempo. A história e a psicologia social são disciplinas que deveriam participar mais desse debate e da detecção desses padrões, pois as disciplinas da sociologia, da antropologia, da filosofia, do direito, da administração, da economia e da comunicação não são suficientes para darem conta de desvelar cada um dos múltiplos nichos de uma sociedade tão ampla quanto heterogênea.

Executivos de médio e baixo escalão sem visibilidade midiática, dondocas que vivem se empetecando, parentes de militares, habitantes de cidades regidas pelo latifúndio ou onde um punhado de megacorporações globais sustenta a esmagadora maioria dos empregos e dos impostos estaduais e municipais é que jogam a merda no ventilador.

O rico anda menos reacionário nos últimos anos porque precisa de uma nova massa de consumidores e de escravos ainda mais dóceis porém muito mais qualificados do que na atualidade. Do contrário, serão engolidos pelos seus concorrentes.

Já a classe mérdia, morre de medo de ter seu padrão de vida posto por água abaixo. Morre de medo que aquelas pessoas feias, sujas, pobres, ignorantes, famintas, ladras, mal educadas, que não sabem ler, escrever, se vestir, que não usam perfume como eles estejam pau a pau freqüentando os mesmos cinemas, os mesmos restaurantes, os mesmos shoppings e por aí afora.

Não é toda a classe média que é mérdia. Mas a classe mérdia é a bucha de canhão dos ricos que não são inteligentes e que não pensam em fazer a economia crescer, mas tão-somente em lucrar o máximo e gastar pouco.

Ultimamente, têm voltado com força nas rodas da classe média alta bovina os papos de que Olívio é bebum, que Bisol é veado, que Lula cortou o dedo de propósito pra se aposentar por invalidez e que ele homologou a nova “absurda” lei do álcool na direção é porque “ele tem motorista pra levá-lo aonde quiser e beber à vontade”.

São eles que mandam contra as cotas nas universidades. São eles que dizem que 3% de todos os impostos que a gente paga vão para o PT…

Ora, ora: isso seria um caminhão de dinheiro suficiente para comprar todo o PIG e mandá-los pastar cada nota!

Gozado: NINGUÉM VOTOU EM YEDA! E ninguém comenta o escândalo do DETRAN ou do BANRISUL (a não ser pra dizer que ‘em uma empresa, essa roubalheira nunca teria acontecido’) nessas rodas!!!

Enfim… Considero que essa parcela da sociedade, por mais que diga que “ralou pra chegar onde chegou”; que realmente não sonegue impostos; que não utilize o mal fadado “jeitinho”; que viva com ética e que possua a ficha limpa na polícia, é a verdadeira escória.

Porém, há um comportamento igualmente deplorável em parte da esquerda, que se julga mais culta, mais solidária, mais politizada, mas nega falhas semelhantes de seus políticos, dos empresários com os quais simpatiza e por aí afora, como a história de que, apesar de péssimo, Antônio Britto era veado, foi para a Espanha com seu enteado, ou então que ele era “brocha”.

Discutir pessoas ao invés de discutir idéias e tornar essas discussões uma prioridade social é, mais do que um interesse comercial da mídia corporativa, um interesse dessa classe mérdia que retroalimenta a mídia de informação: eles não são reféns da desinformação que recebem e tampouco a mídia tem o poder que a ela se atribui com tamanha intensidade, por mais que ela esteja presente mediando todos os campos sociais.

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